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My Good Cultivator Friend

My Good Cultivator Friend

Autor:: Fujoshi ⁠⁠⁠⁠⁠
Gênero: LGBT+
William Thomson era um príncipe do seu reino, mas, ao invés de subir ao trono, preferiu se aventurar pelo mundo, conhecendo lugares bonitos, lutando contra monstros do submundo e curtindo várias noites de primavera nos bordéis. Sua vida estava tranquila, sozinho, tendo por companhia apenas sua espada. Ele se sentia como um cavalo selvagem que nunca foi domado e nem montado, mas tudo mudou com a chegada de um Didi fofo, que se tornou o seu grande amigo de viagem. Anthony Diniz era considerado um gambá que ninguém desejava chegar perto, mas aquele belo cavaleiro puxou totalmente a rédea da sua vida, lhe mostrando o lado bonito deste mundo. ________________________________________________________ [Essa história contém conteúdo homoafetivo, conteúdo sexual, relacionamento entre homens]

Capítulo 0 Um misterioso rei vil e sua vontade de contar uma antiga história

Numa noite fria, onde a vida parecia sem cor e o universo sem sentido. Um homem alto, de pele fria, olhos nublados e semblante vazio, contemplava o horizonte diante de si. Sua beleza era deslumbrante. Esse Rei poderia ser descrito como gélido, pois o seu coração já havia se tornado de gelo.

Longos cabelos brancos dançavam ao compasso do vento e o robe refinado da mesma cor, embelezavam aquele homem que permanecia imóvel como águas quietas num mar agitado.

O vento soprava numa única direção; enquanto aquele corpo desejava seguir o oposto..., o oposto daquele ridículo caminho.

Ao seu lado, acomodou-se uma pequena raposa negra como a noite. Enquanto no bordado do seu robe escalava um pequeno gatinho cuja cor da sua pelagem era vários tons de rosa e branco. O animalzinho miou, a sua boca era azul e seus olhos escuros.

O gatinho brincava com o tecido das vestes daquele homem, de cabelos brancos, às vezes importunava a raposinha que tentava imitar o seu frio e amargo dono.

Eles estavam no alto de uma enorme montanha, na ponta de uma penha. O céu se mantinha escuro e recheado de estrelas brilhantes, também acompanhava a belíssima aurora boreal e um suspiro escapou da boca do rei. O vento continuava batendo ao encontro do seu corpo, lhe dando sensações de solidão.

- Minha alma gêmea! Está na hora de voltarmos ao início. Do começo de tudo. Conte-me a nossa história e de como eu fui... - o rei olhou para atrás de si, e um sorriso escapou da sua garganta, e lágrimas dos seus olhos. - De como fui um tolo!

O homem de cabelos brancos caminhou até o limite do penhasco e fechou os olhos. Estava na hora de se lembrar... da pessoa que se esqueceu. O seu corpo pendeu para o abismo sem fim.

O rei caiu daquele penhasco alto; ao abrir os olhos de gelo, constatou aquela raposinha negra seguir-lhe. Ela tentava segurá-lo com a sua patinha e um sorriso formou-se nos lábios do homem de cabelos brancos.

Agora ele se lembrava...

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Autora: Milena Santos

"Até a jornada de almas gêmeas, envolta ao fio vermelho, começa com um pequeno passo."

Anos antes... (Continua...)

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NOTA: A história desse livro acontece num mundo paralelo. Seu nome é Irmélia, foi criado por mim. Atenção: se existir um país com esse nome, então é pura coincidência. Aqui também terá costumes, aparência dos personagens e falas que me inspirei na Ásia (China), e o tempo atual deste livro é baseado numa dinastia paralela - entre a antiguidade e a atualidade...

ATENÇÃO: os protagonistas deste livro são dois homens. A história é envolta de um romance gay. (As aparências deles são baseadas nos yaoi danmei chineses)

Meu Bom Amigo Cultivador tem três partes, sendo: Arco 1 - arco 2 e arco 3. Cada arco, seguirá seu título e as suas histórias. Os primeiros Arcos acontecem no passado, então é uma história que está sendo contada pelo rei vil do prólogo, já o último Arco é no tempo atual...

