#Iris
Eu não entendo como vim parar aqui, neste quarto frio e escuro, ou onde eu escolhi viver nesta vida sofrendo aqui deste jeito tão cruel e desumano. Depois que meus pais morreram misteriosamente em um acidente eu fiquei praticamente sozinha no mundo, sem ninguém! Eu era filha única e os únicos parentes que eu tinha moravam muito distante de mim e nem se quer eu os conhecia direito a não ser por fotografias antigas que as vezes minha mãe me amostrava e nem ela mesma dava importância para eles, ela sempre dizia em um tom distante e frio: "só devemos procurar quem procura pela gente Iris, amor implorado não deve ser dado" eu era muito pequena e por isso mesmo nunca questionei suas palavras ou seus motivos de nos afastar dos parentes.
Ainda me lembro nitidamente como era minha vida antes. Lembro do meu quarto amplo, colorido fresco por causa da brisa que entrava no final da tarde, minhas pequenas coisas pendurada nas paredes, meus livros enfileirados por gêneros, minha mãe cantarolando tomando chá na sala de estar enquanto meu pai estava concentrado com seus óculos de tartaruga sentado na sua poltrona favorita lendo um livro qualquer sobre física quântica que para ele era bastante interessante. Lembro do meu pequeno cachorro chamado rock e como eu adorava correr pela grama molhada no final do dia apos uma chuva de verão. Eu era muito feliz, eu vivia uma vida perfeita e hoje eu só espero ansiosa o dia que meu coração vai parar de bater e eu finalmente poder descansar em paz! Sem dor, agonia e dias doloridos
Depois da morte dos meus pais, fiquei sobre a tutela de um homem chamado Pablo Campos! Na época, ele me parecia bom. Era um homem muito bonito, educado e aparentava ser uma pessoa muito boa e prometeu cuidar sempre de mim caso alguma coisa acontece aos meus pais. Ele era o melhor amigo do meu pai, sempre estava em nossa casa para ler o jornal e bater papo sobre politica. Sempre estava lá quando meu pai precisava dele, era extremamente incrível como ele sabia quando estávamos em apuros. Depois que a juíza deu minha guarda legitima a ele, foi ai que o meu verdadeiro inferno começou.
Eu tinha apenas 15 anos e Pablo me obrigou a fazer coisas horríveis! Assinei documentos dando a ele poderes plenos em tudo que estava no meu nome, fui obrigada a tirar todo dinheiro da conta dos meus pais e vendi terrenos que eram importantes para minha família . Mais o pior ainda estava por vim, minha vida realmente acabou quando ele me obrigou a me casar com ele e assim me violentou tirando minha virgindade e tudo de bom que eu acreditava ainda existir.
Noites e mais noites que ele chegava, eu era obrigada a fazer sua comida, passar sua roupa, me vesti como prostituta usando roupas provocantes e maquiagem pesada e satisfazer seus grotescos desejos. Ele me humilhava pedindo que eu fizesse absurdos para o seu prazer e quando eu recusava ele tirava um cinto grosso e pesado e me batia com toda força que ele encontrava!
Seu temperamento era forte e ele nunca foi carinhoso comigo. Depois de muito tempo eu ate tentei levar uma vida normal com ele, mais sempre era em vão, ele repetia dia e noite que nunca ia amar uma garota tonta imatura como eu, ele gritava que gostava de mulheres ousadas e fortes, e que eu estava longe de ser assim!
Ele tinha razão! Eu perdi o gosto de lutar pela minha vida, de sair deste lugar e de me livrar dele quando eu percebi que mesmo que um dia estivesse fora deste inferno, eu ficaria completamente sozinha, minha cabeça repetia que ruim sem ele, pior sem ele!
Resultado dessas violências geraram muitas sequelas em meu corpo. Tenho marcas horríveis nas minhas costas, cicatrizes nos meus pulsos pelas cordas que ele amarrava e sempre ando roxa devido aos fortes murros e tapas que ele me da por apenas diversão!
