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My lady

My lady

Autor:: Pri Martins
Gênero: Romance
Charlotte Leblanc, uma moça gentil e ingênua, exibe uma beleza angelical e atraí para si olhares apaixonados, tornando-se assim a obsessão de Lord Tyler, o filho do Duque Smith. Um homem intenso que nutre pela moça uma paixão descontrolada e egoísta. Será que é possível um amor surgir diante de tantos males entendidos ? Embarque nessa história de época e descubra o desfecho de My lady.

Capítulo 1 Prólogo

Prólogo

"[...]Uma tristeza tomava conta do seu corpo enquanto uma lágrima tímida percorria sua face chegando aos seus lábios, aquela noite seria uma lembrança amarga, impossível de esquecer. Inesperadamente, Tyler segura o rosto de Charlotte com rigidez, obrigando a encontrar com o seu olhar ameaçador. Com agressividade, abraça Charlotte e beija contra vontade a boca de sua esposa que por sua vez, debate seu corpo e o por instinto o morde empurrando o duque e tentando afastá-lo em seguida:

_Como imaginei! - Tyler tem um sorriso mal intencionado ao sentir os lábios com o gosto de sangue - A doce e pura lady Leblanc, o anjo da ilha de Santa Helena, parece mais uma nativa selvagem, uma cadela raivosa. Não se faça de donzela ofendida, já que deve ter beijado aquele homem, várias e várias vezes, mas agora nega o que é meu por direito. - Ele continua com o sarcasmo ao falar - O que mais fez com ele? Mostre para mim, afinal devo ser beneficiado com tuas habilidades na cama, pois agora sou o teu marido. - O duque fala enlouquecido.

_Não ouse tentar me forçar, nunca o perdoaria! Pois pode até ser que consiga tomar meu corpo a força - Charlotte pressiona o peito de Tyler tentando o empurrar para trás e com o tom exaltado de voz, completa - Mas meu amor e meu coração jamais serão teus.

O duque Tyler, range os dentes e fecha os punhos encurralando Charlotte contra a parede:

_Saíba que agora tem obrigações para comigo e tenho direitos sobre vossa graça... Pertence à mim, my lady - Tyler pressiona seu corpo ainda mais sobre o corpo de sua esposa - Pelo o que percebo, está ciente do que acontece com um homem e uma mulher, quando estes estão a sós, então não banque mais a inocente. Estou farto de esperar Charlotte...

A moça entendia muito bem onde Tyler queria chegar com suas insinuações, a pergunta capciosa que seu marido queria fazer, porém, não usava as palavras corretas. Logo Charlotte obteve a infeliz idéia de deixá-lo ainda mais irritado e incitou o ciúme e o ego do duque. Talvez uma meia verdade, a libertasse daquela situação de uma vez por todas, ela acreditou. Provocar um escândalo, levando o desquite, poderia ser a melhor opção para fazer o duque anular o casamento. Assim a garota resolveu jogar sua última carta para tentar fugir do seu destino:

_Vossa graça, está correto com suas suspeitas...- Charlotte respirou fundo e sem desviar seu olhar atrevido continuou com sua mentira - Amo William, iria fugir com ele. Acha que teria arriscado ter minha primeira noite com um homem por quem não sinto nada? - O olhar da garota era desafiador e demonstrava toda sua indiferença, alimentando o ódio de seu marido - Realmente, acredita que ficaria sujeita aos teus caprichos e permitiria que tomasse minha pureza sem o meu consentimento?

Tyler fica visivelmente fora de si e joga no chão o jarro de água próximo à ele demonstrando toda a sua indignação:

_Então, o anjo que amei todos esses anos não passa de uma rameira sem moral? Uma mulher promíscua, uma perdida, mundana. - Ele fala rosnando feito um louco - Acredito que as mulheres da vida mereçam mais respeito do que my lady, já que ao menos, ao levantar as saias, são sinceras quando estendem as mãos em troca de tostões - O duque não mede as palavras e ofende a garota - O dote que paguei, não foi o suficiente? Quanto mais tenho que desembolsar para que eu tenha exclusividade do teu corpo a partir de agora? Já que não deseja cumprir seu dever como esposa, podemos negociar igual já fiz tantas vezes em bordéis com as cortesãs.

