Recomeço
Hoje, meu nome é Aline de Cássia Ferreira Mazzini. Digo "hoje", por-
que meu nome já foi mudado algumas vezes, vou explicar ...me chamava
Stefani quando no dia 9 de fevereiro de 1993 nascia eu em Piraju, uma
sobrevivente de seis tentativas de aborto, nascida de uma jovem garota de
programas com um ...suponhamos, "cliente desconhecido". Até aí, essa era a
minha história, sem nenhuma perspectiva de uma vida feliz.
Para muitos, era o meu fim pelo simples fato de eu ser uma criança doen-
te e cheia de feridas devido a maus cuidados. Mas o que parecia ser o fim,
era um novo recomeço para um lindo casal agir com o coração e já com três
filhos, encantados pelo sorriso daquele bebê, fez com que aquele ditado
antigo falasse mais alto – "onde comem três comem quatro"! Então fui adotada
e hoje sou muito feliz pelos pais que tenho, filha de uma costureira e de um
humilde policial civil.
Considero-me uma pessoa comunicativa e cheia de sonhos. Na minha
infância me via "presa" em meus pensamentos, gostava de cantar, ler, in-
terpretar, fazia meus próprios poemas e canções.
Não imaginava que uma simples visita à cidade de Manduri iria mudar
completamente minha trajetória. Eu era uma adolescente visitando a cida-
de e me deparei com um lindo rapaz cantando e tocando violão. Foi amor à
primeira vista. Esse príncipe encantado se tornou o homem da minha vida
e me fez sentir um amor tão grande que me levou a abrir mão da minha
adolescência e até mesmo dos meus estudos e assim viver para sempre ao
lado dele.
E assim aconteceu. Casei-me aos dezesseis anos e tenho dois lindos fru-
tos desse amor. Mudei de vez para Manduri onde trabalhei em uma escola
de arte para crianças carentes. Eu levava meu amor pelo teatro até essas
crianças onde elas conseguiam expressar seus sentimentos espremidos em
meio a tanto sofrimentos.
Aos vinte e quatro anos, a vida me surpreende novamente, trazendo à
tona o desejo de voltar a estudar, pois eis que nasce também um novo so-
nho, me tornar uma policial militar.
Uns dizem que é loucura, e eu digo que é um dom, pois ouvi de muitos
que minha vida iria acabar atrás das grades porque eu iria me revoltar com
a vida e acabaria por fazer uma burrada, que iria virar bandida e não fazer
mais que frequentar uma delegacia.
Pois é... é isso mesmo que quero para minha vida! Frequentar delegacia.
Mas pelo outro lado da "moeda", não como uma bandida, mas sim, como
alguém que luta contra a violência e contra qualquer tipo de crime.
O tempo passou! E minha vida é como um livro. Cada página um reco-
meço, cada recomeço um desafio, cada desafio uma conquista e em cada
conquista nasce uma nova forma de ver a vida e fazer tudo valer a pena.Casei-me em 1982 com quinze anos e grávida de 3 meses. Neste mesmo ano
nasceu minha filha Veridiane, linda e saudável. Éramos uma família feliz.
Depois de cinco anos, resolvemos ter mais um (a) filho (a).Engravidei e
no ano de 1988 nasceu minha segunda filha, a Valeriane, também linda e
saudável.Sentia-me realizada e feliz, pois ia tudo bem.
Quando a Valeriane estava com um ano e dois meses, eis a surpresa!
Estava grávida novamente. No início fiquei assustada, mas depois fui me
acostumando com a ideia.
No ano de 1990,
nasceu um lindo e forte garotão, demos o mesmo nome
do pai, Adilson Júnior, mas logo todos os chamavam pelo apelido de "Loboy".
Passaram-se os anos. Meus filhos cresceram. A Veridiane fez faculdade
de Direito e a Valeriane começou a fazer faculdade na área da saúde, Enfer-
magem. O Loboy não gostava de estudar, tanto que repetiu a 5ª série por
duas vezes, mas não desistiu, dizia que queria fazer Veterinária.
No ano de 2007, mais precisamente falando, no dia 7 de setembro, por
volta da 9:30 horas da manhã, recebi uma notícia que jamais imaginei que
um dia iria receber.
Meu filho, meu único filho homem, meu caçula, havia sofrido um aci-
dente de carro e faleceu. Que absurdo! É mentira! Dizia eu às pessoas que
começaram a chegar em minha casa. Liguei para o meu marido, que tam-
bém ficou em estado de choque. Ficamos sem chão. Meu marido foi até o
IML, na cidade de Ourinhos e logo me ligou confirmando que era realmen-
te o nosso bebê, com dezessete anos eu ainda o chamava de bebê.
Acabou! Viver, lutar, para quê? Mas tinha minhas filhas que precisavam
de mim. Tudo muito difícil, porém, o mundo jamais para pelas dores, a vida
segue, aceite ou não. Apeguei-me ainda mais com Deus, e bola para frente.
Durante o dia passava bem, à noite batia a saudade. Qualquer barulho
que ouvia, achava que era ele chegando. Vontade de vê-lo, abraçá-lo, ouvi e ver aquele lindo sorriso