Olá leitoras 🤗 antes de começar só quero dar aquele recadinho especial.
Estou muito feliz por poder compartilhar com vocês mais uma história, depois de um bom tempo sem escrever nada devido a problemas pessoais, finalmente consegui terminar algo e apesar de ser uma história breve, se tornou mais do que especial pra mim, pois senti voltar cada emoção nas palavras digitadas, e acreditar que eu ainda posso escrever muitas outras lindas histórias de amor!
Obrigada sempre pelo apoio de vocês, cada comentário chega ao meu coração de forma especial, então continuem sempre me fortalecendo pois sempre continuaram sendo especiais para mim❤️💐.
Deixarei todos meus títulos para vocês!
* Casada por Engano - Unidos por Amor
* Depois do seu Beijo
* Uma noite para uma vida Inteira
* Te conheci em meu Sonho
* Amadurecendo no Amor
* A Contratada
* Meu CEO Protetor
Espero que gostem, boa leitura !!📚
CAPÍTULO 1"" CARSON.
Era impossível não olhar para ela ao chegar e desejar sentir o sabor de seus lábios.
Todos os dias de alguma forma passou a ser torturante me sentar na cadeira atrás dessa mesa e esperar passar os dias e contar as horas para poder vê-la entrar na minha sala com sua caixinha toda decorada para vender suas deliciosas trufas feitas e recheadas pelas suas delicadas mãos.
Eu queria poder me aproximar e dizer o que sinto desde a primeira vez que a vi , mas isso se torna impossível quando ela carrega na mão uma aliança de compromisso.
Tudo que eu podia fazer era guardar meu desejo e me contentar com os preciosos minutos que podia estar o mais próximo dela.
- Bom dia senhor Carson, gostaria de um bombom hoje?
- Bom dia Alice, claro, esse é o único luxo que posso me dar para melhorar meu humor depois de dias tão longos e cansativos.
- Então, hoje quero que você prove este, de sensação, garanto que é tão bom quanto o de maracujá, seu preferido. Se não gostar na próxima semana o seu é grátis.
- Sendo assim, vou aceitar sua sugestão.
- Obrigado pela confiança!
Alice abre sua caixa, tira a trufa perfeitamente apresentável, me entrega colocando sobre a mesa com aquele lindo sorriso para completar e rapidamente se afasta.
Isso tudo só reforçava minha opinião de que ela é uma mulher meticulosa e fazia tudo com amor e dedicação.
- Que tenha um bom final de semana, senhor Carson.
- Desejo o mesmo à você, senhorita Alice!
- Nosso encontro está marcado para semana que vem?
- Nem pense em fugir, acabou de me prometer uma trufa de graça!
Alice sorriu abertamente e aquilo fez meu coração disparar ainda mais do que já estava.
- Não se preocupe, senhor Carson, sempre costumo cumprir o que prometo!
Então ela sai da sala e vai até Glenda, minha secretária, receber o pagamento e entregar o dela também.
Depois continuo a seguindo com o olhar discretamente pelo vidro da sala até que saia completamente da agência.
Volto minha atenção para a trufa e começo a me perguntar se devo ou não prová-la.
Eu queria experimentar, sentir o sabor de algo novo, mas aquilo significava também que depois que se prova algo e gosta, dificilmente você vai para de querer ela.
E Alice era como aquela trufa para mim, um sabor novo na qual eu queria provar, mas depois de saber seu gosto, nunca mais poderia viver sem.
✨✨✨
Duas semanas se passaram e Alice não apareceu na agência.
Não conseguia parar de pensar nela, imaginando que algo poderia ter acontecido.
Até que ela finalmente aparece e meu coração se alegra.
Mas algo nela estava diferente, seus passos até minha sala pareciam pesados, e o óculos de sol em seu rosto em um dia chuvoso, se tornava confuso.
- Bom dia senhor Carson.
- Bom dia Alice, você está bem?
- Sim, estou, obrigado. O mesmo de sempre?
- Sim, por favor.
Ela retira a trufa de maracujá sem perguntar o que achei da trufa de sensação e isso só reforça que ela não poderia estar mesmo bem.