Charlotte, sente repulsa ao ouvir as duras palavras do seu marido, mas não desvia seu olhar e muito convicta sobre os acontecimentos, fala em alto e bom som:

_Realmente, tua hipocrisia é tão grande quanto teu ego. Faça um favor a si mesmo e solicite a anulação do casamento. Livre-se do fardo que serei em tua vida, recupere a honra, se por ventura um dia soube o que significa isto - Charlotte sentia o coração acelerar, mas não teria como voltar atrás com sua escolha - Acabe com esta loucura e nos liberte desse casamento sem amor...

Tyler sorri de forma diabólica e empurra Charlotte, a forçando mais contra a parede:

_Acredita que será tão fácil assim, livrar-se do nosso compromisso? - O duque estava com um olhar tenebroso e visivelmente fora de si - Depois de anos de noivado, acredita mesmo que permitirei que meu sobrenome acabe na lama por que meu belo anjo, fornicou na relva e adormeceu nos braços de outro homem, tal qual uma perdida? Não Charlotte, seremos infelizmente juntos, até que a morte nos separe. Começando por está noite.

Mais uma vez Tyler beija Charlotte com violência e prensa o seu corpo contra o dela. As suas mãos descem a percorrer as curvas do quadril e logo sobem a fazer o caminho inverso por baixo das saias, assustando a moça. O seu beijo era feroz e mesmo que Leblanc tentasse conter a ação a qual era submetida, não possuía forças para lutar contra um homem tão forte. O duque estava tão inerte na sua fúria que lança uma das suas mãos apertando um dos seios com rigidez, fazendo a sua esposa gritar de dor. Ela não tinha forças para empurrá-lo e sentia que não conseguiria impedi-lo de avançar nas suas investidas, logo, Charlotte desiste ao perceber que seria inútil.

Sem conseguir conter o choro, o desespero veio junto com as lágrimas ao estar impotente diante de uma situação tão degradante. Nunca, mesmo nos seus maiores pesadelos, Charlotte imaginou que Tyler iria agir como um covarde e isso foi algo que a feriu muito mais do que as palavras que escutou ou mesmo com a violência que estava prestes a sofrer. Algo inesperado por tratar-se do duque, até então, o seu amigo querido, o seu atual marido.[...]"

As consequências de mentiras e atitudes estúpidas, deixariam sequelas naquela noite. Ambos foram responsáveis por traçar seus destinos e iriam colher os frutos de suas escolhas insensatas. Basta saber como o asco um dia poderia transformar-se em amor.

Capítulo 2 Cap.1 Uma fada

Cap. 1 Uma fada

Ilha de Santa Helena, território Britânico (Inglaterra) 1836...

Todos na região sabiam que a Ilha de Santa Helena era um lugar onde seus poucos mais de 4.000 habitantes, se moldaram a um calmo estilo de vida. Um lugar sem praias com seu litoral rochoso perfeito para uma prisão.

Prisão... Assim Charlotte Leblanc via aquela ilha, uma moça jovem que emanava vida e beleza. Com seus quinze anos almejava conhecer o mundo e navegar através do mar, participar de bailes na corte e ser conduzida por um belo cavalheiro em uma contra dança no salão de festas do palácio.

Enquanto não podia fugir daquele marasmo, a garota aproveitava o tempo livre para explorar o lugar na pequena floresta e algumas vezes mergulhar nas águas de um pequeno lago que seria o coração da ilha. Sentir o vento soprar seus cabelos e andar descalço sobre a relva, conectando-se a natureza, era algo muito simples mas extremamente especial.

Certo dia, depois de algumas aulas tediosas de etiqueta e ser obrigada a vestir o maldito espartilho, Charlotte aproveitou que sua dama de companhia precisou ausentar-se para sair sem ser notada. Como de costume, embrenhou-se na floresta, em busca de liberdade, entretanto algo inusitado aconteceu naquela manhã.

