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Meu viúvo protetor

Meu viúvo protetor

Autor:: Ellen Lima
Gênero: Romance
Ele era um homem marcado por traumas e dores, um viúvo que tinha desistido de tudo que diz respeito a ele, seu único motivo de viver era sua filha, sua pequena Lara, seu mundo era sem cor, sem forma e sem vida, até que ela chegou com flores, música e cores! Bianca, uma linda e determinada estudante de artes com muitos sonhos, aceita um emprego temporário para poder conseguir terminar a faculdade, ser babá de uma fofura de criança, a conexão entre a duas foi inevitável, Bianca só não sabia que a pequena princesa era filha do Monstro mais lindo que ela já viu.

Capítulo 1 Capitulo 1

Bianca Maria

- Bibi!

Renata me cutuca as costelas me oferecendo com confeito de caramelo, pego na hora, afinal que rejeitaria doces? Essa pessoa não sou eu, ainda mais se eu estiver ansiosa, e hoje minha ansiedade está alta, tenho uma entrevista de emprego após a aula.

Chupo meu confeito enquanto o professor finaliza sua aula de fotografia, minha cadeira preferida.

Sou estudante de Artes e estou no terceiro período, quando me decidi por artes, pensei em trabalhar com pintura, mas a fotografia me pegou em cheio, eu amo a faculdade de artes por sua diversidade, amo música, teatro, dança, cinema e principalmente fotografia! Também sou muito boa com caricaturas!

Me chamo Bianca, mas todo mundo me conhecem por Bibi! Estudo na faculdade federal do Rio de janeiro, o que me falta em dinheiro eu tenho em inteligência e esforço. Renata e Murilo são meus melhores amigos do mundo todo, embora eu seja amiga de todo mundo, porque eu conheço bastante gente nessa faculdade, fui diagnosticada com imperatividade e sou muito comunicativa, Renata é filha de um empresário da moda e Murilo é filho de médicos, eles estudam comigo, diferente de mim meus amigos são podre de ricos, mas não são aqueles riquinhos metido a besta, são gente fina e por isso estamos sempre juntos.

Eu moro na comunidade do caracol, vivo com minha tia Rosângela e meu irmão Vitor, Vitinho é tudo para mim, faço tudo por esse garotinho, minha mãe morreu a quatro anos, em um confronto com a polícia e bandidos do morro, Vitinho não lembra dela, ele só tinha dois anos e eu dezessete, então eu e tia Rosângela irmã da minha mãe Rosa criamos Vitinho.

Vitor e eu não somos filhos do mesmo pai, meu irmão é moreno de aparência mestiço, tem olhos puxados e os cabelos cheios de cachinhos, o pai do meu irmão é um vagabundo que não trabalha e só registrou o filho por medo da justiça, mas nunca deu um saco de leite, já eu sou loira dos olhos verdes, não é algo muito comum uma loira natural em comunidade, mas minha mãe se envolveu com um gringo no carnaval e eu nasci, mamãe sempre falou do meu pai com admiração, que ele era lindo e parceria um príncipe foi paixão a primeira vista dos dois lados, eles ficaram juntos até ele ter que voltar ao seu país, prometendo voltar para buscar minha mãe, mamãe não sabia que estava grávida e ele nunca voltou, tudo que eu sei do meu pai é que ele se chama Roberto e mora na Alemanha.

A morte da minha mãe foi muito difícil para mim e mesmo com toda minha tristeza eu entendi que essa foi a vontade de Deus, eu decidi que daria orgulho a minha mãe, onde ela estivesse eu tinha certeza que ela estaria olhando por mim.

Então me dediquei a estudar, não é muito comum se vê favelado na faculdade, ainda por cima em faculdade federal, onde as notas para entrar são altas, mas eu me dediquei estudando, queira ser uma fotógrafa profissional, fazer fotos de noivas, aniversário, paisagem, mas quando conseguir passar na faculdade me apaixonei por pintura, traços que se formam e expressam seus sentimentos mais secretos, ou retratar uma bela paisagem em uma linda tela.

