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Minha parte de você

Minha parte de você

Autor:: Ayra Anchor
Gênero: Romance
Após um termino mal resolvido, cada um segue por um novo caminho, com novas experiências e relacionamentos. Quando um reencontro acontece, alguns segredos vem a tona. As cartas são postas na mesa e uma grande duvida surge: Será que amor presente dentro deles é mais forte que as feridas acumuladas? Ou aquele era mesmo o fim?

Capítulo 1 Adeus - Nina

- Que irônico, não?! - Ouço uma voz familiar e me afasto de Josh imediatamente. - Agora tudo faz sentido para mim. - Não escutei a porta abrir e ao ver o olhar perplexo de Alex em mim, percebi que as coisas haviam acabado de piorar.

Alex andava de um lado para o outro com as mãos na cabeça.

- Não é o que você está pensando! - digo enquanto tento me aproximar dele, mas ele se afasta e isso parte o meu coração.

- Nunca é, Nina. - ele diz ironicamente. Eu imagino o que ele deve estar pensando, como as coisas começaram a desmoronar em tão pouco tempo?

- Nós terminamos e Josh veio ver como eu estou.

- E você agradece beijando ele? - Eu vejo a decepção no rosto de Alex.

- Isso foi um acidente! - odeio essa frase assim que ela deixa meus lábios.

- Um acidente? Ele escorregou e sem querer a língua dele foi parar dentro da sua boca?

- A culpa foi minha, eu tomei a iniciativa. - Josh responde tentando se explicar. Eu já havia quase me esquecido da presença dele, mesmo isso devendo ser impossível, já que ele está sendo o pivô dessa briga. Bom, não ele exatamente, mas sim o que eu estava fazendo com ele.

- Vocês não me devem nenhuma explicação.. Como você disse, nós terminamos, não importa há quanto tempo, né? Dois dias não são nada, não é mesmo? Até onde sabemos não existe uma regra de quantos dias devemos esperar depois de um término para beijar o melhor amigo do seu ex-namorado.

- Alex... - Ele me interrompe.

- Eu só vim buscar minhas coisas, mas volto em outra hora. Podem continuar, não precisa interromper nada por mim, eu já sei onde isso vai dar mesmo!

É possível sentir a mágoa em seu tom de voz, eu nem tenho tempo de respondê-lo, ele sai e bate à porta. Vou atrás dele, mas não o encontro, o corredor do apartamento está vazio. Volto para dentro do meu apartamento e vejo Josh vindo em minha direção.

- Me desculpe, Nina. Eu não devia ter feito isso, a culpa é toda minha!

- A culpa não é só sua, eu podia ter me afastado - digo, mas para mim do que para ele: - Eu devia ter me afastado.

- Eu vou falar com ele, ele vai entender. - Josh começa a caminhar na direção da saída, mas eu seguro em seu braço.

- Não faça isso! Nós sabemos que ele não vai te ouvir, ele não vai ouvir ninguém! - é só o que consigo dizer antes de sentir uma lágrima molhar meu rosto.

- Eu posso tentar, talvez ele ouça. Ele precisa ouvir, as coisas não podem ficar assim.

- Eu sei, ele precisa, mas ele não vai.. - Infelizmente, eu sei que ele não vai.

***

Estou chegando em casa, após um dia muito exaustivo no trabalho, eu amo falar sobre moda, foi justamente por esse motivo que escolhi trabalhar em uma revista de moda, mas ando tão cansada ultimamente que nem isso está me animando, tudo o que quero é tomar um banho, sentar no sofá e assistir algum filme deprê que combine com meu ânimo e faça o tempo passar mais rápido, afinal, minha casa é minha maior caixinha de lembranças.

Entro em casa e jogo minha bolsa sobre o sofá, vou para o banheiro e tomo um banho para tentar me animar um pouco e descansar, me seco e ao abrir meu guarda-roupa levo um susto. As roupas sumiram, espera! Não! Isso não pode ter acontecido! Somente as roupas de Alex não estão mais no guarda roupa.

- Ele me deixou? - digo em voz alta.

Como se a falta das roupas dele não fosse prova suficiente, corro para o nosso escritório. No lugar do seu notebook encontro a chave dele do apartamento e uma carta, antes mesmo de saber o que está escrito na carta, minhas suspeitas são confirmadas

Eu sento na cadeira onde tanto o admirava, as lágrimas molham meu rosto, sem que eu tenha ao menos começado a ler.