Esse livro é um universo mágico, terá muitos animais e cenários bonitos. Uma palavra que definirá esse mundo de magia é a "beleza". Uma história repleta de beleza.

TAGS: Xianxia, mundo alternativo, tempo paralelo, M-preg, batalha, romance e drama

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Sobre os protagonistas - William é um príncipe nobre, com o coração generoso. Anthony também é bondoso, porém, devido ao seu triste passado, o seu coração se tornou nublado. Entretanto, com a amizade desse príncipe, a cor da vida voltará a brilhar diante dos teus olhos.

Um tem o título de príncipe herdeiro. Esse sempre conseguiu tudo na vida, não passou fome, dor do abandono, todavia, isso não significa que Will seja menos gente do que gente. Ele sofre com a pressão das pessoas, lembrando-lhe que tem que ser um homem perfeito e sem falhas.

Sem esquecer o fato do seu pai, imperador, que vive na sua cola, pois num futuro próximo terá de subir ao trono e cuidar das suas terras. Entretanto, William nasceu com o nome "aventura" em suas veias. Esse jovem nobre ama se aventurar em todos os cantos secretos que esse mundo (Irmélia) tem a oferecer.

William é oposto de Anthony. Esse, atualmente, tem dezesseis anos. Desde seus quatorze de idade, mora sozinho numa caverna isolada da ilha Azul. Passa fome, não tem amigos, não tem família, não tem dignidade e, principalmente, a sua vontade de viver já desapareceu.

A partir daqui, dois mundos opostos se cruzam na linha vermelha do destino.

Capítulo 1 Este pequeno gambá e seu infortúnio

"Pisar em Ilha Azul, agita qualquer coração tranquilo. Os olhos vibram ao ver de perto essa bela cidade da Irmélia. Que belo dia, céu limpo e aroma leve das árvores. Perfeito para esse príncipe humilde!".

Foi isso que o príncipe aventureiro de um reino mágico distante pensou, enquanto caminhava calmamente pela rua movimentada por moradores que trabalhavam e davam duro de si para vender as suas mercadorias na Ilha Azul. Ele era um visitante novo que resolveu passar algumas semanas naquela pequena vila da cidade e sorriu pleno quando finalmente chegou, após longas semanas viajando.

William Thomson parou em frente a uma barraquinha, a qual vendia belos acessórios femininos, e passou os seus dedos longos e delgados à procura de um item que lhe impressionasse.

Tudo era fofo e delicado, e os seus olhos se iluminaram enquanto um sorriso se formou nos seus lábios. Esse belo rapaz estava agitado, seu corpo ainda aguentava uma maratona, pois mesmo que tenha acabado de chegar e tenha ficado meses viajando, seu qigong¹ estava equilibrado, e a sua força vital, controlada. Por fim, ele comprou um colar com uma concha valiosa da cor branca na ponta e colocou entre um pano para não danificá-lo.

Aquele presente não era para ele, ao contrário, era para a sua jiejie², que abraçou suas coxas pedindo que lhe trouxesse algum mimo fora do reino Hein. A voz da sua irmã agradecendo pelo colar era tudo o que esse jovem da realeza queria ouvir quando voltasse para o seu palácio.

William era comparado a um Ikemen, que tinha o mesmo significado de 'um rapaz muito bonito'. Ele era alto, com seus um e oitenta e oito de comprimento, seus cabelos eram castanho-claros, lisos e se estendiam até um pouco acima das suas nádegas. Com toda certeza, um deleite aos olhos de todos, um príncipe de sangue puro da família real Thomson. Esse espadachim era um bom cultivador, que carregava sempre a sua espada sagrada na bainha, do lado direito de sua cintura.

Além disso, ele também amava se aventurar, não era comum que ficasse em um único lugar, por vários anos, governando; ele era considerado um príncipe aventureiro de mil faces, que lutava contra cadáveres malignos, monstros mágicos e outras criaturas míticas. Algumas vezes se aventurava nos bordéis em busca de uma noite de primavera e ajudava alguns nobres que passavam em seu caminho. Realmente um bom menino de vinte e três anos.

