O meu inferno pessoal.
Diana:
Stefano e eu somos melhores amigos, porém ambos vemos mais que uma simples amizade; e embora ele deixe claro o que sente; eu ainda tenho medo dos meus próprios. Ele me chamou para um passeio de fim de tarde; o parque que estamos tem uma vista linda, e eu infelizmente acabei de saber que ele vai se mudar; meu coração está muito apertado. Eu queria muito me abrir com ele, mas não consigo, toda vez que tento, as palavras fogem de mim, e eu me apavoro muito fácil, mas agora, sinto muito medo de ficar sozinha de novo.
- Para onde vão te levar? - Pergunto. - Espero que não seja para muito longe. - Minha voz sai carregada de tristeza.
- Ei! Não ouse usar esse tom de voz comigo mocinha, eu vou, mas logo voltarei para tirar você daqui. - As palavras dele saem com uma voz tão calma, como se não ligasse para a ideia dos seus pais.
Ele sabe quase tudo sobre mim, o curioso é que eu não sei de quase nada sobre ele e sua família, vai saber o que eles fazem para ser tão ricos assim, não é?
- Você é a única coisa de valor que eu tenho e agora, vou te perder também. - Falo com medo. Dá para perceber que ele ainda está confuso sobre essa viagem.
- A única coisa que eu quero... É que você se livre das correntes que te prendem aqui, não preciso ser mais especifico, não é? - Stefano tem razão, mas no fundo, eu só quero que minha mãe veja o monstro que meu irmão é. - E eu faço 18 anos ainda esse ano minha linda, você não vai se livrar de mim tão fácil.
- Eu ganho um chocolate se disser que vou me esforçar para cumprir essa tarefa difícil senhor Ferraz? - Pergunto sorridente enquanto cruzo os braços.
- Senhor? Vai fazendo piadas vai! Sua boba.
No meio de toda conversa começamos a trocar olhares e acabei caindo em sua teia outra vez, é incrível com consigo perder a pose perto desse homem, se só com um olhar ele consegue o que quer de mim, imagina se tivéssemos algo sério...
Fico estática vendo-o se aproximar, tento me afastar de todo jeito, mas nada adianta. Há um magnetismo entre nós que é impossível explicar e sem que eu perceba, sempre acabo em seus braços.
O pensamento de perdê-lo me apavora, sinto meu estômago doer, mas não sei se é o medo de ficar sem ele, ou se é pelo tempo que não consigo tocar na comida. Sempre o vi como um amigo, nunca imaginei que teríamos algo sério, embora trocássemos algumas carícias eventualmente. Eu tenho a impressão de que tudo é diferente na visão dele e que se fosse aberta, certamente já estaríamos namorando. Não que, eu não o visse como um bom partido, ele é um cara incrível, mas meus m*dos e tra**as me impedem de ir adiante, por enquanto, esse é o limite que consigo me sentir segura.
- Não me negue por favor! Eu sei que você também sente algo por mim. - Afirma ele.
Eu não consigo afastá-lo e quando me dou conta, estou presa em seus braços. Estamos tão próximos, posso sentir que ele é parte de mim, é uma sensação de finalmente estar completa, protegida e amada...
- Não faça isso! Eu... Eu sinto algo forte por você sim, não posso negar. Mas... Não posso seguir com isso, pelo menos não agora. Me entenda por favor. - Peço me esforçando para não me desmanchar em lágrimas.
Fui covarde e por um medo id***a escondi dele tudo que sof*o calada nas mãos do meu irmão desde muito pequena.
- Pelo menos, me deixe ficar do seu lado, você é a única razão que tenho para continuar.
O calor dos seus braços é uma coisa tão boa, não sei explicar o que sinto só de poder ficar assim com ele... Vimos o pôr do Sol agarrados um ao outro e pela primeira vez na vida, eu não consigo acreditar no que ouvi... Eu não sou nada demais e ele me diz que sou a razão para ele continuar, não sei se acredito ou não, mas mesmo que essas palavras me deixem feliz por agora, sei que assim que eu chegar em casa voltarei a me sentir um lixo, aparecer com um rosto mais alegre na frente da minha mãe é motivo para brigar.
Alguns dias depois...
Aquele nosso encontro me deu esperanças de uma vida melhor e eu quero Stefano, comigo. Eu infelizmente, sei que o pai dele não o deixará mudar de ideia se o motivo da viagem for tão importante quanto ele afirma. Estamos no último ano do colegial e com o ano perto de acabar, ele faz questão de me incentivar a procurar uma faculdade, assim com a cabeça ocupada eu não tenho tempo para pensar em besteiras. Ele sabe que meu relacionamento com a minha mãe é dif*cil, mas infelizmente, eu nunca mencionei que a culpa disso é do meu irmão, afinal, não tenho ideia de como posso contar para o meu melhor amigo que meu irmão é um ver*e abu***or.
Stefano, insistiu tanto para eu decidir logo o que fazer da minha vida que acabamos até discutindo. Já disse repetidas vezes que estou indecisa sobre psicologia, artes ou astronomia, mas na verdade, só quero que ele pare de ser mandão, ficar repetindo sem parar que eu preciso me decidir não vai mudar a minha cabeça.
Depois de muito discutir, decidimos conhecer as faculdades da cidade vizinha, ele acredita que se eu for até lá, poderei encontrar um curso que realmente me agrade. Mesmo com as nossas bri*as por coisas bobas, ficar ao lado do Stefano me ajuda muito a esquecer de todos os problemas e com isso a necessidade de estar sempre com ele aumenta junto com tudo que sinto. Embora eu tenha sentimentos fortes por ele, sou tímida demais para admitir, porém, eu o quero do meu lado sempre! Eu sei disso, mas não tenho coragem de falar com ele a respeito, sua presença faz o meu rosto corar com facilidade. O que mais me deixa com ra*va, é o Stefano, saber da minha timidez e se aproveitar disso, segundo ele, a imagem do meu rosto corado é fofa demais para não ser vista.
Chegamos na cidade e depois de passear por diversos lugares, concordamos em dar uma pausa para almoçar. Procuramos um restaurante perto da faculdade, mas para o meu azar fomos surpreendidos por Thomas, meu irmão e Yonne, minha mãe, que por um "acaso" também estão almoçando no mesmo restaurante... O pensamento de que isso é coisa do meu irmão, passa pela minha cabeça. Me impressiona ao ver seu poder de manipulação sobre as pessoas, nem minha própria mãe consegue perceber a abe**ação ela criou. Thomas é maquia**lico desde criança, sempre me controlando, sempre fazendo eu me sentir inferior a ele, detesta ser contrariado e eu não duvidaria se ele chegasse a m**ar alguém por ir contra seus pensamentos doentios, eu sei que isso nunca vai mudar.
Eu estou me esforçando para manter um sorriso fal*o no rosto, mas com essas "coisas" no mesmo lugar que eu, fica difícil fingir alguma coisa. Por um momento, pego-me imaginando os motivos para estarem aqui, já que minha mãe se negou a vir comigo dizendo que estaria trabalhando, mas com o meu irmão ela quis vir. Eu tinha esperança de que algo realmente importante tivesse acontecido, assim sentiria menos o desp**zo dela, mas eu sou inocente demais para pensar isso... Não demorou muito para eu ter certeza que meu "desp**zível irmãozinho" planejou tudo isso.
- Mas olha só! O que os pássaros trouxeram até aqui!! - No momento em que ouço sua voz, sinto um aperto insupor**vel no estômago, que me deixou muito en**ada. - Eu lamento atrapalhar o "papo" de vocês, mas eu preciso muito falar com você maninha.
"Atrapalhar o papo???? Ah, como eu quero chu*ar isso que você chama de bo*as..."