No dia que passei no vestibular aos dezoito anos, foi uma festa aqui na comunidade, até a bandidagem comemorou! Sim, todos me conhecem e somos amigos, não amigos de andar juntos até porque eu nunca pegaria em um fuzil embora veja um toda hora, basta abrir a porta de casa, mas batemos papos rápido sem falar que nasci e cresci aqui no caracol.

Quando a aula termina, já vou para perto de Renata.

- você trouxe a blusa?

Ela diz que sim.

- estão falando mal da vida de quem?

Murilo pergunta passando a mão no meu ombro.

- de ninguém, não gosto de fofoca!

Ele olha para mim fazendo uma cara engraçada.

- você me respeite Murilo, eu não sou fofoqueira, apenas comento alguns acontecimentos da vida alheia.

Rimos juntos e fomos até o banheiro, Murilo ficou esperando por nós do lado de fora.

- amiga nem sei como agradecer.

- não precisa, essa blusa é um presente meu para você!

- tem certeza? Não precisa, afinal parece ter sido bem cara.

- claro que eu tenho certeza é sua, pode ficar!

- obrigada amiga, coube certinho!

Digo me olhando no espelho, a camisa branca de manga comprida com um tecido muito bom me veste perfeitamente e com certeza é a roupa mais cara que já pus em meu corpo, me olho no espelho e acho que estou bem, eu não queria ir nessa entrevista com uma roupa velha, queria causar boa impressão, afinal preciso passar nessa entrevista.

Meus cabelos loiros e lisos estão presso em uma trança, estou usando uma calça jeans clara, uma sapatilha verde limão nos pés e no meu rosto apenas passei um gloos nos lábios, no ombro carrego minha inseparável mochila de couro vagabundo, dentro dela eu carrego um arco-íris inteiro, folhas, mini telas, pincéis, lápis coloridos e tintas de todas cores, na minha mochila tem uma mancha vermelha que fiz com tinta óleo e a tinta não sai por nada, não importa o quanto eu lave a mochila, tornando-se minha mancha de estimação.

- esse sua sapatilha não vai passar despercebida.

- eu amo minha sapatilha!

Falo e eu acho linda, gosto de cores e brilhos, ela está dando todo toque no look, as pulseiras de bolinhas coloridas que amo suar eu guardei para passar um ar de seriedade, mas a sapatilha fica.

- mais uma vez obrigada por me indicar a esse emprego amiga..

Renata que me indicou essa vaga de emprego, ela viu minha luta diária para conseguir um trampo, o homem para quem vou trabalhar é amigo do pai dela, desde que fui demitida a quinze dias do bar que trabalhei a quase um ano, eu chutei as bolas de um cliente bebo, que queria pegar meus peitos! Foi demitida sem choro nem vela.

Não dá só para fazer faculdade e não trabalhar, não sou rica e não sou herdeira, tenho que pegar ônibus todos os dias para vim à faculdade e passagem não é nada barato, tem os gastos com a faculdade e também tenho que ajudar em casa, não vou deixar a tia Rô bancar a casa inteira, como esse emprego é meio expediente será perfeito, vou poder vim a faculdade pela manhã e trabalhar no fim da tarde.

- não agradeça, mas não esqueça do que lhe falei sobre o Senhor Afonso.

Renata fala e faço uma careta, ela falou que o senhor Afonso não é muito sociável.

- mas ele não fará a entrevista, com certeza vai mandar uma secretaria, porém tenha em mente que ela vai está acompanhando a entrevista por câmeras em algum lugar.

Porque ele não acompanha a entrevista pessoalmente? Esse Afonso deve ser um riquinho cheio de manias estranhas, mas eu estava precisada e o salário oferecido é ótimo.

