- Ivy! - A garota ergueu os olhos em direção ao chamado. - Aqui ainda faz frio. Se acha que consegue chegar ao aeroporto com essa roupa, boa sorte. - Entrou no quarto apenas para abraçar a filha que lhe deixaria em breve. - Já estou morrendo de saudades, tem mesmo que ir?
- Ah, quem você quer enganar? - Se afastou para vê-la enxugar as lágrimas falsas. - Está esperando eu sair para começar a reformar esse quarto. E está há anos esperando meu irmão sair do dele. Como você consegue fingir tão bem?
- Estou tentando ser uma boa mãe para depois não sair por aí dizendo que foi expulsa de casa e com uma semana sua mãe transformou seu quarto num closet charmoso com tudo que o dinheiro pode comprar. - Contou indo até a janela para procurar qualquer sinal do filho que novamente estaria atrasado. - Eu estou feliz que esteja indo seguir seus sonhos e melhor, para a faculdade que sempre quis, mas não posso deixar de sentir que está indo para muito longe e passarei muito tempo sem te ver.
- Ah mãe - Se aproximou da mulher lhe abraçando por trás. Uma das coisas que nunca esqueceria seria o cheiro de lavanda que a mulher possuía, era como se fosse o cheiro de casa. Mas a ideia de sair de casa, de crescer longe, fazer uma faculdade, um estagio ganhar seu próprio dinheiro, conhecer novas pessoas era tão mais intensa que mal conseguia esconder o sorriso de felicidade. - Eu vou sentir sua falta também e podemos nos falar todos os dias.
- Claro que vamos nos falar todos os dias porque é lógico que eu preciso reclamar do seu pai. E quem mais precisa ouvir isso além de você? - Sorriu de lado ouvindo a risada doce. - E não precisa me contar tudo a partir de agora, tenha suas experiências, seus segredos, só não passe o tempo todo chorando como fazia no ensino médio. Lembre-se que agora você é uma mulher adulta e eu te criei para erguer a cabeça e seguir em frente.
- Isso eu vou fazer. E claro que não vou sair por aí chorando porque estou livre de Apolo Kade e do seu bullying. - Voltou para suas malas, deu uma última olhada no espelho arrumando seu cabelo para trás da orelha. - Mas nesta manhã, não vamos nos lembrar desse filho de uma boa mãe, que me fez raiva. Não vejo a hora de ir embora e nunca mais ter que olhá-lo.
- Ah, minha filha. Você também precisa superar o Apolo. Talvez ele faça isso apenas para chamar sua atenção. Toda garota iria querer se aproximar daqueles braços cheios de músculos, e tocar naquele cabelo que bate no meio das costas, cada fio mais negro que o outro. - Ivy ignorou o comentário buscando sua mochila. - E sem contar que quando ele subia na moto, ficava um charme. Sabe quantas garotas pediu para ele ir ao baile?
- Não. Eu não sei. Ninguém sabe por que ele destruiu a noite do baile. - Parou no meio do quarto puxando todo o ar para dentro dos pulmões, não queria se lembrar da noite do baile onde pensou que encerraria o colegial com um beijo doce num cara gostoso... e do nada a energia acabou, o caos foi instalado.
Apolo acabou com tudo.
- Enfim, hoje é dia de felicidade, vamos esquecer esse nome infame. E o meu irmão? Vai chegar atrasado de novo?
- Ele nunca chega no horário - riu seguindo sua filha para fora do quarto. Ouviram algumas risadas vindas da sala e logo encontraram o pai sentado no sofá assistindo. Quem via assim, nem parecia que estava preocupado com sua única filha indo embora para outra cidade.
Seu irmão não chegou a tempo de pegá-la em casa, mas a encontrou no aeroporto.
Apesar de já ter avisado que não sairia de casa tão cedo, ele era um garoto responsável, trabalhava além de pagar sua própria faculdade.
O abraço apertado naquele momento significou muitas coisas. Era uma despedida, uma forma de mostrar que mesmo distante eles estariam juntos, porque irmãos poderiam estar a quilômetros de distância, mas eles sempre estariam juntos.
