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Nós braços de um Selvagem

Nós braços de um Selvagem

Autor:: Quezy
Gênero: Romance
Kadu é um homem de uma beleza masculina surreal. Mora em uma pequena Ilha onde aprendeu desde criança a respeitar a natureza. Possui um lado espiritual sensível e uma alma bondosa. Sua vida pacata vai ser abalada com a presença marcante da bela estudante de jornalismo que vai entrevista-lo. A cada encontro ambos vão se conhecendo e Dandara encontra no belo nórdico um amigo para curar suas feridas. Kadu não faz ideia que a bela menina rica tem um passado obscuro ao ser estuprada pelo próprio noivo Danilo. Com o coração em pedaços Dandara tenta encontrar um sentido para sua vida e encontra todas as respostas nos olhos de Kadu. Será que mesmo depois de tanto sofrimento o amor poderá salvar Dandara?

Capítulo 1 O temível tcc

_ Dandara não tem mais vida! Na verdade tem apenas uma que se chama "jornalismo" e exclui dessa vida toda sua família, amigos e qualquer coisa que não pertença ao universo jornalístico! (Disse Cecília jogando a indireta quando a filha caçula chegou para tomar o café da manhã)

Dandara revirou os olhos expressando sua inquietação e incomodo com as lamentações de sua mãe cobrando sua presença.

Uma empregada serviu seu prato de omelete, Dandara era uma grande observadora e percebeu que a pregada era nova na casa. Era uma mulher de meia idade, carrancuda e séria. "A outra pelo menos me dava bom dia! " Ela pensou enquanto se sentava ao lado de seu pai.

Cecília era muito exigente com o pessoal que trabalhava na mansão, queria tudo em perfeita ordem e quem não se enquadrasse dentro de suas regras ela simplesmente demitia. Dandara nunca entendeu a insatisfação em relação aos empregados, nunca uma pessoas trabalhou na casa por mais de um ano. Era uma constante ver novas caras pelos corredores e nunca guardava o nome de ninguém, pois não dava tempo suficiente para se conhecerem.

___ Não respeita nem a hora da refeição essa garota! (Fala Cecília se mostrando irritada ao ver Dandara comer as pressas pressas e olhando as mensagens que não paravam de chegar em seu celular)

Dessa vez Paulo se sentiu incomodado, era um homem calmo por natureza, não entendia o que levava Cecília ser uma mulher ranzinza depois que os filhos chegaram na adolescência. Preferia não ter razão do que perder a paz e a harmonia dentro do lar.

Deixou seu jornal sob a mesa e olhou para a esposa com aquele olhar que dizia "Se cale por favor?".

Cecília o ignorou, ela era amente de uma polêmica, passava o dia todo sozinha na mansão quando os filhos saiam para o trabalho ou para estudar. Aos quarenta e cinco anos já não sabia encontrar motivos para ocupar sua vida e vivia com tempo para incomodar as pessoas:

___ Cecília a menina tem um TCC para concluir, está estressada com os estudos e você ainda cobra dela atenção? (Disse Paulo)

___ Somos os pais dela! Ela senta a mesa como se fosse uma estranha! Isso me irrita profundamente. (Disse Cecília encarando os olhos de Dandara)

___Dandara minha filha de atenção a sua mãe que está carente do amor de seus filhos! (Disse Paulo com ironia)

Dandara sorriu não perderia o humor com a presença doce de seu pai. Apenas por ele suportava sua mãe.

Porém as mensagens no celular não deu oportunidade para falar com Cecília e nem demonstrar que estava ali para conversar como ela gostaria:

___ No jantar conversamos. Marquei uma reunião com meu orientador e ele só tem horário daqui a vinte minutos... Amo vocês! (Disse Dandara se levantando da mesa)

Ela beijou os pais no rosto de forma rápida e deixou a sala. Ainda digitando em resposta ao professor disse que chegava no local marcado em menos de dez minutos.

Isso porque sempre Dandara subestima o trânsito da sua cidade, principalmente naquele horário às oito da manhã que parecia que todos resolveram ir às ruas aquele mesmo momento.