Como de costume ela põe sobre a mesa e diz:
- Desculpa ter demorado cumprir minha promessa, essa é por minha conta.
Rapidamente se vira e vai sentido a porta, então eu me levanto rapidamente me colocando de pé dizendo a ela:
- Você está realmente bem?
Sem olhar para mim, ela responde que sim com a voz embargada e sai da sala passando por Glenda, sem ao menos se despedir.
Eu poderia apenas ter me sentado novamente e agir indiferente como sempre, mas eu me preocupei tanto com ela que não podia deixar isso passar.
Vou até o cabide e pego meu longo casaco preto, deixando minha sala e avisando Glenda que talvez possa demorar a voltar.
Por algum motivo sentia que precisava ir sem pensar muito.
Olho a direção que Alice foi e sigo a passos apressados em meio a chuva fina na tentativa de alcançá-la.
Alguns quarteirões à frente, próximo ao semáforo ainda vermelho, está ela de cabeça baixa sem ao menos um guarda chuva para se proteger.
O sinal abre, mas Alice continua paralisada na calçada.
Aperto ainda mais meus passos e quando a finalmente a alcancei me coloco em sua frente, ela levanta a cabeça, porém o óculos impede que eu veja seu olhar.
- Senhor Carson! - Sua voz sai quase num sussurro.
Neste momento não pensei em nada, que se dane minhas preocupações em relação aquela aliança, meu primeiro instinto foi colocar para o lado sua caixa de trufas e abraçá-la, eu só queria que ela soubesse que eu estava ali independente do que éramos um para o outro.
Assim como nos filmes, a chuva decide cair mais forte sobre nós.
Então me afastei por um instante, tirei meu casaco e coloquei sobre ela.
- Só confie em mim.
Pego na mão dela e corremos juntos até um espaço coberto próximo.
Pego meu celular e faço uma ligação para Glenda e em menos de cinco minutos, Luiz, outro funcionário, estacionou o carro a nossa frente e saí de dentro dele segurando um guarda chuva para me entregar a chave.
- Precisa de mais alguma coisa, senhor Carson?
- Apenas isso, obrigado!
Ele sem fazer mais perguntas segue caminhando de volta para a agência.
Alice permanece em silêncio atrás de mim, então novamente pego em sua mão e a conduzo até o carro.
Ela entra e dou a volta até meu banco.
Ao me sentar, vejo que ela tenta secar os pingos que caem de seu cabelo molhado, mas a tranquilizei dizendo para não se preocupar pois os bancos eram de couro.
Dou partida no carro e entro na via.
O silêncio era perturbante, mas não queria dar oportunidade dela me dizer para parar o carro e descer.
Então apenas sigo para minha casa confiante que essa era a melhor decisão.
Alguns minutos depois paramos em frente ao portão e enquanto abre ela finalmente diz algo.
- Onde estamos?
- Na minha casa. Mas não se preocupe, garanto que só quero conversar com você.
O portão abre completamente, entro, estacionando o carro na garagem e desço primeiro.
Ela não espera eu abrir a porta e sai.
Vejo que olha ao redor cautelosa então a chamo e ela apenas me segue.
Entramos na sala de estar, quente, diferente do exterior e digo para que fique à vontade.
Saiu por um momento e na volta trago duas toalhas de banho para nos enxugar.
Ela deixa a caixa no chão e aceita a toalha.
Passa por seus cabelos primeiro e depois seca com cuidado os lados do rosto não retirando o óculos preto.
Aquilo estava me matando, eu queria olhar nos olhos dela e descobrir o que estava acontecendo.
Então como tudo que estava fazendo nos últimos momentos, vou até ela e seguro seus braços levemente.
Seu rosto está de frente ao meu, então abaixo suas mãos e levo novamente a minha até seu rosto e devagar vou retirando seu óculos.
Ela por um momento tenta me impedir, ao segurar em meus pulsos, mas logo desiste e eu os retiro completamente.
Meu coração aperta, não podia imaginar que por trás daquele óculos estava um hematoma enorme em um de seus olhos.
