Esta trama se passa em vários locais fictícios da Região Norte do Norte do Brasil e acontece em algum momento da atualidade. Onde diversos fatos irão ocorrer com as personagens que foram criadas para este enredo, os mesmos não existem na vida real.
A protagonista é a Ana Luz, uma moça que já tinha se preparado para viver uma aventura de verão em um cruzeiro com sua amiga Mel de "Sob a Areia da Praia". E, por necessidade e falta de pessoal no momento, a Ana é indicada para trabalhar na Região Norte especificamente no interior mais longínquo do estado de Roraima.
No decorrer da história a moça fará diversas descobertas, inclusive novos amigos e quem sabe um irresistível amor. No entanto nem tudo que vivemos sempre é um mar de rosas, a Ana viverá muitas aventuras, descobrindo que a vida no campo nem sempre é tão pacata como havia imaginado. E este novo trabalho irá lhe render fortes emoções quando ela que está acostumada o caos da cidade grande passa a viver por um bom tempo nesta fazenda no interior do estado de Roraima.
E para além do trabalho e dos aperreios do lugar ela terá que entender um pouco mais sobre as nuances de climas entre alguns tormentos e até em relação ao romance para além do que idealizava. Talvez pelo fato de que os moradores do local são bem mais interessantes do que ela esperava.
Principalmente, depois de conhecer o Pedro José, um rapaz alto, loiro, prestativo, um verdadeiro salva-vidas, que adora montar em seu cavalo ele é um pouco aventureiro.
O Pedro que passou por uma decepção amorosa, procura se afastar de qualquer forma de romance, e com certo receio da atitude da mulher fatal que está sempre no seu encalço ele vai tentar escapar desse enlace.
Ou será que dessa vez ele não terá muita resistência a um possível romance?
No local que foi ambientado o enredo, surgem animais, alguns seres fantásticos e lendas que são relatadas por moradores da Região Norte do Norte do Brasil e visualizadas de uma maneira que pode intrigar o leitor, assim espero. Alguns animais que foram colocados no decorrer, até existem de fato, apesar de as histórias que foram relatadas com a presença dos mesmos serem completamente fictícias.
Muitas aventuras, um pouco de suspense, lendas de algumas localidades do Brasil, numa história apaixonante cercam o decorrer deste conto, e muito, frisando muito romance com uma pitada acentuada de erotismo.
Nas terras de Makunaima é o primeiro de quatro livros que pretendo trazer para este aplicativo, isso se o leitor o receber com bastante carinho.
Por favor, seguir e divulgar se ficarem a vontade com o que escrevo. E, lógico gostarem da parte para maiores de 18 anos.
Depois de descer do avião no estado de Roraima a Ana teve que pegar a estrada para seguir em uma zona de mata quase fechada e para conseguir fazer isto sem maiores problemas ela comprou um jipe e contratou um motorista que conhece a região mais distante de qualquer lugar do Brasil da qual ela tem lembranças.
A Ana está viajando a trabalho por este território ao Sul do estado de Roraima. Ela não tem a mínima noção de onde se encontra dentro deste lugar perdido na selva.
"Este parece ser um lugar onde sempre chove, pois desde que cheguei por aqui e desci do avião não parou de chover uma única hora. Se eu não tivesse com um motorista estaria completamente perdida!" – Ana refletiu.
O jipe em que a moça está seguindo é de cor azul escuro e ela não parece estar muito segura com a situação. O veículo que está sendo dirigido por seu Vicente, um rapaz de aproximadamente 40 anos com olhos e cabelos pretos e aparência de indígena.
- Moço, o jipe parece está derrapando. O que podemos fazer? – Falou como se estivesse assustada.
- Dona Ana não se preocupe, este "possante" aguenta. Não vai brecar de jeito nenhum. Pode confiar nas minhas habilidades.
Neste momento passa algo grande em frete ao carro o que parece ser um animal bem grande.
- Seu Vicente, olhe!!! – Ana se assusta completamente e grita puxando o braço do homem.