___ Táxi! (Ela disse acenando para um taxista que estava fumando encostado na porta)

Detestava pessoas cheirando cigarro, se.pudesse escolher e se tivesse tempo para isso não optaria por um motorista fumante.

Dandara tinha uma hiper sensibilidade ofativa que possibilita discernir infinitos cheiros mesmo a quilômetros de distância.

Na infância era um problema, pois também lidava com a crise alérgica dos cheiros, principalmente de produtos de limpeza e perfumes. Mesmo seus pais pagando os melhores pediatras não encontravam a cura para a doença de Dandara. A menina vivia reclamando que algo cheirava mal e a incomodava ou as vezes o mal cheiro era tanto que causava náuseas e precisava buscar refúgio em ambientes ao ar livre.

O que de fato acontecia com Dandara era o cuidado excessivo de sua mãe e decorrente de seu problema de saúde com os aromas sua vida piorou ainda mais.

Assim que alcançou os dezoito anos e foi para a faculdade ela procurava passar mais horas fora de casa do que suportando os sermões de Cecília.

O taxista fez sinal para Dandara entrar. Dandara respirou fundo, seria uma longa viagem até a faculdade suportando o cheiro sufocante do cigarro.

Entrou no carro praticamente tampando o nariz, precisava se manter calma pois na certa passaria mal mesmo antes de inalar aquele ar poluído.

Para seu alívio o carro era um modelo antigo e não tinha ar condicionado, e pode manter a janela aberta para respirar.

Quando chegou no pátio da instituição acadêmica encontrou seu orientador, o professor e mestre em comunicação social. O homem era minúsculo, magro, quase desnutrido. Sua aparência física assustava os alunos mas quem o conhecia de verdade tinha a honra de ser tocado por sua inexplicável inteligência. Emílio olhou por baixo das lentes grossas de seu óculos e pode notar a presença marcante de sua brilhante aluna do curso de jornalismo.

A garota sempre o encantou, não apenas pela beleza física, porque mesmo sendo um ancião de respeito com as alunas ele admitia o quanto Dandara parava o trânsito e os corredores da universidade com sua presença.

E o professor universitário não estava errado, afinal de contas a aluna era uma mulher lindíssima, se destacava em qualquer lugar que estivesse.

Dandara era uma jovem de vinte e dois anos, havia herdado de seu pai a pele negra, uma cor marrom que iluminava, que deixavam todos admirados com tanta beleza expressa na sua melanina. E fazendo uma combinação perfeita e surreal com a pele atraente, Dandara ainda era dona de belos olhos cor de mel, que brilhavam como duas estrelas seu delicado rosto. O nariz arrebitado lhe dava a graça de uma boneca, as sobrancelhas espessas faziam um conjunto sensual com os cabelos cacheados.

O sorriso de Dandara era sua principal arma de sedução, não que tinha a intenção de seduzir, mas involuntariamente a menina sorria e o mundo todo se derretia por tanta graça. Os lábios carnudos, volumosos e bem desenhados davam o toque daquela obra de arte admirável que era futura jornalista.

O professor de idade avançada não seria ousado para observar nada além do belo rosto de sua aluna dedicada nos estudos de sua pesquisa científica.

Mas já adianto que Dandara possuía um corpo esbelto, com belas curvas bem distribuídas, que com certeza a carreira de modelo de passarela seria uma segunda opção se ela desistisse do jornalismo.

O que não iria acontecer pois Dandara tinha paixão pelo mundo informativo e midiático. Desde criança admirava as jornalistas entregando informações precisas para o mundo. Era uma menina cheia de vida, otimista e dotada de curiosidade que lhe permitia explorar o mundo a sua volta.

"O céu é o limite" ela sempre dizia para lutar por seus sonhos.

Com uma família rica e próspera no ramo empresarial ela nem precisava sofrer com estudos e lutar para conseguir um bom emprego. Seu pai era dono de uma rede de hotéis turísticos e ainda tinha uma fazenda com gados de corte. Tinham uma fortuna para esbanjar e Dandara buscou o caminho mais "difícil" par uma garota rica e privilegiada.

