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Minha advogada

Minha advogada

Autor:: FLUORA
Gênero: Romance
Alguns demônios não estão na superfície. Eles apenas nadam nas profundezas do medo .. Lua é uma advogada que tenta esquecer seu passado assombrado e trabalha incansavelmente para realizar seus sonhos. Após uma festa beneficente, ela conhece Donovan, com quem perdeu contato, que decide patrocinar seu novo projeto. Lua se encantou com a grandeza desse homem. Mesmo que ela batalha contra o anseio. David encontra sua próxima vítima em Lua, a garota do momento, uma mulher que pode atendê-lo no escritório e em sua cama. Será o suficiente para fazer Lua respirar ou alguém simplesmente roubará seu fôlego?

Capítulo 1 Prólogo

Deslizo meus pés para fora do sapato, pronta para o alívio que me percorre ao saber que não terei que usá-los, ou qualquer outro, amanhã. Sento-me na cama para mover circularmente os tornozelos cansados após o longo dia no escritório.

Em pensar que o trabalho ainda não acabou...

Arrasto o casaco dos meus ombros, e o deixo sobre a cama. Estou certa de que posso me preocupar com a organização do quarto amanhã. Após me sentir livre de roupas, exceto pelo vestido, alcanço o MacBook dentro da minha bolsa, e verifico os emails que recebi durante a tarde. Não tive muito tempo para o trabalho em si, pois estava focada no novo projeto que estou desenvolvendo, aliás, o único.

O primeiro email me chama atenção, pois é do meu chefe, e ele não costuma ser formalmente comunicativo.

De: Michel Gandhi

Para: Lua Lopes

Assunto: Quase lá!

Fico lisonjeado em saber que minha mais nova advogada tem em mente um projeto altruísta em andamento. A reunião de hoje me deixou animado com a ideia, e a todos os sócios também. Estarei entrando em contato com possíveis patrocinadores amanhã, para tornar a teoria em prática.

Atenciosamente, Michel

Leio e releio o texto algumas vezes, antes de enviar uma resposta condescendente. Nunca, em mil anos, eu pensei que a minha ideia fosse ser aprovada em tão pouco tempo. Bem, eu havia pensado nisso ainda quando universitária, mas, para um projeto de grande escala, estou surpresa com a súbita evolução.

Em retrospectiva, Michel sempre me apoiou. Ele me apadrinhou durante a faculdade, quando meus pais não tinham condições de pagar os livros, isso porque tinha muito carinho pelo meu pai, com quem trabalhou durante anos. Eu lhe devia muito, por isso, após a faculdade de direito, aceitei sua proposta, e me tornei uma advogada para seu escritório. Faz apenas alguns meses, mas, após este email, estou certa de que meu trabalho lhe agrada, e isso me faz perceber que todo o esforço, de ambos, está sendo recompensado.

Respondo outros emails e fecho o Mac, garantindo que o trabalho de hoje foi feito. Isto encerra minha sexta-feira.

Alguns não podem terminar a semana com cerveja e balada.

Lanço meu corpo para trás, sendo abraçada pelo conforto da minha cama, e me pergunto internamente se algumas horas de sono irão realmente me trazer descaso. Todas as madrugadas em claro, pensando em como seria apresentar um projeto sem lucro pessoal para o meu chefe capitalista, finalmente chegaram ao fim. Eu fiz isto! Eu consegui dar o primeiro passo!

Desde criança, quando percebi que alguns tinham muito, e outros não tinham nada, pensei que deveria fazer algo. Digo, uma situação tende a mudar se não houver alguém para fazer a diferença?

No último semestre da faculdade, iniciei a parte teórica do meu pensamento. Eu, com todo o entendimento da constituição, faria algo pelas crianças. A geração futura precisa ser melhor que a atual. Porém, escolhi um grupo específico de crianças, pois não poderia fazer por todas, as marginalizadas. Meu projeto consiste em identificar o erro no laço familiar de jovens presidiários, e tentar reverter o buraco traumático em sua psique. Visitar presídios infantis, levar ajuda psicológica, arrecadar fundos para melhorar o ambiente em que essas crianças são punidas, tudo o que for necessário, eu farei.

