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NAS TERRAS DE MAKUNAIMA – PARTE 2

NAS TERRAS DE MAKUNAIMA – PARTE 2

Autor:: PatiAragão
Gênero: Romance
Os acontecimentos deste romance, ocorrem apenas um ano antes dos narrados em, Nas Terras de Makunaima – Parte 1. Agora o foco da história é o professor José Carlos da Silva, um jovem roraimense, de 32 anos, residente no interior do estado de Roraima e irmão do meio de Pedro José, protagonista do primeiro livro. O rapaz leva uma vida bem tranquila, até ser surpreendido por momentos incríveis, emocionantes e às vezes dramáticos. Ele tem os cabelos castanho-escuros, aproximadamente 1.80 m de altura, sua maior semelhança com o Pedro, são os característicos olhos verdes. José divide sua rotina entre o trabalho na universidade do município de Barra Mansa da Mata e a Fazenda Sossego que continua frequentando, principalmente nos seus dias de folga. É professor e pesquisador muito inteligente e esforçado, sua especialidade é em genética animal, dando aulas para o curso de Zootecnia, e lidando tanto com animais de pequeno quanto de grande porte bem como os sentimentos que irão surgir pela colega de trabalho. A calmaria na sua rotina começa a se desfazer, quando conhece a professora de veterinária, Vera Mara de Sucupira, recém chegada de Manaus. Dona de longos cabelos negros, olhos castanhos, com aproximadamente 1.65 m de altura. Vera é uma mulher de 30 anos, que decidiu trocar a agitação da capital do Amazonas, pela vida pacata do interior. Assim, como José, encontrou a tranquilidade em um novo lar, fixando residência na universidade, como um refúgio ideal para viver. No entanto o professor acaba precisando salvar a moça, depois de um acidente que poderia ter sido fatal. José rapidamente se encantou por Vera, e a conexão entre eles é imediata. Fascinado pela colega, ele logo descobre que ela está em um relacionamento com Ricardo Ribeiro, professor de veterinária também na mesma universidade. - Namorado de Vera há mais de um ano. No decorrer de diversos acontecimentos, um tanto quanto inesperados e envolventes para os padrões de seus protagonistas, José e Vera, poderão viver algumas aventuras cercadas de muita paixão e dilemas profundos? Descubra em: Nas Terras de Makunaima – Parte 2. Um romance repleto de desejo, mistério e uma pitada de erotismo. Claro, voltado para maiores de 18 anos. OBSERVAÇÃO: Essa é uma obra de ficção. Todos os personagens e locais, foram criados exclusivamente para esse livro. Não retratam nem acontecimentos nem fatos reais.

Capítulo 1 ME AJUDE: SOCORRO!

UM ANO ANTES.

Vera está em uma estufa da Universidade de Barra Mansa da Mata, onde um grave acabou de acontecer um acidente. Ela está sozinha, ferida e em desespero. Tenta pedir auxílio a alguém, através do rádio comunicador que conseguiu encontrar.

- Alguém, ... me ouve. Câmbio! – Sua voz tremeu, sentindo dor.

"Sem resposta. Preciso continuar tentando. Senão esse pode ser o meu fim!"

- Alô! S.O.S. – O rádio fez ruídos e estáticas.

"Será que Ricardo não está por perto!? Mantenha a calma, Vera. Pensamento positivo. Irei conseguir sair dessa..." – Vera ponderou.

- Ai! Que dor! Estarei perdida, se não conseguir ajuda!

- Câmbio! Ou ... seja lá o que tenho que ... dizer. Ai!!! ... – Sua voz falhou, devido a dor.

De repente uma voz grave, surgiu no rádio.

- Olá! Quem está na linha?

- Venha! Ricardo. Preciso muito de ajuda! Fui atacada... câmbio! - Suspiros.

- Senhora, tente se acalmar. E, me diga exatamente onde está.

- Ricardo, estou na estufa da universidade. Fui atacada... – Repetiu, sua voz fraca.

- Tudo certo. Estou indo. Não se preocupe muito. Apenas, continue falando comigo, senhora.

- Ricardo, meu amor, ... a sua voz, ... está diferente. Estou com muita dor, e ... ficando com frio! - A Voz de Vera era apenas um sussurro.

- É, que eu não sou o Ricardo. Senhora.

- Hã! Eu, deveria ... saber. Des – desculpe. Não estou nada bem! – A voz dela sussurrava.

- O que aconteceu, senhora? – Zeca tentou ouvir melhor, porém escutou apenas ruídos do rádio.

- Estou sendo atacada, ... por abelhas...

- Abelhas! Moça, sabe dizer se é alérgica?

- Nã - não. Mas, ... agora não tô enxergando nada. Minha visão, está embaçada. Sinto muita dor. – Sua voz continuou baixa.

- Por favor, continue falando. Já estou quase na estufa. – O rádio ainda fez uns ruídos.

- Moço, estou ficando, ... estou ... ficando ... cansada. Sinto ... frio!

- Moça, fique calma. Se possível, se proteja.