- Boa sorte Ivy, e se alguém te irritar, espera ao menos para saber se você conseguirá ganhar numa briga - murmurou ao desfazer o abraço fazendo-a rir. Tá certo que ela sempre foi uma garota estressada, mas as pessoas tinham que entender que ela só se estressava quando Apolo aprontava.
- Não se preocupe. Não vou arrumar briga. Sou uma nova mulher. - Avisou contente,
- Imagino o total desastre que vai chegar naquela cidade.
Depois de outros abraços em sua família, ela finalmente deu as costas para ir embora sem nenhuma lágrima no rosto.
Alguém em algum lugar a julgaria por querer muito, desesperadamente sair da sua cidade e de perto da sua família, mas seus amigos entendiam a necessidade de conhecer o mundo, sua família também, então não tinha porque se arrepender ou se sentir culpada.
_-_
A cada passo que dava pelos corredores do aeroporto, o coração acelerava, a ansiedade de gravar cada momento e nunca mais esquecer era inevitável.
Quando as últimas portas se abriram, avistou várias pessoas com placas e até avistar seu nome numa placa, conhecia bem aquele rosto de todas as fotos que recebeu.
Foi se aproximando devagar admirando a beleza de Madison, uma das suas colegas de quarto e parceira da faculdade de direito.
- Finalmente você chegou. Eu estava tão ansiosa. - Contou animada. - Eu fiquei para te levar porque o outro garoto que chegou se deu bem com os meninos e foi embora. Vamos, Amber está te esperando no carro.
Agarrou-se no braço da outra e seguiram até o carro onde Amber realmente lhe esperava e gritou animada ao vê-la.
- É um prazer te conhecer.
- Parece que já estamos em sintonia, finalmente teremos um ano animado. - Amber se animou mais. - Nosso apartamento não é tão arrumado assim, mas é grandioso. Tem seis quartos e agora temos três homens e três mulheres.
- Agora estamos no mesmo nível - Madison contou. - Ano passado a gente conseguiu ficar com mais dois homens, ou seja, tínhamos quatro homens e duas mulheres, seis pessoas dentro de uma casa onde as decisões não eram tomadas em grupo e eles sempre ganhavam - relembrou quase chorando. - Esse ano, nós podemos bater de frente. Eles não vão querer enfrentar duas advogadas, certo, Ivy?
- Certo. - Gritou de trás e preparada para tudo que viesse acontecer. O sorriso que crescia no rosto de Ivy aumentava a cada momento, estava tão feliz de estar ali que nem conseguia esconder os dentes. - Estou um pouco nervosa com tudo. - Confessou para as outras que sorriram entendendo.
- A gente sabe como é, mas fica tranquila. - Madison foi a primeira a simpatizar. - Eu também estava nervosa quando cheguei, afinal, estamos numa cidade nova, teremos um emprego novo que no seu caso é o primeiro. Além de sair do seu cantinho para morar numa casa com mais três homens e duas mulheres, isso dá medo. Mas te garanto que é uma das loucuras mais maravilhosas do mundo.
Também tinha chegado cheia de medo e com saudades de casa, mas hoje, ela entendia que se tivesse ficado na sua cidade, nunca teria conquistado sua independência tanto financeira quanto mental.
- Você vai amar nosso prédio. Tem academia, piscina, salão de festa e aula de dança com um professor particular que é um gostoso e não é gay. Eu mesma tive que ir provar. - Amber abriu um sorriso fazendo as outras rirem também. - Quero que você conheça tudo e antes do meio dia vamos sair. Temos um encontro com os meninos no nosso restaurante preferido. Parece que os outros se deram bem com o novo garoto.
- E eu tenho que concordar, ele é muito bonito. - Madison confessou. - Falando nisso, Ivy você não tem namorado né?
- Ah não, eu nunca tive um namorado para ser sincera - Amber estacionou o carro rapidamente e logo olhou para trás encarando os olhos esverdeados da menina sorridente. - Sério, estou falando sério.