Sua mãe já fazia muito bem seu papel de esposa de homem rico, se dava ao luxo do consumismo exacerbado, comprava tudo para exibir em sociedade o que o marido podia lhe dar. Dandara não gostava de gastar dinheiro "a toa" como fazia sua mãe. Ela preferia gastar sim com viagens, tinha sede por conhecimento e informação, pois sabia que a profissão que havia escolhido lhe possibilitaria oportunidades para viajar o mundo todo.

Por isso desde muito cedo se dedicou as aulas de inglês e espanhol, era uma menina prodígio e sabia que poderia escrever seu futuro sem ajuda do dinheiro de seus pais.

Capítulo 2 Pesquisa de campo

O professor mestre orientador de Dandara lhe entregou um envelope, ele apenas lhe entregou aquele papel pardo e deu as costas para ela. Dandara não compreendeu naquele momento o que Emílio queria dizer a ela com aquilo, mas deixou para descobrir assim que pudesse se sentar na praça de alimentação da universidade. Aquela manhã de provas estava tenso cada sala da faculdade, os alunos estavam ansiosos e buscavam estudar nos últimos instantes que ainda tinham.

Dandara como esperado já havia passado com louvor em todas as disciplinas e ficou de ajudar sua melhor amiga Bruna a terminar uma dissertação que valia pontos.

Bruna ficava com muita raiva de Dandara por ela ser tão dedicada, não aceitava ir a nenhuma festa no período de provas e quando não estava se.preparando para as provas estava aterefada com outros estudos que naquela ocasião era o TCC trabalhos e conclusão de curso.

Encontrou umaesa afastada da aglomeração de alunas, logo uma das garçonetes veio atendê-la. Como sempre Dandara escolheu o suco de acerola com laranja, com gelo e sem açúcar. Fazia calor aquele final de setembro e se refrescar era tudo que necessitava para manter seus neurônios funcionando bem.

Porém ao verificar o conteúdo do envelope que seu orientador havia lhe entregado quase teve um choque, estava pasma em ler cada linha apesar do documento haver apenas dois parágrafos mas eram suficientes para deixá-la naquele estado de alerta.

Bruna chegou no exato momento em que Dandara transpirava de nervoso com aquele papel na mão:

___ Dandara por que não me ligou avisando que já está aqui? (perguntou Brinca se mostrando irritada)

Dandara estava feito uma estátua, olhando para o vazio, sem reação, o que deixou Brinca preocupada. Sua amiga outrora tão compenetrada em tudo estava ali aquele instante dispersa, como se sua alma tivesse saído de seu corpo. Bruna estalou os dedos na frente dos olhos de Dandara e a chamou:

___ Ei amiga onde você está?

___ Leia isso! (Pediu Dandara ainda em choque)

Bruna pegou o papel da mão dela e começou a ler o conteúdo que ali continha e entendeu a razão para Dandara estar tão assustada:

___ Eu te avisei Dandara! O professor Emílio só tem cara de anjo, mas é a personificação do diabo! (Disse Bruna rindo)

___ Fale baixo sua maluca! (pediu Dandara)

___ Pesquisa de campo era o que você mais temia. Mas não precisa ficar com essa cara de choque, todos sabemos que você vai se sair muito bem, afinal de contas estamos falando de Dandara a gênia do jornalismo! (disse Bruna com tom de zombaria)

Dandara respirou profundamente, estava tensa ainda com a notícia. Emílio havia lhe dado uma proposta de pesquisa para elaborar a dissertação de seu TCC, ela tinha apenas dois meses para trabalhar em cima do tema. O lugar a ser pesquisado no âmbito social de sua pesquisa jornalística era uma Ilha há oito quilômetros da cidade. Uma famosa Ilha por nome "Águas claras" um lugar privilegiado pela exuberante natureza e muito visitado por turistas que apreciavam a beleza paradisíaca daquelas terras banhadas pelo oceano.

Dandara mesmo já esteve várias vezes na ilha com sua família, a passeios e até mesmo Trabalho escolares, mas nunca se imaginou voltando aquele lugar para estudar sua origem e seus nativos como solicitava seu orientador Emílio.

