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Milhões Desviados: O Preço da Traição

Milhões Desviados: O Preço da Traição

Autor:: Rob Goodrich
Gênero: Romance
Durante três anos, sonhava com o meu bebé, a promessa de uma vida feliz ao lado do meu marido, Tiago. A nossa família, o nosso futuro, parecia um sonho prestes a concretizar-se. Mas num instante, tudo desabou. Um acidente no último mês de gravidez. O médico, com a voz séria: "Não conseguimos salvar o bebé." Um vazio gelado invadiu-me. O choque veio depois: "O seu marido, Tiago, era o dador mais compatível. Ele doou. Mas não foi para si." Risos vindos do corredor. A voz da minha cunhada, Sofia: "Tiago, salvaste-me a vida! A cirurgia ao nariz não podia esperar!" Tiago, carinhoso. A minha sogra, Helena: "A Clara é forte, pode aguentar." Liguei a Tiago, a chorar. A sua resposta gelou-me: "Não faças um drama. Podemos ter outros. A Sofia só tem um nariz." A sua lógica era cruel. O meu filho, a minha vida, valiam menos que uma rinoplastia? A dor virou raiva fria. Descobri nas suas coisas: contas secretas, milhões desviados para a luxuosa vida de Sofia. Ele não só tirou o nosso futuro; roubou-o para ela. "Vamos divorciar-nos, Tiago." A decisão saiu. O desprezo nos seus olhos foi a minha força. "Quem se vai arrepender são vocês." Saí daquela casa, não mais uma vítima. Eles subestimaram a mulher que se levantaria das cinzas, pronta para lutar pela justiça.

Introdução

Durante três anos, sonhava com o meu bebé, a promessa de uma vida feliz ao lado do meu marido, Tiago. A nossa família, o nosso futuro, parecia um sonho prestes a concretizar-se.

Mas num instante, tudo desabou. Um acidente no último mês de gravidez. O médico, com a voz séria: "Não conseguimos salvar o bebé." Um vazio gelado invadiu-me. O choque veio depois: "O seu marido, Tiago, era o dador mais compatível. Ele doou. Mas não foi para si."

Risos vindos do corredor. A voz da minha cunhada, Sofia: "Tiago, salvaste-me a vida! A cirurgia ao nariz não podia esperar!" Tiago, carinhoso. A minha sogra, Helena: "A Clara é forte, pode aguentar." Liguei a Tiago, a chorar. A sua resposta gelou-me: "Não faças um drama. Podemos ter outros. A Sofia só tem um nariz."

A sua lógica era cruel. O meu filho, a minha vida, valiam menos que uma rinoplastia? A dor virou raiva fria. Descobri nas suas coisas: contas secretas, milhões desviados para a luxuosa vida de Sofia. Ele não só tirou o nosso futuro; roubou-o para ela.

"Vamos divorciar-nos, Tiago." A decisão saiu. O desprezo nos seus olhos foi a minha força. "Quem se vai arrepender são vocês." Saí daquela casa, não mais uma vítima. Eles subestimaram a mulher que se levantaria das cinzas, pronta para lutar pela justiça.

Capítulo 1

O médico tirou os óculos, o seu rosto mostrava um cansaço profundo.

"A hemorragia foi estancada, mas devido à grave perda de sangue e à demora na transfusão, não conseguimos salvar o bebé."

A sua voz era calma, mas cada palavra parecia pesada.

"Senhora Clara, o seu tipo de sangue é raro, e o hospital não tinha reservas suficientes. O seu marido, o senhor Tiago, era o dador mais compatível e rápido."

Senti um vazio gelado no meu abdómen, onde antes havia vida.

"Ele... ele doou?" perguntei, com a voz a falhar.

O médico hesitou, depois suspirou.

"Ele doou. Mas não foi para si."

Nesse momento, risos e conversas animadas vieram do corredor, passando pela porta entreaberta do meu quarto.

"Tiago, obrigada, salvaste-me a vida! Sabia que eras o melhor irmão do mundo!"

Era a voz da minha cunhada, Sofia.

"Claro que sim, sua tonta. És a minha única irmã. A tua cirurgia plástica ao nariz não podia esperar. A beleza é o mais importante," respondeu o meu marido, Tiago, com um tom carinhoso que nunca usava comigo.

A voz da minha sogra, Helena, juntou-se a eles, cheia de orgulho.

"O meu filho é o mais responsável! A Sofia é a nossa princesinha, não pode haver um único defeito no seu rosto. Quanto à Clara, ela é forte, pode aguentar."

Podia aguentar.

Então era isso. A minha vida e a do meu filho, que esperei durante três anos, não valiam tanto como a cirurgia ao nariz da minha cunhada.

