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Não Foi Um Acidente: O Despertar da Fúria

Não Foi Um Acidente: O Despertar da Fúria

Autor:: A Li
Gênero: Moderno
Acordei no hospital, a cabeça a latejar, o monitor cardíaco a apitar. A última coisa que me lembro foi o carro a capotar, o grito da minha irmã, Sofia. O meu noivo, Pedro – aquele com quem me casaria na próxima semana – não atendia. Na verdade, ele tinha outra noiva. A minha colega de trabalho, Beatriz, o seu bilhete para o sucesso, como ele próprio dissera com uma frieza gélida. A Sofia, na cama do hospital, enfrentava a possibilidade de nunca mais andar. Uma cirurgia caríssima poderia salvá-la. Eu, desesperada, engoli o meu orgulho e implorei a Pedro pela ajuda dele. Ele riu. "Uma causa perdida", disse, sobre a minha irmã. "Não tenho dinheiro para deitar fora." As suas palavras cortaram-me mais fundo do que a traição. Foi então que o pai de Pedro, o Senhor Afonso, me fez uma "proposta": ele pagaria a cirurgia de Sofia, 200.000 euros, mas em troca, eu e a minha família teríamos de desaparecer. Seríamos riscadas da existência deles, como lixo. Como pude recusar? Era a única esperança de Sofia. Vendi a minha dignidade por uma chance. Mas depois, Beatriz procurou-me, os olhos inquietos. "O acidente", sussurrou ela, "não foi um acidente. Eu ouvi Pedro a contratar alguém para vos tirar da estrada." O mundo desabou de novo. Não foi um erro. Foi um ato deliberado. A minha irmã, uma bailarina, ficou desamparada por causa da ganância e crueldade dele? A paz que eu tinha comprado com a minha alma desfez-se. Não ia fugir. Eu ia garantir que o Pedro e a sua família pagassem. Não com dinheiro, mas com tudo o que lhes era mais caro.

Introdução

Acordei no hospital, a cabeça a latejar, o monitor cardíaco a apitar. A última coisa que me lembro foi o carro a capotar, o grito da minha irmã, Sofia.

O meu noivo, Pedro – aquele com quem me casaria na próxima semana – não atendia. Na verdade, ele tinha outra noiva. A minha colega de trabalho, Beatriz, o seu bilhete para o sucesso, como ele próprio dissera com uma frieza gélida.

A Sofia, na cama do hospital, enfrentava a possibilidade de nunca mais andar. Uma cirurgia caríssima poderia salvá-la. Eu, desesperada, engoli o meu orgulho e implorei a Pedro pela ajuda dele.

Ele riu. "Uma causa perdida", disse, sobre a minha irmã. "Não tenho dinheiro para deitar fora." As suas palavras cortaram-me mais fundo do que a traição.

Foi então que o pai de Pedro, o Senhor Afonso, me fez uma "proposta": ele pagaria a cirurgia de Sofia, 200.000 euros, mas em troca, eu e a minha família teríamos de desaparecer. Seríamos riscadas da existência deles, como lixo.

Como pude recusar? Era a única esperança de Sofia. Vendi a minha dignidade por uma chance.

Mas depois, Beatriz procurou-me, os olhos inquietos. "O acidente", sussurrou ela, "não foi um acidente. Eu ouvi Pedro a contratar alguém para vos tirar da estrada."

O mundo desabou de novo. Não foi um erro. Foi um ato deliberado. A minha irmã, uma bailarina, ficou desamparada por causa da ganância e crueldade dele?

A paz que eu tinha comprado com a minha alma desfez-se. Não ia fugir. Eu ia garantir que o Pedro e a sua família pagassem. Não com dinheiro, mas com tudo o que lhes era mais caro.

Capítulo 1

Quando acordei, o quarto do hospital estava silencioso, apenas com o som do monitor cardíaco a apitar ritmicamente. A minha cabeça latejava. A última coisa de que me lembro é do carro a capotar, do som de metal a rasgar e do grito da minha irmã, Sofia.

O meu telemóvel estava na mesa de cabeceira. Com a mão a tremer, peguei nele. Havia dezenas de chamadas não atendidas do meu marido, Pedro.

Ignorei-as e liguei para a minha mãe.

Ela atendeu ao primeiro toque, a voz cheia de pânico.

"Clara! Graças a Deus! Estás bem? Onde estás?"

"Estou no hospital, mãe. Eu e a Sofia tivemos um acidente."

Houve um silêncio do outro lado, depois um soluço contido. "A Sofia... a Sofia está..."

"Ela está bem," menti. "Só alguns arranhões. E eu também."

Não conseguia dizer-lhe a verdade. Não agora.

"Onde está o Pedro?" ela perguntou. "Ele não está contigo?"

"Não," disse eu, a voz vazia. "Ele está com a noiva dele."

Sim, a noiva dele. Não eu. A nossa cerimónia de casamento estava marcada para a próxima semana. Mas há três dias, recebi uma mensagem de um número desconhecido. Era uma fotografia do Pedro, a pôr um anel no dedo de outra mulher, a minha colega de trabalho, a Beatriz.

O texto dizia: "Ele nunca te amou. Ele só te usou para conseguir a promoção."

Confrontei o Pedro. Ele não negou. Apenas disse, com uma frieza que me gelou, "Beatriz pode ajudar-me mais na minha carreira. O pai dela é o vice-presidente. Tu não és nada."

O mundo desabou. A minha irmã Sofia insistiu em levar-me para longe da cidade por uns dias, para me ajudar a limpar a cabeça. Foi na viagem de regresso que o camião nos atingiu.

"Clara, o que queres dizer com 'noiva'?" a voz da minha mãe tremeu.

"Vamos falar sobre isso mais tarde, mãe. Preciso de desligar."