Quando saímos do banheiro, o Murilo ainda está por lá nos esperando.

- boa sorte Bibi.

- obrigado Murilo, vou precisar!

Agradeço, Renata vai me dar uma carona até o condomínio do Afonso, pois eles moram no mesmo condomínio de luxo.

Estou me candidatando a uma vaga de babá de uma menina de seis anos, o nome dela é Lara e seu pai está procurando uma babá! Renata falou que a última não durou dois meses, eu rezo com toda fé que tenho dentro de mim, para conseguir essa vaga e poder organizar minha vida financeira que só vive no vermelho e conseguir me formar, algo dentro de mim dizia que tudo daria certo, talvez não tão certo assim.

Capítulo 2 Capitulo 2

BIANCA MARIA

- Se a Lara não gostar de mim?

- Fica tranquila Bibi, a Lara é ótima, um doce de criança, ela vinha todos os dias ao parquinho com a antiga babá e é uma criança muito querida, vai dar tudo certo.

Desço do carro da Renata e já estou no horário da entrevista.

- é essa a casa, só se apresentar na portaria.

Eu nunca me acostumo com essas mansões! Já vim várias vezes na casa da Renata e na casa do Murilo, mas sempre fico chocada com a grandiosidade e essa casa em específico conseguiu me chocar ainda mais, ela é imensa.

- quantas pessoas moram aí dentro?

- apenas o Sr Alonso e a filha, claro um exército de empregados, ele é o homem mais rico do condomínio Bibi.

Renata fala explicando tudo. Minha amiga me falou algumas coisas do Senhor Alonso, que ele foi casado, mas que logo ficou viúvo e tinha muita fofoca de que ele só casou porque sua mulher engravidou mas nunca foi a vontade dele, depôs aconteceu uma tragédia, sua mulher grávida que morreu repentinamente, ela estava grávida da Lara que sobreviveu por um milagre, desde esse dia Afonso vive enclausurado, saindo apenas para ir a sua empresa trabalhar.

Me despeço de minha amiga que me deseja boa sorte e sigo para a portaria da mansão, me identifico entregando meu RG, eles ligam para alguém e só então sou liberada a entrar.

- pode entrar, na entrada da casa a senhora Margarete vai está aguardando pela senhorita.

Assinto sem nem saber quem é essa Margarete, passo por portões imensos e assim que entro encontro quatro homens com o corpo do rambo em posição de guarda, devem fazer a segurança da casa.

- boa tarde!

Cumprimentos e sigo em frente, o trajeto é desenhado por árvores com flores e frutos, a grama verde e impecavelmente aparada, à minha esquerda vejo uma piscina gigante com três áreas, todas interligadas a uma piscina maior, em frente a piscina tem uma tv gigante, um pouco mais afrente tem um tipo de salão.

Quando chego à porta principal, vejo uma senhora por volta dos cinquenta anos, ela veste um terno impecável de saia e Blasé na cor azul marinho, seus cabelos estão presos em um coque perfeito, nós pés uma sapatilha preta fechada, ela usa óculos e está a me olhar com atenção.

- boa tarde, senhorita Bianca Maria!

- boa tarde!

- me chamo Margarete e cuido da casa do senhor Afonso, vou entrevista-la ao cargo de babá da senhorita Lara, por favor queira me acompanhar!

Entro na mansão e já começo a me sentir uma formiga assim que passo pela porta que deve ter no mínimo três metros de altura e largura, dentro tudo é ainda maior e completamente intimidante, olho para o chão de tão brilhante penso que poderia até comer nele, mas as cores na maioria cinza me deu uma sensação de frieza!

- aqui senhorita!

Margarete fala abrindo uma porta.

- Usaremos o escritório do senhor Afonso.

Sinto um certo incomodo ao ouvir esse nome, ela o pronuncia com respeito.