- Não me venha dizer que é virgem, porque aí eu vou surtar. - As duas da frente fixaram o olhar na recém-chegada esperando tudo menos uma confirmação de que era virgem. - Não que isso seja um problema, longe de mim, mas estamos aqui combinando de tomar todas e te entregar para qualquer homem bonitinho que pareça confiante e você é virgem.
- E claro que se você for, vamos te ajudar a perdê-la com uma pessoa especial porque eu ainda sou a favor do romance na primeira vez. - Tanto Amber como Ivy encararam Madison que mantinha sua postura perfeita. - O que? Falei algo de errado?
- Você me disse que perdeu a virgindade encostada num poste de luz atrás da sua casa com um amigo do seu irmão que foi procurar drogas, aonde você tá me dizendo que foi romântico? - Ivy riu.
- Gente, antes de mais revelações, eu não sou virgem. Eu disse que nunca tinha tido um namorado, não que era virgem. Se acalmem. - Mentiu, totalmente. - Perdi romanticamente, era meu aniversário de dezenove anos.
Mentiu mais ainda.
- Quer dizer que isso foi ano passado? - Madison questionou mesmo que soubesse a resposta. - Tudo bem, não estamos aqui para reclamar, mas me conta, ele era bonito?
- Ah, sim, ele era - Amber desceu do carro primeiro e junto das garotas tiraram as malas e subiram para o andar em que iria morar.
No trajeto contou mais mentiras sobre sua primeira vez que não rolou, mas não deixaria de se enturmar.
- Seja bem-vinda à sua nova casa.
As portas se abriram para ela, Ivy deu o primeiro passo para dentro estudando o grande sofá na sala com almofadas espalhadas pelo chão e um vídeo game junto a controles. Sofá esse que ensaiava um caminho para a cozinha equipada e chamativa.
- O que achou? - Amber passou por ela indo para geladeira. - A gente costuma fazer o mercado juntos, assim todo mundo sabe quem comprou o que e tomamos e comemos tudo em conjunto. Isso nunca deu problema, então o sistema permanece. Ah menos que você esteja em alguma dieta especial, avisa a gente. Um exemplo disso é o nosso menino Josh, ele é aqueles ratos de academia. Toma dez vitaminas diferentes e só come alface na frente das pessoas, mas quando chega em casa devora tudo que ver pela frente.
- E continua um gostoso. - Madison voltou a sorrir entre as garotas. - Ah, recomendamos também que não namore nenhum dos meninos do nosso dormitório porque eles não prestam.
- Essa é uma regra muito importante. - Amber começou. Era a mais velha da casa e a que mais passou tempo com outros estudantes. - Tivemos uma rivalidade uns anos atrás. Um amigo trazia a namorada para dormir aqui e acabou que ela errou de quarto e acabou dormindo com outro coleguinha. Isso é o que ela diz, eu acho que ela sabia onde estava entrando. - Riram juntas - Vamos lá em cima que quero te mostrar os quartos.
O andar de cima era mais bonito, havia uma pequena escada e o corredor com corrimão que tinha como paisagem o andar de baixo.
Cada porta tinha um número até o fim do corredor, todos com acesso a vista de baixo.
- Os garotos preferem os últimos. O meu sempre foi o terceiro e o da Madison o segundo, o seu é o primeiro. - Ivy nem reclamou, apenas abriu a porta com o coração na mão.
Era espaçoso, e aparentemente aconchegante, uma janela grande no fundo com TV, cama e uma mesa para estudos, muito organizado e da cor rosa, era muito a sua cara, mas estava mais animada em ver a paisagem de fora. A cidade era bonita dali, bom, no momento, tudo era perfeito aos seus olhos.
- Perfeito, não é? No primeiro ano eu fiquei nesse quarto. Mas aí eu tive que trocar porque a outra garota que estava aqui ano passado exigiu o quarto maior. - Contou Madison ao parar ao lado de Ivy na janela - eu disse que aqui era como se fosse um sonho, você vai amar.
- Já estou amando.
- Que bom... Os meninos disseram que vão almoçar fora, então, se organize, à noite vamos jantar juntos.