Seu título (Príncipe aventureiro de mil faces) lhe foi concedido por conta dos seus sentimentos, da sua personalidade alegre, bondosa, caridosa, às vezes um príncipe herdeiro sério, outra calmo, também animado, sorridente, faladeiro, amoroso... Todas as personalidades que os aldeões conheciam: as mil faces de seu coração.

Dentro de um belo robe longo e verde-claro, William retornou a caminhar alegremente pela rua de Ilha Azul. Os moradores curvaram a cabeça enquanto passavam por si; outros ofereciam mercadorias feitas com as próprias mãos, mas ele negava, pois naquele momento resolveu procurar por alguma taverna para comer, já que sua barriga chorava de fome. Ele virou a esquina e seus passos pararam ao observar, um tanto à frente, um grupo de homens ao redor de outro menor que refletia toda a beleza para si. Essa beldade de vestes escuras abaixou a cabeça e olhou os próprios pés cobertos por um par de botas escuras de panos inferiores, enquanto os outros pareciam intimidá-lo.

- HAHAHAH... Que bela comparação Jonas - a pessoa cruzou os braços, divertido, enquanto os outros gargalhavam e mexiam, enojados, no cabelo do pequeno garoto.

- Eca, esse gambá fede! HAHAHAH, tão lamentável. Esse infortúnio insiste em sujar nossa vila. Quantas vezes temos que pedir para você não aparecer mais por aqui? Não nos contamine com suas imundices, ba!

- ... Noah, não adianta falar com esse maldito fantasma faminto. Ele não tem noção e muito menos vergonha, pois aqui ninguém o quer, não depois das coisas horríveis que fez. Mas mesmo que o expulsem, ele tem a ousadia de voltar - suas palavras foram cuspidas, enquanto seu olhar de desprezo queimava aquele garoto. Todos murmuraram irritados.

- Cada dia mais miserável!

Ouviam-se risadas e ironia.

- Sua face é grossa, devemos ensinar uma lição a ele - os quatro (que estavam rodeando e intimidando o garoto menor) concordaram e continuaram com o falatório. William Thomson assistiu por alguns minutos aquela cena diante de si; seu coração parecia cinzas mortas, não se sentiu incomodado e nem nada do tipo, mas, mesmo assim, depois de alguns segundos, abriu o seu adorável leque que estava na sua mão e jogou, como um disco afiado, na direção daqueles moradores.

O leque rodopiou cada um, contornando as faces de todos que estavam intimidando aquele pobre irmão. O elegante objeto retornou para a mão do dono que o levou até a metade do seu rosto delicado e sorriu. Todos olharam em sua direção e, quando o príncipe mostrou a sua face, não foi reconhecido, e isso o deixou feliz. Mas o que ajudou aqueles moradores a saberem que se tratava de um alguém importante, foi um tipo de medalhão com franja que estava pendurado no cabo do leque.

Esse tipo de medalhão da cor prata era diretamente um símbolo que a família e familiares da realeza Thomson usavam para se identificar. Então, apenas ao ver aquele objeto, os guerreiros perceberam que se tratava do jovem mestre do palácio Hein. Todos deram alguns passos para trás, afastando-se da vítima.

- Sua Alteza, por que fez isso? - um perguntou, enquanto assistia-o se aproximar do bando e se acomodar ao lado do garoto, que usava um robe barato da cor cinza-escuro, totalmente velho. - P-Por favor, não se incomode com essa pessoa... - gaguejou.

- Então esse mestre deveria fingir que nada está acontecendo? Impossível... - William fingiu lamentar. Ele batia o canto do leque fechado no seu queixo, enquanto percebia que aquela cena diante de si não mostrava atitudes corretas, já que o garoto parecia ser tão novo, diferente dos restantes, que já eram adultos. - Por que estão dizendo coisas horríveis ao nosso pequeno irmão?

- IRMÃO? - outro gargalhou histérico. - Ele não merece ser chamado assim. Não depois das coisas horríveis que esse monstro fez!

William sentiu-se curioso ao ouvir tais palavras, e seu rosto iluminado virou na direção daquele garoto, que estava um tanto espantado. Talvez o menor não esperasse que alguém intervisse nessa discussão, e essa reviravolta na sua vida o deixou surpreso. O garoto olhou para esse jovem repleto de caridade e observou atentamente aquele rosto muito bonito. Foi ali que esse príncipe herdeiro de mil faces em seu coração se tornou um Deus da perenidade aos olhos alheios.

