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Mãe por contrato

Mãe por contrato

Autor:: Ayra Anchor
Gênero: Romance
Catrina é uma jovem de vida comum, até que recebe uma proposta tentadora de um dos nomes mais influentes da cidade. Ele quer que ela se torne a mãe de seus filhos. Ele está destruído desde a perda de sua esposa, ele acredita que jamais será capaz de amar novamente, até que a moça o desafia a fazê-la amá-lo. Mas como fazer que ela o ame, sem que ele se sinta tentado a amá-la?

Capítulo 1 Catrina

- Catrina e Will. Preciso falar com vocês. Venham até minha sala, por favor.

Eu jamais imaginei que chegaríamos a essa situação, sobretudo no aniversário de 100 anos da galeria. Fundada em 1920, por Giovanni Valentini, a galeria sempre foi muito próspera, mesmo quando Winy Valentini, sua neta, assumiu a direção da galeria após ele mostrar não ser mais um exímio gerente. Conforme os anos avançavam a galeria vendia cada vez menos. Quando Giovanni faleceu, alguns de nossos melhores clientes nos abandonaram, grande maioria eram seus amigos e por ele ainda permaneciam.

Eu entrei na galeria em 2015, nessa época Bailey, Alana e Carlos ainda trabalhavam aqui, Carlos como gerente, Alana e Bailey vendedoras. Poucos meses depois, Willian foi contratado para substituir Alana, que saiu depois de se casar. Nos tornamos melhores amigos em pouco tempo, não tinha como ser diferente. Willian é uma pessoa muito carismática e alegre, leva luz aonde quer que vá. Não demorou muito para que fôssemos vistos com maus olhos pelos mais antigos, mas isso nunca foi um problema, não até Dona Winy informar que faria um corte. Foi nesse momento que Bailey passou a ser mais competitiva e por muitas vezes grosseira, somente com os funcionários, claro!

Bailey foi demitida após discutir com Willian e ofendê-lo por sua sexualidade. Carlos, que já estudava outra oportunidade de emprego, aproveitou a deixa e saiu da galeria pouco menos de um mês depois. Apesar de seu jeito incomum de ser, Bailey era uma boa vendedora, tinha clientes fiéis. Alguns vieram e continuaram comprando, outros ao sentirem sua falta, simplesmente viravam a cara e iam embora. Com a saída de Carlos acabei pegando seu lugar na gerência. Levei um susto quando Dona Winy chamou William e eu para conversar, temia que a falência houvesse, enfim, chegado para nós.

- Está tudo bem? - pergunto assim que ela pediu para nos sentarmos.

- Sim, sim... Tenho uma proposta para fazer para vocês! Podem tirar essa cara de velório. Não é nada ruim.

- A senhora falou tão séria, pensei que fosse. Do que se trata, Dona Winy? - Willian pergunta enquanto se arruma na cadeira.

- Vocês sabem, muitos clientes que eram atendidos pela Bailey nos deixaram. Como grande maioria não é tão regular, ainda faltam alguns para aparecer. Entre eles está John Pentrana, o maior comprador entre os que ainda restam.

- O que a senhora sugere que façamos? - pergunto.

- Não o percam! Como incentivo, aquele que conseguir fazer John permanecer como cliente ganhará um bônus de 15%, além da comissão habitual.

Olho para Will sem entender nada. Pelo que vejo em seus olhos ele também não entende.

- 15% não é um valor muito alto? Considerando que já temos nossa comissão de venda?

- Meus filhos, eu faria muitas coisas para evitar a falência.

- Ela enlouqueceu! - Sussurra Will em meu ouvido

- Como ela disse: "Muitas coisas para evitar a falência".

Com um aceno de mão ela nos dispensa. Não sabíamos quando ele apareceria, no entanto, sabíamos que quando aparecesse, não poderíamos perdê-lo.

***

Estava atendendo Dona Lucena, alguns dias depois da inesperada reunião com Winy, quando uma criança entrou correndo pela galeria, esbarrando em alguns vasos, antes de entrar na primeira porta aberta que encontrou.

Peço licença a Dona Lucena e vou atrás do pequeno fujão. Estou procurando por ele no depósito, onde ele entrou. Não posso negar que ele é uma criança esperta, pois se escondeu muito bem. Ouço alguém gritando, suponho que seja o pai dele, o nome que ele chama é Mason, então, não penso duas vezes antes de tentar.

- Mason?

Escondido atrás de algumas caixas, ele me permite ver seu rosto, enquanto me olha assustado.

- Meu nome é Catrina, pode me chamar de Cat se quiser, está tudo bem com você?

Ele apenas concorda

- O que você acha de sair daí pra gente conversar melhor?

