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Minha Vingança: Seu Império Desmorona

Minha Vingança: Seu Império Desmorona

Autor:: Obeíma
Gênero: Moderno
Acordei no escritório do meu marido com uma descoberta apavorante. Estampado no meu rosto, em letras vermelhas e garrafais, lia-se "CARNE DE PRIMEIRA" - uma piada cruel de sua estagiária, Carla. Mas meu marido, Heitor, o homem cujo império de tecnologia ajudei a construir, não me defendeu. Ele chamou aquilo de uma brincadeira inofensiva e protegeu sua amante da minha fúria. A humilhação foi transmitida para o mundo todo ver. Depois, ele deu a ela meu vestido de aniversário, feito sob medida, e a levou para um baile de caridade. Como se não bastasse, ela anunciou que estava grávida de um filho dele. Ele a escolheu. Ele escolheu a nova "família" deles em vez dos nossos sete anos de casamento, em vez da memória do filho que perdemos juntos. O olhar que ele lhe deu, cheio de uma ternura que eu não via há anos, destroçou o último fragmento do meu coração. Então, enquanto ele saía pela porta com ela, meus advogados entraram. Na reunião seguinte do conselho, observei o sangue sumir do rosto dele enquanto eu congelava cada centavo em seu nome. - Assine os papéis do divórcio, Heitor - eu disse, empurrando uma caneta pela mesa. - Minha responsabilidade agora é limpar a casa.

Capítulo 1

Acordei no escritório do meu marido com uma descoberta apavorante. Estampado no meu rosto, em letras vermelhas e garrafais, lia-se "CARNE DE PRIMEIRA" - uma piada cruel de sua estagiária, Carla.

Mas meu marido, Heitor, o homem cujo império de tecnologia ajudei a construir, não me defendeu. Ele chamou aquilo de uma brincadeira inofensiva e protegeu sua amante da minha fúria.

A humilhação foi transmitida para o mundo todo ver. Depois, ele deu a ela meu vestido de aniversário, feito sob medida, e a levou para um baile de caridade.

Como se não bastasse, ela anunciou que estava grávida de um filho dele.

Ele a escolheu. Ele escolheu a nova "família" deles em vez dos nossos sete anos de casamento, em vez da memória do filho que perdemos juntos. O olhar que ele lhe deu, cheio de uma ternura que eu não via há anos, destroçou o último fragmento do meu coração.

Então, enquanto ele saía pela porta com ela, meus advogados entraram. Na reunião seguinte do conselho, observei o sangue sumir do rosto dele enquanto eu congelava cada centavo em seu nome.

- Assine os papéis do divórcio, Heitor - eu disse, empurrando uma caneta pela mesa. - Minha responsabilidade agora é limpar a casa.

Capítulo 1

Acordei com o silêncio gelado do escritório de Heitor. O brilho fraco da cidade através das janelas do arranha-céu na Faria Lima mal aquecia o ambiente. Uma dor surda latejava atrás dos meus olhos. Devo ter cochilado depois de revisar aquelas propostas de caridade.

Minha mão foi até minha bochecha. Havia uma textura áspera, em relevo, estranha à minha pele.

O pânico explodiu. Corri para o banheiro da diretoria, acendi a luz forte e engasguei. Estampado bem no meu rosto, da têmpora à mandíbula, em letras vermelhas e garrafais, estava "CARNE DE PRIMEIRA".

A ironia grotesca me atingiu como um soco. Era o carimbo de brincadeira que Heitor mantinha em sua mesa, um presente idiota que ele achava hilário.

- Olha só quem decidiu voltar ao mundo dos vivos! - uma voz melosa cantarolou da porta.

Carla Mendes estava encostada no batente, um sorrisinho brincando em seus lábios. Seus olhos, geralmente grandes e inocentes, estavam afiados, predatórios.

- Bela marca, não é, Alina? - Ela se aproximou, o olhar demorando-se no carimbo grotesco. - O Heitor achou uma ideia brilhante. Disse que você parecia uma novilha premiada, pronta para o leilão.

Meu sangue gelou. Meu estômago se revirou.

- Foi você - sussurrei, as palavras com gosto de cinzas.

- Eu? - Ela fingiu inocência, piscando os cílios. - Por que eu faria uma coisa dessas? Eu apenas ajudei o Heitor. Ele estava bem... inspirado.

Ela zombou, seus olhos me varrendo.

