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Não mexa com essa mulher misteriosa

Não mexa com essa mulher misteriosa

Autor:: Miles Away
Gênero: Moderno
Yelena descobriu que não era filha biológica de seus pais e que eles estavam tentando vendê-la em troca de um acordo comercial. Como resultado, ela foi enviada para sua cidade natal, onde ficou sabendo da sua verdadeira identidade - a herdeira de uma família rica. A família biológica encheu Yelena de amor e carinho. Diante da inveja da suposta irmã, ela superou todas as dificuldades e se vingou, demonstrando seu talento. Assim, ela logo chamou a atenção do solteiro mais cobiçado da cidade, que a encurralou e disse: "É hora de revelar sua verdadeira identidade, minha querida."

Capítulo 1 A expulsão

Em Eighfast, a mansão da família Roberts vibrava com uma quietude perturbadora, que só foi quebrada pelo eco dos passos que se aproximavam.

Sonya Roberts estava recostada na porta, um sorriso presunçoso ilustrando seus lábios. "Yelena, já voltou? Brett White pode até ser mais velho, mas ele é rico, influente e confiável, e tem tudo o que uma mulher pode desejar. Você devia se sentir honrada por ter a chance de ser esposa dele."

Diante dessas palavras, a expressão de Yelena Roberts se enrijeceu. Antes que Sonya pudesse reagir, ela avançou e sua mão atingiu a bochecha de Sonya violentamente, fazendo o estalo do tapa ecoar pela sala e dando um fim à sua arrogância.

"Por que não agarra essa 'chance' você mesma, Sonya? Você colocou alguma coisa na minha bebida, não colocou?", perguntou Yelena, sua voz incisiva como uma lâmina e seus olhos estreitados com desdém.

Sonya pôs a mão sobre sua bochecha dolorida, gravada pela vermelha e feroz marca dos dedos de Yelena, sua confiança desmoronando num suspiro abafado.

"Yelena! Sua atrevida! Por acaso você enlouqueceu? Como ousa bater na Sonya?" Tatiana Roberts apareceu, seu rosto contorcido de raiva e descrença enquanto encarava Yelena furiosamente.

Que mulher ingrata! Afinal, Yelena nem fazia parte da família Roberts.

Três meses atrás, uma visita ao hospital havia mudado tudo. Yelena fora internada devido a uma lesão, mas o que deveria ter sido um exame de sangue de rotina fez seu mundo desabar.

Seu tipo sanguíneo raro não era compatível com o de Jonathan Roberts ou de sua esposa, seus supostos pais. A revelação de que Yelena não era filha legítima deles abalou a outrora família feliz de três pessoas.

Desesperada para recuperar sua harmonia, a família Roberts iniciou uma busca exaustiva por sua verdadeira filha. Logo, eles encontraram Sonya, uma mulher que se encaixava perfeitamente na vida que nunca fora destinada a Yelena.

A partir daquele dia, Yelena se tornou uma estranha na sua própria casa, uma usurpadora que, involuntariamente, desfrutava dos luxos destinados a Sonya. O que antes era dela, agora foi considerado uma injustiça, um insulto aos direitos de Sonya.

Era fato que Jonathan e Tatiana precisavam se reconciliar com sua filha encontrada, mas eles iriam simplesmente dispensar Yelena? Isso seria um desperdício.

Brett White, um associado rico, havia demonstrado uma certa paixão por Yelena. Se eles jogassem suas cartas bem, casá-la garantiria um pagamento de cinco milhões de dólares.

Sendo assim, eles elaboraram um plano sinistro.

Com um drinque adulterado e um quarto preparado para a traição, eles pretendiam entregar Yelena como um objeto sem valor, pronta para ser usada. No entanto, a jovem acabou com o esquema deles ao escapar das garras de Brett bem a tempo.

Olhando para Tatiana com uma expressão firme e desafiadora, sua voz atravessou a sala como uma lâmina. "Ela me drogou, me humilhou e me tratou como se eu não fosse nada. Então me diga, não acha que esse tapa foi merecido?"

