Bianca Martinez é uma adolescente mexicana, meiga e inteligente que mora em Londres desde seus 12 anos.
Ela vive com sua tia materna e com sua prima Olivia.
Há cinco anos atrás viu sua mãe enfrentar leucemia e falecer, por não acreditar que poderia sobreviver mesmo fazendo uma quimioterapia.
Após a morte de sua mãe, Francis, pai de Bianca decidiu que não queria mais cuidar da menina porquê tudo que havia nela, fazia lembrar a falecida esposa. Além da culpa que carregava em segredo. Ele decidiu que queria afasta-la até mesmo de seus parentes do México, a mandando para a Inglaterra.
Então a menina de apenas 12 anos foi acolhida por sua tia Joanne, e sua filha dois anos mais velha que Bia. Joanne nunca tratou as duas diferente, pelo contrário, Bianca se tornou uma filha que Joanne prometeu cuidar até seu último suspiro assim como Olivia.
Bianca com o tempo aprendeu a lidar com a rejeição de seu pai, e a amar Joanne como uma mãe.
Se tornou uma adolescente tímida e esforçada, diferente dos demais de sua escola a garota era a típica nerd e ignorada no mundo social adolescente.
A única coisa que fazia com que ela fosse popular na escola, além de seus destaques dignos de orgulho no colégio, como ser presidente do grêmio, era seu namorado Cedric, que era o capitão do time de futebol.
Tudo na sua vida era perfeita até hoje, domingo 2 de fevereiro.
Joanne havia feito uma viagem de trabalho, e Bianca estava com a casa inteira para ela e sua "irmã" Olivia que logo saiu no seu carro em direção a mais uma festinha.
As aulas começarão no dia seguinte, o atraso se teve por conta de uma reforma no colégio. E mesmo que Bianca adorasse estudar, se sentiu aliviada com tantos meses de férias.
[Bianca Pov].
Olivia saiu, tia Joanne estaria viajando até próxima semana, o que irei fazer com essa casa enorme só pra mim?
Resolvi ligar para Cedric.
- Oi Bia. - Responde quando atende no último toque.
- Oi Ced, estou te ligando para saber se gostaria de vir na minha casa, estou sozinha aqui, pensei que poderíamos assitir um filme.
- Um filme Bia? Olha, eu estou ocupado agora. Te vejo amanhã na escola.
...
Ele desligou na minha cara?
Mandei mensagem para minha melhor amiga Caty, mas ela também não respondeu e nem atendeu as ligações.
Eu queria entender o porquê de Cedric ter me ignorado, na maior cara de pau.
Decido ir até a casa dele.
Me arrumo e vou até a garagem pegar minha bicicleta. Sim, eu tenho carteira de motorista e tenho um carro, mas ainda não me sinto segura para dirigir, devido a alguns traumas passados com Olivia.
Pedalando até a casa de Cedric olho para as ruas vazias, e sensações estranhas passam a me invadir.
Quando cheguei, as luzes estavam apagadas mas a do quarto de Ced estava acesa, refletindo a luz na janela. Com certeza estava em casa.
Fui até a porta e a campainha não estava funcionando, o chamei mas ninguém apareceu, reparei que a porta estava praticamente aberta e o carro dele estava estacionado em frente a casa, então resolvi entrar mesmo assim.
O Sr. e a Sra. Green não estavam em casa, então fui em direção ao quarto do meu namorado.
Dei uma leve batida na porta, e abri dando de cara com a pior cena que poderia ver, meu namorado que eu considerava perfeito estava na cama com a minha melhor amiga na minha frente.
As lágrimas caiam no meu rosto sem eu nem ao menos permitir, aquela cena havia me quebrado.
Fingi uma tosse e percebi que eles se assustaram.
Parecia que tinham visto um fantasma. Caty logo saiu de cima dele e iria começar a falar, mas a interrompi levantando a mão, e dizendo.
- Então era por isso que desligou na minha cara Cedric? Por isso que não responde minhas mensagens Caty? - Começo a aplaudir com ironia. - Vocês dois são as pessoas mais sem escrúpulos e baixas que eu já tive o desprazer de conhecer.
Quando ia sair do quarto, escuto a voz de Cedric me chamar.
- Bianca me desculpe por isso, mas isso tudo é culpa sua! Você não quis, e eu tive que me aliviar com alguém.
