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Minha cura

Minha cura

Autor:: renata medeirosM
Gênero: Romance
Um médico.... Uma paciente.... Seducao... Paixão.... E erotismo.

Capítulo 1 A paciente

Entro no hospital para mais um plantão.

- Boa noite, Fátima!

Nossa doce recepcionista sorri ao me ver.

- Boa noite, Dr. Aguiar!

Sigo pelo corredor até o vestiário dos médicos.

Entro e vou para o meu armário.

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Abro e coloco minha mochila dentro. Abro o zíper

dela e deixo aberta, enquanto retiro minha camisa.

Puxo a camiseta branca e meu jaleco de dentro da

mala e guardo a que estava.

Antes de colocar a roupa sigo para a pia e lavo o

rosto.

- Enzo...

Vejo Maurício entrar com uma cara cansada.

- Plantão difícil?

- Muito.

Ele é oncologista pediatra. O hospital onde

trabalhamos possui uma ala própria para pacientes

com câncer.

Sou oncologista também, mas cuido dos adultos.

- Ainda não aceito o fato de uma criança pura e

cheia de vida ficar assim por causa de uma doença

tão cruel.

Senta no banco e começa a tirar as roupas.

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- Existem pessoas que não merecem passar por

tanto sofrimento Maurício, mas passam.

Seco meu rosto e sigo até ele, me sentando ao seu

lado.

- Minha mãe sempre me disse: Não questione a

vontade de Deus. Ele sabe o porque.

Bato em seu ombro e me levanto.

- Pensando nisso que parei de questionar porque

certas pessoas sofrem.

Colocando minha camisa e meu jaleco, fecho a

porta do meu armário.

- Vou para o meu plantão.

- Depois passa para ver minhas crianças, por favor.

- Não tem pediatra na sua ala hoje?

- Tem...

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Revira os olhos.

- Mas não gosto da forma como Gilberto trata meus

pequenos.

- Pode deixar que passo por lá.

Sigo para fora do banheiro e ando até o balcão

central.

- Dr. Aguiar!

Cássia a médica responsável pela Oncologia se

aproxima.

- Sra. Lins.

Sorri e encosta-se no balcão, me olhando.

- Assumindo o plantão agora?

- Sim.

Respondo observando os prontuários. Sinto-a se

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aproximar e me mantenho indiferente.

Ela vem investindo pesado para sairmos e venho

arduamente ignorando.

Cássia é esposa do dono do hospital e a última

coisa que quero é encrenca e dor de cabeça.

- O que acha de um café da manhã no fim do seu

plantão?

Agarro meus prontuários e encaro seu rosto.

- Não acho que seu marido gostaria de me ver com

a doutora.

Pego uma caneta e abro um sorriso.

- Com licença, Dra. Lins!

***********

Entro no corredor da ala adulta. Jéssica me olha e já

sorri.

Ela é a enfermeira que me acompanha em meu

turno.

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- Boa noite, Dr. Aguiar!

- Boa noite, Jéssica!

Andamos lado a lado pelo corredor.

- Como estão as coisas aqui?

- O Sr. Benjamin continua o mesmo.

Começo a rir da cara dela.

O Sr. Benjamin esta em fase terminal de um câncer

no pulmão.

Mesmo sem conseguir respirar e quase sem forças,

tenta seduzir Jéssica.

- Qual foi a graça do dia?

Ela começa a rir.

- Acredita que ergui a mão dele para ver o acesso e

ele empurrou a mão para o meu seio!?

Minha risada sai alta e tento me controlar.

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- Ele disse que a mão pesou e precisava se apoiar.

- Mas e se ele realmente não aguentou a mão?

- Dr. Aguiar, se ele tivesse apenas apoiado eu

acreditaria, mas o safado apertou. Deu um aperto

forte.

Paro em frente a porta dele.

- Preparada para ver seu namorado?

- Para! Isso não tem graça.

Diz me dando um tapa no ombro.

Abro a porta do quarto e entro. O Sr. Benjamin

assim que vê Jéssica sorri.

- Boa noite, Sr. Benjamin!

Me olha e da uma piscada.

- Esta tudo bem?

Responde que sim com a cabeça.

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- Soube que o senhor esta dando trabalho para a

nossa enfermeira.

- Ela é difícil...