No início, pensei que seria julgada por apoiar delinquentes, quando, na verdade, são apenas crianças, mas todos estes pensamentos afundam no esquecimento ao reler mentalmente o email de Michel.

Talvez demore, contudo, irá acontecer! Estarei fazendo algo por alguém além de mim, e estou conseguindo convencer outras pessoas, como meu chefe, a fazerem o mesmo.

Fecho os olhos em uma tentativa falha de projetar detalhes antes de dormir. Perco para o cansaço, e derivo em um sono calmo no meio dos meus pensamentos. Enfim, tudo está em seu devido lugar.

●●●

Desperto após ouvir o barulho vindo do cômodo ao lado. Risadas e gritos, como se eu morasse com crianças, me fazem resmungar por acordar antes do previsto.

Me levanto, e obrigo meu corpo a se mover para o banheiro, já que não irei dormir novamente. Preciso do banho que evitei ontem, quando cheguei. Conecto meu celular ao sistema Bluetooth do banheiro, para ouvir música enquanto tomo banho. Este é definitivamente um caminho sem volta. Escolho a música, "Often, The Weeknd", e me livro do vestido e calcinha antes de entrar no box.

A escolha da música me faz sorrir, pensando que eu gosto da melodia, mesmo que não se aplique a minha vida. Apesar de cantar, dançar e até interpretar, não passa de uma boa música.

Saio do banheiro envolta em uma toalha. Pauso a música no celular sobre a mesa, no meu quarto, e caminho rumo ao guarda-roupa embutido na parede contrária à mesa. Meu único desejo era estar sozinha, para não precisar usar sequer um tecido me cobrindo.

Merda!

Visto uma camisa branca, e shorts jeans desgastado. Coloco meus pés na pantufa que costumo usar quando estou em casa, que esboça um lindo 'Stitch'. Meus pés merecem esse conforto quando enfrentam saltos agulha por horas.

Saio do quarto com minha escova em mãos, deslizando sobre meu cabelo molhado, esperando ansiosamente para saber quem está no cômodo barulhento, além da Marie, com quem divido a casa.

Quando entro na sala, vejo quem está mantendo a casa como um bordel. Apenas Marie e Daniel, seu ex-namorado. Eles estão sorrindo para a televisão, enquanto assistem um programa britânico de comédia.

Assim que me vê, Marie sorri para meu rosto espantado. À dois dias atrás, ela estava chorando pelo irremediável fim do relacionamento. Arqueio uma sobrancelha para ela, perguntando e, sem dúvidas, julgando a situação.

-"Bom dia" digo, só então Daniel percebe minha presença. Ele direciona os olhos primariamente para minhas pernas, antes de subi-los para o meu rosto.

Babaca.

-"Bom dia, princesa" Marie responde, tão carinhosa quanto pode.

-"Bom dia, Lua" ele diz.

É inacreditável que eu tenha que lidar com o cinismo do cidadão americano às dez da manhã, dentro da minha residência. Daniel foi verbalmente difamado por Marie durante as últimas 48 horas, e agora está aqui, sentado ao seu lado, enquanto ela tem as pernas sobre ele.

-"eu fiz café, se quiser" ela murmura, voltando sua atenção para o namorado, e lhe dando um beijo casual na bochecha.

-"claro. Obrigada" respondo. O melhor para minha sanidade mental é ir até a cozinha e tomar uma xícara de um doce café, ignorando minha amiga patética e indecisa.

Sou interrompida em meus passos para a cozinha quando ouço meu celular tocar dentro do quarto. Parte de mim sabe que é meu chefe, ele tem um ótimo patrocínio em mãos e está ligando para me comunicar. A outra parte prefere acreditar que meu plano não correu como eu queria, e meus sonhos estão tão longe quanto antes de serem realizados.

Corro para o quarto, deixando os pombinhos inebriados confusos com meu desespero. Atendo a chamada assim que alcanço o celular, ofegante pela rápida corrida, porém exigente para o sedentarismo.

-"Olá" digo em tom medido.

-"Lua, bom dia" Michel diz, não podendo conter o suspiro sorridente, que ouço e imagino do outro lado da linha.