- Estou escondida. Mas, já fui picada ... várias, ... muitas vezes. Não sei ao certo por quantas abelhas. – Ela suspirou alto, e Zeca conseguiu escutar pelo rádio.

José está correndo, tentando encontrar o local.

"Deve ser por aqui. A estufa ... deixe-me ver. Acho que é por aqui."

- Vera, alô! Me diga é este o seu nome?

- Sim, senhor! Me ajude, ... por favor! – A voz estava quase imperceptível.

- Estou a caminho. Agora, por favor! Apenas tente ficar, acordada.

- Vou tentar o máximo que eu ... que eu ... – A voz dela ficou bem mais fraca, até parar.

- Vera, ainda está aí?! Fale comigo. Não me deixe preocupado! Câmbio!!!

Neste momento o silêncio dominava o rádio comunicador.

"A voz parou... Será que ela desmaiou? Tenho que me apressar. Tenho que conseguir salvar aquela moça?" – Zeca bastante apreensivo, acelerou o passo.

- Senhora! Senhora. Continue falando. Vera, o que ia me dizer?! - Falou para o rádio, porém, apenas escutou os ruídos.

"Não posso perder essa mulher. Pelo bem da minha consciência. Ela tem que sobreviver!" – Zeca ponderou.

Zeca falou, apertando o rádio comunicador com força e acelerando o passo em uma corrida preocupada, até chegar à estufa.

Ao chegar na estufa, Zeca entrou coberto com sua jaqueta e um chapéu de proteção. Abelhas ainda voam em grandes quantidades por todos os lados.

- Cheguei senhora. Vera?! Moça, me responda! – Perguntou.

"Ela disse que estava escondida. Será que desmaiou? Ou coisa pior!" – Zeca pensou e ficou mais preocupado.

- Tenho que salvá-la! Nunca vou conseguir me acalmar. Se ela não ficar bem.

"Que droga! Onde será que o irresponsável do Ricardo se meteu?" – Pensou.

- Senhor, estou aqui! – A voz dela ressurgiu, muito baixa.

- Deixe-me ver. Acho que é por aqui. Vou seguir até onde acredito que a voz falou. – Disse, enquanto caminhava.

- Pronto! Cheguei. Agora vai ficar tudo bem. – Zeca respirou fundo, aliviado, seguindo rápido em direção a voz.

Vera estava encolhida, enrolada em uma lona amarela, bem no canto da estufa. Quase irreconhecível devido ao inchaço. As abelhas voavam aos montes por todos os lados do ambiente.

"Ainda bem que a moça ainda está viva!" – Ele refletiu.

- Se não estivesse me coberto também teria sido atacado.

Zeca foi até onde a moça estava encolhida e se agachou ao lado dela.

- Vera, estou aqui como prometi. Fique calma. Vim lhe ajudar.

- Moço, acho ... que minha pressão ... caiu. – Vera murmurou.

"O seu rosto está muito inchado e parece não conseguir abrir os olhos." – Zeca analisou.

- A senhora consegue se levantar?

- Não. Estou me sentindo muito fraca. Com um pouco de frio. – Ela falou ainda baixo.

- Então, vou te carregar. Não se assuste. – Ele colocou sua jaqueta sobre Vera.

Algumas abelhas o picaram nas costas, mesmo assim ele cobriu o rosto dela com a sua jaqueta.

- Me escute. Segure firme, vou levar a senhora para o posto de saúde. É muito importante se manter acordada.

Pegou-a nos braços e seguiu rápido corredor afora. No caminho, Zeca encontrou-se com um acadêmico de veterinária.

- Ei rapaz! Como se chama?

- Sou o Davi, senhor. - Disse atento.

- Avise na reitoria que estou levando esta senhora ao posto de saúde, vou pegar o jipe verde do campus. Entro em contato pelo rádio em breve. Porém, como pode ver estou ocupado.

- Mas, é a professora Vera. Nossa professora de anatomia animal de veterinária! Pode deixar, professor.

- Outra coisa, algumas abelhas fugiram. Vá lá e peça ajuda para controlar os animais. Para não atacar mais ninguém.

- Claro que aviso, professor!

- Obrigado! Davi não vá esquecer.

Disse enquanto seguia rapidamente seu caminho.

- Ah. Então ela trabalha aqui também.

- Vou fazer tudo que me pediu, senhor. – Davi disse ao longe.

Zeca nem terminou de ouvir o acadêmico falar, apressado em salvar a professora, seguiu até a saída do campus com Vera no colo. Ele andou por pelo menos uns 500 metros, até chegar em frente à porta do campus. Deixou a moça deitada em uma cadeira perto da porta e foi buscar o veículo.

Alguns minutos depois, Zeca volta dirigindo o jipe, desceu do carro e retornou para buscá-la. Ainda com ar de preocupação, colocou-a no colo mais uma vez, até acomodar a moça no banco do passageiro.

- Aguente firme professora. Voltei e vou fazer o possível para ajudar a senhora! - Zeca falou olhando-a.

- Ricardo ... meu amor! – Murmurou confusa, tocando no braço dele.