O rosto de Sonya se abateu, seus lábios trêmulos enquanto ela assumia uma expressão de falsa mágoa. Com uma voz repugnantemente delicada, ela respondeu: "Só estávamos pensando no seu futuro. Minha mãe me disse que sua família verdadeira mora num vilarejo pobre. Se casar com o senhor White melhoraria sua vida totalmente. Sem dúvidas, isso seria uma bênção."

Contudo, por trás da sua inocência fingida, Sonya estava furiosa. Como Yelena ousou bater nela? Em breve, a retaliação viria.

"Se casar com um homem rico é uma bênção, por que não aproveita essa chance você mesma?", perguntou Yelena, sua voz gélida e seus olhos cerrados penetrados em Sonya e Tatiana.

A fúria estampava os olhos de Tatiana, que exclamou num tom feroz: "Sua ingrata! Como se atreve a se comparar com Sonya? Você não chega nem aos pés dela! Além disso, ela já está noiva de Roger Ellis, herdeiro da prestigiosa família Ellis. Esta é uma união que se encaixa perfeitamente no padrão dela!"

Nesse momento, Sonya deu um passo à frente, com um sorriso doce como mel e os olhos brilhando de triunfo. "Isso mesmo, Yelena. Roger me disse que sou seu único e verdadeiro amor, a única que ele consegue imaginar ao seu lado."

A realidade de toda essa situação pairava no ar como uma névoa sufocante.

Yelena fora a primeira noiva de Roger, um plano colocado em ação muito antes da descoberta da existência de Sonya. Mas no momento em que a origem de Yelena foi desvendada, seu noivado também foi cancelado. Assim, Sonya ocupou seu lugar como se estivesse colocando um vestido perfeitamente ajustado para ela.

Até Roger parecia ansioso pela troca, e sua afeição foi desviada para Sonya com uma facilidade surpreendente.

O olhar de Sonya se deteve em Yelena, a observando como um predador examinando sua presa. A suavidade dos seus traços, sua pele iluminada, a elegância ponderada que parecia inerente a ela... Sonya odiava tudo isso. A inveja estava instalada dentro de si, venenosa e amarga, mas ela a disfarçava por trás do seu sorriso ensaiado.

"Pode ficar tranquila, Sonya. Eu não tocaria em Roger nem com uma vara de dez metros. Vocês dois são perfeitos um para o outro, uma combinação tão lamentável que chega a ser cômica. Só não se esqueçam de reservar seu teatro para vocês mesmos. Os outros não precisam dessa dor de cabeça", disse Yelena, seus lábios se curvando num sorriso lento e desdenhoso.

Sentindo a tensão chegar a um ponto crítico, Jonathan interveio: "Yelena, isso é para o seu bem. Encontramos um par ideal para você, alguém que poderá garantir seu futuro. Mas se insiste em recusar, que seja. Talvez seja hora de você procurar seus pais biológicos."

Apesar de saber a fundo as tramoias de Tatiana e Sonya, Jonathan nem sequer tentou impedi-las. Ele tinha plena ciência de que as ações delas eram erradas, mas a verdade inegável sobre as origens de Yelena não permitia que ela continuasse na família Roberts.

Com um suspiro resignado, Jonathan retirou um envelope com dez mil dólares e o entregou a ela. "Fique com isso. É a única coisa que podemos fazer. Nós te trouxemos de Phurg por engano e achamos que seus pais verdadeiros ainda estão lá."

Phurg, uma cidade isolada e empobrecida, que sobrevivia apenas da caridade das corporações, era um lembrete claro de como Yelena estava distante da vida que era acostumada a ter.

Cruzando os braços, Tatiana bufou. "Jonathan, é sério isso? Nós a criamos por mais de uma década e não devemos nada a ela. Agora você está lhe dando dinheiro depois que ela teve a audácia de agredir Sonya? Ela não passa de uma parasita ingrata."

Uma parasita ingrata? Ouvindo isso, Yelena soltou uma risada amarga e infeliz.

A disposição deles em descartá-la tão facilmente, como se ela fosse uma bugiganga velha que eles não queriam mais, a atingiu com mais intensidade do que ela queria admitir.

Quando Yelena descobriu que não era filha biológica dos Roberts, pensou em deixar um presente de despedida significativo, um dinheiro que lhes proporcionaria segurança, mas agora essa ideia parecia ridícula.