Para ele, aquele jovem príncipe era um mortal que merecia subir ao céu; já William desejava tudo, menos se tornar uma divindade. Ele ignorou as palavras que aquela pessoa havia dito, afinal, não tinha nada a ver com ele; o que seu coração desejava era simplesmente ter um ótimo dia naquela cidade. Era a sua primeira vez naquele lugar tão bonito, e não queria ser recebido com desordem.

- Meu coração se comove com qualquer pessoa, independente dela ser boa ou ruim. Então, a única coisa que peço é que vocês sigam os seus caminhos - Ele pediu educadamente e todos pararam por alguns minutos para olhá-lo. No fim, alguns daqueles mortais não eram barraqueiros, e demonstraram gestos de menção de que iriam obedecer, já que eles sabiam de qual reino esse jovem veio e não eram bobos de enfrentá-lo.

Alguns deles deram as costas, porém, sempre existia um rebelde entre a roda de amigos e ali não era diferente. Noah Green era essa pessoa e não ousou obedecer. Ele era um homem alto, com boa aparência e não permitiria que seu orgulho fosse ferido por causa de um nobre mimado, e muito menos se diminuísse diante de um infortúnio como aquele gambá covarde.

- Para onde vocês pensam que vão?! - bufou irritado, sem tirar os olhos afiados de William. - Que cara eu terei em dar as costas? Não importa quem seja essa pessoa. Tenho dignidade e meu orgulho fere se eu fugir - ironizou com seu ar de deboche.

William Thomson o encarou pleno, sem mudar suas expressões. Seu olhar era penetrante, a ponto de assustar o grupinho que estava atrás de Noah. Esses moradores sussurraram para que seu o amigo se acalmasse e fosse embora todos juntos, entretanto, o mais velho ignorou irritado ao constatar o tal nobre proteger um assassino.

Isso realmente era muito ridículo!

- Só irei embora, depois que eu acertar as contas com esse gambá repleto de infortúnio - encarou com desprezo o garoto que tinha o porte pequeno e sem aviso prévio, ou mesmo preparação, Noah agarrou uma adaga afiada, que estava escondida entre sua vestimenta vermelha e avançou violentamente na direção de sua vítima, na intenção de feri-la gravemente, e deixar permanentemente uma grande e feroz cicatriz, para nunca ser esquecida.

Aquele garoto arregalou os seus olhos negros com resquícios roxeados em suas íris. Ele não se moveu para se defender, pois por um momento seu corpo desejou que aquela lâmina afiada fosse enfiada bem no centro do seu coração. Então a imagem deste gambá sufocando com o próprio sangue não lhe abalou e seu rosto neutro continuou sem emoção.

Na realidade, esse gambá maltratado estava, cansado; faminto; sujo; e sozinho. Seus dias não tinham cor, ele não queria viver assim, preferia o fim.

Mesmo que no início, tenha se assustado com o ataque, desta vez ele esperou até que a adaga o ferisse, e quando ela estava perto do seu corpo, os seus olhos quase se fecharam, contudo, o que aconteceu logo em seguida o deixou totalmente e completamente sem reação.

Quando a lâmina estava perto de feri-lo, um corpo muito alto se colocou à sua frente, se tornando num escudo humano. Porém, a adaga não atingiu William, pois o recém-chegado usou o seu elegante leque fechado para bloquear o ataque.

A lâmina era bem afiada, mas nenhuma fatalidade aconteceu, nem um corte foi deixado no objeto que estava na mão do príncipe. Isso deixou todos surpresos, até mesmo Noah Green que, por um momento, se viu sem reação, entretanto, no mesmo segundo, ele voltou a si e novamente tentou golpear, e William bloqueou todos os ataques com seu leque dobrável.

Anthony estava sem reação, aquela era a segunda vez que aquele desconhecido lhe protegia, sem ao menos conhecê-lo, ou até mesmo pedir algo em troca, mas se no final ele pedisse? O garoto abaixou a cabeça e desse jeito ficou sem piscar ou sem se mover, enquanto os dois maiores lutavam.

