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Muito Prazer, Ceo

Muito Prazer, Ceo

Autor:: Dayane Castro
Gênero: Romance
Liv Killel, uma mafiosa sem limites e provocante, é castigada pelo pai com a tarefa de montar sua própria empresa para aprender a dar valor ao dinheiro. Oliver Braga Castilho, um CEO com traumas em seu passado, tornou-se frio e ignorante, usando isso como uma forma de afastar as pessoas, especialmente as mulheres. Ao descobrir que seu tio está levando a empresa à falência, ele retorna para a Itália e se depara com uma nova sócia que, além de revolucionar a empresa, invade seu coração. Agora, ele terá que descobrir se vive o amor ou morre no prazer.

Capítulo 1 Liv Killel

Liv,

Chego em casa após cumprir a tarefa que meu pai me pediu, mas, como nas vezes anteriores, acabei eliminando o sujeito antes mesmo de receber o pagamento. Meu pai já estava ficando irritado com essa situação e decidiu me dar uma última chance.

O problema é que eu detesto lidar com pessoas incompetentes que precisam que repitam as coisas várias vezes para entenderem. Não sou de fazer ameaças, prefiro agir diretamente, e se alguém vier com drama, minha paciência se esgota rapidamente.

E ter que falar mais de uma vez que o cara deve para o meu pai, e tem que pagar, me deixa estressada. Aguardando meu pai em seu escritório, percebo que ele entra coçando a cabeça. Ele se senta em sua cadeira e me observa em silêncio por alguns segundos.

- Eu não sei o que fazer com você, Liv. Eu pedi para você receber o dinheiro, e não matar o cara. E agora, quem vai me pagar?

- Pai, ele estava sem dinheiro, não tinha condições de te pagar. Você deveria estar grato, pois ele não é mais uma dívida pendente.

- Grato? Liv, você cuidando dos devedores vai me levar à falência. Um morto não paga dívidas, então como vou receber o dinheiro?

Olho para o lado, sem ter a resposta que ele quer ouvir. Ele fecha os olhos e respira rapidamente, tentando se controlar.

- Vou mudar sua função. Aliás, vou te ensinar como se cobra dos devedores, pois você tem tudo de mão beijada, não sabe como é ter que ganhar dinheiro. Então, vou te tirar tanto do seu trabalho na máfia quanto da sua posição. A partir de hoje, Enzo vai comandá-la sozinho, e você terá outra ocupação.

- Tipo o quê?

- Vou te dar uma boa quantia em dinheiro. Você poderá abrir uma empresa do que quiser. Procure investidores e sócios, se necessário. Comece do zero para construir sua própria vida. Se você falhar na missão de levantar a empresa, eu te deserdarei da máfia e você não será mais a vice do seu irmão.

- Empresa? Pai, você me criou para ser uma mafiosa, não uma empresária. Como vou fazer isso?

- Se vire. Ah, e está proibida de matar, se matar uma pessoa que não seja por legítima defesa, está totalmente fora da máfia. - Tento retrucar, mas quando meu pai toma uma decisão, ninguém consegue mudar. Droga, e agora o que vou fazer?

Ele assina um cheque de 50 milhões de dólares e diz que até o final do ano quer ver esse valor triplicado. Pego o cheque e vou para o meu quarto, irritada com essa imposição. Olho para o cheque e percebo que é uma quantia significativa. Se eu investisse esse dinheiro, poderia obter um bom retorno e nem precisaria trabalhar.

Porém, parece que o que meu pai realmente quer é me ver escravizada profissionalmente. Decido pesquisar sobre o mercado de trabalho, empresas que estão enfrentando dificuldades financeiras ou algo do tipo. Não quero começar do zero, pois não faço ideia por onde começar.