- você está aqui unicamente porque foi indicada pela senhorita Renata Buarque, filha de um amigo do senhor Afonso, caso passe na entrevista e nos testes, passará a cuidar do bem mais importante do senhor Afonso, sua filha Lara Assunção, você tem experiência com crianças?

- ah, eu sou apaixonada por crianças, sou muito paciente e geralmente nos damos muito bem, tenho um irmão de seis anos chamado Vitor, eu o crio desde os dois anos então eu sei bem o que fazer!

Desde que minha mãe morreu cuido do meu irmão, penso.

- a senhorita Lara tem toda uma rotina que deve ser seguida à risca...

A mulher sai falando tudo que tenho que fazer caso eu consiga o emprego e presto atenção em tudo.

- você fará um teste por um período de três meses, caso passe será efetivada, seguir os horários à risca é fundamental, Lara chega da escola as 14h e você precisa está aqui pontualmente nesse horário, trabalhara 8h por dia largando as 22h em ponto de segunda a sexta feira e em alguns fins de semana o qual será avisada com antecedência, algum problema para você em seguir horário?

Enquanto ela fala vou formulando um plano em minha cabeça de que preciso sair da faculdade as 13h em ponto ir a parada de ônibus correndo, rezar para ele não atrasar e chegar aqui a tempo, talvez alguns dias a Renata possa me dar uma carona...

- senhorita Bianca, você entendeu o que perguntei?

- perfeitamente, estarei aqui as 14h em ponto.

- você pode começar amanhã?

- sim, eu posso.

- você precisa trazer todos os documentos listados aqui!

Ela me entrega um envelope marrom e me fala mais algumas coisas antes de me dispensar.

- vou acompanhá-la à saída.

- senhorita Bianca posso lhe dar um conselho?

Caminhamos até a porta e ela está séria ao falar isso.

- claro que sim.

- você me passou uma boa impressão e eu dificilmente me engano com alguém, então se você quiser ficar nesse emprego, não faça muitas perguntas aos demais funcionários, não seja curiosa e nem barulhenta, o senhor Afonso não suporta barulhos e nem gente bisbilhoteira, apenas se preocupe em cuidar da Lara e seguir as regras e tudo tudo ficará bem.

- eu agradeço e farei o meu melhor.

Digo determinada.

Saio da mansão empolgada e feliz com meu novo emprego, agora não teria com que me preocupar, conseguiria ajudar em casa e continuar a estudar, pois mesmo minha faculdade sendo federal tinha muitos gastos com livros, materiais, passagem, alimentação .

Ando até a parada de ônibus mais próximo, pego meu ônibus até a comunidade que moro, 🐌 caracol, eu não moro no alto do moro, mas também não moro logo no começo, um pouco no meio, caminho até minha casa, cumprimentando os vizinhos que encontro no caminho.

- tia Rô? Cheguei!

- aqui na cozinha meu amor!

Tia grita da cozinha, vou até lá, ela está fazendo uma polenta para o jantar, o cheiro faz minha barriga revirar.

- conseguir um emprego.

- louvado seja Deus!

Tia comemora, ela está com dores nas costas e os pés começou a inchar, não está podendo trabalhar fora, mas tia não consegue ficar parada e acaba pegando um bico aqui outro ali lavando roupas para fora.

- cadê o Vitinho?

- chegou da escola e foi jogar bola na casa do Caio!

- aquele ali não tem jeito, ama uma rua!

Conto para minha tia detalhes do emprego e ela fica super empolgada.

- eu preciso tirar umas xerox de uns documentos, vou lá no seu Manoel antes que ele feche, de lá vou trazer o Vitor para o jantar!

Corro para o quarto, tiro a roupa que estou vestida e coloco uma roupa de casa, um shortinho de pano e uma blusa de alça velhinha, pego meus documentos e vou na gráfica do Manoel, tiro as xerox que preciso e vou na casa do Caio que mora perto da minha casa!

- VITINHO!

