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Minha Tentação - A Filha do meu Melhor Amigo

Minha Tentação - A Filha do meu Melhor Amigo

Autor:: Andrea Santos Femme
Gênero: Romance
AGE GAP + COMÉDIA ROMÂNTICA + HOT +18 Caroline Mathias é uma jovem que está indo viajar para conhecer seu pai, que nem sabia de sua existência até algumas semanas antes, e agora se vê obrigada a ir conhecê-lo. Em seu primeiro voo, tem uma crise de pânico, e um lindo homem que está ao seu lado a ajuda. Ao descobrir que esse estranho na verdade é o melhor amigo de seu pai, tudo se torna uma bagunça na vida dos dois.

Capítulo 1 No voo

CAROLINE MATHIAS

Me ajeito desconfortável na poltrona, seria minha primeira viagem de avião, estou nervosa demais, acho que estou até suando, se eu morrer hoje, o que deixarei: uma mãe que me obriga a conhecer um pai que pra mim estava morto, uma vida sem muitas aventuras, um ex-namorado traidor e uma faculdade que tranquei por falta de dinheiro. E isso era a minha vida, não é lá essas coisas, mas não quero deixar tudo por causa de uma morte em um avião.

- Com licença. - Um homem se senta ao meu lado. Puta que pariu! Era lindo, e eu quase me borrando de medo.

Um avião, um homem que parecia um deus gostoso, nem posso me fingir de gostosa, pois estou suando feito uma porca, devo até estar fedendo. Que vergonha de mim mesma.

Quando a aeromoça anunciou a decolagem, me tremi inteira, o avião deu uma espécie de sacudida.

- Ai, porra! - Quase gritei, abrindo meus braços com tudo e me agarrando no que minhas mãos encontraram.

Arregalei os olhos ao sentir que agarrei em algo estranho, olho para o homem ao meu lado e sigo o olhar incrédulo dele.

- Ai, porra! - Falei de novo ao notar que eu agarrei no pau do homem.

- Vejo que gosta muito dessa palavra. - Ele diz num tom divertido. O avião sacode de novo.

- Não quero morrer. - Falo, fechando os olhos e apertando mais o que seguro. Uma mão, o braço da poltrona, outra, o pau do homem.

- Uou, garota, vai devagar aí, que isso é importante pra mim. - Ele fala. Retiro a mão do pau dele imediatamente.

Não sei se eu chorava pelo medo ou pela vergonha de pegar num pênis de um desconhecido. "Que constrangedor! Ainda mais por eu estar olhando para o tal, e pra mim aquilo está duro, ou o cara é um tripé." Penso, desviando o olhar imediatamente, coloco minhas mãos no rosto. Preciso de ar, ou vou morrer aqui.

- Respira fundo, respire pausadamente, pode ajudar. - Ele diz, continuo com minhas mãos no rosto. Mas respiro fundo pausadamente.

- Nunca entrei num avião. - Falo, e o som da minha voz sai abafado por minhas mãos.

- Percebi, sou Adam Smith, fica calma, srta. - O homem abaixou as minhas mãos. - Você é de onde?

- De São Paulo mesmo, vou para o Rio de Janeiro por alguns dias apenas. - Falo, ainda em pânico.

- Sou do Rio, mas viajo muito a negócios, então costumo dizer que sou do mundo. - Ele fala, e eu sorrio. - Você estuda, trabalha?

- Estudava, fazia faculdade de artes, mas tranquei, não trabalho no momento, mas preciso urgente. Se quiser me dar um emprego, eu aceito. - Falo, ainda rezando para não morrer.

- Talvez eu tenha um emprego pra você, já somos íntimos, já que quase esmagou meu pau. - Ele fala, rindo.

Nem fico constrangida mais, fiz isso mesmo. "Que loucura", penso, soltando meu cinto, preciso ir ao banheiro lavar meu rosto.

- Saiba que se tiver um emprego pra mim, estará salvando minha vida, sr. Smith. - Falo, tentando passar por ele, o avião sacode de novo e acabo caindo em seu colo.

- Acho que está a fim mesmo do meu pau hoje, srta. - Ele diz, enquanto sinto uma coisa dura na minha bunda.

- Meu Deus, você está duro em um avião lotado, ou é só o Kid Bengala mesmo? - Pergunto sem saber. Por que falei isso? O homem sorri mostrando os dentes perfeitos num branco reluzente, a barba cerrada era um destaque para aquele sorriso lindo e sedutor.

- Quer descobrir? - Ele fala malicioso.

- Eu não. Se orienta, homem, querendo se aproveitar de alguém que está em pânico? - Falo, e ele ri, levantando as mãos.

- Nem sequer toquei em você, a única que tocou e sentou no meu pau foi você.

