Respiro fundo e novamente as lembranças do dia anterior vêm como um raio. Ainda estou incrédulo com tudo o que aconteceu, como pude não perceber que a Andréa estava me traindo, se não tivesse visto com meus próprios olhos eu não acreditaria. Mais uma vez, puxo o ar para meus pulmões e solto devagar, faço isso para tentar me acalmar. Vivemos juntos praticamente, durante quatorze anos e achei que iríamos nos casar, como era o desejo de nossos pais, mas, pelo jeito o destino tem outros planos, ainda mais depois do que presenciei, isso está fora de cogitação. Me fazerem de otário, nunca mais.
Retorno com meus pensamentos para o dia anterior, e enquanto repasso todos os momentos, só para ter certeza de tudo o que aconteceu, percebo que as lembranças não são nada agradáveis. Me sinto um idiota por ter acreditado tanto em Andréa, acreditado em nosso amor, se é que era amor verdadeiro! Quem ama de verdade, não engana.
Dia anterior:
Olhei para minhas mãos ao mesmo tempo que abria novamente a caixinha, que continha o maravilhoso anel que comprei para a minha noiva, admirando-o mais uma vez. Ela já tinha uma aliança, mas queria impressioná-la e dar um anel para marcar o dia que realmente iria pedi-la em casamento, um dia que foi muito esperado por todos. Caminhei pelo apartamento e segui diretamente para a saída, estava nervoso, não sabia o motivo, porque sou um cara super tranquilo, talvez por ser um momento importante para nós, um passo definitivo que daríamos em nosso relacionamento.
- Vamos lá, Oliver, chegou a hora - falei para mim mesmo, saindo pela porta e batendo-a em seguida. Caminho para o elevador e o chamo. A Andréa não faz ideia de que estou indo até ela, quero fazer uma surpresa.
Ando até meu carro, destravo, entro e dou partida. Ainda estou nervoso, com uma sensação estranha, será que devo avisá-la que estou a caminho?! Melhor não, quero surpreendê-la. Dirijo pelas ruas de Nova Iorque, sentindo o vento fresco entrar pela janela do carro. Gosto muito dessa cidade, foi muito bom passar esses anos aqui, aprendi muito e estou pronto para retornar e assumir a empresa no lugar do meu pai, que já passou da hora de se aposentar. Chego no edifício em que a minha noiva mora. Decidimos morar em locais separados, mas sempre estamos juntos, e logo, logo, isso irá mudar, pois estaremos casados e felizes, mal posso esperar por esse momento. Com esse pensamento dou um sorriso e chamo o elevador, aperto para o andar dela e as portas se fecham. Enfim, chegou a hora, paro de frente à porta e digito a senha, logo ela se abre, olho em volta e tudo parece no lugar. Fecho a porta atrás de mim e saio à procura da minha mulher, minha amada.
Dirijo-me até o corredor, em direção ao quarto, mas algo me faz paralisar ao me aproximar. Ouço vozes vindo de dentro, e me esforço para não fazer barulho, tentando identificar a outra voz, que parece ser de um homem.
- Amor, o Oliver não virá para cá, combinamos de nos encontrar mais tarde, então vem e me faz gozar nessa sua boca gostosa.
- Você tem um fogo, agora entendo o porquê de me procurar, aquele imprestável não tem cara de que dá conta desse mulherão todo.
- Para de falar e me chupa de um vez.
Imediatamente reconheço a voz. É do maldito Alex, nosso carismático amigo que está conosco desde a vinda para cá. Como pude ser tão idiota e tolo, nunca percebi nada. Isso é como enfiar uma faca no meu peito, justo de alguém que sempre confiei cegamente. Como essa vagabunda teve coragem? Sempre lhe dei tudo, jamais esperei algo nesse nível. Estou dilacerado, mas não darei o gostinho de mostrar na frente deles. Poderia ir embora sem pedir explicações, pois o que tinha pra ver aqui, já vi o suficiente, mas preciso ver a cara desses mentirosos. Abro a porta e sinto o nojo diante da cena digna de Oscar, para depois não dizerem que sou louco.
Andréa se assusta com o barulho da porta sendo aberta em um rompante, e me olha espantada. Alex está tão focado em seu trabalho que continua sem notar minha presença. Essa cena me embrulha o estômago, então, resolvo tirá-lo do seu momento magnífico, pois é assim que ele descreve, começando a bater palmas para os dois e dizendo:
- Parabéns ao novo casal! Confesso que esperava mais de você, Andréa. Logo o Alex, esse pé-rapado. O que mais devo esperar de vocês?