Mesmo querendo voar no pescoço dele, não me deixei levar pela provocação, porém, essa situação é de deixar qualquer um incomodado. Imagina a mim, que só de vê-lo se aproximando, sinto n*jo. N*jo dele, n*jo de mim e até... da minha mãe. Como ela pode não perceber o que ele faz comigo? Nunca lhe faltou provas, mudança no meu comportamento, marcas roxas no meu corpo, fugia do contato com as pessoas, chorava muito fácil, quando fiquei mais velha, mostrei sintomas de an**edade e de***ssão, sem contar a maneira que tudo se intensificou. Até hoje eu não consigo entender o que Thomas fez a ela, para deixá-la assim, tão cega.
As par**oias constantes de Thomas, ficam piores a cada dia e o fazem crer fielmente que, o que ele faz comigo é o começo de uma linda história de amor. Sim, ele acredita cegamente que eu o amo e que o desejo como homem. Para piorar, ele repete todas as ma***tas vezes que eu nunca serei de outro homem e que só ele me fará feliz para sempre.
M*l sabe ele que única felicidade que ele realmente me causa é quando está longe dos meus olhos. Ele é meu irmão, mas eu o od*io a ponto de querer desistir da minha própria vida para nunca mais ter que vê-lo novamente. Planejei tantas vezes por um fim a isso tudo, eu tentei tantas vezes, implorei ajuda, mas todos a minha volta me tratam como uma hist*rica alucinada. Eu quero od*ar minha mãe por isso, e por muitas eu a od*io, mas... Eu também quero ser amada, protegida e mimada por ela, assim como ela faz com ele ou eu queria pelo menos imaginar que um dia a possibilidade de acontecer será possível.
Thomas, se levanta e agarra meu braço com força, querendo me puxar para fora do restaurante. As ná*seas que sinto, se intensificaram no instante em que ele me toca e nesse momento estou me esforçando muito para não vom*tar aqui, ao mesmo tempo sinto vergonha por essa situação estar acontecendo... Embora, eu queira contar toda a verdade à Stefano e implorar que ele me ajude a sair dessa mal**ta vida, mas eu sinto vergonha e muito medo. Vergonha por imaginar que ele já saiba e que talvez, ache que eu queira tudo isso. Medo de que ele se sinta tão eno*ado a ponto de nunca mais querer me ver. Se isso acontecer, eu não tenho mais motivos para seguir em frente.
- Perdão, mas quem é você? - Pergunta Stefano, me segurando pelo outro braço, interrompendo a saída de Thomas.
- Sou Thomas, o irmão dela e você quem é?
- Sou um amigo. Desculpe, não sabia que eram irmãos. - Stefano, mudou o semblante e soltou meu braço. Eles apertaram as mãos e percebi Thomas medindo Stefano de dos pés à cabeça, que mania rid**ula...
- Vá com ele, mas não vá muito longe por favor, a hora da nossa visita na faculdade tá chegando. - Disse me olhando com receio por eu nunca ter mencionado que tinha um irmão.
Mesmo em meio a tudo dando errado, eu ainda consigo notar os olhares da minha mãe para o Stefano. Não é para menos, ele é perfeito, aplicado, decidido, de tirar o fôlego de qualquer mulher com aquele corpão. A única coisa que o deixa furioso, é ter sua vida toda já planejada pelos seus pais.
Eu não consigo evitar, penso em inúmeras besteiras que podem acontecer para tudo descer pelo ralo de vez. Não basta só ab*sar de mim Thomas, agora me perseguir também? Eu faço até o impossível para não ter que vê-lo em casa e se continuar assim, nem na rua vou poder sair. Ele me leva para um beco ao lado do restaurante, minha mente me alerta a todo momento, "Ele vai te machucar de novo, grita!", "Não faz isso, ele vai te manipular outra vez, fuja ", mas infelizmente, eu não tenho forças e nem coragem para isso, longe do Stefano, eu não sei como agir. Para variar, as coisas estão todas a favor do Thomas, pois eu posso contar nos dedos as pessoas que estão passando nessa rua e meu amigo jamais desconfiaria do meu próprio irmão.
- Espero que você não esteja brava comigo, mas eu tive que vir. Senti sua falta em casa e agora, te encontro junto de um qualquer. - Diz passando essa mão n*jenta em meu rosto.
Sinto minhas pernas tremendo, como uma vara verde sendo balançada ao vento, mas isso muda graças ao tom de voz escroto dele ao falar do Stefano, ele pode fazer o que quiser comigo, não vou ligar, mas eu não admito que essa boca imunda diga uma só palavra contra meu melhor amigo. Não consigo me conter e com isso cavo a minha própria cova.
- Quem você acha que é para falar dele desse jeito? - Pergunto dando um tapa em sua mão para tirá-la do meu rosto.
A expressão de Thomas muda drasticamente. Transtornado e cego de ra*va, me segura pelo pescoço contra a parede e em poucos segundos, faço de tudo para que meus pés encontrem o chão novamente.
- Acha mesmo que vou deixar uma va*ia feito você falar comigo desse jeito? ENTENDA: VOCÊ É SÓ MINHA! MINHA PROPRIEDADE E NUNCA VAI FUGIR DE MIM SUA V*CA!
Eu não consigo gritar, apenas cuspo no rosto dele usando o pouco fôlego que ainda me resta, e ele continuou:
- Aí de você se eu descobrir que foi para a cama com aquele cara! Eu juro, que farei você desejar que a mo*te te encontre mais cedo.
"Ah Deus! Como pode se achar tão esperto? Eu desejo a mo*te sempre que o vejo ou até mesmo escuto sua voz."
Percebendo que está chamando atenção demais para si, ele decide me soltar e nesse beco, é a primeira vez que o vejo chorar depois do que me fez.
- Lágrimas? Sério? Admita: Você só não me m*tou até hoje para não destruir a imagem que a mamãezinha fez de você! Ao invés disso preferiu ab*sar de mim durante anos, me manipulando e tirando tudo de mim, inclusive o amor da minha mãe, você não tem ideia de como te od*io! - Sem me conter, despejo sobre ele tudo o que está engasgado dentro de mim há anos.
Percebo que ele estava pronto para responder e provavelmente vai me agr*dir de novo, mas de repente, é jogado ao chão por Stefano, que aparentemente, ouviu boa parte daquela conversa. Quando me dei conta do que realmente está acontecendo e toda a des**aça que pode acontecer a partir disso, caio no chão sem forças, humilhada, desesperada e sem esperanças.
"Eu sou propriedade dele?" Eu me pergunto. Só quero saber em que momento da minha vida eu errei tanto para chegar ao ponto de ouvir isso do meu próprio irmão, até onde me dou por gente, não fiz nada para merecer essa cruz que eu tenho de carregar...
Sem demora, a mamãe chega acompanhada dos seguranças do restaurante para resgatar a bonequinha de porcelana.
- Vamos tirem ele de cima do meu filho! - Ordena como se fosse a dona do mundo.
Acho que, do ponto de vista da minha mãe, eu seja culpada mesmo, não é? Talvez eu com apenas 7 anos estivesse me insinuando para o meu irmão mais velho e a culpa de toda essa merda acontecer, realmente seja minha. Tudo que eu queria era ter uma infância normal e o que recebi em troca foram ab*sos tanto físicos quanto psicológicos. Foi assim, que infelizmente eu aprendi desde cedo que querer não é poder...
- SE ENCOSTAR NELA OUTRA VEZ EU JURO QUE VOCÊ M*RRE TA ME OUVINDO!? VOCÊ É UM HOMEM M*RTO! - Grita Stefano me assustando.