Boas notícias, aqui vamos nós!

-"pronta para falar de negócios?" Ele pergunta, sem delongas, sem preâmbulos, apenas realizações.

Capítulo 2 Just a dream

Caminho ansiosamente até a sala de reuniões. Uma segunda-feira nunca me deixou tão perturbada antes. Meus passos parecem confiantes sob o salto, quando, na verdade, meu coração pulsa na garganta.

Estou indo apresentar a proposta à empresa Donovan Office, uma das maiores no ramo de investimento burocrático do país.

Não seria um sonho estar tão próxima do topo?

Não pude receber muitas informações por telefonema, à dois dias atrás, porém entendi que o Sr. Donovan tem um escritório de advocacia na Califórnia, e o mesmo irá apoiar a causa em questão. Não posso evitar a pontada de dúvida que me atinge cada vez que penso sobre o assunto. Este escritório tem tratado de assuntos estupefatos, que alcançam a aclamação da mídia, e agora ajuda crianças presidiárias? O que faz sentido?

Passo as mãos pelo tecido liso da saia antes de entrar na sala. Olho para Chloe, secretaria do Michel, em sua mesa, perguntando silenciosamente se posso entrar, se todos estão na sala, me esperando para lhes dizer o que tenho em mente.

Ela acena com a cabeça e, no mesmo instante, eu abro a porta. Um aglomerado de ternos sofisticados e rostos impacientes dominam minha visão. Chego a me perguntar se eu estaria colocando minha dignidade em risco ao sair correndo da sala, ao invés de entrar e discutir o contrato com eles.

-"Senhores, Lua Lopes" Michel me anuncia, como em um leilão. Caminho para a cadeira reservada para mim, em meio aos oito senhores entre trinta e cinquenta anos, em média. Não deixo de notar os olhares predatórios sobre mim, levando em consideração a fenda frontal da minha saia. Varro os olhos por todos na sala antes de me sentar, buscando um olhar milionário para julgar ser o Sr. Donovan.

-"Não estávamos esperando alguém tão jovem" um dos homens comenta.

Wow, uma jovem não pode ir tão longe?

-"a qualificação compensa a idade" garanto, antes de Michel dizer algo agradável aos ouvidos do comentarista. Olho para ele antes de continuar, tentando captar se passei dos limites.

-"Bem, o projeto exigiu muito esforço e dedicação da minha parte, por isso, garanto que minha idade não será um problema profissional" suavizo minhas palavras anteriores com um sorriso educado. Não preciso ter minha bunda chutada para fora da sala antes mesmo de iniciar esta conversa.

-"me parece bom" um homem, o mais jovem aparentemente, diz divertido. Gosto da forma sutil que ele sorri para mim, como se dissesse que está tudo bem com o que eu disse.

-"eu me chamo Liam, sou o agente pessoal do Sr. Donovan, e os cavalheiros atuam em diversas áreas interligadas a constituição. Estamos aqui para ouvir sobre sua capacitação, e os benefícios do seu projeto. Ouvimos coisas boas referentes à você, por isso todos acordaram cedo, vestiram seus ternos e vieram aqui. Por favor, conte-nos uma boa coisa, e torne val nosso tempo" ele emenda. Seu tom parece amigável, e seu rosto bonito também, o que me incentiva a sufocar minha insegurança e falar.

Eu trabalho por isso à mais de um ano, por que me intimidar agora?

-"Bem, esta causa não se trata de tempo gasto, ou ternos caros. Acredito que a situação se dá à humanidade, para além do egocentrismo. Os cavalheiros podem negociar muitas vezes em muitos dias, mas não por outras pessoas, se não por si" paro por um momento, olhando nos olhos de cada um dos oito homens.

-"façamos algo que revele um coração sob tecidos de capitalismo" digo.

-"Está, deliberadamente, nos chamando de egocêntricos e capitalistas em uma mesma frase?" O homem, ou melhor, o comentarista, pergunta.

Traga uma guilhotina, e ele voltará para a Idade Média!

-"Não foi a..." Michel começa, porém, eu percebo que não preciso da nuvem de fumaça que ele está tentando fazer para encobrir minhas intenções.