Espera!
Ele falava como se não namorassemos há 2 anos, ou como se o fato de não me sentir segura para perder a virgindade fosse motivo para infidelidade.
- Você é um merda Cedric, eu me sinto grata por não ter me entregado a você. Nós terminamos aqui... E a nossa amizade também acabou Caty. Vocês dois se merecem.
Saí dali correndo escutando o garoto me chamar, mas não ousei olhar para trás.
Apenas chorava e pensava em como tinha sido boba em confiar a Caty, todos os meus segredos. Em confiar a Cedric os meus sentimentos.
Peguei minha bicicleta e sai pedalando, apenas seguia a pista sem me importar para onde estava indo. Só queria esquecer que um dia fui amiga daquela garota e namorei aquele cretino o julgando ser perfeito.
Estava tão perdida em meus próprios problemas que num momento de distração, abaixei a cabeça enquanto chorava, e quando levantei a mesma para atravessar para o outro lado, dei de frente com um carro.
Minha sorte foi que ele freou rápido, mas isso não me impediu de cair como um saco de batatas no chão.
[Lucas Pov].
As pessoas pensam que só porquê você é rico, não tem problemas.
Pelo contrário, minha vida é o próprio problema desde a traição de meu pai. Minha mãe não quis se divorciar dele então mesmo discordando disso, continuaram juntos.
A traição aconteceu há dois anos atrás, porém, o inferno na mansão dos meus pais já é de muito tempo. Discussão, discórdia, ganância e a infelicidade reinavam naquela casa.
Foi então que decidi morar numa república com alguns amigos.
Pode se dizer que com tantos problemas naquela mansão eu passei a ser o tipo de garoto problemático, inclusive na escola. Só queria chamar atenção.
O típico adolescente de 17 anos que não liga para nada além de festas e encher a cara para atormentar a vida dos pais. A eles eu dedico a minha personalidade, se não fosse por esse incrível exemplo de casal talvez eu não tivesse conhecido vícios, libertinagem, e não teria aprendido que amor é uma grande droga que dizem que é maravilhoso, mas no fim você se ferra, essa é a realidade, por isso não acredito que seja real.
Amanhã já é o primeiro dia de aula do último ano. Quando acordei, pensei que seria um dia como qualquer outro, até ver que no meu celular havia ligações da minha mãe e também do meu pai.
Fiquei totalmente admirado, desde que fui embora de casa há quase dois anos e meio, não nos falávamos. Fiz até questão de mudar o número do celular, para não ter esse desprazer.
Mas decidi retornar, vai que é algo importante. No segundo toque, ela atende.
- Fala mãe!
- Lucas, eu e seu pai queremos que você venha até a mansão. Precisamos conversar sobre algo sério.
- Eu não irei até essa casa. - Resmungo.
- Sim, você virá. Se não vier, não nos responsabilizaremos por sua raiva por não ter sido avisado! Nós tentamos.
- Tudo bem. - Bufo revirando os olhos. - Chego aí daqui 30 minutos.
- Estaremos esperando você filho, amo você!
- Tá, tchau!
Após a ligação, fico me perguntando o que será que meus pais querem comigo. Deve ser algo sério, melhor tomar um banho e ir resolver isso de uma vez.
Após o banho e um bom café da manhã, cá estou eu dirigindo em direção a mansão Carter.
Lembrei da nossa ligação.
Não é que eu despreze meus pais, mas é que eles me trouxeram sequelas emocionais que eu não consigo perdoar. Meu pai nunca deu a mínima se suas palavras me afetavam ou não, e tudo isso um dia cansa, independente se você tem 15 anos ou 30.
Sinto carinho por eles? Sim, mas consigo perdoar? Não, então não tem o que fazer.
Ao chegar na casa dos meus pais, percebo que todo aquele preto e móveis escuros não existiam mais, estava totalmente diferente da minha infância. Agora eram paredes claras e móveis claros, cortinas e janelas abertas, eu não estava reconhecendo a casa que cresci.
Minha mãe apareceu na sala e mesmo com seu semblante sério, parecia mais... Feliz? Até mesmo meu pai.
Ela me abraçou forte e me conduziu até a sala de estar.
- Filho, precisamos conversar sério sobre sua vida. - Meu pai fala sentado no sofá a minha frente.