Ele conseguiu desviar do animal, porém perdeu o controle do veículo, que derrapa sobre a lama de barro alaranjado, dando dois giros e quando volta ao eixo está derrapando e seguindo em direção a uma vala que está cheia de uma lama também alaranjada.
- Socorro! Nós vamos morrer! Tô perdida. Não mereço morrer no meio da selva e cheia de lama!
O jipe continua por algum tempo patinando sobre a lama.
- Calma dona, muita calma! – Ele mesmo não está calmo.
- Como o senhor tem coragem de me pedir calma!?
- Vamos bater! Tomara que não afunde. – Disse ele.
E o veículo caiu no buraco ficando com uma parte dentro e a outra fora da água.
- Meu coração. Eu estou quase tendo um ataque de tão acelerado que ele esta. E agora o carro está dentro de sabe lá o quê!
- Dona olhe pelo lado bom. Pelo menos não afundou!
- Isto só pode ser um pesadelo! Moço o senhor está bem?
- Sim dona. Temos que ver se não quebrou nada. Tá sentindo alguma dor?
- Não moço nenhuma dor. E o senhor?
- Também não senhora. Só tô um pouco tonto. Mas parece que tá tudo bem comigo.
- E agora seu Vicente o que faremos? Aqui perdidos no meio do nada!
- Não pense muito sabe que sou mateiro (o que sem bússola se orienta pelas matas) e conheço bem esta região. Vamos ver se eu consigo dar a ré.
- Pelo visto a única perdida por aqui sou eu!
Ele tentou ligar o carro uma vez e nada.
E continuou tentando por várias e várias vezes.
E nada de conseguir sair de dentro da vala.
- Dona o carro não brecou, isso é um bom sinal. Agora, a não ser que eu consiga puxar ele daí com meus braços não vamos conseguir sair neste carro hoje. Para dar certo vou ver se consigo ir na fazenda mais próxima para pedir ajuda.
- Moço como vou ficar aqui sozinha neste lugar? – Ela fala com certo medo no tom de voz.
- Não se preocupe que vai dar certo, confie. O bom é que não precisamos ir ao médico que fica bem longe daqui. O ruim é que com esta chuva que está fazendo hoje, até a fazenda mais próxima fica muito distante para quem não está acostumado.
- Moço ela fica longe? Muito longe? Como podemos sair daqui?
- Não, só uns cinco quilômetros em direção ao norte, vou lá ver se encontro a fazenda que avistei aqui perto. Vou pedir para eles nos ajudarem a tirar o jipe dali o mais rápido possível com o trator que eles têm.
- Moço, parece que logo vai escurecer e com esta chuva não tem como eu passar a noite aqui.
- Não se preocupe senhora, não vai. Eu ando rápido.
- O senhor vai me deixar aqui sozinha!? Não demore, por favor! - Ana se sente muito amedrontada.
- Tudo bem dona, acho que a fazenda que vi não fica mesmo a mais de cinco quilômetros daqui. Vou tentar voltar logo. Melhor a senhora trocar estes saltos por umas botas. Eles não são confortáveis para este lamaçal.
- Pior que eu nem tenho botas meu senhor!
- Já estou indo. Volto antes do anoitecer, assim espero. Se não conseguir vou enviar ajuda. Há e se ouvir um barulho estranho fique dentro do veículo. A vala é rasa e o carro não vai afundar.
- Isto o senhor nem precisava dizer. Sabe lá que bichos podem ter por aqui! – Neste instante a Ana sente um arrepio na espinha.
- Não se preocupe. O pior que poderá acontecer é aparecer uma onça, mas, como está chovendo...
- Era melhor o senhor não ter dito nada, seu Vicente.
- Já estou indo trazer ajuda. Apenas não se preocupe dona.
E para o desespero da Ana o seu Vicente resolveu realmente ir buscar ajuda na fazenda próxima e ela fica completamente só.
"Se tudo der certo o trator vai resgatar o jipe que está afundado na vala. Se não der tenho que conseguir ajudar, pois esta moça que não sabe onde é que se meteu." – Pensou seu Vicente enquanto saia.