-"Se eu estou errada, por que sou a única californiana pensando em presidiários, e não em quantos números irão aumentar na minha conta bancária após isso?" Atiro novamente.

Homens e sua capacidade de atingir a fúria sensível em mim...

Michel aperta os papéis do contrato provisório que serão assinados hoje, possivelmente. Ele está nervoso com a hipótese do meu nervosismo estragar um passo importante para o projeto, do qual ele agarrou como seu.

-"Michel nos disse muito sobre você, mas não sobre uma língua muito precisa" Liam comenta. Não posso distinguir entre a diversão e repreensão em sua voz, mas gosto de como ele, dentro todos, parece estar cômodo com a situação.

-"um verdadeira caixa de surpresas" um dos senhores murmura encarando significativamente Liam. Busco entender quando a comunicação se tornou analógica, e menos clara.

-"Se me permite dizer, Lua tem trabalhado muito neste projeto. Toda sua destreza vem da eficiência" Michel complementa, orgulhoso em certo ponto.

-"As crianças costumam espelhar o que veem, e eu digo pois fiz o mesmo. O que acontece em suas vidas reflete toda uma história, que pode terminar em violência. A causa principal é uma geração menos traumática, e a única forma de abraçar este resultado é abrindo mão do egocentrismo" sinto a necessidade de me abrir, contar como esta situação me afeta pessoalmente. É mais do que um acordo com uma grande empresa, são vidas!

-"É bonito que alguém esteja disposto a se doar por outros" um senhor em seus cinquenta anos e cabelo parcialmente grisalho diz. Este comentário me cativou, pois eu sei que ele tem história suficiente para dizer que conhece pessoas altruístas, porém, ele está falando sobre mim! Ele escolheu a minha versão para chamar de bonita.

-"Os elogios não foram mentirosos" o mesmo senhor brinca. Faço uma nota mental para me lembrar de perguntar ao Michel o que ele disse ao meu respeito.

-"O que vi foi suficiente para garantir que é verdade, mas, você sabe, eu não tomo decisões" Liam diz. Claro, Donovan toma as decisões, seja lá quem for. Eu o imagino como um senhor com terno alinhado, cabelo embranquecido e algumas rugas, despreocupado com a idade quando se tem uma conta invejável.

-"Eu esperava uma resposta neste encontro" Michel apoia os cotovelos na mesa e se inclina para frente. Liam tem toda sua atenção agora.

-"Terá amanhã à noite, no baile beneficente da Donovan Office"- eu me atento à ele para ouvir sobre o baile, do qual eu não sabia até então- "É uma festa menos formal que acontece na Mansão Donovan, um projeto pessoal para arrecadar fundos e fazer doações destinadas à diferentes instituições. Recebe o nome de baile pois este era o evento em questão, à vinte anos atrás, com Rubens Donovan" Liam explica toda a trajetória do evento, e todos os quesitos para que as pessoas sejam convidadas. Resumidamente, apenas alguns milhões, amigos influentes e uma esposa troféu. Michel possui os caracteres pedidos.

-"Nós viemos com o objetivo de avaliar a situação, e, se fosse plausível, os convidar para o baile..." ele toma uma respiração prolongada enquanto me avalia com os olhos intrigantes, duvidando da minha capacidade de apenas ouvir.

-"e, para mim, o projeto é plausível, merece o convite. Amanhã você poderá mostrar ao Dr. Donovan o que tem em mente, e torcer para que ele goste" suas palavras são totalmente direcionadas à mim. Ele está insinuando que não posso convencer seu chefe? Porque, se ele estiver, eu certamente estou pronta para desistir.

-"Obrigada por nos convidar, significa muito que tenha gostado" Michel diz, quando percebe que eu estou em todos os lugares, exceto nesta reunião.

-"eu sou apenas o peão" Liam sorri sarcástico, fazendo apologia ao jogo de xadrez.

-"Costumamos usar estes para chegar ao rei" encontro minha voz após me perder em meus pensamentos, rebatendo seu comentário sobre o jogo.

