Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Aventura > NOSSO CLICHÊ
NOSSO CLICHÊ

NOSSO CLICHÊ

Autor:: AutoraAngelinna
Gênero: Aventura
Razões pelas quais preciso parar de fantasiar sobre Linnea: 1. Ela é jovem demais para mim. 2. Ela é a babá da minha filha. Eu poderia parar por aí, não? Já sou um clichê ambulante. O pai solteiro que gosta da babá. Mas, calma, que piora. 3. Ela é minha cunhada. Minha esposa morreu quando nossa filha era bebê, e Linnea era apenas uma adolescente. Eu mal a conhecia. Quando meus sogros insistem que ela se mude para Seattle para ser a babá, depois de uma série de babás que não deram certo, acabo concordando, mas com relutância. Eu não imaginava que ela seria uma loira gostosa com curvas pecaminosas, lábios beijáveis e sorriso tímido. Linnea é perfeita para minha filha – divertida, paciente e gentil. Ela pode ser perfeita para mim também, mas não posso nem pensar nisso. Ela precisa viver sua própria vida, não se envolver com um cara que já vem com uma família. Estar perto dela é um tipo especial de tortura. Não posso me apaixonar pela babá da minha filha. Mas já pode ser tarde demais.

Capítulo 1 1

Razões pelas quais preciso parar de fantasiar sobre Linnea:

1. Ela é jovem demais para mim.

2. Ela é a babá da minha filha.

Eu poderia parar por aí, não? Já sou um clichê ambulante. O pai solteiro que gosta da babá. Mas, calma, que piora.

3. Ela é minha cunhada.

Minha esposa morreu quando nossa filha era bebê, e Linnea era apenas uma adolescente. Eu mal a conhecia. Quando meus sogros insistem que ela se mude para Seattle para ser a babá, depois de uma série de babás que não deram certo, acabo concordando, mas com relutância.

Eu não imaginava que ela seria uma loira gostosa com curvas pecaminosas, lábios beijáveis e sorriso tímido.

Linnea é perfeita para minha filha – divertida, paciente e gentil. Ela pode ser perfeita para mim também, mas não posso nem pensar nisso. Ela precisa viver sua própria vida, não se envolver com um cara que já vem com uma família.

Estar perto dela é um tipo especial de tortura. Não posso me apaixonar pela babá da minha filha.

Mas já pode ser tarde demais.

Dedicatória

Um grande cumprimento a todos os ótimos pais por aí. Continuem amando suas famílias, dando um bom exemplo e mostrando ao mundo o que significa ser um homem. 

Caleb:

Um fluxo interminável de pessoas desce a escada rolante, mas até agora nenhuma delas é a garota que estou esperando.

- Onde Linnea vai dormir? - Charlotte pergunta.

- Temos um quarto extra - eu digo. - Você sabe disso, anjinha.

Minha filha de seis anos está sentada no meu colo. Seu cabelo castanho está solto e percebo que está um pouco emaranhado nas costas. Eu deveria ter escovado novamente antes de sairmos de casa, mas não queria me atrasar.

De onde estamos sentados, temos uma boa visão da escada rolante e, dessa forma, é mais fácil manter Charlotte por perto. Eu mantenho um braço protetor em volta da cintura dela e tenho que me impedir de olhar de soslaio para as pessoas que passam. Aeroporto lotado é um daqueles lugares onde meus instintos de pai ficam aguçados.

- Eu sei, mas e se ela dormir comigo no meu quarto? - Charlotte pergunta.

- Ah, agora eu entendo por que você está perguntando. Acho que Linnea vai querer seu próprio quarto. - Eu faço cócegas na barriga dela e ela se contorce, rindo.

- Pare com isso, papai.

Meu telefone vibra no meu bolso, então o puxo para fora. É meu irmão, Alex.

- E aí cara.

- Ei, onde você está? - ele pergunta. - Estou na academia, pensei que jogaríamos hoje à noite.

- Não, eu estou no aeroporto. - Ajeito Charlotte no meu colo. - Desculpe, pensei ter te avisado que não conseguiria ir.

- Aeroporto? - ele pergunta. - O que está acontecendo?

