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Minha Redenção

Minha Redenção

Autor:: Nalva Martins
Gênero: Romance
INTRODUÇÃO: No livro Minha Redenção, você conhecerá uma história marcante, cheia de drama e muita ação. Marcos Antônio se tornará Alex para fugir da sua raiz pecamisosa e tentar ser uma pessoa melhor. Porém, uma garota surgirá em sua vida e ele será obrigado a se sujar de sangue outra vez, apenas para resgatar aquela que foi capaz de lhe devolver a sua luz. O livro contém algumas cenas fortes, porém não fugirá ao gênero romance. Espero que gostem de mais essa obra. **** A vida é feita de escolhas... Alguém me disse isso uma vez. Mas, o que fazer quando você ainda é apenas um garoto e não te dão esse direto de escolher? Às vezes é mais fácil fechar os olhos e julgar, ou apontar aquele garoto sujo nas ruas, vendendo drogas para sobreviver e não estou falando do dinheiro, e sim de vida. Da minha vida, onde eu não tive muitas escolhas. Era matar ou morrer. Mergulhar de cabeça no submundo e abraçar sua escuridão, ou ser engolido por ela. Esse é o meu jeito de viver agora. Chamo-me Antônio Carlos Ferraz e quando eu tinha dez anos, vi os meus pais serem assassinos pelo homem que fez de mim um assassino frio e cruel. Me tornei um homem sem alma, insensível e implacável... até vê-la pela primeira vez. Jasmine era a rachadura em minha armadura de ferro, um pequeno foco de luz em minha escuridão. Uma garota simples, com um olhar de menina e um rosto angelical, que fazia o meu dia brilhar diferente. O simples fato de vê-la, mesmo que de longe era um afago para a minha alma dolorida, mas era tudo o que eu podia ter dela no momento. Quem vive uma vida de crimes, o melhor é que não se envolva amorosamente. Esse amor seria a sua fraqueza e a sua destruição, assim como foi com a vida do meu pai. Eu e minha mãe éramos a sua fraqueza e fomos a sua queda também. Por isso, e somente por isso, me mantenho distante dela. Olho ao meu redor. Estou dentro de um imenso galpão, pois é o dia da entrega dos pacotes. Tem muitos homens armados nesse lugar. Na entrada da comunidade, os figuinhas - os garotos armados que vigiam - determinam quem entra e quem sai. Cicatriz, nosso chefe está em seu escritório fazendo a contabilidade com os provedores. Em algumas horas terei que sair e fazer a outra parte do meu trabalho, aquela parte que fui forçado a gostar: apagar alguns arquivos e pressionar alguns devoradores. Não vou negar, é um mundo atrativo, te rende muito dinheiro, te oferece muito conforto, mas confesso que daria a minha vida para sentir um pouco de paz. Em alguns momentos, penso o quão a minha mãe me queria longe tudo isso, que ela apostava nos meus estudos e me mantinha sempre ocupado. Como seria a minha vida hoje se meus pais ainda estivessem vivos? - Está na hora, Marrento. - O aviso me é dado. Assinto encarando o gerente das finanças e saio do galpão sem contestá-lo. Quando entro no carro, sinto a costumeira adrenalina percorrer as minhas veias e o gosto de sangue vem a minha boca. É como se o meu coração parasse nessa hora e no mesmo instante, torno-me um homem frio e calculista. Para o que preciso fazer agora, não pode haver sentimentos e nem culpa, muito menos remorsos. Tiro a pistola do cós da calça jeans, verifico o seu tambor e o giro, o colocando de volta no lugar. Meu alvo? Um homem de 34 anos, um delator. Ele é um traidor e não perdoamos traidores aqui. Meu nome é Marrento, e eu sou o mensageiro da morte. Uma história forte, com drogas, sexo e muito violência, além de um amor muito intenso.

Capítulo 1 Sinopse

INTRODUÇÃO:

No livro Minha Redenção, você conhecerá uma história marcante, cheia de drama e muita ação. Marcos Antônio se tornará Alex para fugir da sua raiz pecamisosa e tentar ser uma pessoa melhor. Porém, uma garota surgirá em sua vida e ele será obrigado a se sujar de sangue outra vez, apenas para resgatar aquela que foi capaz de lhe devolver a sua luz. O livro contém algumas cenas fortes, porém não fugirá ao gênero romance. Espero que gostem de mais essa obra.