Aquilo não podia ter vindo de uma queda ou qualquer outro tipo de acidente, era visível que tinha sido feito de forma bruta e consciente.
- Quem fez isso com você?
- Tudo bem, nem está doendo mais.
Alice força um sorriso e aquilo só me deixa mais irritado.
- Não foi isso que eu te perguntei, eu quero que me diga quem foi o desgraçado que te machucou.
- Senhor Carson...
- Você não vai sair desta casa a menos que diga o que está acontecendo e a não ser que queira ser interrogada por um investigador de polícia, deveria me dizer agora o que aconteceu.
Seus olhos deixam escorrer as lágrimas que se misturam à blusa encharcada.
Alice abaixa sua cabeça, vejo que parece estar sentindo frio devido ao leve tremor de seu corpo.
- Vem, primeiro preciso te aquecer, depois teremos essa conversa.
- O que!!
Pego em sua mão e vou puxando ela até pararmos em frente a porta do meu quarto.
Peço que espere por um segundo e entro no quarto deixando-a no corredor.
Volto depois com uma nova toalha, uma troca de roupa e uma sacola.
- Acho que isso deve servir por enquanto, apenas tire essa roupa molhada e se aqueça, não quero que fique resfriada.
- Isso não vai te causar problemas? - Olha para dentro da sacola vendo as peças novas.
- Era um presente para minha irmã, mas posso comprar outras depois. Use o que precisar, te espero na sala quando estiver pronta.
Alice entra no meu quarto e eu mesmo fecho a porta do quarto para ficar mais tranquila.
Vou para o quarto do lado e me troco.
Em seguida sigo para a cozinha e começo a preparar um chocolate quente para nos aquecer.
Já estava no ponto quando Alice apareceu na entrada da cozinha sem os óculos e ainda com olhar tímido.
- Ficou perfeito como imaginei!
- Não retirei a etiqueta, assim posso devolver depois.
- Apenas fique com ele, acredite, um vestido a menos não fará diferença no closet de Pamela. Não se preocupe.
- Eu sinto muito, não quero mesmo incomodar.
- Esqueceu quem te trouxe aqui? Apenas sente- se aqui e saboreie esse chocolate quente, confia em mim, a receita de vós são sempre as melhores!
Automaticamente o sorriso de Alice aparece e posso sentir uma pequena alegria dentro de mim também.
Coloco a bebida em duas xícaras e coloco a dela sobre a bancada de mármore, branco, da ilha no centro da cozinha.
- Cuidado para não se queimar!
- Obrigado senhor Carson.
- Me agradeça contando o que aconteceu.
- Não quero te envolver nos meus problemas.
- Mas eu quero! E acredite, não é tão fácil me fazer desistir quanto pensa.
- Eu sei mais...
- Mais nada, apenas fale tudo que está entalado, não me importo com palavrões , então sinta se a vontade para amaudissoar alguém se for preciso.
Novamente consigo arrancar outro sorriso dela e me sinto ainda mais confiante.
Antes de começar a falar ela leva a caneca até próximo a boca e assopra algumas vezes e aquele simples movimento de seus lábios me levam internamente à loucura, me fazendo perder até o foco da nossa conversa por alguns instantes.
Mas assim que ela decidiu começar a falar volto a mim e me ajeito na banqueta para me atentar a cada palavra sua que seria dita.
- Quando eu tinha dezessete anos, perdi minha mãe em um acidente de ônibus, não sei se vai lembrar quando um caminhão bateu de frente com o ônibus que transportava dezenas de sacoleiras na rodovia R 387 sentido a capital e caiu na ribanceira. Ela estava entre os 21 passageiros que perderam a vida, foi decretado três dias de luto pelas vítimas, saiu em todos os jornais daquele ano.
- Sim, eu me lembro, e sinto muito!
- Depois disso meu padrasto, ficou emocionalmente devastado, isso fez com que perdesse muitos trabalhos e a cada ano que passava se afundava mais em dívidas, pois a responsabilidade de criar sozinho seus dois filhos legítimos mais a enteada ainda continuava. Em um certo momento passou a beber constantemente e se viciar em apostas clandestinas no bairro, na esperança de ganhar dinheiro mais fácil e melhorar nossa condição financeira.