Leva alguns longos minutos para que os seguranças o tirem de cima de Thomas que não aguenta e desmaia devido à falta de ar. Eu me concentrava em parar de chorar e não sei dizer ao certo, quanto tempo eles ficaram bri*ando. Finalmente, mais calma, levanto a cabeça e vejo minha mãe em pâ**co, preciso reunir forças para não cair na risada diante de tamanha ironia. Ela me implora para chamar uma ambulância, porém, o Stefano se levanta e não permite. Ele me pega pelo braço e me leva para o carro, é nítido a ra*va que o domina, nunca o vi tão nervoso, mas para que não aconteça nenhuma des**aça ainda maior, imploro a todos os santinhos conhecidos, por favor, nos tire daqui!
- Ouvir daquele ve*me que você implorava para ser tratada como l*xo me embrulhou o estômago. Por quê? Por quê Diana? Me explica! Por que você escondeu isso de mim!? - Ele fala alto e irri*ado enquanto soca o volante do carro.
- Eu tentei... Tentei te dizer tantas vezes que nem posso contar. Eu só... Não conseguia... Não conseguia nem se quer formar as palavras para te pedir socorro. - Minha voz é quase um sussurro.
- Me recuso te deixar na mesma casa que aquele animal! Darei um jeito para que você fique um tempo comigo, na minha casa, pouco me importam os meios. Você não vai voltar para aquela casa!
- Ei! - Grito tomando sua atenção. - Ainda não completamos a maior idade, não somos donos do nosso nariz. Eu não posso simplesmente ir para sua casa.
- Que se f**a! Eu vou te levar para minha casa, farei o que for preciso para que você nunca mais saia de perto de mim.
"Deus! Como eu queria ficar do seu lado pelo resto da vida!"
- Talvez... Um tempo com você... Quer dizer, um tempo na sua casa não vai ser problema. Minha mãe não se importa se estou viva ou mor*a mesmo... Uns dias não vão fazer diferença. - Mesmo depois de eu ter concordado com seu pedido, noto que ele ainda está receoso que talvez eu possa voltar atrás.
- Então vamos, está ficando difícil para mim respirar o mesmo ar que aquele ve*me.
Partimos então, para sua casa, faz muito tempo que eu não vejo seus pais e até me esqueci totalmente de como é a casa deles. Lembro-me das vezes que minha mãe me deixava ir lá depois da escola, Willian e Eliza, os pais de Stefano, me tratavam como se eu fosse filha deles, por muitas vezes desejei ser. Assim que passo dos portões, fico de boca aberta, a casa é muito maior do que eu me recordo... Me toquei que não estou "apresentável" para rever os pais dele que são tão elegantes, me sinto muito envergonhada.
- Não quero entrar. - Dou um passo para trás e abaixo a cabeça.
- O que? Por que? Meu pai não morde e tenho certeza que vai adorar rever você.
- Estou com vergonha, só isso, vou te esperar aqui. - Sem pensar duas vezes ele pega minha mão e me leva para dentro.
- Está tudo bem senhor? - Pergunta o mordomo enquanto pega os nossos casacos.
- Meu pai está? Preciso muito vê-lo. - Antes mesmo de receber a resposta, Willian aparece mexendo em seu celular.
- Mas que surpresa agradável! Há quanto tempo Diana! - Chegou me abraçando e dando um beijo em minha mão, eu sem saber o que falar apenas sorri sem jeito. - E você meu garoto, o que aconteceu? Eu te mandei inúmeras mensagens.
- Pai preciso falar...
- Stefano, tivemos um problema sério na empresa e nos querem lá ainda essa semana, vá arrumar suas malas, nós temos que ir. - Falou Willian, interrompendo o filho.
Fiquei tão sem graça, mas quando olho para Stefano fico assustada, ele está mais pálido do que já é, e parece estar com dificuldades para respirar.
- Eu não vou! - Ele acabou de contrariar o pai... Essa também é a primeira vez que o vejo fazer isso. Tento sair da sala de fininho, mas Stefano, percebe e me gruda ao seu corpo para que eu pare de fugir. - O motivo é importante pai, me escuta por favor. - Implora ao pai.
Sinceramente, eu apenas estou esperando a bomba estourar para o meu lado. Além dessa situação desconfortável, eu estou muito m*l, meu corpo está implorando por qualquer tipo de comida, não consigo segurar nada no estômago há dias...
- Queríamos te fazer uma surpresa e agora que seu irmão voltou, você desiste assim.
Calma, irmão? Eu realmente não sei nada mesmo sobre essa família... Agora entendi porque ele não me questionou por esconder que tenho um irmão, ele também tem, embora nunca o mencionou.
Logo que saímos daquele restaurante, lembrei que o Stefano reclamava de uma falta de ar que infelizmente piorou bastante, ele precisou ser deitado no sofá a força para tentar descansar. Que menino teimoso... Não para de dizer que não quer mais sair da cidade e ser a causa do problema, me deixou ainda pi*r.
A febre alta o fez desmaiar. Essa situação fugiu totalmente do controle e a bobona aqui, sempre acha que não pode ficar pi*r. Vê-lo doente assim, me fez ignorar tudo que estou sentindo e pu*a me*da... Eu quero arrancar as minhas tripas, só para amenizar tudo que estou sentindo, estou toda dolorida, mas por ele, só por ele, eu vou suportar o que for preciso!
- Posso ir pegar um copo de água? - Peço toda sem graça quando noto que Willian estava me encarando. Ele assentiu, mas logo veio atrás de mim, deixando Stefano sob cuidados de uma senhora que aparenta ser uma enfermeira.
- Eu só conheço um motivo presente nesse mundo para ter feito o cabeça dura do meu filho mudar de ideia, não é mesmo, senhorita Diana? Quer me contar o que aconteceu? Ou o que há entre vocês dois? - Eu tomava água não por ter sede e sim para tentar esconder meu rosto todo vermelho.
- Peço desculpas pelo incômodo Sr. Willian, não quero lhe causar problemas para o senhor, é só que... Estou com problemas em casa e o Stefano queria me ajudar. - Respondo sem jeito.
"Pelo amor de Deus! Atrapalhar a vida de outras pessoas pelo martírio da minha, é a única coisa que eu nunca quis fazer."
- Não vá me dizer que está grávida? - Pergunta com uma voz curiosa.
- O que... Não, não é nada disso. É só desentendimento mesmo. - Explico. Que vergonha!
- Bom, nesse caso... Se precisar de ajuda, por favor, não hesite em nos pedir.
- Muito obrigada. - Agradeço e retorno à sala para ficar com Stefano.
Já estava quase decidindo ir embora quando ele começou a dar sinais de vida, a cor do rosto está voltando aos poucos, mas a febre ainda está muito alta e ele não para de tremer.
- Diana por favor leve ele ao hospital, a mãe dele estará esperando por vocês lá. Como você pode ver, eu não posso ir. - Willian me pede mostrando a papelada em seu escritório que precisa de toda sua atenção.
- Claro que levo. - Digo sorridente. Só de poder ficar mais tempo com o Stefano já me deixa animada.
Pelo menos, o hospital é perto da casa deles e graças a Deus ele está bem melhor, está até conversando, quando chegamos fomos recebidos por sua mãe, Eliza.
- Meu Deus Diana! A quanto tempo não te vejo menina! - Disse surpresa enquanto me abraça feito um urso morto de fome.
- Realmente faz muito tempo. - Digo retribuindo o abraço dela.
- E quanto a você meu filho, vai me contar o que houve? Quando vi aquele monte de mensagens do seu pai pensei que você tivesse tido outro ataque de asma. - Pergunta ao Stefano assim que me solta.
"Asma, também? Eu sei que ele sofre de an**edade, mas não que também tinha asma..."
