Uma garota sozinha e um mundo inteiro contra ela. É exatamente assim que sinto diante das dificuldades. Meu nome é Mônica Sampaio e sou estudante de direito, mas para chegar aonde eu cheguei passei por lutas tanto financeiras quanto familiares. Mas não pensem que isso me desanimou, pois contei com alguns amigos verdadeiros que me ajudaram a trilhar o meu caminho e embora as lutas nunca cessem, estou sempre alegre e encontro na diversão com meus amigos o bálsamo para matar um leão a cada dia. Portanto, carrego comigo um conceito que jugo valioso... A vida é uma festa e deve ser vivida da maneira certa.
- Vira! Vira! Vira!
A empolgação deles é a minha adrenalina e uma vida desregrada não faz mal para ninguém. Penso quando viro o shot de tequila e imediatamente sou beijada na boca pelo meu acompanhante. A dança é o meu palco da vida real, é nele que me esqueço por algumas horas as minhas obrigações de filha e de mãe solteira... por algumas horas. Repito, a final, não dá para fugir da vida adulta. É incrível como o som da batida parece penetrar o meu sistema e logo me sinto elétrica. O corpo grande, forte e suado colado ao meu me faz incendiar quase que imediatamente e eu até já faço ideia de como essa noite terminará. Como veem, não sou uma pessoa difícil de se agradar, mas também, não costumo levar desaforo para casa. Uma mistura louca do doce com a pimenta, se é que vocês me entendem e esse meu jeito foi moldado desde que completei dezessete anos e tive que administrar uma casa e uma pequena família sozinha. Contudo, não vamos falar do passado, porque o presente é muito mais gostoso, não acham?
- Você é uma delícia, Mônica! - O moreno sussurra, ralando o seu corpo no meu e eu me pego sorrindo. Sorrindo sim, a final, quem não gosta de um elogio? A dança parece ganhar uma proporção erótica e eu decido que já está na hora de partir para algo mais caliente, se é que vocês me entendem.
***
Na manhã seguinte...
- Hum! - Solto um gemido dolorido quando o meu telefone começa a tocar. - Oh céus, alguém desligue o sol! - resmungo dolorosamente assim que abro os olhos e dou de cara com um dia estupidamente iluminado lá fora. O telefone volta a insistir e eu arrasto a minha mão pelo criado mudo, a fim de atender quem quer que esteja do outro lado da linha. - Alô? - gemo assim que atendo a ligação.
- Mônica, cadê você? - Arregalo os olhos e fito as horas no relógio digital em cima do pequeno criado mudo. Puta que pariu, já passam das oito! Imediatamente salto para fora da cama e corro para o banheiro.
- Bom dia, Dona Gisele! Desculpe, mas o trânsito está horrível essa manhã! - Invento uma desculpa qualquer e começo a escovar os meus dentes.
- Você tem dez minutos. Não vá para o escritório, nos encontramos no fórum.
- Claro, dez minutos no fórum! - Encerro a ligação e entro debaixo do chuveiro no mesmo instante. Um ato secular, posso assim dizer, já que entre tomar um banho, trocar de roupa, fazer uma maquiagem e ajeitar o meu cabelo em dez minutos para chegar ao fórum era praticamente impossível. Se eu consegui? Qual é, não sou mágica! Digamos que trinta minutos foi um tempo record e que por pouco não deixei a minha chefe na mão durante uma audiência. Eu fico por aqui e se quiser saber mais da vida de uma quase advogada que ama levar uma vida muito louca, você precisa ler mais e vai concordar que uma vida desregrada é melhor do que vida nenhuma.
- Senhor Marcos, a reunião começará em alguns minutos. - Minha secretária avisa adentrando a minha sala, me fazendo soltar um rugido baixo.
- Claro, Cassandra! Pode me trazer duas aspirinas, por favor? - peço, mas a garota de traços orientais apenas se aproxima mais da minha mesa e se curva um pouco, apoiando-se no tampo de vidro escuro temperado.
- pelo visto a farra foi grande. - Ela retruca e mesmo com uma dor de cabeça infernal, me pego sorrindo para o seu comentário.
- Pode apostar que foi! - retruco presunçoso. - Não existe coisa melhor do que curtir a noite e terminá-la com duas garotas na cama.
- Acredite, Marcos Albuquerque, existe. Mas não serei eu a ensiná-lo isso. - Deslizo os meus olhos pela lateral do seu corpo, me deliciando com as suas curvas e meu sorriso se amplia.
- Eu não me importaria de aprender algo com você - insinuo e ela arqueia as sobrancelhas para mim.
- Vai sonhando "chefe"! - Cassandra ralha me fazendo gargalhar. - Pedirei para alguém trazer as suas aspirinas e já aviso que o Luís o aguarda em seu escritório.
- Ai, meu saco!
Ser o sócio de uma das empresas de construção de hotéis de luxo tem as suas vantagens e eu garanto que são muito boas. Meu nome é Marcos Albuquerque, mas acho que vocês já descobriram isso de alguma forma. Sou o mais jovem e milionário empreendedor, e o filho caçula da família Albuquerque. Esse título pesa um pouco nos meus ombros, já que meu irmão mais velho é casado com Gisele, uma advogada de mão cheia e o casal já tem até uma filhinha. Portanto, a cobrança de casamento e de formar uma família recai sobre mim. Vai sonhando! Amo a minha vida de solteiro e amo muito mais as mulheres, então não vejo motivos para ocupar o meu coração bandoleiro, e menos ainda a minha cama espaçosa. Bebidas, amigos e mulheres é o que movimenta o mundo, então não vamos deixar a roda parar de girar, certo?