Sussurra com a máscara no rosto e começo a rir.

- Continua tentando, que uma hora ela cai nos seus

encantos.

- Dr. Aguiar...

Jéssica diz rindo, levando as mãos na cintura.

- Gosto da forma determinada do nosso amigo. Só

acho que deveria dar uma chance a ele.

O Sr. Benjamin sorri e sei que ela nunca se

envolveria com ele por dois motivos.

Ele é nosso paciente e tem 82 anos, o triplo da

idade dela.

- Qualquer coisa o senhor aperta o botão.

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- Certo!

Sua voz é fraca e saímos de seu quarto.

Percorro alguns leitos já conhecidos, apenas para

saber como estão e oficialmente iniciar meu turno.

- Parece que temos um paciente novo.

Vejo o prontuário de Larissa Martins. Ela é nova,

tem apenas 27 anos.

- Larissa deu entrada hoje. Leucemia descoberta

essa semana, mas não vai permanecer internada

para tratamento ainda.

Jéssica diz com os olhos tristes.

- Um mês antes de seu casamento.

Sinto um aperto no peito.

- Desmarcou?

- Sim. Ela disse que não quer se casar doente. Quer

se recuperar e casar bem. Não pretende ser um peso

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para o futuro marido.

Analiso alguns exames dela.

- Os exames estão incompletos.

- Sim. A Dra. Lins já pediu para fazer os outros e

estamos aguardando os resultados.

Seguimos pelo corredor para o quarto dela. Na

porta do quarto, vejo uma senhora e um homem da

minha idade discutindo. Provavelmente a mãe e o

noivo da paciente.

- Não vou conseguir ficar ao lado dela assim.

Ele quase grita e a mulher chora ainda mais.

- Larissa precisa de todo o apoio possível nessa

hora difícil. Você não pode abandoná-la.

O homem está nervoso e ela triste.

- Não posso perder minha vida ao lado da Larissa.

Sabe Deus quanto tempo ela vai ficar se tratando e

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se vai sobreviver.

A raiva cresce em meu peito. Minha vontade é de

expulsar esse idiota a chutes pra fora desse hospital.

Os dois percebem minha aproximação e de Jéssica

e param de falar.

- Boa noite!

Digo parando na frente do idiota.

- Boa noite!

- Sou o Dr. Aguiar, médico responsável por esse

turno.

A senhora se aproxima.

- Alguma novidade dos exames de Larissa?

- Ainda não. Estou aguardando o retorno deles.

Ela abaixa a cabeça chorando.

- Preciso ir.

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O idiota passa por mim e vai se afastando.

- José...

A mulher chama, mas ele ignora.

- Sinto muito. Esta sendo difícil para todos a

situação de Larissa.

Seguro sua mão com carinho.

- Se ele não quer ficar não obrigue. Sua filha não

merece pena de ninguém. Ela não escolheu ficar

doente e se ele não a aceita assim é porque não a

merece.

- Obrigada!

Sorri e suspira.

- Sou Deise Martins, mãe de Larissa.

- Vamos entrar e ver sua filha?

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- Claro.

Entramos e o quarto está escuro. Andamos até a

maca e vejo uma jovem linda, deitada e dormindo.

Sua pele é muito branca e seu nariz perfeito. Seus

lábios são carnudos e bem rosados.

Ela possui longos cabelos escuros. Me aproximo

mais e conforme a pouca claridade ilumina seu

rosto, vejo pequenas sardas que a deixam ainda

mais encantadora.

- Srta. Martins...

A chamo e ela suspira. Com dificuldade vai abrindo

os olhos.

Então lindos olhos azuis me encaram. Fico perdido

no azul puro e calmo de seus olhos.

Acho que nunca vi um azul tão lindo assim. Ela

parece um Anjo.

Pisca algumas vezes, tentando me olhar.

- Oi!

Sua voz é calma e doce.

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- Oi!

Um sorriso surge em seus lábios e me pego

sorrindo também.

- Sabe meu nome, mas ainda não sei o seu.

- Enzo... Enzo Aguiar seu médico

Capítulo 2 Aproximação

ALGUNS DIAS ANTES

Meu despertador começa a tocar e desligo, já me

levantando e me esticando toda.