- Você tem medo do escuro, Cat?

- Não. E você?

Ele faz um gesto negativo com a cabeça antes de me dizer: - Senta aqui comigo, por favor.

Eu sorrio e me aproximo dele. Mason é pequeno, se meu chute não for muito ruim, acredito que ele tenha uns quatro anos apenas.

- Meu pai está lá fora, não está?

- Está sim... Por que você fugiu dele?

- Eu não queria vir pra cá. Eu queria ir brincar, mas toda vez é a mesma coisa, a gente só faz coisa chata quando está com o papai.

Algo no tom de voz de Mason me fez vê-lo como uma criança muito madura para sua idade. Parei e olhei para ele, ninguém diria que um menino (pelo qual eu poderia jurar ter apenas quatro anos) de olhos verdes e cabelos castanhos claros, pequeno com ele é, carregaria a maturidade de um menino bem maior, a julgar pela maneira como ele entrou aqui.

- Nós precisamos sair daqui, não acha?

- Eu tô com medo.

- Eu sei. Eu também fiz muita coisa feia quando tinha seu tamanho. Mas seu papai te ama e sempre vai fazer o melhor pra você, mesmo ele achando a melhor opção te trazer para uma galeria de arte. Além do mais, você é um garoto muito inteligente, precisa enfrentar seus medos. Jamais deixe o medo vencer você.

O pequeno segura minha mão e sorri. Um sorriso pequeno, nem mostra seus dentes direito, apesar disso, é suficiente para derreter meu coração. Saímos do depósito encarando um ao outro. É possível ouvir seu pai muito mal humorado falando com Will, contudo isso não abala a confiança de Mason, que segura firme minha mão.

***

- Quanto custa os vasos?

- Eles custam...

- Não se preocupe, eu pago. Cadê Bailey? Ela não virá me atender?

- Ela não trabalha mais conosco, senhor.

- Como assim? Ela é a minha vendedora!

Mason me olha assustado e aperta minha mão

- Vai ficar tudo bem. - Digo para ele e sorrio, enquanto com a outra mão eu cruzo os dedos torcendo para que fique mesmo.

- São informações sigilosas, senhor. - Diz Will apavorado, contudo tentando ser educado. Ele me olha e fica evidente. Ele não sabe como agir diante da explosão do rapaz.

- Com licença, senhor, aqui está Mason - falo calma e educada, ou pelo menos acredito ter sido assim.

O homem vira abruptamente. Enquanto segura firme um bebê em seu colo, ele me olha de cima a baixo, me analisando. Eu faço o mesmo, afinal não estou acostumada a ter uma beleza dessas na minha frente todos os dias. Ao contrário dele, faço o uso da discrição.

- Oi, filho. Vem aqui. - ele abaixa e chama o garoto, o recebendo com um abraço. Após abraçar o menino, volta seu olhar para mim e diz:

- Quem é você? Você entrou no lugar da Bailey?

- Ela é a Cat, papai. Ela me ensinou que temos que enfrentar nossos medos e que o senhor é meu papai e sempre vai estar comigo. - eu sorrio para o menino, o pai dele ainda sério mantém seu olhar em mim.

- Meu nome é Catrina, senhor. E, não. Eu já trabalho na galeria há muito tempo. - Eu sorrio, não sei qual será a reação deste homem, parece que ele não gostou muito de mim. Ele me encara, sustenta seu olhar avaliador por um tempo, até finalmente sorrir e, só então paro para analisar a obra de arte ambulante em minha frente. Imagino que ele tenha seus 1,80m de altura, é claramente um praticante de atividade física, seus belos músculos não diriam o contrário disso. Seu sorriso perfeito combina excessivamente com os olhos castanhos.

- Então, obrigado, Cat. Eu sou John Pentrana. Desculpe minha reação, meu filho é tudo pra mim.

- Não tem pelo que agradecer ou desculpar. Se me der licença, não quero atrapalhar. - Antes de me virar sinto sua mão sobre meu braço, seus dedos gelados sobre minha pele me causam arrepios.

- Eu gostaria que você me atendesse. - ele diz assim que eu volto minha atenção a ele - Se não for incômodo ao - ele olha para Will e lê o nome em seu crachá e sorri aparentemente sem graça. - Willian.

Eu olho para ele e para Will, não sei o que dizer. Will está segurando o riso, se não fosse pelo nosso cliente estaria rindo a vontade da minha cara.

- Imagina, senhor, não é incômodo nenhum. - Will me dá uma piscadela, e sussurra: - Você venceu.

