Sophia Rodrigues.
10:00 ― São Paulo. ― Brasil.
Acabo de chegar em São Paulo onde eu irei me tornar uma modelo plus size, esse sempre foi o meu maior sonho. Desde pequena eu lutei por isso, trabalhei e estudei treze anos para conseguir realizar esse meu desejo. ― Eu sai do estado de Pernambuco em Recife para vim para cá, onde eu vou conseguir realizar esse meu sonho.
Assim que peguei o táxi dou o endereço da empresa para o mesmo, achei estranho o modo que ele me olhou, mas resolvi ignorar por está muito feliz. Eu sempre pensei que seria impossível para mim conseguir isso, mesmo que seja uma empresa para modelos gordinha, eu sou uma mulher negra e peso cem quilos e não tenho uma boa autoestima. ― Mas creio que nesse lugar eu vou conseguir me aceitar.
Ele me deixa no lugar e observo vendo que é um prédio abandonado.
― Será que eu errei o endereço? ― Questiono para mim mesma.
Andei até o prédio com as minhas malas para ver melhor o lugar, solto um suspiro triste ao pensar que eu fui enganada.
― Sophia Rodrigues? ― Tomei um susto e me virei encontrando um homem cheio de tatuagens pelo corpo.
― S-Sim? ― Respondi nervosa e com medo, porque querendo ou não, eu não conheço muito São Paulo.
O mesmo me olhou de cima a baixo e fez uma careta.
― É, você pode servir para algo. ― Falou de um jeito como se estivesse com nojo.
― Como? ― Perguntei muito assustada.
Ele faz um sinal com a mão e fico sem entender, assim que penso em correr dois homens muito grandes apareceu na minha frente, comecei a me debater enquanto os dois seguram meus braços.
― Me soltem!!! Socorro!!! ― Gritei tentando me soltar.
― Calem a boca dessa garota!!
Um pano é colocado em minha boca e sinto o cheiro clorofórmio, isso fez eu ficar tonta e não ver mais nada.
Vincenzo Santoro.
20:25 ― Casa do Santoro. ― Escritório ― Itália.
― Capo, as drogas já foram entregues ao Irlandeses. ― Enrico falou ao entrar em meu escritório.
― Algum problema? ― Questionei e o mesmo negou com a cabeça. ― Pode ir.
― Si Capo. ― Ele saí me deixando mais uma vez sozinho.
Meu nome é Vincenzo Santoro, sou capo da máfia italiana mais conhecido com Il diavolo no nosso mundo. Sou um homem de quarenta e cinco anos e dono de várias empresas de tecnologia, casas de prostituições em todos os lugares do mundo, assim como cassinos. Não sou um homem de brincadeira e muito menos de me entregar alguém, tenho várias mulheres esquentando a minha cama e não preciso de uma esposa e nem filhos.
A porta foi aberta mais uma vez, só que dessa foi pelo meu irmão mais novo Matteo.
― O que faz aqui? ― Perguntei sem ao menos encara-lo.
― Soube que os caras do mercado negro trouxe várias mulheres ontem. ― Terminei de assinar mais alguns papéis e encaro ele.
― E o que eu tenho haver com isso? ― Questionei.
― Qual é Vincenzo, podemos se divertir com algumas delas, soube também que eles trouxeram uma mulher gorda e ainda por cima negra. ― Ele começa a rir. ― Estou louco para ver isso.
Cruzei as pernas e o encaro.
― Se está afim de sexo, tenho certeza que a Sara concordaria em deitar com você. ― Ele bufou.
― Essa puta é louca por você, fratello(irmão). E alias, você não tem mesmo que ir nesse mercado negro para cobra-los o que eles lhe devem? ― Solto um suspiro.
Infelizmente ele tem razão.
― Certo, nem estou afim de sair, mais como tem gente incompetente demais nessa porra, tenho que ir. ― Ele riu.
― Você precisa de uma foda. ― Peguei o meu paletó em cima da cadeira e visto.
― Já transei ontem.
Peguei a minha arma da gaveta e coloco na cintura.
― Vamos.
Saímos do meu escritório e desço as escadas e vejo que as empregadas já tinham ido embora.
― Quando você vai casar, fratello? ― O encaro sério.
― Se você falar sobre esse assunto mais uma vez, Matteo. Eu te mato. ― O mesmo engole seco e acenou com a cabeça.
Eu não me importo de mata-lo, mesmo sendo o meu irmão, matei meus pais, e porque não mataria ele?
― Capo? ― Os meus segurança pessoais se aproximam, os dois são gêmeos.
― Estamos indo para o mercado negro no centro. ― Eles acenam.
Entramos no carro e meu irmão ficou ao meu lado sem dizer mais nenhuma palavra, meu celular começou a tocar no bolso do meu paletó e peguei vendo que é a Sara. Ignoro suas ligações e volto a prestar atenção na estrada.
****
Desço do carro e observo o local vendo que tinha muitos carros no local.
― Parece que todos querem ver as novas mulheres. ― Meu irmão falou muito eufórico ao meu lado.
Resolvo dizer nada e sigo para dentro, com os três atrás de mim. Os seguranças do local assim que me ver, tremem.