Então, me toco que estou no colo do homem ainda, e bem em cima do dito cujo mesmo. Olho ao redor, apesar de não ter muitas pessoas no avião, me sinto incomodada com isso.

- E pelo jeito está gostando. - Me levanto quando ele se move, expondo mais sua ereção, me fazendo sentir quase tudo.

- O senhor é muito safado. - Falo ao me levantar, olho para o homem, pele levemente bronzeada, uma barba cerrada bem desenhada em seu rosto ângulos, olhos castanhos, levemente estreitos, nariz comprido e reto, combina com seu rosto grande, lábios finos, mas bem chamativos, um terno que lhe caia muito bem, era cinza claro, com certeza deveria ser mais caro que a passagem cara do voo que meu pai desconhecido pagou. Seu olhar para mim era de diversão, mas seu sorriso era de pura malícia.

- Eu? Nem movi um músculo até agora, é a senhorita que está me atacando. - A avião sacode mais uma vez.

- Meu Deus! - Falo, agarrando as poltronas.

- Calma, senhorita, é normal devido ao tempo. Está chovendo muito, nada vai acontecer. - Ele diz

Vou até a cabine do banheiro do avião e me sento na privada. Por que raios tenho que andar em uma lata voadora que pode cair e matar todo mundo só para conhecer alguém que nem faz falta em minha vida? Estava bem na minha casa, com minha mãe, meus cachorros, meus gatos, sim, eu amo animais, já levei um monte para casa, deixando minha mãe maluca.

Fico ali, rezando, pelo menos eu acho que estou, nunca fiz isso antes, agora tenho que aprender na marra, vai que morro, e se eu for para o céu, vão me jogar na cara que nunca nem tentei rezar.

Céus, estou ficando maluca! Ou é só o medo me consumindo mesmo.

- Senhorita, precisa voltar para sua poltrona. - Ouço batidas na porta e uma voz feminina.

Não consigo me mexer, até quero sair, mas meu corpo travou de verdade. Não consigo sair.

- Senhorita, por favor.

Tento falar, mas nem a minha voz sai, estou suando, travada, e num banheiro minúsculo.

- É o primeiro voo dela. - Ouço a voz daquele homem que agarrei em seu pau. - Me dá um minuto, vou falar com ela.

A porta da cabine se abre, levo um susto, não tranquei essa merda. O homem é tão grande que quase me esmaga ao entrar, como ele cabe aqui?

Impossível, o cara deve ter uns dois metros de altura, não me considero baixa, com meus um metro e setenta, mas perto dele me sinto pequena.

- Senhorita, você precisa se acalmar. - Ele diz, me olhando. - Se levanta, lave seu rosto.

Apenas olho para ele, não consigo falar nada, meu corpo ainda treme, o homem me olha por um momento, tenta se inclinar até mim, o espaço é realmente pequeno e ele preenche quase todo.

- Respira fundo. - Ele começa a respirar fundo, indicando para eu copiar seu gesto.

Faço os mesmos movimentos e ficamos um tempo inspirando e expirando, sincronizados de uma forma tão perfeita que quase me fez rir.

- Consegue levantar?

Balanço minha cabeça, afirmando, ele me ajuda a ficar de pé, aí que o lugar ficou menor mesmo, estou praticamente grudada nele.

- Seus olhos... - ele se abaixou a minha altura. - São lindos. - Ele falou, olhando diretamente para eles. - Sua boca também.

O sorriso perfeito dele em seus lábios mexia comigo, me faziam até esquecer que estou em uma lata prestes a morrer.

- Para de rodeios e me beija logo, assim esqueço onde estou. - Falo e ouço a risada do homem.

- Menina direta você, nem sabe se eu quero te beijar...

Calo o homem encostando minha boca na dele, no instante seguinte, as mãos deles se agarram a minha cintura me puxando para colar mais nele, mesmo sendo impossível, já que obrigados pelo espaço pequeno, estamos quase dentro um do outro.

Já nem lembro de mais nada, nem sequer do meu nome. Que beijo gostoso! O homem tinha um piercing na língua, e era simplesmente delicioso o piercing, explorando cada canto da minha boca. Sou maluca, sei que sou, estou agarrada num homem que não sei o nome, sei que ele falou, mas não lembro. Segurei em seu pau, e agora estou quase sendo engolida por ele em um beijo.

- Senhores! - Ele deu um pulo quando alguém bateu à porta, batendo sua cabeça no teto. É, o homem era um poste e gostoso, que beijava incrivelmente bem. - Precisam sair agora mesmo.

A voz da mulher estava um tanto alterada, ele abre a cabine.

- Fala baixo, já estamos saindo. - O homem diz sério.

- Quem pensa que é para me mandar falar baixo? - A mulher diz sem paciência.