Hoje tenho uma sessão de fotos de um bebê e

preciso chegar cedo ao parque para ver se arranjo

um local calmo e tranquilo. Lavo meu rosto e me

sinto extremamente cansada. Meu corpo está

dolorido e percebo que faz tempo que estou nesse

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cansaço excessivo. Coloco minha roupa e percebo

alguns hematomas na perna e barriga. Não me

lembro de ter batido em nenhum lugar.

Coloco minhas sapatilhas e amarro meu cabelo.

Observo-me no espelho.

estou abatida e com cara de doente. Isso não é bom.

Meu casamento será em 2 meses e meio e não

posso adoecer agora.

Respiro fundo e sigo para a cozinha, tomar meu

café da manhã.

Assim que entro na cozinha, vejo minha mãe

sentada tomando seu café como sempre.

Me aproximo com cuidado e abraço ela, dando um

beijo em seu rosto.

- Bom dia, mãe!

- Bom dia, Larissa!

Sorri e me olha.

- Você anda abatida.

- Eu sei.

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- Você esteve doente muitas vezes em pouco

tempo.

A encaro rindo.

- Foram gripes.

- Você trabalha demais. Acho bom fazer uma

bateria de exames antes do casamento.

- Estou bem!

Sento-me e começo a me servir.

- Temos essa semana para à prova final do seu

vestido.

- Sim...

Digo empolgada.

Estou empolgada e muito feliz com meu casamento

com José.

Estamos juntos há três anos e acho que seremos

muito felizes.

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Abrimos o Studio de fotografia juntos e estamos

planejando fazer um curso em Londres ano que

vem. Ficaremos seis meses por lá.

- José já verificou fotógrafo para o casamento?

Começo a rir e sei que ela vai odiar a minha ideia.

- Nós vamos nos fotografar.

Ergue uma sobrancelha me olhando.

- Isso não vai dar certo. E durante a cerimônia?

- Self ?!?!?!?

Ela começa a rir.

- Não vou discutir. O casamento é de vocês.

- O papai já disse quando chega?

Posso vê-la ficar triste. Meus pais se separaram

quando eu tinha doze anos, mas ainda é nítido que

se amam.

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Apenas não aceitam as diferenças. Só espero não

ser assim com José.

- Ele vai tirar férias e chegará daqui trinta dias.

- Certo!

Me levanto e beijo sua testa.

- Só vai comer isso?

- Estou sem fome.

- Por isso fica doente tantas vezes.

Pego minha mochila e minha mala com os meus

equipamentos.

Fujo do sermão dela e corro para fora de casa.

Coloco minhas coisas no baú da moto e coloco meu

capacete.

Subo na moto e assim que a ligo, escuto seu ronco.

Amo a liberdade sobre duas rodas e como o vento

batendo em meu corpo me deixa eufórica. Sigo

para o parque, percorrendo sem problema as ruas

de Campinas.

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Assim que chego, observo o local tentando achar

algum espaço bonito e calmo.

Lucas tem apenas um ano e será seu primeiro

ensaio.

Acho em um canto uma árvore perfeita e ao lado

algumas flores encantadoras.

Arrumo meu material e coloco as coisas que vou

precisar no chão sobre uma toalha.

Arrumo minha lente e vejo os pais chegarem com

meu pequeno Lucas. Ele está tão lindo e sorridente.

- Bom dia, Larissa!

- Bom dia, Suzana e Nuno.

Me aproximo do meu pequeno modelo.

- Bom dia meu pequeno.

Ele sorri com a mão na boca.

Pego ele no colo e sigo para o cantinho que arrumei

para a sessão.

O coloco no chão e entrego alguns brinquedos.

- Quero esse lindo sorriso para mim, em Lucas.

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Faça a titia Larissa feliz.

Me afasto e começo tirar fotos.

Após duas horas em um momento fofura extremo,

Lucas começa a chorar e sei que está cansado,

assim como eu.

- Acho que o material que tenho já está bom.

Digo aos pais olhando algumas fotos na máquina.

- Quanto tempo até tudo ficar pronto?

Suzana pergunta abraçando o filho.

- Duas semanas o material estará em suas mãos.

- Maravilha!

Eles vão embora e começo a recolher minhas

coisas. Quando coloco minha mala nas costas, tudo

começa a rodar e não vejo mais nada.