Mason segura minha mão e me acompanha pela galeria enquanto apresento as obras para seu pai. Estamos no quarto quadro quando o bebê começa a ficar agitado, é claro que John é um bom pai, embora deva dizer, sem muita prática.

- Posso?

- Como? - Ele responde sem entender

- Posso pegar o bebê?

- Ah, sim - ele me entrega o bebê, que já está chorando.

- Vai ficar tudo bem, pode se acalmar - sussurrei no ouvido do bebê, enquanto o balançava. O olhar de John estava atento a mim, envergonhada sorri, e ele retribuiu. - Tem mamadeira com o senhor?

- Sim, me deixa pegar. - Em pouco tempo ele volta com uma bolsa nos braços e a mamadeira na mão. Eu dou a mamadeira para o pequeno, que mama tudo, arrota e logo adormece. John está me olhando fixamente. - Você tem um dom.

Eu sorrio com o comentário.

- Imagina, só acho que galerias de arte não são os favoritos dos bebês.

- Concordo, onde acha que devia levá-los? - Ele sorri provocativo.

- Bom, ele é pequeno para muitas coisas. Tem um lugar no centro que agradaria muito, tanto ele quanto Mason.

- Você me levaria lá?

- Como?

- Quero que você vá lá comigo. Para me mostrar.

- Eu não... - Antes que eu possa continuar, a senhora Winy, chega ao meu lado.

- Pode ir, querida, nós nos viramos por aqui e falta pouco pra acabar seu expediente.

Olho para John que ainda espera minha resposta. Não há muito o que responder, não podemos perder esse cliente, e mesmo que eu pensasse em negar, Winy praticamente me obrigou a dizer sim.

- Está bem. Vamos.

- Vamos! Só preciso fazer uma coisa... - ele acompanha Winy ao caixa, enquanto eu fico com o bebê nos braços o observando.

Entro no carro de John e o acompanho até o Imperial Park após explicar o endereço ao motorista. Passamos boa parte do caminho em silêncio, em alguns momentos percebi o olhar de John sobre mim. Depois da terceira vez, (terceira vez? Acho que é isso mesmo) eu decido quebrar o silêncio.

- Gostaria de me desculpar pelo meu comentário sobre trazer os meninos para galerias.

- Não tem por que se desculpar, você tem razão. Desde que minha esposa faleceu, eu tento separar pelo menos dois dias da semana para me dedicar a eles, às vezes é preciso levá-los a galerias, mesmo que eles não gostem muito disso. - ele sorri. Alguém poderia dizer a esse homem para não fazer isso na minha presença? Sério! O sorriso de John é fascinante. E perdoe-me por dizer, essa vibe viúvo bonitão... Nossa!

Por sorte meus pensamentos são interrompidos pelo motorista que avisa da nossa chegada.

- Vamos lá? - digo me recompondo.

- Vamos, Srta. Catrina, me apresente esse paraíso. - ele sorri. Penso comigo mesma, por favor, pare! Se continuar sorrindo assim, até o fim do dia estarei apaixonada.

Entramos no prédio e começo a apresentar tudo para ele.

- Então, como você pode ver, é um lugar bem espaçoso, à esquerda fica esse espaço reservado para bebês ou crianças dispostas a dormir.

- Oi, Cat. Qual o nome do anjinho? - a atendente pergunta.

- Noah - responde o pai orgulhoso.

Entregamos Noah para ela e seguimos para a sala do outro lado do vasto corredor.

- Essa parte aqui é a maior, eu costumo chamá-la de paraíso infantil.

- Posso entrar, pai? - Mason pergunta quando chegamos à porta. John me olha como se esperasse meu próximo passo. Procuro dentro da sala uma conhecida para mostrar tudo a Mason.

- Lexie? - a menina vem em minha direção - Oi, tudo bem? Esse é Mason. É a primeira vez dele aqui, poderia apresentar o lugar para ele?

Antes de responder ela olha de cima a baixo para John, que curiosamente parece não ter gostado muito disso.

- Claro - diz ela, antes de lançar uma piscadela para John.

- Você fará sucesso aqui. - digo.

- Se meus filhos forem bem cuidados, sem problemas. O que fazemos agora? Esperamos aqui?

- Ah! Eles serão! - Voltamos a andar, agora indo para o único local ainda não apresentado. - Aqui é o paraíso dos pais. Daqui é possível ter uma visão de ambos os ambientes, dependendo de onde você sentar a visão é melhor ainda. Daquele lado ficam os banheiros, - indico duas portas no canto esquerdo - e ali ficam as lanchonetes. Eles alugam esse espaço para eventos também, ou você pode apenas vir comemorar aqui com a família. É agitado, porém, pra quem não quer fazer uma baita festa e ainda assim divertir a todos é perfeito. -

- Estou me segurando para perguntar como você conhece esse lugar, sem parecer interessado demais.