Jonathan não tinha competência para administrar um negócio, e Tatiana não passava de uma esbanjadora glorificada, o que acabou esgotando todos os seus recursos. Se não fosse pelos esforços de Yelena nos bastidores, o Grupo Roberts já teria desmoronado há muito tempo.

Os olhos de Yelena se enrijeceram enquanto ela endireitava a postura, dizendo com uma voz calma e resoluta: "Obrigada pela gentileza, senhor Roberts, mas não será necessário."

Sem esperar por uma resposta, ela se virou e subiu a escada para arrumar suas coisas, com Sonya indo atrás dela imediatamente.

Quando Yelena desceu as escadas, sua figura era composta, com nada além de uma bolsa preta desgastada pendurada no ombro. Sua expressão era indecifrável, mas sua fisionomia irradiava coragem.

Sonya continuou indo atrás dela, seu rosto numa máscara de falsa preocupação. "Espere, Yelena! Não saia com tanta pressa. Essas roupas são praticamente novas, pode levá-las. Quero dizer, soube que sua família verdadeira está... bom, passando dificuldade."

Com um movimento calculado, Sonya estendeu a mão e puxou a bolsa de Yelena, fazendo com que seu conteúdo se espalhasse pelo chão de mármore e chamasse a atenção de todos.

Em meio a itens comuns, havia uma pulseira Camellia reluzente, cujo brilho chamava a atenção como um farol.

Ao vê-la, Sonya soltou um suspiro exagerado e levou a mão ao peito. "Essa... essa é a pulseira que meu pai me deu na semana passada! Como ela foi parar na sua bolsa?"

Se perguntando se essa era uma tentativa final de Sonya tentar humilhá-la, Yelena curvou os lábios num sorriso frio e zombeteiro, a encarando com seus olhos afiados como punhais.

Se Sonya queria um espetáculo, ela iria realizar seu desejo.

"Como pôde fazer uma coisa dessas, Yelena? Roubar das pessoas que te criaram depois de tudo que fizemos por você? Não é de se admirar que você tenha recusado os dez mil dólares, já que conseguiu algo muito mais valioso! Uma ladra dentro da família é a maior desgraça que poderia haver!", Tatiana gritou, sua voz tremendo de indignação.

Em meio a confusão, uma carranca sombria estampou o rosto de Jonathan, que deu um passo à frente e disse com uma voz baixa e ameaçadora: "Yelena, explique direito. Como a pulseira que dei a Sonya foi parar na sua bolsa?"

Capítulo 2 Um homem ferido

"Jonathan! Ela não passa de uma ladra! Temos que chamar a polícia agora mesmo!", a voz de Tatiana ecoou com urgência, sua frustração transbordando.

Sendo sempre a imagem fingida da benevolência, Sonya interveio com um suspiro: "Pai, mãe, não vamos tirar conclusões precipitadas. Talvez só tenha sido um mal-entendido e Yelena tenha colocado a pulseira na bolsa sem nem perceber. Tenho certeza de que ela não fez isso por mal."

"O quê? Você tem certeza de que ela não fez isso por mal? Está realmente insinuando que a pulseira simplesmente caiu na bolsa dela? Isso não se trata de uma bijuteria barata, mas de um design original de Yvonne, uma verdadeira obra-prima. Essa pulseira é insubstituível e Yelena sabia exatamente o valor dela. Olhem, a ganância está estampada no rosto dela. Aconteceu exatamente o que eu temia! Não importa por quanto tempo a criamos, não podemos mudar sua natureza."

As palavras de Tatiana eram como um chicote, carregadas pelo desprezo.

"Mãe, deixe isso para lá, por favor", disse Sonya num tom suave, chegando até a dar pena.

Com um suspiro, ela se virou para Yelena e seus lábios se curvaram num leve sorriso de simpatia. "Se ela gostou tanto da pulseira, deixe-a ficar com a joia. De qualquer forma, não vamos vê-la novamente. Mas não posso negar que essa pulseira sempre foi especial para mim. Yvonne é minha ídola, e aprecio muito seus designs."

Yelena observava a atuação da mulher à sua frente em silêncio, sua expressão impossível de se interpretar. Cada fala ou gesto era executados com a precisão de uma atriz experiente. Se um dia eles decidissem abandonar suas vidas privilegiadas, poderiam fazer fortuna no teatro. O absurdo de tudo isso por pouco não a fez rir.