- Posso perguntar sobre seu pai legítimo?
- Eu não sei quem ele é, quero dizer, minha avó precisou ser internada às pressas após descobrir um tumor no cérebro, a única alternativa era fazer uma delicada cirurgia, mas por ser muito cara à saúde pública não financiava cem por cento a menos que conseguisse uma ordem judicial, o que demoraria muito e talvez nem conseguisse. Meu avô também muito carente tentou um emprestimo mais não concederam a ele, com toda urgência minha mãe vendeu sua primeira noite a um desconhecido em uma casa de mulheres, foi a forma mais rápida que ela encontrou de conseguir o dinheiro já que tinha apenas 17 anos e não trabalhava. Ela pagou a cirurgia usando o nome de um desconhecido na tentativa de manter seu anonimato. A cirurgia foi boa, mas minha avó ainda continuou internada devido a outras complicações, nesse tempo ela começou a passar mal e um mês depois veio a confirmação, estava grávida. Ela até voltou a casa na esperança de achar o cliente, mas para seu azar ele foi só mais um viajante que passou para curtir uma noite e nunca mais voltou. Mais tarde, minha avó não resistiu e veio a falecer, meu avô descobriu sobre a gravidez e o dinheiro, disse que minha mãe tinha matado minha avó por ter usado um dinheiro amaldiçoado. Sem compaixão ele a expulsou de casa apenas com uma mala em mãos e disse que a partir daquele dia ele nunca teve uma filha. Sem saber para onde ir, já que toda a família também virou as costas para ela, decidi usar o único dinheiro que tinha para pegar um ônibus rumo a qualquer lugar onde pudesse estar segura e recomeçar sua vida. Até chegar a essa cidade e ser acolhida por uma ONG. E foi assim que cheguei a esse mundo!
Eu e Alice tomamos mais um gole da bebida e aproveitamos para respirar.
Não tinha muitas palavras para aquele momento, nunca imaginaria que por trás daquele sorriso de sempre tinha uma trágica história familiar.
- Felizmente ela conseguiu ficar na ONG em troca de serviços sociais, desde o meu nascimento até eu completar dois anos, quando ela conheceu Doroteia, uma sacoleira que vendia na feira. As duas se tornaram amigas inseparáveis. Nós mudamos para a casa dela e minha mãe passou a vender e fazer seus próprios clientes. Alguns anos depois conheceu o Paulo, casou e eu cresci o chamando de pai, mesmo depois de conhecer minha verdadeira história. Minha mãe dizia que independente do erro dela, eu tinha sido seu maior acerto, que nunca pensou em me abortar. Mas então ela me deixou anos mais tarde, sem ter a oportunidade de se despedir. Meus irmãos ainda crescendo, aprendi a fazer trufas para vender na minha escola nas entradas e saídas, depois de formar decidi vender nos comércios do centro nos horários que os meus irmãos estariam na escola, assim eu podia continuar dando atenção a eles e realizar as necessidades domésticas da casa, já que Paulo continuava sempre ausente.
- Por isso sempre passa na agência à tarde?
- Sim, de manhã fico com eles e finalizo as trufas.
- Então onde entra seu namorado nesse caos todo?
- Na parte que ele começa a me desejar, aproveita a fragilidade de Paulo para que apostasse a minha liberdade em troca de um cobiçado bilhete "premiado" na sua casa de apostas.
- Então você não ama essa pessoa?
- Nem por todos os bilhetes do mundo amaria alguém que compra mulheres apenas para satisfazer seu próprio prazer.
É INEVITÁVEL minha reação.
Fecho o punho e coloco toda minha raiva ao bater ele no mármore.
Os olhos de Alice arregalam e peço desculpas por assustá-la.
- Eu só não posso acreditar que você ja passou por tudo isso sozinha, estranhamente sinto vontade de sair por aquela porta agora e socar um idiota desses que ainda se acha homem e se se da o direito de fazer coisas assim com uma jovem inocente.
