Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Aventura > NOS BRAÇOS DA MÁFIA
NOS BRAÇOS DA MÁFIA

NOS BRAÇOS DA MÁFIA

Autor:: A.Fagundes
Gênero: Aventura
Sofia sabe como é ser o prêmio de consolação. Muito jovem. Não loira. E definitivamente não é a princesa do gelo. A irmã dela é - era todas essas coisas. Perfeição. Até que ela não era. Até que fugiu para ficar com o inimigo e deixou seu noivo para trás. Agora Sofia é dada a Danilo no lugar de sua irmã, sabendo que nunca será mais do que a segunda melhor. No entanto, ela não pode deixar de desejar o amor do homem por quem está apaixonada, mesmo quando ele ainda pertencia a sua irmã. Danilo é um homem acostumado a conseguir o que quer. Poder. Respeito. A preciosa princesa de gelo. Até que outro homem rouba sua futura noiva. Danilo sabe que, para um homem em sua posição, perder a mulher pode levar à perda de prestigio. Orgulho ferido. Sede de vingança. Uma combinação perigosa - que Danilo não pode deixar para trás, nem mesmo quando uma garota tão preciosa toma o lugar da irmã para acalmá-lo. No entanto, ela tem uma falha: ela não é sua irmã. Incapaz de esquecer o que perdeu, Danilo pode perder o que recebeu

Capítulo 1 1

PRÓLOGO

SOFIA

Não cobiçarás.

Eu ansiava por Danilo, mesmo quando ele ainda era noivo da minha irmã. Era uma paixão inocente de uma jovem garota. Fantasiava como as coisas seriam se ele fosse meu. Meu cavaleiro de armadura brilhante, meu príncipe da Disney.

Tinha sido o meu sonho favorito - até que uma mera fantasia se tornou real quando minha irmã não quis se casar com Danilo.

O sonho virou pesadelo. A fantasia de uma garota boba explodiu. Um homem que não me queria.

Eles dizem que não existem dois flocos de neve de forma idêntica, cada um deles único.

Magnífica perfeição gelada. Como a minha irmã.

Tentei imitá-la, mas uma imitação nunca seria a original. Eu era o eco da melodia perfeita. Uma sombra de uma imagem imaculada. Sempre menos. Nunca o bastante.

Serafina era quase perfeita aos olhos das pessoas quando ainda estava por perto, e agora que ela se foi, nada além de uma lembrança desbotada, sua ausência amplificava tudo o que ela era. Ela se tornou maior que a vida.

Permaneceu em todos os cantos da casa e, pior ainda, na mente das pessoas que ela deixou para trás.

Como você pode superar uma memória? Você não pode.

Meus dedos tremiam enquanto alisava meu vestido de noiva. Não era o meu nome que eles sussurrariam nos bancos hoje.

Porque eu era o prêmio de consolação. A noiva substituta.

E pior – não era minha irmã.

Olhei para o meu reflexo, meu rosto nublado através do fino véu diáfano. Vestida assim, eu quase parecia Serafina, menos os cabelos loiros. Ainda menos. Sempre menos. Mas talvez Danilo visse as semelhanças entre minha irmã e eu, e apenas por um segundo olharia para mim com o mesmo desejo que costumava dirigir a Serafina.

Então ele perceberia que eu não era ela e o olhar de decepção tomaria conta de seu rosto novamente.

Menos do que ele queria.

Arrancando o véu do meu cabelo, o joguei para longe, estava farta de tentar ser outra pessoa. Danilo teria que me ver como eu era, e se isso significasse que ele nunca me olharia duas vezes, que assim seja.

Capítulo 2 2

DANILO

- Eu não posso casar com você.

As palavras da minha noiva ecoaram na minha cabeça. Olhando para o anel de noivado que ela me devolveu, tentei identificar minhas emoções - uma potente mistura de fúria e choque. O anel zombava de mim na palma da minha mão. Serafina mal conseguia suportar minha proximidade.