" Nina,

Como já deve ter percebido, eu busquei minhas coisas.

Me desculpe pelo nosso último encontro, você tem todo o direito de seguir em frente, já que não estamos mais juntos, mas no fundo, não tão no fundo assim, eu tinha esperança de que voltaríamos, de que você seria o meu felizes para sempre!

Esses anos com você foram maravilhosos, acabou no seu aniversário quando terminamos e ver você com Josh era só o que faltava para ter certeza do fim.

Eu te amei, Nina! Céus! Eu ainda amo!

Contudo, depois dos últimos acontecimentos, acho que é melhor cada um seguir seu próprio caminho, mesmo que isso nos rasgue por dentro. Decidi me mudar para outra cidade, acho que só uma casa nova não seria suficiente agora, mas não se culpe por isso, a culpa não é sua. Vai ser melhor assim.

Eu quero que seja feliz, Nina. Te desejo as melhores coisas do mundo, você merece tudo isso e muito mais. Eu só te peço uma coisa: não me procure, não quero dizer coisas das quais posso me arrepender depois, você não merece isso.

Com o meu último eu te amo, adeus, Nina."

Alex.

Aperto a carta de Alex contra o peito e as lágrimas que escorrem em meu rosto começam a marcá-la. Eu imaginava o quanto ele estaria magoado e entendia bem o motivo, se fosse o contrário, ele beijando uma mulher em nosso apartamento dois dias depois do nosso término, eu também ficaria. Eu o entendia, ainda assim, eu tinha esperanças de que em algum momento nós nos acertaremos, mesmo sem aparecer em casa nos últimos dias, eu não imaginava que ele iria embora, muito menos que seria assim.

Chorei até que dormi, ali mesmo, debruçada na mesa do escritório. Acordei com o despertador tocando avisando que outro dia tinha acabado de começar. Pensei em ligar para o trabalho e mentir que estava doente e não ir para me esconder, mas do que adiantava esconder meus sentimentos do mundo quando o que eu precisava de verdade, era escondê-los de mim.

Capítulo 2 Eu esperava por isso! - Nina

- Você está horrível! - Sandy diz assim que abro a porta, após ela ameaçar ficar do lado de fora gritando a noite inteira.

- É bom ver você também!

- Como você está? - ela pergunta quando me sento no sofá com meu porte de sorvete.

- Viva. - respondo emburrada

- Não por muito tempo, pelo visto. - ela ri, antes de tomar minha colher da minha mão e colocar uma colherada de sorvete em sua boca. - Eu vim te buscar. - diz ela de boca cheia.

- Pra que?

- Andar um pouco, respirar ar puro!

- Minhas janelas estão abertas, o ar está entrando. Eu ando bastante dentro de casa, e na editora também. - Ela revira os olhos.

- Você precisa voltar sua vida ao normal, você precisa se animar.

- Eu estou em minha vida normal. De casa para o trabalho, do trabalho para casa. Quer mais normalidade que isso?

- Vamos, Nina. É só um passeio pela praça.

Eu hesito antes de concordar. Não estou muito animada, mas não custa nada sair um pouco. Pelo menos daqui a algumas horas poderei voltar ao meu estado vegetativo sem que Sandy me enlouqueça.

Chegamos na praça e o cheiro das folhas molhadas devido ao dia chuvoso logo entra em minhas narinas, por alguns segundos eu sinto um tranquilidade tão grande que não consigo evitar de sorrir. Olho para minha amiga que está me encarando e com um sorriso de canto dos lábios no rosto, quando estou prestes a agradecê-la, ela agarra minha mãe e me puxa para andarmos mais rápido em direção a barraquinha. Não demora para estarmos sentadas em uma mesa, devorando o cachorro quente que faz minha boca salivar de tão gostoso.

- De novo, não. - ouço o vendedor de cachorro quente reclamar. Olho em volta para ver o que está acontecendo, ao perceber meu olhar ele explica: - De vez em quando um cheiro ruim tem se manifestado aqui na rua. Não sabemos ao certo do que se trata, nem de onde está saindo exatamente.

- Não estou sentindo nada - Sandy diz tentando tranquilizar o homem.

- Eu também... - começo a dizer, mas sou tomada por um vontade intensa de vomitar quando começo a sentir o cheiro do qual ele se referia.

- Nina? - Sandy olha preocupada pra mim.