A luta era totalmente injusta, já que um, era um mortal comum, e o outro um cultivador habilidoso. William não gostava de brigar com pessoas comuns e para dar um basta, ele abriu seu leque que estava a todo momento fechado.

O príncipe levantou o seu belíssimo leque para o alto da sua cabeça, e um vento rodopiou o seu corpo, balançando seus cabelos e seu robe verde-claro. Depois ele apontou o objeto na direção do morador, que foi jogado para longe, de encontro a um muro. O impacto não era forte, já que William nunca planejou machucá-lo, somente queria assustá-lo e se sentiu satisfeito, quando viu o grupinho correr ao encontro do amigo.

O morador estava tonto, ele tentou lutar, mas no final, ele era apenas um mortal comum, sem poderes e cultivo. Foi então que percebeu que se continuasse ali, iria acabar morrendo. Depois que os amigos o ajudaram a levantar, todos fugiram para o fim do beco e viraram a esquina, deixando os dois sozinhos.

Tudo se tornou quieto, William Thomson, totalmente satisfeito, observou seu robe e notou que tudo estava perfeitamente alinhado, como se nunca tivesse entrado numa pequena luta. Ele fechou o leque e observou ao redor tranquilamente, com o coração calmo e o rosto sereno, afinal, aquele ocorrido de um minuto atrás era muito comum no seu dia a dia. Bem diferente dos perigos reais que já enfrentou algumas vezes.

Então, com tranquilidade, ele se voltou para o garoto que estava atrás de si e percebeu que o menor era bem simples.

Os seus cabelos longos eram pretos e estavam soltos sem nenhum enfeite além de uma fita trançada e fininha, da cor cinza-escuro, que estava amarrada no meio da testa conferindo-lhe um certo charme. Seu rosto era jovem e muito bonito. Sua Alteza sorriu, esperando pelo "obrigado" do outro, todavia, para sua surpresa, foi ignorado. De qualquer forma, isso não o abalou.

- Qual é o seu nome, pequeno jovem? Meu nome é William e sobrenome Thomson, sou de um reino distante, e você?

- Meu... meu sobrenome é Diniz - ele se referiu a si mesmo de um jeito simples, preferindo não dizer seu nome. William sorriu. Ele não tinha nada mais a falar, então resolveu seguir o seu caminho. Curvando a cabeça, pediu que o garoto se cuidasse e se afastou. Enquanto andava pela rua de areia, ele observava as Pagodas à procura de algum lugar para comer.

Mas, conforme andava pela cidade, seu corpo o alertou de uma presença em seu encalço. Chegou a cogitar ser coisa de sua cabeça, mas teve certeza de que era real quando o vento soprou em seu rosto e pôde sentir um familiar aroma de incenso, o mesmo que havia sentido mais cedo. Ele estava sendo seguido, e quem o seguia era o jovem que acabara de resgatar.

NOTA:

Qigong¹ – Qigong é um termo de origem chinesa que se refere ao trabalho ou exercício de cultivo da energia.

Jiejie² – quer dizer "irmã mais velha."

Capítulo 2 Hahah esse Didi deseja se tornar um devoto fiel

Por um momento, William achou engraçado essa brincadeira do fofo gambá que perseguia o bonito cavalo. Para ele, essa cena era um tanto divertida e, por causa dessa animação, ele passeou por vários lugares a fim de conhecer cada costume. Também se distraiu com algumas apresentações que tinham na rua e, por fim, acomodou-se numa taberna, na intenção de beber um pouco de chá quente.

Ainda era dia e essa pessoa da realeza sabia que, se bebesse álcool, iria embebedar-se e vagar inconsciente para algum lugar desconhecido.

Enquanto saboreava o seu chá, ele resolveu entrar na sua matriz de comunicação espiritual, onde sabia que seus pais e irmãos lhe esperavam. Com sua boca, sussurrou a senha e fechou os olhos, ao adentrar uma sala em seu subconsciente, onde estava totalmente silencioso. Não demorou muito até que uma voz furiosa invadiu o espaço e uma pessoa apareceu, franzindo as sobrancelhas.