Zeca suspirou, dividido entre sua responsabilidade e o desconcerto.

- Pelo amor de Deus, Ricardo! O que você fez de errado com essa moça? – Zeca questionou em voz baixa.

Eles seguiram pelo caminho que já estava escuro e com alguns buracos na estrada. Durante boa parte do trajeto ela continuava chamando por Ricardo e puxando um dos braços de Zeca.

- Por que estamos demorando tanto chegar no posto de saúde? Hoje parece tão mais longe!

Zeca dirigia rápido, atento aos buracos na estrada. Enquanto seguia seu caminho, a olhava pelo canto dos olhos. O semblante dele parecia preocupado.

"Ela ainda respira direito. O que é um ótimo sinal. O preocupante é que ela está um pouco fria." – Ele ponderou, observando e arrumando a jaqueta sobre ela.

- Trinta quilômetros do Barra Mansa da Mata. É uma eternidade, quando temos que socorrer alguém. - "Por que esse posto de saúde parece estar tão longe daqui?" – Refletiu preocupado novamente.

- Que bom! Ela parece estar se acalmando agora.

De repente ela se aconchegou, abraçando sua cintura e sorriu de leve.

"Como assim?! Ela está me abraçando?"

Ele achou estranho, no entanto, não afastou os braços dela.

- Ricardo meu amor! Quem bom que veio me salvar. – Vera murmurou.

"Ela seria linda, se não estivesse tão inchada. No que estou pensando? Tô doido! Foco, Zeca! Que loucura é essa agora, imprestável?" – Ele bateu de leve no próprio rosto.

- Calma, dona. Já estamos chegando ao Posto de Saúde. Aguente só mais um pouco.

Ao chegar ao posto, Zeca precisou colocá-la novamente no colo até entrar no posto. Assim que entrou caminhou rapidamente e gritou, alertando aos enfermeiros.

- Por favor, alguém me ajude! Tem uma paciente que foi atacada por um enxame de abelhas. Preciso de ajuda urgente!!! – Zeca disse com voz alterada.

- Senhor, deixe a moça numa maca da sala de espera. Depois, volte para preencher a ficha. – Uma atendente o alertou.

- Claro. Espere um minuto.

Zeca, acomodou-a com cuidado no local indicado e voltou ao balcão de atendimento.

- Qual é o nome da paciente?

- Se chama, Vera.

- Nome completo?

- Não sei. – Ele coçou a cabeça.

- Qual a idade dela?

- Também, não sei.

- Por favor! O senhor sabe alguma coisa sobre ela? – A atendente reclamou.

- Sim, que foi atacada por um enxame de abelhas. Que trabalha na faculdade de Barra Mansa da Mata. E, que precisa de atendimento médico.

- Senhor, vai ter que descobrir mais.

- Espere apenas um minuto, já volto.

Ele se afastou, voltando a sala de atendimento, entrou bem devagar e ficou observando.

"Será que ela tem algum crachá no bolso do jaleco?" – Ele pensou.

"Mas, não posso meter as mãos no bolso de uma desconhecida. Talvez faça, se for para ajudar. Não! Nem por necessidade consigo fazer uma coisa destas." – Ponderou.

- Entre senhor. É a sua namorada? Ela está recebendo o tratamento e vai logo ficar bem. – A enfermeira sorriu.

- O que!? Ela não... não, é minha namorada! – Zeca suspirou incrédulo. – Que loucura! – Ficou vermelho.

"O Ricardo deve ser um tremendo imbecil. Mas, é melhor me colocar logo no meu lugar." – Zeca pensou.

- Ah, não. É que o senhor chegou aqui tão aflito. Assim, preocupado, parecia ser algo da paciente. Poxa, mil desculpas! – A enfermeira disse com um sorriso.

- Sem problemas. – Ele coçou a nuca. - Você pode me informar se ela tem algum crachá. Preciso de algumas informações.

- Sim, aqui está senhor. – A enfermeira entregou.

Zeca olhou para a foto do crachá, em seguida para a mulher que estava sendo tratada.

"Nem parecem ser a mesma pessoa. Nesta foto tem longos cabelos negros, olhos castanhos e lábios grossos. Que por sinal, são bem desenhados. O que eu estou fazendo? De novo! Devo estar carente!" – Ele refletiu preocupado.

Zeca lê: Vera Mara Sucupira, 30 anos - professora.

- Agora que tenho o nome e a idade vou levar até a recepcionista. O nome é Vera Mara de Sucupira e tem 30 anos. Nova para dar aulas em uma universidade. O que posso dizer sobre isso? Nós não temos muita diferença de idade e também faço o mesmo. – Ele esboçou um sorriso.

Em seguida, retornou e levou os dados a recepção. Os entregou para a recepcionista, retornou até a sala de atendimento. Porém, descobriu que a professora já foi encaminhada para outra sala.

- Pode me dizer onde a moça que eu trouxe a pouco está ficando? – Ele perguntou a enfermeira.

- A Vera, foi encaminhada para a outra sala, senhor. Fica logo no final do corredor à direita. É a sala de observação.