- O dono da companhia aérea, poderia sair daqui? - Ele diz de novo.

Um sacudir mais violento do avião me fez gritar, me sentando na privada de novo.

- Meu senhor, nem nós, funcionários, conhecemos o dono, imagina você, que não é capaz nem de pagar um voo executivo. - Ela diz irônica.

- Prazer, Adam Smith, dono da companhia aérea, e está demitida. - Ele fala, a mulher ri.

- E eu sou a rainha do mundo. Por que o dono da companhia estaria num voo econômico?

- Não é da sua conta! Agora, sai daqui!

- Vou chamar o segurança do avião. - A mulher sai, o homem se vira para mim.

- Vamos sair, senhorita, é melhor ficar na poltrona do que aqui, apertados.

O homem me ajudou a sair da cabine, voltamos para a poltrona sob os olhares curiosos de todos.

- Sem querer abusar, mas posso sentar em seu lugar? Olhar pela janela me deixa ainda mais nervosa.

O homem cede seu lugar no mesmo instante, e respiro fundo algumas vezes.

- Desculpa não te ajudar na sua mentira lá no banheiro. Se eu estivesse no meu normal, faria ela acreditar que você é o presidente do Estados Unidos.

O homem ri, me olha, pega um lenço em seu bolso e coloca em minha testa.

- O que faz você supor que eu menti? - Ele olha para mim, com aquele sorriso lindo, me fazendo lembrar do beijo e do piercing. Que beijo delicioso.

- Tipo, a aeromoça tem razão, se eu fosse dona da companhia aérea, só iria de primeira classe, e só eu, não deixaria mais ninguém entrar.

O homem ri, limpando meu suor que escorria um pouco da minha testa, ele se aproxima da minha boca.

- Pelo jeito que está, se fosse dona de uma companhia aérea, nunca iria entrar em seu próprio avião.

- Não mesmo, mas se entrasse, fecharia a primeira classe só pra mim. - O homem ri.

- Só respire fundo e...

Grito mais uma vez quando o avião sacode, entro em pânico quando uma luz à minha frente, começa a piscar.

- Ai, meu Deus! O avião está caindo, vamos todos morrer! - Grito, me abaixando no banco, houve um pequeno alvoroço no avião causado por mim, acho que deixei mais pessoas com medo.

- Calma. - Ele se abaixa e me levanta, me fazendo sentar em seu colo, passa o cinto em nós dois, fazendo ficarmos bem colados um ao outro. - É só um aviso para colocarmos o cinto, respira fundo, linda garota.

A voz dele era um tanto grossa, bem firme, uma delícia de ouvir, e com ele perto assim do meu ouvido, meu corpo se arrepia, até esqueço o pânico que estou, e o que quase causei nas poucas pessoas ali à frente.

- Vou te beijar. - Aviso e logo beijo o desconhecido lindo e que beija muito bem, beijar ele me acalma, e se ele não está reclamando, vou beijá-lo até o avião pousar.

O homem segura a lateral do meu rosto e me beija com voracidade, o piercing na língua dele, realmente era muito gostoso de sentir no beijo.

Logo, sinto sua ereção roçar na minha bunda, e o que senti não foi nada pequeno, chegou a me dar até uma imagem mental de como era o membro.

- Senhores, se não se comportarem, cada um vai ficar em uma poltrona e serão banidos de viajar nesta companhia aérea. - A chata da aeromoça fala.

- Oh, moça, o avião está quase vazio, estamos nas últimas poltronas, ninguém está nos vendo.

- Senta no seu lugar, garota.

A mulher me olha com fúria visível e endireita seu corpo, acabo por soltar o cinto e sentar no meu lugar.

- Satisfeita? - Pergunto com ironia.

- Sim, muito, e sem muitas gracinhas, ou o segurança aéreo vai tomar as medidas cabíveis. Vê se mantém essa boca fechada o resto do voo.

- Ok, pode deixar.

- Eu preciso de férias. - A mulher resmunga, e ouço os passos dela se afastando.

Assim que ela sai, puxo esse lindo homem e o beijo, posso fazer isso o voo inteiro, é muito gostoso o beijar, ainda bem que nunca mais vou vê-lo, seria constrangedor encontrar ele em qualquer outro lugar depois desta cena que fiz, de praticamente o agarrar para não entrar em pânico.

Capítulo 2 Homem Gostoso

CAROLINE MATHIAS

Uma coisa eu não podia negar, esse homem era extremamente gostoso e seu beijo era uma delícia.

- Acho que esse é o melhor voo que já tive em toda minha vida. - Sua respiração estava ofegante ao me soltar.

- Pelo menos, se morrermos, será fazendo algo gostoso.

