Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Minha Vingança, Minha Libertação
Minha Vingança, Minha Libertação

Minha Vingança, Minha Libertação

Autor:: Xia Ying Xi
Gênero: Romance
O funeral do meu cunhado Diogo foi um dia cinzento e opressor. Eu agarrava a mão do meu marido, Tiago, o meu porto seguro. Nós, gémeas, casámos com irmãos gémeos de uma família vinícola prestigiada. Pensava que o amor nos salvaria de tudo. Então, a minha sogra surpreendeu-nos com uma exigência gélida: "Tiago, tens de dar um filho à Laura." Fiquei em choque. Tiago renegou a ideia, "defendendo-me" publicamente. Mas, nessa mesma noite, encontrei o meu "herói" na cama com a minha irmã, Laura. O meu mundo ruiu. A traição virou rotina, uma tortura constante. Tiago enganou-me, forçando-me a assinar o divórcio sem saber. A minha família e a dele uniram-se para me humilhar e agredir. Fui forçada a doar sangue a Laura, mesmo depois de me acusarem de a ter atacado. Enquanto eu definhava, Tiago e Laura prosperavam na sua farsa abjecta. O meu coração endureceu, a dor deu lugar a ódio. Como podiam justificar tal depravação com palavras como "honra" e "dever"? Ele acreditava que eu me resignaria à minha "realidade". Mas um plano de vingança gelado fervilhava dentro de mim. Secretamente, preparei a minha partida. Deixei para trás um casamento desfeito e uma assinatura que selava o seu destino. Em Paris, longe de tudo, o meu passado começaria a pagar. Tiago viria, mas eu já não era a mesma Sofia.

Introdução

O funeral do meu cunhado Diogo foi um dia cinzento e opressor.

Eu agarrava a mão do meu marido, Tiago, o meu porto seguro.

Nós, gémeas, casámos com irmãos gémeos de uma família vinícola prestigiada.

Pensava que o amor nos salvaria de tudo.

Então, a minha sogra surpreendeu-nos com uma exigência gélida: "Tiago, tens de dar um filho à Laura."

Fiquei em choque.

Tiago renegou a ideia, "defendendo-me" publicamente.

Mas, nessa mesma noite, encontrei o meu "herói" na cama com a minha irmã, Laura.

O meu mundo ruiu.

A traição virou rotina, uma tortura constante.

Tiago enganou-me, forçando-me a assinar o divórcio sem saber.

A minha família e a dele uniram-se para me humilhar e agredir.

Fui forçada a doar sangue a Laura, mesmo depois de me acusarem de a ter atacado.

Enquanto eu definhava, Tiago e Laura prosperavam na sua farsa abjecta.

O meu coração endureceu, a dor deu lugar a ódio.

Como podiam justificar tal depravação com palavras como "honra" e "dever"?

Ele acreditava que eu me resignaria à minha "realidade".

Mas um plano de vingança gelado fervilhava dentro de mim.

Secretamente, preparei a minha partida.

Deixei para trás um casamento desfeito e uma assinatura que selava o seu destino.

Em Paris, longe de tudo, o meu passado começaria a pagar.

Tiago viria, mas eu já não era a mesma Sofia.

Capítulo 1

O funeral do meu cunhado Diogo foi num dia cinzento, o céu do Douro parecia chorar connosco. Eu e a minha irmã, Laura, casámos com os irmãos gémeos, Tiago e Diogo, filhos de uma das mais prestigiadas famílias de vinhos da região.

Agora, Laura era viúva. Diogo, um oficial da GNR, morreu como um herói em serviço, e a sua morte abriu um buraco nas nossas vidas.

Eu agarrava a mão do meu marido, Tiago, o irmão gémeo idêntico de Diogo. Ele era o meu refúgio, o meu porto seguro.

A nossa sogra, uma mulher de ferro, estava desfeita. A dor transformou-a. No jantar após o funeral, o silêncio na enorme sala de jantar da quinta era pesado.

De repente, ela olhou para o Tiago, depois para a Laura, e disse algo que gelou o ar.

"Tiago, tens de dar um filho à Laura."

Fiquei paralisada. O garfo caiu da minha mão.

"Mãe, o que está a dizer?" perguntou Tiago, chocado.

"O Diogo era um herói," continuou a minha sogra, com a voz a tremer de uma convicção assustadora. "A linhagem dele não pode morrer. Tu és o seu gémeo. É teu dever honrar a memória dele. Tens de dar um neto a esta família, um filho do sangue do meu Diogo, através da mulher dele."

O ultraje subiu-me pela garganta. Era uma proposta monstruosa, um tabu que ninguém se atreveria a quebrar. Mas a minha própria mãe, sentada ao meu lado, colocou uma mão no meu braço.

"Sofia, a tua sogra está a sofrer," disse ela, em voz baixa. "E a tua irmã... Pensa na Laura. Ela perdeu tudo. Talvez devesses ser compreensiva."

A pressão dela era como um veneno lento. A minha mãe sempre favoreceu a Laura, a filha mais velha e, aos seus olhos, a mais perfeita. Desde criança que eu era a que tinha de ceder, de me sacrificar pela felicidade da Laura.

Lembrei-me de todas as vezes que tive de dar os meus brinquedos, as minhas roupas, os meus sonhos, para que a Laura pudesse sorrir.

Tiago era a minha única fuga daquela dinâmica familiar. Ele era o meu mundo. O amor dele era a única coisa que eu sentia que era verdadeiramente minha.

Idealizava-o, via-o como o meu cavaleiro. E, naquele momento, ele não me desiludiu.