E Ana ficou quase plantada as margens de um igarapé, notou que passou mais de uma hora e nada de seu Vicente voltar.
A Ana olha para cima mesmo com o dia nublado ela percebeu.
- Agora realmente está quase escurecendo mesmo!
Ela começa a se preocupar de verdade e caminha escorregando na lama barrenta perto de onde o jipe está.
Olha em direção ao norte e nada de encontrar nem rastro do rapaz que se perderam na lama.
Já quase no desespero de tanta angústia pega algumas coisas e coloca em sua bolsa bege de mão, ela começa a caminhar na mesma direção que seu Vicente foi ou pelo menos acredita que está indo para a mesma direção.
E vai refletindo com seus botões enquanto gotas enormes de chuva caem sobre sua cabeça.
- Não acredito que nos meus 32 anos de vida, estou me perdendo no meio do mato, com toda esta lama. Meu vestido está só os farrapos e meu salto nem se fala. Bem que seu Vicente disse para calçar umas botas. Que a inútil aqui não trouxe, lógico. Será que cinco quilômetros são muito longe? Meu Deus! Se aparecer uma onça. Sou jovem demais para morrer! – Diz aflita.
Ela sorri com preocupação.
- Não pense besteira Ana, logo vai aparecer um morador de uma fazenda. No meio dessa chuva! É mais fácil cair um raio na minha cabeça. Calma, nem guarda-chuva eu tenho e não está trovejando, o que é um bom sinal com relação aos raios.
Suas lágrimas escorrem misturadas com água da chuva em seu rosto.
- Sozinha neste deserto de lama, contanto que não apareça me uma cobra vai ficar tudo bem.
Ela respira fundo e para um pouco tremendo de frio.
- Vamos ver quanto tempo estou caminhando... 30 minutos!!! E, parece que nem sai do lugar. Este telefone deve ter pifado! Não consegue sinal nem por decreto. – Angustiada ela bate no celular.
De repente Ana levanta a cabeça e. ... escorrega na lama, caindo sentada no chão de barro alaranjado, terminando de sujar o pouco que ainda restava sem lama em seu vestido florido de grife e, ... quebrando um dos saltos de seus sapatos.
- Agora sim, é o fim! E se não aparecer ninguém vou achar ainda melhor, pois agora pelo menos de vergonha eu não morro. A minha make já era, minhas roupas se foram, nem quero falar dos sapatos que ainda nem terminei de pagar. Devem ser falsos, para quebrarem tão fácil com esta quedinha. Nestas horas é que fico feliz de estar só, há, há! Isolada no meio do nada.
- Tá tudo bem por aí? Dona, vim aqui para ajudar...
- NÃOOOOOO!!!
Nesse momento a Ana só não esperava não estar mais sozinha. A uma certa distância está Pedro José que se aproximou sem que a moça percebesse. Ele que é um rapaz loiro, olhos esverdeados, com 1.85 m de altura e por volta de 36 anos. Estava montando em seu cavalo cinza.
O rapaz veio ao seu resgate enviado por seu Vicente.
- Uma boa hora que fico feliz de estar só. Isolada no meio do nada. – Ela sorri ironicamente.
- Tudo bem por aí? Dona, vim aqui para ajud ...
- NÃOOOOOO!!! - Nem deu tempo de ele terminar a frase, escuta um grito tão alto que seu cavalo se assusta e dá uma empinada ficando sobre as duas patas traseiras.
E o Pedro tem que segurar com firmeza por alguns segundos para não cair do cavalo que ficou empinado pelas e assim que consegue voltar para a posição normal com o cavalo nas quatro patas.
- Calma dona! Eu só vim para ajudar. Você está passando mal? Vou levar a senhora pro posto de saúde mais perto.
- Não é isso, senhor. Pensei que não ia encontrar ninguém por perto tão rápido. Nada contra sua ajuda. É que eu estou ... horrível! - Lamenta a moça olhando para baixo.