- Tudo bem. - respondeu empolgada quando a outra foi embora, porém, voltou alguns passos.
- Você é muito bonita Ivy... Se arrume suas vezes mais hoje, será sua noite. - Ela concordou sorrindo.
_-_
Quando a noite caiu como prometido, Ivy se juntou as garotas para o jantar com os meninos no bar preferido, e não havia lugar para não se encantar naquela cidade.
- Espero que você tenha gostado porque esse é nosso lugar preferido. - Amber sentou em sua mesa de sempre. - A única pessoa que fica com um pé atrás de vir aqui é a Madison, quer contar porque ou posso contar? - Madison jogou sua bolsa em outra cadeira sentando ao lado de Ivy deixando-a no meio. - Esse restaurante depois da meia noite vira um bar com karaokê e música ao vivo. O ex-namorado da Madison trabalha aqui cantando e numa semana em que eles estavam namorando, ele cantou uma música romântica, na outra eles já tinham terminado e ele só cantou música de término e ex que estava curtindo a vida. E poderia ter ficado aí, mas então a Madison tomou o microfone dele e cantou o resto das músicas olhando nos olhos do ex. Foi uma noite memorável.
- Era apenas para ele lembrar que namorou uma mulher de atitude e não uma moleca que tudo que ele manda. E agora ele está com uma garotinha de ensino médio.
- Você está bem com isso? Parece amargurada - Ivy tocou no ombro da amiga. - Você não parece o tipo de mulher que sofre por homem.
- Eu não sofro. Não existe um tipo de homem capaz de me fazer sofrer. - Virou para as outras que concordaram. - Ótimo, os garotos chegaram, já estou morrendo de fome.
O primeiro era alto com um braço fechado em tatuagem, usando umas regatas simples e correntes na cintura, parecia legal.
O outro apareceu de moletom escondendo seu rosto, mas não poderia esconder os cabelos amarrados para cima e que chegava a ser um charme. A pele morena brilhante lhe chamou muito atenção...
Mas nenhum desses homens deixou o coração de Ivy tão acelerado quanto o último que apareceu.
- Ah meu Deus do céu! Apolo?
- Ivy, você tá bem? - Amber se preocupou em levantar junto de Ivy que parecia que iria explodir. Olhou para Apolo que também estava surpreso. - Eu acho que acabamos de formalizar um encontro do século.
Madison olhava de um para outro, o que chamou atenção também dos meninos que pararam no meio do caminho.
- Me diga que vocês não são ex-namorados que se mudaram para esquecer um ao outro e agora vão ter que conviver junto, porque eu vou adorar contar isso para as próximas garotas que um dia viram para essa cidade. - Madison colocou a mão no coração.
O garoto pareceu acordar depois de um chamado dos meninos e voltou a andar parando na mesa.
- Oi Apolo, seja bem-vindo. Sou a Madison Diaz.
- Prazer. - Apertou a mão dela, com os olhos em Ivy.
- Eu sou Amber Block e essa é a Ivy Olivares que tenho quase certeza que você já sabe. - Ele apertou a mão da outra e realmente, não conseguia tirar os olhos da outra. - Meninos essa é a Ivy Olivares, ela é incrível.
- Oi Ivy - O primeiro a falar foi Josh empurrando seus amigos para os lados. - Se você precisar de alguma coisa pode me mandar mensagem ah hora que quiser. Você é muito linda.
- Obrigada.
- Eu sou Jones, e concordo com Josh - beijou a costa de sua mão e Ivy não conseguiu esconder o sorriso.
Os garotos eram educados e bonitos, e então, parou os olhos em Apolo que agora procurava as palavras certas para descrever o que sentia.
- Vai Apolo diz oi pelo menos. - Jones mandou batendo em suas costas, o garoto acordou.
- Se soubesse que iria me seguir, tinha te esperando. Podíamos ter vindo juntos. - Ivy respirou fundo.
Já estava passando mal.
O mundo em que ela criou em sua cabeça, a vida nova que tanto sonhou em ter naquela cidade tinha acabado.