As lágrimas que eu segurava caíram finalmente, silenciosas e quentes.

O meu telemóvel estava na mesa de cabeceira. Peguei nele com as mãos a tremer e liguei ao Tiago.

Ele atendeu rapidamente, a sua voz irritada.

"O que foi agora, Clara? Não vês que estou ocupado a cuidar da Sofia? Os médicos disseram que ela precisa de descansar depois da anestesia."

"Tiago," a minha voz era um sussurro rouco. "O nosso bebé... morreu."

Houve um silêncio do outro lado da linha. Durou talvez cinco segundos.

"Eu sei. O médico já me disse," respondeu ele, com uma frieza que me gelou os ossos. "Não faças um drama por causa disto. Somos novos, podemos ter outros. A Sofia só tem um nariz."

"Podemos ter outros?" repeti, incrédula. "Este bebé era o nosso filho, não um objeto que se pode substituir!"

"Estás a gritar comigo? Clara, estás a ser irracional. Eu tive de fazer uma escolha. A Sofia estava ansiosa, a cirurgia dela estava marcada há meses. Tu tiveste um acidente. Como é que eu podia adivinhar?"

A sua lógica era tão distorcida que me deixou sem palavras.

"Vamos divorciar-nos, Tiago."

A decisão saiu da minha boca antes que eu pudesse pensar. Mas, uma vez dita, pareceu a única verdade que restava no mundo.

Ele riu, um riso sarcástico e cruel.

"Divórcio? Deixas de ser a senhora Mendes para voltares a ser ninguém? Pára com as birras. Estás fraca e emocional. Conversamos quando voltares a casa. Agora tenho de ir, a Sofia está a chamar-me."

Ele desligou.

Olhei para a minha barriga lisa. Onde antes havia um mundo, agora só havia um vazio.

Desta vez, não haveria volta a dar. A ponte entre nós tinha desabado, e eu estava do outro lado, sozinha. E, pela primeira vez, isso pareceu-me uma libertação.

Capítulo 2

Dois dias depois, recebi alta. Tiago não apareceu. Mandou um motorista que eu nunca tinha visto.

Cheguei a casa e encontrei a minha sogra, Helena, sentada no meu sofá, a beber o meu chá preferido.

Ela olhou para mim de cima a baixo, com desaprovação.

"Finalmente em casa. Pensei que ias ficar no hospital para sempre, a gastar o nosso dinheiro."

Não respondi. Apenas caminhei em direção ao nosso quarto.

"Onde pensas que vais? Não me ouves a falar contigo?" ela levantou-se, a sua voz subiu de tom.

Parei e virei-me para ela, o meu rosto sem expressão.

"Vou fazer as minhas malas."

Helena riu-se, como se eu tivesse contado uma piada.

"Fazer as malas? Para onde vais? Para a casa dos teus pais mortos? Clara, não sejas ingrata. A família Mendes deu-te tudo."

"Deu-me um marido que deixou o nosso filho morrer para que a irmã pudesse fazer uma rinoplastia," respondi, a minha voz calma e firme.

A cara dela ficou vermelha de raiva.

"Como te atreves a falar assim! A Sofia é frágil! Ela tem uma carreira de modelo pela frente! A aparência dela é tudo! Tu... tu só perdeste um feto."

"Feto?"

A palavra atingiu-me com força.

"Era o teu neto," disse eu, sentindo um nó na garganta.

"Netos terei muitos! O Tiago é jovem e bonito, pode arranjar uma mulher melhor, que nos dê netos fortes, não uma que tem uma emergência e quase morre," ela cuspiu as palavras.

A crueldade dela era tão pura, tão sem disfarces.

"A Sofia precisava daquele sangue. O Tiago fez a escolha certa, a escolha de um verdadeiro homem de família. Tu devias ter orgulho nele."

Olhei para aquela mulher, a mãe do homem com quem me casei, e não senti nada. Nem ódio, nem tristeza. Apenas um vazio imenso.

"Vou-me embora, Helena. E vou levar tudo o que é meu."

"Teu? Nada aqui é teu! Esta casa, os carros, o dinheiro. Tudo pertence ao meu filho. Tu não tens nada, Clara. És nada sem nós."

Ela aproximou-se, o seu rosto contorcido de desprezo.

"Se saíres por aquela porta, nunca mais voltas. E vais sair sem um cêntimo."

Eu sorri. Um sorriso pequeno e amargo.

"Veremos."

Virei-lhe as costas e fui para o quarto, fechando a porta atrás de mim. O som dos seus gritos abafados era a banda sonora do fim do meu casamento.

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