- Você é maluca, garota... - ele quase geme ao falar. - Tem mais pessoas aqui.

- Não estamos fazendo nada, só nos beijando.

- Garota, você é maluca..., mas uma maluca gostosa do caralho.

- Sou um pouco, confesso.

Me ajeitei na poltrona, ainda estou com o estômago revirado pelo medo.

- Mas e aí, só tem piercing na língua? - Puxo assunto para me distrair. O homem dá um sorriso meio tímido e leva seu olhar rapidamente ao seu membro, entendo na hora onde tem outro piercing.

E a curiosidade bate no mesmo instante, olho, tentando ver se conseguia definir algo. Mas não dá para ver nada.

- Ai, você tem um piercing aí? - Falo, ainda tentando ver. - Que interessante, adoraria ver.

- Vou ter o maior prazer em te mostrar, mas não aqui.

Eu devo ser a pessoa mais maluca do mundo, estou em um voo, beijando horrores um desconhecido depois de ter pego em seu pau sem querer. Esse homem era um tanto velho, mas extremamente gostoso, e sinto meu corpo em chamas perto dele, o que era bem estranho, nunca sai com um cara tão velho assim, creio que ele deva ter uns trinta e cinco a quarenta anos.

Apesar de ser bem conservado, gostoso mesmo, creio que deva ter essa idade.

Quando finalmente o voo acabou e descemos do avião, quase beijo o chão, fico imaginando como vai ser minha volta, vou fazer esse escândalo de novo, só espero não pegar no pau de mais ninguém. Sou uma maluca às vezes.

- Gostaria muito de te encontrar para termos um encontro normal. Posso saber seu nome? Não me disse até agora. - O homem diz, e ele era maior ainda do que imaginei, e perto dele, sou uma anã. Que gigante.

- Sou Caroline, mas desculpa, de verdade, não queria ter agarrado o senhor daquele jeito, foi o nervosismo...

- Espera, espera um minuto. Está me chamando de senhor depois de ter pego no meu pau e me beijado? - Ele falou, me olhando inconformado, eu apenas dei risada.

- Tipo, não sei seu nome, não me lembro, e você é claramente um senhor de quarenta anos ou mais. - Falo, sorrindo, vendo o ficar boquiaberto, seu olhar pra mim é fixo.

- Mais? Estou tão acabado assim? Tenho trinta e sete anos.

- Ah, sim, um quase quarentão, mas eu gostaria de ter um encontro normal, sim, com você. - Falo, sorrindo.

- Depois de quase destruir minha autoestima me chamando de senhor de mais de quarenta anos, não sei se quero sair com você, garota. - Ele fala, e eu estendo a mão para ele.

- Então, está bem, foi um prazer te conhecer, quase quarentão, obrigada por me ajudar no voo. - Ele segura minha mão, me puxando para um abraço, e me beija com vontade.

- Esse quase quarentão aqui vai te mostrar o que o senhor é capaz de fazer com uma moça petulante feito você.

- Até vou gostar, quase quarentão. - Ele ri novamente e me solta, retirando um cartão do bolso, e me entrega.

- São meus números pessoais, da minha casa, do meu celular e do meu escritório. Me passa o seu.

- Não tenho um cartão chique como o do senhor...

- Quer parar de me chamar de senhor?

- Não sei seu nome.

- É Adam Smith. - Ele fala, escrevo rapidamente o meu número em um papel rasgado, que achei na minha mala de mão, e entrego a ele.

- Esse é meu número, Adam. - Falo, sorrindo.

- Bem melhor. Vou te ligar, Caroline.

- Estarei esperando, e bem curiosa. - Adam me olha confuso.

- Curiosa?

- Sim, esse piercing aí embaixo me deixou curiosa. - Adam dá risada.

- Nunca conheci mulher alguma tão maluca como você. Tão direta nas palavras.

- Não gosto de rodeios. Se tenho algo a dizer, falo, a pessoa gostando ou não.

- Gosto disso.

- Eu preciso ir, foi um prazer te conhecer, quase quarentão. - Brinco. Adam faz uma careta pra mim, torcendo o nariz, dou risada, ele me puxa pela cintura e me beija.

- Até mais, Caroline.

Me despeço do homem lindo e extremamente gostoso, tenho certeza que não vai me ligar, um homem desses deve ter mulheres exuberantes aos seus pés, mas valeu a experiência, vai ser uma boa lembrança.

Peguei minha mala e vou até onde combinei de esperar meu pai. Logo, vejo alguém com um cartaz nas mãos com meu nome.

Era um senhor alto e magro, cabelos grisalhos, não era meu pai, pela foto que ele mandou para minha mãe não se parecia em nada com ele.

- Quem é você? - Pergunto ao me aproximar.