Ela estava certa de que um trabalho daquela magnitude significava mais noites de insônia e como consequência sua mãe pegando em seu pé para voltar a ter momentos em família.

Ela era perfeccionistas, apreciavam as.coisas muito bem feita, nisso Dandara admitia que havia herdado de sua mãe. Mesmo dizendo que Cecília era muito mais exigente.

Teve de recusar os pedidos de Bruna para uma balada aquela noite, tinha muito o que fazer. Planejava um mapa de estudos sobre a geografia da Ilha antes de realmente espolora-la. Precisava organizar um roteiro de estudos antes de pegar a balsa e desembarcar na ilha para conhecer de perto os mistérios escondidos nos olhos dos nativos que ali viviam.

Mesmo sendo curiosa nunca se pegou querendo descobrir a história daquele lugar que praticamente era um parque de diversões. As rendeiras que vendiam suas rendas e seus trabalhos artesanais na feira da cidade jamais despertou a curiosidade de Dandara para saber mais sobre suas origens.

Os pescadores que jogavam suas redes em alto mar e levavam peixes para repor todos os estoques de peixes do mercado também não aguçaram a vontade de Dandara em saber mais sobre aquele povo simples.

Não que não os notasse por ali na cidade em que ela morava, mas noite não ter despertado o interesse.

E mesmo sendo uma proposta de seu sábio orientador ela achou tudo aquilo tão incomum e fora da realidade que não conseguiu ver fazendo uma pesquisa em um lugar nada interessante e repleto de gente pobre e humilde.

Passou a tarde toda buscando por informações na internet, depois foi explorar a imensa biblioteca de 600m quadrado de prateleiras com livros com todo o tipo de literatura. Buscou por informações que relatassem a origem da Ilha "Águas claras". Foi a prefeitura da cidade e encontrou um acervo bem mais detalhado do que os livros da faculdade.

Era muita informação, precisava mapear tudo que havia descoberto e estava tão cansada que nem sabia por onde começar.

Sua mente não tinha descanso, estava alerta, ansiosa por concluir seus estudos daquela primeira parte da pesquisa. Havia muito ainda o que descobrir, uma pesquisa de campo rendia meses de estudo e ela está a correndo contra o tempo, porque só tinha dois meses de estudo.

Quando chegou ao portão principal da universidade deparou com Danilo, seu noivo a esperando do lado de fora.

"Como pude me esquecer dele meu Deus? " Ela se perguntou em pensamento. Estava constrangida em ver seu noivo. Uma hora antes ele havia enviado uma mensagem dizendo para encontrá-lo em uma cafeteria próxima a universidade para conversarem sobre as alianças.

Dandara se esqueceu da mensagem assim como esquecia que já estava noiva há dois anos caminhando para um provável casamento.

Ela sentia que sua vida era semelhante uma bola de neve que se desprendeu do alto de uma árvore e vinha rolando, ganhando peso e proporção de forma rápida e incontrolável que não podia imaginar o desastre quando essa gigante bola de neve se chocasse com alguma montanha a sua frente.

Danilo era o tipo de namorado que qualquer garota gostaria de ter. Além de ser rico, um dos sócios de seu pai, era um homem moderno, atencioso e romântico. Romântico até certo ponto exagerado, aquele típico homem a moda antiga que abre a porta do carro e da buquê de flores com caixa de bombom.

Um homem perfeito realmente, um homem que possuía a aparência de um Galã Hollywoodiano, possuía belos olhos verdes, cabelos pretos lisos sempre bem alinhados com gel. Era alto, físico atlético por ser adepto de maratonas de corridas. Era competitivo, ambicioso e não aceitava nada inferior que seu dinheiro era capaz de pagar.

Apaixonada como Dandara estava por esse "príncipe encantado" não pode enxergar a arrogância quando ele tratava mal as pessoas, sua soberba quando pisava nós mais humildes, sua prepotência qua do humilhava funcionários e mesmo amigos de seu círculo de amizade. Dandara comhecia apenas a "capa" um rotolo que aparentemente encarava os olhos, gerava cobiça e inveja, mas a essência de Danilo era podre como uma maçã comida por vermes, assim era sua alma.