Ela saiu de casa para não ter que olhar justamente para Apolo, a única pessoa que fez dos seus dias na escola os piores dos piores.
Quando achava que não podia piorar, lá estava ele quebrando seus encontros, destruindo seus trabalhos, acabando com sua reputação e tirando seu nome da lista dos três primeiros alunos mais inteligentes.
- Eu não acredito que isso está acontecendo. - Ela sentou procurando água para beber.
- O que é isso? Vocês já namoraram? - Amber sentou convidando todos a sentarem também enquanto sedia seu copo de água para a garota que passava mal.
- Nunca conseguiria namorar com ela. Ela me bate. - Acusou logo, vendo a outra se irritar.
- E eu prefiro desistir da faculdade e dessa cidade, dessas quatro pessoas maravilhosas só para não ter que olhar para a sua cara. - Disse tentado manter o controle, porque tudo dentro do seu paraíso estava desabando. - Vocês estão vendo esse sorriso ridículo na cara dele? Não se enganem! Ele é a pessoa mais cruel do universo e eu me recuso a ter que sentar aqui e comer te olhando. - Levantou novamente pegando sua bolsa. - Eu vou embora!
- Espera... Ivy - Amber levantou junto de Madison, mas Apolo foi mais rápido as impedindo que fossem atrás dela. - Que tipo de pessoa você é para ela ficar assim?
- Sou uma pessoa legal. Só tivemos alguns problemas. Deixa que eu falo com ela. - Avisou e saiu da mesa.
Nem em um milhão de anos ele imaginaria ver Ivy sentadinha naquela cadeira com seu cabelo jogado para o lado mostrando aqueles peitos bonitos.
"Se concentra" - mandou para si mesmo.
A encontrou do lado de fora escrevendo alguma coisa no celular. Apolo riu e se aproximou o suficiente para lhe tomar o aparelho e conseguir aqueles olhos verdes em sua direção.
- Perdeu garota!
- Ah não. - Ivy bateu o pé virando para o outro lado. Não queria ter que olhar para ele. - Porque você sempre estraga tudo? Quando meu Deus, eu vou parar de ser castigada por esse filho do demônio? ESSA PRAGA!
- Eu não sou tão ruim assim, garota - Ivy virou para ele rapidamente. - Me desculpa! Mas eu não sabia que encontraria você por aqui, e se estamos com as mesmas pessoas, certamente estamos também no mesmo apartamento, prédio e faculdade. - Cruzou os braços para acalmar o coração que batia forte dentro do peito.
- De todas as cidades do mundo, porque justamente veio para cá? Até quando você vai me seguir e destruir minha vida?
Ele mal tinha aparecido e toda a imagem daquela linda cidade havia caído por terra.
- Olha aqui minha filha, eu não estou te seguindo não. Tá achando que eu sou algum tipo de espirito obsessor que te perseguiu até aqui para continuar o serviço de não te ver feliz?
Ivy fechou os olhos querendo chorar... Era exatamente isso.
- O meu pai e minha madrasta moram aqui e resolvi fazer faculdade perto dele. E eu poderia ir morar com ele, mas...
- Mas você escolheu destruir meu sonho depois do colegial? Seu escroto filho da puta, eu te odeio. E quero que você vá embora, ou eu posso ir porque você é uma pessoa ruim e está aqui apenas para me destruir, confessa. - Mandou.
- Você não é o centro do mundo Ivy, para de se achar garota. Tá pesando que é o último sol do amanhecer? - Ele falou mais sério, se aproximou devagar estendendo o celular para ela. - Eu também sempre quis sair daquela cidade, e se tivesse reparado melhor em mim, tinha descoberto. - Apontou para si mesmo enquanto Ivy apenas calculava como iria chegar ao apartamento arrumar suas coisas e ir embora, tudo isso naquele mesmo dia.
- Claro que não vou reparar porque você não tem nada de interessante - Disparou de uma vez, e o outro fez pouco caso. - Nós não somos mais crianças.