*************

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Escuto um choro angustiante e abro meus olhos

assustada.

Estou deitada e sinto uma dor em meu braço.

Observo em volta e vejo que estou em um quarto

de hospital e tem um acesso em meu braço.

- Larissa...

Minha mãe sai do canto do quarto vindo em minha

direção.

Posso ver em seu rosto que estava chorando.

- O que aconteceu?

- Você desmaiou.

Passa a mão em meu rosto.

- Por que esta chorando?

Começa a chorar ainda mais e a porta se abre. Um

médico de idade avançada entra.

- Olá, Larissa!

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- Olá!

- Sou o Dr. Ferreira.

Se aproxima e me olha com dó. Não gosto quando

me olham assim. A última pessoa que me olhou

assim foi meu pai, avisando que estava se

separando da minha mãe.

- Me diz logo o que tenho.

Minha mãe pega a minha mão e aperta firme.

- Os exames apontaram leucemia.

Encaro seu rosto ainda sem saber se ouvi direito.

- Não pode ser.

- Os exames são 100% seguros.

Fecho meus olhos sentindo meu peito doer. Minhas

lágrimas começam a cair pelo meu rosto e minha

mãe as limpa com carinho. Não posso estar com

leucemia. Vou me casar em pouco tempo e não

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posso estar doente.

- Os exames que fizemos não apontam o tipo de

leucemia e nem como esta o seu quadro clínico.

Abro meus olhos encarando o médico.

- Não sabe então me dizer quanto tempo tenho de

vida?

- Não fala assim filha.

Respiro fundo tentando controlar o choro.

- Quando faço os exames?

- Vou encaminhar vocês para o hospital de São

Paulo. Eles possuem uma Ala própria para esse tipo

de doença.

- Vou precisar de transplante de medula?

- Larissa tudo vai depender dos seus exames e do

diagnóstico. Seu médico avaliará seus exames e

seguirá para o melhor tratamento.

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A porta se abre e vejo José. Ele vem em minha

direção e seus olhos preocupados acabam comigo.

Como vou dizer a ele que tenho uma doença

extremamente dolorosa e que posso não

sobreviver?

- Como você esta?

Segura meu rosto me olhando.

- Vou ficar bem.

Sussurro sentindo meu peito apertado. Minha mãe

suspira e vem na direção dele.

- Vamos conversar lá fora.

Pega o braço dele e o puxa para fora. O médico

tenta explicar como fará meu encaminhamento para

o hospital de São Paulo. Não consigo ouvir nada.

Só penso em como será meus dias e como vou

fazer meu tratamento durante o casamento. Vou

perder meu cabelo se for fazer quimioterapia e

minha vida vai acabar.

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Fecho meus olhos angustiada com meu futuro. O

médico vendo meu sofrimento, diz que conversará

com a minha mãe e se retira.

Alguns segundos depois, escuto passos e

permaneço de olhos fechados.

O toque em minha mão já me diz que é José. Abro

meus olhos e o vejo perdido.

- Como vamos fazer?

Pergunta com a voz baixa, assustado.

- Suspende o casamento.

- Tem certeza?

Confirmo com a cabeça.

- Não quero me casar doente. Não quero carregar

esse peso para a nossa vida de casados.

Suspira e imagino que esteja aliviado. Sinto um

aperto em meu coração.

Não era essa a reação que esperava dele, mas

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ignoro a sensação de alivio que sentiu.

" O que você queria Larissa? Que ele te abraçasse e

dissesse que não importa a doença, que ainda vai te

amar e querer se casar. "

Ignoro minha irritação e permaneço em silêncio.

- Vou para o Studio terminar algumas coisas.

- Certo!

Ele beija minha testa e sai me deixando na sensação

de abandono.

*******************

TEMPO ATUAL

O cansaço aumentou e José se afastou. liga para

perguntar como estou e diz que está na correria no

Studio.

Encaro a janela do meu quarto, sentada em minha

cama.

- Você precisa ser forte.

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Minha mãe diz entrando em meu quarto. Vejo

minha mala em sua mão.

- José vai nos levar para São Paulo.

- Ele resolveu aparecer?

Ela respira fundo e se aproxima.

- Não esta sendo fácil para ele, Larissa.

