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Muçulmana Convertida - Um Sheik Em Minha Vida

Muçulmana Convertida - Um Sheik Em Minha Vida

Autor:: elainemoscardineves
Gênero: Romance
Letícia precisa de dinheiro, Almir precisa de uma esposa, mas não quer se casar, então tem a excelente idéia de contratar uma brasileira. Letícia foi criada para ser uma boa dona de casa, obediente ao marido, e odiava! Casou cedo para fugir do machismo, mas quando se vê divorciada, precisando urgentemente de dinheiro, e recebe a proposta de se casar com um herdeiro de sheik por um dote milionário, percebe que tem que decidir se engole o feminismo e aceita se adequar a cultura muçulmana, humilde e submissa ao marido, ou vê sua filha morrer. Almir foi criado no Ocidente, não tem os mesmos pensamentos dos muçulmanos, mas precisa encontrar uma mulher que se adeque a essa cultura que ele mesmo repudia, para não perder sua herança para as mulheres que ele aprendeu a odiar. Esses dois juntos, vão fazer uma enorme confusão na cultura muçulmana, e Letícia vai aprender da melhor forma possível, que o diferente não é errado ou ruim!

Capítulo 1 Prólogo - Proposta Maluca

Letícia

Olhei a tela do computador e vi que o chat tinha dezenas de mensagens.

Eu estava meio aérea, não conseguia nem me lembrar com quem estava conversando. Mas quem quer que fosse, o idiota que estava me mandando um monte de mensagens daquele jeito, falando sozinho, nem merecia minha atenção. Eu tinha mais o que fazer e muito mais para me preocupar. Ao me lembrar do motivo por que liguei o computador, senti as lágrimas vindo aos meus olhos, mas controlei. Matheus ia me ligar e meu filhinho só tinha cinco anos. Não precisava ver a mãe nesse estado. Antes de eu clicar no buscador, o som de mensagem chegando me fez olhar para o chat, e percebi que chegaram mais duas novas mensagens. Revirei os olhos e resolvi responder, ia xingar o desocupado. Mas quando abri, me deparei com a mensagem:

"Sei que você não tem tempo a perder e deve estar desesperada. Vou te ajudar com a Elisa"

Na hora, eu comecei a digitar desesperada:

"Quem é você? E como sabe da minha filha?"

"Desculpe ser tão direto, mas precisava chamar a sua atenção. Meu nome é Almir Al-Fayed, depois você pesquisa. Sei que você não tem tempo a perder e nem dinheiro para pagar o tratamento da sua filha, então vou direto ao ponto. Posso te oferecer uma quantia exorbitante de dote, se você se casar comigo"

"Você é louco?"

"Não. Eu sou filho de um Sheik árabe e ele exige que eu me case. Em vinte e dois dias. Eu não quero me casar, então pensei em contratar uma moça que estivesse disposta a se casar comigo por algum tempo. Você precisa do dinheiro do dote, e eu preciso de uma esposa, e nenhum dos dois tem tempo para pensar muito nisso. O que me diz?"

"Que você é um louco, maníaco, que está se aproveitando da dor de uma mãe para fazer piadas muito sem graça e eu vou te bloquear. Adeus"

"Espere, Letícia. Eu estou mandando agora mesmo uma equipe com os melhores hepatologistas do mundo para cuidar da sua pequena. E como prova de boa-fé, estou transferindo para a sua conta três vezes mais o valor que está a sua dívida no hospital"

"Eu não vou dormir com você, muito menos me casar. Nem vou te passar os meus dados, seu maluco"

Antes de eu bloquear o idiota piadista, meu celular acendeu o ecrã, e pude ver que era uma notificação do banco. Quase caí para trás da cadeira com a mensagem: "você recebeu uma transação no valor de 60 mil reais."

"Que espécie de louco é você? Por que você fez isso? Como você sabia até os meus dados?"

"Ainda bem que você me deu sua atenção. Isso não é pagamento nenhum, Letícia. É empatia. Você precisa de tranquilidade para cuidar da sua pequena. Se você não aceitar se casar comigo, tome isso como um presente, mas pelo que eu imagino, você vai precisar de muito mais do que isso para as próximas despesas. Então, vou te mandar uma cópia do contrato de casamento, com todos os seus direitos e obrigações, e anexo um documento com o valor a ser depositado para o seu pai, e as exigências que eu preciso que você cumpra"

"Meu filho está me ligando, depois que falar com ele, vou te responder a altura."