- Oliver, o que está fazendo aqui? - ela me pergunta com uma expressão assustada no rosto, e a voz trêmula. Nesse momento o vagabundo do meu melhor amigo, afinal, ele se identificava assim para todos, levanta sua cabeça e me fita com olhos arregalados, de quem foi pego no flagra, mas não tem coragem de dizer uma palavra sequer.
- Vim aqui para finalmente decidirmos a data do nosso casamento, era pra ser uma surpresa, mas o surprendido foi o corno aqui, pois vejo que está muito ocupada, fodendo com nosso "melhor amigo". - Faço aspas com os dedos. - Desculpa atrapalhar a sua maravilhosa chupada. - Resolvo ser irônico, pois tudo já estava perdido naquele momento.
Viro as costas e a ouço vindo atrás de mim, enrolada em um lençol pedindo para eu esperar. Resolvo parar e escutar a desculpa esfarrapada que ela tem para me dar.
- Oliver, meu querido, não é o que está pensando, vamos conversar, só irei me vestir e já saímos daqui - a mentirosa fala com a maior cara de pau, sempre se fazendo de boa moça. Só consigo sentir nojo e pena. Todo aquele amor e carinho que sempre tivemos, evaporou em questão de segundos. Ela sempre soube, que confiança, para mim, é algo inquebravél, e justo em que mais confiei, me iludiu.
- Desculpa, Andréa, mas não tem explicação para o que vi, eu nem iria me sujeitar a essa cena repugnante, ia dar as costas e ir embora, mas resolvi me humilhar, abrindo a porta para ter certeza de que o que ouvi não era uma alucinação e que não me daria o crédito de louco depois. Ainda estou me perguntando como teve essa coragem, de jogar anos de companheirismo e amor no lixo. Sinal que nunca tivemos nada, né?! Quem ama nunca magoa a pessoa amada e você cumpriu esse papel direitinho de me magoar e muito, pois sempre soube que nunca perdoo traição. Conseguiu o que queria, acabar com nosso casamento - digo isso enquanto olho nos seus olhos de onde escorrem lágrimas. Mas isso não me comove mais.
- Mas nós vamos nos casar, Oliver. Não podemos jogar fora anos de relacionamento por algo banal, estamos terminando nossos cursos e logo estaremos de volta ao Brasil, que desculpa daremos para nossos pais? Não pode fazer isso comigo - ela diz soluçando, devido ao choro. Quase sinto pena, mas não consigo mais olhar pra essa mulher, tudo foi uma mentira.
- Irei falar a verdade, e você deveria fazer o mesmo, já que nosso casamento está cancelado. Não irei me casar com uma puta que não me respeita. Pensasse nisso, antes de se sujeitar a esse papel de vadia do ano. Você fez sua escolha, Andréa.
- Não me ofenda, eu e o Alex tivemos uma recaída e nada mais, afinal, meu noivo ultimamente não me dá mais atenção, só pensa no curso que está fazendo, e eu tenho as minhas vontades - ela se altera e diz as palavras gritando, como se eu que a estivesse humilhando e não o contrário. Essa mulher não se enxerga mesmo. Ainda depois de tudo o que vi querendo vir me cobrar algo. Confesso que ultimamente devido à correria do curso e do dia a dia, ficamos meses sem sexo, mas isso nunca vai justificar a falta de caráter dela. Pra mim já chega.
- Sim, estou focado no curso, pois falta pouco para terminar e terei que assumir a empresa do meu pai, sabe melhor que ninguém que tenho que dar o meu melhor. Agora se você não presta, não coloque a culpa em mim, não inverta a situação aqui, se fazendo de vítima, sua falta de vergonha na cara e infidelidade são somente culpa sua. Adeus, Andréa, e não me procure mais, não quero te ver nem pintada em minha frente.
Digo isso e saio batendo a porta atrás de mim. Preciso sair daqui, e depressa. Chamo o elevador e logo estou de volta dentro do meu carro, dou partida e saio indo em direção ao primeiro bar que encontro. Sento-me no balcão de frente ao barman que me olha e já percebe que preciso de várias bebidas, ele logo pede a chave do meu carro, e eu olho para ele pensativo, que me entrega uma garrafa de uísque, um copo e diz em seguida:
- Deixe o seu endereço anotado aqui. - Ele me entrega um pedaço de papel. - Deixe a chave do seu carro comigo, amanhã quando estiver melhor, você retorna - ele diz abrindo a mão e fico pensando, será que está tão perceptível assim a minha decepção. Mas logo tenho a resposta.