"William, você fugiu novamente. Quando vai crescer?" Aquele que gritava era seu pai, o Grande Imperador Thomson, e o garoto sorriu, um tanto sem jeito.

"Meu pai, eu avisei que iria em busca de aventura por alguns meses, mas você estava tão ocupado que não me ouviu, novamente", confessou em suspiro. Não era a primeira vez que isso acontecia e William, por isso, já estava acostumado. "De qualquer forma, estou me comunicando para avisar que estou bem."

"Will! Finalmente você apareceu!" Ao ouvir essa voz gentil e feminina, William Thomson se animou, ao ver sua Jiejie aparecer na sala da matriz, e ele sorriu animadamente, enquanto seu pai reclamava desgostoso sobre o seu filho desobediente. Ele ignorou o imperador e dedicou sua atenção à sua irmã, perguntando por sua mãe e irmão.

"Nosso irmão está numa caçada, já mamãe está comigo, irei chamá-la..." William concordou e, depois, tentou acalmar seu pai, que permanecia irritado. Ele não sabia se ria ou ignorava os sermões que o Grande Imperador jogava nas suas costas. Esse ancião Thomson, tinha a voz estridente, e se ele pudesse, iria até seu filho caçula desobediente e o estrangularia, mas, ali dentro, os corpos eram apenas espirituais, e não físicos.

"Marido, deixa estar, William ainda é jovem, deixe ele conhecer o mundo." A imperatriz entrou na matriz, cortando o barulho de vozes que sobrecarregavam o lugar. Ela desviou o olhar do Grande Imperador e sorriu gentilmente para seu filho, desejando abraçá-lo, mas como ali dentro não existia corpo físico, contentou-se em apenas vê-lo. "Querido, não ligue para seu pai, aqui está tudo bem, então se cuide aí onde está, certo? E se divirta."

"Obrigado, mãe. Bem, irei sair. Em caso de algum problema, entrarei em contato, tá bom?" Antes mesmo dele se despedir, seu pai saiu da matriz. Sua irmã e sua mãe despediram-se. William abriu os olhos e percebeu que o chá que estava em sua xícara havia esfriado, devido ao tempo frio; disfarçadamente, ele espiou entre os cílios e viu aquele garoto escondido. Ele continuava lá, olhando para o chão, enquanto chutava algumas pedrinhas.

William sorriu e chamou a senhora que, alguns minutos atrás, levou-o até a mesa; ao se aproximar do cliente, ela anotou o pedido que o jovem fez.

O príncipe comeu tranquilamente, sem se importar com os longos minutos que passavam diante de si. Satisfeito, ele pagou pela comida e chá. Depois que deixou a mesa para trás, William saiu da taberna com a mão esquerda encostada nas costas e a outra balançando o seu leque, enquanto olhava para a rua movimentada. Ele andou por aquela cidade, curioso em conhecê-la, visitou cada canto, sempre atento naquele garoto que aparentava ter seus dezesseis anos, seguindo-o.

Por um momento, William estranhou, achou isso curioso e percebeu que essa brincadeira de gato seguindo o rato já não era tão engraçada assim. Decidido, o príncipe resolveu montar uma armadilha. Ele entrou num terreno abandonado e rapidamente pulou para o telhado de uma taverna de três andares. Ao ver o garoto entrar, o jovem Thomson pulou de encontro ao menor, empurrando-o contra a parede e posicionando a sua espada, que ainda estava dentro da bainha, no pescoço alheio.

- Por que está me seguindo? - apertou a espada, mas não o machucou, pois a lâmina estava guardada no interior da bainha. Ele somente queria assustar, mas se sentiu surpreso ao ver que o rosto infantil não demonstrava nenhum sentimento, além de frieza.

- Eu só desejo conhecer melhor a pessoa que me ajudou um tempo atrás - disse sem pressa e observou o outro arquear a sobrancelha. William se afastou e sorriu.

- Seguir um desconhecido não é tão legal assim, não tem nada mais interessante para fazer?

Anthony pensou por alguns segundos e não mudou a feição.