Uma vez a muito tempo atras eu tentei fugir dele correndo em direção a floresta que fica atras da propriedade dos meus pais, mais levei um tiro na perna tão doloroso que imaginei que eu nunca mais iria andar de novo. Ele ainda riu de mim, dizendo que havia errado o alvo e me lembro de que sangrei ate chegar a uma casa velha onde uma mulher esquisita e assombrosa me costurou com barbante e me deu uma bebida forte dizendo que de manha eu iria melhorar, mal ela sabia que minha dor não era física e que nada faria parar de doer aquilo que eu estava sentindo por dentro. Quando cheguei em casa fui espancada por tentar fugir e fui jogada em um porão escuro onde ele guarda um monte de coisas velhas, mesmo estando bêbada eu apaguei pela dor e agradeci por isso, assim diminuía meus momentos de lamentações . No dia seguinte quando notei minha boca quebrada e minha coxa colorida pelos hematomas, eu sabia que mais uma vez Pablo estava tirando algo de mim! ESPERANÇAS!
Com o tempo descobri que Pablo era um poderoso traficante de mulheres local e mantinha viva varias meninas acorrentadas como animais em um galpão escondido e as trocavas por armas e drogas para os homens mais poderosos de outros países.
Meu ódio por ele a cada dia só fazia aumentar, vejo um mundo grande lá fora e eu não conheço nada e nem ninguém. Estou sempre debilitada e sou proibida de chegar perto do portão, "ninguém deve saber da sua existência" é o que ele repete toda vez que sai pra algum lugar, eu sei que meus pedidos de socorros não são ouvidos pela propriedade ser afastada da cidade e não ter ninguém por perto como vizinhos para ouvir e me socorrer. A policia local daqui é subornada por ele e todo tipo de justiça aqui não existe, talvez a divina mais até essa parece que me esqueceu.
Já perdi as esperanças faz um bom tempo, hoje só tento agrada-lo para não ter meu rosto deformado ou algum osso quebrado como tantas outras vezes. Eu manco de uma perna devido ao tiro ter pegado no osso e danificado meu joelho. As vezes paro e penso que meu maior desejo era poder sair daqui e ter uma vida normal.
Conhecer o mar seria meu maior sonho, eu nunca vi o mar de perto eu não sei como é e nem que cor tem. Sonho que esse pesadelo um dia acabe e eu possa voltar a sorrir sem sentir minha boca doer ou pedir permissão para sorrir, passar o dia inteiro em um parque ensolarado vendo os pássaros voarem e quem sabe um dia ser feliz outra vez!
#Adam
Não sou um homem para casar e nem tão pouco sou romântico, essas coisas definitivamente não combinam comigo. Não faço o tipo de príncipe encantado de ninguém e a quem diga que sou o homem mais frio do mundo. Quem me conhece muito bem, sabe que pouco uso o coração e a razão sempre vai falar mais alta na minha cabeça. Não gosto de receber ordens de ninguém e eu mesmo dito minhas próprias regras, tenho certa dificuldade de confiar em qualquer um e não faço questão que ninguém me ame, eu já faço isso por mim mesmo e assim me sinto melhor sem muita falsidade e nem hipocrisias alheias!
Quando meu pai morreu eu tinha só cinco anos e herdei uma verdadeira herança família!
Um grupo de pessoas que fazem justiça com as próprias mãos. Pessoas que conquistei com o tempo e são leais a mim assim como sou para elas, capazes de darem a vida por mim em qualquer situação, assim como eu faria todas elas. Me tornei líder ainda muito novo quando minha irmã caçula foi sequestrada e tirada da minha proteção por um canalha chamado Pablo campos. Ele trafica mulheres e as vende para pessoas importantes no exterior em troca de armas, drogas e objetos caros mais isso brevemente vai acabar e eu só irei dormir em paz depois que eu meter uma bala bem no meio da cabeça daquele desgraçado sem escrúpulos! Ele foi responsável por fazer minha mãe chorar todos esses anos e eu carregar uma culpa do peso do mundo por ela ter sido levada. Eu era o mais velho, eu devia ter visto, eu devia ter parado ela mais não consegui e hoje vivo somente para mata-lo.