Encontro uma empresa de telefonia, com a área de fabricação nos fundos e a sede da própria empresa na frente. A empresa está enfrentando problemas financeiros desde o último lançamento de um aparelho celular que não obteve sucesso. Mesmo assim, vejo uma oportunidade de negócio promissora, pois acredito que podemos criar um novo aparelho, corrigindo as falhas do modelo anterior e focando em um lançamento inovador.

Observo o meu celular e começo a listar todas as funcionalidades que ele possui, além de pensar em recursos adicionais que poderiam torná-lo diferente das marcas mais famosas, levando em consideração também o design. Com a ideia clara em minha mente, decido entrar em contato com a secretária do CEO da empresa.

Explico que estou interessado em fazer um investimento e ajudar a reerguer a empresa. A secretária prontamente me transfere para Piter, o vice-presidente da empresa, já que o CEO está fora viajando devido ao falecimento dos seus pais.

Marco uma reunião com ele para discutirmos meus planos e já marcamos para amanhã mesmo. Ao olhar para minha roupa casual, percebo que vou precisar mudar meu estilo de vestir. Imagina eu entrando em uma empresa vestindo uma calça preta justa e uma blusa branca com um colete por cima, seria hilário.

Na manhã seguinte, busco por um apartamento para morar sozinha, enquanto estou nessa nova vida de empresária. Depois de consegui o apartamento perfeito para mim, dirijo-me à empresa. Ele já está na sala de reuniões me aguardando. Sua secretária me acompanha até lá e, assim que entro, ele se levanta com um sorriso nos lábios. Ele aparenta ter cerca de 40 anos, com uma barba bem aparada e cabelos castanhos claros.

-Senhorita Kalel? - Ele pergunta estendendo a mão para mim.

- Senhor Braga. - Aperto a sua mão e ele me conduz até a cadeira.

Entrego a ele a pasta contendo todos os planos que tenho. Ele mal lê, apenas passa os olhos pelas páginas e observa algumas imagens. Mas também, com a empresa à beira da falência, ele aceita tudo tranquilamente, só que isso me deixa um tanto desconfiada.

Será que a empresa realmente enfrentou problemas por causa do aparelho? Ou será que ele desviou dinheiro e foi por isso que os aparelhos foram de tão baixa qualidade e acabaram dando errado?

Essas são as dúvidas que pairam em minha mente enquanto observo o senhor Braga. A incerteza e a desconfiança começam a tomar conta de mim, mas decido manter a calma e decido ser logo direta com ele.

- Olha, senhor Braga, eu sou bastante desconfiada por natureza. Ao aceitar essa sociedade, vamos substituir os funcionários que forem necessários. Não vamos mexer no dinheiro dos novos aparelhos até que a empresa tenha recuperado sua posição no mercado.

- Concordo plenamente, senhorita. Vamos seguir o seu plano, pois é essencial que a empresa retorne ao seu antigo auge. Fomos enganados por alguns funcionários que estavam envolvidos em esquemas com uma empresa concorrente, e foi por isso que enfrentamos todos esses problemas. No entanto, estávamos tendo dificuldades em nos recuperar, pois até mesmo os bancos estavam nos negando empréstimos após a notícia de que os aparelhos que produzimos não atenderam às expectativas.

- Certo, vou assinar a sociedade e você vai me mostrar a empresa. Quero conhecer cada parte e depois faremos uma reunião com todos os funcionários.

Ele concorda com a cabeça e chama o seu advogado para levar os documentos e autenticá-los. Continuamos conversando por mais algum tempo e, quando estávamos saindo da sala de reunião, um homem para na porta e nos observa atentamente.

Olho para ele de cima a baixo. Ele é realmente bonito, com cerca de 30 anos de idade, cabelos claros e olhos azuis. Parece ser um típico filhinho de papai. Seu terno sob medida realça seu corpo musculoso, dando uma elegância maior, e um estilo de um ser poderoso.

- O que está acontecendo, tio? - Ele pergunta com sua voz grave depois de me medir de cima a baixo.

- Este é a senhorita Liv Killel, ela é a nossa nova sócia. Ela vai nos ajudar a reerguer a empresa.