- Sim, meu caro, já estou acostumado com isso.
- Como assim, está tão nítido? - pergunto a ele.
- Quando entrou por aquela porta, já percebi que não ia nada bem. Levou um fora da namorada?
- Fui traído pela noiva, mas não quero lembrar disso mais, então me deixa beber e ficar em paz.
- Claro, seu pedido é uma ordem, fique tranquilo que te deixaremos em sua casa - ele me garante.
E assim foi, no sexto copo já não me lembrava de mais nada, nem sei como cheguei em casa, como me deitei na cama e muito menos como abri a porta. Acordei com o sol batendo em meu rosto, uma dor de cabeça terrível, resolvi me levantar e tomar um banho gelado. Saí do banho, vesti apenas uma calça de moletom e fui preparar o meu café da manhã, precisava comer para tomar um remédio, pois a minha dor de cabeça estava me matando, tinha que ligar para os meus pais e contar tudo o que aconteceu, mas não faria isso hoje, no momento eu precisava de paz. E assim foi o meu dia, trancado em meu apartamento pensando em tudo o que aconteceu, e como eu iria contar para todos.
Iniciei minha última semana em Nova Iorque, adiantei o meu curso e terminei antes do prazo. Liguei para os meus pais e lhes contei sobre o ocorrido, eles não ficaram felizes com a novidade e disseram que quando eu voltasse iríamos conversar, meus pais adoravam a Andréa, tinham ela como uma filha. Mas, infelizmente as coisas às vezes fogem do nosso controle, isso foi uma escolha totalmente dela. Me senti usado e fracassado, mas quem nunca teve uma decepção amorosa que atire a primeira pedra. Essa dor iria passar.
Busquei meu carro e dei uma gorda quantia para o barman que me ajudou, afinal, não é sempre que encontramos pessoas assim. Andréa tentou contato, mas proibi a entrada dela no meu edifício e bloqueei as ligações no meu celular. Essa semana eu iria embora e não queria mais problema nenhum, não vou mentir e dizer que não senti nada com o término, eu amava aquela mulher, mas iria esquecê-la e começaria uma nova vida, sem me envolver sentimentalmente com mulher alguma.
A partir de hoje, surgiria um novo Oliver Ferraz. De mim, as mulheres teriam somente sexo e eu iria usá-las como um dia fui usado pela minha ex-noiva. Eu só não esperava, nem imaginava, que no meio do caminho iria conhecer Alice, alguém com uma doçura envolvente e uma intensidade à flor da pele, que iria realmente me mostrar o que é o amor verdadeiro.
Abro os olhos e pego o celular, que não para de tocar, de cima da mesa de cabeceira. Iniciamos mais uma semana e essa, será bem corrida. Sou secretária da presidência do Grupo Ferri, uma rede de hotéis famosa que se localiza no interior de São Paulo, mais especificamente em Atibaia, onde está situada a sede que também é um resort. Amo o meu trabalho, foi bem difícil chegar até aqui. Sou uma garota de dezenove anos, estudiosa e esforçada.
Vivi em um orfanato, pois fui abandonada pela minha mãe ainda bebê, e não tive a sorte de ter uma família, como tantas crianças, então decidi que seria a melhor em tudo, afinal, se eu iria viver sozinha, eu teria que dar meu máximo. Quando completei minha maioridade a Madre me chamou em sua sala e me disse que eu teria que sair do orfanato, infelizmente elas não poderiam me manter mais lá. Ela me entregou um envelope, o qual abri e vi que tinha uma boa quantia em dinheiro, que daria para eu me virar durante um tempo. Sempre fui muito atenciosa com todas, dando o melhor de mim para ajudá-las, então na minha despedida todas nós choramos muito.
- Alice, meu amor, fico feliz que conseguimos lhe encaminhar para uma boa vida, sem riqueza, mas o mais importante de tudo, é uma menina de boa índole, e por isso eu conversei com um contribuinte nosso e ele irá te dar um trabalho. Você irá trabalhar como recepcionista em um hotel.