- Onde?

- No final do corredor, à direita.

Zeca, escutou a instrução seguiu até lá.

- Onde está a paciente que eu trouxe?

- O senhor é o noivo dessa paciente?

- Não, doutor. Passei por acaso no local que ela estava. Vi que precisava de ajuda e resolvi fazer o necessário.

- Ah! É que chegou aqui tão preocupado. Tirei conclusões precipitadas. Me desculpe senhor.

- Sem problemas, doutor. Como ela está?

- Reagindo bem ao tratamento.

- Já descobriu o que ela tem de verdade?

- Então, Vera teve uma reação alérgica leve. Parece ter sentido muita dor devido ao ataque das abelhas que atingiram, principalmente em seu rosto, perto dos olhos, o que causou inchaço e visão turva. Com sorte, não era alergia grave.

- Que alívio! Cheguei a pensar que não resistiria. – Zeca sorriu.

- Senhor, ela está fora de perigo.

- Fico pensando na dor que ela deve ter sentido na hora. Por isso, nem conseguiu sair da estufa. – Zeca falou. "Até esqueci que também fui picado nas costas." – Ele pensou.

- A sorte dela é não ser alérgica. Senão, talvez nem tivesse tempo de chegar a ser atendida no posto. O senhor entende?

- Claro, doutor.

- Já fizemos a primeira parte do tratamento com os remédios necessários. Vou entregar aqui a receita. Vá até a farmácia, para receber os medicamentos necessários para continuar a fazer o tratamento em casa.

- Ela vai precisar de outros cuidados?

- Sim. Vai precisar fazer compressas geladas no local e tomar os medicamentos. Ela teve muita sorte do senhor ter encontrado. Mesmo não tendo histórico de alergia. O que essa senhorita poderia ter passado, poderia ser bem pior.

- Ainda bem que pude ajudar! Ela vai ficar quanto tempo em observação?

- No máximo uma hora, até termos certeza que a medicação fez efeito. Recomendo que fique a noite toda por perto, para ajudá-la. Não esqueça disso.

- Como não temos intimidades, passarei a recomendação para algum conhecido dela.

- Tudo certo então, preciso sair. Terei que atender outros pacientes.

- Obrigado, doutor.

- Obrigado, pela sua atitude, senhor José.

O médico saiu apenas balançando a cabeça em confirmação. Zeca virou-se observou Vera por um momento, acariciou a cabeça dela, que esboçou um leve sorriso, seu rosto ainda estava inchado. Depois, passou as mãos em seus próprios cabelos, aliviado.

"Ela está viva. É exatamente isso, o que importa." – Zeca pensou com um leve sorriso.

Capítulo 2 ACONTECEU DEPOIS DO SUSTO

Zeca esperava ao lado de fora do posto de saúde. Ele estava apreensivo andando de um lado para o outro, se sentindo preocupado, se movimentando praticamente em círculos. Tinha acabado de falar com o reitor e estava inquieto.

- Ainda bem que avisei ao acadêmico de veterinária e trouxe o rádio para me comunicar com nossos superiores. – Murmurou.

Depois, pensou alto.

- O que será que o tal Ricardo fez para não aparecer por lá? Posso está me envolvendo muito mais do que deveria. – Balançou a cabeça. – Ah, para com isso Zeca! Ela deve ser comprometida com o homem ou traste. Não pense besteira.

Em seguida tentou se convencer.

- A Vera precisou de ajuda. Por uma feliz coincidência eu estava lá. O Ricardo vai falar com ela depois e isso não é da minha conta. Principalmente, se ela for comprometida. O melhor que faço é deixar para lá.

O tempo estipulado pelo médico passou e Zeca decidiu entrar novamente no posto de saúde para buscá-la.

- O senhor é o acompanhante? – Perguntou outra enfermeira.

- Sou. Vim aqui para buscar a Vera Sucupira. Para levá-la de volta.

- Por favor, siga as recomendações dadas pelo médico. Não deixe sua namorada fazer muito esforço. Pelo menos por hoje.

- Claro, senhora. – Respondeu com estranheza. – "Talvez, respondi assim, para não ter que explicar tudo de novo."

Zeca virou-se e aproximando-se de Vera.

- Vera, vamos ter que voltar. O médico disse que a senhorita precisa continuar o tratamento em casa. Já está ficando tarde. Como te trouxe, a levo de volta.

- Foi o senhor quem me trouxe? – Perguntou Vera, ainda confusa.

- Sim, eu apenas precisei fazer o necessário.

- Poxa! Tinha certeza que tinha sido o Ricardo!

- Não senhorita. O Ricardo não estava por lá. Apenas recebi um chamado pelo rádio. O seu pedido de ajuda e segui até a estufa.

- Qual é o seu nome? Como posso lhe agradecer?

- José Carlos da Silva, mas, está tudo bem. Não precisa me agradecer. Faria isto por qualquer pessoa que estivesse precisando ou em perigo.

- Senhor, posso te pedir um favor.

- Claro, se eu puder ajudar.