Minha mãe sempre foi defensora de José. Até em

nossas brigas ela o defendia.

Não quero brigar. Na verdade minha vontade era de

permanecer aqui sentada, esperando tudo isso

acabar.

Sem querer discutir, me levanto, sigo para fora do

meu quarto e minha mãe me segue.

Saio de casa e vejo José esperando fora do carro.

Me abraça e beija minha testa.

- Vai dar tudo certo.

Sussurra e sem dizer nada, entro no carro.

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****************

A viagem foi cansativa e meu corpo todo dói.

Dormi uma boa parte da viagem, mas ainda tenho

sono.

Chegando ao hospital, somos recebidos pela Dra.

Lins. Uma médica loira, um pouco alta e bem

conservada. Deve ter entre 45 a 50 anos. Ela faz a

minha internação para os exames e diz que

dependendo da resposta deles, vai analisar se a

internação será definitiva para tratamento aqui ou

encaminhado a outro hospital.

Sou encaminhada para um quarto e durante o

caminho, vejo crianças e adultos em estágios

avançados de câncer sofrendo. Meu coração aperta

e me imagino aqui como eles, lutando para

sobreviver.

Entro em meu quarto e em segundos enfermeiros

entram fazendo os exames complementares de

sangue.

- Larissa vamos te encaminhar para o exame da

medula óssea.

Sem questionar, apenas sigo as orientações e

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aguardo os procedimentos.

*******************

Estou deitada e esgotada. Meu corpo todo está

doendo e não consigo ficar com os olhos abertos.

- Vamos deixar você descansar.

Minha mãe diz, beijando minha testa. Abro um

olho e vejo José me encarando.

- Volta pra Campinas. Alguém precisa cuidar do

Studio.

Ele suspira e se aproxima.

- Não vai precisar de mim?

- Não. Entregue o material do Lucas que esta na

minha casa pronto.

Talvez o pequeno Lucas tenha sido meu último

trabalho.

José quer desesperadamente fugir daqui, posso ver

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em seus olhos.

Beija minha testa e sai com a minha mãe. Posso

ouvir os dois conversando e cada palavra dita por

ele, quebra meu coração em pedaços. Já não

aguentando mais a dor do corpo e a dor do coração,

me entrego ao cansaço e tento dormir. Sinto alguém

me observando.

- Srta. Martins.

Uma voz grossa ecoa em meu ouvido e imagino ser

mais um médico.

Minha vida será assim agora. Médicos e

enfermeiras para todo lado.

Tento abrir os olhos, mas a claridade não me deixa

mantê-los aberto.

Assim que abro ele todo, vejo um jovem médico.

Jovem demais para ser tão importante neste

hospital.

Ele tem cabelos negros, pele branquinha e lindos

olhos verdes. Um belo homem. Alto e de porte

atlético.

- Oi!

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Digo o encarando.

- Oi!

Esta me olhando de um jeito diferente. Não com

dó. Parece admiração e carinho.

Me pego sorrindo como uma boba por não sentir

pena em seus olhos. Isso me deixa feliz.

- Sabe meu nome, mas ainda não sei o seu.

- Enzo... Enzo Aguiar seu médico.

Capítulo 3 Seus olhos azuis

NARRAÇÃO ENZO

A jovem Larissa tenta se levantar e me posiciono

ao seu lado, pegando seu braço e ajudando.

Sua pele esta fria, mas ainda sim sinto um calor em

meus dedos quando a toco.

- Você esta bem fria.

- Estou cansada. Aliás, vivo cansada.

Resmunga me parecendo sem vontade, desanimada.

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- Você está se hidratando?

Seus olhos azuis me encaram.

- Água é a única coisa que meu corpo tolera no

momento.

Sua voz é rouca. Seus lábios estão levemente

abertos e vejo pequenas rachaduras.

Me aproximo e toco seus lábios. Ela fecha os olhos

apreciando meu toque e isso automaticamente

mexe em um certo lugar do meu corpo, que não

deveria se manifestar agora.

Sua boca é macia, apesar de ressecada e deve ser

maravilhosa para beijar.

Respiro fundo e retiro meu dedo.

- Sua boca esta seca. Ainda não esta bebendo água

suficiente.

- Vou beber mais água então.

Sorri de forma agradável.