- Sério, Madre? - fico emocionada com a notícia, pois era tudo o que eu precisava naquele momento. - Eu nunca irei me esquecer de vocês, do carinho que me deram, dos ensinamentos, das palavras lindas quando eu mais precisava ouvir, eu agradeço à minha mãe por ter me deixado aqui com vocês, não teria lugar melhor para se ter um amor puro. Muito obrigada a todas, por tudo o que fizeram por mim, tenham certeza de que virei visitá-las em breve.
- Ahh, minha querida, as portas estão sempre abertas para quando quiser vir, e se precisar de alguma coisa, estaremos aqui para te ajudar.
Dou um abraço coletivo em todas, que não seguram as emoções e começam a chorar. Os melhores anos da minha vida eu passei aqui e os levarei comigo para o resto da vida.
A Madre Rita me deu o endereço do hotel onde eu iria trabalhar, mas primeiro eu iria para uma pensão que me foi indicada pelo orfanato, onde viverei até iniciar meu trabalho e ter condições de alugar um local melhor.
Entrei em meu quarto e guardei as minhas roupas no lugar. Eu teria que ir até o hotel na manhã seguinte, então saí para comprar uma roupa mais formal, pois meu emprego agora necessitava que estivesse bem apresentável. Fui caminhando, à procura de uma loja mais simples, onde pagaria mais barato em uma roupa bonita e que fosse mais elegante. Já estava cansada de tanto andar e não achava nada que meu dinheiro pudesse pagar, até que há algumas quadras, encontrei uma e entrei. Fui bem atendida e gostei muito, comprei um terninho composto de calça e blazer pretos e uma blusa branca, conforme olhei ao redor, encontrei um sapato perfeito, experimentei e resolvi levar para completar meu look. Não era o mais elegante e nem muito luxuoso, mas fiquei bem apresentável e me sentindo confortável, pronta para iniciar em meu emprego. Com esse pensamento saí feliz da loja. Retornei à pensão, tomei um banho e me deitei para dormir, precisava descansar para o outro dia.
O celular tocou, indicando que já estava na hora de levantar, seria meu primeiro dia de trabalho, tomei um banho, me arrumei e saí. Cheguei no hotel e conheci o senhor Edgar, o presidente que me recebeu muito bem e me explicou como era o funcionamento de tudo e ao final me perguntou se eu havia gostado.
- Então, menina Alice, gostou de tudo o que expliquei?? - o senhor Edgar me perguntou sendo muito simpático.
- Claro, senhor Edgar, estou muito satisfeita e agradecida pela oportunidade de compor o quadro de colaboradores da sua empresa, mas eu só gostaria de tirar uma dúvida se for possível.
- Claro, minha filha, pode me perguntar qualquer coisa - ele diz sucinto.
- Qual a chance de crescer na empresa? Afinal, eu não quero ser só uma recepcionista. Posso estar sendo muito apressada, mas como o senhor sabe, eu cresci em um orfanato e não tenho ninguém, então preciso garantir o meu futuro.
- Já está pensando lá na frente? Eu compreendo e acho isso ótimo, eu gosto de funcionários assim, que não se acomodam no mesmo lugar e lutam para crescer. Bom, nós temos um programa na empresa que disponibiliza alguns cursos para os funcionários, você pode se inscrever para a área que quiser, teremos uma provinha, assim que terminar o curso e se passar consegue a vaga.
- Ótimo, irei dar o meu melhor, e quando eu começo no meu novo emprego?
- Amanhã mesmo. A Madre me falou muito bem de você, então terá só que fazer bem o seu trabalho.
- O senhor não irá se arrepender de ter me dado a vaga.
- Assim que eu gosto, até amanhã, menina.
Algum tempo depois...
Hoje completa um ano e meio que iniciei na empresa, ás vezes nem acredito que consegui. Logo que comecei, um mês depois, me inscrevi no curso, tirei nota máxima, prestei a provinha para ser secretária e aqui estou, como secretária do senhor Edgar, presidente do hotel. Mas não pense que aqui é o máximo que quero, não, estou me organizando para entrar na faculdade e fazer administração, quero um cargo de chefe em algum hotel da rede Ferri e eu chegarei lá.
- Alice, querida, pode vir aqui, por favor? - senhor Edgar me chama da sua sala e vou até ele.
- Em que posso ajudar, senhor? - pergunto de forma simpática. Amo trabalhar nessa empresa, além de ter aprendido muito com o senhor Edgar, ele sempre foi muito gentil e atencioso comigo. Tenho muito que lhe agradecer.
