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Minha Segunda Chance Longe de Você

Minha Segunda Chance Longe de Você

Autor:: Clemence Vishik
Gênero: Moderno
Eu sempre amei Ricardo, o sócio mais velho de meu falecido pai, desde que me entendia por gente. Ele parecia uma figura quase paterna, mas em mim despertava um amor juvenil e intenso, alimentado por um carinho que eu sentia ser único. Contudo, numa fatídica festa da alta sociedade carioca, tudo desabou. Ricardo foi drogado, e eu, movida pela inocência e o desejo de protegê-lo, o levei para um quarto. Aquela noite, o inesperado e indesejável aconteceu, deixando-me com uma sensação profunda de impureza. A partir desse dia, minha vida virou um verdadeiro tormento. Ricardo, transformado em um homem frio e cortante, culpou-me por tudo o que desandou em sua vida. Ele me arrastou para um casamento forçado, onde as humilhações e o controle absoluto eram a rotina diária. E, o mais cruel, ele me forçou a dezoito abortos clandestinos. Cada procedimento era uma tortura, uma parte de minha alma arrancada à força, um símbolo de meu sofrimento sem fim. No décimo oitavo e último aborto, enquanto sentia a vida esvair-se, ouvi a voz gélida de Ricardo ao telefone com o médico: "Só me avise quando ela estiver morta." Como pôde o homem que eu amei, o pai que eu sonhava em ter para meus filhos, manifestar tanto ódio e indiferença? Essa frase, essa indescritível crueldade, fez-me compreender a verdadeira monstruosidade de meu carrasco. Então, veio a escuridão. E, de repente, a luz. Acordei ofegante na noite da festa, o vestido azul ainda impecável. O coração batia descontrolado. Uma segunda chance. As memórias vívidas do inferno que vivi em minha primeira vida impulsionaram-me. Eu não cometeria os mesmos erros. Minha prioridade agora era escapar do Ricardo, daquele destino cruel, e reescrever minha própria história.

Introdução

Eu sempre amei Ricardo, o sócio mais velho de meu falecido pai, desde que me entendia por gente.

Ele parecia uma figura quase paterna, mas em mim despertava um amor juvenil e intenso, alimentado por um carinho que eu sentia ser único.

Contudo, numa fatídica festa da alta sociedade carioca, tudo desabou.

Ricardo foi drogado, e eu, movida pela inocência e o desejo de protegê-lo, o levei para um quarto.

Aquela noite, o inesperado e indesejável aconteceu, deixando-me com uma sensação profunda de impureza.

A partir desse dia, minha vida virou um verdadeiro tormento.

Ricardo, transformado em um homem frio e cortante, culpou-me por tudo o que desandou em sua vida.

Ele me arrastou para um casamento forçado, onde as humilhações e o controle absoluto eram a rotina diária.

E, o mais cruel, ele me forçou a dezoito abortos clandestinos.

Cada procedimento era uma tortura, uma parte de minha alma arrancada à força, um símbolo de meu sofrimento sem fim.

No décimo oitavo e último aborto, enquanto sentia a vida esvair-se, ouvi a voz gélida de Ricardo ao telefone com o médico: "Só me avise quando ela estiver morta."

Como pôde o homem que eu amei, o pai que eu sonhava em ter para meus filhos, manifestar tanto ódio e indiferença?

Essa frase, essa indescritível crueldade, fez-me compreender a verdadeira monstruosidade de meu carrasco.

Então, veio a escuridão.

E, de repente, a luz.

Acordei ofegante na noite da festa, o vestido azul ainda impecável.

O coração batia descontrolado. Uma segunda chance.

As memórias vívidas do inferno que vivi em minha primeira vida impulsionaram-me.

Eu não cometeria os mesmos erros.

Minha prioridade agora era escapar do Ricardo, daquele destino cruel, e reescrever minha própria história.

Capítulo 1

Sofia amava Ricardo desde que se entendia por gente. Ele era o sócio mais velho de seu falecido pai, uma figura quase paterna, mas que despertava nela um amor juvenil e intenso.

Ricardo, com seus trinta e poucos anos, sempre a tratara com um carinho que Sofia interpretava como especial.

Um dia, ele lhe deu um vestido deslumbrante, azul como o céu do Rio.

"Para a minha menina," ele disse, com um sorriso que a fez corar.

Naquela noite, numa festa da alta sociedade carioca, tudo mudou. Ricardo foi drogado.

Sofia, usando o vestido que ele lhe dera, encontrou-o desorientado, vulnerável.

Para protegê-lo de um escândalo, ela o levou para um quarto e cuidou dele. Acabaram passando a noite juntos, de uma forma que ela nunca imaginara.