- É, eu sei que não somos. Então fica tranquila baixinha invocada - Tentou abraça-la de lado, mas recebeu um soco no estômago. Abraçou a barriga quase perdendo o ar. - Eu não senti saudade dos seus socos.
- Nem eu de bater em você.
- Olha Ivy, não quero que desista da faculdade por minha culpa. Apesar de ter adorado saber que eu te afeto tanto a ponto de parar o seu mundo - Sorriu enquanto se erguia novamente. Ela o olhou dos pés à cabeça, suspirou, não podia perder a cabeça por causa daquele babaca. Iria sim seguir adiante.
Voltar agora para casa também era uma prova de que não saberia lidar com nada que fugisse do seu controle na vida adulta, só tinha que entender que nem tudo na vida era como planejou.
Engoliu a seco e subiu o olhar para os daquele idiota.
- Eu não vou desistir por uma pessoa escrota como você. - Apolo se ofendeu - Eu tenho um emprego aqui, um apartamento bonito e no meu quarto falta apenas flores para decorar e as meninas são legais e os garotos são bonitos, menos você. - Contou logo fazendo o garoto rir em deboche - Eu sou uma mulher adulta agora, não vou mais me importar com o que você falar. - Passou por ele de cabeça erguida.
- Ainda bem. Porque agora que você disse que é adulta... - Ele virou para ela, se encararam, Apolo sorriu. - Quero ver você fugir de tudo que acabei de planejar na minha cabeça. - Passou por ela entrando primeiro.
Ivy engoliu seu ódio entrou, e assim que fez, travou no mesmo momento quando encontrou o sorriso de Apolo.
Ele parou ao seu lado e gritou chamando atenção:
- Aí pessoal. - Todo mundo daquele restaurante olhou para os dois. - Essa é Ivy Olivares, é a minha melhor amiga desde a infância - as meninas da mesa arregalaram os olhos e os meninos se entreolharam, confusos. - Só quero anunciar que ela é uma das pessoas mais bravas que conheci, mas está em busca de alguém legal, inclusive para tirar sua virgindade.
As pessoas do restaurante riram, além de jogar cantadas de longe. Ivy olhou para cada pessoa presente ali parando em Apolo que se aproximou e abaixou-se um pouco para alcançar seus ouvidos.
- Você não tem ideia do quanto eu consigo ser escroto. Ainda mais longe do seu irmão. - Foi se afastar para voltar à mesa quando sua mão foi puxada, virou para ela a tempo de levar a primeira tapa da sua vida no rosto. Ele colocou a mão no lugar, incrédulo, surpreso, e mais surpreso ficou quando ela riu. ELA TAVA RINDO DO QUÊ? - Quê, que isso mulher?
- Eu posso ser virgem, mas com certeza a mais gostosa de todas as garotas que vai conhecer durante toda a droga da sua vida. Se você tem algum problema com isso, guarde para você.
_-_
- Me conta que historia é essa que você me diz que não é virgem e depois aquele cara fala ao contrário? Você não precisa mentir para ninguém, muito menos para mim. - Ivy desviou o olhar das garotas.
O jantar havia perdido toda a diversão e quase agradeceu quando todos resolveram ir embora.
Avistou ao longe os garotos adentrarem o carro empurrando um ao outro.
- Eu não estou chateada, mas eu quero muito saber de cada detalhe dessa briga de vocês. Sério! Que loucura foi àquela? A tapa e depois ele vindo todo mansinho sentar-se à mesa com cara de quem vai te bater em algum momento, se ele te bater eu chamo a polícia. Eu adoro uma briga. Mas sou contra a agressão à mulher.
- Desde criança ele tem uma coisa na cabeça que nada está bom se não estiver acabando com alguma parte da minha vida. De todas as pessoas na minha vida, ele era a que eu mais queria longe.
- Você vai morar com ele agora. - Ivy quis chorar - Mas não se preocupe. Eu não vou deixar ele te machucar. - Bradou Madison do outro lado mexendo no celular - Mas eu não vou deixar de lado o quanto ele é gostoso. E sem nenhuma tatuagem aparente. - Animou-se passando as fotos do instagram.