- E, qual é o problema? Tem alguma parte do seu corpo quebrada dona? Foi picada por algum animal venenoso? Ou coisa poir?
- Não senhor, não quebrei nada além de um dos meus saltos.
- Pronto! Se sujar de lama por estas bandas até que é normal. Se você está inteira, então tá tudo bem. – Ele sorri.
- Não para mim, que vim da cidade e gosto de estar arrumada. Você não entenderia. – Suspira dizendo em tom triste.
E, se vira olhando diretamente para Pedro.
- O senhor é... O senhor é branco!? Como pode!?
- Sou mesmo. E não tenho culpa de ter nascido assim.
- Me desculpe o mau jeito. É que pensei que por aqui só tivessem indígenas.
- Para pensar assim. Bem se nota que a senhora não é daqui, rs.
- Olha moço, me desculpe mesmo. Que vergonha! Já estou indo. Não precisa me ajudar que vou chegar à fazenda mais próxima loguinho. Seu Vicente disse que era em menos de cinco quilômetros. Até mais! Fui. – Ela fala saindo constrangida.
- Dona, se eu fosse você não iria por aí. É perto de um igarapé e quando chove aparecem cobr ...
Justamente o que Ana mais temia aconteceu.
Apareceu uma sucuri bem grande atravessando a estrada em direção ao igarapé.
- Socorrooo! Vou fugir para as montanhas. Uma anaconda. Meu pior pesadelo aconteceu. - Ana foge desesperada, cai e perde o último salto.
Pedro para olhando atentamente aquela cena hilária e desesperadora ao mesmo tempo.
- Isso é que dá, não ouvir as pessoas que conhecem o lugar. – Ele solta uma enorme gargalhada, em seguida desce do seu cavalo, faz um carinho no Cinzento. Vai caminhado devagar até a Ana, segura-a pelos ombros e olhando fixamente em seus olhos percebeu que a moça estava realmente desesperada e chorando.
"Fiquei com vergonha de ter rido dela, sei que foi engraçado, mas ela tá desesperada. Tadinha!" - Ele fica um pouco constrangido com a sua risada de antes.
E Pedro mira seus olhos esverdeados diretamente para a Ana.
- Dona, como se chama?
- Moço juro que é um bicho enorme. Uma cobra gigante, ali! – Ela diz apontando para o igarapé.
- Moça, escute. Como se chama? – Repetiu ele.
- Ana. Me chamo Ana Luz, senhor.
- Olhe bem dona, não precisa ter medo. Aquela cobra que atravessou a estrada é uma sucuri. Tem algumas por aqui, ela só está seguindo em direção ao igarapé, não tem veneno e não ataca como nos filmes. Fique calminha!
Ela tenta obedecer ao comando e respira fundo.
- Outra coisa. Esta daí só tem uns quatro metros. Ela é o filhote da outra que vimos ano passado que deve ter uns ... nove metros, talvez.
- Como é possível ter cobras desse tamanho no mundo!? Que língua o senhor está falando? O que é sucuri? O que é igarapé? Nove metros! Senhorrr! – Ela fala com os olhos castanhos arregalados de medo.
- Então, dona. A sucuri é a cobra que atravessou a estrada, agorinha. E, igarapé é o mesmo que riacho em outros lugares do Brasil.
- Há, entendi, agora devo aprender outro idioma. – Ela ainda está tremendo de medo.
- Não é bem assim.
- Não acredito que tenha bicho pré-histórico por aqui. Aqui deve ser mesmo o fim do mundo mesmo!
- Ela não é pré-histórica. E, acabou de passar bem na nossa frente.
- Morro de medo de cobras de qualquer tamanho. Preciso muito ir embora daqui!
- Dona, por favor! Olhe para mim.
Ela se vira e encara em seus olhos esverdeados quase piscar.
- Agora que finalmente consegui sua atenção. Vim aqui por que seu Vicente me disse para ajudar a passageira dele. Pois, o jipe atolou e ele não conseguiu o trator. Talvez só consiga retirar o veículo somente amanhã.
- Como o senhor se chama mesmo?