- Sócia? Eu não disse que queria uma sócia. Eu disse que você teria que dar um jeito de reerguer a empresa por conta própria. Acha mesmo que vou permitir que você divida a herança dos meus pais com uma estranha?

Bom, como eu disse, típico filhinho de papai, onde as coisas têm que ser do seu jeito, e não do jeito certo. Ah, mas eu vou me divertir muito com esse playboyzinho. Deixe ele tentar me passar para trás. Eu adoro um joguinho de sedução, e ele vai ter que me aceitar na empresa, ou não me chamo Liv.

Capítulo 2 Oliver Braga Castilho

Oliver,

Depois da morte dos meus pais, decidi me afastar de tudo. Eles eram o meu alicerce, meu porto seguro. Deixei a empresa de telefonia InfinityPhone nas mãos do meu tio, irmão da minha mãe. Minha infância foi muito boa, eles me ensinaram muitas coisas. No entanto, na minha adolescência, eu era um cara muito inseguro e não conseguia me relacionar com nenhuma mulher. Após o que aconteceu comigo, acabei me privando de ter mulheres ao meu lado.

Com isso, ganhei várias famas de ser gay, principalmente pelos jornais e revistas de fofoca. Todos os dias me vejo em alguma página, onde falam sobre a minha sexualidade. É chato e irritante. Um homem não pode escolher viver sozinho? Tem que ter uma mulher, senão é taxado de gay?

Se eles soubessem o motivo pelo qual não me aproximo de nenhuma mulher, será que parariam de me colocar como centro das atenções? Acho que não. Poderia até ser pior, pois aí sim eu seria motivo de piada.

Os únicos que sabiam disso eram os meus pais, pois foi culpa deles que fiquei assim. A culpa foi minha, mas eles me disseram o que ia acontecer comigo, então eles têm uma parcela grande nesse caso.

Fiquei fora por três meses e soube pelo meu tio que lançaram um novo aparelho de celular. No entanto, houve muitas devoluções devido ao fato do aparelho não cumprir suas promessas, além de ter um preço elevado. O produto também apresentou várias falhas, levando a empresa à falência.

Não pude nem ficar em paz durante meu luto, pois se eu não voltar para a empresa, meu tio vai afundá-la ainda mais. Já estamos em falência, só falta fechar as portas.

Embora eu tenha meu próprio dinheiro com minhas economias e não precise mais trabalhar lá, a empresa é uma herança de família e eu jamais permitiria que ela desmoronasse, especialmente porque meus pais a construíram do zero.

Então, pego minhas coisas e volto para a Itália. Vou direto para a mansão, mas ao chegar, me deparo com meu tio esparramado no sofá. Olho no relógio e ainda é meio-dia, horário em que ele deveria estar na empresa e não em casa dormindo.

Pego o controle da televisão e a desligo, pois nunca vi uma pessoa dormindo enquanto assiste. Paro em frente a eles, cruzo os braços e observo atentamente o destruidor de empresas.

Pego uma almofada e jogo com força nele, e volto a cruzar os braços assim que ele acorda em desespero.

- Oliver... Você... Você voltou?

- Não, ainda estou lá. Sou apenas uma assombração que veio até aqui para te perturbar por você ter falido a empresa dos meus pais. Qual é a sua desculpa, tio?

- Eu não tive culpa. O último lançamento teve muitos problemas na fabricação, muitas falhas, o que causou muitas devoluções e parou as vendas. Com isso, até os modelos antigos ficaram sob suspeita.

- Eu vi o balancete e percebi que você gastou muito com produtos, mas o cofre da empresa está vazio. Eu poderia chamar a polícia e te denunciar por roubo, mas você preso não vai trazer o dinheiro de volta. Não sei o que você vai fazer, mas eu quero que a empresa volte a vender da mesma forma que eu deixei há três meses quando fui embora.