Ela preparava- se para se despir de uma parte considerável de roupas para entrar no lago quando um barulho diferente chamou sua atenção. Um gemido sofrido e um sussurro por ajuda foi ouvido pela mata adentro. Um tanto curiosa, sem pensar nas consequências ou hesitar por medo, a menina segue os sons de dor. Mas à frente, ela se deparou com um rapaz com pouco mais de dezoito anos que estava com uma das pernas presa a uma armadilha de caçador.

Cautelosamente, Charlotte aproximou-se e notou as gotículas de suor que escorriam pelo rosto do jovem que aparentava delirar, certamente o mesmo ardia em febre e encontrava-se quase desacordado, provavelmente ele estaria preso alí desde a noite anterior. Com todo o cuidado que possuía, a garota agachou e desarmou o objeto que o prendia, rasgou um pedaço do tecido da sua anágua usando para conter o sangramento do corte.

Estando a poucos centímetros de distância ela pôde ver que o jovem tinha os cabelos castanhos escuros, um queixo másculo e seus lábios rosados eram bastante atraentes, de fato seu corpo era visivelmente forte e a Charlotte pode concluir que não teria forças para o carregar, não sozinha. Seria necessário que ele ao menos pudesse apoiar em algo para dar suporte e o alavancar até a sela que estava no cavalo, logo ela ficou esperando que o rapaz acordasse, pois assim tentaria colocá-lo na montaria e desta forma seguiria junto a ele rumo ao vilarejo para buscar ajuda.

Charlotte poderia ir até a colônia e pedir socorro, mas a verdade é que ela não deixaria o jovem ferido e sozinho em um local tão ermo.

A garota coloca a mão sobre o semblante do rapaz e retira umas mechas de cabelos que cobriam seus olhos. Em um breve momento, ele lentamente abriu os olhos e levantou uma mão em direção ao rosto de Charlotte, encarou o olhar azul em um tom de oceano e assistiu as bochechas de sua salvadora ruborizarem com um simples toque:

_Uma fada? - Ele falou e deslizou os dedos de forma leve sobre a boca da menina e um tanto confuso fez outro questionamento - Um anjo?

O instante breve em que os olhos do jovem encontraram os da garota, foi o suficiente para que o momento ficasse marcado na sua memória, mas devido à exaustão e a febre ele retirou a sua mão e voltou a fechar os olhos imaginando ser um sonho.

Ela não obteve reação para evitar tamanha ousadia por parte dele, e pode sentir internamente o quanto o olhar amendoado do rapaz era intenso. Charlotte balançou a cabeça buscando esquecer aquele momento constrangedor e com leves tapinhas em sua face, tentou voltar a sua concentração. Pegou o lenço que trazia e o umedeceu com a água do cantil, e rapidamente deslizou o tecido sobre os lábios ressecados do jovem. Quanto mais o tempo passava, mais a situação dele piorava, ela por sua vez decidiu que não poderia continuar alí, deveria ir atrás de ajuda:

_ Milorde, irei atrás de socorro. - Charlotte falou um tanto preocupada - Mas não se preocupe, voltarei com ajuda.

_ Por favor, não vá. Não quero ficar sozinho - Ele segurou a mão da menina com suavidade

A garota sentiu o coração saltitar, jamais alguém falou com ela daquela forma. Ela por sua vez, acabou desistindo de ir atrás de ajuda e resolveu esperar, pois sabia que não tardaria para que seu pai fosse a seu encalço. Dessa forma a garota permaneceu de mãos dadas com o rapaz que estava delirando e completamente vulnerável.

Passadas algumas horas, vozes na mata são ouvidas e como Charlotte suponha, seu pai chama por seu nome. Imediatamente a mesma grita sinalizando onde está e alguns funcionários de sua casa aparecem junto ao senhor Leblanc:

_ Aqui estou pai. - A moça fala aflita.

O senhor Leblanc carregava uma expressão confusa de fúria e de alívio:

_ Charlotte tem noção do quanto fiquei preocupado? - Ele pronunciava as palavras em um tom elevado - Graças aos céus, nada de pior aconteceu. Saíba que está proibida de perambular sozinha.