Conheço Serafina desde que me lembro. Não pessoalmente, mas porque seu nome era sussurrado com reverência entre os meninos e até homens em nossos círculos.

Uma verdadeira princesa do gelo, cuja beleza aparecia em muitas fantasias.

Muitos queriam possuí-la, como mariposas atraídas por um objeto brilhante. Quando ela me foi prometida com a idade de quinze anos, me deleitei com a admiração e o ciúme dos meus companheiros homens feitos. Eu ganhei o tão cobiçado prêmio, poderia chamá-la de minha.

Durante anos, contei os dias até o nosso casamento.

Tudo parecia estar indo a meu favor. Eu estava prestes a me tornar o mais novo Underboss da Outfit, com apenas vinte anos, casando com a sobrinha do Capo, a princesa do gelo. Eu me senti invencível.

Arrogância e orgulho são considerados pecado por muitos. Fui severamente punido por eles.

Dias antes de eu assumir o cargo de meu pai como Underboss, minha irmãzinha Emma sofreu um acidente de carro. Agora ela estava presa a uma cadeira de rodas sem futuro pela frente. O mundo da máfia não era gentil. Meninas e mulheres que tinham falhas óbvias eram deixadas de lado como indignas, condenadas a uma vida nas sombras como solteironas ou se casavam com o primeiro idiota que as aceitasse como esposa.

No dia do meu casamento com Serafina, ela foi roubada de mim, sequestrada por nosso inimigo mais cruel: a Camorra de Las Vegas.

Quando o Capo deles a mandou de volta para nós, ela não era a mesma garota que conheci. Ela estava perdida para mim, quebrada além do que eu poderia consertar.

Agora fui deixado com as ruínas do meu futuro meticulosamente planejado.

Com uma irmã deficiente e de coração partido. Um pai moribundo. Sem esposa. Fechei os olhos depois da minha ligação com meu pai. Ele insistia que precisávamos exigir um vínculo com a família Cavallaro. Ele queria a conexão com o Capo, e eu concordava, mas substituir Serafina quando sua perda ainda me cortava como uma lâmina ácida parecia impossível.

A vida tinha que continuar e eu tinha que parecer forte. Eu era jovem. Muitos esperavam que eu falhasse na tarefa de governar Indianápolis. Eles estavam esperando por esse momento, pela minha queda. Enrolei meus dedos em um punho ao redor do anel e fui em busca do meu Capo e do pai de Serafina.

Dez minutos depois, o pai de Serafina, Pietro Mione, seu irmão Samuel e nosso Capo Dante Cavallaro se reuniram comigo no escritório da mansão Mione, tentando resolver o problema do vínculo de casamento quebrado. O assunto causaria uma onda de rumores, independentemente do que decidíssemos hoje. Era tarde demais para controlar os danos.

Eu soltei um suspiro. - Meu pai insiste que eu me case com alguém da sua família, - eu disse sem emoção, mesmo quando meu

interior ardia de raiva e culpa. - É necessário um vínculo entre nossas famílias, especialmente neste momento.

Pietro suspirou, afundando na cadeira. Samuel balançou a cabeça com um olhar. - Serafina não se casará. Ela precisa de tempo para se curar.

Eu lhe daria o tempo que precisasse, como havia dito, mas ela não queria mais se casar comigo.

- Existem outras opções, - Dante disse.

Minha raiva aumentou. - Quais opções? Não vou aceitar a filha de nenhum outro Underboss. Minha cidade é importante. Não vou me contentar com menos do que foi prometido!

Dante fez uma careta. - Cuidado com o seu tom, Danilo. Sei que é uma situação difícil, mas espero respeito.

Samuel parecia querer me atacar. - Você não poderá ter Fina!

- Você também não poderá ter Anna, - disse Dante.