- Essa pessoa tem muito tempo livre, para observar de perto o jovem mestre que o ajudou. E como em agradecimento, me tornarei um devoto fiel ao seu templo. - Na realidade, Anthony estava impressionado, afinal, nunca ninguém fez isso antes, nunca ninguém o ajudou, pois, para todos daquela vila, ele era um gambá mal-agradecido que causou a morte de toda a sua família adotiva. Claro que isso era mentira, esse pobre rapaz de dezesseis era apenas uma vítima desde pequeno, nunca teve culpa dos acidentes que aconteceram em sua vida miserável. Ele perdeu tudo, até sua dignidade.

Anthony Diniz perdeu os pais legítimos ainda novos; na época, ele tinha uns cinco anos de idade, depois foi morar nas ruas de Ilha Azul, até ser adotado por uma família boa e bem pobre. Ele ganhou uma nova mãe e um novo pai, sem esquecer que também ganhou uma irmã, e sua vida se tornou novamente agradável.

Anos se passaram; quando Anthony completou os seus quatorze anos, recebeu de presente um acidente gravíssimo na sua casa, onde todos morreram queimados. Dali em diante, ele foi apontado como culpado, foi expulso da vila, passou a ser comparado com um gambá, repleto de infortúnio, de modo que ninguém queria se aproximar, e se viu obrigado a viver nas montanhas como um cultivador arredio, sem uma espada para se defender e com poderes espirituais fracos. Então, sim! Ele tinha muito tempo livre no seu dia a dia. - Gostaria de te seguir daqui para frente!

William sorriu e guardou a sua espada ao lado da sua cintura.

- Por que eu?

- Porque o jovem mestre foi o único que me tratou bem desde que... - Ele ficou mudo e pensou nas palavras certas para usar. - Desde que cheguei aqui nesta montanha - mesmo que a face desse garoto estivesse um tanto sombria e neutra, seus olhos refletiam um brilho de admiração ou algo que chegava quase nisso.

Sua Alteza observou atentamente aquele cultivador em sua frente e sentiu a aura que transmitia de dentro dele. Essa aura não era de um didi² que cometia atos maldosos como aqueles moradores disseram horas atrás, e sim o contrário. Anthony exalava uma essência bondosa. Então, por que ele foi acusado de ser um monstro? Ele ficou curioso, queria descobrir tudo sobre a pessoa à sua frente.

- Me torne seu devoto fiel ou um servo, eu realmente não me importo, só quero ter a possibilidade de andar ao seu lado, ou atrás de você.

William Thomson pensou por um momento ao ouvir essas palavras; em toda sua vida, ele viajou sozinho de aldeias a aldeias, nunca teve alguém ao seu lado para conversar, ensinar o cultivo ou a usar espada. Ao pensar nisso, seus olhos brilharam, seu rosto se iluminou e a sua voz saiu mansa.

- Ter um irmãozinho ao meu lado não é de todo mal - sorriu - Ainda mais esse sendo um pequeno didi. Que seja um bom companheiro de viagem e que me ouça com atenção enquanto conto as minhas histórias de aventuras! - William pegou seu leque dentro da sua manga e abanou lentamente o vento diretamente em seu belo rosto. Ele estava disposto a ter a companhia desse jovem cultivador arredio ao seu lado, pois queria entender um pouco da sua jornada e entender o motivo dos moradores terem tal pensamento negativo acerca dessa pessoa, Anthony Diniz.

Afinal, Anthony carregava uma aura da cor azul, isso mostrava que o garoto em sua frente era ingênuo, inocente e que nunca desviou do caminho da virtude em toda a sua vida. Esse príncipe Thomson nunca errou nas suas deduções, e essa não era a primeira vez que isso iria acontecer.

Anthony sentiu desejo de sorrir, mas não se permitiu fazer isso, pois ele não conhecia esse jovem que carregava mil faces totalmente e verdadeiramente. A única coisa que ele percebeu foi que William Thomson era de sangue nobre; suas vestes verdes eram de um tecido fino e delicado, seus longos cabelos castanho-claros estava uma parte presa no topo e o restante solto, ele enfeitava a cabeça com grampos e joias pequenas. É... a diferença entre os dois era gigantesca, mas a beleza de ambos batia de igual a igual.

NOTA:

Didi – Significa irmão mais novo.

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