- Bom dia, Senhores! - Meu amigo e sócio diz assim que ocupa a sua cadeira de presidente da H&C Hotelaria e eu ocupo a minha cadeira de vice-presidente para darmos início a mais um dia de O Dono da Porra Toda. Eu até que gosto desse título, me faz pensar o quão sou soberano e que mulher nenhuma jamais me porá debaixo do seu chinelo. - Marcos, pode apresentar o projeto? - desperto quando o meu sócio me entrega a pasta e um dos funcionários faz as imagens aparecer no telão. Acabou o recreio crianças, está na hora de levar a coisa a sério. Nos vemos nos próximos capítulos.
Mônica Sampaio
Hoje é sexta-feira e já estamos quase no final do expediente. Minhas amigas Clara, Alexia e Jordana já enviaram mensagens no grupo de WhatsApp, um grupo criado especialmente para nossas farras de final de semana. Estamos combinando de ir para a boate Mix Nigth está noite, que fica no centro do RJ. Claro que eu vou, né? Não perco essa por nada! Depois de uma semana corrida dentro desse escritório, e de noites mal dormidas cuidando de Isabelly e do meu pai, eu mereço essa folga. Ligo para Juliana, a babá de Belly e para Mariana, a enfermeira do meu pai, avisando que chegarei tarde essa noite e tudo certo.
- Mônica minha querida, você pode levar esse caso e estudá-lo em casa por favor? Quero saber o seu parecer sobre o assunto. - Doutora Gisele Albuquerque pede assim que sai da sua sala. Rapidamente largo o celular em um canto da minha mesa e me ponho de pé.
- Claro, doutora Gisele. Sabe que não tenho o menor problema em fazer isso para a senhora - digo. Ela sorri.
- Ótimo, adoro os seus relatórios! Tenho certeza de que será uma excelente criminalista um dia. Pago esse extra pra você, não se preocupe! - diz se virando para sair.
- Obrigada, doutora! Mas sabe que não precisa. Já me basta essas oportunidades que me dá aqui, já me ajudam muito na faculdade e...
- E nada mocinha! - Ela me corta. - Sei o quanto você precisa e é só uma ajuda de custo. - Ela pisca um olho pra mim. Sério. Doutora Gisele Albuquerque foi um achado na minha vida. Quando vi o anúncio de que uma empresa renomada de advogados procurava por estagiários que estudassem direito, não pensei duas vezes. Um estágio remunerado era tudo o que eu mais precisava na vida. E ela tem toda razão. Eu realmente preciso desse extra que me paga todo final do mês. Sem ele eu jamais poderia pagar os custos da minha faculdade e as minhas ajudantes do lar.
- Mais uma vez obrigada doutora Gisele! - Consigo dizer. Ela não faz ideia, mas são esses extras que me possibilita dar uma vida melhor para a minha pequena e problemática família e também as minhas escapulidas nos finais de semana.
- Não tem o que agradecer. Futuramente terei mais uma excelente advogada na minha equipe, espero contar com isso - diz e entra em sua sala. Abro um largo sorriso. Com certeza Gisele pode contar comigo na sua equipe, serei a sua mais nova contratada, se Deus quiser! - Penso voltando a me sentar em minha cadeira. Me sinto transbordar por dentro. Trabalhar aqui já é um ponto positivo para o meu currículo. Imagine depois que eu me formar? Aí é que ninguém me segura.
- Aguardo você aqui na segunda então, boa noite Mônica! - Gisele diz saindo da sua sala e segurando a sua maleta preta de couro.
- Boa noite, doutora! Observo a loira elegante em seus saltos altos entrar no elevador e as portas se fecharem em seguida. Doutora Gisele de Almeida Albuquerque foi um anjo que Deus colocou em meu caminho. Lembro-me do dia em que entrei aqui na G & G Advogados pela primeira vez, segurando a minha mochila nas costas e usando uma roupa casual... Apenas um jeans surrado e uma camiseta preta com um par de tênis. A elegância e o luxo do lugar gritavam com o meu look despojado. Quando entreguei o anuncio na recepção, achando que seria barrada na primeira chance, veio a surpresa. Fui levada diretamente para a sala dela e nossa! Depois de uma entrevista levada para um lado totalmente profissional e de olhar com afinco o meu currículo acadêmico, eu tinha esperança de trabalhar nem que fosse como uma simples secretária, mas ela acabou me dando uma oportunidade de ser a sua assistente de sala. Foi um avanço nos meus estudos e nas minhas notas também. Junto com a doutora Gisele, pude ver de perto desde as audiências mais simples até às mais complicadas. Aprendi estratégias, técnicas, métodos de pesquisas e muito mais. Com certeza apliquei cada aprendizado em meus trabalhos e com isso me tornei a número um na sala de aula. Como eu disse, devo muito a essa mulher!
Olho a pequena sala e sorrio satisfeita. Essa história já tem três anos. E esses casos que ela me deixa estudar, Deus do céu! Eu simplesmente viajo. Conhecer de perto o seu cliente, saber cada detalhe da vida dele, as pesquisas, as investigações, tudo é muito excitante. E eu ainda recebo um extra para estudá-los. É tipo, unir o útil ao agradável e sem falar que me ajuda muito financeiramente.