- É a Caroline Mathias? - Assenti. - Sou Miguel Aranti, sou assistente do seu pai, ele teve uma reunião urgente e pediu para te levar até a casa dele.

- Claro, né? Qualquer coisa mais importante que recepcionar a filha bastarda, e que pelo visto não quer conhecer.

- Não é assim, srta. Mathias, seu pai fala de você desde que soube da sua existência, está ansioso, mas ele não teve como vir mesmo.

Não respondo, não me importo, se ele quer me conhecer ou não, só estou aqui porque minha mãe me obrigou, e também porque queria conhecer outro estado. Vim mais à passeio do que para ver ele, se ele não quer me ver, problema dele.

Acompanho o homem até o carro, uma BMW reluzente prata, e entramos no carro. E já fico admirada com a cidade, não vejo a hora de ir à praia.

Quando chegamos ao condomínio luxuoso, fiquei pasma, meu pai tinha tanto dinheiro assim? Mas que mão de vaca! Me pagou uma passagem econômica com esse carro e morando nesse lugar, onde cada casa ocupava a minha cidade inteira.

Pra que gastar com a filha bastarda, não é? Entendo ele, espero que esse mês passe logo e eu volte logo para minha vida chata em São Paulo. "É chata, mas é minha", penso enquanto o enorme portão se abre, dando de cara com a entrada da casa gigantesca.

Entro na casa e sou recebida pelos funcionários, que logo levam minhas coisas, me levando até o quarto que eu ficaria. Entrei e era grande, bem decorado, em tons claros, tinha até banheiro no quarto.

Na minha casa só tinha um banheiro que eu e minha mãe vivíamos brigando para usar, principalmente quando íamos sair e precisávamos nos arrumar.

Me sento na cama, tão macia que minha bunda se sente acariciada como nunca antes.

Desço as escadas de mármore branco, meu pai devia amar branco, era a cor predominante na casa.

Olho alguns quadros e algumas fotos nas mesas de canto. Todas do meu pai, sozinho, em viagens, festas, restaurantes. Ele era bem narcisista pelo visto, só tem foto dele.

Caminho até a entrada de vidro, abro e vou até o jardim, vejo um cachorrinho, latindo para um esguicho no jardim, ele era tão fofo. Me aproximo devagar, e ele late pra mim. Não me assusto, tento ganhar sua confiança, e logo já estava com o cachorrinho, pulando ao meu redor, pego ele no colo.

- Que lindinho!

Fico ali, brincando com o cachorrinho por um longo tempo, pego ele no colo e entro, estou com fome, vou ver se tem algo para comer.

Quando entro, uma mulher dá um grito, ela era quase da minha altura, com um corpão cheio de curvas, bem cheia, mas definida, cabelos a altura dos ombros, ondulados, vestia um short de alfaiataria preto com uma camisa branca, saltos vermelhos da cor do cinto fino passado no short, o casaco preto por cima a deixava bem elegante. Um homem vem apressado, e vejo que é meu pai, parecia com a foto que vi.

- O que foi, Eliz? - Ele pergunta. Olho, sem entender a gritaria.

- O demoninho está aqui dentro, pai. - Ela fala, me olhando, essa era minha irmã? E estava me chamando de demônio?

- Demoninho é sua bunda! Está maluca? - Falo, encarando ela, e a mulher cai na risada.

- Não estou falando de você, garota, e sim do Keke. - Ela fala, apontando para o cachorro.

- Ah, então seu nome é Keke, coisinha fofa. - Falo, brincando com o cachorrinho.

- Fofa nada, esse bicho é um demoninho...

Ela se aproximou e o cachorro pulou do meu colo, correndo e latindo incessantemente para ela, a mulher saiu correndo gritando, pulando pelo sofá, até subir em uma mesa, ele era pequeno e não conseguia subir.

Não contive a risada ao ver a mulher correr de um cachorrinho que é menor que um gato.

- Pai, tira ele daqui.

- Keke, para agora. - O homem fala, mas quando o cachorro foi para cima dele, correu também. - Keke, para agora... Keke...

Não sei se ria ou se ajudava os dois, vou até o cachorrinho furioso, pego ele, que tentou latir pra mim também, seguro ele forte, e faço carinho em sua barriga até ele se acalmar.

- Que bravinho você é, Keke.

- Coloca ele lá fora, Carol, por favor. - Ela diz, olho para ela com a sobrancelha arqueada, com a intimidade ao chamar meu nome.

Levo o cachorrinho até a porta de vidro, colocando ele para fora.

- Já que eu venho brincar com você, lindinho. - Falo, fazendo um carinho nele.

- Oi, Caroline. Desculpa não ir te buscar, não consegui, me desculpa, o voo foi tranquilo? - O homem se aproxima de mim.