Ela se sentiu suja, mas também protetora.

No dia seguinte, Beatriz, amiga de infância de Ricardo, os flagrou.

Beatriz gritou, horrorizada, e saiu correndo.

Pouco depois, a notícia: Beatriz sofrera um acidente fatal na Avenida Niemeyer.

Ricardo, ao saber, transformou-se. O carinho em seus olhos morreu, substituído por um gelo cortante.

Ele a culpou.

Casaram-se, mas a vida de Sofia tornou-se um pesadelo.

Humilhações diárias, controle absoluto.

E os abortos. Dezoito. Um número que se tornou um símbolo de seu sofrimento extremo.

Cada procedimento clandestino, forçado por ele, era uma facada em sua alma.

No último, enquanto a vida se esvaía, ela ouviu a voz fria de Ricardo ao telefone, falando com o médico.

"Só me avise quando ela estiver morta."

Naquele instante, Sofia compreendeu a profundidade do ódio dele.

Então, a escuridão.

E, de repente, a luz.

Sofia acordou, ofegante, na noite da festa. O vestido azul ainda impecável.

O coração batia descontrolado. Uma segunda chance.

Ela não cometeria os mesmos erros.

Lembrou-se do legado de seu pai: um fundo fiduciário, contatos, e uma tia-avó rica em Lisboa.

Sua salvação.

Olhou para Ricardo, ainda grogue pela droga na cama do quarto da festa.

Lembrou-se de Beatriz, da sua inveja disfarçada de doçura.

Beatriz era a verdadeira culpada por muito do seu sofrimento na vida passada.

Sofia sentiu um calafrio.

Ela não o amava mais. Aquele amor idealizado morrera com ela.

Pegou o telefone.

Ligou para Beatriz.

"Beatriz, o Ricardo não está bem. Ele foi drogado. Precisa de ajuda. Estou no quarto X."

A voz de Beatriz, do outro lado, era uma mistura de surpresa e preocupação fingida.

"Sofia? O que aconteceu? Estou indo!"

Sofia desligou.

Ela sabia que Beatriz "salvaria" Ricardo. E que eles se aproximariam.

Era o que ela precisava.

Beatriz chegou rapidamente, com uma expressão de choque ensaiado ao ver Ricardo naquele estado.

"Meu Deus, Ricardo! O que fizeram com você?"

Sofia observou a cena, o estômago revirado.

"Ele precisa de você, Beatriz. Acho que ele sempre precisou."

Beatriz a olhou, desconfiada.

"O que você quer dizer com isso?"

"Ele te ama, Beatriz. Sempre te amou. Eu fui só uma distração boba."

As palavras saíram com um gosto amargo, mas firme.

Sofia pensou em todo o amor que dedicara a Ricardo, um amor que ele nunca pareceu corresponder de verdade.

Tanto sofrimento por nada.

Uma lágrima teimosa escorreu, mas ela a secou rapidamente.

Não havia tempo para autopiedade.

Precisava focar em sua fuga, em sua nova vida em Lisboa.

Ricardo gemeu na cama, começando a despertar.

"Beatriz, leve-o. Cuide dele," Sofia disse, a voz urgente.

Beatriz, ainda um pouco hesitante, mas vendo a oportunidade, assentiu.

"Claro. Pobrezinho."

Um comentário sarcástico escapou dos lábios de Beatriz, que Sofia quase não ouviu.

Ver Beatriz se aproximando de Ricardo, tocando seu rosto com uma falsa preocupação, foi como um martelo esmagando os últimos resquícios de seu antigo coração.

Mas, paradoxalmente, sentiu um alívio imenso.

Estava livre.

Sofia saiu do quarto discretamente, deixando os dois a sós.

A festa continuava lá fora, alheia ao drama.

Ela sentia o corpo dolorido, uma exaustão profunda, mesmo que nada físico tivesse acontecido ainda nesta nova linha do tempo.

A memória do sofrimento era real demais.

Passou a noite em claro, planejando cada passo.

O legado do pai era sua única esperança.

De manhã, o telefone tocou. Era seu pai.

Claro, nesta linha do tempo, ele ainda estava vivo.

Uma onda de emoção a atingiu.

"Sofia, minha filha! Tenho ótimas notícias! Sua tia-avó em Lisboa adorou seus desenhos preliminares para o concurso de arquitetura. Ela quer que você vá para lá, estudar e talvez até trabalhar com um amigo dela, um arquiteto renomado!"

Sofia quase chorou de alívio. Era o destino lhe sorrindo.

Na vida passada, ela recusara essa mesma oportunidade, cega pelo amor por Ricardo.