Levanto-me e corro em direção a lixeira mais próxima, chego bem a tempo de jogar tudo para fora.

- Você está bem? - Sandy pergunta. Sandy e o vendedor perguntam quase no mesmo momento.

- Sim, bom... Na verdade, eu tenho me alimentado mal demais nesses últimos dias. Eu sabia que comer somente macarrão instantâneo e sorvete não era coisa boa. - respondo fazendo graça e tentando tranquilizá-los.

- Você deve estar com alguma infecção alimentar. Vamos para o hospital.

- Não precisa, tenho minha melhor amiga para cuidar de mim - tento brincar.

- Nina, eu jamais deixaria você sozinha. Mas você sabe que é algo sério sair vomitando as tripas por ai, não custa dar uma passada pelo médico e dormir de consciência tranquila depois. - Sandy me repreende.

- Tudo bem, vamos!

Chegamos no hospital e para nossa sorte a emergência está vazia, sou atendida rapidamente. O que demora mesmo é esperar o resultado dos exames que o médico pediu e tomar um soro com vitaminas.

- Sério! Eu não entendo por que não podem me colocar um acesso, tirar sangue e colocar o soro por um único buraco, sem ter que me furar milhares se vezes! - Digo assim que saio da enfermagem e me sento em uma maca para tomar o soro.

- Deixa de ser dramática, Nina! Foram somente duas agulhadas!

- Podia ter sido apenas uma! - Sandy revira os olhos e não responde.

- Quantas vezes sua irmã já te deu sermão sobre acesso ser somente para internação? - Pergunta Sandy algum tempo depois.

- Literalmente, umas mil vezes. Acho que desde a primeira aula dela de enfermagem. - Sandy sorri.

O médico entra na sala de enfermagem, ele olha para mim e para Sandy e a cumprimenta, antes de passar pela porta da lateral com pressa.

- Deve ter chegado mais alguma emergência. - digo.

- Ele é um gato, não é?

- Quem? O médico?

- Ele que é o médico? Se eu soubesse o médico era tão gato eu teria feito um barraco pra poder entrar com você na sala, ou melhor, teria passado mal para entrar sozinha!

- Ah! Ele é bonitinho.

- Bonitinho?! Ele é um colírio para os olhos! - Ela diz parecendo incrédula ao meu comentário.

- Calma, não estou desmerecendo o seu gosto, é só que não estou à procura de nenhum tipo de colírio no momento.

- Sei, melhor não furar meu olho mesmo. Qual o nome dele mesmo?

- Ele se apresentou como Arthur.

- Arthur... - Ela sussurra sorrindo antes de pegar seu celular e se calar. Aposto que já está procurando por ele nas redes sociais.

Quando meu soro termina, vou ao laboratório pegar o resultados dos meus exames. Pego o envelope da mão da enfermeira, até penso em abri-lo curiosa, mas como já vou retornar com o médico, decido esperar um pouco e não passar vergonha.

- Eai, eu estou bem? - Pergunto após o médico abrir o envelope e olhar os papeis por poucos minutos.

- Pelo que estou vendo aqui, você está ótima!

- Então por que eu passei mal?

- Meus parabéns, você está grávida. - As palavras dele são um choque para mim, como assim grávida?

- Grávida?

- Pra tentar tirar todas as minhas dúvidas, eu solicitei um teste de gravidez e o resultado foi positivo.

- Eu não esperava por isso. - Não mesmo! - Eu já posso ir?

- Claro, é só pedir pra uma enfermeira retirar o acesso e já pode ir. Aqui está um encaminhamento para a obstetrícia. Você pode marcar sua consulta na recepção.

Pego o papel de sua mão ainda sem acreditar.

- Muito obrigada, tenha uma boa noite, doutor.

- Eu agradeço, você também. Mais uma vez, meus parabéns.

Vou para a sala de medicação e a enfermeira tira meu acesso, quando estou saindo da sala Sandy aparece na porta toda sorridente.

- Adivinha?! Tenho um encontro com o médico gostosão na próxima sexta-feira.

- Isso é ótimo, Sandy. - Digo confusa, tenho quase certeza de que não pareci feliz o suficiente e o olhar da minha amiga encontra o meu, eu não sei o que dizer.

- Ei, me desculpe. Qual foi o resultado? O que você tem? Por que está com essa cara?

- Eu estou grávida, Sandy.