Olho para ele desconfiada, então decido ignorar a parte do interesse, acho que ele queria dizer curioso demais.

- Eu venho aqui com meu sobrinho às vezes. Ele tem sete anos e adora esse lugar.

- Posso imaginar o porquê. Agradeço pela indicação. É um ótimo lugar para trazer os meninos, normalmente eles ficam com as babás, com meu trabalho é difícil me manter sempre próximo, desde que a mãe deles faleceu não sei bem o que fazer.

- Eu sinto muito. - Antes que eu possa continuar ele dispara.

- Não faça isso, não tenha dó de mim. Eu não sou o primeiro marido a perder a esposa no nascimento do seu filho.

Sem pensar coloco minha mão sobre a sua.

- Não estou com dó de você, é compaixão, algo totalmente diferente... E acho que você está fazendo um ótimo trabalho. Você está com seus filhos, você luta por eles. Você é um ótimo pai, Sr. Pentrana.

- Obrigado, por favor, me chame de John.

- John. - Ele sorri e eu o acompanho. Nesse momento percebo que ainda seguro sua mão, instantaneamente tiro minha mão de cima da sua, ele me analisa como se quisesse saber o que se passa na minha cabeça. Por sorte ele não lê mentes, pois olhando em seus olhos só consigo pensar na paz e na tormenta que eles me trazem.

Após quase duas horas divididas entre amenidades, olhar os meninos e apresentar as demais vantagens do espaço, decidimos ir embora. Voltamos para a galeria, visto que eu precisava pegar meu carro. Abri a porta para descer, antes que eu pudesse sair, John segurou minha mão.

- Só um minuto. Eu quero te fazer uma pergunta.

- Sim?

- Você aceitaria sair comigo e com as crianças de novo?

- Sim... - digo indecisa. - Me avise quando quiser minha companhia. Você sabe onde me encontrar. - Ele sorri e solta minha mão. Eu desço e o observo partir. Mesmo me repreendendo por isso, não consegui impedir que um sorriso aparecesse em meu rosto.

Capítulo 2 Catrina

Minha Segunda começou cedo. Estranhamente passei boa parte do meu fim de semana pensando em como a venda de John havia sido peculiar. Como de costume, cheguei à galeria adiantada, imaginei que teria muita coisa a fazer devido a compra de John na Sexta-feira.

Chegando na galeria percebi que o carro de Winy já estava na garagem e o de Will também, coisa que não é muito comum quando ainda falta meia hora para início do expediente. Não que eles cheguem atrasados, mas nesse horário sempre somos apenas Lupi e eu que tomamos café da manhã juntas. Entro e vejo todos reunidos na copa, com as pernas bambeando pergunto logo:

- Por que dessas caras? O que aconteceu?

- Nós que perguntamos! O que aconteceu entre você e o John Pentrana? - Will dispara animado.

- Nada demais, por quê?

Eles saem da frente do balcão, dando espaço a um lindo buquê de rosas vermelhas, com um cartão de John endereçado a mim.

- De onde saiu isso?

- Quando eu cheguei tinha um rapaz de terno esperando na porta. - responde Lupi do outro lado do balcão.

Olho para eles sem entender, ainda assim, decido ler o bendito cartão.

Querida, Cat,

Essas rosas são para lhe agradecer pela tarde adorável que passamos. Meus filhos se mantiveram tão felizes até bem tarde, Mason só sabia dizer o quanto tia Cat é incrível.

Embora o mérito seja todo seu, acabei me sentindo o melhor pai do mundo. Por favor, peço que aceite meu convite para jantar conosco essa noite. Se aceitar, mande uma mensagem no número abaixo, que pedirei ao motorista para buscá-la.

Estarei aguardando ansiosamente sua resposta.

Com carinho, John.

- E aí, o que diz? - Olho para cara de Will, ele está com cara de bobo, esperando uma resposta.

- Nada demais, ele está me agradecendo por aquele passeio e me convidando para jantar com ele hoje.

- Você chama isso de nada demais? Um encontro com John Pentrana, nada demais?

- Will, não vai ser um encontro, é só um jantar, vai ser na casa dele com os filhos dele.

- Oh, meu Deus - diz a senhora Winy - Toma, aqui está seus 15%, faça bom proveito e tire o dia de folga.

Olho para o cheque em minhas mãos.

- Senhora Winy, eu não posso...

- Pode sim, a compra que ele fez nos ajudou muito. Você vai e, por favor, agradeça a ele por mim. Vá logo, menina, não direi de novo.