- Sinceramente, Alina, você é patética. Dormindo no escritório do seu marido, esperando por ele como um cachorrinho abandonado. Você não tem vida? Ou está só juntando poeira como as velharias da sua família quatrocentona?

A raiva, quente e cega, me consumiu. Essa garota, essa estagiária que eu pessoalmente mentorei, cuja faculdade eu paguei, cujos sonhos eu apoiei.

- Sua cobra ingrata - rosnei, avançando.

Minha mão acertou sua bochecha com um estalo retumbante. O som ecoou no escritório silencioso. A cabeça dela virou para o lado, uma marca vermelha florescendo em sua pele pálida.

Antes que eu pudesse dar outro golpe, uma mão forte agarrou meu braço, me puxando para trás.

- Alina! Que porra você pensa que está fazendo? - A voz de Heitor, carregada de fúria, cortou a névoa da minha raiva.

Ele me empurrou, seu corpo protegendo Carla. Seus olhos, geralmente tão quentes e amorosos, agora estavam frios e acusadores.

- Você enlouqueceu? Você acabou de agredi-la! - ele rugiu, o olhar fixo na marca vermelha no rosto de Carla.

Minha respiração falhou. Ele estava defendendo-a. Defendendo a mulher que acabara de me humilhar publicamente em seu próprio escritório.

- Ela... ela carimbou meu rosto! - gaguejei, apontando um dedo trêmulo para Carla.

Heitor mal olhou para mim. Ele estava ocupado demais afagando o rosto de Carla, seu polegar acariciando suavemente a pele avermelhada.

- Foi só uma brincadeira, Alina - disse ele, sua voz baixando para um tom condescendente. - Uma brincadeira inofensiva. Você está exagerando. Como sempre.

Um pavor gelado se infiltrou em meus ossos. Uma "brincadeira inofensiva"? Meu olhar caiu na manga da camisa de Heitor. Um perfume floral, doce e fraco, o perfume característico de Carla, estava impregnado no tecido.

Ele não ia para casa há duas noites. Disse que estava trabalhando até tarde, virando a noite pela empresa.

- Heitor, que cheiro é esse? - perguntei, minha voz mal um sussurro.

Carla deu uma risadinha, um som agudo e infantil.

- Ah, é só meu creme novo. O Heitor derramou um pouco de café em mim mais cedo, enquanto a gente estava, sabe, trabalhando até tarde. Ele ficou todo sem graça.

Ela me lançou um sorriso sacarino, seus olhos brilhando com um prazer malicioso. Ela o estava manipulando como um fantoche, e ele estava caindo.

Heitor riu, um som suave e indulgente que rasgou meu coração.

- A Carla tem uma ética de trabalho incrível, não é? Sempre tão ansiosa para aprender, tão dedicada. Diferente de algumas pessoas, que vivem reclamando das minhas longas horas.

Uma dor aguda atravessou meu peito. Ele costumava elogiar meu apoio incansável, minha fé inabalável em sua visão. Agora, minha dedicação era uma queixa.

Lembrei-me dos primeiros dias, quando Heitor virava noites e eu levava café e conforto, enquanto as conexões da minha família discretamente abriam seu caminho. Ele era um homem ambicioso, determinado, mas sempre foi grato. Sempre.

Quando ele mudou? Quando sua ambição se transformou nessa arrogância?

Uma onda súbita de náusea me atingiu. Minha cabeça girou. A imagem de Heitor, rindo com Carla, defendendo a traição dela, embaçou diante dos meus olhos.

A porta do escritório de Heitor se abriu de repente. Sua secretária, uma jovem chamada Beatriz, estava parada ali, com os olhos arregalados de choque. Ela obviamente tinha ouvido a confusão.

- Dona Alina? - ela gaguejou, seu olhar saltando do meu rosto carimbado para Carla, e depois para Heitor.

Eu sabia o que ela estava pensando. Todos no prédio conheciam Alina Vasconcelos, a herdeira elegante e composta que se casou com o charmoso CEO de tecnologia. A mulher que tinha tudo.

A reação inicial de Beatriz, um lampejo de pena, rapidamente se transformou em um suspiro horrorizado quando seus olhos pousaram na marca "CARNE DE PRIMEIRA" em meu rosto.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor, amplificado pela súbita interrupção da respiração assustada de Beatriz. Pairava pesado, denso de julgamento não dito e humilhação. Carla, aproveitando o momento, deixou um sorriso triunfante, quase imperceptível, surgir em seus lábios.