- Isso é maravilhoso! Parabéns, amiga! - Ela me abraça.

- Sim, é mesmo maravilhoso! Eu só não esperava que fosse acontecer desse jeito. - Ela se afasta e me olha com compaixão.

- Eu te entendo, amiga. Mas nós vamos dar um jeito. Você sabe que pode contar comigo, não sabe?

- Sei sim, muito obrigada, Sandy.

- Não precisa me agradecer, só estou te usando, afinal, é sua obrigação me dar sobrinhos, já que sou filha única.

Somente Sandy com seu jeito seria capaz de me arrancar um sorriso no momento mais confuso da minha vida.

- Você vai ficar bem? - Sandy pergunta assim que chegamos em casa e sentamos no sofá.

- Vou sim, só preciso dormir um pouco, tenho que trabalhar amanhã. Preciso dar um jeito nas coisas, afinal, tenho um filho ou filha para criar agora. - Ela sorri com compaixão e me puxa, coloca minha cabeça em seu ombro e me abraça.

Fico deitada no colo da minha amiga tentando pegar no sono, não sei exatamente que horas eram quando eu dormi, nem muito menos como fui parar na cama, mas sei que quando consegui, minha mão descansava sobre minha barriga.

***

Enquanto aguardo na recepção da clínica da obstetra, para qual o hospital me encaminhou, sinto que estamos parados no tempo, é como se os ponteiros do relógio demorassem três vezes mais para passar do que o normal. E quando a recepcionista me chamou foi como se quebrasse o transe que em que eu havia me enfiado sem nem perceber.

- Sim?

- É a sua vez. Poderia me acompanhar? - pergunta ela.

- É claro. - respondo antes de olhar para Sandy que está ao meu lado para que ela entenda que será obrigada a entrar comigo. Minha amiga somente revira os olhos e com um sorriso zombeteiro mal contido, me acompanha.

Acompanho a recepcionista até uma sala não muito longe da recepção. Ao entramos nos deparamos com uma mulher aparentemente madura, seus cabelos castanhos e olhar educado, faz com que eu me sinta um pouco menos nervosa.

- Boa tarde. Sou a Dra. Alice. Você é a Nina, certo?

- Sim, e essa é minha melhor amiga, Sandy. - Elas se cumprimentam e sorriem.

- É um prazer conhece-las. Vou te fazer algumas perguntas e depois iremos fazer um ultrassom, para saber como está seu bebê. - Eu concordo.

Depois de perguntas que seriam consideradas extremamente inapropriadas se fossem feitas em outro contexto. Estou sentada sobre uma maca, ainda na mesma sala, e com um gel muito gelado em minha barriga enquanto olhamos para uma tela preta da qual eu não entendo nada.

- Ainda é muito cedo para saber o sexo do bebê, mas pelo tamanho e pelas informações que você me deu, minhas suspeitas foram confirmadas, acredito que você esteja de oito semanas.

- Oito semanas?

- Sim. Em alguns casos, conseguimos ver o sexo do bebê na décima sexta semana, outros demoram um pouco mais, isso é completamente normal, costumo brincar que alguns bebês são mais tímidos que outros.

Eu sorrio sem saber o que dizer, Sandy está com um olhar amoroso ao meu lado, fico muito feliz por ela estar comigo, mesmo ser ter dito nenhuma palavra além do oi, desde que entramos, não sei o que faria sem ela.

Após marcamos as datas de algumas consultas do meu pré-natal, Sandy me leva para casa, durante todo o caminho eu pensava se continuaria cumprindo o último pedido de Alex para mim, ou ligaria para ele. Eu pensei em não ligar, pensei mesmo nisso, mas eu sabia que no futuro eu me arrependeria imensamente. Então assim que cheguei em casa, disse para Sandy que iria para o banheiro e liguei para ele.

Como eu esperava, ele não atendeu, acabei deixando recado: Oi, sou eu, Nina. Eu... eu preciso falar com você, é muito importante! Me retorna quando poder, tchau.

Não precisava pensar muito para saber que a criança é dele, Alex foi o único homem com quem tive relação sexual em toda a minha vida, ele foi meu primeiro e único. Com o próximo ultrassom marcado para o mês seguinte, eu me perguntava se até lá conseguiria falar com ele. Até cogitei falar com Rose, sua mãe, mas temia que nem mesmo ela quisesse falar comigo.

- Você ligou para ele? - Sandy me pergunta assim que retorno para a sala.