Calmamente, Yelena se abaixou e pegou a pulseira, cujo brilho reluzia sob a luz. Em silêncio, ela se aproximou de Sonya e segurou a pulseira diante do seu rosto, dizendo com uma voz fria e composta: "Olhe bem para isso e leia o que está gravado aqui."

O sorriso de Sonya vacilou, sua confiança se esvaindo à medida que ela hesitava. Com os olhos cerrados, ela se inclinou, seu olhar recaindo sobre a gravação, que se destacava claramente: Y.R.

"Como... como isso é possível?", Sonya gaguejou, sua voz se embargando enquanto o choque transparecia na sua fachada polida.

"Você não é uma fã fiel do trabalho de Yvonne, Sonya? Certamente você sabe que essa coleção foi projetada com a opção de gravações personalizadas, e cada pulseira é criada unicamente para seu proprietário. Por ser uma edição limitada, cada peça é registrada com um código de identificação. Essa é uma peça única, impossível de ser duplicada", declarou Yelena, seus lábios se curvando num sorriso irônico. Seu tom, calmo, mas com um toque de zombaria mordaz, ecoava como uma lâmina afiada.

Antes que Sonya pudesse responder, som de passos apressados quebrou o silêncio quando uma empregada desceu a escada com outra pulseira na mão.

"Senhorita Roberts, é esta a pulseira que estava procurando?"

A sala caiu num silêncio atordoante, todos os olhares se fixando na pulseira na mão da empregada.

Tentando se recompor o mais rápido possível, Sonya esboçou um sorriso forçado e soltou um suspiro de alívio exagerado. "Ah, aí está! Não acredito que ela estava aí o tempo todo! Que tolice a minha!"

Sua voz carregava um entusiasmo forçado e sua mente estava agitada, o pânico fervilhando por dentro.

Como assim?! Sonya tinha certeza de que havia colocado a pulseira na bolsa de Yelena.

O olhar gélido de Yelena estava fixo em Sonya, os cantos dos seus lábios contraídos num sorriso frio e condescendente. "Bom, Sonya, ainda acha que roubei sua preciosa pulseira? Tem certeza de que quer chamar a polícia?"

A compostura de Sonya vacilou por um breve momento antes de responder: "Essa pulseira vale uma fortuna. Então me responda você, Yelena. Como conseguiu pagar por algo assim? A menos que..."

Ela parou por um momento, seu sorriso se transformando em algo mais sinistro. "A menos que você tenha recorrido a algo menos... honroso. Certas garotas hoje em dia costumam fazer qualquer coisa por um preço razoável."

O sorriso de Yelena assumiu um aspecto incisivo, seus olhos brilhando com um desdém gélido. "Você parece muito bem informada sobre esse tipo de atividade, Sonya. Me diga qual foi a experiência pessoal que te ensinou como essas coisas funcionam? Você estava se vendendo antes de voltar para a família Roberts? Por isso sabe tão bem os pormenores?"

O rosto de Sonya ficou vermelho, sua boca se entreabrindo numa indignação desesperada. "Você... você está fazendo acusações infundadas!"

"Yelena, sua insolente!", Tatiana rugiu, seu rosto contorcido de raiva enquanto ela batia o punho no braço do sofá. "Como ousa falar assim com Sonya? Saia desta casa! Você está fora desta família! Nunca mais volte!"

Em meio aos gritos da mulher, o sorriso de Yelena ficou mais aguçado, radiante de rebeldia. Seus olhos cintilavam com uma determinação gélida à medida que ela falava com uma voz composta: "Mesmo se você me implorasse de joelhos eu não pisaria neste lugar novamente."

Após se virar, ela colocou sua bolsa preta no ombro e foi em direção à porta sem olhar para trás. Para ela, a família Roberts e suas aparências falsas e vazias já haviam se tornado um capítulo encerrado na sua vida. Ela não sentia tristeza, apenas alívio. Afinal, toda essa farsa havia acabado.