É noite e eu estou escondido atrás de alguns arbustos altos verdes. O vento uiva forte e sinto minha pele gelar com o frio que o vento forte do sul está trazendo nesta época do ano, mesmo com o meu casaco sinto minha pele arrepiar pela camisa fina que cobre meu corpo. Meu carro esta cheio de armas e brinquedos bastante pesados, gosto de pensar que estou no meio de uma guerra onde o mais forte sobrevivi e eu estou sempre disposto a provar para qualquer um que um homem foi feito para o outro em questão de força. Fui criado para matar e não para perguntar, a achar respostas onde não há perguntas e disso eu me orgulho muito bem!
_ Chefe, tem cinco seguranças em frente ao portão e ao que parece a casa está totalmente vazia _ Informa um dos meus amigos batendo no meu ombro para me alertar que não estávamos completamente sozinhos.
Olho para grande mansão branca e observo alguns carros pretos parados em frente. Homens grandes e fortes parecendo gorilas fardados de MIB estão em pé distraídos conversando entre si, vejo suas armas em seus coldres e faço sinal com o dedo que eles avancem e ataquem!
Uns dos meus homens atacam por traz, quebrando seu pescoço sem fazer o minimo de barulho. Outro, da um tiro na cabeça de um deles com o silenciador e em um atordoado silencio eles conseguem acabar com todos os seguranças facilmente!
Pego minha arma engatilhando e atiro para o alto dando sinal que o outro carro do meu bando apareça. Meu irmão mais novo e meu melhor amigo está nele comandando o outro grupo de busca. Fernando aparece com os outros homens e parece empolgado por está participando da minha caça. Nunca seria capaz de coloca-lo na linha de frente, cuido dele desde que tinha meses de idade e não arriscaria sua vida por nada e nem ninguém neste mundo, já tive perdas demais ...
_ Adam esta tudo sobre controle, vamos entrar e pegar esse desgraçado! Ele nunca imaginaria que pegaríamos ele em casa, vai ser fantástico! _ Olho para ele que desce do carro pegando sua espingarda e engatilhando com maestria! Os outros homens me olham e eu apenas faço um sim silencioso com a cabeça, não precisamos de palavras entre nós, eles me entendem perfeitamente e pra mim é o que importa!
Me abaixo e corremos adentrando silenciosamente a mansão, arrombamos a porta da frente com cuidado e estava tudo quieto e apagado. A sala era luxuosa, tinha uma grande escada em espiral e varias estatuas em cada esquina da casa, tanta riqueza feita com o sofrimento de varias famílias que chegava a me dar nojo. Faço sinal que cada um deles se separem e cada um vai para um canto diferente. Fernando some com os outros caras e eu resolvo subir as escadas para procurar por alguma pista.
Subo devagar com a arma apontada para frente e no mínimo tem seis quartos nesta casa, três de cada lado. Um grande tapete vermelho no meio separando essa divisória e vários quadros na parede. Alguns coloridos, outros pretos e brancos e aposto que valem uma fortuna não posso negar que O desgraçado tinha estilo!
Abro o primeiro quarto e verifico se tem alguém mais ele esta totalmente vazio. Abro o segundo quarto que é um escritório e também esta vazio. O terceiro é uma biblioteca, o quarto é um deposito de quadros antigos, o quinto é somente um quarto de hospedes bem amplo e o sexto esta trancado!
Forço varias vezes e ela não abre, sem paciência nenhuma chego para traz pegando impulso e dou uma pesada forte na porta a vendo cair no chão fazendo um grande barulho ecoando pelo local enquanto uma grande poeira sob no ar me fazendo tossir.