Pego minhas rosas e as coloco no carro, não posso conter o sorriso por saber quem as mandou. O que ele quer comigo? Penso no caminho para casa.

Chegando em casa coloco as rosas na água, aproveitando mais alguns segundos para observá-las enquanto seu perfume se espalha pelo ambiente. Ao revirar meu guarda roupa não encontro nada que me agrade, corro para o centro e após muita procura, finalmente encontrei algo.

Tanta correria, sequer mandei a mensagem confirmando minha presença, então decidi fazer isso agora. Pego meu celular e envio uma mensagem.

Catrina: Oi, John?

John: Catrina?

Catrina: Sim rs

John: Como está com meu número, acredito que tenha recebido minhas flores.

Catrina: Recebi sim! São lindas, obrigada.

John: Não tem por que agradecer! Você já tem minha resposta?

Catrina: Eu aceito.

John: Perfeito! Me mande seu endereço. Às 19hrs está bom para você?

Catrina: Sim!

John: Combinado então. Mal vemos a hora de te ver.

Catrina: Fico lisonjeada.

John: Deve ficar mesmo rs Você merece! Até mais, Catrina.

Como o motorista deveria chegar às 19h, terminei de me arrumar alguns minutos antes. Pensando ser a melhor escolha para um jantar informal, escolhi um vestido preto, tamanho midi, marcando a cintura, dando ao meu corpo o famoso formato de ampulheta. A saia um pouco rodada completa minha intenção de parecer visivelmente um pouco "menor", fazendo o resultado final me agradar muito.

Dou uma última olhada no espelho para meu manequim 44, acabo passando a mão pelo corpo como se isso fizesse diminuir um pouco mais minhas medidas. Eu não deveria me importar tanto com isso, porém, não consigo evitar... Um lampejo de dúvida sobre comparecer a esse jantar passa pela minha mente no momento que ouço a buzina. Decido ser corajosa, comparecer e honrar com minha palavra, afinal, não pode haver mal em um único jantar, não é mesmo?

Chego à casa de John, um senhor abre a porta e sorri, antes de pedir para que eu o acompanhe. Ouço sons de passos, até visualizar a figura de Mason a minha frente.

- Tia Cat, eu sabia que você vinha.

O pestinha corre e me abraça, ele se sustenta em mim por um tempo, olho em volta, o bebê não está na sala, nem John.

- Vamos, tia, eu te levo até o papai.

- Acho melhor ficar aqui. - ele agarra minha mão.

- Vamos, tia, lembre-se, devemos enfrentar seus medos.

Mesmo me repreendendo mentalmente acabo seguindo ele até um quarto, não demora muito para que eu perceba que se trata do quarto de John, estou entrando no closet quando me deparo com ele sem camisa com o bebê no colo.

- Me desculpe - digo fechando os olhos, apesar de não conseguir tirar a imagem da minha mente. Não é preciso ter uma imaginação muita aguçada para saber o que tinha por baixo da camisa que ele usava naquele dia, ainda assim, não deixei de me surpreender, seu abdômen parecia esculpido por anjos, cada gominho se sobressaia como se fossem partes independentes de seu corpo - Mason insistiu que eu viesse.

- Sim, papai, é verdade, ela queria ficar lá, mas eu disse pra ela o que ela me ensinou quando eu estava com medo do senhor, temos que enfrentar nossos medos, então eu trouxe ela aqui. Veja, papai, a tia ainda tá com medo, diz que ela pode abrir os olhos. - Não faça isso, Mason! Eu pensava.

- Eu não estou com medo.

- Então abre os olhos - Mason diz em sua inocência de criança.

- Você ouviu ele, Cat, enfrente seus medos, pode abrir os olhos. - posso notar o tom zombeteiro em sua voz, comecei a abrir os olhos lentamente, apenas para ver que ele ainda estava ali, me olhando como se tivesse acabado de ganhar um troféu.

- Viu, filho, a tia não tem medo do papai. - ele diz de maneira debochada, tento conter um olhar repreensivo e falho miseravelmente.

Eu abaixo e beijo Mason na testa. - Eu não tenho medo do seu papai, pode ficar tranquilo, tá? Agora, vamos voltar lá pra baixo pro papai terminar de se arrumar? - Mason concorda, antes que eu possa me retirar, John começa a falar:

- Eu já estava pronto, quando o bebê golfa em mim, precisei me trocar.

- Vamos sim, tia, mas primeiro preciso ter certeza que não tem medo dele - O que esse menino está planejando? - Você pode abraçá-lo? - Ele quer me deixar doida, só pode!

- Eu não - acabo engolindo em seco - Eu acho que não é.... - sou interrompida.