Capítulo 2 O Herdeiro

ALMIR

Sou o único filho da primeira esposa de Faruk Al-Fayed, o que quer dizer que a minha mãe era a esposa que mandava nas outras. Eu sou o herdeiro do título do meu pai e, quando chegar a hora, eu vou mandar em todas as esposas e filhos dele.

Isso deve ser o sonho de todo menino dos Emirados Árabes: ser o primeiro filho da primeira esposa. Isso, em nossa cultura, é natural, e os irmãos mais novos não querem nosso lugar, a menos que nos matem, mas não somos gananciosos como os ocidentais.

E, se tudo não tivesse acontecido como aconteceu, talvez eu também fosse muito feliz. Mas eu tenho esse posto que, para mim, é uma maldição. Porque não é da nossa cultura ser ganancioso com as coisas dos outros, mas as mulheres são invejosas em todos os lugares.

Somos regidos pelo Sharia, a lei islâmica, com embasamento no Alcorão. Isso quer dizer que cada homem pode se casar com até quatro mulheres. Mas isso não é assim, desregrado. A regra mais rígida do islamismo para o tema é que o homem tem a obrigação de tratar todas as mulheres com igualdade. E, para fazer isso, precisa ter dinheiro. Muito dinheiro. Porque, se uma mulher é cara, imagina quatro.

Ao contrário do que os ocidentais pensam, a poligamia não é safadeza, é uma responsabilidade social: assumir para si uma mulher que ficaria sem marido. E as mulheres não têm a obrigação de se casar, se não quiserem. Mas, se quiserem, precisam da autorização de um homem da família.

A poligamia virou mais uma questão de status em tempos modernos, já que ter três ou mais esposas é sinônimo de riqueza. Já falei que mulher é cara, né?

Minha mãe e meu pai se apaixonaram. Era um amor verdadeiro, e o meu pai nunca teve a pretensão de ter outra esposa. Assim que eu nasci, uma família da aldeia atormentou meu avô, dizendo que não era bom um sheik ter apenas uma mulher e um herdeiro. Minha mãe, no pós-parto, autorizou o meu pai a se casar de novo, e logo a outra também estava grávida. Outras famílias se aproveitaram, e, quando menos esperávamos, ele já tinha quatro esposas e precisou trazer todas para morar na casa dele. Porque a lei de igualdade não é só financeira, mas também de atenção e cuidado. E, se meu pai desse uma casa para cada uma, não poderia continuar morando com a minha mãe.

Com a minha mãe era só amor, e era ela quem mandava nas outras esposas. Tudo corria em harmonia. O problema foi que as outras três esposas tiveram filhas mulheres. Duas vezes. E, quando eu tinha quatro anos, minha mãe engravidou novamente. A preocupação delas de que minha mãe desse outro filho homem ao meu pai fez com que dessem algumas ervas para o bebê descer. Conseguiram. Minha mãe passou muito mal e veio a óbito.

Meu pai repudiou as três. Mas o direito do filho é do homem no divórcio, pela lei islâmica, então meu pai ficou com sete filhos e sem mulher nenhuma. Para ajudar com todas essas crianças, ele se casou de novo com a irmã da minha mãe. Deu uma casa para cada uma das ex-esposas e as contratou para cuidar das filhas. Minha tia é como minha mãe: amor, cuidado e paciência. Não permitiu que meu pai se casasse de novo e teve mais quatro filhos com ele. Me criou bem, mas, como eu não tinha mãe, sempre me mimavam.

Eu estudei no Ocidente: Estados Unidos, Canadá, França. Todas as férias eu voltava para casa, e meu pai me lembrava que eu deveria assumir o lugar dele como o filho mais velho. Quando eu estava terminando a faculdade, ele me chamou para ter uma conversa:

- Almir, você não pode esquecer as suas origens, nem a sua cultura. Você é um muçulmano. Em um ano você volta e vem assumir os meus negócios. Depois que você se casar, vai assumir o meu lugar, e eu vou poder descansar.

- Esse é o problema, pai. Eu não quero me casar.

- Mas vai. Você precisa. Não pode fugir da sua responsabilidade de assumir uma muçulmana que vai dar os meus netos, os herdeiros do meu nome.

- Igual você, pai? Que assumiu aquelas três para matarem a minha mãe?

- Minhas últimas esposas antes de Radija não pensaram que aquilo fosse acontecer. Sinto falta da sua mãe todos os dias, filho, mas a vida continua, e eu tenho onze filhos para cuidar.