Estou curiosa para saber do irmão misterioso, mas como ele não tocou no assunto, resolvi deixar para lá, por hora nós precisamos descansar.
- Eu perdi o controle de novo e quando me dei conta já não conseguia mais respirar. Mãe, por favor! Antes que comece a me examinar, eu preciso da sua ajuda. - A postura rígida dela se dissipou rápido ao ver que o filho está com problemas.
Ela nos levou até uma sala para cuidar dele, mas eu precisei sair para pegar um ar, as dores que eu estou sentindo pioraram muito, mas dessa vez vieram acompanhadas de tonturas, ná*seas e uma dor insupor**vel que faz meu corpo inteiro tremer, minha visão está escurecendo aos poucos, e eu não vou chegar muito longe nesse estado. Me encosto na parede do corredor e meu corpo escorrega até cair de bun*a no chão...
-P***a! Onde os irresponsáveis dos pais estão!? Deus! Nem da própria filha souberam cuidar. - Sou tirada de meus pensamentos quando a ouço se queixando sobre minha família, estou quase desmaiando e o som deles está ficando cada vez mais longe, nem consigo distinguir de quem são as vozes.
- Por favor explique ao... - As vozes estão ecoando na minha cabeça e o barulho fica cada vez mais alto a cada palavra dita. É como se estivesse ouvindo de dentro de uma salão onde só eu estivesse dentro dele e pudesse ouvir os batimentos do meu coração.
[...]
-Eu não me perdoaria se algo acontecesse a... - Os meus olhos estão ficando cada vez mais pesados.
- Claro querido...
[...]
- Não somos iguais aos pais dela...
Não aguento mais, eu estou exausta, muito fraca, com dor e sem nenhuma esperança. Os ab*sos frequentes estão fazendo da minha vida um inf**no, não consigo mais reagir diante de certas coisas, me sinto suja, culpada, sem vontade de viver... Eu perdi completamente a vontade de me alimentar, mas como diz o ditado... "Saco vazio, não para em pé".
As vozes começaram a se distanciaram ainda mais de mim e a minha visão se escureceu totalmente...
Enfim, desperta a bela adormecida!
Diana:
Acordei atordoada numa maca tomando soro, sinto uma dor de cabeça infernal e não consigo me lembrar do que aconteceu antes de eu apagar. Stefano está na poltrona ao lado dormindo como um anjinho enquanto sua mãe mexe em seus aparelhos médicos.
- Eu... Estou assim por quanto tempo? - Pergunto meio tonta.
Nada me vem à mente com muita clareza e estando grogue assim, não dá para pensar direito. Rezo para que eles não tenham visto minhas cicatrizes, estou sem as minhas roupas e isso foi a primeira coisa que pensei, não estou com cabeça para discutir sobre elas agora...
- Até que enfim você acordou! - Disse aliviada.
- Até que enfim?? - Retruco. - Mas por quanto tempo estou nessa situação? - Pergunto já com medo da resposta.
- Você apagou por 5 dias. - Quase infarto ao ouvir a voz do Stefano.
- Não! Não pode ser verdade. - Digo incrédula diante do que ouvi.
- Você com certeza cairia dura de susto se soubesse quão doente está. - Diz Eliza olhando para uma prancheta. - Crianças por favor se comportem, vou a sala ao lado para ver mais um paciente e já volto.
"Realmente, eu quase cai dura e se ela não voltar eu vou mesmo cair dura no chão!"
- Quanto tempo tem esses cor*es no seu corpo? - Seu tom de voz me deixou estática e olhando para o rosto dele sinto o sermão se aproximando.
- Que? Mas que cor*es? - Retruco tentando desviar o assunto. Devo estar igual a uma pimenta...
- Você vai me forçar a isso? - Pergunta deixando sua mão em cima do meu cobertor.
Com toda certeza ele viu tudo... Permaneci em silêncio, deixando que Stefano se enfureça de uma vez, estou envergonhada por tudo isso estar acontecendo, mas dessa vez ele não vai sair daqui sem uma resposta.
- Vou abrir o jogo para você... Me diga, o que você quer ouvir de mim? - Cruzo os braços esperando resposta. - Eu não tive ajuda de ninguém, eu só queria... Queria acabar com todo esse inferno! É uma pena que nenhum desses cor*es resolveu o problema para mim. - Depois do breve de coragem, abaixo minha cabeça e espero o que ele tenha para me dizer.
- Eu vou ficar do seu lado. Não vou sair da cidade enquanto você não entrar naquela faculdade, vou me certificar que estará morando lá quando eu precisar partir...
- Me diz uma coisa Stefano... - Digo interrompendo-o. - Em que me**a você tá pensando? Eu só vou atrapalhar sua vida, porque você não me deixa me paz!?
- Bom, agora... estou pensando em te beijar até perder o ar. - Retruca, fazendo uma cara de bobo apaixonado. - Você não percebe que eu te amo Diana!? Eu não vou te deixar em paz, então para de tentar me afastar!
- O que você... - Minha voz é um sussurro, mas dessa vez sou interrompida quando seus lábios encontram os meus.
Esse beijo está me transformando em uma gelatina, é tão intenso e selvagem... Ao mesmo tempo que tira um peso enorme dos meus ombros, me faz ignorar tudo ao meu redor. Só nos desgrudamos quando a porta se abre e Eliza entra.
- Eu lamento muito, mas vou ter que estragar o dia de vocês com o que eu tenho para dizer. - Deus me proteja dessa mulher! Com esse olhar de quem tá querendo me esfa***ar, estou mo**endo de medo do que pode ser. - Sua mãe tá aqui te procurando Diana, infelizmente ela não tá sozinha.
- Maravilha mãe, estragou mesmo nosso dia com essa notícia. Eu vou até lá falar com eles.
Ouvir isso acabou com todo meu dia... Eu não queria que o Stefano fosse até lá, mas também não pude segurá-lo e assim que ele saiu, Eliza se sentou ao meu lado, claro que para fe**ar tudo, ela está com um semblante que está me fazendo piorar... Eu imagino sobre o que ela queira conversar, mas não estou afim de falar sobre o meu passado. O dia já está cheio o bastante e com aquele beijo tudo desandou... Agora com essa visita indesejada, estou decretando perda total de uma vez.
- Quero que você saiba que jamais vou te julgar, mas porque escondeu aquelas coisas do meu filho? - Ela parece confusa, mas não está surpresa, com certeza já viu outros casos como o meu.
- Escondi por medo... Eu não consigo me abrir com alguém, por pensar... Por achar que todos vão ser iguais a minha mãe... Além de não acreditar em mim, ela acha que sou ma*uca. - Digo com o sorriso mais triste que brota em meu rosto. Achei que ia receber sermão, mas consegui deixá-la muda.
- Eliza, me desculpa, eu queria contar, mas depois de ser ignorada por todos ao meu redor, por pessoas que eu pensei que pudessem me proteger, decidi segurar tudo para mim até explodir. - Minha voz sai com um pingo de arrependimento.
Sinceramente, espero que ela só esqueça de tudo que falei agora, minha cabeça par**oica acha que ela possa querer se aprofundar no meu passado e querer saber mais, eu o*eio falar sobre essas ass**brações que rondam a minha vida até os dias de hoje, então, que ela apenas esqueça disso. A conversa ia continuar, mas infelizmente, a porta se abre e leva embora a minha vontade de viver.
- Minha filha, graças a Deus você melhorou! - Juro que nunca na minha vida, eu vi minha mãe ser tão cínica.
- Com licença! Ela não melhorou e não estamos no horário de visitas. Os dois poderiam se retirar por favor? - Pede Eliza vendo que eles entraram aqui sem permissão.