Eu nunca tinha considerado sua filha uma opção. Se eu me casasse com ela, isso só me causaria problemas. Eu duvidava que Dante não enfiasse o nariz nos meus negócios se sua filha tivesse envolvida. - Você precisa do meu apoio nesta guerra. Você precisa de uma família forte para apoiá-lo.

- Isso é uma ameaça?

- Isso é a verdade, Dante. Acho que você é um bom Capo, mas insisto em ter o que minha família merece. Não vou me contentar com menos.

- Não vou forçar Fina a se casar, não depois do que ela passou,

- disse Pietro.

Dante assentiu. - Concordo.

Mesmo se eu ainda quisesse Serafina, entendia o raciocínio deles. Ela não queria se casar comigo e eu não a forçaria a um vínculo, quando já havia sofrido tanto recentemente. - Estamos em um impasse então.

Havia apenas uma opção. Era uma que eu queria evitar, mas não podia. Meu pai sugeriu imediatamente a irmã mais nova da minha ex-

noiva como substituta. Era uma ideia ridícula, mas a única opção viável.

Dante e Pietro se entreolharam, provavelmente considerando exatamente essa opção. - É isso que você me pede, Dante?

- Pietro, se seguirmos as regras, Danilo poderia exigir se casar com Serafina. Eles estavam noivos.

Eu esperei que eles resolvessem o que precisassem. Havia apenas uma opção para o nosso problema.

Pietro abriu os olhos. Eles estavam duros, cheios de aviso. - Eu te darei Sofia.

Meu pai estava certo.

Sofia. Ela era uma criança. Eu nunca sequer olhei para ela. - Ela tem o que, onze anos? - Mesmo que fosse a única opção, uma nova onda de raiva surgiu em mim. Raiva pela situação e raiva absoluta em relação a Remo Falcone.

- Doze em abril, - Samuel corrigiu, fazendo uma careta para mim. Suas mãos estavam enroladas em punhos, mas eu tinha a sensação de que a raiva dele não era só para mim.

- Sou dez anos mais velho que ela. Prometeram-me uma esposa agora.

- Você estará ocupado com esta guerra e estabelecendo seu reinado sobre Indianápolis. Um casamento posterior pode ser uma vantagem para você - disse Dante.

Dez anos mais nova que eu. Eu nem conseguia pensar nela como uma mulher, minha esposa. Só de tentar imaginá-la adulta já me fazia sentir um maldito pervertido. Serafina não era muito mais velha quando a prometeram, mas sua idade era próxima a minha. Eu a queria mesmo naquela época porque ela era a princesa do gelo, porque era tão bonita que todos a desejavam.

Eu não podia imaginar desejar Sofia assim, não podia imaginar desejá-la de jeito nenhum. Ela era uma criança. Ela não era sua irmã.

Eu ia matar Remo Falcone por roubar minha noiva, por quebrá-la de uma maneira que impossibilitava que ela se casasse comigo. Eu

mataria tudo o que importava para ele também. Eu não descansaria até destruir sua vida como ele destruiu a minha.

- Danilo? - Dante perguntou com cuidado e percebi que tinha me distraído.

Não importava o que eu queria. Esse vínculo salvaria Emma. Era tudo o que eu podia esperar neste momento.

- Eu tenho uma condição.

- Qual condição? - Dante perguntou em um tom cortante. Sua paciência estava acabando. Estes últimos meses haviam testado a todos nós.

Meus olhos se inclinaram para Samuel, que me olhou com olhos estreitos. Eu poderia confiar nele com minha irmã? Mais do que em todas as outras opções restantes. Papai casaria Emma em algum momento e ninguém que valesse nada a queria. Ela seria exposta a alguém que esperava melhorar sua posição, alguém que não a merecia.

- Ele se casa com minha irmã Emma, - eu disse.