- Vem, Cat - Diz John de maneira provocativa, reviro os olhos levemente, isso só faz com que o sorriso gozador de John aumente. Eu me aproximo, o bebê está sorrindo, acho que até ele sentiu meu nervosismo e está rindo da minha cara. Coloco meus braços em volta de um de seus ombros, ele por sua vez, põe a mão sobre minha cintura e me puxa, encostando seu peito esquerdo ainda nu no meu, com muito cuidado pra não machucar o bebê que está entre a gente, calmamente encosta seu rosto no meu, lado a lado, e sussurra em meu ouvido: você está linda. Sentir sua respiração suave em meu ouvido antes dele pronunciar tais palavras fizeram meu coração acelerar.

Eu me afasto, agradeço o elogio e peço para pegar o neném na tentativa de ajudar enquanto ele se troca, deito o bebê e começo a niná-lo, ele dorme em meus braços. Acompanho John até o quarto dos meninos, após ele se vestir, coloco o bebê no berço e descemos para sala de jantar. Jantamos calmamente, já que acabamos nos entretendo na conversa e nas brincadeiras com Mason, hora ou outra pegava John me observando e sentia meu rosto fervilhar. Quando o jantar terminou, John mandou Mason para a cama. Acabamos sendo chantageados por ele, o que resultou em nós o colocando na cama, assim como fizemos com Noah, segundo ele.

- Acho que devo ir - digo assim que fechamos a porta.

- Podemos conversar primeiro? Tenho algo pra falar.

- Ah, tudo bem.

Seguimos juntos para seu escritório, é uma sala muito bem decorada, nada que fuja dos padrões de um homem sofisticado. Ele fecha a porta e logo me convida para sentar junto a ele no sofá.

- O que tem a dizer? - Pergunto aflita... o que será de mim?

- Cat, muito obrigado por aceitar meu convite - Instala-se um silêncio entre nós.

- Imagina, eu que agradeço. - Silêncio outra vez.

Percebo que John está me observando e não consigo desviar o olhar. Acabamos nos encarando por um tempo, até que sorrio. Não sei se por nervosismo ou apenas para preencher o vazio da situação. Fazendo pensamentos impróprios rondarem minha cabeça, John olha para minha boca e morde os próprios lábios. Céus! Já não é fácil tirar a cena dele sem camisa de poucos minutos atrás da cabeça e ele ainda tem que fazer isso? Como se não bastasse tamanha provocação, sinto que John se aproximando, e em poucos segundos sinto sua respiração tocar meu rosto. Ao contrário do que eu imaginava, seus lábios pousaram minha testa, fazendo com que um riso nervoso e irônico fosse solto, quase sem querer.

- Aconteceu algo? - Ele pergunta como quem não entende.

- Hm, não... Eu só pensei... esquece!

- Você achou que eu ia te beijar? - Diz ele com a voz de quem realmente ficou surpreso, porém, não sinto desdém ou sarcasmo em sua voz, ainda assim eu acabo me sentindo uma tola oferecida pra caramba.

- Eu preciso ir. - Envergonhada com a situação, me levanto e ando em direção à porta, ele me puxa pelo braço e me beija, um beijo quente. Ele me leva de volta ao sofá e me beija quase sem respirar. Sinto sua mão sobre minha perna, sinto seu toque, não o calor, o tecido está entre nós. Em segundos não havia mais nada em seu caminho, sua mão deslizava por baixo do vestido tocando minha coxa. Ele para, olha em meus olhos e diz:

- Eu queria te beijar, eu quis muito te beijar, eu só não queria te assustar. Se você soubesse o que estou pensando... Você me excita!

Fala sério!!!! Quando ele diz isso meu corpo se reprime, perdi meu último namorado pelo mesmo motivo: excitação. Para ser mais precisa, pela falta dela, porque segundo ele, eu não o excitava mais há muito tempo.

- O que foi, eu disse algo errado?

- Não! É só que... eu acho que não devíamos. Eu quero ir pra casa... - Sem entender ele continua me olhando.

- Eu errei em algo, eu tenho certeza. Me diga, onde foi?

- Não foi você, fique tranquilo!

- Eu forcei a barra, não foi? Me desculpa, Cat, eu realmente fiquei - ele aponta para baixo e sorri desajeitado, meu olhar acompanha para onde ele aponta e posso ver que ele não mentiu.

- Para com isso! Você não tem por que se desculpar... É que... Eu me lembrei que preciso ir

Abaixo a cabeça, pensando se eu deveria mesmo contar isso para ele. Ele segura meu queixo, com as mãos, erguendo minha cabeça até que meus olhos encontrassem os seus e ele diz: - Cat, por favor, confie em mim.