Ele estava com o semblante diferente, não parecia o mesmo arrogante. Eu acho que estou num universo paralelo ou eles estão atuando muito bem.
- Não temos o que conversar, daqui a alguns meses me torno maior de idade, não moro na casa de vocês então o que eu faço não lhe diz respeito Carlos.
- Lucas, vamos tentar conversar de maneira civilizada ok? - Minha mãe diz e eu concordo relutante.
- Filho eu serei mais direta para que você e nem nós, percamos tempo com enrolações.
- Vá em frente então!
- Nós estávamos observando seu desenvolvimento escolar e vimos que você está de mau à pior. Eu sei que o motivo de você ter se tornado um jovem rebelde tem porcentagem de culpa nossa, mas... pensávamos que deixando você ir embora poderia mudar e melhorar, porém tudo está indo ladeira abaixo, Lucas. - Ela estava brigando com uma tranquilidade questionável, porque nunca a vi tão calma. Acho que estou com a família errada.
- Filho, estamos querendo dizer que aceitamos sua ida lhe deixando cartões de crédito, carro e dinheiro para que vivesse confortável porque achávamos que iria conseguir mudar e melhorar, estando longe de todo o caos que era nossa casa. Mas percebemos que está sendo o contrário, se pensa que sua vida de badboy durará para sempre, está redondamente enganado.
- Foi a vez de meu pai falar, e assim como minha mãe, ele estava falando com calma.
- Vocês disseram que não iriam enrolar, ainda não entendi o que está acontecendo, se quiserem ir direto ao ponto creio que não vou me abster. - Já estava impaciente com toda aquela calmaria.
- Não é enrolação, estamos deixando tudo bem explicado para não vir questionar nossa decisão. - minha mãe diz, e o marido continua.
- Loreley, a diretora de sua escola disse que fez uma entrevista com todos os alunos que entraram para o último ano, inclusive com você. Ela disse que você falou que não quer fazer faculdade.
- E realmente não quero! - O interrompo.
- Lucas, isso não é uma opção ou sujestão, queria que fossemos diretos? Então lá vai, esse é seu último ano na escola, já já você terá que enfrentar o mundo adulto, o mundo real, e não quero ver você sofrendo por suas decisões imaturas por não se preocupar com seu futuro. A vida é mais que festas e garotas! Nós vamos fazer um acordo, amanhã suas aulas começarão e eu quero que suas notas nas avaliações sejam as melhores. Você irá entrar para faculdade sim! Não importa o curso, mas irá fazer, caso contrário iremos cortar qualquer tipo de benefícios financeiros, que damos a você desde que foi embora. - Minha mãe fala tentando manter a paciência e eu estava estático tentado entender toda aquela merda.
- Espera, está me subornando a fazer algo que não quero, só por causa da droga de alguns cartões de crédito, que não fazem diferença na conta bancária de vocês? - Retruquei bravo me levantando do sofá fazendo com que meus pais também se levantassem.
- Estamos fazendo isso para o seu bem, não queremos ver você como está, Lucas, sabemos que é bem melhor que isso. E se quiser continuar seu estilo de vida confortável, terá que aceitar se esforçar para entrar numa boa faculdade. - Meu pai disse autoritário.
- Por favor Lucas, pense bem. - Dessa vez minha mãe não falava com calmaria, e sim tristeza. Eu sou motivo de tristeza para ela?
Ah quer saber, o que importa se sim?! Eles foram os responsáveis pelos meus traumas.
- Estamos esperando uma resposta filho.
- Tudo bem, eu vou fazer o possível. Mas farei isso pelo dinheiro, não por vocês. - Digo sem nem medir as palavras.
- Você não está fazendo isso pelo dinheiro meu amor, está fazendo por sí mesmo. - Minha mãe fala carinhosa.
Eles me convidaram para almoçar e assim fiz. Afinal, já estava lá mesmo.
De volta a fraternidade, Bruno, meu amigo, me disse que daríamos uma festa para comemorar o início das aulas amanhã. Eu não estava no clima para festas, mas talvez isso me fizesse esquecer o que estava acontecendo.
Acho que eu precisava ficar bêbado e encontrar alguma garota, talvez isso ajudasse.
[...]
A festa já estava gerando, e eu não consegui colocar sequer uma gota de álcool na boca, só passava na minha cabeça como eu iria entrar numa faculdade. Precisava de ajuda, mas duvido muito que com meus amigos eu consiga chegar muito longe.