"Finalmente que essa pirralha foi embora!", Tatiana zombou atrás dela, o veneno gotejando das suas palavras. Ela se sentou de volta ao assento e exalou profundamente, com os lábios curvados num sorriso de satisfação enquanto pensava que a família finalmente se livrara de um fardo indesejado.

Yelena saiu em meio à brisa fresca da noite, a mansão cada vez mais distante atrás dela. Nesse momento, seu celular começou a tocar no bolso e ela atendeu sem cessar os passos.

"Yelena, ouvi dizer que a família Roberts te expulsou, é verdade?", perguntou Brody Hewitt num tom incisivo e marcado pela apreensão.

"Sim", Yelena respondeu, seu tom calmo mas resoluto.

Uma pausa se seguiu, e então a voz enrijecida de Brody ecoou, transbordando de indignação: "Essa família não tem vergonha nenhuma! Eles são a definição de amigos que te jogam no fundo do poço. Sem você, Jonathan Roberts ainda estaria se debatendo na miséria. Eles nem sequer percebem que você foi a razão do sucesso deles..."

"Já chega", Yelena interrompeu num tom firme. "Alguma notícia sobre meus pais biológicos?"

Jonathan havia alegado que fora um erro do hospital e não um ato intencional de abandono. Esse detalhe permaneceu na mente de Yelena, reforçando sua determinação em encontrar sua família verdadeira.

Brody soltou um suspiro audível, na tentativa de controlar sua frustração. "Sim, a busca está em andamento. Creio que teremos resultados concretos em breve."

"Ótimo", respondeu Yelena com firmeza antes de encerrar a ligação.

Quando ela se aproximou da estrada principal, um cheiro forte e metálico pairou sobre a brisa fria, penetrando no ar noturno. Ela parou no meio do caminho, suas sobrancelhas franzidas e o desconforto fazendo sua nuca se arrepiar.

De repente, uma figura emergiu das sombras e começou a cambalear na sua direção. A camisa branca do homem estava encharcada de sangue, o vermelho vívido tingindo seu peito e mãos. Cada passo que ele dava parecia mais pesado do que o anterior, sua força se esvaindo visivelmente.

"Pare de fugir, seu covarde! Aceite seu destino!", uma voz ameaçadora gritou atrás dele.

Ao ouvir isso, os olhos Yelena se desviaram para a origem da agitação, encontrando um grupo de homens vestidos de preto perseguindo o homem ferido como predadores em busca da sua presa. Seus movimentos eram deliberados, e a intenção clara.

O homem ferido, Austin Barton, parou por um momento, cambaleando, mas com uma postura desafiadora. Seu rosto estava pálido e sua respiração irregular, mas sua voz era firme ao perguntar: "Quem enviou vocês?"

"Cale a boca! Não temos nada a falar." Um homem do grupo então se virou. "Vamos acabar com ele logo."

"Esperem." Outro homem parou abruptamente, seu olhar se desviando para o lado. "Há mais alguém aqui."

Com sua presença descoberta, Yelena congelou enquanto os olhares se voltavam para ela, seu coração indo até a garganta.

Era só o que faltava! Simplesmente fantástico! Como se já não bastasse a série de desastres que aconteceu no dia, agora surgiu isso.

Estava dolorosamente claro que esses homens não pretendiam dispensar uma testemunha.

O causador da sua desgraça estava diante dela, o homem ensanguentado que cambaleava na sua direção.

Nesse momento, o líder do grupo, uma figura corpulenta com um sorriso cruel, deu um passo à frente. Seus olhos a percorreram, prolongando-se por um bom tempo à medida que seus lábios se curvavam de uma forma predatória.

Enquanto isso, os homens ao redor dele riam sinistramente, com uma clara intenção perversa.

Com os olhos fixos em Yelena, um dos homens disse num tom sarcástico: "Não tenha medo, querida. Assim que lidarmos com esse cara, cuidaremos muito bem de você. O que quer que seu lindo coraçãozinho deseje, será concebido."

Yelena não titubeou. Seus olhos, frios e inabaláveis, encaravam os dele com uma intensidade que congelou a atmosfera entre eles. Por fim, ela pronunciou uma única palavra, sua voz baixa e imponente penetrando o clima tenso como uma lâmina. "Saiam."