Ao aproximar-se, o senhor Leblanc pôde perceber que um jovem estava deitado, aparentemente machucado e ao seu lado Charlotte estava com um olhar aflito. Ela rapidamente soltou a mão do rapaz antes que algo fosse mal interpretado por seu pai.

Leblanc reconheceu o rapaz de imediato. Tratava-se do jovem lorde dos Smith, precisamente Tyler, o filho mais velho da família de nobres da ilha.

Uma inquietação tomou conta dos homens que estavam na mata, precisavam retirar o rapaz do local o mais rápido possível para tratar de seus ferimentos e em poucos minutos o resgate já estava acontecendo.

Charlotte foi acompanhando seu pai, até o forte do Duque Smith, pois apesar de não ter importância no momento, o senhor Leblanc achou melhor que sua filha o acompanhasse para contar o que sabia sobre o acidente do rapaz e também não deixar a mesma sassaricando pelo Vilarejo.

A menina fitava o rapaz ainda desacordado, sendo carregado pelos ex escravos, agora libertos, em uma espécie de maca improvisada. Percebia seu cenho suado devido a temperatura corporal elevada e não via a hora do rapaz enfim conseguir ajuda para seus ferimentos.

Uma comoção foi gerada, em torno do jovem, logo quando foi avistado deitado sobre a maca na entrada do forte Smith.

Os empregados junto com o duque, pai de Tyler, rapidamente levaram o rapaz para dentro da casa. Pouco tempo depois o senhor Leblanc já conversava com o senhor daquelas terras e explicou o que houve, já que Charlotte era apenas uma mulher e não seria de bom tom que a mesma estivesse em uma conversa de homens.

Após alguns agradecimentos, o Duque aproximou-se de Charlotte:

_Obrigado senhorita, por encontrar meu filho e ajudá-lo. - O velho duque estava com um sorriso singelo ao agradecer.

_Vossa graça, não é necessário agradecer. - Charlotte respondeu de forma cortês - Fiz o que julguei ser correto, mas confesso que não sei bem o que deveria ter feito em uma situação como essa. Cheguei a cogitar voltar ao vilarejo atrás de socorro, entretanto não obtive coragem para deixá-lo sozinho. Sinto muito.

_Minha querida, não é necessário desculpar-se - O duque permaneceu com o rosto amistoso - Sei que a senhorita fez o melhor que pôde e se não encontrasse Tyler, talvez não poderíamos cuidar a tempo dos seus ferimentos. Meu filho poderia ter sangrado até a morte e aí seria irreversível qualquer outro tratamento. - Os olhos do duque exibiam gratidão - Como recompensa, a sua bondade, darei um baile no forte e assim a senhorita pode debutar. Seu pai está convocado a vir. Assim apresentarei a senhorita ao meu filho formalmente para que ele mesmo possa agradecer a sua gentileza.

_ Fico lisonjeada, mas acredito que devo recusar - Charlotte responde educadamente - Ficarei um tanto envergonhada por receber tanta atenção.

_Ficarei desolado se não aceitar meu convite - O duque demonstra um pouco de decepção - Seria uma desfeita, não comparecer.

_Esta bem, vossa graça . - Charlotte assentiu com a cabeça. - Agradeço a oferta e atenção com o meu debute.

_Ótimo, pelo menos agora o baile terá algum significado, já que aconteceria de uma forma ou de outra. - O duque fala empolgado - Os melhores partidos da Inglaterra estarão presentes para conhecerem o belo anjo de Santa Helena. Tenho certeza que sairá do baile com vários pedidos de cortejo.

Charlotte sorri e faz uma referência em agradecimento. Realmente ela já estava em tempo de casar, mas no fundo isso não era algo que almejava, pois não imaginava a sua vida presa a um homem por conveniência ou por um estúpido acordo entre famílias. Mas como seria o primeiro baile que a mesma iria participar, uma certa euforia tomou conta do seu ser e apesar de ter perdido o seu lenço favorito, pois era algo que pertencia a sua falecida mãe, a menina estava feliz em ter ajudado alguém. Ao lembrar do toque suave das mãos do rapaz sobre seu rosto, ela pensou: _Uma fada? Um anjo? Ela então sorriu e falou internamente: _ Sim, ele estava a delirar!

