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Minha Dor, Sua Ruína

Minha Dor, Sua Ruína

Autor:: Rob Goodrich
Gênero: Moderno
Estou grávida de nove meses. Presa num túnel, a água subia depressa. Liguei para o meu marido, Marcos, pela décima vez. Finalmente atendeu, mas a voz dele era fria, impaciente. Disse que estava ocupado com a Sofia, a acalmar o cão dela. Ele desligou, deixando-me ali, sozinha, assustada. A água gelada invadiu o carro, senti uma dor aguda na barriga. Desmaiei. Acordei num quarto de hospital branco, a minha barriga estava vazia. O meu bebé tinha-se ido. O Marcos não estava lá, apenas a minha mãe, com os olhos vermelhos. Quando o confrontei sobre a tragédia, ele ousou culpar-me. "O que é que tu fizeste?", perguntou ele. Mais tarde, o pai dele, Sérgio, berrou ao telefone, chamou-me de "víbora ingrata". Como é que o homem que amei podia ser tão cruel? Como puderam abandonar-me para morrer e depois culpar-me pela perda do nosso filho? A sua família inteira defendia a imoralidade dele, enquanto eu sofria a minha perda. Mas a verdade que descobri era ainda mais chocante. No seu computador antigo, encontrei as provas. Não era apenas uma "amiga de infância". Eram anos de um caso extraconjugal. Financiado por transferências fraudulentas da empresa da família dele. Haviam faturas de um apartamento de luxo, viagens exóticas para dois. Bilhetes em nome de "Marcos Patterson e Sofia Mendes". A minha dor e o meu luto transformaram-se numa determinação implacável. Isto não era apenas adultério, era fraude em grande escala. E eu ia expor cada detalhe. Eles iriam pagar caro por cada mentira, por cada traição. A justiça seria servida.

Introdução

Estou grávida de nove meses.

Presa num túnel, a água subia depressa.

Liguei para o meu marido, Marcos, pela décima vez.

Finalmente atendeu, mas a voz dele era fria, impaciente.

Disse que estava ocupado com a Sofia, a acalmar o cão dela.

Ele desligou, deixando-me ali, sozinha, assustada.

A água gelada invadiu o carro, senti uma dor aguda na barriga.

Desmaiei.

Acordei num quarto de hospital branco, a minha barriga estava vazia.

O meu bebé tinha-se ido.

O Marcos não estava lá, apenas a minha mãe, com os olhos vermelhos.

Quando o confrontei sobre a tragédia, ele ousou culpar-me.

"O que é que tu fizeste?", perguntou ele.

Mais tarde, o pai dele, Sérgio, berrou ao telefone, chamou-me de "víbora ingrata".

Como é que o homem que amei podia ser tão cruel?

Como puderam abandonar-me para morrer e depois culpar-me pela perda do nosso filho?

A sua família inteira defendia a imoralidade dele, enquanto eu sofria a minha perda.

Mas a verdade que descobri era ainda mais chocante.

No seu computador antigo, encontrei as provas.

Não era apenas uma "amiga de infância".

Eram anos de um caso extraconjugal.

Financiado por transferências fraudulentas da empresa da família dele.

Haviam faturas de um apartamento de luxo, viagens exóticas para dois.

Bilhetes em nome de "Marcos Patterson e Sofia Mendes".

A minha dor e o meu luto transformaram-se numa determinação implacável.

Isto não era apenas adultério, era fraude em grande escala.

E eu ia expor cada detalhe.

Eles iriam pagar caro por cada mentira, por cada traição.

A justiça seria servida.

Capítulo 1

A água da inundação subia depressa, já a bater na janela do meu carro.

O túnel estava escuro, só com as luzes de emergência a piscar.

Eu estava grávida de nove meses, presa.

O meu telemóvel mostrava o nome do meu marido, Marcos. Era a décima vez que eu ligava.

Finalmente, ele atendeu. O barulho do outro lado era de festa, não de pânico.

"Lia? O que foi agora? Estou ocupado."

A voz dele era fria, impaciente.

"Marcos, estou presa no túnel da Baixa, a água está a subir. Preciso de ajuda, o bebé..."