- Seus exames ainda não chegaram, então ainda não

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pude avaliar sua real condição.

Uma batida na porta nos interrompe. Fátima da

recepção surge sorrindo.

- Sra. Martins.

A mãe de Larissa se afasta até a porta. As duas

conversam e não parece nada bom.

- Larissa, vou sair um pouquinho e já volto.

- Certo!

Jéssica me olha e sorri.

- Preciso levar essas pastas até o balcão da

enfermagem.

- Vou ficar mais um pouco. Acho que a Srta.

Martins tem algumas dúvidas.

Larissa sorri me olhando. Jéssica sai, nos deixando

a sós.

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- Como consegue?

Encaro-a sem entender a pergunta.

- Desde que soube da minha doença todos me

olham com pena. Como consegue me olhar e não

ter o mesmo olhar que os outros?

Me sento na beira da cama, mantendo meus olhos

nela.

- Por que eu teria pena de você?

- Porque provavelmente vou morrer.

Suspiro e em um ato um pouco íntimo seguro sua

mão.

- Quem disse?

- Seja sincero, Dr. Aguiar! Quais as minhas

chances de cura?

- Comigo sendo seu médico é de 100%.

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Ela ri e gosto do som da sua risada.

- Um médico convencido.

- Um pouco.

Pisco para ela e me levanto.

- Acho que somente pessoas fortes são escolhidas

por Deus para suportar uma doença assim.

Ela me observa atenta e gosto disso.

- Como posso sentir pena de pessoas guerreiras que

suportam tanto? Como posso sentir pena de

guerreiros que mesmo no fim da batalha, quase

perdendo, sorriem para mim agradecendo por tudo?

Seus olhos brilham.

- Não me vejo forte assim. Talvez Deus tenha me

dado essa doença não por ser forte, mas por ser

fraca e querer me levar logo.

- Larissa, você não pode pensar assim. Se começar

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com esse tipo de pensamento, seu tratamento não

vai adiantar.

Suspiro vendo a mulher frágil a minha frente.

- O seu tratamento é uma união da sua força, da sua

vontade de vencer e dos medicamentos.

- Não sei se vou querer tratamento. Estou pensando

seriamente em desistir de tudo, voltar para casa e

deixar tudo acabar.

Não acredito no que ela acabou de dizer. Olho a

cadeira de rodas no canto da sala. Ela fez alguns

procedimentos que deixaram seu corpo cansado,

mas preciso mostrar a ela um lugar.

- Consegue sair da cama um pouco?

Me olha e suspira.

- Meu corpo dói.

Ando até a cadeira de rodas e a empurro até perto

de Larissa. Me aproximo dela e respiro fundo.

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- Posso te pegar no colo?

Ela esta sorrindo.

- O que vai fazer?

- Te mostrar um mundo além do que esta vendo.

Ela ergue os braços.

- Pode.

Envolvo meus braços em torno dela, que me abraça

no pescoço.

Meu nariz se enfia em seu cabelo e sinto seu doce

cheiro.

Fecho meus olhos tentando acalmar meu corpo.

Levanto-a da cama e coloco na cadeira.

Ela se acomoda e pego um lençol cobrindo suas

pernas.

- Pronta?

- Sim...

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Empurro sua cadeira para fora do quarto.

Ando com ela pelo corredor e Jéssica me olha

assustada.

- Aonde vai?

- Dar uma volta.

Ela sabe para onde vou. Sempre passo lá depois das

visitas nos quartos.

Pego o elevador e subo dois andares. Larissa me

olha pelo canto dos olhos.

- Costuma sequestrar suas pacientes?

- Só as com tendências suicidas.

Ela ri e me pego rindo também.

As portas do elevador se abrem e ela sorri.

- É a ala infantil.

A parede toda tem desenhos de bichos.

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- Sim...

- O que pretende me trazendo aqui?

Empurro sua cadeira até o salão principal.

- É a hora do jantar. E hoje é quarta-feira.

Assim que entramos no salão ela abre um enorme

sorriso.

As crianças estão rindo e sentadas em uma enorme

toalha no chão.

- Tio Enzo!

Melissa diz correndo em minha direção. Abaixo e a

pego no colo.

- Vim ver vocês e saber se estão se comportando.

Ela olha para Larissa e depois para mim.

- É sua namorada?