- Franco é um homem assustador. Usa das fraquezas das pessoas para conseguir o que tem. Era eu como sua propriedade ou o dinheiro perdido na aposta, mas como poderíamos pagar um valor tão alto quando tudo que ainda temos de valor é a casa onde sempre foi o nosso lar.
- Então essa não é a primeira vez que ele te bate?
- Como sabe que ...
- Não precisa me dizer com suas próprias palavras, basta saber como ele é que não fica difícil identificar o agressor.
- Na verdade essa foi a mais difícil, as primeiras ainda foram leves, era um beijo ou um tapa, mas dessa vez ele queria mais, muito mais e eu não queria dar isso a ele, ser íntimo de uma pessoa é muito importante pra mim, eu não podia ceder tão facilmente.
Levanto da bancada revoltado passando as mãos pelos cabelos, andando de um lado para o outro, tentando respirar um ar que parecia não chegar aos meus pulmões.
Internamente eu gritava por dentro dizendo que eu mataria com minhas próprias mãos um cara desses.
- Seus irmãos estão bem?
- Depois desse incidente meu pai, quero dizer Paulo, pois depois disso não o chamo mais assim, decidiu entregar a casa para Franco e quitar a dívida, estamos na casa de uma amiga próxima da minha mãe, mas não podemos ficar lá por muito tempo, esse problema cabe a nós resolver.
- Ainda continuará fazendo trufas?
- Não, na verdade essa de hoje foi feita especialmente pra você, eu disse, sempre cumpro uma promessa e agora preciso encontrar um emprego fixo para que algo assim não volte a acontecer.
- Então hoje era sua despedida?
- Acho que podemos dizer que sim!
- Sei que não me conhece suficiente, mas acredite, todas minhas próximas palavras são verdadeiras, então por favor as considere.
Respiro fundo e me aproximo lentamente dela, que dessa vez me encara com confiança.
- Uma oportunidade. É isso que preciso que você me dê a partir de hoje. Posso te oferecer um emprego, um lar para sua família e o mais importante: minha fidelidade.
- Senhor Carson...
- Nunca se perguntou o porque minha secretária sempre pedia para você levar as trufas pessoalmente para mim, mesmo sabendo que eu sempre escolheria o mesmo sabor? Ou porque sempre que você passava, não tinha nenhum cliente na minha sala? Era porque eu preparava aquele momento exclusivamente para você! Suas trufas são realmente deliciosas, mas honestamente não eram elas que animavam meu dia, mas sim seu sorriso toda vez que entrava por aquela porta. Eu passo a semana inteira esperando o dia que você irá até mim e vou sentir meu coração pulsar mais rápido. Todo o controle que tive para me manter no controle foi por causa daquela droga de aliança que tinha na mão, se não a muito tempo, já teria dito a você como tenho me sentido.
- Senhor Carson... Eu...
- Por favor Alice, não estou tentando te comprar com dinheiro, não quero me apoderar da sua liberdade, mas não posso deixar você ir sem ao menos dizer que você é minha trufa de sensação, um sabor novo na qual eu me apaixonei a primeira vez que provei. Te conhecer foi simplesmente a melhor coisa que poderia acontecer nessa vida cheia de responsabilidade e regras a cumprir, apenas me dê um voto de confiança e me deixe provar que não vou te decepcionar como todos os outros homens da sua vida já fizeram.
- Digamos que eu aceite sua proposta, até que ponto pretende me submeter?
- Nunca exigirei que me de algo que não queira, nem forçá-la a se envolver intimamente comigo, se não estiver segura quanto a isso , podemos redigir um contrato colocando os limites deste acordo. Desde que aceite e confie em mim!
- Tudo bem!
- O que significa tudo bem pra você?
- Tudo bem senhor Carson, eu aceito sua proposta com apenas uma condição.
- Estou te ouvindo.
- Sem segredos, sem exigências íntimas, sem contrato. Não quero começar uma relação onde me sentiria uma peça de troca, dar e receber, quero que nós dois sejamos honestos com nossos sentimentos e desejos, quero dizer que caso isso não funcione, não espere ter o que não estarei disposta a dar. Farei isso apenas com alguém que eu realmente ame. Você pode concordar com isso?