****

A vida é feita de escolhas... Alguém me disse isso uma vez. Mas, o que fazer quando você ainda é apenas um garoto e não te dão esse direto de escolher? Às vezes é mais fácil fechar os olhos e julgar, ou apontar aquele garoto sujo nas ruas, vendendo drogas para sobreviver e não estou falando do dinheiro, e sim de vida. Da minha vida, onde eu não tive muitas escolhas. Era matar ou morrer. Mergulhar de cabeça no submundo e abraçar sua escuridão, ou ser engolido por ela. Esse é o meu jeito de viver agora.

Chamo-me Antônio Carlos Ferraz e quando eu tinha dez anos, vi os meus pais serem assassinos pelo homem que fez de mim um assassino frio e cruel. Me tornei um homem sem alma, insensível e implacável... até vê-la pela primeira vez. Jasmine era a rachadura em minha armadura de ferro, um pequeno foco de luz em minha escuridão. Uma garota simples, com um olhar de menina e um rosto angelical, que fazia o meu dia brilhar diferente. O simples fato de vê-la, mesmo que de longe era um afago para a minha alma dolorida, mas era tudo o que eu podia ter dela no momento.

Quem vive uma vida de crimes, o melhor é que não se envolva amorosamente. Esse amor seria a sua fraqueza e a sua destruição, assim como foi com a vida do meu pai. Eu e minha mãe éramos a sua fraqueza e fomos a sua queda também. Por isso, e somente por isso, me mantenho distante dela.

Olho ao meu redor. Estou dentro de um imenso galpão, pois é o dia da entrega dos pacotes. Tem muitos homens armados nesse lugar. Na entrada da comunidade, os figuinhas - os garotos armados que vigiam - determinam quem entra e quem sai. Cicatriz, nosso chefe está em seu escritório fazendo a contabilidade com os provedores. Em algumas horas terei que sair e fazer a outra parte do meu trabalho, aquela parte que fui forçado a gostar: apagar alguns arquivos e pressionar alguns devoradores.

Não vou negar, é um mundo atrativo, te rende muito dinheiro, te oferece muito conforto, mas confesso que daria a minha vida para sentir um pouco de paz. Em alguns momentos, penso o quão a minha mãe me queria longe tudo isso, que ela apostava nos meus estudos e me mantinha sempre ocupado.

Como seria a minha vida hoje se meus pais ainda estivessem vivos?

- Está na hora, Marrento. - O aviso me é dado.

Assinto encarando o gerente das finanças e saio do galpão sem contestá-lo. Quando entro no carro, sinto a costumeira adrenalina percorrer as minhas veias e o gosto de sangue vem a minha boca. É como se o meu coração parasse nessa hora e no mesmo instante, torno-me um homem frio e calculista. Para o que preciso fazer agora, não pode haver sentimentos e nem culpa, muito menos remorsos. Tiro a pistola do cós da calça jeans, verifico o seu tambor e o giro, o colocando de volta no lugar.

Meu alvo?

Um homem de 34 anos, um delator. Ele é um traidor e não perdoamos traidores aqui.

Meu nome é Marrento, e eu sou o mensageiro da morte.

Capítulo 2 1

- Antônio já acabou suas tarefas? - Minha mãe perguntou carinhosamente. Faço um sim, com a cabeça e começo a guardar os meus materiais. - Ótimo querido! - Ela sorri. - Seu pai já chegou, vá encontrá-lo. O jantar será servido em alguns minutos.

- Tá bem mamãe. - Saio correndo pela casa. O meu pai está sentado em um sofá de vime dourado, com algumas almofadas grandes e florais no centro da sala. Ele sorri ao me ver. Papai passa o dia inteiro fora de casa. Minha mãe sempre diz que o trabalho dele é muito perigoso, por isso eu nunca irei visitá-lo em seu trabalho. Assim que me aproximo dele, pulo em seus braços e ele me abraça rindo alto e me beija.

- O que o meu garoto fez hoje na escola? - pergunta comigo ainda em seus braços. Começo a relatar os meus feitos, quando a porta da sala é aberta bruscamente e um homem alto e muito bem-vestido passa por ela. Seus olhos maus encaram o meu pai e depois a mim. A cicatriz em sua face me causa medo.