Me lembro na hora de Adam, o voo foi um inferno. Mas tive sim uns momentos incríveis nele.

- Tudo bem, sr. Dantas, o voo foi legal.

- Muito bem-vinda, por favor, me chame de pai ou Ronnie, se não se sentir confortável em me chamar de pai logo de cara. - Ele fala, sorrindo, não vou me acostumar com isso nunca, chamar ele de pai, eu hein, nunca. - Está é Eliz Hant, minha ex-afilhada, ela é minha filha de coração.

A mulher pula da mesa e vem até mim, me abraçando forte, pulando feito uma maluca.

- Muito prazer em te conhecer. - Ela diz eufórica. - O pai estava tão ansioso para te conhecer, eu também, sempre quis ter uma irmã.

- Ah, sim... - fico sem reação para essa euforia toda.

- Eu devia ter dado atenção à minha intuição, imaginei que sua mãe estava grávida quando ela me expulsou de casa, mas ela não me ouviu, me expulsou, depois sumiu no mundo, não consegui mais achar ela, não sabe a alegria que senti quando ela me procurou me contando de você, isso realmente me deixou feliz.

Não sei bem a história do meu pai com minha mãe, mas pelo que entendi, ele traiu minha mãe anos atrás e ela foi embora, sei que ele não tem culpa, mas, mesmo assim, não queria conhecê-lo. Pra mim, homem traidor devia ter o pau queimado, seja quem for.

- Será uma boa experiência, obrigado por me receber na sua casa.

- É um imenso prazer te ter aqui, Carol.

- Agora, me diz, como conseguiu segurar o demoninho no colo? Não consigo fazer isso desde que ele tinha meses de vida, aquilo só quer morder todo mundo. - Eliz diz, segurando no meu braço e me levando até a sala luxuosa, me puxa para sentar.

- Ele é tão fofinho. - Falo, vendo meu pai, e ela ri.

- Aquilo só quer saber de comer e morder todo mundo. - Ronnie diz.

- Que exagero, tadinho do bichinho. - Dou risada.

Converso um pouco com eles, e logo nos avisam sobre o jantar, seguimos até a sala de jantar. A mesa era oval e gigantesca, devia ter umas vinte cadeiras, a mesa está tão recheada de comida que parecia uma festa, estava lindo, mas tanta coisa.

- Não sei o que gosta, então mandei fazer pratos variados, espero que goste. - Ronnie fala, se sentando na ponta da mesa, Eliz senta na cadeira lateral perto dele, e eu à sua frente.

- Não vamos esperar sua esposa, a mãe da Eliz? - Pergunto, quando os vejo se servir.

- Não sou casado mais com a mãe da Eliz há uns oito anos ou mais. - Ronnie diz.

- Minha mãe mora em outro país, morava com ela, mas depois da faculdade, vim ficar aqui com nosso pai e trabalhar na empresa. - Eliz diz.

- Você já terminou a faculdade? Pode trabalhar na nossa empresa. - Ele fala.

- Não terminei, tive que parar, minha mãe ficou doente e a grana ficou curta...

- Patrícia está doente? - Ronnie fala, com uma preocupação um tanto excessiva, olho para ele.

- Ela está melhor, já se recuperou. - Falo séria.

- Mas não se preocupe, vou pagar por tudo, é o mínimo depois de tantos anos sem estar presente.

- Não, está tudo bem, vou me virar, arrumar um emprego e voltar para faculdade. - Falo séria.

Não pretendo ter mais contato com ele, na verdade, só vim porque minha mãe implorou, me obrigou, me ameaçou, então estou aqui, mas não quero ter intimidade com eles.

Antes que ele abrisse a boca, o celular da Eliz toca, ela sorri.

- É meu noivo, já volto. - Ela fala, saindo da mesa, me deixando em uma situação constrangedora com meu pai, não sei o que dizer.

- O que gosta de fazer, Carol? - Ele pergunta, me olhando atento.

- Gosto de animais, gosto muito de ficar com meus cachorros, não sei porque fui fazer faculdade de artes se amo animais, devia ter feito veterinária, mas não ia conseguir pagar mesmo, mas sei lá, pelo menos tentado uma bolsa, quem sabe, quando conseguir um emprego, eu tente essa faculdade.

Eu disparei a falar, porque eu sou assim, quando começo a falar, não paro mais, ele me ouvia com uma atenção constrangedora.

- Eu pago pra você, Carol, não se preocupe com isso.

- Eu agradeço, mas já sou de maior e tenho que me virar.

- Bom, terei tempo pra mudar essa ideia. Entendo que não nos conhecemos ainda, mas vou fazer você entender que, se soubesse de você antes, mesmo com sua mãe me expulsando da vida dela, nunca teria te abandonado.