- E a senhora quem seria? Vim ver minha filha e você não vai me impedir. - O cinismo da minha mãe e a mania dela se achar superior aos outros me impressiona, é realmente muito incrível como ela se acha a dona do mundo.
- Se me chamar de senhora outra vez, vocês dois sairão daqui a força entendeu!? - Eliza aumenta a voz.
De um lado, a rivalidade das duas e do outro a rivalidade dos dois brutamontes... Isso não vai acabar bem. Stefano retribui com provocação os olhares a*****inos do Thomas.
- Da para ver quanto você se importa com sua filha Yonne. - Disse Stefano entrando na discussão. - Ela já está aqui a tantos dias e só agora você lembrou que tem uma filha?
Esse falatório está me fazendo perder a paciência, estão aumentando o tom de voz enquanto eu estou aqui só olhando, a presença do Thomas nessa sala apertada está me deixando ma*uca e eu só quero fazer isso parar. As dores de cabeça estão voltando e eles não param de gritar, se eu não parar essa briga i**ota, minha cabeça vai explodir.
- CHEGA! - Grito o mais alto que posso para atrair a atenção de todos e consigo, por isso continuei: - Mãe, que m**da você está fazendo? Eu quero distância de vocês dois, o que mais eu tenho que fazer para que entendam isso?
- Minha filha, onde estão seus modos? Ficamos preocupados e é assim que você nos recebe?
- Tá brincando comigo né? Não consigo entender de quem foi que você puxou ser tão cínica e mentirosa! - Digo interrompendo-a. Dessa vez ela não vai sair por cima, antes da resposta sair da boca dela eu acrescentei: - Eu nem sei se posso te chamar de mãe, você nunca acreditou em mim... Por favor, sumam daqui agora!
As coisas passaram do limite e já tá na hora de parar, antes que aconteça algo ainda pior. Não consigo acreditar que ela teve a coragem de levantar a mão para mim que m*l consigo sair dessa cama de tão fraca, dá para ver que nem doente eu estou salva desses dois. Eu já estava esperando levar o tapa, mas rapidamente Stefano se levantou e cortou a graça da minha mãe.
- Não se atreva! Toque nela e será a última vez que terá suas mãos.
- Se você pretende manter seus dentes na boca abaixa esse tom. - Deu para ver que Stefano perdeu a paciência e para completar, acertou em cheio o rosto de Thomas que foi jogado no chão com a força do soco.
- Foi m*l, fiquei te devendo essa já que não tive tempo naquele beco, eu sugiro levá-lo para colocar um gelinho Yonne, ele vai precisar. - Stefano sabe como irritar os outros.
- Você não vai fazer nada!? - Minha mãe grita achando que aqui ela vai mandar em alguma coisa. Com certeza dá para ouvir os gritos dela lá de fora.
- Madame... Esse hospital é meu, atendo quem eu quiser e como já falei antes... NÃO É HORA DE VISITAS P***A! - Eliza retruca gritando ainda mais alto. - Serei breve, sumam daqui, antes que eu chame os seguranças!
- Eu nunca na vida achei que uma mãe teria coragem de fazer o que você fez, tentando agr*dir sua filha nesse estado, isso só prova que ela vai ter uma vida melhor comigo! - Afirma Stefano segurando minha mão.
- Vai se arrepender disso moleque! Eu juro que farei você se arrepender! - É surpreendente a força que Thomas ainda tem para falar asneiras, mesmo estando com a boca tão machucada, ele ainda tenta incitar a discórdia por onde passa.
- Vamos embora de uma vez, essa ingrata ainda vai voltar correndo para nós quando esses dois a deixarem na rua...
- Não, minha senhora, te garanto que não vamos deixá-la na rua e me faça o favor de me acompanhar, umas pessoas precisam saber o que realmente houve aqui. - Eliza já sem paciência interrompe a minha mãe novamente.
- Minha princesa, eu vou com ela, mas é rápido, volto já e assim podemos continuar de onde paramos. - Cochicha no meu ouvido e me dá um selinho enquanto aperta minha perna.
Notei os olhares de ó**o do Thomas de longe, sinceramente sinto medo do que pode me acontecer, eu sei que isso foi para provocá-lo. Espero que não demorem muito e que eu não tenha dado mais problemas para eles. Graças ao Stefano eu consigo sonhar novamente, quem sabe um dia eu vou poder ter a paz e o sossego que tanto procuro... Mesmo não conseguindo dormir por causa da dor de cabeça, viro para o canto olhando para parede enquanto continuo viajando em meus pensamentos, porém, a porta se abre... Fecho os olhos para fingir um cochilo, mas infelizmente, a voz é conhecida, agora o palco está montado, eu sozinha com o Thomas fechando a porta, é tudo que faltava para acontecer hoje.
- Sabe? Esses riquinhos te transformaram em outra pessoa, nem se parece com a medrosa que eu conheço. - Engulo a seco ouvindo a voz dele. Novamente sinto aquele aperto na barriga. Entro em desespero, porém, ele é mais rápido tapando a minha boca.
"Dessa vez ele vai acabar comigo..."
- Aquele seu namoradinho cavou a sua cova, vou descontar toda minha ra*va em você por ter deixado aquele m**dito te tocar! Você é minha e sempre será MINHA! - Ouvir essas coisas me fez chorar sem parar. Um barulho no corredor fez o Thomas repensar suas ações, talvez pensando que fosse alguém.
Ele estava saindo do quarto, mas do nada a porta se abriu e foi por outra pessoa, Stefano entrou no quarto com sa*gue nos olhos, não sei se ele ouviu ou não, mas isso não faz diferença agora, eu só quero que tudo isso acabe logo.
- Eu sabia que você voltaria aqui seu ve*me, quer me contar o que disse a ela para fazê-la chorar tanto? - Disse com uma voz tão grossa que colocou medo até em mim. - Não vai falar? Tudo bem, vou arrancar de você a força!
As lágrimas que percorrem meu rosto trazem junto com elas pensamentos ho**íveis que estão vagando pela minha mente.
"Não quero voltar para casa"
"Não quero viver"
"Não consigo fazer nada para evitar isso"
A pouca esperança que tenho vai se mudar a qualquer momento e também não consigo fazê-lo ficar, estou enlouquecendo...
[...]
- Deus do céu, Stefano! Saia de cima dele!
- Ajuda a Diana e deixa isso aqui para mim.
Sou tirada de um "coma" depois levar um saf*não, sinceramente não sei dizer quanto tempo eu fiquei viajando, mas percebi que foi muito tempo depois de ver o que estava acontecendo, Stefano só parou depois de ter várias pessoas tentando tirá-lo de cima do Thomas.
- Por favor Diana, me diz que ele não te tocou outra vez. - A voz dele sai tão desesperada.
- Ele me am**çou e... - Sem me deixar terminar, Stefano se deita comigo e me puxa para ficar junto com ele.
- Vem cá... Eu não vou deixar nada acontecer com você. - Sussurra enquanto acaricia meus cabelos.
Deitada com ele, consigo ver as marcas em seus punhos de ter dado ao Thomas o que ele precisava, fiquei triste que o impediram, não deviam ter feito isso e sim deviam ter deixado a surra continuar. Tenho certeza que Stefano está se culpando por algo que graças a Deus não aconteceu, sinceramente, eu não sei o que seria de mim, se ele não tivesse aparecido. Ficamos agarrados por um tempo, até que comecei a pegar no sono com as carícias dele, eu sou muito mole para isso, receber cafuné me faz dormir muito rápido. Se tudo correr bem, eu vou ter alta daqui uns dias e isso me deixou muito animada.
[...]
Eliza me acordou colocando uma bandeja cheia de comida no meu colo, deu para ver que estou piorando, arroz, feijão, legumes, duas maçãs, alguns cereais e algo que parecia ser uma sopa, tudo isso para que eu sinta vontade de tocar na comida, mas os remédios não fizeram efeito, na mesma hora eu senti uma água subindo e acabaram me dando um balde.