Por querer um lugar calmo para pensar, resolvo sair para dirigir um pouco pela cidade, e pensar em que momento a minha vida virou essa droga.
Passando pelas ruas vazias da cidade, acabo relaxando e deixando minha mente me guiar para minhas preocupações, fico tão distraído que levo um susto com uma garota de bicicleta rosa ridícula, vindo de frente comigo.
Freio no mesmo momento e percebo que a garota caiu no chão.
Que droga, será que matei ela?
[Lucas Pov].
Desço do carro e vou ver se a garota está bem, tivemos sorte da rua está completamente vazia.
Fui em direção a ela que estava deitada no asfalto, chorando.
- Ei você é maluca? Poderia ter morrido!
Ela não diz nada, apenas me olha e continua no chão chorando.
Que droga.
- Vem, levanta daí. - Estendi minha mão para ela, que aceitou.
Quando ela se levantou, limpou a areia que havia em seu corpo e enfim olhou pra mim.
Como a rua era escura eu nem tinha a reconhecido antes, mas agora, frente a frente vejo que atropelei Bianca Martinez, a nerd do colégio.
- Obrigada pela ajuda... E por frear também. - Ela diz sem graça.
- Tudo bem, preste atenção da próxima vez. Está bem?
- Sim estou, mas a petúnia não! - Ela fala levantando a bicicleta do chão, que estava com o pneu torto e o aro meio amassado.
- Petúnia? Que nome ridículo. - Disse tirando sarro e ela apenas me olha séria.
- Você vai pagar o conserto da minha bike!
- Não vou não, você que se jogou na frente do meu carro!
- Mas você está na contramão!
- Eu não estou... - Levanto o olhar e vejo que realmente estava na contramão. - Tudo bem eu compro uma bicicleta nova pra você.
- Não quero uma nova, quero que mande consertar Petúnia! - Retruca batendo o pé, como uma criança mimada.
- Esse pedaço de ferro velho não vale a pena mandar consertar, é mais simples te dar uma nova!
- Pode não valer nada para você, mas têm valor sentimental pra mim seu idiota. Levarei ela numa oficina e enviarei a conta pra você. - Ela diz me dando as costas enquanto coloca a bicicleta velha em cima da calçada e se senta no chão.
- Se é a assim que você quer, tudo bem.
Dou de ombros e volto ao meu carro, ligo e passo para faixa certa, fico observando pelo retrovisor a garota sentada na calçada daquela rua escura e vazia, alguém pode aparecer para fazer algum mal pra ela, é melhor voltar. Pensando assim, dou a ré.
Paro o carro, desço e vou em sua direção, ela não percebe minha presença até eu sentar ao seu lado, e levanta o rosto para observar o asfalto a sua frente.
Estava chorando.
- Sei que não somos amigos, mas, o que houve com você?
Ela fica em silêncio alguns minutos e pensei que não iria me responder.
- Muito provável que saiba que eu namoro né? Namorava no caso.
- Sim, namora o engomadinho do Cedric Green.
- Então... Ultimamente ele andava bem estranho sabe, principalmente hoje, decidi ir até a casa dele para conversar e quando chego lá, ele estava na cama com minha melhor amiga. - Ela fala enquanto soluça por causa do choro.
Que desgraçado!
Bianca não é o tipo de garota que faz todos os caras suspirarem de desejo, eu particularmente nunca nem reparo sua existência, definitivamente não faz meu tipo. Mas ela é bonita e meiga do seu jeito, até porquê aos olhos de Deus somos todos bonitos. Mas enfim, o namorado dela é um idiota.
Ninguém merece passar por isso, inclusive com sua melhor amiga.
- Eu sinto muito Bianca, mas não fique se lamentando por isso. Quem perdeu foi ele.
- Você acha? - Ela finalmente fala me olhando e os olhos da garota estão brilhando, e não era apenas pelo choro.
- Para ser sincero não sei nada sobre você e nem te conheço, mas na minha opinião se ele não quis esperar você, ou ficava com as outras mesmo comprometido, o mau caráter é ele e não você. Tenho certeza que você merece mais que isso. - Digo dando de ombros.
- Obrigada Lucas... Apesar de ter me atropelado, eu agradeço pelas palavras e companhia!