Entro com cuidado e está tudo muito escuro. Procuro o interruptor e aperto vendo ele se iluminar e vejo que está tudo uma verdadeira bagunça! Tem um pequeno guarda roupa velho e quebrado jogado em canto torto quase caindo aos pedaços de tão velho e do lado uma cômoda antiga e também quebrada. Um cheiro forte de podre faz meu estomago revirar e eu por hora respiro fundo. Em uma cama enferrujada e muito suja vejo alguém deitado e coberto e me aproximo me preparando para atirar, com cuidado eu descubro o corpo enrolado em um lençol branco e vejo uma menina deitada dormindo. Ela esta acorrentada na cama pelos pés que estão machucados e pela sua respiração pesada ela dorme profundamente. Seu rosto esta todo machucado e seus braços estão coloridos de hematomas de todos os tamanhos, sua boca tem um corte profundo e seus olhos bastante inchados.
_ Adam achou alguma coisa? Quem é essa ai? _ Fernando pergunta se aproximando apontando a arma para ela, eu abaixo o cano com a minha mão e peço que ele faça silencio para não acorda-lá.
Me aproximo mais dela e agora posso ver melhor seu rosto. Passo levemente minha mão tirando seus cabelos desgrenhados da frente para poder identificar melhor e fico surpreso com o que eu vejo. Ela é muito linda! Seus cabelos são dourados e parecem macios, sua boca é carnuda e tem um leve tom de rosa, mais suspeito que esteja inchada assim por causa da pequena ferida no canto de sua boca. Ela esta completamente nua e somente um lençol cobre seu corpo pequeno, mais mesmo assim o fino e transparente tecido não escondem suas curvas tentadoras e provocantes. Me levanto e falo serio encarando o Fernando
_ Procure informações, quero saber quem é essa garota! _ Ordeno e Fernando assente saindo do quarto
Olho em volta e vejo uma verdadeira bagunça! Roupas jogadas no chão, restos de comida espalhados, papeis amassados e alguns desenhos estranhos que eu acredito ter sido feitos por ela. Fernando chega segurando um porta retrato nas mãos e me entrega
_ Ao que parece ela é a esposa dele! _ Diz com espanto me entregando a foto. Olho para eles dois abraçados e sinto uma irritação crescendo dentro mim, ele de paletó sorrindo segurando uma taça de champanhe e ela do seu lado com um mínimo sorriso sem graça e um olhar triste vazio e apagado
_ Que tipo de pessoa acorrenta sua própria esposa e a deixa nesse estado? Neste quarto? _ Agora estão todos os homens no quarto olhando para ela que em nenhum momento se mexeu com nossos movimentos. Fernando se aproximou falando em um sussurro no meu ouvido
_ Adam, vamos sair logo sair daqui! Vasculhamos a área e não tem nada aqui que nos interesse _ Na verdade agora tinha e eu a encaro com pena. Eu não poderia deixa-la aqui desta maneira, por mais que meus instintos gritem que é errado eu não podia deixa-lá aqui assim! Aperto meus olhos com força
_ Vamos leva-la com a gente, ela pode ter informações que nos ajude a chegar até a Alice e as outras meninas sequestradas _ Me aproximei dela e com cuidado para não machuca-lá ainda mais eu tirei as correntes dos seus pés e depois tirei as cordas que deixaram seus pulsos em carne viva. A carreguei nos meus braços e enrolei seu corpo cuidadosamente nos lençóis que fediam a suor.
_ Sabe que estará provocando ele a levando daqui não é? _ Avisou Fernando e eu o fitei sorrindo satisfeito
_ Tenho certeza que sim e é isso mesmo que eu quero! _ Falei a concertando em meus braços e ele saiu balançando a cabeça, ele não tinha que aprovar porra nenhuma, ele só tinha que me obedecer
_ Vamos embora pessoal, foi tempo perdido _ Fiz sinal que todos saíssem do local e eles obedeceram.