- Eu não peguei o dinheiro, ele foi usado para pagar as multas contratuais, já que as lojas não puderam ficar com os aparelhos.

- Sem desculpas, você precisa colocar os 10 milhões de dólares de volta na empresa e conseguir um novo aparelho para recuperar o negócio. Se vire.

Ele se levanta e fica de pé em minha frente. Sou até mais baixo que ele, se ele quer me intimidar, está no caminho errado, pois o único homem que eu tinha medo morreu junto com a minha mãe.

- Quanto você gastou nessa sua viagem?

- Não gastei nada da empresa, tenho minhas economias há muito tempo e usei delas. Não peguei nada da empresa, só deixei do jeito que o meu pai deixou. Não venha querer jogar a culpa em mim. Já está avisado, quero o dinheiro na conta da empresa até sexta-feira, e já comece a planejar o lançamento do novo aparelho.

Deixo ele sozinho, ele tem três dias para arrumar esse dinheiro, não me importa como vai fazer. Vou para o meu quarto, tomo um banho, pego o meu computador e começo a trabalhar em um novo modelo. Caso ele não consiga, eu vou tirá-lo da empresa e assumir as rédeas, mas ele nunca mais vai pisar lá. Passo quase a madrugada toda trabalhando, só paro quando são três da manhã. Desligo o computador e me deito para dormir.

Acordo pela manhã, faço minha higiene matinal, ligo o computador e faço os últimos detalhes no aparelho celular. Desço para tomar café da manhã e a empregada diz que ele saiu, que tinha uma reunião importante.

Ele não me falou nada dessa reunião. Termino o café e sigo para a empresa. Assim que chego na sala, uma mulher sai dela, com toda sua elegância. Ao descobrir que ela é sócia da empresa, meu sangue ferve. Esse foi o jeito mais fácil que ele encontrou para conseguir o dinheiro, mas não vai ser assim. Ele não vai colocar uma estranha dentro de uma empresa familiar.

- Vamos conversar na minha sala, tio. E você, espere aqui, pois vou trazer os documentos de volta para você assinar. Não vamos querer uma sócia.

- Eu já sou sócia, senhor Castilho. Se quiser que eu saia da sociedade, terá que pagar uma multa. Conheço bem os meus direitos.

- Pagar multa? Quer a empresa toda para você não?

Ela cruza os braços e me olha com um sorriso provocador. Quem essa mulher pensa que é? Não falo mais nada, viro as costas e chamo meu tio para a minha sala. Ele já entra revelando que ela vai investir a quantia de 25 milhões de dólares e ainda vai investir no novo aparelho. Ele estende uma pasta para mim, mostrando a ideia dela.

Começo a folhear as páginas e até que ela tem uma boa criatividade para o aparelho. No final, ela escreve sobre o aparelho..

"Ele será um aparelho revolucionário que redefine o conceito de tecnologia avançada. Este dispositivo, é uma verdadeira obra-prima da engenharia e da inovação.

Com um design elegante e futurista, o telefone é composto por uma tela flexível e transparente que se adapta perfeitamente ao formato do usuário. A experiência visual é simplesmente deslumbrante, com cores vibrantes e detalhes nítidos que saltam aos olhos.

Além disso, o aparelho possui recursos impressionantes que ultrapassam qualquer expectativa. Sua câmera é capaz de capturar imagens em resolução ultra-alta, com uma qualidade que rivaliza com as melhores câmeras profissionais do mercado. A tecnologia de reconhecimento facial integrada permite desbloquear o aparelho com extrema segurança e rapidez.

A inteligência artificial avançada do smartphone é verdadeiramente surpreendente. Ele aprende com o usuário e se adapta às suas preferências, tornando-se um assistente pessoal virtual extremamente eficiente. Ele é capaz de responder perguntas, fornecer recomendações personalizadas e até mesmo antecipar as necessidades do usuário.