- Está tão na cara assim?

- Eu imaginei que você tentaria falar com ele depois desse ultrassom. Na verdade, achei que tentaria falar com ele no dia em que descobriu.

- Eu queria, mas tentei ao máximo cumprir o seu último pedido para mim, esperei até hoje por que precisava ter certeza de que realmente tinha um bebê dentro de mim e que não era qualquer outra coisa.

- O que mais você pensou que seria?

- Não faço ideia! No fundo eu sabia que era um bebê, mas estava enrolando para ligar. Acho que estava tentando adiar sentir o que estou sentindo agora. - uma lágrima escorre em meu rosto, meu peito ardia desde o momento que entrei no banheiro, mas agora ardia de uma maneira diferente, parecia que os remendos que eu havia feito tinham se rompido de vez.

- Vem aqui, Nina. Não fica assim. - Minha amiga dizia enquanto me abraçava e as lagrimas marcavam sua blusa marsala.

- Eu não sabia o que fazer! - eu dizia em meio ao chororô - A única coisa que eu sabia era que se eu não ligasse, se eu pelo menos não tentasse falar com ele, eu me arrependeria no futuro, quando meu bebê perguntasse sobre o pai dele ou quando Alex descobrir sobre ele, eu só...

- Você fez o certo, amiga.

- Eu não quero que meu filho cresça sem um pai, Sandy.

- E ele não vai, nem que para isso eu tenha que me tornar o pai dele. - Ela riu, como se eu não estivesse em seus braços aos prantos. - Já pensou, nós duas como marido e mulher? Eu seria o homem, pelo amor de Deus, você seria um marido insuportável demais.

- Sandy! - tento repreendê-la, mas falho miseravelmente quando começo a gargalhar junto com ela.

- Eu consegui! Você sorriu! Não aguento ver você chorando.

- Obrigada, Sandy.

Capítulo 3 Quem é o pai - Nina

É estranho como a nossa vida pode mudar em tão pouco tempo. Há pouco menos de um mês eu estava em um lindo restaurante com o meu primeiro amor, comemorando meu aniversário.

Pensar que foi nesse jantar que tudo desabou.

Nós estávamos jantando, então vi a garçonete piscar para ele. Eu não gostei nada disso, mas vi que ele não piscou de volta, nem deu o mínimo sinal de que tinha a intenção. Ao nos entregar a sobremesa, vi que ela piscou novamente para ele, aquilo estava me tirando do sério, eu já não estava conseguindo fingir normalidade, na minha tentativa de não estragar nossa noite, decidi que voltaria no dia seguinte para fazer uma reclamação para o gerente. Continuamos nosso jantar tranquilamente, Alex vendo como eu já estava nervosa, pediu para que outra garçonete nos trouxesse a conta, mas para minha surpresa foi a primeira quem a trouxe. Alex pegou um papel que estava junto com a conta amassou e jogou dentro de sua taça vazia.

- O que é isso? - Perguntei a ele.

- Nada com que valha a pena se preocupar, meu amor.

Esperei que ele fosse até o caixa para pagar e peguei o papel de sua taça. Era o número da garçonete. Eu sentia a raiva crescendo dentro de mim, parecia com um desenho animado onde a sobrancelha franze a cabeça fica vermelha e logo depois sai fumaça do nariz e ouvido. Eu olhei em volta do restaurante mas não a vi, Alex estava saindo do caixa e vindo em minha direção, ao se aproximar ele vê o papel em minhas mãos.

- Não vale a pena se preocupar, Alex? – digo.

- Não, por que não tem importância nenhuma pra mim o que está escrito ai.

- Então porque não me contou? Não achou que eu merecia saber?

- Pra que, meu amor? Pra te deixar chateada e estragar nossa noite?

Fechei os olhos tentando de todas as formas controlar meus pensamentos e ouvir a parte de mim que dizia que ele jamais me trairia.

- Vamos embora, meu amor. Nós nunca mais voltaremos nesse restaurante. Nós podemos vir juntos aqui amanhã fazer uma reclamação, se você quiser. Só vamos embora. - ele pediu.

Olhei para os lindos olhos verdes de Alex e todos os pensamentos sumiram da minha cabeça. Mais uma vez, eles me fizeram parar no tempo e excluíram todo a humanidade a nossa volta. Sua mão se estendeu em minha direção. Eu a peguei e saímos daquele inferno, sem sinal nenhum da diabinha chefe.