É isso que eu gosto, colocar medo nas pessoas.
― Benvenuto signore Il diavolo. ― Diz com sua voz tremendo um pouco.
Ignoro seu cumprimento e vejo muitos homens bastante eufóricos em seus lugares.
Tudo isso para comer a porra de uma buceta.
Aproximei de uma mesa um pouco longe das pessoas e me sentei, os gêmeos ficaram atrás de mim e o meu irmão ao meu lado. Uma mulher se aproximou de nós, ela está usando algo tão minúsculo que dá para ver tudo.
― Benvenuto signore. Cosa vorresti da bere? (Bem vindo, senhor. O que você gostaria de beber?)
― Whisky puro. ― Dito sem ao menos encara-la.
― Si signore. ― Ela se afasta nos deixando sozinhos.
Cruzo as pernas e logo o maldito do Gustavo sobe no palco.
― Sejam todos bem-vindos.
Todos os homens presente no local gritam felizes.
― Estão prontos para conhecer as novas mulheres? ― Perguntou com um maldito sorriso.
Sorrio de leve, ah, eu vou adorar retirar esse sorriso do rosto dele.
― Que entre a primeira.
Uma mulher ruiva e magra entrou toda tremula, ela está usando um biquíni fazendo os homens enlouquecerem.
― O nome dela é Violeta Carter, uma linda americana virgem. ― Os homens gritam com isso. ― Comecem os seus lances.
Fico só observando as mulheres sendo compradas por esses bastardos, eu vou matar o Gustavo, ele diz que não tem dinheiro e olha só, ganhando muito.
― Agora temos a pior beleza de todos aqui. ― Fico curioso com isso.
― Deve ser a gorda negra. ― Meu irmão sussurrou em meu ouvido.
Uma mulher extremamente linda adentrou o local, a mesma está usando também a porra de um biquíni, todos os homens começam a vaia-la, isso me encheu de fúria.
― Veja fratello, que mulher feia da porra. ― Olho furiosamente para ele e segurei sua nuca e choco sua cara na mesa a rachando.
Isso chamou atenção de todos, assim que todos me viram tremem de medo.
― É o Il diavolo. ― Todos dizem bastante assustados.
Olho para aquela beleza que me encarou, vou andando até a mesma que se encolheu de medo.
― Non temere, piccola. (Não se preocupe, querida.) ― Passei o polegar em sua bochecha a fazendo suspirar. ― Me diga, piccola. Eles a machucaram?
Ela tremeu de medo e soltei um rosnado por isso e olhei para o Gustavo.
― Signore... ― Puxei a minha arma da cintura e atiro em sua testa, todas as mulheres no local gritam de medo.
― Nessuno lascia questo posto vivo, uccidili tutti. (Ninguém sai deste lugar vivo, mate todos eles.) ― Digo para os gêmeos que acenam com a cabeça.
A encaro de volta que olhava tudo assustada.
― Adesso sei mio, tesoro. (Você é minha agora, querida.) ― Digo e percebo que a mesma vai desmaiar e rapidamente a seguro em meus braços.
A pego em meus braços sem nenhum problema e a carrego para fora desse lugar, meu irmão já está no lado de fora com o rosto roxo.
― Abra a porra da porta. ― Rosno irritado o fazendo obedecer.
Entro no carro com a minha deusa em meu colo e observo sua face.
― Quero que descubram tudo sobre ela, Paulo. ― Digo para o gêmeo que acabou de entrar no carro.
― Si signore.
Passo o polegar pelos seus lábios.
― Adesso appartieni a me, ragazza. (Agora você me pertence, garota.)
Sophia Rodrigues.
13:00 ― Mercado negro ― Itália.
Faz um dia que eu me encontro nesse lugar horrível, eu não entendo muito o idiomas deles, mas parece que eu estou na Itália. Não sei quantas vezes eu já chorei desesperada pelo o que aconteceu comigo, esse lugar é um horror, as mulheres são vendidas como objetos. ― Quando eu cheguei ontem aqui, fiz amizade com uma mulher chamada Christina, o bom é que eu sei falar um pouco inglês, então conversamos. Mas, a mesma foi vendida.
Tem uma mulher aqui chamada Sônia, parece que ela é a mulher que cuida das novas garotas sequestradas nesse lugar. A mesma me maltrata muito por eu ser gorda, os seguranças também tiram muita onda com a minha cara por eu ser uma mulher fora dos padrões. ― Eu fui agredida por ela por não ter acordado na hora que todo mundo acordou, eu não aguento mais isso, eu só quero ir embora daqui.
Sou tirada dos meus pensamentos ao sentir um tapa em meu rosto, olho chocada para a dona Sônia que me encara com ódio.
― Você por acaso é surda? Eu estou lhe chamando faz um bom tempo, sua gorda inútil!!
E mais uma vez a mesma me deu outro tapa, isso me fez cair no chão.
― Levanta!!! Quero que você vá limpar o salão principal, porque hoje a noite você vai ser vendida. ― Diz e logo riu. ― Se alguém ainda quiser você. Porque se não, você vai pro saco.