O rosto de Samuel se contorceu em choque. - Ela está em uma... Ele não terminou a frase. Bom para ele, porque eu queria matá-

lo. - Numa cadeira de rodas, sim. É por isso que ninguém de valor a quer. Minha irmã merece apenas o melhor, e você é o herdeiro de Minneapolis. Se todos vocês querem esse vínculo, Samuel terá que se casar com minha irmã, e então me casarei com Sofia.

- Porra, - Samuel murmurou. - Que tipo de acordo distorcido é

esse?

- Por quê? Seu pai tem procurado por possíveis noivas, e minha

irmã é uma Mancini. Ela é um bom partido.

Samuel respirou fundo e depois assentiu. - Eu vou me casar com sua irmã. - Eu arreganhei os dentes para ele, não gostando do seu tom.

- Então está resolvido? - Perguntou Pietro. - Você vai se casar com Sofia e aceitar o cancelamento do noivado com Fina?

Eu assenti rispidamente. - Não é o que eu quero, mas terá que servir.

- Terá que servir? - Samuel rosnou, dando um passo à frente com os olhos estreitos. - É da minha irmãzinha que você está falando. Ela não é algo que você aceita como prêmio de consolação.

Mas ela era o prêmio de consolação. Todos nós sabíamos disso. Eu ri amargamente. - Você deve se lembrar disso quando encontrar minha irmã.

- Chega, - Dante rosnou.

- O casamento terá que esperar até que Sofia tenha idade, - disse Pietro, parecendo cansado.

Ele achou que eu queria uma noiva infantil? - Claro. Minha irmã também não se casará antes dos dezoito anos.

Seis longos anos. Eu não estava triste por ter mais tempo para estabilizar meu domínio sobre Indianapolis, essa era a única coisa que eu odiava em me casar com Serafina, mas a queria e ela não podia esperar muito tempo. Mas agora, agora eu teria tempo de sobra para construir meu reinado, para me divertir um pouco mais - como o pai apontou. Seis anos era muito tempo. Tanta coisa poderia acontecer até lá. Eu não perderia outra garota. Eu garantiria que Sofia estivesse segura, mais segura do que Serafina.

Pietro assentiu.

- Então está decidido, - eu disse.

- Eu tenho que voltar para casa em breve. Podemos resolver os detalhes posteriormente. - Dante assentiu. - Só mais uma coisa. Não quero que as notícias sobre o vínculo de Samuel com minha irmã saiam ainda. Ela não precisa saber que isso foi um acordo na troca por Sofia.

Fui em direção à porta, querendo sair desta casa, desta cidade, mas acima de tudo ficar longe de Serafina. Eu podia ouvir passos atrás de mim, mas não me virei. Não havia mais nada a dizer, não hoje.

- Danilo, espere, - exigiu Samuel.

Estreitando os olhos, me virei. - O que você quer? - Tínhamos chegado a um entendimento provisório enquanto tentávamos salvar Serafina das garras de Remo Falcone, mas tive a sensação de que não

duraria. Nós dois éramos alfas que não lidavam bem com alguém que não se curvava aos nossos desejos.

- Sofia merece mais do que ser a segunda melhor.

Provavelmente isso era verdade. Verdade para as duas irmãs. Emma tinha recebido cartas duras do destino. Ela merecia apenas o melhor. Ela conseguiria isso? Provavelmente não. - Vou tratar Sofia com respeito, como sempre tratei Serafina. - Minha boca torceu, expressando o nome dela. - Lembre-se de fazer o mesmo com Emma.

Samuel balançou a cabeça. - Quit pro quo? 1

Eu não disse nada. Isso era uma bagunça. Nós dois teríamos garotas que não queríamos em um vínculo que garantisse nosso poder. Samuel e eu éramos homens orgulhosos até o fim. Remo Falcone pisara nesse orgulho. Um orgulho que queríamos reconstruir.

Eu estava começando a pensar que esse orgulho seria nossa queda.

Capítulo 3 3

SOFIA

Eu ainda me lembrava da primeira vez que vi Danilo. Um ano antes do casamento com minha irmã. Ele veio discutir detalhes com papai.