Estávamos no carro, quase saindo, quando Alex cumprimentou alguém. Eu olhei para fora e não vi ninguém.

- Quem você cumprimentou?

- Um amigo, meu amor.

- Qual amigo, Alex? - Ele me olha confuso.

- O Kevin, amor. Você não conhece ainda.

Olho para fora outra vez, em busca de algum homem olhando para nós, mas a única pessoa que vejo é a garçonete.

- Kevin, Alex? Você acha que eu sou idiota?

- Do que você está falando, Nih?

- Não acha engraçado como ela apareceu no lugar do seu amigo? - faço o sinal das aspas com a mão.

- Quem?

- A garçonete! Percebeu que ela sumiu quando você foi pro caixa? Deixou seu número pra ela também? - Ótimo, se não bastasse a tempestade dentro do carro, começa a chover do lado de fora.

- Para com isso, Nina. Já te disse que eu cumprimentei o Kevin. E não, não faço ideia de pra onde ela tenha ido, eu sequer estava procurando por ela, muito menos deixei meu número pra ela.

- Kevin! - rio com deboche - Anda tendo amigo imaginário, Alex? - Ele balança a cabeça chateado.

- Se você não confia em mim, por que está comigo?

- O que está querendo dizer com isso?

- Que talvez nós não devêssemos estar juntos.

- Você está terminando comigo?

- Sim! É o que você quer, não é?

- Não! Eu te amo.

- Quem ama, confia, Nina.

- Eu confio.

- Não, você não confia.

- Você está usando isso como desculpa pra terminar comigo pra correr para aquela garçonete assanhada. - digo e me arrependo no mesmo instante. Como eu pude dizer isso?

- Chega, Nina! - Ele sai do carro, eu saio também.

- Alex, volta pro carro, está chovendo!

Vejo Alex se afastando, eu corro atrás dele, mas ele é mais rápido. Paro e tiro meu salto para poder alcança-lo, mas quando olho em sua direção, não o vejo mais.

- Alex! Me espera.

Não tenho resposta, ele já não está a poucos passos de mim. Volto para o carro, ando pelas ruas a sua procura, após fracassar em minha busca, vou para casa na esperança de encontra-lo, mas nada outra vez. Preocupada, liguei para ele.

Nina: Oi, eu só queria saber se está tudo bem?

Alex: Sim, está. Você está em casa?

Nina: Estou, você vai voltar?

Alex: Não, só queria saber se já saiu da chuva. Estou na casa de um amigo. E não, ele não é imaginário.

Nina: Alex, me... - ele me interrompe.

Alex: Acho melhor conversarmos em outro momento.

Nina: Está bem, eu te... - ele me interrompe outra vez.

Alex: Eu também.

Quando o telefone apitou indicando que a ligação havia terminado, por mais triste que eu estivesse por não tê-lo aqui comigo, eu senti esperança de que tudo se resolveria. Ele disse de volta, muitas pessoas diriam: - Ele não deixou você terminar e muito menos citou a palavra amor ao te responder. - Só que eu sabia, nem sempre precisamos de frases completas para falar de amor.

Estava ciente do quanto eu havia errado com ele. Ele não me deu nenhum indicio de que estava fazendo algo errado, mas eu consumida pela raiva, o acusei, e claro, transpareci não confiar nele. Imagino o quanto isso deve ter doido, dois anos de namoro e sua namorada não confia em você? Mesmo vocês morando juntos a um ano e meio?

Eu já tinha escutado que não era bonita o suficiente para estar com ele, só porque ele é um homem alto de ombros largos, que se cuida e tem cabelos castanhos claros quase loiros e olhos verdes, e eu, uma mulher comum e sem graça, - na visão dos outros, é claro - baixa demais, de olhos e cabelos castanhos comuns. Bonita? Sim, mas comum demais.

Isso nunca me afetou, o que me importava é o amor que eu sinto por mim mesma e o que Alex sente por mim. Se ela estava comigo, não me importava o quão "normal" eu fosse. Contudo, minha confiança nunca me impediu de sentir ciúmes de Alex, mas era um ciúme saudável, se é que isso pode ser chamado assim. Ele sempre foi um homem que chama atenção por onde passa, seja por sua altura de 1,87m ou por sua beleza.