A minha voz tremia.

Ele suspirou, um som que eu conhecia bem. O som de quem está a ser incomodado.

"Oh, meu Deus. Não consegues simplesmente esperar pelos bombeiros como toda a gente? A Sofia está aqui, o cão dela, o Trovão, está a ter um ataque de pânico por causa da trovoada. Ela precisa de mim."

Sofia. Sempre a Sofia.

"Um cão é mais importante que o teu filho por nascer? Marcos, eu não estou a brincar!"

"Para de ser dramática, Lia. A Sofia não tem mais ninguém. Tu sabes desenrascar-te. Liga para a emergência."

Ele desligou.

Olhei para o ecrã do telemóvel. Chamada terminada.

Tentei ligar de volta. Caixa de correio. Ele tinha desligado o telemóvel.

A água forçou a porta, começou a entrar no carro. Gelada.

Senti uma dor aguda na barriga. Uma dor que não era normal.

Olhei para a minha barriga enorme. O meu filho. O nosso filho.

A dor veio outra vez, mais forte.

Grávida, sozinha, num túnel a encher de água. E o meu marido estava a acalmar o cão de outra mulher.

Uma lágrima quente escorreu pelo meu rosto frio.

Depois outra. E outra.

A dor na minha barriga tornou-se insuportável.

Agarrei-me ao volante, a única coisa sólida no meu mundo que se desfazia.

A última coisa que vi antes de desmaiar foi a água a cobrir o para-brisas.

Capítulo 2

Acordei num quarto de hospital branco e estéril.

A primeira coisa que notei foi o silêncio. O meu corpo estava diferente.

A minha barriga estava vazia. Lisa.

A minha mãe, Helena, estava sentada numa cadeira ao meu lado, os olhos vermelhos e inchados.

Ela segurou a minha mão.

"Lia, minha querida..."

Não precisei que ela dissesse mais nada. Eu já sabia. O meu bebé tinha-se ido.

O silêncio no quarto era mais pesado que qualquer som.

"Onde está o Marcos?", perguntei, a voz rouca.

A minha mãe desviou o olhar. "Ele... ele ainda não veio."

Claro que não.

Pedi o meu telemóvel à minha mãe. As minhas mãos não tremiam. Estavam frias, firmes.

Liguei para o Marcos. Desta vez, ele atendeu ao segundo toque.

"Lia? Estás bem? Os bombeiros ligaram-me. Desculpa, a bateria do meu telemóvel acabou."

Uma desculpa fraca. Patética.

"O bebé morreu, Marcos."

Disse as palavras de forma direta. Sem emoção.

Houve um silêncio do outro lado. Um silêncio que durou demasiado tempo.

"O quê? Como assim? O que é que tu fizeste?"

A culpa era minha, claro.

"Eu? Eu estava presa numa inundação para a qual tu me mandaste esperar sozinha."

Respirei fundo.

"Quero o divórcio."

A fúria dele explodiu através do telefone.

"Divórcio? Estás louca? Depois de tudo o que eu fiz por ti? A Sofia estava a passar por um momento terrível! Tu não tens um pingo de compaixão?"

Compaixão. Ele ousava falar de compaixão.

"Não me fales de compaixão, Marcos. Acabou. Vou avançar com o divórcio."

Desliguei antes que ele pudesse responder.

Mal tinha pousado o telemóvel, o da minha mãe começou a tocar.

Ela olhou para o ecrã. "É o Sérgio."

O pai do Marcos. Meu sogro.

A minha mãe atendeu, a mão a tremer.

A voz do Sérgio era tão alta que eu conseguia ouvi-la do outro lado do quarto.

"Helena! Que raio de filha é que tu criaste? Ameaçar o meu filho com o divórcio numa altura destas? Ela não tem vergonha? Depois de o Marcos ter passado a noite a ajudar uma amiga em necessidade, é esta a gratidão que ele recebe?"

Ajudar uma amiga em necessidade.

O meu filho estava morto. E eu era a ingrata.

Fechei os olhos. A decisão estava tomada. Não havia volta a dar.

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