Clara, grávida de sete meses, celebrava o seu 30º aniversário.
Era para ser um dia feliz, o início da nossa pequena família com o Ricardo.
Mas a Sofia, a sua ex-namorada de infância, estava lá.
Ela "acidentalmente" derramou vinho tinto no meu vestido branco novo.
E o Ricardo? Em vez de me ajudar, correu para ela, preocupado se a Sofia estava bem, ignorando-me, molhada e humilhada.
A sua mãe, a Sónia, também minimizou o incidente, dizendo que eu estava a exagerar.
Dias depois, com dores terríveis que anunciavam um parto prematuro, implorei ao Ricardo para ir ao hospital.
Mas ele, em vez de me levar logo, ponderou ligar primeiro à Sofia, que é enfermeira.
No hospital, enquanto o meu filho e eu corríamos perigo, ele não ficou.
Deixou-me um bilhete: tinha ido consolar a Sofia, porque a mãe dela estava "doente".
Como podia o homem que se dizia meu marido, pai do meu filho, abandonar-me assim?
Eu era uma intrusa no próprio casamento.
A dor da traição era insuportável.
Mas quando a minha mãe chegou, e depois, quando recebi fotos anónimas do Ricardo a beijar a Sofia, tudo ficou claro.
Não haveria mais negociação.
Era altura de lutar. Pelo meu filho. Por mim própria.
O divórcio seria apenas o começo da minha nova, e finalmente feliz, vida.
O meu trigésimo aniversário deveria ser um dia de alegria, mas acabou por ser o início do meu pesadelo. Estava grávida de sete meses do meu primeiro filho com o Ricardo, o meu marido há três anos. Organizámos uma pequena festa em nossa casa, apenas com família e amigos próximos.
A Sofia, a ex-namorada de infância do Ricardo, também estava lá. A mãe dele, a Sónia, insistiu em convidá-la, dizendo que eram "como família". Eu nunca gostei da presença dela, sempre senti uma tensão estranha.
Eu estava sentada no sofá, um pouco cansada e com os pés inchados, quando a Sofia se aproximou com um copo de vinho tinto na mão.
"Parabéns, Clara! Estás tão linda, a gravidez assenta-te mesmo bem."
Antes que eu pudesse agradecer, ela tropeçou "acidentalmente" e derramou o vinho todo no meu vestido branco novo.
"Oh, meu Deus! Desculpa, Clara! Sou tão desastrada!"
O Ricardo, que estava a conversar animadamente com uns amigos, correu imediatamente, não para mim, mas para a Sofia.
"Sofia, estás bem? Não te magoaste?"
Ele pegou num guardanapo e começou a limpar a mão dela, onde nem uma gota de vinho tinha caído. Eu fiquei ali, com o vestido arruinado, o líquido frio a escorrer-me pelas pernas, e o meu marido a preocupar-se com a mulher que me tinha acabado de sujar.
A Sónia aproximou-se rapidamente, também a pairar sobre a Sofia.
"Coitadinha da Sofia, que susto! Clara, querida, não te preocupes com o vestido, depois lavas."
Senti o meu rosto a queimar. Não era pelo vestido, era pela humilhação, pela completa falta de consideração.
Olhei para o Ricardo, esperando que ele finalmente se virasse para mim, que mostrasse alguma preocupação. Em vez disso, ele sorriu para a Sofia.
"Não te preocupes, acidentes acontecem. Anda, vou buscar-te um copo de água."
Ele acompanhou-a até à cozinha, deixando-me ali, sozinha e encharcada. Naquele momento, percebi que no casamento deles, eu era a intrusa.
Levantei-me com dificuldade, o peso da barriga e do desprezo a tornarem tudo mais difícil. Fui até ao nosso quarto para trocar de roupa. As lágrimas ameaçavam cair, mas engoli-as. Não lhes ia dar esse gosto.
Quando o Ricardo finalmente entrou no quarto, alguns minutos depois, eu já tinha vestido uma t-shirt velha e umas calças de fato de treino.
"Estás mais confortável?" ele perguntou, casualmente, como se nada tivesse acontecido.
"Confortável? Ricardo, tu viste o que aconteceu lá em baixo?"
Ele suspirou, a habitual impaciência a surgir na sua voz.
"Clara, foi um acidente. A Sofia não fez por mal. Estás a exagerar."
"A exagerar? Ela derramou vinho em cima de mim e tu nem sequer olhaste para mim! Corres-te para ela como se ela fosse a vítima!"
"Eu só queria ter a certeza que ela estava bem. Ela ficou assustada. Tu és forte, sabes lidar com estas coisas."
"Forte? Ricardo, eu sou a tua mulher! Estou grávida do teu filho! E tu preocupas-te mais com os sentimentos da tua ex-namorada do que comigo?"
Ele passou as mãos pelo cabelo, um sinal de que estava a ficar irritado.
"Não comeces com ciúmes outra vez, Clara. A Sofia é uma amiga. E a minha mãe gosta muito dela. Não há nada entre nós, já te disse mil vezes."
"Não se trata de ciúmes, Ricardo! Trata-se de respeito! Trata-se de prioridades!"
A porta do quarto abriu-se e a Sónia entrou, sem bater.
"Está tudo bem aqui? Ouvi vozes alteradas."
O Ricardo olhou para mim com um ar de "vês o que fizeste?".
"A Clara está um pouco sensível por causa do incidente com o vinho, mãe. Nada de mais."
A Sónia olhou para mim com desaprovação.
"Clara, querida, não podes culpar a Sofia. Ela é uma boa rapariga. E o Ricardo tem razão, foi um acidente. Não vale a pena fazeres uma tempestade num copo de água, especialmente no teu estado."
Senti-me encurralada, como se fosse louca por esperar o mínimo de consideração do meu próprio marido e da minha sogra.
"Eu só queria que o meu marido se preocupasse comigo," murmurei, sentindo-me derrotada.
"Claro que ele se preocupa, não sejas tonta," disse a Sónia, dando uma palmadinha condescendente no meu braço. "Agora, recompõe-te e volta para a festa. Os convidados estão à tua espera."
Ela saiu, seguida pelo Ricardo, que me lançou um último olhar de aviso antes de fechar a porta. Fiquei sozinha, mais uma vez, com a certeza de que as minhas necessidades e sentimentos não importavam para eles.