Depois de se tornar modelo desistindo de seu sonho de se tornar piloto de avião, ele passou a estar cada vez mais rodeado de mulheres, alguns colegas de profissão e outras fãs que conquistou com seus trabalhos. Por mais que alguma mulher tivesse interesse nele, nenhuma tinha sido descarada ao ponto de fazer o que aquela garçonete fez. Ela simplesmente fingiu que eu não existia e ficou dando em cima do meu namorado. Isso me deixou com raiva e me fez perder o controle. Foi a nossa maior briga por ciúme e pelo visto, a última.

No dia seguinte, pensei que ele chegaria em casa antes que eu fosse para o trabalho, não aconteceu. Esperei também na hora do almoço, e de noite, para só então lembrar que ele provavelmente voltaria apenas no outro dia, já que o aniversário da mãe dele é um dia depois do meu, ou seja, hoje. Vou para o quarto e procuro por sua bolsa, é quando percebo que em algum momento do dia ele a buscou, sem nem me avisar. Tranquilizo meu coração, por que sei que amanhã ele estará de volta, e no fim, nós nos resolveremos.

Ligo para Sandy e para Josh, peço que eles me encontrem em casa. Quando meus amigos chegam, Josh me confirma que Alex estava com a mãe dele, em Tampa como eu já imaginava.

- Como você não sabia onde ele estava? - Sandy pergunta.

Eu desabo diante da pergunta da minha amiga. Enquanto choro, conto para eles tudo o que aconteceu. Eles me consolam, mas quando faltam poucas horas para se tornar outro dia, estou sozinha na minha casa, mais uma vez.

É Sábado, acordo com um misto de esperança e aflição. Olho para o relógio e tenho a sensação que cada hora demoram outras vinte e quatro horas para passar. No momento em que pego meu celular na mão para mandar mensagem para Alex preocupada, ouço alguém bater na porta.

- Que estranho, por Alex não entrou? - Abro a porta e me deparo com Josh segurando algumas sacolas. - Oi.

- Oi, desculpa vir sem avisar, queria saber como você está e aproveitei para trazer algumas coisas que você gosta para te animar.

- Ah! Muito obrigada, pode entrar.

- Algum sinal do Alex? - Ele pergunta enquanto entra e coloca as coisas na mesa.

- Ainda não, eu ia mandar mensagem para ele na hora em que você chegou. - Digo enquanto sentamos no sofá.

- Eu mandei de manhã, mas ele ainda não respondeu.

- Eu estava receosa de mandar, queria dar espaço pra ele, além de que, nosso assunto deve ser tratado pessoalmente, então foi bom você ter chegado na hora. Acho que ele vai mandar quando se sentir à vontade.

- Ou ele já está voltando, ou não quer conversar com nenhum de nós.

- Espero que seja a primeira opção.

- Acha que ele já te perdoou?

- Sinceramente, acho que não, pois ele ainda não falou comigo, mas tenho esperança de que aconteça.

- Vocês nunca terminaram, não é?

- Não, espero que seja a primeira, ultima e única vez.

- Nunca se sabe... - Que comentário estranho.

- Por ... - Ele me interrompe.

- Eu vim fazer uma coisa.

- Que coisa? - pergunto olhando para ele.

Não tenho tempo de dizer mais nada. Josh se aproxima e me beija, eu entro em choque, não sei o que fazer, estou prestes a me afastar quando ouço uma voz familiar...

- Que irônico, não?! Agora eu entendi tudo. - Escuto a voz de Alex.

Com os olhos vermelhos de tanto chorar depois de lembrar dos piores dias da minha vida, pego o telefone e ligo para meus pais. Acho que preciso de um pouco de atenção familiar.

Pai: Oi, querida.

Nina: Oi, pai. Como o senhor está?

Pai: Bem. Por que está com essa voz?

Nina: Está tudo bem, a mãe está ai?

Pai: Sim, você quer falar com ela?

Nina: Coloca no viva voz, quero falar com vocês dois.

Mãe: Tá tudo bem?

Nina: Sim, só liguei para convidar vocês para almoçarem comigo hoje, se vocês puderem. - Fica um silencio do outro lado da linha, até que minha mãe responde.

Mãe: Vamos sim. Vamos chegas ao meio dia, está bem?

Nina: Vejo vocês mais tarde.

Mãe: Até mais tarde, querida. Te amamos.

Nina: Também amo vocês.