Andei lentamente com ela em meus braços encolhida pelo frio e desci as escadas saindo daquela casa as pressas antes de ter alguma surpresa. Não poderíamos nos arriscar que ele chegasse no meio dessa fuga, eu estava em território inimigo e teria que assumir as responsabilidades dos meus atos e aqui tinha vidas que eu era responsável. Coloquei ela no banco de traz do meu carro com cuidado e aconcheguei sua cabeça na minha jaqueta de couro que eu sempre guardava para certas ocasiões. Ela gemia de dor e estava tremendo abraçando o próprio corpo com as mãos! A observei com atenção e naquele momento desejei não conhece-la neste estado
_ Moça espero que esteja me ouvindo, se me der as informações corretas, eu não farei mal nenhum a você eu prometo! Quero apenas informações! _ Falei e não obtive resposta.
Os carros sairão apressados e eu sai logo atrás deles olhando ela pelo retrovisor me perguntando: Quem é essa garota?
#Iris
Depois de mais uma dolorosa sessão de tortura com o Pablo eu acabei apagando. Estava sentindo muita dor no meu estomago e meus seios estavam inchados e doloridos. Pablo naquela tarde estava mais agressivo e impulsivo, eu implorei para ele ir mais devagar, pelo menos com um pouco mais de cuidado, um modo que eu sofresse menos, mais quanto mais eu pedia, mais perversidades ele fazia comigo. Eu nunca entendi esse ódio que ele sentia por mim e por que ele me tratou assim todos esses anos, a ultima coisa que me lembro, é das cordas nos meus pulsos e algo ruim e amargo descendo pela minha garganta, fiquei tonta e depois apaguei!
Estou tentando abrir os olhos a horas! Eles estão tão pesados que não consigo ver nada em minha frente. Abro lentamente meus olhos e vejo que meus braços estão presos, me balanço um pouco mais e não consigo me soltar, não estou no meu quarto e nem na minha cama, estou em um lugar estranho molhado, sujo e escuro. Meus pés não tocam o chão e estou completamente nua pendurada por uma barra de ferro. Me balanço sentindo algo subindo pela minha garganta e vomito puro liquido. Meus olhos lacrimejam e minha respiração falha por alguns minutos parecendo que estou sufocando, sinto que não estou sozinha no lugar, mais uma voz grave confirma minhas suspeitas!
_ Quem é você? _ Olho para todos os lados e não vejo ninguém, sua voz imponente e alta provoca um eco pela sala me trazendo muito medo, aperto os olhos e não vejo nada além de uma escuridão total
_ Meu... meu nome é Iris, Iris Muniz _ Respondi gaguejando e um silencio se fez novamente
_ Quantos anos você tem Iris?
_ Eu... eu tenho 19 anos, o que eu estou fazendo aqui? Onde estou?
_ Quem faz as perguntas aqui sou eu, você só responde para seu próprio bem entendeu? _ Assinto atordoada enquanto ouço seus passos se aproximando de mim
_ O que você é de Pablo Campos?
_ Não sou nada daquele desgraçado _ Respondi amargamente sentindo o bílis subir pela minha garganta outra vez
_ Então você não é esposa dele? _ Ele joga o porta retrato nos meus pés e vejo o pior dia da minha vida refletido numa fotografia quebrada
_ Ele me forçou a me casar com ele, ele... ele destruiu minha vida _ falei com a voz embargada segurando o desespero que se apossou do meu corpo
_ O que você sabe sobre os negócios ilegais dele?
_ Que negócios? _ Perguntei confusa e o silencio se fez novamente e tudo ficou quieto. Senti um jato de água forte no meu corpo e aos poucos foi subindo para meu rosto, doía demais era como pequenas facas me cortando lentamente.