- Ainda não estou enxergando nada. Está tudo embaçado. Posso segurar no braço do senhor durante o trajeto até o carro?

- Só isso. Claro que pode, senhorita. Mas, se não está enxergando, talvez devesse ficar e descansar um pouco mais.

- Meus óculos, esqueci. Devem ter caído na estufa.

- Vamos!

Ele estendeu o braço direito porém, ela não enxergava nada para pegar, e ficou parada em sua frente.

- Senhorita, estique o seu braço e pegue no meu.

- Onde está? Só tem um vulto alto na minha frente.

- Esse vulto sou eu que estou bem na sua frente. Pode confiar.

Então, ela esticou o braço entrelaçando ao dele. Os dois seguiram o caminho pelo corredor em direção ao carro. Durante boa parte do trajeto, caminharam em silêncio. De repente ela se virou para tentar entender ou reconhecer o rosto do homem que a salvou.

Vera acabou tropeçando nos próprios pés, perdendo o equilíbrio. Zeca, por instinto, segurou-a para que não caísse no chão e piorasse a situação que já estava ruim.

- Cuidado moça! Se precisar, podemos ir mais devagar. – Disse isso, a segurando com firmeza pela cintura.

- Eu consigo. Só me virei, por isso perdi o equilíbrio. – Ela respondeu, apoiando os braços na circunferência da cintura dele e em um de seus ombros.

"O que foi isso? Ele tem pegada forte. Deve ter sido criado no interior." – Vera pensou.

- Tudo bem. Vou colocar você em pé mais uma vez. Vamos com mais cuidado.

- Obrigada! No momento, me sinto ... uma inútil. – Ela disse fitando-o nos olhos, apesar de não ver nitidamente.

- Não se sinta assim. Acidentes acontecem. – Respondeu Zeca, com certo constrangimento.

Vera tentou analisar o homem ao seu lado.

"Deu para perceber, que deve ser um pouco mais de vinte centímetros maior que eu. Tem os cabelos negros ou castanhos bem escuros."

No instante que chegaram a entrada ou neste caso, saída do posto de saúde, Vera tropeçou novamente, dessa vez em um paralelepípedo perdendo novamente o equilíbrio, quase caindo na sarjeta. Precisou segurar nos ombros largos de Zeca por instinto.

- Minha nossa. Sou uma péssima companhia!

- Não diga uma coisa dessas. Não se menospreze. – Ele respondeu, soltando uma breve gargalhada.

"Se ela não estivesse com a visão comprometida, poderia jurar que estava querendo chamar a minha atenção." – Zeca analisou, enquanto a segurava pela cintura.

- Me desculpe, senhor! Não consegui enxergar a saída. Muito menos o degrau. – Ela disse constrangida.

- Tudo bem moça. Não se esforce muito. Vamos um pouco mais devagar. Já estamos quase chegando. – Zeca disse e continuava abraçando-a pela cintura.

- Claro, moço.

Não demorou muito, estavam parados, próximos ao estacionamento.

- Vou buscar o jipe, aguarde aqui. E, não se mexa. – Ele recomendou.

- Certo, senhor.

Vera ficou na calçada esperando em pé, em frente ao posto, durante alguns minutos.

Zeca, enquanto caminhava em direção do veículo, meditou:

"A cada minuto a situação está mais constrangedora. Espero que ela não tenha percebido o quanto fiquei avermelhado com toda essa aproximação. Fiquei incomodado de uma maneira que não sei explicar. Foi um verdadeiro sufoco."

Minutos depois, ele voltou e a ajudou entrar no veículo.

- Senhorita, venha por aqui. – Zeca falou guiando-a pelo braço.

- O senhor é muito prestativo. Vou ficar lhe devendo muito, por toda sua ajuda. – Vera esboçou um sorriso.

Dentro do veículo, seguindo de volta pela estrada.

- Vera, não precisa se preocupar. Você não está me devendo nada. Ajudaria quem quer que estivesse na sua mesma situação.

- Não me sinto desta forma. Sabe que lhe devo minha vida! E, claro, com toda certeza, é muito importante para mim. Por isso vou encontrar uma forma de recompensá-lo.

- Se não tem jeito... Onde devo deixá-la? – Zeca indagou.

- No alojamento do campus tenho um dormitório. Estou morando por lá.

- A senhorita trabalha lá? Claro, só me diga se eu puder saber. – Zeca sabia, perguntou o óbvio, queria puxar assunto.

- É o meu salvador. – Vera sorriu. - Posso responder o que perguntar.

- Se quiser, pode apenas descansar.

Vera prosseguiu.

- Sou professora de veterinária. No momento leciono para os calouros. E, faço algumas pesquisas com pequenos animais. Além de ajudar, Agatha, professora de botânica com a polinização de algumas plantas por isso as abelhas.

- É bem jovem. Demonstra ter bastante inteligência. – Zeca disse sorrindo de canto, olhando-a de relance, desviando os olhares da estrada em alguns momentos.