Soltei uma risada fraca.
- Eu sou uma ótima companhia, eu sei. Você também não é tão insuportável como eu pensei. Mesmo que a gente não tenha conversado muito, acredito que seja uma garota legal.
- Apesar de sua fama e cara de mau, também é um garoto legal.
- Não, não sou.
- Se não fosse... acho que nem estaria aqui.
Fico em silêncio.
- Acho que vou para casa, amanhã temos aula. - Ela diz se levantando indo em direção a bicicleta, e também fico de pé.
- Vem, eu te dou uma carona.
- Não precisa, eu vou andando.
- Claro que não, vem logo, eu te levo pra casa.
- Mas o que eu faço com Petúnia?
- Cabe no meu porta malas, vem.
Ela concorda, vamos até o carro e eu pego a bicicleta, abro o porta malas e a coloco lá.
Entramos no carro, ela me diz seu endereço e o trajeto foi feito em silêncio, mas não um silêncio constrangedor, estava confortável.
Os dois perdidos em seus próprios pensamentos. Me lembro da proposta dos meus pais e penso que tenho que conseguir alguém para me ajudar o mais rápido possível.
Olho para o lado e percebo que estou com a rainha dos CDFs.
- Bianca, posso te fazer uma proposta? - Digo quebrando o silêncio assim que estaciono em frente de sua casa.
- Depende do que se trata.
- O que acha de ser minha professora particular? Preciso de uma ajuda nas aulas para entrar na faculdade, e acho que você seria uma boa.
Ela me olha com a testa franzida, então continuo.
- Eu posso te pagar por isso!
- Lucas, para você tudo se resume em dinheiro e pagar?
Praticamente sim, mas ela não precisa saber disso.
- Bom, você estaria "trabalhando" então eu pagaria você.
- Não quero seu dinheiro obrigada, a não ser que seja para o conserto de Petúnia, fora isso não quero. Você não tem fama de uma pessoa boa influência.
- Não vai me ajudar?
Ela faz que não com a cabeça e desce do carro.
- Abre o porta malas pra mim tirar minha bike, por favor.
Apertei o botão para abrir o porta malas, e ela retirou a bicicleta fechando a traseira do carro em seguida, veio até mim que estava sentado no banco do motorista.
- Obrigada pela carona, até outra vez.
Se vira e vai até a porta, entrando na casa.
Dou partida no carro e vou para casa, já estava tarde e eu espero que aquela festa tenha acabado.
[Bianca Pov].
Depois de entrar em casa decido subir para o banheiro, e tomar um banho para ir dormir.
Após o banho estou aqui sentada na cama enquanto penso em tudo que aconteceu.
O caso de Cedric foi realmente difícil para mim, mas eu também não posso ficar me lamentando, ele não foi forçado a fazer aquilo.
Lucas estava certo, ele não me merece.
Apesar de ser um arrogante, até que hoje ele estava diferente.
Acho que fui um pouco rude em não aceitar sua proposta para ajudá-lo com os estudos, mas já passou, talvez amanhã ele nem se importe e procure outro ou outra para o ajudar.
[...]
Amanheceu e aqui estou eu, já pronta tomando meu cereal para ir a aula.
São 7:40 e nesse horário eu ainda estaria saindo do banho, mas sem Petúnia terei que pegar o ônibus escolar que passa às 8 em frente da minha casa.
O ônibus começa a ficar lotado muito rápido, chegamos na escola às 8:50, então praticamente corro para a aula de literatura do professor Adolf.
Quando entro na sala, a grande maioria já estava com suas duplas, olho para a mesa que costumo ficar e lá estava Caty, não queria ficar perto dela nem um segundo, então decido ficar sozinha na mesa no fim da sala.
A aula havia começado há uns 20 minutos, e eu só conseguia ficar de cabeça baixa em meus próprios pensamentos, rejeitando ligações e ignorando mensagens.
Cedric não parou de mandar mensagens nenhuma só vez, e já não estava mais suportando.
A porta da sala é aberta por uma pessoa que chegou atrasada. Não fiz questão de ver quem era, até ele parar do meu lado.
- O que está fazendo sentada no meu lugar? - Ele fala sentando do meu lado. Fazendo minha dupla, que anteriormente estava vazia.