É agora ou nunca. Eu cogitei a hipótese de não contar para eles agora, mas mais cedo ou mais tarde, eles irão descobrir e quanto mais tarde for mais eles ficaram chateados.

Ouço batidas na porta, sinal da chegada dos meus pais. Quando abro a porta minha mãe me abraça forte.

- Olha como está linda. - Ela diz ao se afastar e me olhar de cima a baixo.

- Linda mesmo. - Concorda meu pai, antes de me abraçar também.

- Entrem, o almoço está pronto. - digo.

- Maravilha! - diz meu pai, já a caminho da cozinha.

- Você conhece seu pai, nessa mania de não tomar café de manhã deixa a gente doida no horário do almoço. - Diz ela ao me acompanhar para a cozinha, antes de cairmos na gargalhada.

Rir pra mim está sendo excelente, estou tão nervosa, que não sei como contar a eles.

- Eu trouxe vinho, querida.

- Tinto e suave, como você gosta. - completa meu pai.

Merda.

- Obrigada. Mas vocês não acham que está cedo para beber? - falo na tentativa de convencê-los a não beber.

- Você nunca teve problema com isso antes. Tem algo errado, querida? - Minha mãe pergunta.

- Ah, não! - Eu mal respondo e minha mãe já está colocando as taças na mesa.

- Eu abro. - Meu pai pega o vinho da mão da minha mãe. - Pronto! - Diz eles minutos depois.

Nos sentamos na mesa e nos servimos, após poucas garfadas, meu pai abre a boca:

- Tem notícias do cretino do Alex?

- Não, não tenho notícias, e por favor, não o chame assim.

Minha mãe enche minha taça enquanto fala.

- Ouvi dizer que ele está desempregado.

- Devíamos brindar a isso. - diz meu pai erguendo a taça.

- Não, não devíamos e não vamos. Alex é inteligente e uma excelente pessoa, logo conseguira algo. Além do mais, ambos tínhamos uma reserva para esse tipo de situação.

- Boa pessoa? Ele terminou com você, foi embora do dia pra noite.

- Eu já expliquei para vocês o que aconteceu.

- Sim, mas ele não deixa de estar errado. Relacionamentos não são fáceis, na primeira briga terminar e sair correndo não é coisa de homem.

- Pai... - ele me interrompe.

- Me deixe terminar, Nina. Ele devia ter sentado...

- Eu estou grávida. - Dessa vez sou eu que o interrompo. Não foi assim que planejei, aliás, não planejei nada. Eu só queria que parassem de falar de Alex, ele não merece isso.

- Ah, minha querida, meus parabéns. Quando você descobriu? - fala minha mãe com ternura e levanta-se para me abraçar.

- No domingo.

- Quem é o pai, Nina? - Pergunta meu pai um pouco irritado.

- Quem o senhor acha? Sim, a única pessoa com quem estive nos últimos anos. Achei que ficaria feliz por se tornar avô, mas pelo visto, o pai da criança importa mais que a notícia.

- Não foi isso que seu pai quis dizer, querida. - Minha mãe acaricia minha mão.

- Não mesmo, me desculpe, filha. É claro que estou feliz por me tornar avô mais uma vez. A Melissa e o seu bebê são aos meus maiores presentes, mas depois do que aquele cara fez com você. - Meu pai responde, tentando amenizar a situação.

- Quantas vezes vou precisar contar a história pra vocês entenderem que ele não teve culpa? Nós brigamos por ciúmes meu e nós terminamos, depois beijei o Josh e ele ficou chateado e foi embora. Uma atitude levou a outra.

- Ele não podia ter se chateado, foi só um beijo e como disse, vocês tinham terminado.

- Tem razão, nós não estávamos juntos. Mas como o senhor se sentiria se fosse a mamãe no meu lugar? - Meu pai abre a boca, mas não deixo que ele diga nada - Não precisa responder, papai. Só pensa nisso. E espero não ouvir mais comentários sobre o Alex e não ousem contar nada pra ele ou alguém da família dele.

Eles apenas concordam.

Tirando o acontecimento do começo do almoço, tudo passou tranquilamente, até assistimos um filme juntos, como fazíamos quando eu era mais nova. Antes de ir embora minha mãe pede pra ir comigo em algum dos ultrassons, prometo pensar no assunto. Ela sai sorridente, já me pai, pede desculpas por tudo e diz que vai me ajudar em tudo que nós precisarmos, e com um abraço eles se despedem.

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