- Eu me chamo Pedro José, sempre ajudo nesses períodos de chuva. Vamos subir no meu cavalo que eu a levo para o sítio dos meus pais ou outro lugar que preferir. E amanhã, a dona volta para ver o resgate do seu jipe.
- Obrigada moço. Aceito sua carona para qualquer lugar, contanto que me leve para longe desses bichos. O senhor tem um nome interessante. Só que eu nunca andei a cavalo. Como faço para subir? – Ana ainda fala com voz assustada.
- Coloque o pé no estribo e faça um pouco de pressão. Segure aqui no meu punho e mãos que te puxo.
- Olha não tenho segundas intenções, moço. Tenho mesmo, muito pavor de animais grandes, principalmente de cobras. Mas como não tenho outra opção, vou aceitar sua carona neste cavalo enorme.
- Meu cavalo é grande. Mas não é dos maiores, rs.
- Outra coisa, moço. Não costumo conhecer nem a família dos meus namorados. – Ela solta um riso nervoso.
- Nesse caso, dona. Minha família já está acostumada com os meus resgates. Nesse período de chuvas sempre que alguém precisa de ajuda eu e meu cavalo costumamos ir aos lugares mais difíceis para buscar seja lá quem for.
Ela já está sentada no cavalo na frente do Pedro, ele cobriu a Ana com uma manta e eles estão andando em um trote suave.
- Sabe de uma coisa, moço. Quando eu fico nervosa ou com medo digo muitas coisas esquisitas. Exatamente como agora. E, faço umas brincadeiras bem chatas. Tudo bem?
- Sem problema mesmo. Dona Ana, pode ficar à vontade contanto que você não fique mais assustada tal como ainda agora. Pode fazer estas brincadeiras que não vou levar a mal.
Um tempo depois, Ana ainda montada no cavalo bem encostada em Pedro, depois do frio que passou parece estar um pouco mais aquecida e confortável aconchegada na manta e em seus braços.
- E, para onde a moça está indo? Se é que posso saber.
- Vim aqui a trabalho. Vou à Fazenda Bonança resolver, ou melhor tentar resolver a disputa de terras entre os donos de duas fazendas.
- Por acaso a outra se chama Fazenda Sossego?
- Sim. Como você sabe disso?
- Por que meu pai é Jaime da Silva, dono da fazenda Sossego. E, seu Alécio Costa está cobrando um metro de nossas terras dizendo que é a herança de seus filhos Sandro e Quiara. Já fazem uns anos que ele diz que tem o direito de tirar esse pedaço de nossas terras. Mas não é possível, pois meu pai veio morar aqui em Roraima na época que o garimpo estava em alta na década de 1980, e isso já faz mais de 40 anos e a Fazenda Bonança só foi existir na década dos anos 1990.
- A conversa está sendo bem construtiva para conhecer o outro lado da história. Mas, até que se prove o contrário, estou aqui para advogar em prol do seu Alécio e descobrir quem realmente está falando a verdade.
E, olhando para cima. – Nossa! Mas já anoiteceu!
- Sim. Anoiteceu rápido, né. Moça você prefere ir para casa dos meus pais ou vai para os nossos vizinhos?
- Vou ficar na casa dos seus pais. Afinal você disse que eles não se incomodam com as pessoas que você resgata. Lá, pelo menos não vou passar vergonha de estar todas desgrenhada, rs.
- Você se preocupa muito com coisas pequenas. Com toda essa chuva o pior que você fez foi andar de salto, e, de vestido. Posso lhe assegurar que é uma tremenda visão. Prova na hora que você é de fora. Que não conhece muito ou quase nada por aqui. Mas que ficou graciosa, a dona ficou.
- Moço nem sei se quer me elogiar ou me humilhar. Agora sobre o salto, quando seu Vicente me avisou já era tarde. E, que culpa tenho eu que quando cheguei estava o maior sol. Nas primeiras rotas tinha até asfalto. Vim totalmente desavisada. E, desde que entrei nessa estrada não para de chover uma única hora sequer. Como uma terra pode ser tão hostil!?