- Eu vou ficar aqui apenas hoje, não se preocupe. - Digo e meu celular toca, desligo a chamada sem nem olhar de quem se trata, porquê já sabia.
- Por que não está sentada lá na frente com seus amigos nerds como sempre? - Ele pergunta com tédio.
- Minha dupla era Caty, e não quero ficar perto dela depois do que aconteceu.
Ele respira fundo quando meu celular toca novamente, rejeito a ligação pela 5° vez desde que ele sentou ao meu lado.
- Não vai atender?
- Não quero falar com ele. Acredita que ontem ele me mandou inúmeras mensagens dizendo que deveríamos voltar, estava arrependido da merda que fez e disse, mas eu não ligo. Ele está agindo como se eu fosse dependente dele e não é isso que acontece. - Falo, e só aí me dei conta de que dei mais informação do que deveria.
Por que me sinto tão confortável para desabafar com ele, sendo que nem somos amigos?
Acho que ele é um bom ouvinte, deve ser isso.
- Acho que deveria atender e conversar com ele, você não é obrigada a voltar.
- Será que devo? - Pergunto e ele assente. - Você está certo! Acho que vou ao banheiro e atendo a chamada.
- Vai lá. - Responde do jeito desinteressado de sempre, e me dá espaço para passar.
Me levanto e peço ao professor para sair, ele autoriza e já fora da sala atendo a ligação de Green.
- O que quer? - Digo assim que atendo.
- Quero que me perdoe e volte para mim, só isso!
- Não me faça rir Cedric, você sabe o que fez, não tem perdão ou desculpa que conserte ou me faça esquecer. Não vou voltar com você.
- Bibi, você sabe que tem que voltar para mim. Somos uma boa dupla lembra?
- Não me chame de Bibi. E sim exatamente, fazíamos uma boa dupla e não um bom casal, não irei voltar. Agora para de me ligar!
- Tudo bem, se é assim vou deixar você em paz, mas eu sei que você não vai me esquecer. E irá voltar atrás de mim uma hora outra. Nenhum cara vai amar você como eu amei, Bia. Se lembre disso.
- Isso é o que você acha!
E foi a minha vez de desligar na cara dele.
Cretino, se ele acha mesmo que não vou esquece-lo, está muito enganado.
Volto para sala e a aula já está terminando, vou para meu lugar e Lucas se vira pra mim.
- E aí? Deu certo? - Ele pergunta curioso.
- Aparentemente sim, não voltei com ele, mas continua alegando que não o esquecerei e que ninguém vai "me amar como ele amou".
- Então você tem que provar para ele que nem se lembra que um dia namoraram. Que a traição dele não te afetou. E que já superou, faça ele saber que não é tão importante assim, e que não está nem aí para o término. Você tem que ferir o ego.
- E como eu faço isso?
- Mostrando para ele que você já está em outra, arranjando outro namorado.
- Tá, isso é fora de cogitação, acabei de sair de um relacionamento e já vou entrar em outro? Quero distância.
- Use seus dois neurônios Martinez. Não precisa ser um namorado real, arranje um namorado falso apenas para ele sair do seu pé.
- Você acha que isso daria certo?
- Claro que sim, não há nada melhor a fazer do que ferir o ego elevado dele, que está achando que você está sofrendo e nunca vai esquece-lo.
- Talvez você tenha razão, mas não é uma opção para mim.
- Você que sabe, foi só uma sugestão. - Ele diz dando de ombros.
A aula terminou e saímos a caminho das outras que faltam.
Hoje decidi almoçar sozinha, não deveria estar me "escondendo", até porque a vítima fui eu, mas também queria evitar o interrogatório de Hannah.
Ela se tornou uma amiga importante pra mim, me protege de tudo, com certeza ia surtar depois de eu contar. Éramos um trio inseparável, sempre nós três, até que Caty se afastou de Hannah fazendo nosso trio inseparável, se separar.
Apesar de Hannah ter seu outro grupinho de amigos, ainda somos muito íntimas. Nunca perdemos a conexão.
Preferi evitar o interrogatório, e ir almoçar em qualquer outro lugar que não seja o refeitório.
Passei o dia pensando no que Lucas havia me dito. Até pensei em considerar a ideia, mas achei melhor deixar para lá, não gosto de mentir.
[Bianca Pov].
Cheguei em casa e assim que coloco os pés na sala, escuto Olivia me chamar.