- Me deixa ver - Amber tomou o celular e ambas analisaram cada foto falando do quanto ele era gostoso, e de fato, para quem tinha mais de quinze mil seguidores no instagram com tanta foto sem camisa ou montado numa moto grande, Apolo Kade era o sonho de toda garota. - Já estou vendo as garotas da faculdade virando nossas amigas apenas para se aproximarem do Apolo.
- Eu não ligo desde que eu possa usar e abusar disso. - As duas se olharam - Estou falando de trabalho grátis em troca de uma cueca do Apolo. - As duas bateram as mãos. - Aí Ivy, o que você espera enquanto estiver morando com o Apolo? Quer se vingar? Acabar com ele? Algo assim? Porque podemos te ajudar.
- O Apolo é impenetrável, não há nada nesse homem que eu consiga derrubar. Vocês não são as primeiras a tentar me ajudar a destruir aquele filho de uma bondosa mãe.
- Querida... Não somos suas colegas do fundamental. Temos uma fonte de poder feminino na faculdade tão grandiosa que fariam de tudo para te ajudar. Mas se você quiser outra coisa... - Amber voltou a falar e Ivy as olhou.
- Que tipo de coisa você acha que existe? - Amber e Madison se entreolharam antes de voltar a Ivy, será que ela não tinha percebido que havia sim um "sentimento" vindo da parte dele?
- Não sei, quem sabe quer paquerar, seduzir? - Ivy gargalhou, mas foi parando aos poucos pensando na possibilidade de se vingar de um jeito que ele jamais iria esquecer, porém, não iria se submeter a se aproximar de Apolo para isso.
Ela não era esse tipo de mulher.
Ignorou tudo que voltaram a dizer e desviou o olhar para fora do carro e o coração acelerou ao encontrar os olhos de Apolo no outro carro mais afastado.
_-_
- Então é ela? - Jones perguntou pela terceira vez enquanto olhava o rosto sem o brilho da manhã quando chegou cheio de esperança, agora emburrado e estressado. - É sério, é a sua garota?
- Ela não é a minha garota. - Murmurou descontente encarando ao longe os olhos verdes da menina que particularmente o irritava só de estar no mesmo espaço, o irritava porque ela era a única que não queria nada com ele. - Ela não é a minha garota. - Repetiu.
- Tá. Engraçado que você mencionou o nome dela quatro vezes desde que chegou. - Jones sorriu ligando o carro. - A melhor parte é saber que você gosta dela, mas ela não sabe disso, o que te custa contar a verdade?
- Eu não gosto dela. - Falou mais alto vendo o carro das garotas ir embora e aquela troca de olhares só terminar. Deitou no banco de trás respirando melhor. - Eu... Eu gosto, eu gosto sim - Confirmou enquanto os outros riam. - E ela me deu uma tapa, vocês viram aquilo? Ela nunca tinha batido no meu rosto.
- Ela não é mais uma criança, Apolo, na verdade ela é uma mulher maravilhosa. - Josh comentou animado levando uma tapa - O que foi?
- A garota é do Apolo.
- Ela não é minha garota - voltou a repetir.
- Tá vendo? Ela não é a garota dele. - Josh tornou a falar - Uma pena a gente não poder pegar ninguém do nosso próprio apartamento. - Murmurou desgostoso - Ainda dá tempo de expulsar ela?
Quando decidiu voltar a falar com seu pai e vir para a mesma cidade, planejou trabalhar para sua madrasta, terminar a faculdade e viajar pelo mundo em cima de sua moto. Sua beleza e inteligência eram o suficiente.
Esse era um bom plano.
E nesse plano não incluía o amor a sua infância, adolescência, juventude e velhice.
E o pior de tudo, era vê-la, porque com certeza ela era seu ponto fraco.
Seu plano de ser uma pessoa melhor tinha ido por água baixo, e agora?
Como driblar a menina?
Iria voltar a ser como era antes pra ela desistir?
Não, não podia porque eles não eram mais crianças para agir daquela forma. E também, não tinha necessidade de ser tão ruim com ela a aquele ponto.