Olho para ele, fico um tanto tímida, coisa que não sou, não muito, ele não me parecia ser uma má pessoa, eu quem não quero obter laços afetivos mesmo.

- Organizei um jantar com amigos próximos amanhã, quero te apresentar a eles.

Não respondo, me apresentar aos seus amigos era um tanto demais, mas tudo bem, se vou ficar aqui por algumas semanas, é bom conhecer pessoas para procurar algo para se divertir. Se bem que eu adoraria me divertir com o quase quarentão do avião, e ia me divertir muito com aquele gostoso, fora minha curiosidade em poder ver aquele piercing, deve ser uma loucura.

Eliz se juntou a nós novamente, eu e ela conversamos muito, ela era muito legal, bem doidinha, nos demos muito bem, meu pai também era mais sério, mas muito legal, não posso negar isso. Em aparência e gênio dou a minha mãe toda, ela era ainda pior que eu em falar, e em falar tudo que pensa, amo minha mãe, ela era demais, chata pra caramba às vezes, mas era demais mesmo.

Depois da janta, fui até o Keke, dei comida a ele e o levei para ficar comigo no quarto. Todos tinham medo desse mini cachorro, até as funcionárias se sobressaltavam ao vê-lo, o bravinho latia para todo mundo.

Fiquei olhando para o quarto luxuoso, meu pai não me parece ser o traidor que minha mãe falou, era estranho, só ouvi o lado da história da minha mãe, apenas que ele havia traído ela com sua melhor amiga, aí ela foi embora, descobriu a gravidez e perdeu o contato com meu pai.

Sempre fiquei com raiva por ele ter traído minha mãe, sempre achei horrível isso, até fiquei surpresa pela minha mãe o ter procurado para falar de mim a ele depois de tantos anos, acho que foi a doença que a deixou mais emotiva. Foram dois anos de luta contra um câncer no ovário, minha mãe sofreu muito, agora está bem, acho que ela ficou com medo de morrer e me deixar sozinha.

Mas depois de tanto tempo, reencontrar um pai que é totalmente desconhecido, não é nada fácil. Meu celular toca, vou atender, era ela, por um momento, fiquei na esperança de ser Adam. Ele não vai me ligar, tenho certeza, deve ter caído a ficha do quão fui louca com ele, e agora só deve querer distância de mim.

- Como foi? Conheceu o traidor do seu pai? - Ela logo diz.

- Oi, mãe. Claro que conheci, não foi pra isso que vim?

- E como foi? Ele deve estar um velho capanga, rola murcha, não é? - Dou risada.

- Que horror, mãe, pare de me dizer isso. Não, ele é bem bonitão pra idade, está ótimo. - Ouço o suspiro de minha mãe.

- Também, com o dinheiro que tem, deve ter feito cirurgia até no c...

- Mãe, me poupe disso! - Interrompi ela, antes de ouvir mais besteiras.

- Enquanto estou acabada, esse traidor está bem. - Ela resmunga.

- Você não está acabada, mãe, é a velha mais linda que conheço.

- Não sou velha, menina, sou madura. - Ela diz, rindo. - Qualquer coisa, me liga, te amo.

- Também te amo.

Desligo o celular e vou dormir, não sei se vou conseguir, tenho muita dificuldade em dormir em lugares diferentes.

Capítulo 3 Excitado pela garota maluca

ADAM SMITH

- Acha que devo ligar pra ela?

Olho para minha filha, Lua, que estava sentada, me olhando atenta.

- Ajuda o papai, filha? Ela é linda, mas é muito jovem. Sabe, seu pai, não costuma sair com meninas tão mais novas, mas ela é tão... - Não sei o que falar, aquela garota mexeu comigo, estou assim o dia todo, pensando se ligo para ela ou não.

Lua pega o celular e me entrega, minha filha de quatro anos, que se recusa a falar comigo, está me dando conselhos, mesmo sem falar nada.

Maria Lua estava assim comigo e com todos há quase três meses, desde que sua mãe parou de mandar cartas a ela.

Janete, a mãe de Lua, a abandonou desde que a menina nasceu, sumiu no mundo sem se importar com ela. Quando Lua começou a perguntar pela mãe, coloquei um investigador para achá-la, quando consegui contato. Ela ainda não quis saber da Lua, mas paguei a ela para enviar cartas a ela todo mês. Mas há três meses, ela disse que se casaria e não mandaria mais nada a ela.

Tentei inventar algo pra Lua, mas a minha filha ficou muito sentida e não fala mais comigo e com ninguém. Já levei ela a uma psicóloga, que apenas disse para dar tempo a ela. Mas já se passaram três meses e nada dela falar.