●●●

A reunião dura apenas um par de horas. Para quem passou cinco anos em uma faculdade, apenas ouvindo informações acumuladas, é um período suportável. Uma breve pausa para o café sucedeu-se após meu comentário sobre peões em jogos de xadrez, o que abriu espaço para conversas paralelas. O acordo provisório foi assinado, e, se não houver a aprovação do "rei", será rasgado muito em breve. Suspiro com a possibilidade disto.

E se eu falhar, quando cheguei tão perto?

Afundo ainda mais no couro da poltrona atrás da minha mesa. Estar sozinha na minha sala depois de toda a pressão na sala no andar de cima me traz alívio. Eu finalmente posso pensar.

Um baile beneficente foi marcado, o que quer dizer vestido novo, maquiagem, sapatos impecáveis e cabelo alinhado. Eu preciso desesperadamente de ajuda!

Pego meu celular e busco o contato de Marie. Ela é especialista em todas as coisas femininas, que uma mulher deve ou não usar. Envio uma mensagem, marcando um encontro no shopping depois do expediente. Espero que ela esteja disponível, mesmo tento uma leve impressão de que ela está fazendo ruídos com seu namorado na nossa casa, e não estou falando de ruídos inocentes.

Me encontre no shopping às 17, se não estiver ocupada

Jogo o celular sobre a mesa, e afundo as mãos no cabelo. Em pensar que ontem eu estava em paz porque o projeto havia evoluído, e hoje estou em meio ao furacão.

Conhecer o magnata Donovan, convencer o homem ao lançar seu dinheiro em crianças desconhecidas, sorrir educadamente para homens ricos...coisa alguma nesta festa me parece agradável!

Bem, o que posso fazer? Eu me lancei do avião, e agora espero que o paraquedas funcione.

Capítulo 3 I can do that

Encaro meu reflexo no espelho portátil pela milésima vez enquanto nos aproximamos dos portões imponentes da Mansão Donovan. O carro desliza para dentro após o motorista mostrar sua credencial aos seguranças. Estou muito nervosa, apesar de gostar do que o espelho revela.

Olhos castanho esverdeado brilhando sob delineado traçado nas pálpebras e sombra prateada. O batom nude aplicado perfeitamente nos meus lábios me garante que Marie não exagerou nas cores. Minha pele clara não parece pálida com os tons escolhidos.

Realmente bom!

-"Por que está nervosa?" Pietro pergunta. Ele é um dos meus melhores amigos, e trabalha comigo, o que nos faz sermos muito próximos. Michel está com sua filha no hospital, por uma virose rígida, e não pôde me acompanhar. Quando eu soube que Pietro viria, fiquei eufórica por compartilhar este momento com ele, e preocupada por saber que ele não filtra as palavras entre seu cérebro e boca.

-"Isso é tão importante para mim...não pode dar errado" digo.

-"não vai" ele agarra minha mão sobre o banco do SUV e sorri. Queria ser convicta de todas as coisas na minha vida como ele é.

O carro para em frente às enormes portas marmorizadas da casa. Um par de fotógrafos está tirando fotos dos convidados que chegam, prontos para qualquer possível escândalo.

-"Se eu me perder nesta casa, por favor, não me procure" Pietro brinca antes de abrir sua porta e descer do carro. Imito seus movimentos e desço também. Posamos para as fotos, entramos na mansão, andamos para o aglomerado de pessoas e nos misturamos. Há mais pessoas aqui do que eu imaginei.

Bom que eu tenha comprado um vestido compatível com a situação!

-"Michel disse para ficarmos próximos ao bar, depois do discurso de abertura. Liam vai nos procurar para apresentar o anfitrião, e você sabe o restante" repito uma última vez o plano para Pietro, por cima da música alta.

-"e quando começamos a beber e dançar?" Ele arqueia uma sobrancelha desafiadora para mim. Apenas sorrio, disfarçando minha vontade de dizer que podemos realmente nos divertir. Contudo, a noite não é sobre mim, em hipótese alguma.

A casa é enorme, com poucos móveis espalhados pela sala principal. Um bar móvel está no extremo do local, com um bartender servindo as pessoas menos sofisticadas que se aventuram em whisky e vodka. Para os magnatas de vinho antigo e drinks, os garçons estão circulando com bandejas à todo momento.