Ela sorriu tentando disfarçar seu nervosismo, pois os olhos de Danilo fuzilavam seu rosto, deixando evidente sua decepção por ela ter esquecido do compromisso com ele:

___ Me perdoa amor! (ela disse o abraçando)

Um abraço frio, as mãos de Danilo quase não a tocavam. Ela sentia medo e vergonha de encarar seus olhos:

___ Para que serve esse celular Dandara? (Ele perguntou a afastando de seu corpo)

___ Realmente me esqueci, hoje comecei a pesquisa para o meu TCC! (Ela tentou se explicar)

___ Não sei porque ainda insiste com esse curso! Sabe que quando nós casarmos não vou permitir que trabalha nessa profissão perigosa...

Dandara detestava brigar, ainda mais em público. Entrou no carro quando Danilo abriu a porta ainda proferindo aquelas palavras que a deixou profundamente magoada.

Ele estava irritado não apenas pelo fato dela ter o esquecido, mas por ver Dandara cada vez mais fazendo coisas que ele desaprovação.

No início do namoro ela já havia deixado claro que queria independência financeira, pois não gostava de depender de seus pais. Danilo foi contra, não achava certo Dandara ter uma vida inferior ao que sua família lhe proporcionava. Mesmo ela explicando suas razões e que lhe fazia bem estudar e trabalhar ele não quis compreender.

No carro ela pode interpretar sua grande irritação quando ele colocou o som no último volume e acelerou, passava no sinal vermelho pouco se o portando com o trânsito. O coração de Dandara lhe dava sinais de perigo, assim como todo seu corpo tentava lhe avisar do perigo. Ela apenas segurou firme no banco e tentava se acalmar:

___ Danilo por favor devagar! (Ela pediu quando não suportava mais vê lo tirar fina dos demais automóveis)

Danilo não a ouviu, expressava sua cólera da forma mais imatura possível.

Dandara segurava o choro assim como sua vontade de gritar para ele parar aquele carro.

Para seu alívio Danilo freou bruscamente e estacionou o carro na entrada de sua mansão. Um dos seguranças foram abrir o enorme portão eletrônico. Danilo estacionou o carro na entrada e saiu rapidamente para abrir a porta para Dandara:

___ Meus pais viajaram, temos um momento só nosso! (Ele disse sorrindo)

Dandara estremeceu, sabia que aquele sorriso não significava nada bom.

Já há seis meses que Danilo se mostrava impaciente com ela em relação ao sexo. Antes de conhecê-la Danilo vivia uma vida boêmia que se resumia em baladas e noites com uma mulher a cada dia. Quando se apaixonou por Dandara jurou que só teria olhos para ela e realmente cumpriu essa promessa.

Não desejava nenhuma outra mulher, era louco por sua namorada. Porém esperar Dandara se sentir preparada para se entregar a ele estava sendo uma eternidade.

Em todas as ocasiões que estavam a sós ele tentava ir mais longe com ela na intimidade e acabava a deixando mais atemorizada ocasionando medo em se entregar.

Dandara não sabia o que estava sentindo, o amava mas não a ponto de entregar sua virgindade.

E aquela tarde na mansão de Danilo ela sabia que não teria como escapar.

Capítulo 3 Arrancando sua alma

Danilo lhe mostrou o caminho, lhe oferecia aquele olhar cheio de malícia. Dandara sentiu o coração se apertar ao ser obrigada a entrar naquela casa. Não era realmente a primeira vez que estava ali, foram muitos os jantares, os almoços em família aos domingos em que seus sogros viviam a elogiando por ser uma excelente garota para o filho. "Boa até demais" ela pensou com revolta, pois Dandara sabia que apenas o amor que tinha por ele não seria suficiente para suportar o jeito possessivo e machista de seu noivo.

Danilo a levou para a sala particular onde guardavam as bebidas, o que mais ele apreciavam eram sua coleção de vinhos europeus, sempre que ia a negócios a Itália ou a frança não deixava de trazer um bom vinho. Sabia que Dandara não gostava de álcool, mas sempre que insistia tinha sua aprovação.