"Isso é um absurdo!" disse Tiago, levantando-se. A sua voz ecoou na sala. "Eu amo a Sofia. Ela é a minha mulher. Nunca faria uma coisa dessas com ela, nem com a Laura, nem com a memória do meu irmão."

Ele veio para o meu lado, puxou-me para cima e abraçou-me com força à frente de todos.

"Não vou permitir que ninguém te magoe," sussurrou ele ao meu ouvido.

Senti um alívio imenso, uma gratidão que me encheu os olhos de lágrimas. Ele era o meu herói. Ele estava a proteger-me.

Mais tarde, nessa noite, no nosso quarto, agradeci-lhe novamente. Ele beijou-me e prometeu que tudo ficaria bem, que o amor dele por mim era inabalável.

Adormeci nos seus braços, sentindo-me segura pela primeira vez desde a morte de Diogo.

Mas, no meio da noite, acordei com sede. A casa estava silenciosa. Enquanto voltava da cozinha, passei pelo corredor onde ficava o quarto de hóspedes que a Laura estava a ocupar.

Ouvi um som.

Um som baixo, abafado. Um gemido.

Parei, o meu coração começou a bater mais depressa. Curiosidade e um mau pressentimento lutavam dentro de mim. Aproximei-me devagar da porta, que estava ligeiramente entreaberta.

Espreitei pela fresta.

E o meu mundo desabou.

Na cama, debaixo dos lençóis revoltos, estavam duas figuras. Uma era a minha irmã, Laura.

A outra era o meu marido, Tiago.

O meu herói. O meu protetor.

Fiquei ali, sem conseguir respirar, a ver a traição a acontecer à minha frente. O choque era tão grande que não consegui emitir um som. A dor era física, uma faca a torcer-se dentro do meu peito.

Capítulo 2

Passei o resto da noite acordada, sentada no escuro da nossa sala de estar. A imagem deles os dois não saía da minha cabeça. Quando o sol começou a nascer, a desilusão tinha-se transformado numa frieza amarga.

Ele não era o meu herói. Ele era um mentiroso.

Quando Tiago finalmente saiu do quarto de Laura e me viu, o seu rosto empalideceu. Mas eu não gritei. Não chorei.

Apenas o olhei com um vazio que o assustou.

Naquela manhã, enquanto ele estava no banho, liguei ao meu advogado.

"Quero o divórcio," disse eu, com a voz firme. "Prepare os papéis."

Dois dias depois, os documentos chegaram. Tiago tinha passado esse tempo a tentar falar comigo, a pedir desculpa, a dizer que tinha sido um momento de fraqueza, de dor partilhada com a Laura. Eu não ouvi.

Naquela tarde, ele entrou no escritório da quinta, apressado. O pai dele tinha-lhe dado uma pilha de documentos da empresa de vinhos para assinar.

"Sofia, preciso de falar contigo," começou ele.

"Agora não, Tiago," disse eu, fria. "O teu pai quer isto assinado com urgência."

Coloquei os papéis do divórcio no meio da pilha de contratos de investimento. Ele estava distraído, o telemóvel não parava de tocar com mensagens da mãe dele.

"Só assina," insisti.

Ele pegou na caneta, folheou os papéis rapidamente, a sua atenção dividida. Quando chegou à página da assinatura do acordo de divórcio, ele nem olhou. Assinou, pensando que era mais um documento da empresa.

A ironia era esmagadora. A sua confiança cega e a sua superficialidade tinham selado o nosso fim.

Nos dias seguintes, a família continuou o seu teatro. Tiago fingia resistir à ideia da mãe, e o pai fingia castigá-lo pela sua "lealdade" a mim.

Era tudo uma fachada.

Todas as noites, eu ouvia os sons. Os mesmos gemidos abafados do quarto da Laura. A traição não tinha sido um ato isolado, era contínua.

Comecei a definhar. Perdi peso, não conseguia dormir. A angústia era constante.

Enquanto eu me tornava uma sombra de mim mesma, a Laura florescia. A atenção da família, os mimos da minha sogra, faziam-na brilhar. A sua "boa aparência" era um insulto constante ao meu sofrimento.

A minha própria mãe olhava para mim com desaprovação.

"Estás com um ar terrível, Sofia. Estás a deixar todos desconfortáveis. Porque não podes ser mais como a tua irmã e aguentar a dor com dignidade?"

Eu estava completamente isolada, culpada pela minha própria dor.

Comecei a planear a minha fuga. Secretamente, comecei a organizar as minhas finanças, a procurar transferências de trabalho. Precisava de sair dali.

Um mês depois, a notícia chegou. A família reuniu-se para um anúncio.

"A Laura está grávida," anunciou a minha sogra, com lágrimas de alegria.

Todos celebraram. Tiago olhou para mim, com uma expressão de culpa e súplica. Eu mantive o meu rosto impassível, observando a celebração com um desapego gelado.

Mais tarde, ele veio ter comigo.

"Sofia, eu sei o que estás a pensar," disse ele. "Mas o filho não é meu."

"Não?" perguntei, a minha voz sem emoção.

"Não. Juro. Juro pela memória do meu irmão," disse ele, com uma seriedade fingida. "A Laura... ela sentia-se sozinha. Havia um colega do Diogo, também da GNR. Ele morreu no mesmo incidente. Eles tiveram um caso de uma noite. Ela pediu-me para assumir a paternidade para proteger a honra dela e a do colega falecido."

Ele inventou uma história elaborada, cheia de detalhes, apelando à minha empatia, à minha "compreensão".

Eu apenas o encarei, o cinismo a crescer dentro de mim como uma erva daninha.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022