- Olha moça, se você souber aproveitar vai ver que nas Terras de Makunaima tem muito o que se aproveitar. Aqui é tudo de bom! Só tem que aprender observar de perto.
- Não acredito muito. Talvez o senhor possa me ajudar. Se eu parar para conhecer, quem sabe noto algo de interessante por aqui. Lógico, além das cobras gigantes. – Falou em tom triste.
- Olha aí, uma luz no fim da tempestade. Então, além das cobras temos o *jacaré açu (que significa exatamente grande), a onça pintada, o tamanduá bandeira, entre outros bichos. Em todo caso é só não mexer, tocar ou invadir o território deles que tudo fica bem.
- Melhor parar de querer me animar seu Pedro, o senhor não está me ajudando muito. Parece que só existem bichos apavorantes.
- Jurava que estava ajudando dona. - Pedro sorri e sente uma pequena injeção de ânimo e algo a mais por causa do corpo que estar de encontro ao seu.
"Depois que levei um fora de minha noiva a três anos ainda não devo ter sentimentos por ninguém." – Em sua mente ele faz de tudo para proteger o coração de novas decepções.
- Moço, nesse exato momento eu iria estar na praia curtindo um cruzeiro com minha amiga Melissa e estou passando um frio e um grande perrengue para tentar resolver o problema das terras.
- Parece que a dona está mesmo bem longe de onde deveria estar.
- Ou talvez esteja onde eu preciso estar, cowboy.
Ana segue cavalgando encostada quase aconchegada ao corpo do rapaz.
"O que será isso? Será que ele está armado?" – Pensou ela.
- Sabe Pedro, tenho uma curiosidade. É que você, posso lhe chamar assim?
- Pode, sem problemas, dona.
- Como você veio morar por aqui? Foi desde pequeno? Pois, parece conhecer o bastante desta região.
- Então, é uma curiosidade muito comum de quem vem de fora. Ter um cara loiro, morando no meio do mato e perdido na selva, rs. Pena que não. Eu nasci aqui, meu pai é que veio de fora, do Nordeste, como falei. E, gostou tanto dessas terras que ficou. Conheceu minha mãe que veio do Sul do Brasil e se firmou onde é a fazenda Sossego. Olha, sempre que alguém tem esta curiosidade já noto logo, é forasteiro ou forasteira como no seu caso, sendo até repetitivo.
- Devo estar fora do meu juízo perfeito para cometer tanta gafe perto do senhor. Me desculpe mesmo. Não queria ofender. É o pouco que chega de informações na cidade para pessoas forasteiras como eu.
- Não se preocupe, dona. Não me ofendeu, já estou acostumado.
- Falta muito para chegar? Apesar do frio preciso tomar um banho quente. Vocês têm água quente por aqui, né?
- Claro que sim. Já passamos da fase da invenção do ... como chama mesmo? Há, do fogo. Tem até comida e para sua surpresa é cosida, rs.
- Tá vendo, que vergonha. É uma gafe atrás da outra. Pedro não me leve a mal, estou em um dia ruim. Ou melhor, péssimo. E sigo, com palavras contraditórias explicando.
Nesse momento, ele estava concentrado no cheiro da lama e da mulher que estava na sua frente, imaginando-a em um banho quente.
"Melhor eu focar em outra coisa quem sabe algo na beira da estrada, senão quem vai cometer uma gafe será eu." – Pensou ele.
- E- Estamos quase chegando na casa dos seus "sogros", rs. - Falou com um sorriso maroto.
- Olha, nem tivemos um primeiro encontro e já quer me apresentar aos seus pais. Não seja apressadinho. Que eu não estou em um dia bom!
- Olha dona, nem imagino o porquê deste dia ter sido ruim. O clima está até agradável com esta chuvinha.
Sentindo um ânimo repentino acontece risos altos dos dois.
***
• O jacaré-açu é o maior jacaré da América do Sul, podendo chegar a 6 metros de comprimento e pesar até 300 quilos.