Heitor, cego pela raiva, finalmente notou o carimbo. Seus olhos se estreitaram, não em compreensão, mas em uma nova onda de irritação.

- Carla, peça desculpas para a Alina - ele exigiu, a voz tensa. Não era um pedido, era uma ordem, dada com a impaciência cansada de um pai lidando com filhos briguentos.

Os olhos de Carla se arregalaram, enchendo-se de lágrimas perfeitamente cronometradas.

- Pedir desculpas? Depois que ela me bateu? Heitor, ela é um monstro! Ela sempre teve ciúmes de nós, do que a gente tem! - Ela enterrou o rosto no peito de Heitor, seus ombros tremendo com soluços dramáticos. - Eu não posso ficar aqui, não com ela. Eu vou embora!

Ela se afastou, cambaleando em direção à porta, a imagem da inocência ferida.

- Carla, espere! - exclamou Heitor, seus instintos protetores ativados. Ele a alcançou, sua voz suavizando, um contraste gritante com o tom áspero que usara comigo. - Por favor, não vá. Ela só... ela não está bem. Você sabe como ela fica.

Ele se virou para mim, o olhar endurecido.

- Alina, não se atreva a fazer uma cena. Este é o meu escritório. E a Carla é minha estagiária. Você está sendo completamente irracional.

Capítulo 2

- Irracional? - engasguei, uma risada amarga escapando dos meus lábios. O gosto metálico da tinta ainda cobria minha língua, um lembrete constante da humilhação. - Você quer que eu seja racional depois disso? Depois que ela me marcou, depois que você a defendeu?

Heitor suspirou, passando a mão pelo cabelo.

- Olha, vamos apenas limpar você. É só um carimbo bobo. - Ele estendeu a mão, seus dedos roçando minha bochecha.

Seu toque, antes um conforto, agora parecia uma violação. Eu recuei, me afastando. A tinta vermelha, em vez de desbotar, parecia se espalhar, manchando minha pele, tornando as palavras grotescas ainda mais proeminentes. Imaginei-me em um espelho de casa mal-assombrada, um reflexo distorcido de quem eu era, um outdoor ambulante da traição.

Carla, ainda pairando perto da porta, soltou uma risadinha que rapidamente tentou disfarçar com uma tosse.

- Heitor, querido - ela ronronou, a voz escorrendo uma doçura artificial -, não se esqueça do baile de caridade hoje à noite. Eles estão esperando por você. E por mim, é claro.

A atenção de Heitor se desviou de mim para ela instantaneamente. Seus olhos se iluminaram, a irritação desaparecendo, substituída por um brilho de excitação.

- Certo! O baile. Eu quase esqueci. - Ele se virou para mim, sua expressão suavizando um pouco, uma fachada ensaiada de preocupação. - Alina, você deveria ir para casa e descansar. Eu cuido disso. A gente conversa mais tarde, ok? Quando você se acalmar.

- Me acalmar? - repeti, minha voz subindo. - Você quer que eu me acalme? Depois de tudo?

Ele acenou com uma mão displicente.

- Sim, se acalmar. Você está fazendo um espetáculo. Vá para casa. Discutiremos isso quando você estiver pensando com clareza.

Ele pegou a mão de Carla, o olhar fixo nela com uma intensidade que queimou minha alma. Ela me lançou um olhar presunçoso e triunfante por cima do ombro enquanto caminhavam em direção à saída.

- Não se preocupe, Alina - a voz de Carla, enjoativamente doce, chegou até mim. - Eu vou cuidar muito bem do seu marido esta noite. Ele precisa de alguém que o valorize.

Eles desapareceram pela porta, deixando-me sozinha no escritório estéril e silencioso. Minha casa. Meu marido. Perdidos.

- Você vai se arrepender disso, Heitor! - gritei, minha voz rouca, ecoando na sala vazia. - Você vai se arrepender de tudo!

Um momento depois, a cabeça de Heitor apareceu novamente, seu rosto marcado por uma mistura de exasperação e pena.

- Alina, por favor. Pare com isso. Você só está tornando as coisas mais difíceis para si mesma. - Ele suspirou. - Eu te ligo mais tarde, ok? Apenas... tente ser razoável. - E então ele se foi de novo, a porta se fechando atrás dele, selando-me lá dentro.