- Eu me formei cedo, aos 24 anos. Então, fiz mestrado, me esforcei, estudei um pouco mais passei no concurso e aqui estou aos 30 anos.

- Como conseguiu ser atacada por tantas abelhas?

- Foi um acidente. Entrei naquela estufa, como já fiz centenas de vezes, para não dizer o mínimo. Porém, dessa vez, tropecei numa ou mais caixa colmeia quando num susto esbarrei em um ancinho. Acho que vi alguma coisa ou animal ao fundo. Quando percebi, estava caída ao chão, cercada de abelhas acabei entrando em pânico.

Nesse momento, Zeca, apesar de estar dirigindo, conseguiu reparar que Vera já estava bem desinchada. Ele matutou: "Ela é realmente muito bonita! Nem parece aquela pessoa que levei ao posto. Mesmo assim, ainda não parece em nada com a foto que vi."

- Será que tem algum animal perigoso, rondando o campus? – Ele perguntou.

- Talvez tenha, senhor Zeca. Imagino ser um jacaré açú ou um porco do mato. Não sei ao certo.

- Não precisa me chamar dessa forma. Afinal, não sou muito mais velho que você e também trabalha na universidade.

- Uma coisa que terei que me acostumar, senhor, rs.

- Eu também terei ... Vera. Você se chama, Vera. É isso? – Ele disse o óbvio novamente para continuar o assunto.

- Sim, senhor. Quer dizer. Sim.

"Já consigo enxergar algo mais além de vulto, apesar de estar sem os óculos." – Vera pensou.

- Moço, acho que hoje vou conseguir enxergar o senhor com mais clareza. – Ela sorriu.

- Não era apenas miopia?

- Além, das abelhas, minha miopia não é tão grave. O tratamento parece estar funcionando. E, muito obrigada! – Ela tocou no ombro dele, numa forma de agradecer.

- Sem querer me intrometer. Você ainda vai precisar falar com o Ricardo hoje?

- Não. Posso resolver o que preciso amanhã.

- Estão em alguma pesquisa juntos? Ou algo parecido? – "Por que estou querendo saber isso? Não seria da minha conta." – Zeca pensou.

- Ah não. Ele é o meu namorado.

- Ah! Me, me des-desculpe! Eu não sabia. – Zeca falou, meio incomodado.

"No que esse namoro me afetaria? Por que fiquei sem jeito? Claro que ela teria um namorado. Nessa idade e com ótima aparência." – Ele ponderou.

Pouco depois, o automóvel estava no local da universidade que ela indicou e Zeca parou o jipe.

- Seus cabelos são pretos? Pelo que vejo agora, parecem que seus cabelos são pretos. – Vera disse curiosa.

- Quase... São castanhos escuros. – Zeca aproximou-se um pouco mais. – Veja de perto.

- E, seus olhos? Parecem azuis. – Vera também aproximou seu rosto dele.

- Verdes ... São verdes. – Ele gaguejou, ainda olhando-a de perto.

- Desculpe, é a minha visão que ainda não está bem nítida.

Vera aproximou-se um pouco mais, colocando uma das mãos no braço direito dele, observando seus olhos fixamente, tentando enxergar.

- O que? Não precisa fazer isso! - Zeca sentiu o coração acelerar.

"Não é possível! A Vera tem namorado. Não posso me aproximar assim. Por que será que senti meu coração acelerar?" – Ele refletiu meio encabulado.

- Só gostaria de agradecer direito. Pena que ainda não enxergo o senhor como deveria. Infelizmente só vou conseguir fazer isso amanhã.

- Não. Por mim não precisa de nada disso, Vera. – Zeca falou coçando a nuca.

- Se não lhe agradecer pelo que fez por mim hoje. Acredite, nunca mais vou me sentir bem.

- Sendo assim. Posso aceitar seu agradecimento amanhã ou qualquer outro dia. Não é necessário ter pressa.

- Sinto muito! Sei que te dei muito trabalho hoje. – Ela lamentou.

- Tenho certeza que outra pessoa teria feito o mesmo. – Ele sorriu.

No momento, uma figura se aproximou do veículo e interrompeu a conversa.

- Vera! O que você está fazendo aí!? A essa hora da noite e com um homem. Saia daí, agora! – O homem disse com voz alterada.

- Virgem Maria, Senhor! – Vera se assustou.

"Agora apareceu o miserável!" – Zeca pensou.

- José ... é Ricardo. Ele entendeu tudo errado! – Vera disse, segurando os braços de Zeca.

Capítulo 3 O QUE É ISSO RICARDO !

"Apareceu o miserável! Era de se esperar, depois de tudo ter se resolvido." – Zeca pensou, frustrado.

- José, parece que o Ricardo entendeu tudo errado! – Ela disse, segurando os braços dele, com apreensão.

- Também pudera. Estamos bem próximo. Quase encostados dentro desse veículo.

- Tem razão. Vou me afastar. Sei que ele vai entender. Sempre foi racional...

- Calma, Vera, está se recuperando. Vou lá falar com ele. Se é mesmo racional, credito que vai entender.

- Temos provas e uma explicação convincente. Vou junto...