Grito e meu irmão aparece, saindo dos fundos da casa do Caio onde tem um terraço que eles costumam jogar bola.

- pra casa moleque, tia está esperando para comer!

Meu irmão me olha com seus olhinhos puxados abrindo um sorriso que me derrete toda.

- Bibi comprar chocolate na Lourdes!

- Vitinho, estamos indo jantar!

- por favor Bibi, isso nem vai tirar minha fome!

Eu não resisto a esse pequeno anjinho.

- não diz a tia Rô que te dei chiclete antes do jantar!

Falo e pego o troco das xerox e compro chiclete para meu irmão e uns confeitos, ele vai para casa todo feliz.

Minha tia e meu irmão são minha única família e não há nada que não faça por eles, eu ainda conseguiria dar aos dois uma vida melhor do que essa que temos, meu sonho é que Vitor não cresça nesse lugar cercado de violência, droga e armas por todos os lados, eu ainda os tiraria daqui, compraria uma casa e teríamos uma vida tranquila, sem dificuldades e privações e o melhor: longe da criminalidade! Eles são e sempre serão minha prioridade.

Capítulo 3 Capitulo 3

BIANCA MARIA

- Vamos Vitinho, não quero me atrasar na faculdade!

Falo colocando minha mochila por sobre o ombro.

- Bibi, eu posso ir sozinho, não sou mais criança!

Meu irmão de seis anos fala se achando o adulto!

- nem morto garoto, eu vou te levar a escola como todos os dias!

Digo rebocando ele, que ainda está sonolento. Eu faço questão de levar o Vitinho todos os dias a escola, não só porque ele é uma criança, mas porque alguém pode se aproveitar e mandar o Vitinho levar alguma droga na mochila ou algo do tipo, na hora que larga tia Rosangela sempre vai buscá-lo. Levamos cerca de quinze minutos até a escola que fica na própria comunidade do caracol, mas quando estamos perto de chegarmos avisto Sandro, o pai biológico do meu irmão, ele está sentando numa calçada segurando uma gaiola com um passarinho dentro.

- desocupado!

Sussurro baixinho, passamos por ele, quando ele ver Vitor simplesmente vira a cara como se estivesse diante de ninguém, acelero os passos e esse também é um dos motivos de querer sair daqui, não ter que olhar na cara desse vagabundo.

Chego na escola e me despeço do Vitinho na portaria.

- te amo meu anjinho, se comporte na escola e seja um bom menino, o menino lindo da Bibi!

Digo fazendo um carinho em sua cabeça balançando seus cachinhos, aperto sua bochecha num beijo apertado e o deixo dentro da escola, então corro até a parada de ônibus, essa hora da manhã o transporte público costumam passar lotados, pois as pessoas então indo a escola, faculdade e trabalho, não pego assento e vou em pé segurando o ferro na parte de cima do ônibus, não me incomodo pois estou com meu fone de ouvido conectado ao celular ouvindo funk, esse tipo de música que mais se escuta na minha comunidade principalmente nos bailes, eu não tenho um estilo música, eu gosto de música em um modo geral, mas o funk maiores de dezoito anos confesso não ser minha praia, embora já tenha ouvido e dançado com minha vizinha e amiga de porta Bruna das quebradas, várias vezes quando estamos tomando um vinho na casa dela, geralmente no fim de semana.

Chego na faculdade em cima da hora e já vou direto para minha sala, minha amiga Renata como sempre guarda uma cadeira para mim ao lado dela e do Murilo.

- onde você comprou essas meias tem uma do meu tamanho?

Murilo pergunta tirando sarro da minha cara.

- Você não sabia? Isso aqui é a nova tendência em Milão!

Falo esticando os pés dando mais destaques as minhas meias rosas choque com vários desenhos de rostinho de porquinhos fofos, que eu acho a coisa mais fofa do mundo, se eu não colocar algo colorindo em mim, parece que o dia me faltando algo, gosto de cores vivas.