Movida pela curiosidade, fingi estar indo em direção à cozinha para dar uma olhada nele. Ele estava no nosso saguão, conversando com o papai, e no momento em que o vi, meu coração deu um pulo estranho que nunca havia feito antes. Ele me deu um sorriso e novamente meu coração bateu loucamente e minha barriga.

Ele me lembrou dos príncipes com os quais as meninas sempre sonhavam. Alto, bonito e cavalheiro.

Eu achei que ele continuaria sendo uma fantasia para sempre e toda a vez que fantasiava sobre ele, me sentia culpada - até que de repente ele era meu. Pelo menos oficialmente, porque seu coração ainda pertencia à minha irmã.

No dia em que descobri, estava sentada na mesa do meu quarto quando alguém bateu na porta e meu pai entrou. Ele me mandou para o meu quarto algumas horas atrás, como tantas vezes nos meses desde que Fina havia sido sequestrada e mesmo agora que ela estava de volta. Todo mundo achava que eu era jovem demais para entender o que estava acontecendo.

- Sofia, posso falar com você? - Perguntou papai. Levantei os olhos do meu dever de casa com uma pequena carranca. Sua voz parecia estranha.

- Fiz algo de errado? - Essa era a única explicação para o pai ou a mãe me procurarem. Eles andavam muito ocupados desde o sequestro, então eu estava acostumada a ficar sozinha ou com minha prima Anna. Eu não estava brava com eles. Eles estavam sofrendo muito. Eu só queria que as coisas voltassem ao que costumavam ser. Eu queria que fossemos felizes.

Papai veio até mim e tocou o topo da minha cabeça, com os olhos tristes. - Claro que não, joaninha.

Eu sorri com o uso do meu apelido. Sempre lembrava o quanto ele me amava, mesmo que nem sempre pudesse mostrar por causa de quão ruins as coisas estavam.

- Vamos sentar lá, ok? - Ele apontou para o meu sofá rosa. Ele foi até lá e afundou, parecendo cansado. Eu o segui e sentei ao lado dele. Por um longo tempo, ele não disse nada, apenas me olhou de uma maneira que fez minha garganta ficar apertada.

- Papai? - Eu sussurrei. - Fina está bem?

- Sim... - Ele engoliu em seco e pegou minha mão. - Você sabe que temos regras em nosso mundo. Regras que todos nós temos que

seguir. Danilo não pode mais se casar com Serafina e, por isso, decidimos prometer-lhe a ele.

Eu pisquei, chocada. Minha barriga tremeu loucamente. - Sério?

- Eu me encolhi com quão excitada soei.

Os olhos do papai se suavizaram ainda mais. Ele apertou minha mão levemente. - Em alguns anos, você se casará com ele. Depois de completar dezoito anos. Então você não precisa se preocupar com isso agora.

Seis anos e seis meses. - Fina está triste?

Papai sorriu. - Não, ela sabe que as regras precisam ser seguidas.

Eu assenti lentamente. - Danilo realmente quer se casar comigo quando eu crescer?

Eu não conseguia acreditar. Ele era tão bonito e inteligente. Serafina e ele pareciam da realeza um ao lado do outro, como um casal dos sonhos da Disney.

Papai beijou minha testa. - Claro que ele quer. Qualquer homem ficaria grato por tê-la como esposa. Ele te escolheu.

Eu sorri para ele.

Ele me puxou contra ele com um suspiro profundo. - Oh, joaninha. - Ele parecia triste, não animado, e eu não tinha certeza do por que.

Sonhei com Danilo a noite toda. Eu mal podia esperar para falar com Anna sobre isso. Ela viria hoje antes de voltar com sua família para Chicago.

Eu tinha acordado antes do amanhecer, tonta demais para voltar a dormir.

Deitada de bruços na minha cama, não conseguia parar de escrever o nome de Danilo e o meu, uma e outra vez, não importa o quão infantil isso fosse. Sofia Mancini parecia perfeito para mim.