- Vai lá para dentro filho. - Meu pai pede com um tom baixo. Ele parece nervoso e me põe no chão, para eu correr para fora da sala, mas eu não vou muito longe dali. Fico escondido atrás da cortina grossa que fica bem na entrada do cômodo. Daqui eu não consigo ver muita coisa, mas escuto a conversa dos homens e alguns sons que eles fazem lá dentro.

- O que faz aqui, Cicatriz? - Meu pai pergunta em um tom irritado.

- Casa bonita, Alexandre! Elegante... gostei dela!

- Saia da minha casa, agora! - pede em tom firme. O homem parece não se importar com suas palavras.

- Você não manda mais em nada aqui, Alexandre - diz calmamente.

- Não seja idiota, Cicatriz! - Meu pai rebateu intimidante e o homem apenas rio alto.

- Só para você saber, Alexandre, seus homens estão mortos lá fora e você está sozinho. Vê algum segurança aqui para te ajudar? - Um silêncio toma conta do lugar por um curto espaço de tempo.

- O que você quer? - Percebo a raiva nas palavras que saem da boca de meu pai.

- Seu poder, sua fonte, seus lucros. Nada de mais.

- Leve o que quiser, Cicatriz, só deixe a minha família em paz e tudo será seu. - Ele volta a rir.

- Não é bem assim, Alexandre, você sabe. - Meu pai respira fundo.

- O que quer dizer com isso?

- Só pode haver um rei aqui e para que outro rei venha dominar o lugar, o primeiro precisa morrer. - Eles fazem silêncio por uns poucos instantes.

- O que está acontecendo aqui? - Ouço a voz da minha mãe exasperada na sala.

- Alexandre, eu já disse que não quero... - Ela começa a falar, mas é bruscamente interrompido.

- Vai lá para dentro Laura! - Meu pai pede com um tom áspero.

- Sua esposa é muito linda, Alexandre! - Cicatriz diz audacioso.

- Laura, por favor, vai lá para dentro! - Ele insiste. Escuto o som dos saltos altos ecoarem rápido pelo piso de madeira e saindo da sala em seguida.

- Se quer me matar, faça isso longe da minha casa, Cicatriz. Longe do meu filho e da minha mulher. Peço que poupe a minha família. _Ele suplicou. Dá para sentir o seu nervosismo.

- Faremos assim, Alexandre. Eu mato você primeiro, depois mato a gostosa da sua mulher e faço do seu filho o meu cachorrinho de estimação. - Ele riu alto e os seus homens o acompanham.

- Não se atreva! - Meu pai esbravejou e antes que terminasse de falar escutei dois tiros na sala. Fechei os meus olhos bem apertados e levei as minhas mãos aos meus ouvidos.

- Tragam-na para mim - ordenou e eu senti o meu coração disparar forte no meu peito. Em seguida escutei os passos firmes saindo da sala e logo depois a minha mãe começou a gritar, pedindo que a soltasse, chamando o nome de meu pai. Ela foi levada até a sala e mais dois tiros soaram na casa, e o silêncio reinou logo em seguida. Com medo, comecei a chorar e a tremer também. - Encontrem o garoto. - Voltou a ordenar. Apavorado saí do meu esconderijo e corri apressado para as escadas.

- Ali! - Um deles gritou e antes que eu alcançasse aos degraus, eles me pegam. Gritei feito louco, me debati tentando soltar-me, mas era inútil, eu sou pequeno demais. Os homens me soltam diante do homem com a cicatriz no rosto e inevitavelmente olhei para o meu pai caído no chão. Um tiro no peito e outro na cabeça. O corpo estava caído em uma grande poça de sangue. Imediatamente eu me apavorei e o homem se agachou na minha frente, segura o meu rosto dos dois lados e me fez olhá-lo.

- Você vai me servir muito, garoto - falou baixo, porém firme e sorriu. Eu me afastei dele e o encarei enraivecido.

- ODEIO VOCÊ! - gritei, mas ele apenas riu de mim.

- Marrento ele, não é? Taí, vou te chamar de Marrento.

(...)

Abri os meus olhos, puxando o ar com força, sentindo o meu peito doer com a opressão. Apavorado olhei para todos os lados e me doei conta de que estava em um hospital. Tentei me acalmar e forcei a minha mente a lembrar como eu vim parar aqui.