A bateria de longa duração, garante um uso contínuo ao longo do dia, sem a necessidade de recargas constantes. E, graças à tecnologia de carregamento sem fio, o aparelho pode ser recarregado de forma rápida e conveniente.

O aparelho também oferece uma experiência de entretenimento imersiva. Sua capacidade de realidade virtual integrada permite que o usuário mergulhe em mundos virtuais incríveis, proporcionando uma sensação de imersão sem precedentes."

- A ideia dela é boa, porém é muito avançada para a nossa empresa, não acha?

- Eu acho que é disso que precisamos para impulsionar a InfinityPhone. Preste atenção nos detalhes e dê uma chance a ela e a sua ideia.

- Chame-a aqui. Vou fazer a reunião com ela sozinho. - Meu tio sai e a chama de volta para a minha sala. Só espero que essa mulher não me dê trabalho, ou posso até ficar sem nada por ter que pagar multa para ela. Mas a manterei bem longe daqui.

Capítulo 3 Não me olhe assim, senhor.

Liv,

Espero ansiosamente enquanto eles terminam de conversar, como se estivesse presa, sem alternativas caso ele não me aceite aqui. Será difícil encontrar outra empresa à beira da falência, ou pior ainda, ter que começar do zero e montar meu próprio negócio, algo que desconheço por completo. Talvez eu devesse considerar uma empresa de assassinato por encomenda ou até mesmo formar uma nova máfia. Dessa forma, meu pai entenderia que esse é o meu verdadeiro caminho, em vez de ficar presa atrás de uma mesa usando roupas sociais.

Após alguns minutos, o senhor Braga sai da sala e se aproxima de mim. Ele me informa que seu sobrinho deseja falar comigo a sós. Decido usar todo o meu poder de sedução para conquistar sua aprovação. Tudo o que preciso é permanecer aqui e fazer com que o dinheiro do meu pai triplique até o final do ano. Depois disso, poderei voltar para minha vida na máfia.

Respiro fundo, solto o ar e entro na sala dele. Seus olhos já estão fixos em mim, como se estivesse me avaliando minuciosamente. Decido adotar uma expressão inocente, para que ele não perceba quem eu realmente sou. Ele estende a mão, indicando que eu me sente na cadeira em sua frente, enquanto ele coloca os cotovelos sobre a mesa e me observa atentamente.

- Não me olhe assim, senhor Castilho, ou eu posso me apaixonar. - Ele se mexe desconfortavelmente na cadeira, pigarreando a garganta e ajustando sua postura.

- Eu li o seu plano para o novo modelo, você não acha um tanto exagerado?

- Tem que ser um aparelho impecável, no qual ninguém possa encontrar falhas. Meu celular atual é de última geração, mas ainda sinto que falta algo nele. Por isso, coloquei todos os recursos que considero essenciais para este lançamento.

- Por que escolheu a minha empresa?

- Porque ela está à beira da falência, e, sabe, eu adoro um desafio. Levantar essa empresa, que está na lista negra da população, será o ápice para todos nós, concorda?

Ele morde o canto da boca, pensativo, e depois abaixa o olhar para as imagens do celular que projetei. Ele abre sua pasta, retira um papel e me entrega. Nele, há um modelo de celular, que se assemelha ao que descrevi.

- Vamos incorporar todos esses elementos nesse aparelho, mas o design do meu é mais sofisticado que o seu. - Ele fala franzindo a testa.

Concordo com ele, pois é verdade, ele é um bom desenhista, e eu utilizei inteligência artificial para projetar o meu modelo, enquanto o dele é claramente fruto do seu próprio trabalho. Fechamos o negócio, apertando as mãos um do outro. Olho para ele com um sorriso, mas ele mantém sua expressão séria. Parece ser alguém um tanto rígido, espero conseguir me adaptar a esse jeito dele.

Me levanto e ele diz que posso começar a trabalhar amanhã. Informo que o tio dele irá me mostrar a empresa, e ele me manda sair. Encontro o tio dele do lado de fora, e ele me guia por cada canto, mostrando e explicando onde cada funcionário trabalha e qual é a sua função.