- Então dê meu posto para o Fuad. Não vou me casar.

- Você pode abrir mão do seu posto, mas não será para Fuad, nem Hassan, Samir ou Kaleb.

- Não entendi.

- Casei todas as suas irmãs. Vou fazer uma competição entre os maridos delas para entregar meu reinado.

- Você não pode fazer isso, papai. Seu herdeiro tem que ter seu sangue.

- Terá na próxima geração.

- Você está ficando senil tão jovem, papai?

- Não. Quero que você seja feliz, Almir. Toda felicidade do mundo eu desejo a você. E você não sabe, mas deixo dez de lado por você. Todas as minhas esposas tiveram filhos múltiplos. A única que eu amei e quis me casar só me deu a minha outra metade. Se você não quer tudo o que construí para você, não faz sentido ter.

- Está bem, papai. Eu vou estudar, e, quando me formar, volto e me caso. Tudo bem assim?

- Combinado.

- Mas eu tenho uma exigência. - O olhei nos olhos. - Não quero uma muçulmana.

- Vamos falar nisso quando for a hora. - Ele fez um gesto vago com a mão.

- Negativo. Isso não é negociável. Quero uma ocidental que não vá aceitar uma segunda esposa.

- Se eu tiver a sua palavra de que você vai voltar e se casar, e que, mesmo sendo uma ocidental, ela vai entrar em nossos costumes, você tem a minha palavra de que eu permito que você se case com quem quiser.

Capítulo 3 Acelerar a Obrigação

Almir

Consegui enrolar meu pai por quase dez anos depois daquela conversa. Fiz pós-graduação, doutorado e alguns cursos também. Nesses dez anos, saí com centenas de ocidentais, de vários países diferentes, tentando encontrar aquela vontade de me casar com alguma. Mas nada aconteceu.

Soube que meu tempo havia se esgotado quando recebi a visita de minha tia Radija e do meu irmão mais velho, Fuad. Depois dos cumprimentos e abraços de saudade, Radija colocou a mesa para almoçarmos e fez a pergunta mais inusitada que eu poderia imaginar:

- Você continua fazendo suas orações cinco vezes por dia, Almir?

- Não, tia.

- Você ainda se sente um muçulmano, meu filho?

- Não, tia. Durante todos esses anos vivendo com os ocidentais, acredito que nossa cultura seja muito retrógrada.

- Não perguntei da nossa cultura, perguntei sobre a nossa religião.

- Nossa religião dita nossa cultura, tia. Porque tudo o que seguimos é o Alcorão. E aquela lei é retrógrada.

- O que é retrógrado para você, Almir?

- Vamos começar pelo fato de um muçulmano poder ter quatro mulheres. No Ocidente, isso é ilegal em qualquer cultura.

- Ilegal? Como um crime?

- Sim, ilegal como um crime, do mesmo jeito que um roubo ou algo do tipo.

- Entendo. E suponho que eles não punem os infratores, assim como um ladrão no Ocidente não tem a mão cortada.

- Lógico que os ladrões aqui não têm a mão decepada. Isso é uma barbaridade muçulmana.

- Você acha que o castigo para o ladrão é uma barbaridade, Almir? Mas em nosso país, quando alguém é pego roubando e tem testemunhas, lhe cortam a mão. É um castigo duro? Claro que é. Mas quem infringe a lei tem que ser punido. Mas o melhor dessa punição são as vítimas. Porque, quando encontramos alguém sem a mão, sabemos que é um ladrão. Não lhe damos a oportunidade de nos roubar. E aqui, Almir? Como vocês reconhecem o ladrão para ficar longe dele?

- Tudo bem, pode não ser uma barbaridade. Mas o que você quer que façam com o homem que for pego com mais de uma esposa? Lhe cortem as genitálias?

- Não sobrariam mais homens para a população feminina no Ocidente, Almir.

- Tia, já disse que é um crime. Apenas uma pequena porcentagem da população se arrisca a cometer bigamia.

- Engano seu, Almir. Os ocidentais acham um absurdo o homem tomar quatro mulheres por esposas, se casar com elas, dar nome, posição social e sustento, reconhecer todos os filhos dessas esposas e dedicar a mesma atenção, carinho e cuidado para cada uma. Mas acham natural tomar uma por esposa e várias outras com conjunção carnal e infidelidade.