Capítulo 3 Cap. 2 Baile

Cap. 2 Baile

Lorde Tyler, estava praticamente recuperado de sua última aventura que quase custou uma perna, literalmente, e agora em seu quarto admirava seu reflexo no espelho. Ele alinhou sua roupa e analisou seu porte altivo, obviamente estava impecável. Além de receber os convidados, naquela noite iria conduzir uma contra dança para a moça que havia o encontrado na floresta. A famosa Charlotte Leblanc, a tal donzela que salvou sua vida, mas que por algum capricho do destino Tyler não havia a encontrado antes do acidente, e muito menos depois. Ele conseguia lembrar de partes fragmentadas da jovem, flashes dos olhos azulados e dos lábios rosados e de como a luz do sol fazia parecer que os cabelos dela se igualavam a fios de ouro, mas era uma memória muito confusa.

Ele dobrou um lenço que continha iniciais que só podiam pertencer aos Leblanc, guardou em seu bolso o acessório com intenção de devolver, afinal ele lembrava que seus lábios foram molhados por aquele tecido e assim, tão logo, faria a gentileza de entregar a sua dona. Outro flash sobre a pele da garota veio a sua mente, parecia delicada e sensível e ele podia lembrar de algo muito peculiar, o aroma de cereja que exalava.

O perfume estava impregnado no lenço e ficou eternizado em sua memória como a lembrança mais concreta da jovem lady, o fazendo sorrir. Ao se pegar tentando lembrar daquele dia, ele balançou a cabeça em negação como se quisesse afastar algo de si e depois de conferir mais uma vez sua vestimenta, caminhou até a porta e saiu com destino ao salão de bailes.

Ainda no corredor, Antony Smith, o irmão caçula de Tyler, foi ao seu encontro:

_Irmão precisa descer o quanto antes - O garoto falou empolgado - Acabei de ter a visão do paraíso e preciso que compartilhe da mesma benção com seus olhos. My lady Leblanc acabou de chegar acompanhada de seu pai. - O menino estava eufórico - Tyler, a garota é belíssima, se apresse para cumprimentá-la e obviamente apresente-me a ela, para que eu possa valsar com aquela musa.

_Não vejo motivo para tanto alarde - Tyler tem o sarcasmo estampado em seu rosto - Se ela é mesmo tão bela quanto diz, porque acredita que teria alguma chance em cortejá-la se é isto o que pretende. Moça alguma em sã consciência, aceitaria o fardo de ser pisoteada por um bezerro desastrado por mais de uma dança. Desista!

_A maneira como consegue destruir meus sonhos é incrível - Antony arqueia a sobrancelha e caminhando ao lado de Tyler refuta - Talvez em vez de herdar o título de duque, meu nobre irmão poderia se candidatar para o cargo de conselheiro oficial da Inglaterra. Sir Sigfried, pode até ser o homem mais temido e sanguinário, entretanto não há ninguém melhor que você quando o assunto é desdenhar e acabar com o plano de terceiros.

Tyler sorriu satisfeito, era divertido zombar de seu irmão caçula que geralmente estava sempre ao seu lado. Assim que ele desceu as escadas acabou por encontrar com os olhos azuis que nos últimos dias estavam em sua memória. Charlotte ergueu seu olhar e ao encontrar o olhos amendoados de Tyler sorriu, seu sorriso foi meigo e educado acompanhado por uma reverência:

_Como disse antes, - Antony dá pequenos tapinhas na costa de Tyler, alinha sua roupa toma a frente do irmão e desce - A senhorita Leblanc é a criatura mais bela que já vi. Agora seja um bom irmão e apresente minha futura esposa para mim.

Tyler permanecia estático, apenas contemplou a passagem da garota que seguia rumo ao centro do salão onde foi apresentada pelo duque formalmente. Sim, Charlotte Leblanc era mesmo um anjo, concluiu.