- Meu filho chega na próxima semana, e temos que ajudá-lo com tudo da empresa, pois como você sabe, logo eu me aposento. Então peço que o ajude a se estabelecer. Faz anos que ele foi morar no Estados Unidos e não tem contato com os hotéis, mas não tem pessoa melhor para acompanhá-lo nas reuniões que você, quero que a partir de segunda-feira ele já inicie nos contratos, passe tudo o que temos dos fornecedores para ele.
- Sim, senhor, mas lembre-se de que essa semana teremos que ir até o almoço que marquei com nosso novo fornecedor de carnes.
- Claro, eu não me esqueci, então já prepare o contrato dele e marque uma reunião com os acionistas, necessito de um vice-presidente para dar suporte ao Oliver quando ele chegar.
- Certo, irei ver tudo isso, senhor, precisa de mais alguma coisa? – digo, guardando o tablet que carrego sempre comigo, para as anotações.Tive que aprender a mexer nessas coisas, mas peguei o jeito rápido.
- Não, menina, pode ir, obrigado!
- Com licença, então.
Saio da sala do meu chefe com a cabeça a mil. Fiquei sabendo pelas recepcionistas que o filho dele é lindo, uma verdadeira perdição e estou nervosa e ansiosa para conhecê-lo. Como será nossa relação patrão-funcionário?! Espero que seja a melhor possível, assim como é com seu pai. Suspiro pensativa e tiro essas coisas da cabeça.
Mas nada me preparava para o que viria a seguir...
- Será que consigo, amiga? - ela me pergunta enquanto está no fogão mexendo o molho da carne, para nossa maravilhosa Estou em minha mesa quando minha amiga Catarina chega.
- Amiga, você está de dieta por acaso, quer ficar ainda mais gostosa para o novo patrão?? - ela diz com aquela cara de safada de sempre e me dá uma piscadinha, rindo. Essa minha amiga não tem jeito. Mas eu a amo.
- Não diga bobagem, só acabei me distraindo com o contrato do novo fornecedor, não pode ter nenhum erro - falo, revirando os olhos pra ela. Ela ama me tirar do sério às vezes.
- Claro, senhorita certinha - Cata comenta danda uma gargalhada.
Reviro os olhos para a minha amiga e parceira. Ela é uma figura. Conheci a Cata aqui na empresa, quando iniciei, ela é recepcionista assim como eu era, porém, logo, passei para a presidência que é o trabalho que mais amo. Como morava longe do hotel, era preciso sair muito cedo de casa, por isso, comecei a procurar algo mais próximo e a minha amiga perguntou se podia morar comigo. Aceitei na hora, nos demos muito bem, logo de cara, pois nos parecemos muito, exceto nos namoros. Ela é muito namoradeira, não perde uma oprtunidade, até já perdi as contas d quantos ela ficou, já eu, ainda sou virgem e mal beijei na boca. É claro que ela sempre me irrita com isso, mas pretendo permanecer assim, pois só penso em meu futuro. E quando encontrar o cara certo, estarei preparada. Cata me apelidou de senhorita certinha, a que não faz nada de errado, mas foi assim que aprendi com as freiras. Minha amiga estala os dedos na minha frente e vejo que estou perdida em meus devaneios, como sempre, então vou logo desligando meu computador, pego minha bolsa e saímos para almoçar.
- Vamos, porque as meninas estão nos esperando lá embaixo - Catarina me repreende pela demora, é o jeito dela, mandona, mas com um coração enorme.
- Vocês já deveriam ter ido, eu iria depois.
- Imagina se eu te deixaria para trás, sabe que é minha best do coração - fala me abraçando e colocando a mão no coração. Ela ama ser dramática.
- Mas eu estava ocupada, amiga - digo a abraçando também.
- Sempre está, né, isso não é nenhuma novidade - comenta, revira os olhos e acabamos rindo.
Chegamos ao restaurante, sentamo-nos na mesa de sempre, fazemos nosso pedido, e surge a primeira pergunta.
- Alice, conta pra gente, quando o bonitão chega? - uma colega nossa da empresa, Mariana, que trabalha no setor do RH, me pergunta.
- Vocês sosseguem, ele será o novo presidente, então apaguem esse fogo. Ele chega na próxima segunda, é só isso que sei - aviso sem dar muita atenção, dando de ombros, essas perguntas me irritam. Ainda mais que o homem é comprometido, pelo que ouço pelos corredores da empresa.