- Você ainda não pode sair daqui assim, tem que comer alguma coisa. - Diz Stefano preocupado.
- Eu estou me esforçando, mas não consigo, não sinto a mínima vontade de comer. - Tento disfarçar a angústia que estou sentindo.
- Eu sei no que você está pensando, mas já te falei que não vou deixar você voltar para lá e vou cumprir com a minha palavra. - Esse indivíduo aprontou alguma coisa, ele terminou de falar e cutucou a mãe.
- Vai contar para ela ou eu posso contar querido? - Engulo a seco enquanto sinto as minhas bochechas pegarem fogo.
- Me contar o que? O que foi que eu perdi? - Pergunto curiosa.
- Ontem, antes de sua mãe ir embora, discutimos outra vez e eu disse que você é minha namorada.
- É melhor que você não esteja na minha frente quando eu sair dessa cama, vou te ma*ar! - Falo segurando um sorriso. Esse filho da mãe é tão lindo que eu nem consigo ficar br*va com ele.
Stefano é um baita partido, eu o quero só para mim, mas quando partir, pedirei a todos os santos que não tenha me apegado demais para não quebrar a cara. Eu não quero sentir ciúmes, mas é impossível evitar, com um gos**so desses tão perto, a todo momento afirmando que me ama fica ainda mais difícil reagir, porém, dado a tudo o que sinto por ele, eu ainda consigo sentir medo de agir.
- Mãe pode deixar a gente conversar? Por favor. - Pergunta.
- Claro querido, só não vão se matar hein? - Pede sorridente antes de sair.
- Eu mereço apanhar, sei disso, com esse olhar de pinscher ra*voso, me deixa tentado a te provocar mais para ver se você me morde. Eu fiz para que te deixem em paz. Sou paciente Diana, se quiser voltar atrás com isso vá em frente, eu vou saber esperar. - Diz apressado, quando percebe que estamos sozinhos.
- Eu sei que sou baixinha, não precisa esfregar na minha cara. - Outra vez me encontro segurando a risada. Ele adora brincar com o meu tamanho, sei que pareço um cachorrinho de bolso mesmo, então nem brigo mais por isso. - Eu entro nessa com você.
"O que eu posso fazer? Daria tudo para ter esse homem só para mim, mas como não posso, irei me contentar com esse fingimento."
- Eu juro que você não vai se arrepender baixinha! - Disse todo animado.
O dia do vestibular!
Diana:
- Bastou um tempo comigo e eu finalmente consegui fazer você se alimentar. Agora sim poderei te dar alta, você tá até com uma aparência melhor.
- Não sei como te agradecer Eliza, só por ter tido essa paciência toda comigo, já merece tudo que eu tenho.
- Deixei disso boba! Você faz o meu filho muito feliz, faz muito tempo que eu e o Willian não vimos ele tão animado assim. - Ela não tem noção de como eu fico feliz ao ouvir isso.
- Tá falando mal de mim né mãe? - Pergunta fazendo sua entrada triunfal. Como sempre ele adora chegar de fininho.
- Falei para Diana que você fazia xixi na cama quando criança. - Disse já dando risada.
Começamos a rir um encarando o outro feito três do*dos, quem me dera ter uma mãe igual a essa... E falando em mãe... De algum jeito Stefano conseguiu a permissão da minha mãe para que eu ficasse na casa dele, óbvio que eu não iria recusar um pedido desses, saímos do hospital e achei estranho Eliza não me falar nada da minha dívida com o hospital, já que esse lugar é de gente rica né...
Estou parecendo um projeto de homem com as roupas largas do Stefano, cabem duas de mim dentro, estou querendo quebrar a cara dele enquanto ele se diverte me vendo assim.
- Você tá muito fofa. - Afirma me deixando com ra*va.
- Eu quero b*ter em você! Onde você deixou minhas roupas? - Pergunto hipnotizada por esses lindos olhos verdes. Deus! Com essa carinha de bobo apaixonado nem dá para br*gar.
- Eu esqueci de deixar na lavanderia, por isso trouxe minhas roupas, olha que essas peças não servem mais em mim. - Fala dando um enorme sorriso.
"Lógico que não serve, com um corpo desses que só parece crescer a cada dia que passa é complicado entrar em alguma peça de roupa..."
No carro, cruzei os braços e ele continuou brincando comigo o caminho todo até a casa dele. Fomos direto para o quarto onde minhas coisas estavam e eu percebi que ele só queria me ver usando as roupas dele mesmo... Tem uma mala cheia de roupas minhas aqui, enquanto ele deu a desculpa que minhas roupas estavam na lavanderia... Ah se eu não te amasse Stefano.
- Esse é seu quarto né? - Ele assentiu e continuou me encarando. - Onde eu vou dormir? - Pergunto.
- Aqui. - Fala na maior cara de p*u enquanto se joga na cama. - Fica tranquila, eu disse que sou paciente.
- Eu preciso te falar uma coisa... Faz muito tempo que venho guardando isso só para mim, passamos tanto tempo juntos que está ficando impossível de esconder o que sinto por você. - Digo mo**endo de vergonha. Tenho tentado me abrir com ele, mas tá ficando pior a cada dia, eu sempre acabo revivendo as palavras do Thomas na minha cabeça e estou cansada disso, eu preciso tentar. - Eu... Eu te amo Stefano! - Mesmo gaguejando, consigo dizer o que queria.
- O que foi que você disse? - Olhando para baixo tentando esconder meu rosto corado, não consegui vê-lo se aproximar de mim. - Diga outra vez por favor!
- Eu te amo. - Repito, mas dessa vez olhando em seus olhos.
- Eu também te amo Diana. - Ao dizer isso, ele me abraça tão forte que acabamos caindo na cama, nos beijando e presos um ao outro como se o mundo fosse acabar nesse momento, sinto suas mãos em minha cintura enquanto eu deslizo as minhas pelo seu peitoral definido. Eu não sinto vontade de parar, embora eu queira muito me deitar com ele, confesso que sinto medo de alguma coisa que não sei explicar, de fato é parte da minha vida ter sido controlada durante anos.
Agora chega, chega de ficar pensando no que pode me acontecer, eu preciso parar de ficar pensando no futuro o tempo todo, se não, eu nunca vou viver assim, sempre com medo. Sinceramente, eu não tenho nada a perder além do meu coração, então que se d*ne, já que estou no inf**no mesmo, vou beijar o cap*ta de uma vez. Perdemos a noção do tempo enquanto estávamos nos beijando e só nos desgrudamos quando perdemos o ar.
- O jantar está servido crianças! - Avisa Eliza do lado de fora.
- Já vamos descer mãe! - Responde todo sorridente, enquanto eu estou aqui toda derretida... - Vamos minha princesa, meu pai vai me ba*er se a gente demorar. - Concordei sem pensar duas vezes, pois estou mo*ta de fome.
Fiquei na casa deles até passar as provas finais da escola, que sinceramente, foram mais tranquilas do que eu pensei, nesse tempo nós dois finalmente completamos a maior idade e nosso sonho de ficarmos juntos está cada vez mais próximo. Poucos dias depois o tão esperado vestibular chegou, desse sim eu estou com medo, eu preciso passar, não quero mais viver perto do Thomas, não quero mais ser controlada o tempo todo nem por ele, nem pela minha mãe, eu não quero mais ser mac**cada por ele enquanto ninguém faz nada além de aplaudir os atos repugnantes dele, essa é a minha oportunidade e vou agarrá-la com todas as forças que eu tenho. Dentre todas as preocupações que eu tenho, apenas esse vestibular está martelando minha cabeça sem parar, a possibilidade de sair daqui é a única coisa que me mantém motivada e firme para continuar. Fiz a prova me esforçando para segurar todo o nervosismo que estou sentindo, eu tenho que conseguir, se não, todo o meu esforço será em vão e eu não quero decepcionar a única pessoa no mundo que me apoia de verdade. Na hora da saída, Stefano apareceu ao lado de um carro esporte com um buquê de flores enorme nas mãos.