Talvez fosse todas as diferenças que tinham que acabou atraindo um para o outro.

Eles se conheceram na inauguração de um hotel de seu pai em outra cidade. Ela estava com sua família durante o coquetel quando aquele rapaz de olhos penetrantes que parecia ler sua alma chegou se apresentando como sócio de seu pai.

Mais tarde Paulo elogiou as qualidade empreendedoras de Danilo e disse que confiava plenamente nele, mesmo ainda sendo jovem aos vinte e cinco anos.

Paulo apenas não pode ver o mau caráter que seu genro era. E aquela noite iria arrancar de sua filha algo que faria falta no futuro e deixaria marcado para sempre seu passado.

Após muitas taças de vinho Danilo já não estava sóbrio para se manter de pé, porém teve força suficiente para beijar os lábios de Dandara e força-la subir as escadas em direção ao seu quarto.

Ela.lutou enquanto pode, sabia que o inevitável acabaria acontecendo, mesmo contra sua vontade, ele não a deixaria escapar:

___ Por que não Dandara? (Ele disse acariciando os seios ainda escondidos por baixo da camiseta que ela usava)

Dandara sentiu o pavor percorrer todo seu corpo. Não estava preparada, havia cansado de dizer isso a ele e Danilo estava casando de ouvir a mesma coisa. Se ele já não demonstrava ter caráter nas pequenas coisas da vida como agradecer um garçom que trouxe sua comida ou mesmo doar uma esmola a algum morador de rua, aquele momento então Dandara iria conhecer o monstro insaciável que vivia dentro daquele homem que se fazia de "bom moço".

Ele a segurava por trás, a fazendo sentir o impacto de seu membro em seu quadril. Ter consciência do que aquele toque significava Dandara entrou em desespero e começou a chorar baixinho. Estava irritada com tanta insistência e se.odiava por não ter coragem suficiente para enfrenta-lo:

___ Para por favor Danilo... eu não quero... Não assim! (Ela disse chorando)

Ouviu a risada sombria de Danilo, ele a apertou nas nádegas. Dandara soluçou, não tinha mais força para implorar que ele parasse. Apenas um milagre a livraria e ela sabia que não teria ninguém por ela.

Seria eonas ela e sua dor, a infita dor que sentia quando pressentia que Danilo iria força-la a ter relações com ele:

___ E quer de que forma meu amor? (ele perguntou lambendo o lóbulo de sua orelha esquerda)

Dandara tentou empura-lo mas foi inútil, ele a mantinha presa em seus braços:

___ Eu não quero... (ela disse virando o rosto para evitar ser beijada na boca)

Danilo sorriu e a beijou a força:

___ Estou de saco cheio Dandara! Há quase dois anos não transo com ninguém respeito a você que é minha mulher... Agora vai me evitar? Só pode ser uma piada!

___ Não nós casamos ainda Danilo, você prometeu que esperaria nosso casamento!(Disse Dandara em lágrimas)

___ Não seja tola Dandara! Se vamos nos casar de todo jeito porque não fazer algo que é nosso por direito?

Danilo não ouviu sua súplica para parar, não a tomou com carinho com que ela sonhava de como seria a primeira vez que estaria nos braços de um homem.

Mesmo escutando seus soluços Danilo covardemente violentou o frágil corpo de Dandara. Nem seus gritos mais altos quando ele a penetrou com toda a brutalidade pode fazer com que parasse. A dor física não se comparava a dor que sua alma sentia em ter consciência que estava sendo estuprada por alguém que vivia em seu coração. Dizer te amo não amenizava o maldade sem precedentes que ele havia feito. E no final depois de ter arrancado sua pureza o miserável ainda lhe disse "Eu te amo baby".

Dandara sentiu a garganta secar, assim como seu coração, havia um silêncio perturbador, que fazia com que ela escutasse a própria agonia que se fazia em sua mente tentando compreender todo aquele terror que havia vivido.