Mantendo a zombaria, os homens trocaram olhares de diversão, mas as risadas se cessaram quando viram um brilho de prata na luz tênue.

Na mão dela, um conjunto de agulhas longas e elegantes brilhava, com as pontas afiadas e resistentes.

Percebendo os olhares dos homens, Yelena esboçou um sorriso zombeteiro e um olhar letal ilustrou seu rosto. Antes que qualquer um deles pudesse processar o movimento dela, ela entrou em ação. Com uma precisão fluida, seu braço arqueou pelo ar, as agulhas cortando a escuridão como raios de luz.

Cada uma delas atingiu seu alvo com uma exatidão infalível, fazendo com que pescoços, ombros e pernas dos indivíduos fossem incapacitadas antes que um único grito pudesse escapar dos seus lábios.

Um por um, os homens caíram no chão, com as armas escapando das suas mãos. A confiança deles se transformou num silêncio atordoante ao perceberem que era tarde demais para agir.

Lutando para se levantar, Austin olhava para a cena em volta de si com os olhos arregalados de incredulidade.

Quem era essa mulher? Seus movimentos foram precisos e calculados, muito além de qualquer coisa que ele já havia testemunhado.

Ela não era apenas habilidosa, mas uma mulher simplesmente incrível!

Capítulo 3 Retornando à sua família verdadeira

Yelena lançou um olhar de relance para os homens esparramados no chão e depois para o homem ferido.

Os traços marcantes dele eram impressionantes: olhos escuros e frios, e expressão distante e estoica, como se ele tivesse sido esculpida em pedra. Apesar da palidez e dor evidente, ele exalava um ar de resiliência tranquila.

Quando Yelena pretendia ir embora e deixar essa cena caótica para trás, algo a fez hesitar. Uma das suas fraquezas, seu coração mole, a prendeu ali.

Com um suspiro resignado, ela se agachou ao lado do homem para examinar seus ferimentos.

"Obrigado", disse Austin com a voz baixa, mas com um tom sincero de gratidão.

"Não é nada", respondeu ela num tom indiferente, embora suas ações sugerissem o contrário.

Ao verificar o pulso dele, suas sobrancelhas se franziram. O sangramento, embora severo, não era a preocupação mais urgente. O pulso dele estava fraco e irregular, um sinal evidente de que havia veneno correndo nas suas veias.

Yelena abriu a bolsa e pegou um pequeno frasco de porcelana. Após abri-lo, ela espalhou um pó medicinal fino sobre os ferimentos que sangravam. Quase que instantaneamente, o sangramento diminuiu, e um alívio refrescante substituiu a dor aguda.

Em seguida, ela pegou uma pequena pílula e a entregou a ele, dizendo com a voz firme: "Tome isso, vai neutralizar o veneno. Sem tratamento imediato, você não sobreviverá por muito tempo."

Austin hesitou, seus olhos afiados a observando como se estivesse tentando adivinhar suas intenções.

Sem dizer mais nada, Yelena continuou tratando os ferimentos dele com eficiência. Assim que ela terminou, som de passos ecoou, a levando a virar a cabeça para ver outro grupo de pessoas se aproximando. "Senhor Barton..."

"Eles estão comigo", disse Austin, suspirando aliviado enquanto seus ombros relaxavam ligeiramente, sua postura suavizando.

Nesse momento, Yelena se levantou. "Já que seus homens chegaram, vou seguir meu caminho", disse ela rapidamente, já se virando para partir.

Austin chamou por ela, assumindo um tom mais suave: "Senhorita, pelo menos me diga seu nome para que eu possa retribuir sua bondade."

"Não é necessário", respondeu Yelena, sua voz fria, mas convicta.

Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, ela já tinha ido embora. Afinal, encrenca era algo que ela não podia arriscar se meter.

Tendo sido salvo, o olhar agudo de Austin se deteve na figura de Yelena se retirando, com uma centelha de curiosidade iluminando sua expressão.

Como ela conseguira detectar o veneno apenas medindo seu pulso?

A precisão, a calma inabalável e a evidente experiência dela, tudo isso era inacreditável. Contudo, uma coisa era certa, contanto que ela permanecesse em Eighfast, ele a encontraria novamente.