O Zeca saiu do carro primeiro e caminhou na direção do Ricardo, com a Vera logo atrás.

- Ricardo, sei que parece estranho, mas, não é nada do que está pensando. – Disse Zeca tentando manter a calma. "Estávamos tão perto que nem eu mesmo acredito no que estou falando. Porém, é a verdade." – Zeca pensou.

Antes que pudesse continuar, Ricardo avançou e acertou um soco direto no rosto de Zeca, que não conseguiu desviar sendo atingido em cheio no olho direito e virando o rosto para o lado com o impacto. Zeca imediatamente adotou uma postura defensiva, como um boxeador.

- Ricardo!!! – Vera, gritou num susto. – Por favor, escuta. Senão vai acontecer um desastre!

- Cai dentro, se tiver coragem! Seu filho de uma...

- Também não precisa ofender! Antes de mais nada, escuta a professora. - "Não é possível que esteja passando por isso. Se apenas fui ajudar a Vera!" – Zeca pensou frustrado.

- Seus sem-vergonhas! O que pensam que estão fazendo? Sabe que ela é minha namorada? Infeliz! – Ricardo esbravejou.

- Ei, homem, escuta! Não é nada do que imaginou.

- Eu não pensei. Eu vi. O casal no carro, se agarrando. Quase fazendo ... sabe lá que tipo de safadeza!!!

Ao mesmo tempo, o Ricardo se preparou para desferir outro golpe no Zeca. Porém, desta vez, ele já estava preparado e o segurou pelos braços.

- Calma! Rapaz calma! Me escute. Não fizemos nada! – O Zeca aumentou o tom tentando conter a situação.

- Tá maluco! Como ousa me pedir calma? Se a minha namorada está num carro com outro! E, bem na minha frente! – Ricardo sorriu com indignação.

- Escute! Não aconteceu nada. Você está tirando conclusões sem fundamento. Ricardo, espera um momento e me ouça! – Zeca disse com apreensão.

- Mas, que coisa! José Carlos? Não acredito! É você!?

- Se me conhece. Então, posso explicar mais fácil o que aconteceu.

- Ei, vocês dois. Sabem que também posso explicar o que aconteceu!!! – Vera interrompeu, e os dois se viraram para ela.

- Que grande coincidência! – Murmurou Zeca.

E, alguns minutos depois, tudo acabou sendo esclarecido.

- Se fosse outra pessoa me contando essa história. Juro que não acreditaria. Sabe, professor parece até que foi algo inventado. – Ricardo comentou com mais calma.

- Ricardo, posso te assegurar que aconteceu apenas o que contamos. – Zeca retrucou.

- A notícia não chegou no laboratório? – Vera perguntou.

- Não. Estava tão concentrado na pesquisa com o pirarucu que nem notei. Para não dizer que nada aconteceu. Senti um cheiro forte de fumaça.

- Fugiram muitas... Devem ter usado a fumaça para controla-las.

- Mas, como é possível?! As abelhas terem escapado daquela maneira! – Ricardo perguntou.

- Não sei dizer ao certo. Só cheguei bem depois. Apenas para ajudar a professora Vera.

- Mas como soube antes que eu?

- Escutei um pedido de socorro pelo rádio.

- Acho que avistei um animal rondando perto da estufa. Me assustei tropeçando e esbarrando em um ancinho, acabei derrubando pelo menos duas colmeias ou mais, acabei caindo e sendo atacada principalmente no rosto. Estava no fundo da estufa e não consegui sair. Meus óculos até desapareceram. - Disse Vera.

- E, o resto dos acontecimentos. Foram o que te falei Ricardo. – Falou Zeca.

- Vera, então você conseguiu sair de lá, apenas com a ajuda dele?

- Sim, foi exatamente como o professor Zeca disse. Achei um pouco constrangedor, para ser honesta. – "Para não dizer coisa pior, ser carregada no colo por um desconhecido por vários metros. Não é de todo confortável." – Vera ponderou.

- Rapaz, desculpe o mal entendido. Eu não fazia ideia do que a Vera havia passado. Me perdoe, José Carlos.

- Sem problema. Se tivesse no seu lugar, também teria entendido errado. – Zeca esboçou um sorriso tímido.

- Pois é, sabe como é. Em um relacionamento. Podem surgir os ciúmes algumas vezes.

- Ricardo, fico até lisonjeada. – Vera disse, e abaixou a cabeça.

- Como já está tudo resolvido, estou indo. Preciso voltar para a minha casa, na Fazenda Sossego, senão minha família vai ficar preocupada.

- Até amanhã, senhor. – Vera disse, sorrindo.

- Como assim, amanhã?! Que intimidade é essa Vera?

- Não é o que você está pensando Ricardo. Eu só preciso agradecer ao professor. Ele me ajudou bastante hoje.

- Boa noite, pessoal. - Zeca disse e saiu em seguida, sem escutar o resto da conversa.

Zeca entrou novamente no veículo e seguiu rumo a Fazenda Sossego.

Enquanto isso, o casal ficou conversando.