- Senhorita Peterson, espero que esteja pronta para uma tarde inesquecível.
- Muito obrigada senhor Ferraz! Essas flores são lindas... Quero saber onde vamos, depois eu digo se estou pronta. - Digo com um sorriso de orelha a orelha vendo as flores.
- Nada disso, não vou contar meu amor, é uma surpresa, mas a noite eu vou querer saber se você gostou ou não, agora vamos. - Responde abrindo a porta do carro para mim.
Fomos num parque de diversões, fliperama e para fechar a tarde, fomos andar a cavalo, ele foi no mesmo cavalo que eu, para tentar me acalmar, sou medrosa até para isso, fui o passeio todo pensando que daria a lo*ca no pangaré...
"Sou cagona mesmo e daí?"
Que sonho é esse meu Deus, para me alegrar, as coisas não andaram para o lado errado como de costume. Essa tarde foi a melhor que já tive, eu nem quero imaginar o que ele vai aprontar se eu passar no vestibular. Mas é claro que se tratando da minha mente conturbada, eu tive que pensar em bobagem, mas isso não importa, nada vai me fazer descer do salto hoje, mesmo desanimada vou continuar com um sorriso no rosto. Nós chegamos na casa dele a noite e eu nem sei o que dizer a respeito de hoje, que tarde maravilhosa!
- E então? P***a Diana! Esse seu sorriso lindo, tá me deixando louco! - Diz me agarrando.
- Entenda Stefano! Você é o melhor namorado do mundo! - Respondo em seus braços.
Fomos para o quarto e depois de me deitar, eu me pergunto que me*da tem de errado comigo, depois de um dia maravilhoso ainda voltei a me questionar sobre tudo isso, peço a Deus que não seja um sonho, segundo a minha própria mãe, eu só conseguiria homens que me usassem feito uma p*ta...
Estou com muito medo do que realmente está acontecendo, estou perdidamente apaixonada por um cara que ficará meses, talvez anos longe e eu não irei fazer parte da vida dele muito menos sei para que será a viagem dele para fora da cidade, mas se tudo der certo, quem sabe não poderemos ter um relacionamento a distância, independente do problema Thomas, eu quero muito poder manter o contato com o Stefano... E falando do problema que tem um nome, sobrenome e endereço, sei que se eu estiver sozinha e desamparada, ele vai acabar descobrindo de algum jeito, para que então, possa ressurgir das cinzas para acabar com a minha vida.
[...]
As semanas se passaram e finalmente o chegou o dia da divulgação dos resultados, a manhã inteira tem sido uma loucura, saímos bem cedo de casa para chegar na escola antes do lugar ficar muito lotado. Stefano me fez tomar um calmante antes de vir para cá, mas infelizmente não fez efeito algum, estou andando de um lado para o outro sem parar, o tempo todo ligada no 220.
"Essa an***dade ainda vai acabar comigo..."
- Amor por favor se acalma! - Stefano me pede com uma voz um pouco desesperada. - Eu não sai do seu lado em momento algum, mas estou parecendo um enfeite de natal parado aqui.
- Me desculpa! Estou apavorada. - Respondo nervosa. Tudo piorou quando vi a professora chegando com os resultados para colar nas paredes, me sinto congelada por dentro e por fora.
- Agora é a hora minha princesa. - Fala me dando um tapinha de leve nas costas. Antes de ir até a parede, ele me abraça. - Quero que você se lembre, jamais te deixarei sozinha, mesmo se não passar eu estarei aqui para você.
Criei coragem para ir, mas não tirei da cabeça que finalmente terei uma vida ao lado do Stefano. Antes de chegar aos resultados da prova, sou barrada por uma professora dizendo que precisa me levar para diretoria, mas acabo me assustando ao sentir as mãos de alguém me puxando para trás.
- Olá, sou Stefano, o responsável por ela, o que houve? - Se apresenta para a professora. Só quero saber de onde essa criatura saiu Senhor! Quase me m*tou do coração.
- Senhor, essa jovem está entre os melhores e querem oferecer a ela uma bolsa de estudos. Por isso o diretor gostaria de conversar com ela. - No mesmo momento, Stefano me olhou com um sorriso de orelha a orelha.
- Uma bolsa? Para mim? Isso tá certo mesmo? - A encho de perguntas curiosas. Não consigo acreditar nisso... A professora assentiu e me mostrou onde fica a sala do diretor.
Sabe aqueles sustos de desenho animado em que o personagem fica todo branco? Pois é, preciso ir até um espelho para ver se eu não estou desse jeito. P***a! Como assim eu tirei uma nota alta, óbvio que estou pulando de alegria, mas sei lá né? Não tá entrando na minha cabeça que eu finalmente consegui e com isso poderei tomar as rédeas da minha vida.
"Obrigada Deus! Muito obrigada!"
Depois de falar com o diretor, nós concordamos em comemorar, segundo Stefano, eu mereço muito mais que apenas um dia de passeio... É mesmo verdade, eu ganhei a bolsa de estudos, esse é definitivamente o melhor dia da minha vida!
Descobrimos que na cidade está havendo uma festa em prol da igreja, parece ser coisa grande e com um pouco de tudo, com um ingresso super barato que eles estão vendendo, dá para fazer muita coisa, já andamos na montanha russa do parque, fomos ao cinema, nos empanturrando de doces caseiros, ele ganhou um urso de pelúcia enorme depois de ter acertado todos os anéis na boca de uma garrafa, participamos de um leilão e ele ainda comprou uma casa de campo. Eu não quero aceitar, mas ele não para de insistir dizendo que quer me dar essa casa de todo jeito, mas é claro que, se ele for morar comigo talvez eu pense no caso... Nosso dia terminou com uma vista incrível do Sol se pondo, infelizmente os pais dele não pararam de incomodar e por isso vamos ter que voltar para casa, estou cansada, mas também quero reviver todo esse dia novamente.
- Stefano, não vou ficar com aquela casa, mas se você vier morar comigo eu posso pensar no caso... - Minha voz sai maliciosa. Percebo que chamei a atenção dele e lanço um sorriso de canto da boca para me fazer de santa.
- Gostei da ideia, gostei muito, da ideia, mas agora não dá, sabe que se eu pudesse largaria tudo só para fugir com você. - Suas palavras e sua voz rouca, acabam me deixando sem jeito.
- Você sabe que tenho um problema sério com carência, aí você me manda uma dessa, não largaria tudo por mim, deixa de falar bobagem! - Digo isso querendo me est***gular por tentar estragar esse dia maravilhoso.
- Eu só não te dou umas boas pa***das na bu**a agora porque eu te amo, você não tem ideia de como mo**o de vontade de te deixar de castigo quando me diz essas coisas.
- Desculpa... - Peço envergonhada.
- Tudo bem. - Dito isso, me puxa para um beijo ainda dentro do carro.
É incrível o esforço que a minha mente par**oica tem para estragar momentos bons iguais a este, mas graças a Deus ele entende e me ajuda mais do que pode, esse apoio dele só faz tudo que sinto se intensificar, ele não tem ideia de quanto sou tão grata por isso. Uma pessoa boa na minha vida é uma coisa tão nova, eu não tenho ideia de como reagir, acabo sempre esperando reações iguais às que o Thomas tinha quando me vio******a e como virou uma coisa frequente, ainda estou aprendendo a me abrir.