Yelena se afastou sem olhar para trás, seu foco se desviando para o próximo passo da sua jornada. Porém, não demorou para que seus pensamentos fossem interrompidos pelo ruído suave de um carro se aproximando. Um elegante Rolls-Royce personalizado parou à sua frente, seu exterior polido brilhando mesmo sob a luz tênue da rua.

Yelena paralisou por um momento, já que só vira tal extravagância em revistas e na televisão.

No instante seguinte, a porta se abriu com uma suavidade precisa e um homem de meia-idade saiu. Seus movimentos eram deliberados e sua postura impecável, com um semblante que transmitia uma reverência discreta. "Senhorita Harris, finalmente te encontramos! Sou Sebastian Holden, mordomo da família Harris. A pedido do senhor e da senhora Harris, vim para te levar para casa."

"Eu? Senhorita Harris?", Yelena perguntou, sua voz carregada de descrença enquanto ela se perguntava do que o homem estava falando.

A família Roberts havia falado que seus pais biológicos eram aldeões pobres da remota região de Phurg. No entanto, aqui estava um homem, cujo comportamento e carro do qual ele saiu indicavam nada além de riqueza e privilégio.

Num tom comedido, mas caloroso, Sebastian afirmou: "Sim, você! Você é a filha mais velha da família Harris. Sua mãe ficou emocionada e por pouco não desmaiou quando soube que você estava viva, e seu pai me pediu para providenciar seu retorno em segurança. Por favor, venha comigo."

Com uma expressão composta, mas marcada pela deferência, Sebastian se adiantou e abriu a porta do carro para ela.

A mente de Yelena estava acelerada, se perguntando se a investigação da família Roberts poderia estar errada ou se eles mentiram de propósito.

Foi então que sua perplexidade deu lugar à determinação. Ela sempre queria encontrar seus pais biológicos, e se alguém apareceu para levá-la até eles, por que hesitar?

Com isso em mente, Yelena soltou um suspiro profundo e entrou no carro. Após a porta se fechar com um clique suave, o veículo se afastou estrada afora.

As Mansões Elite eram o ápice do prestígio em Eighfast, um local exclusivo com apenas doze residências luxuosas, cada uma habitada pelas figuras mais poderosas e influentes da cidade.

Enquanto o carro percorria as sinuosas estradas particulares que levavam ao exclusivo condomínio, a voz de Sebastian transbordava com um entusiasmo reverente. "Senhorita Harris, você tem um irmão mais velho, Cayson Harris, e uma irmã adotiva mais nova, Bella Harris. Seus pais sentiram muito a sua falta. Eles passaram anos te procurando por todo o país, sem medir esforços para te encontrar."

Ele parou por um momento, assumindo um tom suave ao continuar: "Na verdade, o senhor Harris é de Phurg. Décadas atrás, ele e a senhora Harris voltaram lá para homenagear seus ancestrais. Foi durante essa viagem que você nasceu num hospital da região. Mas uma tragédia aconteceu, e as circunstâncias irreversíveis levaram ao seu desaparecimento logo após ter nascido. Depois disso, o senhor Harris te procurou incansavelmente, mas quando as pistas se esgotaram, eles foram obrigados a voltar para Eighfast. Embora seus corações estivessem partidos, eles tiveram que lidar com essa dor e se concentrar na construção do seu legado."

Um lampejo de orgulho transpareceu na sua voz. "Com o passar dos anos, a família Harris criou um império e se tornou a família mais rica de Eighfast. Apesar das suas conquistas impressionantes, eles nunca perderam a esperança de um dia te trazer para casa."

Yelena permaneceu em silêncio, sua mente girando enquanto as palavras de Sebastian revelavam fragmentos de um passado que ela nunca soubera.

Logo, o carro desacelerou, parando numa mansão extensa que parecia ter saído de um quadro paisagístico.

Quando a porta se abriu, Yelena saiu, e seu olhar percorreu o local.

Nesse momento, duas figuras emergiram da porta grandiosa, seus rostos iluminados por emoções profundas demais para serem escondidas.

O homem tinha um ar refinado, suas feições marcantes suavizadas por uma graciosidade discreta. Ao lado dele, a mulher exalava elegância, cada um dos seus movimentos deliberados e sua postura inigualável.