- Seja bem-vindo de volta, senhor Fox! - Uma enfermeira disse entrando no quarto.

Caralho, do que ela me chamou? Indaguei internamente.

- O senhor ficou desacordado por duas semanas. Como está se sentindo? - pergunta, enquanto verificava os aparelhos.

- Com sede - falo com a voz arrastada. Sinto-me fraco e sonolento. A enfermeira sorri para mim.

- Vou chamar o médico, ele irá avaliá-lo e só então saberei o que lhe dar - informa, se afastando.

Fecho os meus olhos e volto a abri-los, encarando o teto a minha frente. Lembranças do aeroporto vem com força. Jasmine entregando uma pasta cheia de dinheiro, para o Cicatriz, um jatinho particular pronto para a nossa fuga e depois, ela fugindo para longe de nós dois, para longe de mim... Cacete! Ele ia atirar na própria filha? Filho da puta! Ele ia matar a Jasmine! Lembro-me de entrar em uma luta corporal com o meu algoz, tentando tomar a arma de suas mãos, então escutei o disparo. O meu peito começou a queimar como o inferno e cambaleei para trás. Cicatriz me olhou nos olhos e desferiu outro disparo, mas esse acertou o meu braço. Puxei a respiração com dificuldade. Não sei quanto tempo se passou, mas logo pude ouvir as sirenes, muitas delas. Olhei para trás e vi a minha princesa subir na moto e ir embora com ele. Ela parecia feliz em seus braços.

Forcei-me a levantar do chão e me arrastei para a lateral do carro. Os policiais se aproximam e as prisões começam a ser efetuadas. Vi quando algumas pessoas começaram a embarcar em um avião a uns três metros de onde estávamos e vi ali a minha grande chance. Ainda abaixado, puxei a pequena maleta caída no chão para perto de mim e me arrastei para longe dali. Quando alcancei uma distância segura, ergui o meu corpo e procurei andar normalmente para não chamar a atenção. Em um carrinho de malas encontrei um boné e uma camisa com a logo do aeroporto. Vesti-me discretamente e me misturei as pessoas, saindo dali quanto antes.

- Bom dia, senhor Alex! - O médico diz assim que entra no quarto. Porra, por que eles estão me chamando assim? - Como está se sentindo? - pergunta.

- Meu peito dói muito e não consigo respirar direito. Como... como vim parar aqui?

- Não se lembra do que aconteceu, senhor Fox?

Fox? Alex? Mas, que droga é essa?

- Não - falo com dificuldade.

- O senhor estava em um avião e um dos passageiros estava armado, e ele... - O encarei perdido. Não foi isso que aconteceu realmente. Penso, mas não falo nada.

- Atirou em mim? - Completo a sua frase. Não sei de onde ele tirou essa história tão sórdida, mas isso vai me ajudar e muito a sair daqui sem nenhum problema.

- Foi o que nos disseram, senhor Fox. Não entendemos bem como tudo aconteceu.

- Estou com sede. - insisto, o interrompendo.

- Claro, a enfermeira lhe dará um pouco de água, mas não pode exagerar ainda. O senhor levou dois tiros e perdeu muito sangue. É normal que se sinta fraco por um tempo. E não se preocupe coma a perda de memória, logo tudo fará sentido. - Faço sim, com a cabeça.

Capítulo 3 2

- Na sua carteira só havia os seus documentos e uma pequena quantidade de dinheiro, senhor Fox. Não havia nenhum contato. Tem alguém para quem queira ligar? - Faço não com a cabeça.

- Sou novo aqui na cidade e os meus pais morreram quando eu era pequeno - esclareço.

- Sinto muito, senhor Fox! Uma namorada, uma esposa? - Faço não outra vez.

- Ok, descanse, senhor Fox e aproveite para dormir um pouco. Logo estará fora do hospital - pede, saindo do quarto. A enfermeira me ajuda a beber um pouco da água com o auxílio de um canudo e depois que deixa o quarto, eu adormeço.

(...)

Observo atentamente o homem segurar a arma em punho. Ele mira na cabeça de um rapaz com cerca de dezoito anos. O garoto chora e treme de joelhos no chão, pedindo por sua vida. Queria poder sair correndo daqui, mas o Cicatriz está em pé na porta.