Através da porta fechada, ouvi a voz de Carla, baixa e trêmula.

- Heitor, ela está tão furiosa. Estou com medo. E se ela tentar me machucar de novo?

A resposta de Heitor foi um murmúrio baixo, carregado de segurança.

- Não se preocupe, Carla. Eu não vou deixar ela tocar em você. Você está segura comigo.

Suas palavras, destinadas a ela, me cortaram como mil facas. Ele a estava protegendo. De mim. Sua esposa.

Enquanto eu saía lentamente do escritório, Beatriz, a secretária, ergueu os olhos, sua expressão uma mistura de simpatia e medo.

- Dona Alina, a senhora... a senhora está bem?

Consegui um sorriso fraco.

- Vou ficar bem, Beatriz. Obrigada.

Passei por ela, de cabeça erguida, embora meu coração estivesse se partindo em um milhão de pedaços.

Cheguei ao meu carro, minhas mãos tremendo enquanto eu procurava as chaves. Olhei para meu reflexo no espelho retrovisor. O carimbo vermelho me encarava de volta, um emblema da vergonha. Eu não esqueceria isso. Eu não perdoaria isso.

Peguei meu celular, meus dedos voando pela tela. "Recupere o vestido que Heitor encomendou para mim. O de alta-costura. E preciso de um carimbo. 'CARNE DE PRIMEIRA'. Faça um único. E permanente."

Capítulo 3

O carro deslizava suavemente pelo trânsito de São Paulo, um casulo silencioso me separando do mundo agitado lá fora. Meu mundo, no entanto, estava um caos. Quando os portões da mansão Vasconcelos se abriram, uma figura familiar surgiu da entrada grandiosa.

- Dona Alina - Alfredo, nosso mordomo de longa data, curvou-se levemente, seu rosto vincado de preocupação. Ele sempre sabia quando algo estava errado. - Confio que seu dia não tenha sido muito cansativo?

Seus olhos, discretamente, piscaram para a mancha vermelha persistente em minha bochecha. Eu sabia que ainda estava lá, um fantasma da humilhação da manhã.

- Apenas mais um dia, Alfredo - respondi, tentando firmar a voz.

Ele hesitou, depois pigarreou.

- Dona Alina, há algo que a senhora deveria saber. O Sr. Heitor... ele esteve aqui mais cedo. Ele levou algo.

Meu coração martelou.

- O que ele levou, Alfredo?

Alfredo se mexeu desconfortavelmente.

- O vestido, Dona Alina. O vestido de alta-costura que a senhora mandou fazer sob medida para o baile de caridade. Ele disse que precisava dele para esta noite.

Uma onda fria me percorreu, mais fria que o inverno paulistano. Não qualquer vestido. O vestido. Aquele que eu havia desenhado meticulosamente com o ateliê, tecido com fios de prata e luar, uma obra-prima destinada a simbolizar nossos sete anos de casamento, nossa jornada compartilhada até o topo da sociedade paulistana. Não era apenas tecido; era uma promessa, um sonho. Era um testemunho da fé que eu tinha nele, do apoio que eu havia investido na construção de seu império.

Lembrei-me de seu rosto extasiado quando lhe mostrei os primeiros esboços, da maneira como ele beijou minha mão e jurou devoção eterna.

- Alina - ele sussurrara, os olhos brilhando -, este vestido, é como o nosso amor. Requintado. Atemporal. Você é minha rainha, e eu sempre vou te valorizar.

Agora, aquele vestido requintado, aquele símbolo do nosso vínculo antes inquebrável, estava nas mãos de Carla. Ele havia dado a ela o meu futuro. Ele havia dado a ela o meu sonho. A lembrança de suas palavras, antes um conforto, agora se torcia em uma zombaria cruel.

O mundo girou. Minha visão embaçou. Como um homem podia mudar tão completamente? Como ele podia esquecer tudo o que compartilhamos, tudo o que construímos, por um caso passageiro com uma estagiária? A dor no meu peito era uma dor física, um espaço oco onde antes residia a esperança. Minha compostura cuidadosamente construída ameaçava se estilhaçar.

- Dona Alina? - A voz de Alfredo era gentil, me puxando de volta do abismo do desespero.

Eu assenti, forçando um sorriso.

- Obrigada, Alfredo. Eu dou um jeito.