Entretanto, no momento em que Donna Harris colocou os olhos em Yelena, essa compostura se esvaiu. Lágrimas transbordaram dos seus olhos enquanto ela se aproximava, envolvendo Yelena num abraço feroz e sincero.

"Yelena, minha filha querida. Finalmente te encontramos. Depois de todos esses anos... a dor que você deve ter suportado... É culpa nossa por não termos conseguido te proteger", murmurava a mãe, sua voz trêmula de emoção.

Enquanto mantinha Yelena nos braços, Donna olhou para o rosto dela, impressionada com sua inegável semelhança. Foi nesse instante que prometeu a si que sua filha nunca mais passaria pelas dificuldades que havia enfrentado.

Desacostumada com tamanha demonstração de afeto, Yelena se enrijeceu, se sentindo incomodada sob o peso do abraço de Donna, algo praticamente esmagador.

No entanto, havia algo nesse calor puro e natural que lentamente começou a quebrar suas defesas, a deixando imóvel mas não mais tensa.

"Estou bem, de verdade", murmurou Yelena, suas palavras servindo mais como um bálsamo para as emoções de Donna do que como um reflexo das suas próprias emoções.

Com relutância, Donna se afastou, seus olhos brilhando com lágrimas não derramadas. "Yelena, te prometo que de agora em diante, nada nem ninguém te machucará novamente."

Callum Harris estava por perto, seu comportamento composto habitual traído pelo brilho dos seus olhos marejados. Ele limpou a garganta e assumiu uma voz firme, mas carregada de emoção. "Você está em casa agora, Yelena. Isso é tudo que importa. Venha, vamos entrar."

Assim, os três entraram na mansão.

Parada na porta, Bella observava o reencontro cabisbaixa, com um lampejo de frieza reluzindo brevemente seus olhos antes de ela disfarçá-lo.

Embora tivesse se recomposto rapidamente e esboçado um sorriso educado, um leve tremor denunciava seu esforço para manter a calma. Num tom cuidosamente ponderado, ela disse: "Yelena, seja bem-vinda. Sou Bella."

Assim que avistou Yelena e percebeu a semelhança impressionante entre ela e Donna, Bella soube tudo o que precisava: Yelena definitivamente era uma Harris.

Enquanto ela observava o rosto de Yelena, um traço de ressentimento surgiu em seus olhos.

Após recuperar a compostura, Donna fez as apresentações com um sorriso caloroso. "Yelena, esta é Bella, nossa filha adotiva. Agora, ela é sua irmã mais nova. Seu irmão, Cayson, está viajando no exterior a trabalho, mas em breve voltará. E sua avó está num retiro e voltará no fim do mês."

Yelena acenou com a cabeça sutilmente, sua expressão calma, mas inescrutável. Certamente, uma família desse porte teria relações complicadas e planos ocultos.

Ela não tinha a menor dúvida quanto a isso, portanto, decidiu pedir para Brody investigar mais a fundo a história da família Harris quando o momento permitisse.

"Ah, Yelena, há algo que eu queria te dar", disse Donna de repente, seus olhos brilhando de expectativa.

Com uma elegância refinada, Donna tirou um bracelete de esmeraldas do seu pulso. "Esse bracelete sempre esteve comigo, e agora quero que fique com ele."

Apesar de não se lembrar dos detalhes, Donna sabia que havia recebido essa joia de alguém importante e passou a apreciá-la desde então.

Yelena hesitou, o peso do momento a pegando desprevenida.

A peça não era apenas bonita, mas valia milhões, e seu valor não passou despercebido para ela, que murmurou com uma voz cautelosa: "Isso vale muito. Não posso aceitar algo tão precioso."

"Querida, tudo o que tenho um dia será seu. Isso é só um símbolo do que está por vir."

Antes que Yelena pudesse continuar protestando, o bracelete já estava no seu pulso, adornado com uma esmeralda reluzente que se destacava na sua pele com um brilho irresistível.

Do outro lado da sala, o sorriso de Bella congelou e seus dedos se contorceram antes de se fecharem fortemente, suas unhas cravadas nas palmas das mãos até que a dor se transformasse em dormência.

Uma injustiça estava ocorrendo bem diante dos seus olhos!

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