- Acha que devo ligar? - Ela praticamente joga o celular em cima de mim. - Vai quebrar assim, sua pestinha. - Falo, pegando ela nos braços, giro ela no ar, que ri. Sempre conto tudo da minha vida pra Lua, mesmo que ela não entenda, contei sobre Caroline, claro, omitindo as sacanagens que fizemos no avião.

Olho a hora e vejo que já é bem tarde, não posso ligar nesse horário.

- Nem vi a hora passar. Vai dormir, Lua. - Ela me abraça, levo ela até seu quarto, coloco ela na cama e entrego seu ursinho de pelúcia favorito, ela abraça ele. - Boa noite, minha filha, eu te amo.

Lua me dá um abraço e se deita, eu a cubro com carinho.

- Não demora a falar com o papai, tá, Lua? Tô morrendo de saudade de ouvir sua voz. - Ela leva sua mãozinha macia até meu rosto, fazendo um carinho, depois fecha os olhos, pego um livro e começo a ler para ela, até ter certeza que dormiu. Vou até a adega da casa, pego uma garrafa de whisky, coloco no copo, pego e vou até a sala de estar. Ligo a TV, colocando em um jornal, não me envolvo com ninguém desde que Lua nasceu, não assim, de ligar, ter encontro, tive apenas relações sexuais esporádicas, e nada mais, ter que ligar e marcar um encontro era um tanto estranho. Não sei se ainda sei fazer isso. 

CAPÍTULO 3

ADAM SMITH

Acordo, com batidas na porta do meu quarto, conheço bem essas batidas insistentes.

- Entra, Lua. - Falo, e ela entra, vem até mim e me dá um beijo no rosto, vejo que ela já está com a roupa da escola. - Já está na hora de ir pra escola, minha princesinha? - Falo, olhando o meu relógio na mesa de canto perto da cama, dormi demais hoje, fui dormir tarde pensando naquela garota do avião.

Me levanto rápido e vou até o banheiro. Algum tempo depois, volto, pego Lua no colo e desço até o andar de baixo, a babá de Lua está arrumando a mochila dela.

Coloco Lua na cadeira perto da ilha, Marta, minha cozinheira, prepara o café da manhã de Lua, pego uma xícara de e coloco café pra mim.

- Bom dia, senhoras. - Falo sério, elas me respondem. - Senhora Carla, pode avisar o motorista pra levar Lua hoje? Perdi a hora e não vai dar tempo de me arrumar pra levar. - Falo, e a mulher me olha com ar de raiva, ela era séria demais. Lua não gostava muito dela, mas a agência da qual a contratei me informou que ela tem muitas qualificações para o cargo.

- Sim, senhor. - Ela sai.

- Tudo bem, princesinha, ir com o motorista hoje?

Lua apenas assenti, comendo seu mamão em cubos, ela gostava muito de mamão, era a única fruta que gostava, o resto comia obrigada, mas besteiras era com ela mesmo.

Assim que termina, a levo até o carro, coloco minha filha na cadeirinha e coloco sua mochila no banco. A babá entra no banco da frente do carro.

- Te amo, filha. Estuda bastante pra ficar muito inteligente e ganhar muito dinheiro para o papai não precisar trabalhar nunca mais.

Lua me olha, com seus olhos brilhantes, sei que ela quer rir, toda vez que falo isso, ela ri, e me diz que já tenho muito dinheiro. Sinto falta da minha filha sapeca. Ela acena com a mão, e o motorista sai com o carro.

Entro em casa, pego mais um pouco de café e vou até meu escritório, preciso acompanhar a grade de voo da companhia aérea, mas não consigo me concentrar, isso era esquisito, aquela garota maluca não me saia da cabeça.

Após a confusão de ontem, pegar aquele voo foi incrível, sempre viajo no meu próprio avião particular, mas não estava preparado para o voo de ontem, e Lua estava com febre, precisava vir o mais rápido possível, e aquele voo foi era o que iria sair mais cedo, por isso vim nele.

No final das contas, foi a experiência mais maluca que tive na vida, e também a mais gostosa, não sei se estou carente. Afinal, não me envolvo com ninguém há anos, apenas sexo casual, sem nada depois, apenas sexo.

E aquela garota me fez sentir algo estranho, não sei explicar, pois nem eu mesmo sei.

Me levantei, resolvi subir e me trocar para correr um pouco antes de ir para o escritório. Ainda estou em dúvidas em ligar para a garota, afinal, ela era nova, e garotas na idade dela, geralmente, são mentes vazias, ainda em evolução, só se preocupam com balada e curtição, já não estou na fase disso. Acho que, na verdade, nunca estive, sempre trabalhei demais para ter tempo dessas curtições bobas.

Tento me concentrar no que estou fazendo, já tenho uma rotina, não posso quebrar por estar excitado, por causa de uma garota maluca.

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