_ O que você sabe sobre os tráficos de mulheres que seu marido pratica? Sabe onde fica o lugar? Sabe alguma coisa disso? _ Eu não sabia onde era exatamente, ouvia dali ouvia daqui mais nunca era certo, ele sempre mudava os lugares das entregas
_ Eu acho que é dentro de um galpão, fica perto do aeroporto abandonado perto da estrada Street Only! _ Respondi fugindo da água que estava cada vez mais me machucando.
_ Você acha ou você tem certeza?
_ Eu não sei, eu o ouvi comentando uma vez com um amigo pelo telefone marcando para mais uma entrega, juro que é só isso que sei, para com isso por favor _ Respondi e ele aumentou mais ainda a água que batia no meu corpo abrindo as feridas cicatrizadas, gritei chorando sentindo a força da dor das feridas se abrindo de novo, estava doendo muito e eu preferi mil vezes estar no quarto acorrentada do que tá passando por isso.
_ Por favor, eu te imploro esta doendo muito, por favor, eu não sei de nada eu juro eu não sei de nada _ Gritei em prantos e a força da Aguá aumentou mais ainda, a dor ficou mais intensa, senti o ar faltar dos pulmões e acabei apagando...
*****
_ Ela ainda esta viva?
_ Ela ainda tem pulsação, então sim está viva
_ O que você vai fazer com ela?
_ Não sei, ela realmente parece não saber de nada
_ Você vai devolvê-la ao Pablo?
_ Eu não sei o que eu vou fazer porra, me da um minuto para pensar
_ Adam entrega logo ela, está vendo que isso não serve de nada? A garota já esta praticamente morta!
Era assim que eu me sentia, Morta! Minha visão estava embaçada e meu corpo ardia pelas feridas abertas pela força da água, agora mutilado e dolorido. As lagrima eram sempre presentes e meus soluços foram mais altos, eu queria estar com meus pais, na minha casa abraçada com meu urso ouvindo minha mãe cantar a musica dela favorita enquanto fazia a janta do papai, eu queria desesperadamente minha vida de volta!
_ Tirem ela dai _ Ordenou alguém e sem nenhuma gentileza, eu fui derrubada no chão gritando de dor pela pancada em minhas costas. A pouca claridade que havia naquele lugar me impedia de ver seus rostos, cobri meus seios com as mãos e me senti um lixo, um nada naquele momento, na verdade era isso que eu era, um nada!
_ Verifique se o galpão do aeroporto está realmente habitado e mate todos que estiverem por lá, não quero testemunhas, salve as garotas e procure por Alice _ O rapaz que me soutou saiu batendo a porta com força me deixando lá sozinha com mais alguém que eu não sabia direito quem era, mais pelas ordens que ele dava parecia algum tipo de chefe ou líder
Me encolhi no chão gelado sentindo frio, fome, dor, raiva, ódio, nojo de mim mesma e vergonha
_ Você tem duas opções Iris: Fica aqui e me ajuda a matar o Pablo, ou volta pra sua casa e morre pelas mãos do seu marido você que escolhe _ Sorri sem humor nenhum tentando me levantar.
_ Tenho uma terceira opção, você pega essa sua arma e atira na minha cabeça, me fazendo um grande favor, não tenho ninguém para sentir minha falta então não se preocupe vai estar me fazendo um grande favor _ Ele riu irônico.
_ E por que você acha que eu faria isso?
_ Não quero voltar para o inferno de novo e de um jeito ou de outro você vai acabar me matar então por que não agora? _ Levantei a cabeça e meu olho esquerdo nem abria direito de enxado que estava.
Ouvi ele engatilhando a arma e vi o cano dourado encostando na minha testa. Respirei fundo e fechei os olhos vendo a imagem dos meus pais rindo felizes em uma dia ensolarado!
_ Você me serve viva garota, o único cadáver que eu quero manchando meu chão é do Pablo! _ Disse guardando a arma, então senti uma pancada forte na cabeça e acabei apagando de novo!
***
_ Céus o que fizeram com essa menina Adam? Ela parece morta, olhe só para seu corpo, ela tem feridas que vão demorar meses para curar, olhe seu estado.