- Claramente que sim. E já que estamos nesse ponto preciso que saiba algo antes de firmarmos este acordo.
- Acho justo!
- Minha família pode não ter problemas comparados ao seu, mas infelizmente ainda acreditam que bons casamentos são aqueles que fortalecem financeiramente a família.
- Seria esse o famoso casamento arranjado?
- Exatamente. O que quero dizer é que por mais que eu me recuse a seguir essa tradição, eles não cederam tão fácil, será inevitável não receber olhares e palavras de desaprovação, mas desde que você saiba que eu decidi estar com você independente da opinião de deles, espero que isso seja o suficiente para não te deixar desistir.
- Isso inclui disputa de beleza com pretendentes da classe alta? - Sorri.
- Isso seria demais?
- Sim, infelizmente não me vejo usando salto alto para impressionar madames!
- Que bom, pois sempre imaginei como seria encontrar uma " Cinderela " que usasse all star e não um sapatinho de cristal!
- E qual é sensação?
- Como imaginei! Perfeita!
CAPÍTULO 2
Apertamos as mãos firmando nosso acordo, então decidi preparar uma sopa rápida, com tudo que eu tinha na geladeira para nós e ficou além do esperado.
Voltamos para a sala de estar após Alice ter insistido em organizar a cozinha e por um bom tempo ficamos apenas observando a chuva pela janela de vidro em silêncio.
Acho que até o céu precisava expulsar tudo que sentia hoje, pois ela foi cessar apenas horas depois.
Quando olho no relógio já passa das oito, a hora simplesmente voo sem percebermos.
Vou até meu quarto buscar dois casacos para levá-la embora, mas Alice devia estar exausta, pois bastou alguns minutos de ausência para ela fechar os olhos e adormecer na poltrona.
Por um instante me coloco ao lado dela e observo cada detalhe daquele rosto.
Ainda não tinha tido oportunidade de observá-la por tanto tempo assim e apesar de sua pele não receber os cuidados que mereciam, sua pele branca era perfeita naturalmente.
Continuo observando sua respiração assim como os movimentos de seu peito ao expirar e inspirar tranquilamente me forçando a conter a vontade de acariciar seu rosto.
Mas eu prometi isso a ela, que não a tocaria a menos que ela permitisse, e não quebraria essa promessa nem que fosse apenas por um instante.
Então me afasto para conter o desejo e aproveito para resolver o que não podia esperar.
Pego o celular e ligo para Damião que atende logo em seguida.
"- Preciso de um favor seu, podemos nos encontrar amanhã?
"- Claro, na sua empresa às dez?
"- Estarei te aguardando!
Encerro a ligação quando escuto um toque baixo de celular que não é o meu, então me lembro que Alice deve tê-lo deixado na cozinha.
Encontro ele em cima da mesa e o nome de Hilda aparece na tela.
Atendo e a mulher logo diz preocupada:
- Alice querida, porque não voltou pra casa, estou preocupada!
- Boa noite, me chamo Carson, Alice acabou adormecendo na minha casa, não se preocupe, ela está bem e segura, assim que possível a levarei para casa.
- E o que você é dela, meu rapaz?
- A partir de hoje, seu futuro marido.
Me despeço encerrando a ligação e coloco o celular dela no modo silencioso, eu não queria correr o risco de mais alguém ligar e ela ter que ir embora.
Deixo o celular novamente no mesmo lugar e volto para a sala.
Percebo que está em sono profundo e decidido a levar para o meu quarto.
Pego ela com cuidado no colo e não me lembro há quanto tempo tenho uma linda mulher nos meus braços.
A porta já estava aberta por isso facilmente chego a cama e ela ainda dormindo se ajeita .
Pego uma coberta mais quente no closet e a cubro.
Em seguida eu desamarrei os cadarços de seus all stars pretos de cano alto os retirando com cuidado os deixando ao lado da cama.
Puxo a coberta para aquecer seus pés e depois apago a luz deixando apenas o abajur do lado da cama ligado.
Vou para o outro quarto e tento dormir, mas é difícil quando sua mente traz de volta tudo que escutou sobre ela.