Os olhos da garota não conseguiam esconder a alegria que sentia, por estar presente à um evento como aquele. Eram tantas cores e tantas flores no salão principal do forte do Duque Smith, algo jamais visto por Charlotte. Uma orquestra havia chegado de Londres e tocava seus instrumentos, enquanto vários nobres e suas senhoras dançavam.

O filho do comerciante local, Willian Lancaster, estava no baile. Também estava ansioso para ter um momento com Leblanc. Eles mal haviam trocado olhares e algumas cartas, mas era nítido a forma com que ambos demonstravam seus sentimentos. Ele aguardava a melhor oportunidade para aproximar-se de Charlotte e enfim ter um contato mais íntimo, e o baile o permitiria isso.

Uma valsa começa e a senhorita Leblanc, é rodeada por senhores que desejam sua companhia na dança, incluindo o filho caçula dos Smith. Algumas mãos são estendidas e a garota fica constrangida sem saber o que fazer, até que uma voz chama sua atenção a convidando para dançar:

_Milordes, como filho do anfitrião e primogênito da casa Smith, devo auxiliar a senhorita Leblanc na sua primeira contra dança em seu debute - Era lorde Tyler, o rapaz da floresta que assim que se aproxima estende a mão em direção a jovem.

Com um sorriso aliviado e sem pestanejar, Charlotte entrega sua mão a Tyler que a conduz em direção ao centro do salão:

_My lady Leblanc, é muito satisfatório enfim conhecê-la. - Tyler inicia uma conversa ao perceber o quanto Charlotte estava tensa - Acabei de salvar a senhorita de pisões nos pés e apertos desnecessários. Podemos dizer que estamos quites, minha linda fadinha? - Lorde Tyler declara com um sorriso brincalhão.

O sorriso de Leblanc é envergonhado e ao mesmo tempo doce, lorde Tyler não pôde deixar de notar a reação de alívio da donzela:

_Obrigado milorde, por vir ao meu socorro e desculpe tomar seu tempo. Considere que não há mais dívida alguma. - A jovem sorri de forma leve.

Tyler fica fascinado com a desenvoltura e leveza da pequena dama com quem tinha o prazer de dançar e trocar palavras. Era uma garota jovem, porém já apreciada por alguns senhores que a observavam com certa ousadia:

_Senhorita Leblanc, creio que assim que acabar essa contra-dança outros tomarão o meu lugar. Talvez, não consiga fugir de todos seus futuros pretendentes, ainda mais sorrindo assim. - Ele faz uma observação.

Charlotte tenta conter seu sorriso e logo suas bochechas coram, parece ficar confusa e retruca as palavras de Tyler:

_Não posso ter pretendentes. Ainda sou muito jovem. Além do mais, escolherei meu futuro marido. - Mais uma vez ela sorri e Tyler não deixa de pensar no quanto a moça era bonita.

_Mais uma vez my lady sorriu. Ao menos outros dez pretendentes aguardam ansiosos para ter um minuto de valsa com a senhorita, apenas para poder ver teu sorriso tão de perto. - Ele encara encantado a forma tímida que Charlotte tentava conter o sorriso mordendo os lábios e pela primeira vez Tyler imaginou como seria beijá-la.

Logo, a essência de Charlotte invadiu os pensamentos de Tyler, realmente a menina exalava um perfume de cerejas. A vontade que o jovem lorde sentiu em repousar seu rosto sobre a pele de Leblanc e aspirar todo aquele perfume foi avassaladora, mas conteve seu ímpeto, suspirou pesadamente e procurou manter o diálogo o mais longo possível:

_Vejo que a senhorita possuí o temperamento um tanto difícil, então farei o possível para ter a oportunidade de escolher o melhor marido. Considere um presente como prova de minha amizade e gratidão - Tyler procura colocar um limite para seus pensamentos, pois Charlotte mostrava-se valorosa demais para ser apenas uma conquista - Como não tenho par, estarei ao seu lado a noite toda, obviamente caso aceite minha oferta, assim posso afugentar esses velhos asquerosos.