- Vera, mesmo o José tendo, te ajudado. Eu não admito mulher minha, dando trela para outro homem. Qualquer homem que seja!

- Ricardo me escute. O professor só parou para me ajudar porque eu pedi. Não tem motivos para ciúmes de mim com ele.

- Até parece, ele pode ser o cara que te ajudou. Mas, ainda é homem...

- Estou tentando ser cortês com o homem que salvou a minha vida. Apenas isso e nada mais.

- Vera, apenas dessa vez, vá agradecer e deixe bem claro, sobre o nosso relacionamento. Tenho que proteger o que é meu. – Ricardo disse irritado.

- Não tem porque ficar assim tão chateado. Até porque o professor José, já sabe que estamos juntos.

Vera tentou abraçar o namorado, mas Ricardo se afastou e colocou a mão na frente dela.

- Hoje não. Eu estou bastante cansado e um pouco chateado. Tenho muito trabalho acumulado.

- Poxa! Nenhum abraço Ricardo? – "Ele deve ter ficado com muito ciúme e não quer admitir. E, pensava que era racional." – Vera pensou.

- Apenas um abraço. Vou dormir no meu laboratório. Tenho muitos relatórios para terminar.

- E, se eu precisar de ajuda na madrugada? O que vou poder fazer?

- Se for só isso, trago um rádio. Depois que terminar, vou direto para o meu dormitório. Sabe que só consigo dormir na minha cama.

- Tudo bem, é assim que prefere. Vou entender, por hoje.

- Outro dia, quando estiver se sentindo melhor. Podemos sair só nós dois, Vera.

- Estou precisando muito. Até porque, nem sei mais há quanto tempo não saímos juntos. Ricardo ultimamente vive muito mais com peixes que comigo. – Vera disse com pesar.

- Então, vamos deixar combinado. Fim de semana saímos, apenas se eu me desocupar.

- Vamos, meu amor!

Ele a abraçou e beijou de leve seu rosto.

- Está tudo bem mesmo? A medicação pode te deixar sonolenta.

- Sim, uma pena que não pode ficar comigo. – Vera suspirou.

- Vera, se cuida que já estou indo. Preciso terminar meu trabalho.

- Claro que vou me cuidar, meu amor.

Eles se abraçaram, uma última vez e o Ricardo saiu de lá quase de imediato. Em seguida Vera caminhou lentamente e entrou em seu alojamento pensativa.

- O Ricardo agiu tão estranho comigo. Será que a reação dele, foi uma forma de demonstrar ciúmes?

- Se foi isto, ele ainda gosta muito de mim. Mesmo, às vezes, parecendo que não.

- Isso é tão frustrante! Não saber o que meu namorado realmente sente.

"Se ele estiver ficando comigo apenas por sentir pena? Isso seria decepcionante! Queria ser uma mosquinha para entrar naquele laboratório e descobrir o que acontece com ele."

- Quem faria uma coisa dessas hoje em dia? Vivemos num mundo moderno. Não deve ser o caso dele. O Ricardo deve realmente estar atolado de muito trabalho.

Já dentro do alojamento, Vera respirou fundo, seguiu para tomar um banho, em seguida o remédio recomendado e se preparou para dormir.

- Lembro que tinha que falar alguma coisa com meu namorado. Mas, não me recordo direito o que seria.

- Bom, deixa para lá. Se fosse algo de muito importante. Eu lembraria.

"E quanto ao professor José? Preciso agradecer de alguma forma. Nada muito caro. Então, pensarei em alguma coisa fácil do meu salvador, aceitar."

- Quero resolver isso logo. Amanhã ou o quanto antes. Farei algo simples. Uma coisa que ele irá gostar. – Vera sorriu.

Assim que foi terminar de se preparar para dormir, Vera escutou uma batida na porta.

- Deve ser o Ricardo. – Disse animada.

Abriu a porta rapidamente, mas, para sua surpresa era, Ágatha.

- Vera, trouxe seus óculos. – Disse Ágatha.

-Ah! Obrigada.

- Porque me olhou decepcionada?

- Por nada! – Disfarçou Vera.

- Passei aqui para avisar que conseguimos resolver a situação das abelhas. Nossa estufa está sob controle. Mas, sabe dizer que atacou você? – Ágatha perguntou.

- Acho que foi um bicho de aproximadamente uns dois metros, lá no fundo da estuda. – Vera respondeu.

- Vou avisar ao reitor. Afinal, também trabalho lá. E se precisar de ajuda, conte comigo. – Ágatha se ofereceu.

- Tá tudo bem, Agatha.

- Certeza?

- Sim.

Ela olhou para a colega, e fez um sinal antes de sair de lá.

E Vera pensou: "Minha colega se preocupa comigo bem mais que meu namorado!"

Pouco depois, deitou-se na cama de solteiro do pequeno dormitório, sentindo o efeito do antialérgico.

- O sono está me dominando mais cedo que o normal. Ricardo tinha razão, esses remédios são potentes... – Disse Vera.

Vera dormiu rapidamente e passou uma noite tranquila.

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