Uma batida soou.

- Entre! - Gritei e rapidamente escondi meus desenhos tolos de

vista.

Fina entrou, cabelos loiros deslizando lindamente por seu

ombro. Ela estava de jeans simples e camiseta e não usava maquiagem, mas ainda era a garota mais bonita que eu conhecia. Por que Danilo me escolheria em vez dela? Ela já era adulta. Ela era a princesa perfeita para alguém como ele.

Eu desviei o olhar dela, envergonhada por estar sendo mesquinha. Fina havia sido sequestrada. Ela sofreu.

- Eu queria falar com você sobre Danilo. Presumo que papai já tenha falado com você?

- Você está com raiva de mim? - Eu perguntei, preocupada que Fina se sentisse mal porque agora não tinha um futuro marido.

- Raiva? - ela perguntou, parecendo confusa enquanto se aproximava de mim.

- Porque Danilo quer se casar comigo agora e não com você.

- Não. Eu não estou. Eu quero que você seja feliz. Você está

bem?

Apesar do meu constrangimento, mostrei meus rabiscos para ela,

querendo compartilhar com outra pessoa.

Os olhos de Fina se arregalaram. - Você gosta dele?

- Eu sinto muito. Gostava dele mesmo quando lhe prometeram. Ele é fofo e cavalheiro.

O medo de sua reação explodiu através de mim, mas ela me surpreendeu quando se inclinou e beijou minha cabeça. Alívio me inundando.

Fina me olhou com um aviso. - Ele é um homem adulto, Sofia. Vai levar muitos anos até você se casar com ele. Ele não chegará perto de você até lá.

- Eu sei. Papai me contou. - Eu não me importava em esperar e fiquei orgulhosa que Danilo concordou em esperar por mim por tantos anos. Isso significava que ele realmente me queria.

- Então estamos bem? - Eu perguntei, ainda incapaz de acreditar que Fina não estava brava comigo por ter tomado seu noivo.

- Melhor do que bem, - disse Fina e saiu. Hesitei e decidi segui- la para pedir mais informações sobre Danilo. Eu não sabia muito sobre ele. Quando cheguei à galeria e olhei para o saguão, vi Fina e Danilo.

- Sofia é uma menina. Como você pôde concordar com esse vínculo, Danilo?

Meus olhos se arregalaram com seu tom rude. Eu achei que ela estava bem comigo casando com Danilo? Ela não parecia.

Danilo parecia furioso. - Ela é uma criança. Muito jovem para mim. Ela tem a idade da minha irmã, pelo amor de Deus. Mas você sabe o que é esperado. E não vamos nos casar até que ela seja maior de idade. Eu nunca toquei em você e não vou tocá-la.

- Você deveria ter escolhido outra pessoa. Não Sofia.

- Eu não a escolhi. Eu escolhi você. Mas você foi tirada de mim e agora não tenho escolha a não ser me casar com sua irmã, embora seja você quem eu quero!

Ele não me queria? Eu respirei fundo enquanto meu peito se contraía de dor. Meus olhos formigaram com lágrimas.

Danilo e Fina ergueram os olhos.

Eu me virei e voltei para o meu quarto, onde me joguei na minha cama e comecei a chorar. Papai mentiu para mim. Danilo não me escolheu. Ele ainda queria Fina. Claro que ele queria. Ela era tão bonita e loira. As pessoas muitas vezes lamentavam o fato de eu não ter herdado o cabelo loiro da mamãe.

Alguém bateu na porta.

- Vá embora! - Eu enterrei meu rosto mais fundo no travesseiro.

- Sofia, posso falar com você? - Danilo disse.

Eu congelei. Danilo nunca tinha se aproximado de mim. Lentamente me sentei e enxuguei os olhos. Pulei da minha cama e verifiquei meu rosto no espelho. Meus olhos estavam inchados e meu nariz vermelho. Fina ficava bonita chorando. Eu não.