Charlotte franze o cenho e levanta uma das sobrancelhas, alarga um pouco o sorriso e completa:

_Serei grata milorde - Ela mais uma vez sorriu e mais uma vez Tyler esteve a ponto de beijá-la.

Willian aguardava a oportunidade de estar com Charlotte e estava irritado ao vê-la tão próxima à Tyler. Várias danças tocavam e ainda sim os dois não paravam de dançar, a cada melodia mais risos de Charlotte eram tirados pelo galante lorde. Depois de muito conversarem e várias voltas no salão, enfim resolveram parar e tomar fôlego.

O jovem Smith estava encantado com a menina risonha e ficou interessado em conhecê-la melhor. Seria agradável ter uma conversa com uma garota que não fazia charme e parecia ser extremamente sincera. Por outro lado, a menina ficou satisfeita por não ser mal interpretada por lorde Tyler, que era conhecido como um conquistador inveterado:

_E então, minha belíssima salvadora, têm em mente, alguém à altura, que seja digno de arrancar teus suspiros? Pelo que percebi, minha pequena fadinha, já tem alguém que é dono dos teus olhos. - Tyler pergunta curioso.

Charlotte baixa a cabeça um pouco envergonhada, esfrega as mãos uma na outra tentando esconder o nervosismo:

_ Milorde, acho não ser apropriado conversarmos sobre isso - Ela demonstrava um semblante tímido.

_Hum... Então realmente existe alguém?! Com certeza esse rapaz é um jovem de muita sorte. Conseguir a atenção de uma senhorita tão inteligente e tão bela é sem dúvida, um presente, uma dádiva!

Leblanc olha nos olhos do lorde Tyler e encontra algo diferente. Aquele homem era atraente demais de todas as formas possíveis e inimagináveis. Isso era algo perigoso. Um rapaz charmoso igual a ele, faria qualquer mulher perder o rumo. Seu olhar amendoado era irresistível e tentador.

Tyler sentiu o pulsar do seu coração bater mais rápido quando percebeu o olhar fixo de Charlotte, seu únicos Pensamentos eram em como deveriam ser saborosos os beijos daquela senhorita que cheirava a cereja...

Entre as pessoas que circulam no salão, uma mulher também destacava-se pela beleza... Era lady Margareth, uma mulher de postura impecável e totalmente elegante.

Tyler, que por instantes encontrou-se perdido nos olhos de Charlotte e por segundos desejou o gosto daqueles lábios rosados, acabou reconhecendo a voz da dama que chamava atenção de todos no salão. Com toda a certeza, lady Margaret era a mulher mais bela, alí.

Logo seus olhos mudaram de direção e acompanharam os passos da jovem senhora que desfilava no salão.

Charlotte Leblanc, percebeu os olhares entre Tyler e Margareth, depressa voltou a sua realidade, o filho do duque não era o tipo de homem para se construir uma família, no máximo poderia ser um bom amigo:

_ Milorde, creio ter tomado muito do seu tempo. Devo agradecê-lo por toda sua atenção, mas agora o liberto. - Charlotte sorri para Tyler e o reverência, despedindo-se do mesmo, para não dar a oportunidade do jovem a contrariar.

Assim, caminha para longe do seu companheiro de valsa em direção a mesa dos aperitivos. Um pouco cabisbaixa, procura seu pai entre os convidados e seus olhos encontram o olhar de Willian. Mesmo estando nervoso em assistir, praticamente a noite inteira, sua amada nos braços de outro, sorri e caminha em direção de Charlotte:

_ Enfim... Conceda-me essa dança, senhorita? - O jovem ruivo perguntou estendendo a mão.

_ Pois não, gentil senhor. - Charlotte o saúda e logo os jovens começam a valsar no salão.

Enquanto isso lorde Tyler, acompanhava de longe sua amante, pois mesmo lady Margaret sendo uma senhora casada, ainda sim nutria um envolvimento amoroso com ele. Sem que ninguém notasse, a senhora saiu do salão e seguiu em direção ao jardim de labirintos, Tyler sorrateiramente fez o mesmo caminho, ambos estavam acima de qualquer suspeita.

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