- Segure a arma, garoto. - O homem me pediu, eu estremeci e hesitei. Não quero fazer isso. Não quero matar o rapaz. - Segure a arma logo moleque! - esbravejou. Engoli em seco e segurei a arma com a mão trêmula. Ele se prostra bem atrás de mim, ajeita o meu braço para que a mira não saia da cabeça do garoto. Tenho vontade de chorar, mas Cicatriz disse que se eu chorasse levaria uma surra. Puxo a respiração e me encho de coragem. - Olhe bem para a sua caça, garoto. Você não deve ter medo dele, ele deve ter medo de você. Se alimente do seu medo, Marrento. Alimente a sua a alma e aperte... aperte o gatilho. - Sua voz áspera preenchia os meus ouvidos. Fechei os olhos, ouvindo essas palavras e apertei o gatilho com força.

Em seguida escutei o som do estampido e quando voltei a abrir os meus olhos, vi o rapaz cair aos meus pés em câmera lenta, e o seu sangue começou a jorrar pelo chão. - Ótimo, garoto! Sabe por que você o matou? - Cicatriz inqueriu calmamente. Fiz não para ele. - Porque ele é um traidor, Marrento e nós não perdoamos os traidores, nós os eliminamos, entendeu? - Puxei a respiração mais uma vez.

- Entendi - sibilei cheio de raiva na voz. O homem trouxe outro rapaz algemado e ele é forçado a ficar de joelhos na minha frente e sem me dizerem qualquer palavra, eu automaticamente ergui a arma, apontei para a sua cabeça e apertei o gatilho.

(...)

Abro os olhos apavorado. Minha respiração está ofegante e eu estou agitado. Noto que o dia já está claro lá fora e o soro já fora retirado do meu braço. Também não havia mais os fios conectados ao meu corpo. Forço-me a levantar e sento-me no colchão, sentindo uma leve tontura e no segundo seguinte, o mundo começa a girar ao meu redor.

- Bom dia, senhor Fox, trouxe o seu café da manhã. - Outra enfermeira fala entrando no quarto. Ela segura uma bandeja branca com alguns pratos e copos de isopor.

- Que dia é hoje? - questiono sem dar importância ao que acabou de falar.

- Quarta-feira, senhor.

- A quanto tempo estou aqui? - Ergo a cabeça para olhá-la assim que a tontura passa.

- Cinco meses, senhor.

Cinco meses? Cacete!

Observo a bandeja no suporte sobre a cama com algumas torradas, um copo de suco de laranja, iogurte e algumas frutas. Em silêncio, começo a comer a torrada com suco de laranja. Estou faminto. Constato. E não vejo a hora de sair desse lugar. Penso. Quando termino de comer, a enfermeira recolhe tudo e sai do quarto, levando a bandeja consigo, porém, ela deixa uma muda de roupas de hospital para mim em cima do pequeno sofá branco. Com um pouco de dificuldade, eu saio da cama e imediatamente sinto uma dor que parece rasgar o meu peito ao meio. Respiro profundo e lentamente. Preciso de um banho. Observo o cômodo por alguns instantes. O banheiro é bem espaçoso e tem alguns armários com toalhas dentro dele. Um box grande de vidro fosco, além de um balcão de mármore grande o suficiente. É um hospital luxuoso e me pergunto quem está pagando por tudo isso? Ligo o chuveiro e entro debaixo da água morna, sentindo o meu corpo relaxar aos poucos.

O que realmente aconteceu após eu saí daquele aeroporto? Lembro-me de sair durante a noite da comunidade e de ir até o Tom, um falsificador. Ele me entregou um envelope pardo com alguns documentos falsos para eu sair do estado.

(...) O seu nome será Alex Fox. Você tem vinte e cinco anos e nasceu no Rio Grande do Sul. Memorize os nomes dos seus falsos pais. - Ele disse.

Agora entendi porque me chamam Alex. Alex Fox, esse será o meu novo nome de agora em diante.

Desperto dos meus pesamentos quando uma enfermeira entra no quarto, trazendo uma bandeja pequena com alguns materiais nela. A garota deposita o objeto em cima da cama e me encara com um sorriso amigável.