Entro na cozinha para saber o que ela quer.
- Oi, cheguei agora. - Falo e me aproximo da bancada.
- Olá minha linda jabuticaba! - Ela responde sorrindo. Eu já parei de tentar entender os apelidos que ela me dá a muito tempo. - Queria te perguntar uma coisa.
- Pode perguntar. - Digo indo beber um copo d'água.
- Então, hoje não te vi na escola e achei estranho. Aconteceu algo entre você e o Ced? Porque ele passou o dia inteiro enchendo meu saco para que eu ajudasse a fazer vocês reatarem o namoro, e eu nem ao menos sabia que vocês tinham terminado. O que houve?
Respiro fundo e conto toda a história para ela que me abraça forte e me consola.
Admito que chorei, ele foi meu primeiro namorado e achava que iria ser para sempre, porquê só de olha-lo dava para notar quão perfeito ele era. Durante todo o relacionamento ele nunca havia me mostrado um defeito sequer, eu achava que não existiam, até ver que seu maior defeito era ser mau caráter. Ele só disfarçava muito bem e eu boba nunca notei.
Olivia me abraçava e chorava junto comigo, ela já tinha passado pela mesma coisa e essa época foi a pior de todas, ela se negava até mesmo a comer por sofrer tanto, e eu definitivamente não quero sofrer por alguém que não merece minhas lágrimas.
Posso estar chorando agora, mas não chorarei para sempre, uma hora a vida segue e eu quero que essa hora seja agora! Foi aí que Olivia me deu uma ideia que eu não curti muito, mas ela não aceitaria um não como resposta.
- Hoje tem uma festa na casa do Trevor, você vai comigo!
- Mas Oli, eu não gosto de festas. Você me conhece.
- Você irá, pelo menos uma vez venha para festa com sua irmãzinha! Agora coma isto. - Me entrega um prato com o misto quente que estava preparando. - Coma e depois se arrume para sairmos, às 22hrs quero você pronta!
[...]
Já estava descendo as escadas quando ela me encara com uma feição nada agradável.
- Que roupa é essa Bia? Você está indo para uma festa ou um culto?
- São minhas roupas normais, o que quer que eu vista? Não sou de ir a festas.
- Isso eu sei bem, mas você não irá sair de casa assim, parece uma velha com esse suéter. Vamos olhar no meu closet algo que fique bom em você.
Subimos e ela me deu um vestido mais curto do que eu costumo usar e bem colado no corpo. Não gosto de maquiagem então só passei batom.
[...]
Chegando na casa de Trevor e já conseguia ouvir a música da esquina, e lá dentro então? Se eu saísse surda seria o mínimo.
Oli diz que não irá sair de perto de mim mas assim que avista Trevor, já pula no pescoço do garoto e some.
Agora estou sentada no sofá rodeada de adolescentes bêbados, que dançam ao som de músicas altas que fazem apologias sexuais.
Acho que nunca me senti tão deslocada na minha vida.
Como se não desse para piorar, Theo aparece sugerindo um jogo de eu nunca.
Eu iria ficar neutra, mas praticamente fui arrastada para a pequena roda, olhei para quem estava na brincadeira e avistei Lucas com seus amigos de sempre e mais um pouco afastado estava Cedric com... ele estava com a Caty.
- Ok, eu vou ser o primeiro. - Theo diz e a brincadeira começa.
Começou tudo bem, até iniciarem desafios pesados e um tanto desconfortável para mim, eu estava tão distraída que nem percebi que haviam trocado o jogo, para o da garrafa e havia parado em mim, para que eu respondesse.
- Verdade ou desafio Martinez? - Ash uma garota do colégio, pergunta.
- Aan... verdade. - Digo envergonhada e escuto alguns tirando sarro.
- Claro, previsível. - Ela diz revirando os olhos. - Então... Com quantos anos você perdeu a virgindade? - Ela enfim pergunta, fazendo todos da roda prestarem atenção em mim.
- Bom, eu... Eu ainda não perdi... Sou virgem. - Digo ficando vermelha de vergonha e fico ainda mais constrangida quando escuto risadas.
- Como assim? Você não namorava? - Ash faz outra pergunta.
- Sim, mas nunca aconteceu. - Tento parecer menos afetada possível.
- Com certeza, Ced percebeu que poderia conseguir coisa melhor! - Diz em tom de deboche.