- Tem uma brasileira trabalhando lá em casa. Ela vive cantando uma música. Não sei como se pronuncia, mas seu pai disse que a letra fala que amante não tem lar. Ele teve que me explicar o que é amante. Você sabe o que é amante, Almir?

- Sei, tia. Mas...

- Mas não quer me explicar. Faruk me disse que amante é esposa de cama. Por isso a música diz que amante não tem lar. Ela não tem casa nem direitos. O marido não a sustenta nem tem obrigação. Se ela tiver filhos com ele, nem são reconhecidos, a família não conhece, ela não pode se sentar à mesa com a primeira esposa, que na maioria das vezes nem sabe da existência dela. E pior, não são como as três esposas, que são fixas e respeitadas, porque o marido não pode ser infiel. Essas esposas de cama, sem direitos, podem ser trocadas de tempos em tempos, de um dia para o outro até.

- Eu entendi aonde você quer chegar, pare. Eu sei o que é amante, já te disse. - Eu já estava começando a ficar aborrecido com aquela conversa.

- Você tem um monte de esposas de cama, Almir. Está na hora de voltar para casa e ter a oficial, voltar para a sua cultura retrógrada, assumir uma esposa só e se dedicar a ela. Se não se apaixonou por ninguém nesse tempo todo, melhor ainda. A maioria dos muçulmanos combina seu casamento sem conhecer a esposa. Se quer casar com uma ocidental, encontre logo. Seu pai colocou a quarta ponte de safena no mês passado.

- Quarta? Por que ninguém me contou?

- Faruk não deixou. Disse que, se contassem que ele está doente, você poderia achar que ele está te manipulando.

- Faça o que tem que fazer, Almir. Seu pai é muito importante para mim.

Minha tia foi embora, e eu marquei uma saída com uma brasileira negra, gostosa pra caramba, que fazia o curso comigo.

- Eu já falei para você casar comigo, eu faço uma feijoada maravilhosa.

- Não comemos carne de porco, Madalena. Mas você está disposta a largar a sua volta ao mundo para casar, ter filhos e usar o lenço para sempre?

- Para sempre é muito tempo, Almir. Mas você não quer se casar com ninguém. Você pode devolver a noiva, por que não faz um contrato de casamento?

- O quê? Eu brigo com meu povo por decisões retrógradas e você agora quer que eu me case por contrato?

- Pensa, Almir. Você quer voltar para casa, vem se preparando há anos para assumir os negócios do seu pai. É grato a ele por ter te permitido encontrar uma mulher que te agrade, mas não rolou porque seu problema é com esposa e com o formato dos casamentos na sua cultura. Se você contratar uma pessoa, seu pai vai pagar, porque vocês pagam o dote da mulher. Faça o acordo, leve-a para lá e vocês serão felizes. Coloque um filhinho nela e, depois que o herdeiro nascer, mande-a fazer alguma coisa para você repudiá-la.

- E onde vou encontrar uma mulher que aceite isso, Madalena? Casar-se sabendo que depois que gerar vai ser devolvida?

- Você pode se surpreender com a quantidade de mulheres que fazem qualquer coisa por dinheiro no mundo todo. Posso te citar vários exemplos: barriga de aluguel aqui nos Estados Unidos. Mulheres que fazem inseminação artificial para vender os bebês...

- Não quero essas mercenárias.

- Então encontre uma com problemas financeiros, que vai ficar grata por fazer isso por você.

- Onde, criatura?

- Chat de relacionamento é um bom lugar.

- É mesmo, e eu crio um perfil com a descrição: procuro uma mulher para se casar comigo e eu devolvo em dois ou três anos?

- Claro que não. Vai atrair mercenárias. Crie um perfil normal, mas de preferência com um nome falso. Qualquer pesquisa na internet vai te denunciar. Depois vá conversando com várias mulheres. Tenho certeza de que, quando encontrar a certa, vai saber.

Embarquei nessa loucura. Madalena me ajudou. Fiz perfis em português, francês, italiano, inglês, árabe e espanhol, as línguas que falo fluentemente e consigo manter uma conversação. Madalena acompanhava as conversas e descartava todas que achava que não estavam em meu perfil. Depois de quinze dias, descartamos essa ideia. Faltava pouco mais de um mês para terminar meu curso e eu voltar para casa. Não podia mais perder tempo com aquilo. Me conformei em voltar e casar com uma muçulmana. Tudo para não deixar meu pai morrer sem me ver cumprindo a promessa que lhe fiz.

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