Murilo dá uma risada mostrando seus dentes muito branco e em seguida agarra meu pescoço me dando uma chave de braço como ele costuma fazer, mas sem apertar e leva minha cabeça até ele beijando o topo da minha cabeça e sussurra:

- você é única Bibi!

Então ele cheira meu cabelo.

- não sei como você consegue cheirar a doces e não ser enjoativa, da vontade de passar o dia cheirando seus cabelos!

- ih Murilo nem vem, você vai roubar meu cheiro todo com esse seu narigão!

Murilo não tem narigão, mas falo a primeira coisa que vem em minha cabeça, a verdade é que eu uso um shampoo de marshmallow e eu sou alucinada nesse cheiro, não é que eu use produtos nessa vibe, mas não consigo usar outro shampoo, a professora chega, me sento ereta no meu lugar prestando atenção em tudo.

Quando largo da faculdade já é quase 1h da tarde, estou ansiosa para chegar a casa do Sr Afonso, hoje e meu primeiro dia de trabalho e a ansiedade está me comendo viva.

- Bibi, eu iria te oferecer uma carona, mas não estou indo para casa hoje!

Renata fala e eu contava com isso, com essa carona, agora precisarei correr até a parada de ônibus, mas minha amiga tem a vida e a rotina dela, esta tudo bem.

- vou até a empresa do meu pai, ele quer almoçar comigo hoje!

- não se preocupe Renata, você fez tanto em me conseguir esse trampo, vou correndo até a parada de ônibus, falo com você mais tarde amiga.

- boa sorte Bibi.

- obrigada Renata!

Falo e ando até a parada de ônibus, mal encosto quando vejo uma moto enorme e alta para na minha frete, eu conheço muito bem o dono na moto, Murilo tira o capacete sacode a cabeça tirando seus cabelos muito lisos dos olhos.

- sobe!

Ele diz estendendo outro capacete para mim e eu faço uma cara de quem não está entendendo nada.

- estou indo próximo a casa da Renata, vou te dar uma carona.

Murilo sabe que hoje é meu primeiro dia de trabalho, pego o capacete e coloco subindo na moto, não quero correr o risco de chegar atrasada no primeiro dia de trabalho.

- Assim!

Murilo coloca minha mão em sua cintura e eu o abraço, ele liga a moto, logo estamos em movimento. Sou amiga do Murilo a quase três anos, o conheci na faculdade, ele é alto, bonito e galante, mas não faz meu tipo, muito paquerador, as meninas se jogam aos pés dele, as vezes noto que ele faz charme para mim, mas levo tudo na brincadeira, afinal eu o tenho como um grande amigo.

Quando Danilo para a moto, estou em frente a imponente e poderosa mansão do Sr Afonso, que fica dentro de um condomínio de luxo, as mansões aqui não são próximas, eles devem presar privacidade, desço da moto e lhe entrego o capacete.

- Valeu Murilo.

- não por isso gata!

Olho o relógio e são 13:30h cheguei meia hora antes do horário, o que está ótimo para o primeiro dia.

- boa sorte Bibi!

Então Murilo desce da moto e me dá sua famosa chave de pescoço cheirando meus cabelos profundamente.

- nos falamos mais tarde!

Digo e espero Murilo subir na moto, fico olhando ele ir embora, um vento forte me bate o pescoço mesmo meu cabelo estando solto o cobrindo, uma sensação de que estão me observando me faz arrepiar e eu levo a mão a nunca, a mansão tem várias câmeras de segurança, mas não é sobre ela que estou falando, é sobre algo mais forte, olho para os lados e não vejo ninguém em especifico, até que uma janela na parte mais alta da casa me chama atenção, mas não consigo ver nada por entre as janelas, passo as mãos em minha calça jeans num gesto vicioso, escolhi uma camisa polo amarela e estou de tênis, meus cabelo estão soltos tocando em minha cintura, muito perto do bumbum, eu sempre gostei de ter cabelão, mas o trabalho é grande por isso muitas vezes penso em cortar.