Ela gargalha alto e olha para Cedric que logo começa a falar.
- Agora você entende o que fiz né, Ash. - Parece que todos da roda entendem o que ele quis dizer, porquê começam a rir de mim e eu já podia sentir as lágrimas caindo do meu rosto por tamanha humilhação, me levanto e saio dali correndo escutando eles cochicharem e rirem de algo que alguém comentou.
Vou procurar Olivia e não a encontro em nenhum lugar. Subi para os quartos, mas a vejo numa situação nada favorável.
Acho que ela está ocupada para me dar carona.
Vou até a cozinha e avisto Nick, ex da Olívia.
- Nick, poderia me dar uma carona para casa? Vim com a Oli mas ela está ocupada.
- Eu não estou muito afim Bia. - Fala visivelmente alterado pelo álcool.
Qual o problema desses adolescentes?
Ele continua falando.
- Pega a chave do meu carro, amanhã na aula você me entrega.
- Não, eu ainda não me sinto segura para dirigir. Eu preciso de alguém para me dar carona. - Falo suspirando.
- Desculpa não poder ajudar. - Ele da de ombros e logo sai dali correndo depois de escutarmos muitos gritos, parecia estar acontecendo uma briga.
Eu não "conhecia" ninguém ali, aquele lugar definitivamente não era para mim.
Já eram 3 da manhã, que droga, eu poderia estar dormindo a essa hora.
Decidi que iria para casa a pé mesmo.
Saio da casa e começo a caminhar nas ruas vazias pensando na minha vida.
Poderia pelo menos refletir com calma, tenho uma caminhada longa de 7 quarteirões até em casa.
Eu já não estava mais aguentando andar e parei para descansar em uma parada de ônibus. Até que um carro estaciona em minha frente.
Se eu não tivesse reconhecido o carro, com certeza já teria começado a correr.
Lucas baixa o vidro e diz:
- Entra, vou te levar para casa.
- Não, você bebeu, prefiro não arriscar.
- Juro que não bebi nada. Entra logo, já já vai amanhecer e temos aula mais tarde. - Diz me olhando entediado.
Como sabia que ele não iria desistir, me levanto e dou a volta no carro sentando no banco do passageiro ao seu lado.
Quando olho para ele, consigo ver com clareza que estava machucado.
Espera, a pessoa que estava brigando na festa era ele?
- O que aconteceu com você? - Não aguentei a curiosidade e... Preocupação?!
- Entrei numa briga na festa, não liga para isso... Eu estou bem.
Concordei com a cabeça reparando seu lábio machucado e com sangue, com certeza levou um belo murro.
- Coloca o cinto. - Digo enquanto encaro o sinal vermelho a nossa frente.
- Não gosto.
- Não é questão de gostar e sim de segurança. Coloca logo essa merda. - Falei impaciente. Quem negligência a própria segurança? Ah claro, Lucas Carter.
Ele bufa e põe o cinto
Quando chegamos em frente a minha casa, ele não me olha.
- Pronto, está entregue. - Diz enquanto fita minha casa.
Abri a porta e me retirei do carro, fechei a mesma e fui até sua porta abrindo para ele sair também.
Ele me olhou confuso então comecei a falar.
- Vem desce, você me ajudou e agora vou ajudar você. Vou limpar esse machucado aí.
O loiro apenas concorda em silêncio, e desce do carro me acompanhando.
Com certeza essa seria uma das noites que Oli não voltaria para casa.
Ascendo as luzes e peço que Lucas me espere no sofá. Com o kit de primeiros socorros em mãos, me sento na frente dele e começo a limpar seus machucados.
Observação totalmente desnecessária da minha parte... mas ele têm os lábios lindos.
Enquanto cuidava do machucado de sua boca, nós acabamos nos encarando por milésimos segundos, logo voltei a atenção no curativo.
Foi rápido, mas não deixei de reparar como seus olhos que são azuis clarinho se tornaram escuros enquanto me encarava, a pupila estava bem dilatada. Ele é intenso.
- Com quem você brigou? - Decidi quebrar o silêncio.
- Com o idiota do seu ex. - Fala irritado.
No mesmo momento paro o que estou fazendo e o encaro.
- Cedric? Mas por quê?
Ele respira fundo e parece relutante em querer contar o que aconteceu.