- Esperem na sala crianças, já está quase na hora do jantar...- Eliza passa nos avisando assim que pisamos para dentro da casa. - E vocês não se esqueceram do almoço de amanhã, não é? - Pergunta pela milésima vez a mesma coisa.
- Não mãe, não esquecemos, você está nos lembrando a cada dez segundos. - Stefano responde já estando impaciente.
Fomos até o quarto, nos trocamos de roupa rápido para descer já que a Eliza nos mandou esperar na sala. Em um dos corredor da casa esbarramos em Willian, talvez seja coisa da minha cabeça, mas estou sentindo um clima tenso entre esses dois, vendo eles se encarando como tivessem cometido um crime que ninguém pode descobrir. Na cozinha eu confesso que esse jantar foi o mais esquisito que já aconteceu nessa casa, pelo menos enquanto estou aqui presente, eles vivem se falando, são unidos demais e agora do nada as coisas ficaram assim, calados, nem se olham. Há uns dias venho notando o comportamento estranho do Stefano, mas não tenho coragem de perguntar, com certeza é coisa deles, enquanto eu estou aqui de "pe**tra".
- Aconteceu alguma coisa amor? - Pergunto curiosa assim que entramos no quarto. Não tem jeito, a parte fofoqueira que vive em mim não resiste a uma encrenca, depois que subimos para esse quarto, ele não disse uma palavra e eu tive que perguntar.
- A minha relação com meu pai já teve épocas melhores, nada que precise se preocupar minha linda. - Fala sem olhar em meu rosto.
- Vou estar aqui, caso você precise de um ombro para chorar. - Digo tentando confortá-lo como posso.
- Muito obrigado, agora vem cá, não me deixe dormir sozinho nessa noite tão fria. - Me puxa para a cama com ele.
Percebo suas mãos trêmulas no momento em que ele me agarra, sua respiração está ficando ofegante, pensando que ele possa ter outro ataque de asma, apenas me viro para abraçá-lo. Bom... Vou no mínimo tentar fazer um papel de boa namorada, nem sei o que é ser uma boa namorada para falar a verdade, mas vamos ver no que isso vai dar. Notei que já são 3 da manhã e ele ainda não pregou os olhos, virando para todos os lados da cama, isso tá me incomodando, eu sei que ele não tá legal, porém, me sinto impotente sem saber o que fazer para ajudá-lo. Estou m*rta de sono, porém não consigo dormir assim.
- Você ainda tá acordada? - Pergunta me assustando.
- Sim, você também não dormiu. - Retruco me segurando para não soltar um bocejo.
- Meu pai quer adiantar a viagem... Brigamos porque pedi que levasse você comigo e ele não aceitou. - Diz se sentando na cama.
"Tá, por essa eu não esperava..."
- Amor, você já pensou que poderíamos ter um relacionamento a distância? Se é isso...
- Eu não quero te deixar e você sabe muito bem porquê. - Me interrompe com uma voz trêmula.
- Me desculpa, a última coisa que eu queria era dar problemas para você. - Digo envergonhada, embora eu já soubesse o que poderia estar causando, já que estou nessa casa a tantos dias.
- Para com isso, se esse "problema" está incomodando você, infelizmente eu lamento dizer que isso é apenas a ponta do iceberg. - Retruca nervoso e sai do quarto batendo a porta. Para mim, eles sempre foram uma família decente e agora escuto essa.
Depois de discutir com ele, vejo a hora passar rápido e nada dele voltar para o quarto, decido então ir pegar um copo de água, uma desculpa barata para procurá-lo, talvez tentar conversar com ele, embora eu ache que não dará certo. No andar debaixo, escuto conversa vinda da cozinha, começo então seguir essas vozes e a únicas coisas que consigo escutar, são o bastante para me deixar alerta: "Ele sabe e não se importa, não se importa com nada que não seja para benefício dele mãe!"
Ouvir isso me faz pensar na br*ga dele com o pai, fiquei sem jeito para entrar na cozinha, mas entrei mesmo assim, é uma me*da não poder ajudar em nada e a cada momento que passo aqui, só me deixa mais impotente, eu gostaria de poder fazer alguma coisa, porém, não sei de nada que acontece na vida deles.
- Olá querida. - Eliza alerta Stefano da minha presença. - O que faz acordada a essa hora? - Pergunta curiosa, talvez já imaginando que eu estivesse ouvindo.
- Vim buscar um copo d'água. - Respondo sem jeito. Ela me oferece a jarra com água e dá passagem para eu me aproximar do Stefano.
- Deixarei vocês conversarem, boa noite e não se esqueçam do almoço! - Se despede de nós e novamente ela nos lembra do bendito almoço, se não chegarmos na hora nesse restaurante, quem ficará desapontada serei eu...
- Não veio pegar água, não é? - Pergunta com uma voz bem baixinha. Percebo que ele esconde o rosto e quando me aproximo mais, vejo que ele está chorando.
- Por que está chorando? - Pergunto aflita. É a primeira vez que o vejo assim, a coisa realmente é séria.
- Minha vida... É uma piada. - Fala deixando as lágrimas caírem sem controle. Vendo que ele poderia se exaltar, dou-lhe um abraço, não tenho outras opções a não ser isso, a minha presença não vale muito então vou improvisar como posso. - Desculpa, desculpa, me desculpa por favor! - Grita soltando o peso do corpo por cima de mim e caímos os dois de joelhos no chão.
"Mas afinal, o que aconteceu para fazê-lo chorar tão desesperadamente?"
Sei que ficamos abraçados no chão da cozinha por longos minuto, faria de tudo para acalmá-lo independente do que fosse. Vê-lo desesperado daquele jeito me deixou muito preocupada, mas já tenho em mente que o motivo é aquela ma***ta viagem e pelo andar da carruagem, será questão de tempo até acontecer, preciso estar preparada, não quero ser pega de surpresa para depois não conseguir parar de chorar, ficar sem ele será o meu castigo.
"Nada vai sair como eu planejo, como farei para não sentir a falta dele se eu o amo? Estou perdida..."
Consegui trazer o Stefano para a cama comigo, mas não consegui pregar os olhos um minuto se quer, a hora passando e o peso dos meus olhos só aumenta... O sono começou a chegar por volta de 7 da manhã quando o Sol já estava nos agraciando com sua belíssima luz, antes disso foi só so***mento, não parei de pensar no Stefano, por conta disso não dormi a noite toda. E falando dele, eu espero que tenha conseguido dormir nem que for por pouco tempo, estando de cabeça quente, ele não vai conseguir se resolver com o pai. Umas horas mais tarde acordei com o celular tocando e parece que tá tocando a um tempo... Eu queria desligar só para voltar a dormir, mas infelizmente quando vi a quantidade de mensagens e ligações perdidas, me dei conta de que pode ser coisa séria.
- Quem é? - Atendo com os olhos implorando para dormir mais umas horas. - Só um minuto, vou passar para ele. - Digo sem entender nada que a pessoa do outro lado da linha falou, lamento muito se essa pessoa precisava falar comigo, pois ela se fe**ou, não ouvi nada que fosse muito concreto além da palavra "Stefano"... O cutuquei para passar o telefone e quase levo um t**a.
- P***a, quem liga a essa hora num sábado de manhã!? - Me pergunta irritado. Passo o telefone segurando a risada e volto a dormir, ou pelo menos, volto para tentar dormir... - Pu*a me*da! Mãe!? Desculpa o atraso por favor, 20 minutos e já estaremos aí. - Me assusto ao ouvir as palavras "vinte minutos".
- Perdão, estaremos onde? - Pergunto triste e morta de sono.