Danilo roncava ali do seu lado naquela cama de casal. Dandara encolhida ainda tentava se mexer. Todo seu corpo doía, sentia vontade de vomitar, estava molhada, um líquido pegajoso escorria por suas pernas, ela sabia o que aquilo significava, mesmo sendo virgem havia assistido aulas de reprodução humana.

Não era o tipo de garota que tinha interesse por assuntos sobre a sexualidade e menos ainda teria apartir de todo aquele trauma que acabou de vivênciar.

A única coisa que passava em sua mente era: "Eu não posso engravidar".

Pensando desesperada sobre aquela possibilidade ela fugiu, precisava tomar uma atitude em relação aquilo. Vestiu sua peça íntima, colocou sua calça que estava jogada no chão, lembrou com angústia do momento em que Danilo arrancou sua roupa a machucou na perna quando ela tentou impedi-lo.

Seu corpo todo tremia e foi muito difícil conseguir andar, era como se não tivesse mais controle de suas próprias pernas.

Pegou sua bolsa e ligou para um táxi. Foi para a calçada e esperou por quinze minutos o que lhe pareceu uma eternidade. O taxista estacionou e rapidamente Dandara entrou.

O choro constante da garota no banco de trás começou a preocupar o taxista:

___ Para onde? (Ele perguntou)

___ Para o hospital! (Ela disse entre as lágrimas)

O motorista não compreendeu, não havia nada de errado com A garota, parecia ser uma das meninas filhas de ricos que viviam naquele condomínio, mas se ele pudesse saber a verdade. Que sua alma sangrava depois daquele estupro de seu próprio noivo, ele a socorreria com urgência.

Dandara começou a dar ânsias de vômitos, estava sentindo o cheiro do esperma que ainda estava impregnado nas suas pernas e desciam de sua região íntima. O cheiro era o pior de todos os aromas que já havia experimentado com sua hipersensibilidade ofativa. Sentia o cheiro de Danilo, sentia as mãos de Danilo arrancando suas roupas e sua alma. Não suportava mais segurar o vômito, abriu a janela e gorfou.

Em menos de dez minutos o taxista parou na entrada do hospital. Dandara lhe deu o dinheiro e nem se interessou em saber de seu troco.

Correu pela entrada da recepção, várias pessoas esperavam ali. Sua visão foi ficando cada vez mais turva e ela desmaiou ali no chão. Não podia mais ouvir as pessoas que falavam ali na sala da recepção do hospital. O eco daquela sala foi diminuindo a medida que todos os seus sentimentos desapareciam.

Minutos mais tarde ela acordou já deitada na cama. Havia um acesso levando um soro em sua veia do braço direito. Uma enfermeira fazia anotações ali do lado da cama quando ela finalmente acordou:

___ Está melhor? Você teve uma queda de pressão... Quer que ligue para alguem da sua família? (Disse a enfermeira)

___ Quero falar com o médico que me atendeu!

A enfermeira não fez mais perguntas, apenas recolheu os papéis e saiu do quarto. Cinco minutos depois entrou um médico grisalho, de olhar cheio de olheiras denunciando as altas horas de um plantão que não teve interrupção:

___ O que precisa? (ele perguntou verificando a válvula do soro)

___ Tive relação com meu noivo e não quero engravidar! (ela disse o encarando)

Houve um silêncio no quarto, o médico com idade para ser seu avô tentava entender o que aquela moça lhe dizia.

___ Se eu engravidar dele eu vou abortar... Eu juro que vou! (Dandara disse aos prantos)

O médico então compreendeu a dimensão do problema que aquela jovem enfrentava:

___ Já foi a delegacia dar queixa do monstro que fez isso a você? (perguntou o médico se mostrando comovido com o sofrimento de Dandara)

Danada apenas mandou a cabeça negando. Ele respirou fundo e chamou a enfermeira. Falou algo em seu ouvido e ela deixou o quarto novamente:

___ Quando estiver melhor vou com você até a polícia, um filha da puta que faz isso merece prisão perpétua! (Disse o médico)

Dandara concordou, estava cansada, o choro não lhe dava trégua, a angústia que ela sentia sufocava seu coração a impedindo de respirar.

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