Caminhamos juntos, ambos admirando a casa. Para a ocasião, foi posto um palco abaixo da escada, onde o Dj seleciona as melhores músicas, e o mestre de cerimônia se prepara para iniciar formalmente o baile.

-"Vamos para o bar agora?" Pietro questiona. Fico feliz em saber que ele está lidando com seriedade o nosso objetivo aqui.

-"claro" respondo.

Ainda estou olhando para o mestre de cerimônia quando Pietro começa a se direcionar para o bar. Eu o sigo vendo sua imagem pelo meu campo periférico de visão. Minha caminhada perde velocidade quando deixo de ver Pietro e apenas ouço o homem no palco.

-"Senhoras e senhores, sejam bem-vindos ao vigésimo primeiro baile anual..." perco as palavras do mestre quando esbarro bruscamente em um indivíduo durante meu percurso. A pessoa agarra meus braços para que eu não encontre o chão em uma queda constrangedora. Suspiro assustada com a velocidade do impacto em um corpo maior.

Que merda aconteceu?

-"me desculpe" peço. Um de nós é desastrado o suficiente para não ver o outro.

Forço meus pés à assumirem o controle, quando estão dormentes de covardia. Olho para Pietro à alguns metros de mim, e algo que não posso ignorar são seus olhos sob a pessoa me segurando. Ele está abismado com a figura, tanto que não perde um segundo piscando.

-"você deveria prestar atenção no seu caminho" Puta merda! Perco uma batida do meu coração ao ouvir a voz da pessoa que me lançou ao chão e resgatou no mesmo segundo. Um arrepio percorre a base da minha espinha ao ouvir o som estrondoso do homem.

Masculinidade definitivamente tem um toque...

Meus olhos derivam de Pietro ao homem instintivamente, e, como se fosse possível, minha respiração para. É o homem mais bonito que eu, e qualquer outra pessoa, já vi. Todo o rosto é desenhado sob perfeição, contudo, são os olhos azuis turquesa que me prendem. É como se eu pudesse ver o oceano em brisa suave em seus olhos, algo que nunca vi igual.

Para além dos olhos, seu aroma me prende. O cheiro inconfundível de perfume importado, que me faz sentir marcada com fogo. O aroma amadeirado e forte, com todos os traços escuros da sua persona, me desmancha. Está escrito perigo iminente em todos seus traços, e eu nunca quis tanto ser aventureira.

-"Talvez...talvez você seja o empecilho no meu caminho" digo. Apesar de lindo, uma característica da sua personalidade não é a educação.

Suas mãos ainda seguram meus braços, mantendo-me próxima à si. Ele pisca incredulidade antes de responder a minha audácia.

-"Eu vou me preocupar em prestar mais atenção por onde eu ando na minha casa" ele enfatiza a sua propriedade, como se dissesse "você é a única fora do lugar". Sua voz causa pane no meu sistema, e não consigo processar as informações a tempo de responder. Meus olhos deixam os seus apenas para admirar seu rosto como um todo. Cabelo preto perfeitamente desgrenhado, alguns fios em sua testa, pele clara e imaculada, lábios definidos e avermelhados.

Eu iria ao inferno por um pecado como este!

-"Está na hora de cumprir os compromissos" ouço Pietro dizer. Ele agarra meu braço, e puxa para longe do homem extremamente hipnotizante, só então sou capaz de desviar os olhos dos seus. Deus sabe como eu queria passar o restante da noite olhando para ele...para aqueles olhos.

Que merda estou pensando? O homem claramente exala autoritarismo e eu estou atraída por ele? Não...o inferno ainda não congelou!

Sinto falta do seu cheiro quando meu olfato alcança o cheiro habitual do ambiente, perdendo a sensação de calor em seus braços. Não me dou à decepção de olhar para trás e me culpar por derreter nos braços de um estranho, e apenas sigo sendo arrastada.

Chegamos ao bar e eu imediatamente sento em um dos bancos. Meu corpo não consegue se recompor, e eu não sei se é pelo susto, ou pela magnitude do homem que me salvou dele!