Desliguei antes que ela pudesse protestar. As lágrimas que eu estava a segurar começaram a rolar pelo meu rosto. Olhei para o teto branco, sentindo um vazio profundo. O homem com quem eu ia casar, o homem que eu amava, tinha-me destruído.

Nesse momento, a porta do quarto abriu-se. Era o Pedro.

Ele parecia preocupado, mas os seus olhos não conseguiam esconder a irritação.

"Clara, porque não atendeste as minhas chamadas? Fiquei louco de preocupação!"

Ri, um som amargo e oco. "Preocupado? Ou preocupado que eu pudesse arruinar os teus planos perfeitos?"

A sua expressão mudou. A falsa preocupação desapareceu, substituída por uma defesa fria.

"Do que estás a falar? Tivemos um acordo. Íamos terminar as coisas amigavelmente depois do casamento da minha irmã."

"Um acordo?" repeti, incrédula. "Tu chamas a isso um acordo? Tu traíste-me, Pedro. Mentiste-me."

"Eu não menti!" ele elevou a voz. "Eu ia contar-te! Só não era o momento certo! A Beatriz está a passar por um momento difícil, o pai dela está doente. Ela precisa de mim!"

"E eu?" a minha voz falhou. "Eu não preciso de ti? A minha irmã está numa cama de hospital por tua causa!"

"Não ponhas a culpa em mim pelo teu descuido na estrada!" ele retorquiu. "Além disso, a Sofia vai ficar bem. Os médicos disseram que é apenas uma concussão. A Beatriz, por outro lado, está emocionalmente frágil. Ela precisa do meu apoio."

Ele olhou para o relógio. "Tenho de ir. A Beatriz está à minha espera. Conversamos mais tarde, quando estiveres mais calma."

Ele virou-se para sair.

"Pedro," chamei, a minha voz subitamente firme.

Ele parou, mas não se virou.

"Está tudo acabado. Não há casamento. Não há 'nós'."

Ele encolheu os ombros. "Como queiras. Mas não venhas a correr para mim quando te arrependeres."

E com isso, ele saiu, fechando a porta atrás de si, deixando-me sozinha com o som do meu coração a partir-se.

Capítulo 2

O médico entrou pouco depois de Pedro sair. O seu rosto era sério.

"Senhora Costa, tenho os resultados dos exames da sua irmã."

Sentei-me direita na cama, o meu coração a bater descontroladamente. "Ela está bem, certo? O Pedro disse que era apenas uma concussão."

O médico hesitou, o seu olhar era compassivo. "A concussão é a menor das nossas preocupações. A Sofia sofreu uma lesão grave na medula espinhal."

O ar foi-me arrancado dos pulmões. "O que... o que é que isso significa?"

"Significa que há uma grande probabilidade de ela não voltar a andar."

As palavras pairaram no ar, pesadas e impossíveis. Não. Não a Sofia. Ela era uma bailarina. A dança era a sua vida, a sua paixão, a sua alma.

"Não," sussurrei. "Tem de haver um engano. Façam os testes outra vez."

"Já fizemos," disse o médico gentilmente. "Sinto muito. A lesão é severa. Existe uma cirurgia experimental que pode oferecer alguma esperança, mas é arriscada e extremamente cara. Estamos a falar de cerca de 200.000 euros."

Duzentos mil euros. Era como se ele tivesse dito dois milhões. Eu era professora. A minha mãe era reformada. Vivíamos de salário em salário.

Senti o pânico a tomar conta de mim. A minha irmã, a minha vibrante e energética Sofia, presa a uma cadeira de rodas para o resto da vida. E era tudo culpa minha. Se eu não estivesse tão destroçada pelo Pedro, talvez estivesse mais atenta na estrada.

O médico deixou-me sozinha com os meus pensamentos. Peguei no telemóvel e disquei o número de Pedro. Tinha de o fazer. Pela Sofia.

Ele atendeu, a voz impaciente. "Clara, eu disse que estava ocupado."

"Pedro, preciso da tua ajuda," disse eu, engolindo o meu orgulho. "A Sofia... a lesão dela é grave. Ela pode nunca mais andar."

Houve uma pausa. "Isso é terrível. Mas o que é que eu posso fazer?"

"A cirurgia," a minha voz era um fio. "Custa 200.000 euros. Eu não tenho esse dinheiro. Por favor, Pedro. Podes emprestar-me? Eu pago-te de volta, juro. Cada cêntimo."

Ele riu. Uma risada fria e cruel.

"Duzentos mil? Estás louca? Porque é que eu te daria esse dinheiro? O nosso relacionamento acabou, lembras-te? Foi decisão tua."

"Mas isto é pela Sofia! Ela é como uma irmã para ti!"

"Ela não é minha irmã. E os meus recursos estão todos empatados agora. Estou a planear o meu casamento com a Beatriz, a comprar uma casa. Não tenho dinheiro para deitar fora com causas perdidas."

"Causas perdidas?" a minha voz tremeu de raiva. "Estás a chamar à minha irmã uma causa perdida?"

"Sejamos realistas, Clara. As hipóteses são pequenas. Seria um desperdício de dinheiro. Agora, se me dás licença, tenho de ir. A Beatriz e eu estamos a escolher os convites de casamento."

Ele desligou.

Fiquei a olhar para o telemóvel, o som do tom de desligado a ecoar nos meus ouvidos. Ódio, puro e intenso, percorreu-me as veias. Ele não só me tinha partido o coração, como também tinha acabado de sentenciar a minha irmã a uma vida sem movimento.

Naquele momento, eu fiz uma promessa a mim mesma. Eu ia arranjar aquele dinheiro. E ia fazer o Pedro pagar por tudo o que tinha feito.

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