Que tola ela fora.

"Pai, eu aceito! Eu quero ir!"

A voz de seu pai se encheu de alegria.

"Maravilha, filha! E tem mais, sua tia-avó até mencionou um jovem arquiteto talentoso, Miguel. Quem sabe vocês não se entendem?"

Um noivo arranjado? Sofia sorriu.

Naquele momento, qualquer coisa era melhor do que o inferno que vivera.

"Pai, obrigada. Eu... eu cometi alguns erros de julgamento. Preciso recomeçar."

"Eu entendo, minha querida. Todos cometemos erros. O importante é aprender e seguir em frente. Lisboa será um novo começo para você."

As palavras de seu pai a tocaram profundamente.

Lágrimas de arrependimento e gratidão rolaram por seu rosto.

Estava decidida. Iria para Lisboa. Deixaria Ricardo e Beatriz para trás, para se destruírem mutuamente se quisessem.

Ela construiria sua própria felicidade.

Capítulo 2

Sofia começou a arrumar suas malas naquela mesma manhã, o coração leve pela primeira vez em muito tempo.

A decisão de partir para Lisboa era um bálsamo.

Quando estava prestes a sair do quarto, deu de cara com Ricardo.

Ele parecia cansado, mas havia um brilho diferente em seus olhos, um que ela não via há muito tempo na vida passada.

Ela notou as marcas de batom discretas no colarinho da camisa dele, a mesma cor que Beatriz usava.

Uma pontada de algo que poderia ser ciúme, mas que ela rapidamente identificou como a confirmação dolorosa de que seu plano funcionara.

Desviou o olhar, tentando manter a compostura.

Ricardo interpretou seu silêncio e olhar desviado como ciúme.

"Sofia," ele começou, a voz rouca, "Beatriz e eu... nós nos aproximamos ontem à noite. Ela cuidou de mim."

Um aviso implícito.

"Eu sei, Ricardo. Fico feliz por vocês."

A frieza em sua própria voz a surpreendeu. Ela o chamara de "Ricardo", não "tio Ricardo" ou qualquer apelido carinhoso do passado.

Ele pareceu estranhar o tratamento formal.

"Sofia, você está diferente."

Antes que ela pudesse responder, Beatriz surgiu no corredor, radiante.

"Ricardo, querido! Ah, Sofia, bom dia."

O tom de Beatriz era falsamente doce.

Ricardo abraçou Beatriz pela cintura, um gesto possessivo.

"Sofia, querida, acho que seria melhor você se mudar para o quarto de hóspedes no andar de baixo. Beatriz vai ficar aqui comigo por uns tempos."

Humilhação. Mesmo sabendo que era necessário, doeu.

Ela era a filha do dono da casa, a casa que agora Ricardo administrava.

Beatriz fez uma cara de falsa modéstia.

"Ah, Ricardo, não precisa incomodar a Sofia. Eu posso ficar em outro lugar."

"De jeito nenhum, meu amor. Você fica aqui. Sofia não vai se importar, não é?"

O olhar dele era um desafio.

Sofia engoliu em seco. "Claro que não. Sem problemas."

Ela era a estranha agora. E isso era bom.

"Ótimo," Ricardo disse, satisfeito.

Sofia sentiu o peso da exclusão, mas também a urgência de sua partida.

Quanto antes saísse daquela casa, melhor.

"Com licença," ela disse, e desceu para o quarto de hóspedes, um cômodo menor e menos arejado.

Sua partida não poderia acontecer rápido o suficiente.

Nos dias seguintes, Sofia evitou Ricardo e Beatriz o máximo possível.

Mas era impossível não notar as demonstrações de afeto entre eles, os presentes caros que Ricardo dava a Beatriz, os jantares íntimos na varanda.

Cada cena era uma facada, não de ciúme, mas de lembrança do inferno que vivera.

Ela focou em seus preparativos para Lisboa, contatando os advogados do fundo fiduciário de seu pai, organizando documentos.

Numa tarde, enquanto empacotava alguns livros antigos e fotografias, decidiu que precisava se livrar de tudo que a prendesse a Ricardo.

Pegou uma caixa e começou a colocar nela todos os presentes que ele lhe dera ao longo dos anos, os bilhetes, os desenhos que fizera dele na adolescência.

Coisas que, na primeira vida, ela guardara como tesouros.

Agora, eram apenas lixo.

Estava levando a caixa para o depósito no jardim quando Ricardo a interceptou.

Ele parecia irritado.

"O que você está fazendo, Sofia? E por que está me evitando?"

A acusação a pegou de surpresa. Ela não achava que ele sequer notaria sua ausência.

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