- Não...

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Respondo rindo e a desço do meu colo.

Melissa tem seis anos e foi diagnosticada com

tumor no cérebro.

Perdeu seu cabelo durante as quimioterapias e usa

tiara de princesa.

- Você é muito bonita. Seus olhos são incríveis.

Diz se aproximando de Larissa.

- Obrigada! Você também é muito bonita.

Larissa observa os acesos no bracinho da pequena e

seus olhos se enchem de lágrimas.

- Você também está doente, né?

- Sim...

Larissa sussurra com a voz embargada. Melissa

pula em seu colo, na cadeira de rodas.

- Não tenha medo. Vai passar e você vai sorrir

muito depois de tudo isso.

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- Jura?

Melissa abre um enorme sorriso.

- Tem dias que você vai ficar muito triste e vai

sentir muita dor.

A pequena toca o rosto delicadamente da minha

paciente negativa.

- Quando isso acontecer vem me ver. Prometo te

fazer sorrir.

Larissa beija a cabeça de Melissa.

- Posso mesmo correr para você?

- Sim. Seremos melhores amigas para sempre.

Tenta sair do colo de Larissa, mas é agarrada.

- Fica mais um pouquinho comigo.

Larissa pede e abraça Melissa.

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- Acho que consigo empurrar as duas.

Empurro a cadeira para perto da toalha.

- Você quer comer alguma coisa?

Srta. Martins observa tudo.

- Estou sem fome.

- Come meu bolo. Ele está tão gostoso.

Melissa pula da cadeira e segue para uma forma

cheia de bolo de chocolate.

- Um pedaço pequeno.

Pede e a pequena pega o menor, voltando com

cuidado e entregando o bolo.

Larissa começa a comer em pequenos pedaços.

Ando em volta das crianças vendo se estão bem.

Aparentemente Gilberto não cagou em tudo, fez o

dia ser legal.

Normalmente ele evita esses dias. Me aproximo da

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enfermeira.

- Onde está Gilberto?

- Não veio hoje. Paula esta de plantão em seu lugar.

- Está explicado o dia feliz deles.

A enfermeira não aguenta e ri.

Vejo Melissa agarrada ao cabelo de Larissa. Ela

tenta trançar e as duas estão rindo.

A maioria das crianças aqui estão em tratamento

pesado.

Algumas aguardam transplante e outras estão

sofrendo na quimioterapia, mas o incrível é que

ainda estão sorrindo como crianças felizes. Larissa

me olha e sorri. Ela é linda. Acho que a mulher

mais linda que já vi. Sei que vai passar por

momentos difíceis, vai pensar em desistir diversas

vezes, mas...

Meu coração aperta. Ela merece ser feliz. Merece

um homem ao seu lado que a ame independente

disso tudo.

Aquele merda não merece essa linda garota. Ela

merece mais. Merece alguém que a trate bem.

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Que esteja ao seu lado em todos os momentos. Que

a faça pensar em um futuro lindo.

Casar, filhos e um amor para a vida toda. Por um

momento me imagino ao seu lado nisso tudo.

Aguiar isso é errado e nunca vai acontecer. Respiro

fundo e volto para perto das menina.

Beijo a cabeça de Melissa.

- Preciso levar Larissa de volta.

Melissa beija o rosto da Srta. Martins.

- Boa noite, amiga! Durma bem.

Larissa a puxa para seus braços e a aperta.

- Boa noite, Melissa!

Sigo com ela para fora da ala infantil. Entramos no

elevador e seu silêncio é preocupante.

Voltamos para o seu quarto e com cuidado pego-a

no colo.

Quando seus braços envolvem meu pescoço ela

começa a chorar.

Seu choro é angustiante e cheio de dor. Não

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consigo soltá-la.

Me sento na cama com ela, que se encolhe toda em

meu colo.

Aliso suas costas sem saber o que fazer.

- É tão injusto essas crianças passarem por isso.

Sussurra em meu peito.

- Já disse... Somente pessoas fortes passam por isso

tudo.

Seus olhos azuis se erguem e me olham perdidos.

- Não vou ter forças para tudo isso.

Minha mão toca seu rosto molhado pelas lágrimas.

- Vai sim. Vou estar aqui ao seu lado sempre.

Vamos passar por isso juntos.

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