Me aproximo da portaria e me identifico entregando meu RG.

- ja fomos informando da sua presença, pode entrar.

Os portões da mansão são abertos e eu entro, não deixo de admirar como tudo aqui é lindo e bem cuidado, árvores, flores, quando passo perto de uma roseira não resisto e me inclino cheirando uma rosa branca.

- aceita?

Escuto uma voz e olho para trás, me deparo com um homem por volta de uns trinta anos, ele veste um macacão jeans, bota de borracha nos pés e uma camisa de manga, ele tem um grande alicate nas mãos, entendo que ele está me oferecendo uma rosa.

- ah, não se preocupe com isso, não quero dar trabalho!

- não é trabalho algum!

O homem corta a rosa com a o alicate e com o mesmo e uma habilidade notável ele se livra de todos os espinhos e me entrega a rosa.

- eu sou Chico, o jardineiro!

Seguro a rosa sorrindo e inspiro se perfume fortemente.

- ah esse cheiro é tão bom, eu sou Bianca, a babá, pode me chamar de Bibi, é assim que meus amigos me chamam.

Digo me simpatizando de cara com o Chico.

- eu preciso ir Chico, sabe como é, primeiro dia!

Digo fazendo uma careta, ele me olha com uma cara estranha, meio boba, dou um sorriso e aceno seguindo meu caminho até a casa, toco companhia e Margarete abre a porta.

- Boa tarde senhorita Bianca.

- Boa tarde, senhora!

A cumprimento sorrindo, então os olhos de Margarete vai até a rosa branca que seguro em minhas mãos.

- foi o Chico que me deu!

Falo para ela não achar que meti a mão no roseiral e arranquei a flor.

- Chico? Então você conheceu o Francisco!

Aceno que sim com a cabeça.

- quando for se referir a ele, o chame de Francisco, o Sr Afonso não aprova intimidades entre os funcionário.

Margarete fala e eu aceno, pensando o qual chato meu patrão deve ser.

- você chegou cedo e isso é um ponto para você, o patrão hoje está em casa, no seu quarto, que fica no último andar da casa, mas essa área da casa é restrita a você, apenas pessoas autorizadas podem ir até lá, venha vou lhe mostrar o quarto da Lara, área de descanso e te passar algumas instruções.

O quarto de Lara é simplesmente o quarto dos sonhos de qualquer princesa, tudo em tons rosa e bege, uma cama linda e enorme, penteadeira, brinquedos e tudo que uma garota pode querer, conheço uma parte da casa e acho tudo extremamente grande e fico pensando se tem alguma possibilidade de me perder aqui dentro!

- é muito importante para o Sr Afonso que a sua filha Lara siga sua rotina, quando chegar da escola, ela vai tomar banho e almoçar, hoje é dia de natação, ela tem natação duas vezes por semana, aos poucos você vai se familiariza com a rotina da senhorita Lara.

Margarete olha o relógio e diz:

- pronta para conhecer sua nova pupila?

Aceno e uma garotinha entra na sala arrastando uma mochila de rodinhas, Lara está com o uniforme da escola na cor vinho, em cima da sua cabeça tem um laço branco com bolinhas em pérolas prendendo metade dos seus cabelos, a outra metade está solta, seus cabelos são longos e negros fazendo uns cachos grossos na ponta.

- oi Bete, cadê meu pai? Foi trabalhar?

- não senhorita, ele está no quarto, quero lhe apresentar Bianca, ela vai cuidar de você!

Só então a garotinha fixa seu olhar em mim com muita curiosidade, um par de olhos negros mais doces que já vi, ao mesmo tempo um olhar forte para alguém tão pequena! assim que fixo meus olhos no dela, meu coração erra a batida e eu me derreto no mesmo segundo me apaixonando por Lara.

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