Passei por ele, minhas pernas parecendo chumbo. Uma empregada, ao me ver, correu com um pano úmido.

- Senhora, deixe-me ajudá-la com essa marca.

Ela limpou suavemente, mas a tinta carmesim teimosamente se agarrava à minha pele, uma mancha permanente, assim como a traição em meu coração.

Meu celular vibrava incessantemente. Amigos, bem-intencionados e perplexos, inundavam minha caixa de entrada. Eles tinham visto algo.

Abri as notificações. Não era apenas algo. Era tudo. Fotos minhas, no escritório de Heitor, com o carimbo "CARNE DE PRIMEIRA" estampado no rosto, estavam circulando online. Carla havia transmitido ao vivo, com a legenda sarcástica: "Algumas pessoas simplesmente não sabem lidar com um pouco de competição."

Os comentários eram uma mistura de indignação e pena. "Coitada da Alina, depois de tudo que ela fez por ele." "Que humilhação! A própria esposa!"

Minha melhor amiga, Cassandra, ligou, a voz tremendo de fúria.

- Alina, querida, você está bem? Eu acabei de ver... aquela vagabunda! Como ela ousa! E o Heitor! Juro que vou acabar com os dois!

- Estou bem, Cass - eu disse, minha voz estranhamente calma, embora minhas mãos tremessem. - Eu vou resolver isso.

- Resolver? Alina, seu rosto está em toda a internet! Todo mundo está falando! Aquela sirigaita está praticamente comemorando!

- Deixe que falem - eu disse, um brilho perigoso surgindo em meus olhos. - Deixe que comemorem. Eles não vão comemorar por muito tempo.

Nesse momento, a porta da frente se abriu com um estrondo. Dois homens corpulentos de ternos escuros entraram, suas expressões sombrias. Eles arrastavam uma Carla Clements aterrorizada e se debatendo. Ela claramente havia sido arrancada diretamente do baile. Seu vestido de alta-costura, o que era para mim, estava amassado e rasgado, sua maquiagem cuidadosamente aplicada, borrada.

- Me soltem! O que é isso? Heitor! Heitor, me ajuda! - ela gritava, se debatendo contra o aperto deles. Ela tropeçou, caindo de joelhos no chão de mármore polido.

- Você não pode fazer isso! Você sabe quem eu sou? Estou esperando um filho do Heitor! - ela chorou, os olhos arregalados de medo. - Você é só uma velha bruxa ciumenta, Alina Vasconcelos! Você não é nada sem o nome da sua família!

Eu dei um passo à frente, minha voz calma, quase serena.

- Carla, querida, você sabe o que o nome Vasconcelos significa? Significa que eu sou dona desta cidade. Significa que eu construí o Heitor. E significa que eu posso desconstruí-lo com a mesma facilidade.

O rosto dela empalideceu, sua ousadia vacilando.

- Você... você não pode. Ele me ama. Ele me escolheu.

Eu sorri, um sorriso frio e sem humor.

- Ele escolheu a conveniência. Você escolheu a ganância. E ambos escolheram me humilhar. Grande erro, querida. Um erro muito grande.

Os dois homens arrastaram Carla para o centro do hall. O carimbo especialmente feito, uma réplica personalizada de "CARNE DE PRIMEIRA", foi trazido. Era maior, mais imponente, e a tinta era um vermelho vibrante e indelével.

Carla observava, os olhos arregalados de terror, enquanto os homens a seguravam. Um grito agudo rasgou sua garganta quando o carimbo desceu, uma, duas, três vezes, em seus braços, suas pernas, seu peito. Cada pressão deixava uma marca clara e inegável.

Ela se contorcia, soluçava e implorava, mas eu permaneci impassível. As marcas de "CARNE DE PRIMEIRA" se espalharam por seu corpo como uma tatuagem grotesca.

Quando terminaram, peguei um lenço de seda e limpei calmamente minhas mãos.

- Não se preocupe, Carla - eu disse, minha voz fria como gelo. - Isso é permanente. Assim como a marca que você deixou em mim. E assim como a marca que você vai deixar no Heitor.

- Sua... sua monstra! - ela soluçou, a voz rouca. - Isso não é justo! Você só está fazendo isso para se vingar de mim!

Inclinei a cabeça, uma sombra cruzando meu rosto.

- Justo? Querida, a vida não é justa. Mas eu vou garantir que ela seja equilibrada.

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