Andei na ponta dos pés em direção à porta, meu estômago revirando de nervosismo quando a abri. Danilo e Fina esperavam no corredor.

Fina sorriu para mim, mas meus olhos foram atraídos para Danilo. Eu tive que esticar o pescoço para trás porque ele era muito alto. Minhas bochechas esquentaram, mas eu não podia fazer nada sobre a reação do meu corpo a Danilo.

- Posso falar com você por um momento? - ele perguntou.

Tentei esconder meu choque e rapidamente olhei para Fina para ver se estava tudo bem. - Claro, - disse ela.

Fui em direção ao meu sofá, subitamente constrangida com todo o rosa do meu quarto. Eu duvidava que Danilo gostasse muito da cor. Eu sentei no sofá, enrolando meus dedos em punhos no meu colo para esconder o tremor. Danilo deixou a porta aberta e veio até mim. Seus olhos examinaram meu quarto e eu me encolhi quando eles se demoraram na variedade de bichos de pelúcia na minha cama. Eu não me aconchegava mais com eles. Eu só tinha problemas para jogá-los fora. Agora eu queria ter feito isso. Danilo deve pensar em mim como uma garotinha boba agora. Ele se sentou ao meu lado, mas com muito espaço entre nós. Esperando no corredor, Fina me deu um sorriso fraco e depois sumiu de vista, mas eu sabia que ela estaria por perto.

Arrisquei um olhar para Danilo. Seu cabelo escuro estava penteado para trás, mas levemente bagunçado e ele estava completamente vestido de preto. Normalmente, eu não gostava de preto, mas em Danilo parecia muito bonito.

Ele se virou para mim, seus olhos escuros se fixando nos meus. Minha pele esquentou ainda mais e tive que olhar para o meu colo. Ele limpou a garganta. - O que você ouviu no saguão não era para os seus ouvidos.

Eu assenti. - Está tudo bem. Eu sabia que você queria Serafina. - Minha voz tremia.

- Sofia, - Danilo disse com uma voz firme que me fez olhar para cima. Eu não tinha certeza do que sua expressão significava. Ele definitivamente não parecia feliz. - Eu escolhi você. Serafina e eu não podemos mais nos casar depois do que aconteceu. Eu não queria magoar seus sentimentos. Por isso falei aquilo.

Eu examinei seu rosto brevemente, mas depois desviei o olhar. Ele parecia honesto, mas uma pitada de dúvida permaneceu em mim. O que eu tinha visto lá embaixo não parecia um show para Fina. Danilo parecia sinceramente desapontado por tê-la perdido. No entanto, eu queria acreditar que ele realmente me escolheu como sua futura noiva, que papai não precisou convencê-lo a fazer isso.

- Tudo bem? - ele perguntou. Eu forcei um sorriso.

- Sim.

- Ótimo. - Ele levantou e por um momento nossos olhos se encontraram novamente. Sua boca se apertou de um jeito que eu não entendi, então ele se virou e saiu.

Olhei para minhas mãos, dividida entre excitação e decepção. Balançando os dedos, me perguntei quando ganharia um anel de noivado. Fina ganhou o dela imediatamente quando nossos pais decidiram o vínculo.

Mas talvez desta vez eles esperassem. Seria mal visto um compromisso se tornar público tão pouco tempo depois que Fina foi salva.

Eu levantei e fui para a minha cama. Peguei meus bichos de pelúcia e os joguei no chão, depois tirei alguns pôsteres embaraçosos de cavalos das minhas paredes. Depois de remover alguns vestidos com babados do guarda-roupa e colocá-los na pilha de bichos de pelúcia, desci as escadas correndo para pegar um saco de lixo. Danilo queria alguém tão equilibrada quanto minha irmã. Eu não poderia mais agir como uma garotinha se quisesse que ele me desejasse.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022