Peço para realizar uma reunião inicial com os funcionários da empresa e, em seguida, outra reunião com a equipe de fabricação, a fim de evitar confusões entre as funções. Ele convoca todos e eles se reúnem no amplo salão.

- Como todos sabem, a empresa está à beira da falência. Vamos tentar mais uma vez dar a volta por cima. No entanto, vou observar o desempenho de cada um de vocês durante uma semana. Aqueles que estiverem desempenhando bem suas funções, não serão afetados. Porém, aqueles que não estiverem alcançando resultados satisfatórios, serão realocados até encontrarmos o lugar certo para cada um.

- Quem é a senhora?

- Sou a nova sócia da empresa. Serei responsável por orientá-los, com a ajuda de vocês, e espero que possamos ser mais do que chefes e funcionários. Quero que sejamos parceiros, para que ninguém perca seu emprego e todos possam continuar sustentando suas famílias.

Acho que me expressei de forma eloquente, pois todos me aplaudiram, exceto o dono da empresa, que me observa lá de cima de sua sala, com os braços cruzados. Mas, se eu alcançar bons resultados, tenho certeza de que ele irá me agradecer. Mando um beijo para ele, e quando vê, se vira de costas.

Será que ele está me ignorando por ser gay? Se for esse o caso, talvez eu precise arrumar um amigo para ele, pois esse mau humor todo pode ser resultado de falta de intimidade.

Em seguida, seguimos para a área da fábrica, onde compartilho as mesmas palavras, pois é assim que fazíamos na máfia: colocamos cada pessoa em sua melhor função. Parece que agradou alguns e desagradou outros. Sou uma mulher desconfiada por natureza, especialmente quando alguém evita olhar nos meus olhos.

Alguns dos funcionários da fábrica fizeram exatamente isso, desviando o olhar, e vou anotar seus nomes para investigá-los mais a fundo. O senhor Braga mencionou que há infiltrados aqui, então preciso descobrir quem são antes de iniciar a produção dos novos aparelhos.

Depois da reunião, mostro ao senhor Braga as fichas das pessoas com quem desejo conversar pessoalmente. Ele fica um pouco nervoso, mas me entrega as informações de todos. Vou para a minha sala, que o Braga disse que poderia ser minha, e me sento na cadeira.

Olho atentamente para cada ficha de trabalho de cada indivíduo. Percebo que alguns deles não possuem experiência no ramo, mas podem ser aprendizes. Esses descartarei durante a produção, não porque são ruins, mas porque não quero que sejam curiosos em relação à nova tecnologia.

Para elevar a empresa, vou precisar dos melhores profissionais trabalhando no desenvolvimento do aparelho, aqueles que já têm experiência. Os demais apenas atrapalhariam. Alguém bate na porta, e sem nem olhar para ver quem é, autorizo a entrada. Sua voz ecoa pela minha sala.

- O que você está fazendo? - Levanto minha cabeça e, antes mesmo que eu o instrua a se sentar, ele o faz por conta própria.

- Estou eliminando aqueles que não possuem habilidades necessárias e procurando por possíveis traidores.

- Traidores?

- Sim, seu tio mencionou que o último modelo não foi bem-sucedido devido a alguns funcionários que trabalham para a concorrência e sabotaram o aparelho, resultando em um desastre.

- Ele não me contou isso. - Ele se levanta e começa a andar de um lado para o outro. - Como você vai encontrá-los? Existe a possibilidade de demitir pessoas inocentes.

- Deixe essa parte comigo, sou bastante habilidosa em investigar a vida das pessoas. Descubro tudo o que quero, inclusive o que não quero.

- Você é uma investigadora?

- Não, sou uma mafiosa. - Ele para, olha para mim, esperando que eu diga que estou brincando, mas se tem uma coisa da qual não me envergonho, é ser uma integrante da máfia.

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