-"você deve ser a única pessoa no mundo vivendo entre o azar e a sorte!" Pietro atira. Eu olho confusa para ele, tentando entender o que diabos ele quer dizer.

-"Eu nunca vi um homem que me deixasse de boca aberta antes de tirar a roupa, se é que me entende" Ele suspira. Abro a boca para formular uma frase coerente, porém, não consigo...

Um estranho no meio de dezenas de pessoas me deixou inquieta comigo mesma, e não consigo controlar minhas próprias reações!

Merda...

Vejo Liam se aproximando, e fecho os olhos por um segundo para lhe receber. Por mais que não confie nas minhas pernas, me levanto. Profissionalismo em primeiro lugar! Eu não estou aqui em busca de romance.

Pelo menos não estava.

Pietro também o vê, e toma uma posição ereta, assim como a minha. Olho para o meu vestido preto, sem detalhes, de apenas uma manga e decote generoso. Parece digno de uma boa impressão.

-"Boa noite" ele saúda ao nos alcançar.

-"Olá" sorrio sutilmente. Encontrei um resquício de voz, afinal.

-"Olá, eu sou Pietro Vargas. Estou substituindo o Sr. Gandhi, por um imprevisto" Pietro explica. Seu sotaque espanhol não passa despercebido por Liam, que inclina a cabeça ao ouvi-lo.

-"Não é um problema" Liam responde ao estender a mão para um cumprimento.

-"eu acho que é hora de conhecer o rei" Ele brinca com a palavra que disse ontem, na reunião. Eu sorrio como resposta.

Depois do encontro incendiário que eu tive, nada como negócios para me colocar focada novamente. Estou aqui com um objetivo, e com um olhar, um desconhecido pôde me fazer esquecer absolutamente tudo!

-"certo" afirmo.

-"vamos" Liam abre caminho adentro das pessoas, e nós o seguimos. Minhas pernas parecem ter encontrado o caminho para a sanidade, e tudo corre como antes, muito bem.

Eu posso fazer isso!

Liam para seus passos, e eu presumo que estejamos próximos ao Sr. Donovan. Coloco uma mecha de cabelo atrás da orelha, e preparo meu melhor sorriso para o senhor.

-"David" Ele chama. O homem à sua frente, alguns centímetros mais alto que Liam, se vira.

Meu coração cai em queda livre ao ver que, para minha perdição, o "rei" é exatamente o homem que me segurou. Engulo em seco com a visão do seu físico inteiro, e não somente os olhos. Os ombros largos introduzem braços fortes, que podem ser visto sob o terno preto, e não me atrevo a descer meus olhos para além dos braços.

O aroma que senti antes, e que jamais poderia esquecer em pouco tempo, me preenche novamente. Eu não posso, de forma alguma, mostrar que estou afetada por ele.

Não sendo quem ele é!

-"Sr. Donovan" cumprimento. Seus olhos caem nos meus, de uma forma impassível, livre de qualquer emoção. Obviamente, a eletricidade que sinto quando ele me olha é unilateral. Tomo uma respiração suave, para não parecer inquieta, e alinho minha postura como a sua, extremamente centrada.

-"Esta é Lua Lopes, a responsável pela proposta que você leu" Liam introduz. A forma como ele coloca as palavras me faz ter certeza de que eles mantêm uma relação pessoal.

-"Então...Lopes, é um prazer vê-la novamente" Ele diz. Por que, Deus, eu tenho que ser fraca para a voz dele? Estou colocando tudo em risco por um par de olhos bonitos? Desde quando esse tipo de coisa me deixa fora do eixo?

-"novamente?" Liam franze a testa.

-"Nós nos esbarramos" David murmura.

-"Bem, este é Pietro Vargas, no lugar de Michel" Liam explica brevemente. David acena com a cabeça para Pietro, mas seus olhos estão em mim, presos no meu rosto.

O que ele está pensando? Muitas perguntas me atingem enquanto devolvo o olhar para ele. Pisco vagarosamente, me livrando das emoções que me dominaram na primeira vez que o vi. Estou no controle novamente...

Eu consigo fazer isso!

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