No seu 21º aniversário, Sofia, a princesa do Rio, esperava um pedido de casamento.
Sua vida, ao lado do amado Tiago e do pai, o Deputado Afonso Ribeiro, parecia um conto de fadas.
Mas a perfeição desmoronou num instante.
Tiago, seu namorado, sacou algemas em vez de um anel, prendendo seu pai.
Ele era um capitão da polícia, e o respeitado deputado, um miliciano.
No caos, Sofia foi baleada, seu mundo em estilhaços.
Tiago a descartou com frieza: "Foi uma necessidade da missão."
A princesa do Rio virou "filha de criminoso", abandonada, humilhada.
A dor era insuportável.
Teria sido toda a sua vida uma farsa?
Mas a verdade mais brutal veio à tona.
Sua mãe, Isabel, não morrera em um acidente.
Ela era a "Agente 788", uma policial secreta, que sacrificou a vida investigando o próprio pai de Sofia.
A dor de Sofia se tornou uma fúria implacável.
Ela não seria uma vítima.
Para honrar sua mãe e buscar justiça, a princesa caída renasce como "Morena".
Uma nova agente infiltrada, determinada a desvendar os segredos e acertar as contas.
O jogo sombrio do Rio agora é o dela.
A música alta da festa de 21 anos de Sofia enchia a mansão. Luzes coloridas dançavam nas paredes e nos rostos dos convidados da alta sociedade do Rio de Janeiro. Sofia segurava uma taça de champanhe, o seu vestido branco brilhava, e o seu sorriso era o mais radiante de todos. Ela olhou para Tiago, o seu namorado, o homem que ela amava mais do que tudo. Esta noite, ele iria pedi-la em casamento. Ela tinha a certeza.
O seu pai, o Deputado Afonso Ribeiro, um homem amado por todos, subiu ao pequeno palco. Ele sorriu, um sorriso que sempre acalmava Sofia. Ele pegou na mão dela.
"Minha filha, hoje entrego-te ao homem que amas. Tiago, cuida bem dela."
Afonso desceu do palco e abraçou Tiago. Sofia olhou para Tiago, o coração a bater descontroladamente. Ele caminhou até ela, mas o seu rosto estava diferente, duro, sem o amor que ela conhecia. Ele não tirou um anel do bolso. Ele tirou um par de algemas.
"Deputado Afonso Ribeiro, também conhecido como 'O Doutor'. Matrícula de agente 788. Está preso."
A música parou. O silêncio foi absoluto. Tiago algemou o pai de Sofia na frente de todos. O choque no rosto de Sofia era indescritível. O seu mundo perfeito, o seu amor perfeito, tudo se estilhaçou em mil pedaços. A taça de champanhe caiu da sua mão, quebrando-se no chão de mármore.
A notícia espalhou-se como fogo. "Filha do miliciano." A frase ecoava nos jornais, na televisão, nos sussurros dos antigos amigos. A sua vida estava arruinada. Tiago, o homem que ela amava, era agora o Capitão Tiago, o herói que desmantelou uma poderosa milícia. E ela era apenas um dano colateral.
"Tiago, porquê?", ela gritou, correndo na direção dele enquanto os polícias levavam o seu pai. "O que é isto?"
"Afonso Ribeiro, está preso por liderar uma organização criminosa, tráfico de drogas e múltiplos homicídios", disse Tiago, a sua voz fria e oficial. Ele nem sequer olhou para ela. Ele mostrou uma pasta com fotografias e documentos. "Temos provas de tudo."
Na confusão, um dos seguranças do seu pai, ainda leal, sacou de uma arma. Houve um grito. Um tiro. Uma dor aguda perfurou o ombro de Sofia. Ela caiu, o sangue a manchar o seu vestido branco. Tiago olhou para ela por um segundo, o seu rosto impassível, antes de se virar para dar ordens. Ele não se moveu para a ajudar.
O pai dela, já a ser levado, gritou. "Sofia! Minha filha, perdoa-me!"
Ela tentou levantar-se, tentou ir até ele, mas um polícia segurou-a. Tiago ficou ali, uma barreira entre ela e o seu pai, entre o seu passado e o seu futuro destruído.
Mais tarde, no meio do caos, ela encontrou-o. "O nosso amor... foi tudo mentira?"
Ele finalmente olhou para ela, os seus olhos vazios de qualquer emoção.
"Foi uma necessidade da missão. Lamento."
A palavra "amor" nunca saiu dos seus lábios.
As sirenes substituíram a música. A mansão, antes um lugar de celebração, agora era uma cena de crime. Sofia sentou-se no sofá, o ombro enfaixado por um paramédico, sentindo-se entorpecida. Ela não era mais Sofia Ribeiro, a princesa do Rio. Ela era "parente de criminoso". A frase martelava na sua cabeça.
Uma polícia sentou-se à sua frente. Era uma mulher de rosto sério, Lúcia.
"Senhorita Ribeiro, precisamos de fazer algumas perguntas sobre o seu pai."
A conversa foi um borrão. Perguntas sobre as viagens dele, os seus "negócios", os seus associados.
"O seu pai mudou depois da morte da sua mãe?", perguntou Lúcia. "A data do acidente dela... coincide com o início de muitas atividades suspeitas."
A menção da sua mãe, Isabel, trouxe uma nova onda de dor. "A minha mãe morreu num acidente de carro. O meu pai sofreu muito."
"Entendo."
Sofia engoliu em seco. "Onde está o Tiago? Eu preciso de falar com ele."
Lúcia olhou para ela com uma frieza profissional. "A missão do Capitão Tiago terminou. Ele não a vai procurar. O envolvimento dele consigo fazia parte da investigação."
A palavra "missão" foi como um soco. Ela não era uma pessoa, era um alvo. Um meio para um fim.
"Ele tem uma noiva, não é?", a pergunta saiu antes que ela pudesse pará-la. Um boato que ela tinha ouvido uma vez, mas que Tiago sempre negara.
Lúcia hesitou por um momento. "O Capitão Tiago tem alguém que ele ama muito. Ele faz tudo para a proteger."
A confirmação doeu mais do que o tiro no ombro. Ela não era apenas um alvo, era um obstáculo para a felicidade dele com outra pessoa. Uma mulher que ele amava de verdade.