Olho em seus olhos, mesmo em dúvida sobre o que fazer, dividida entre contar para aquele homem quase completamente desconhecido a maior vergonha da minha vida ou não, acabo decidindo confiar na segurança que aqueles olhos me passam.

- Eu terminei um namoro há pouco mais de seis meses. Ele terminou comigo, melhor dizendo. O motivo foi o mesmo que você acabou de usar: Excitação! O problema é, que para ele, com relação a mim, isso não existia mais. Meu corpo o impedia de sentir desejo por mim, de me ver como mulher - Sinto seu dedo secar suavemente uma lágrima, eu sequer havia sentido escorrer.

- Olha, eu sei como isso deve ter doído pra você, pelo visto você gostava mesmo do cara e ele foi um canalha. Me deixa te mostrar o quanto é linda, que não importa os quilos a mais. E vamos combinar. Você é muito gostosa desse mesmo jeitinho. - Ele sorri e não resisto, acabo sorrindo também.

- Obrigada.

Ele ergue minhas mãos a altura de seus lábios e as beija, um gesto muito delicado e fofo, capaz de acender em mim algo além do carnal. Quando aceitei o convite não imaginei algo fofo ou íntimo acontecendo. Acima de tudo, jamais imaginei acabar essa noite com pensamentos além dos guiados pelos desejos carnais.

Capítulo 3 Catrina

Não tive notícias de John desde minha ida à sua casa na semana passada. Acho que devo ter assustado ele com toda a minha trágica história. O que eu tinha na cabeça no momento em que contei para ele tudo aquilo?

Estava organizando o depósito e pensando sobre isso quando Will apareceu na porta me chamando:

- Um cliente seu acabou de chegar.

- Já estou indo. Quem é?

Quando me viro esperando sua resposta, vejo que ele já não está mais na porta. Coloco a prancheta sobre a pilha de caixas e antes de sair, dou uma olhada na minha roupa para conferir se não me sujei, afinal, não quero passar vergonha na frente dos meus clientes.

Saio do depósito à procura de algum rosto familiar. Olho para a direita e não vejo ninguém, mas quando volto meu rosto para a esquerda, encontro duas silhuetas familiares de costas para mim.

- Boa tarde. - digo ao me aproximar.

Eles se viram, Mason ao me ver se aproxima e abraça minhas pernas.

- Não pensei que te veria tão alegre aqui na galeria depois da última vez.

- Da última vez ele ainda não te conhecia. - O pai sorridente responde.

- Fico feliz em saber que mudei tanto a percepção dele. Como vocês estão?

- Estamos bem, tia. - Mason responde antes que o pai o possa fazer.

- Dessa vez não trouxeram Noah, ele está bem?

- Está sim, ele ficou em casa com a babá. Mason queria dar uma volta, estamos apenas dando uma saída rápida. - Explica o pai.

- Que bom... Em que posso ajudar? Quer dar uma olhadinha em algo especial hoje?

- Na verdade, nós viemos aqui para ver você.

- Sério?

- Sim, nós queremos te fazer um convite. - Outra vez o pequeno não deixa o pai continuar, ansioso.

- Que seria? - pergunto curiosa diante da animação dele.

- Sábado é aniversário de Mason, vamos passar o dia no parque, depois voltaremos para casa e daremos início a festa. Gostaríamos que você fosse com a gente.

- Seria um prazer acompanhá-los.

- Então, posso te buscar no sábado de manhã?

- Pode sim, só confirma o horário pra mim depois.

- Está bem, nós vamos indo então...

- Tudo bem, agradeço por lembrarem de mim.

- Como se pudéssemos esquecer. - Ele diz antes de beijar minha bochecha e sair segurando a mão de seu filho. O que será que ele quis dizer com isso?

***

Como planejado, no Sábado pela manhã, John veio me buscar com os meninos, seguimos cedo para o parque da cidade. O dia foi maravilhoso, nos divertimos muito. Dividimos a atenção entre os meninos, nos brinquedos mais aventureiros John ia com Mason e eu ficava com Noah, já nos mais "tranquilos" nós trocamos de lugar. De alguma forma, John estava sempre me incluindo nas brincadeiras deles, mesmo eu não sendo parte da família. Hora ou outra eu me pegava observando o carinho e atenção dele, John é certamente um bom pai, eles são uma boa família.