- Ele está noivo, será que ela vem com ele? Fiquei sabendo que os dois foram para lá ainda jovens para estudar, noivaram antes de ir e quando voltassem iriam se casar - Mariana comenta, interessada. Sinto que esse almoço será só sobre meu futuro chefe. Bufo indignada.
- Bom, isso eu já não sei, o que o senhor Edgar me pediu, foi para acompanhá-lo em todos os compromissos, dentre eles, almoços e jantares, por enquanto ele tomará conta dos contratos - respondo bebendo meu suco de laranja, que pedi para acompanhar o almoço e o garçom entregou-o antes do nosso pedido chegar.
- Então você que irá acompanhar ele em tudo, se precisar de uma assistente pode me chamar viu - Catarina avisa, dando uma piscadinha e todas nós rimos.
- Nunca que te chamaria, não daria sossego para nosso chefe.
- Credo, amiga! Você fala muito mal de mim. - Faz cara de choro. Essa minha amiga é a rainha do drama.
E caímos na gargalhada, pois a Cata sabe que ela não é flor que se cheire e não pode ver um homem. Nosso almoço chega, comemos rápido, pois eu já teria que voltar para terminar o contrato e depois teríamos uma reunião do conselho.
Retomamos e já vou direto para o meu computador terminar de redigir o contrato, e após conferir tudo, eu o envio por e-mail para o senhor Edgar. Depois de tudo pronto vou verificar a sala de reuniões, e logo que o conselho chega, começam a discussão para ver quem irá ocupar o cargo de vice-presidente, que foi decidido pelo senhor Alberto Almeida, que já está na empresa há alguns anos e conhece bem a parte administrativa, por isso, ele ficará responsável por ajudar nosso novo chefe.
O expediente termina e corro para casa. Estou muito cansada e ainda é só segunda-feira, a semana será corrida, temos que nos organizar para a chegada do senhor Oliver e ainda tem muita coisa para fazer. Chegando em casa, já vou entrando, tirando meus sapatos que estão me matando, jogando minhas roupas no cesto e indo direto para o banho, porque nada melhor que um banho quente para te deixar relaxada, e depois de revigorada, visto um pijama e vou logo para a cozinha onde minha amiga está.
- Chegou tarde, amiga - Cata me pergunta, assim que chego na cozinha para lhe fazer companhia.
- Pois é, a reunião demorou mais que o normal, houve bastante discussão até ser resolvido que nosso vice-presidente será o senhor Alberto Almeida - informo, sentando-me na banqueta que fica na bancada, que divide a cozinha da sala. Enquanto isso ela está preprando nosso jantar. Nós sempre nos revezamos na cozinha, mas confesso que ela é muito melhor que eu.
- Ele parece ser um bom candidato - ela diz pegando um vinho na geladeira. Segunda-feira é o dia do vinho por aqui, amamos esses nossos momentos.
- Sim, o que entende mais dos assuntos da empresa e pode viajar para os outros hotéis.
- Até porque o senhor Oliver foi embora há mais de dez anos, né? e não voltou nem para visitar os pais - ela comenta servindo duas taças, uma pra cada. Porque se é para beber vinho, tem que ser em grande estilo.
- Sim, por isso o senhor Edgar queria alguém que poderia ajudar ele em tudo. Mudando de assunto, ele irá precisar de uma secretária, porque você não se candidata? A prova é fácil - incentivo minha amiga, enquanto bebo um gole do meu vinho.
macarronada. Macarrão e vinho, nosso preferido.
- Claro que consegue, e eu te ajudo a estudar, sabe que sou inteligente e conheço tudo ali melhor que muitos funcionários - aviso me levantando, para arrumar os pratos na mesa.
- Então, amanhã mesmo irei até o RH e deixarei minha carta de inscrição para a vaga. Será que iremos trabalhar juntas ao lado dos bonitões da empresa?! - ela fala toda alegre, bebendo de seu vinho, suspirando e rindo, com uma cara de disfarçada.
- Para com isso, menina! Vamos jantar, que precisamos dormir e acordar cedo amanhã.
E assim termina nossa noite, com um jantar delicioso que a Cata preparou, muitas risadas e um bom vinho, que bebo só uma taça, se não, acordo com dor de cabeça no outro dia. Sou fraca para bebidas.