- Vou trocar o seu curativo, senhor Fox. - Ela avisa, pegando uma lã embebida em álcool e começa a tirar o curativo do meu peito. Observo a ferida arredondada surgindo a medida que o curativo é retirado. Os dias têm passado muito rápido e eu estou ficando melhor a cada dia. Durante todos esses anos trabalhando para o tráfico de drogas, esse foi o primeiro tiro que levei. A garota passa algum medicamento na ferida e em seguida, ela põe outro curativo e repete todo o procedimento no meu braço direito.

O filho da puta errou o tiro por pouco. Se tivesse acertado o meu peito uma segunda vez, talvez eu não tivesse sobrevivido para contar a história. Quando a enfermeira termina o seu trabalho, o médico entra no quarto e avalia o meu rosto. Ele parece satisfeito.

- Dei uma olhada nos seus últimos exames, senhor Fox. Você se recuperou muito bem. - O elogio me fez abrir um meio sorriso. - Não vejo necessidade de lhe segurar aqui no hospital por mais tempo. Está de alta, senhor Fox - avisa.

- Que bom! - falo com satisfação, mas é da boca para fora. Para onde irei? Não sei o que fazer e nem sei aonde eu realmente estou. Estou me sentindo perdido. É como se tivessem tirado a minha coleira após longos anos preso a ela e depois me soltaram na rua. Merda, eu simplesmente não sei aonde ir. Respiro fundo.

- Não gostou da notícia? - O médico pergunta e só então percebo que ele ainda está aqui

- Gostei... é uma ótima notícia! - Tento pôr entusiasmo na voz.

- Só preciso que assine alguns documentos e poderá ir para casa - informa. Casa... Eu tenho uma casa? A verdade é que eu não sei.

Minutos depois, estou vestido com roupas normais e assinando os documentos da alta, tendo o cuidado para pôr o meu novo nome ali. O médico sai do quarto, levando os papéis consigo e eu encaro a porta de saída por um longo tempo, mas não saio do quarto realmente e volto a deitar-me na cama. Começo a pensar o que farei quando sair daqui e o sono me domina sem eu perceber.

(...)

- Vamos Boca, cheira tudo caralho, aposta é aposta, porra! - rosno para o maluco.

- Tá doido, Marrento? Isso é muito pó, quer me matar de overdose, porra? - reclama enraivecido.

- É pagar, ou a mina é minha. - Aponto para a garota no canto da parede. Ela parece assustada.

- Porra, Marrento, a mina é minha, caralho! - Ele retruca.

- Cheira essa porra logo! - exijo. Ele me encara sério, porém hesitante.

- Não vou cheirar porra nenhuma! - rebate irritado. Encaro Cicatriz do outro lado da parede de vidro. Seu olhar determinado me diz tudo e eu sei que ele espera uma atitude de líder da minha parte. Se eu não fizer, ele mesmo fará. Puxo a respiração com força.

- Tragam a mina - ordeno. Boca me encara com raiva, mas sabe que não pode fazer nada contra mim. Os caras seguram a garota e a colocam bem na minha frente. Boca se põe de pé e eu seguro a arma em punho, apontando direto para a sua cabeça. Rendido, ele ergue as mãos, mas me encara em fúria. A mina se aproxima temerosa e eu a forço a debruçar sobre a mesa, e encarado o seu namorado. Levanto sua mini saia, abaixo a sua calcinha, desafivelo o meu cinto e abro a calça, abaixando-a com a cueca até o meio das minhas coxas, e sobre o olhar furioso do garoto, como a sua garota com força.

A safada geme. Ela parece estar gostando da situação. Não demora muito para eu gozar dentro da garota, então simplesmente me afasto, visto a minha roupa e vou até o homem negro e parrudo, e ponho a arma na sua testa.

- Se não pode pagar uma aposta, não se mete, porra! - ralho me sentindo o dono da porra toda. - Porque você terá que pagá-la de alguma maneira. - Ele rosna baixinho. - Sua garota até que é bem gostosa. - O provoco antes de me afastar.

- Você me paga, Marrento! - Me ameaça entre dentes.

- Quando quiser, Boca, estarei bem aqui te esperando. - Solto uma gargalhada alta e saio da sala.

- Se continuar assim, logo será o meu braço direito. - Cicatriz fala orgulhoso, me encontrando no corredor.

Porra, o Cicatriz me estragou para o mundo. Caralho, não sou digno de estar aqui, não sou digno dessa segunda chance que estou recebendo.

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