Quando chegou a hora de ir para casa, Mason ficou emburrado. Bastou lembrá-lo da festa que o aguardava que tudo se normalizou. Antes de deixarmos o parque, John pediu para que tirasse uma foto, peguei o celular dele e me afastei para capturar os três juntos. John sorriu e me chamou de volta, disse que queria nós quatro na foto. Sorri tímida, virei a câmera e tirei a foto. Mostrei-a para John, olhei para ela por mais tempo que deveria. Nós pareciamos uma família, por um momento me peguei desejando que fôssemos uma.

Chegamos na casa de John e já estava tudo pronto. O tema escolhido para a festa foi Madagascar, a empresa escolhida para a festa foi impecável, estava tudo na mais perfeita ordem. Não tive muito tempo para ver tudo, porém isso não passou despercebido, então voltei para o quarto em que eu havia dormido há alguns dias para me arrumar.

Em pouco mais de meia hora já estávamos todos prontos, aguardando os convidados no andar debaixo.

- Onde eu devo ficar? - Pergunto a John depois de ouvir outro elogio feito, assim que ele pega minha mão quando chego ao fim da escada.

- Ao meu lado.

- Isso pode pegar mal com a família de sua esposa.

- Primeiro, sou viúvo. Segundo, em pouco tempo irão embora, nem irão perceber.

- E se perceberem? E quanto aos demais, não sou a mãe dele, todos sabem! Vão achar que temos algo.

- Então temos! - ele sorri maliciosamente - Pelo menos hoje, a Srta. será a mãe de meus filhos.

John tinha razão, a família de sua esposa veio, não ficaram por muito tempo, esperaram apenas os parabéns. Não pude deixar de notar alguns olhares em minha direção, os ignorei assim como John.

Mason e Noah já dormiram há mais ou menos umas duas horas, restaram apenas adultos, a maioria sócios do trabalho de John. Sentamos exaustos no sofá após nos despedirmos do último convidado. Olho para ele que está de olhos fechados ao meu lado.

- Acho melhor eu ir para você se deitar, imagino como esteja cansado.

Ele abre os olhos rapidamente

- Ir? Para onde?

- Pra casa. Para onde mais iria? - sorrio de sua cara.

- Eu quero falar sobre algo com você, antes da gente ir.

- Tudo bem. Pode falar.

Ele não diz nada, apenas levanta, vai até seu escritório e retorna com uma pilha razoável de papéis e me entrega. Olho para a papelada sem entender, por que ele estaria me entregando todos esses papéis? Leio a primeira folha na qual diz: "CONTRATO DE CONFIDENCIALIDADE", o que não ajuda em nada em minha confusão mental, então passo para a segunda "CONTRATO DE RESPONSABILIDADES", então para a terceira "BONIFICAÇÃO".

- O que é isso?

- Catrina, eu quero que você seja a mãe dos meus filhos.

- Como? Eu não entendo.

- Eu quero que você aceite o papel de mãe dos meus filhos. Eu sou viúvo como você sabe, moro sozinho com eles e alguns empregados. Eles precisam de mais do que isso, eles precisam de uma mãe, eles precisam ser amados e de alguém para amar.

- Nós nos conhecemos há pouco mais de uma semana, você tem certeza do que está me pedindo?

- Você tem sido maravilhosa com eles desde que nós nos conhecemos! Hoje você foi perfeita! Você fez Mason ficar mais feliz que nunca! Então, eu tenho certeza! O que me diz, você aceita?

- Eu... eu não sei... Eu preciso pensar!

- Tire um tempo pra pensar, fique com isso, entenda e depois decida. Meus filhos precisam de uma mãe. E eu te acho perfeita.

- Olha, muito obrigada... eu agora preciso ir. - Sorrio sem graça, pois eu não faço ideia do que dizer.

Ele concorda, me leva até o carro e logo, para minha casa. Seguimos o caminho sem falar nada, ele até tenta puxar assunto, estou pensativa demais para entender o que ele diz, na minha cabeça só passa a pergunta: POR QUE EU?

- Chegamos. - ele sorri e me olha - Obrigado por hoje, Catrina.

- Por que eu? - pergunto, colocando para fora a única coisa em que tenho pensado.

- Porque você foi ótima com eles desde o primeiro momento, eu sei que estou pedindo muito, eu não quero que se case comigo logo de cara, vamos nos encontrar como pessoas normais para nos conhecermos. Eu não posso prometer sentimentos da minha parte, mas nós temos uma atração muito forte, temos muito para dar certo.

- Casar? Não era pra eu ser mãe deles? Apenas exercer um papel?

- Sim, pra dar certo, você precisa ser minha esposa.

- Eu preciso pensar, espero que entenda.

Ele concorda e eu desço do carro. Entro em casa, sem dar tempo para que ele me alcance ou diga mais nada. Estou tão confusa, pelo visto uma longa noite vem por aí...

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