Meu corpo todo treme de medo ao ouvir isso.
― Anda!!! ― Tomo um susto e me levanto. ― Vá limpar!!!
Corro para longe dela e me aproximo da Vanessa que é outra pessoa ruim.
― Aqui sua gorda! ― Ela me entregou a vassoura. ― Pode começar a limpar o salão, e eu quero isso um brilho, entendeu?
Acenei com a cabeça sem conseguir dizer uma palavra, esse lugar só tem pessoas ruins, sem amor ao próximo.
― Então some daqui! ― Ela me empurrou e quase que eu caia no chão.
Vou caminhando para o salão e sinto meus olhos se encherem de lágrimas.
Respira Sophia, respira.
Converso mentalmente comigo mesma.
Começo a varrer o local com bastante cuidado para não quebrar alguma coisa e depois eu apanhar por isso.
Meu sonho era ser modelo, agora virou tudo um grande pesadelo. Porque isso só acontece comigo? O que eu fiz para merecer algo tão terrível?
Desde pequena o meu maior sonho era ser modelo, assistia os vídeos das modelos plus e me apaixonei. Desde então eu comecei a me esforçar, conseguir aprender um pouco inglês, não sou tão fluente, mas consigo desenrolar. Mas, tudo foi em vão, meus esforços, o suor que derramei para chegar em São Paulo, tudo foi um grande desperdício, agora vejam onde eu estou.
Assim que termino de varrer o chão sinto uma presença atrás de mim, assim que me viro dou de cara com o dono do lugar.
― Já terminou? ― Perguntou no tom ríspido.
― S-Sim. ― Respondo em um sussurro bem baixo.
― Cai fora daqui antes que eu te mate, garota! ― Rosnou ele muito irritado. ― Nem era para trazer uma gorda feia igual a você.
Engulo o choro e passo por ele de cabeça baixa, querendo ou não isso acaba comigo, eu já tenho problema com autoestima, aí ele junto com as outras mulheres daqui me colocam para baixo, não aguento mais.
Por favor, eu só quero ir embora daqui.
Assim que me aproximo da Vanessa para devolver a vassoura, a dona Sônia se aproximou de mim.
― Venha comigo! ― Pegou em meu pulso e foi me puxando com muita força.
― Dói. ― Digo e a mesma só aumentou a força da sua mão em meu pulso.
― Calada!!
Mantenho a minha boca fechada e oro mentalmente para que eu não seja morta.
― Aqui! ― Ela me empurrou para dentro de uma porta. ― Quero essa sala limpa.
Vejo que a sala está muito suja, tem roupas jogadas pelo chão e bastante poeira.
― Você só vai comer assim que terminar isso! ― Ela fechou a porta comigo dentro do quarto.
Solto um suspiro triste, não adianta eu ficar chorando porque nada vai mudar.
Começo a apanhar as roupas do chão e colocá-las em cima da pequena mesa, pego a vassoura e mais uma vez começo a varrer o chão.
****
18:00 ― Mercado negro ― Itália.
Eu passei cinco horas para terminar de limpar esse quarto, tinha muita sujeira e confesso que eu parei muitas vezes para descansar, não bebi água até agora e muito menos comi. Sinto que a qualquer momento eu vou desmaiar. A porta foi aberta pela Emma, eu gosto dela, porque a mesma é muito gentil comigo.
― Oi, dona Sônia mandou lhe trazer de volta para o quarto, vamos começar a se arrumar para.... ― Ela calou a boca e eu entendi o que ela quis dizer.
― Para começar a venda. ― Digo e ela acenou com a cabeça.
― Sim, vamos, não quero que ela venha aqui e bata em você.
Deixei a vassoura atrás da porta e saio de dentro desse horrível quarto.
― Eu sinto muito pelo o que estão fazendo com você, Sophia. Você não merece isso. ― Podia sentir a sinceridade em suas palavras.
Sorrio fraco para ela.
― Tudo bem, Emma. Nenhum de nós merecemos passar por isso, não somos objetos, mas eles nos trata assim. ― A mesma concordou comigo.
― Mas mesmo assim, eu sinto muito pelo o que acontece com você. Eles pegam mais no seu pé por você ser...
― Gorda. ― Falei que ela não tinha coragem de falar.
― Você não é gorda e sim gostosa. ― Acabo rindo fraco com isso.
― Bem que eu queria pensar assim de mim. ― Ela põem a mão em meu ombro tentando me confortar.
― Anda logo!!!! ― Tomamos um grande susto ao escutar o grito da dona Sônia. ― Vocês precisam se arrumar!!
Nos aproximamos dela e vejo que as outras mulheres estão usando um biquíni muito vulgar.
― Aqui sua gorda! ― Vanessa chegou com um conjunto de biquíni preto.
― Vá se arrumar, daqui a pouco os clientes chegam. ― Dona Sônia me empurrou para dentro do quarto. ― Quero todas prontas em meia hora! ― Diz e saí do quarto com a Vanessa.
Observo as outras mulheres que estão com semblante triste.
Ninguém merece passar por algo tão terrível assim, eles são uns monstros ao sequestrar mulheres e as vendê-las como se não fossem nada.