Eu não tinha o poder de mudar seu passado, mas definitivamente eu poderia mudar seu futuro.
✨✨✨
No dia seguinte Alice acorda primeiro, apesar de eu ter aceitado suas desculpas por ter roubado minha cama, desejei que essa não fosse a primeira e última vez, mas a levo para casa como prometido e vou para a agência.
Três minutos para as dez, Glenda avisa que Damião chegou.
Me levantei para cumprimentá-lo assim que ele entrou na minha sala e peço para que ele se sente.
- Imagino que não é algo simples, já que me chamou aqui!
- Como sempre perspicaz!
- Fala ai chefão, o que posso fazer por você?
- Quero denunciar um esquema de casas de apostas clandestinas. O dono é um babaca agressor de mulheres e vende bilhetes falsos para ganhar devedores e hipotecas ilegais.
- Interessante! E como você está envolvido nesse rolo chefe?
- Ele apenas encostou no que não devia.
- Então ela deve ser muito especial para você!
- Sim e quero que ele pague pelo que fez. Aqui está o endereço e o nome do canalha. Divirta-se.
- Sempre!
Damião levanta sorrindo e pega a pasta com todas as informações que Alice tinha me passado.
Depois de um aperto de mão ele deixa a sala e não resiste em parar na mesa de Glenda e jogar uma conversinha, típico dele com as mulheres que achava ser suas possíveis almas gêmeas, era uma pena Glenda gostar de mulheres, ou eles poderiam mesmo formar um bom casal.
Damião e eu nos conhecemos ainda na época do colegial , ele sempre foi fascinado por investigação e por isso não poderia ter seguido outra carreira a não ser de um grande investigador.
Todos os dias ele se aventura na caça a bandidos e faz de sua vida seu próprio filme de ação, com direito a perseguições e troca de tiros, o que não o impedia de continuar amando o que fazia, e tudo que eu podia fazer era torcer para ele sempre ser o heroi indestrutível que nunca morre.
Desde então firmamos uma longa amizade e sempre que preciso ele não pensa duas vezes em atender ao meu pedido, sendo esse a principal razão de ter me dado esse apelido de chefão.
E apesar de detestar ser chamado assim, no fundo essa zoação era umas das melhores partes das nossas lembranças naquela época.
Com esse assunto resolvido ligo para Tatiana, prima materna, para resolver meu outro problema.
"- Nossa, a que devo a honra dessa ligação?
"- Soube que abriu uma nova loja na cidade, poderia dar uma oportunidade para uma jovem a meu pedido?
"- Ela tem experiência com confeitaria?
"- Trufa conta?
"- Ok, quantos anos tem e quanto tempo preciso ensiná-la?
"- 21 anos, dedicada, competente, tem muita força de vontade, tenho certeza de que não vai te dar trabalho, além disso, não se preocupe, eu me encarrego das aulas extras!
" - Estou vendo que em breve teremos uma grande reunião de família para comemorar!
"- É exatamente para isso que estou me preparando.
" - Segunda feira, às 7 da manhã na loja 3, me mande sua garota Carston, vou te ajudar nessa bagunça!
" - Obrigada Tatiana!
"- Companheiros até o fim!
Desliguei o telefone rindo, Tatiana era a única prima próxima na qual eu podia compartilhar meus sentimentos sem medo.
Desde pequenos nos envolvemos em muitas bagunças nas festas de família, sempre que um era pego o outro nunca deixava de cumprir o castigo sozinho.
Nossas famílias eram cheias de regras e tradições, mas nós dois nunca aceitamos que devíamos cumprir algo apenas para agradar os outros, pois essa era a nossa vida e podíamos fazer o que quisermos com ela.
Tanto que hoje ela se dedica a suas quatro lojas de doces, hoje famosa e reconhecida por sua criatividade e qualidade em todo país, depois de ter ido contra a vontade dos pais de se tornar advogada e esposa de um dos filhos dos sócios do pai na empresa de advocacia.
E eu ter feito o mesmo, abdicando o cargo de sucessor na Atlas Empreendimentos para abrir minha própria agência de viagens, CQ Turismo.