_ Dê um banho quente nela, dê algo para ela comer e cuidem de seus ferimentos, vou negociar ela com Pablo em troca da Alice.
_ Sabe que não concordo com isso meu filho, ela também é humana Adam
_ Você nunca concorda com nada minha mãe, só faz o que eu estou pedindo por favor!
Eu me sentia fraca e incapaz de fazer qualquer movimento, minha boca estava seca e eu sentia uma enorme vontade de fazer xixi, cada centímetro do meu corpo doía.
Alguém me levantou e com todo cuidado me deu banho bem devagar e lavaram meus cabelos, senti quando me costuraram e colocaram algumas bandagens nos lugares abertos. Minha visão estava embaçada demais para saber quem era que me vestiu e me deitou em algo macio, de tão cansada que eu estava acabei apagando de novo!
Acordei e parecia ser de noite, tinha uma janela pequena e olhei para grandes arvores balançando de leve pela brisa que passava entre as grandes arvores verdes. Parecia uma enorme fazenda, tinha uma cerca de madeira e alguns cavalos grandes e bonitos parados comendo a grama molhada. A lua estava grande, redonda e eu nem lembrava a ultima vez que eu a tinha visto. Tentei me sentar e era horrível a sensação de impotência que eu sentia, toquei minhas costelas e meu corpo parecia ter sido atropelado por grandes elefantes. Olhei em volta e eu estava em um quarto, não era muito grande, mais tinha um charme todo especial.
Me ajeitei na cama e observei como era aquele lugar: Uma cômoda preta com varias fotos de família em cima, uma mesa de madeira no canto com papeis e outras coisas que de longe eu não identifiquei, algumas caixas fechadas e um grande guarda roupa preto sofisticado. As cortinas eram brancas com dourado e as paredes eram salmão, a cama que eu estava deitada era bem confortável com um colchão que eu presumo ser de luxo e bem caro, notei que as bandagens da minha costela estavam sangrando e tentei resolver sozinha quando a porta se abri e um homem alto entra com uma bandeja em suas mãos.
Seus cabelos eram grandes e castanhos quase chegando aos seus ombros largos e seus olhos eram claros, pareciam verdes, azuis sei lá. Seu rosto era liso e tinha uma sobrancelha fina mais bem desenhada, ele era forte e bem grande, estava sem camisa e sorria amigável em minha direção

_ Eu trouxe seu jantar _ Disse gentil se sentando ao meu lado. Eu me encolhi de medo, cobri meu corpo com os lenções puxando cada vez mais para mim, quando ele ia me tocar eu gritei
_ Calma eu não vou te fazer nenhum mal _ Disse com calma levantando as mãos mostrando que não iria mais me tocar, eu estava tremendo de medo, meu corpo estava apavorado
_ Meu nome é Fernando Johnson e você esta na minha casa. Te encontramos presa na casa do Pablo e te trouxemos para cá, não precisa ter medo de ninguém, não vamos te machucar
_ Mais do que fizeram? _ Minha voz saiu grossa abafada pelos lenções e eu o fitei
_ Olha, eu peço desculpas pelo Adam, ele tem um jeito diferente de tratar as pessoas, mais aposto que você esta com fome, e minha mãe fez uma deliciosa canja de galinha com legumes especialmente para você! Ela é muito famosa por ser a mais gostosa da região e não é todos os dias que ela faz então aproveite. Coma e descanse, confie em mim, ninguém aqui te fara mal _ Dizendo isso ele se levantou e saiu do quarto sorrindo torto.
"Ei garotinha não tenha medo, confie em mim eu jamais lê farei mal algum, a parte de hoje o Tio Pablo cuidará de você para sempre"
As lagrimas que escorriam pelo meu rosto me fez lembrar que confiar em alguém, transformou minha vida em um doloroso e interminável inferno, eu não queria ficar aqui eu precisava fugir e seria ainda está noite!