Respiro fundo. Ainda não contei à minha família sobre a situação, já que tudo aconteceu tão rápido. Na semana passada, os avós de Charlotte estavam conversando com ela em uma ligação pelo Skype. A próxima coisa que sei é que estou sentado no aeroporto esperando um voo de Michigan.

- Estou esperando alguém... - digo. - Resumo da história, a irmã de Melanie, Linnea, está chegando.

- Oh, uau. Apenas Linnea, ou os pais de Melanie também estão vindo? - Alex pergunta.

- Não, Steve e Margo não estão vindo. - O que é um alívio.

Meu relacionamento com meus ex-sogros é tenso na melhor das hipóteses, sempre foi. Eles achavam que Melanie e eu éramos jovens demais para nos casar, tinham medo de que isso interferisse em sua carreira. Ainda estávamos na faculdade de medicina e éramos jovens. Mas quando Melanie decidia algo, nem mesmo seus pais conseguiam persuadi-la.

Depois que Melanie morreu – ela fora morta em um acidente de carro quando Charlotte era bebê – a opinião de seus pais sobre mim não melhorou. Eles não me culparam exatamente – e nem podiam, eu nem estava lá quando ela foi atingida – mas sei que ainda sentiam como se eu tivesse invadido a vida de Melanie e a feito dar as costas para eles. Talvez se ela não tivesse se casado comigo, não teria se mudado para Houston para fazer sua residência, e não estaria na estrada naquele dia.

- Ela está vindo visitar Charlotte? - Alex pergunta.

- Não exatamente. - Charlotte se senta no meu lado e eu me levanto, inclinando para que ainda possa vê-la e falar mais em particular. - Ela virá para ser babá de Charlotte.

- Ei, isso é ótimo.

- Sim - digo, e tenho certeza de que ele pode ouvir o ceticismo na minha voz. - Não foi bem minha ideia, mas não tive como evitar.

- Como não foi sua ideia? - ele pergunta.

- Steve e Margo insistiram - eu digo. - Acho que Charlotte contou a eles sobre o desastre com Brittany.

- Certo, Brittany esqueceu de pegar Charlotte na escola, não é? - ele pergunta.

- Sim - respondo. - Quando eu literalmente tinha minhas mãos dentro da cavidade abdominal de alguém. Graças a Deus por Kendra.

- Não brinca - diz ele.

Desde que voltamos para Seattle, minha irmã Kendra está lá para me socorrer quando eu precisava de alguém para cuidar de Charlotte, e isso aconteceu mais vezes do que posso contar. E, para ser justo, é por isso que nos mudamos para casa. Ser pai solteiro não é fácil, e minha agenda irregular como cirurgião da emergência torna ainda mais difícil. Eu queria estar mais perto da minha família e não há dúvida de que fora a coisa certa a fazer. Mas eu realmente preciso de uma babá, alguém em quem possa confiar para cuidar da minha garotinha. Até agora, não tive sorte em encontrar a pessoa certa.

- De qualquer forma, eles estavam no Skype com Charlotte há alguns dias atrás e ela disse que eles queriam conversar comigo. Eu costumo ficar fora do caminho, sabe? Deixo Charlotte falar com eles o tempo que quiser, mas não sei, foi estranho. Eu atendi e Margo disse que ela tinha uma solução para o meu problema com a babá.

- E estou vendo que a solução era Linnea - diz ele.

- Sim, ela se formou na faculdade há pouco tempo e está morando com eles. Realmente, eles não me deram muita escolha. Quando Margo tem uma ideia, é muito difícil dissuadi-la.

- Hum - diz Alex. - Ela cursou medicina, como Melanie?

- Não, ela é musicista, eu acho. Piano, talvez? De qualquer forma, ela está a caminho.

- Você parece incrivelmente desinteressado para um cara que realmente precisa de uma boa babá - diz ele. - Ou está preocupado que Linnea também decepcione?

Olho para Charlotte, mas ela está olhando para um dos livros que trouxe em sua pequena mochila rosa. Ainda assim, abaixo minha voz.

- Não é realmente isso. Ela pode se dar bem com Charlotte, eu não sei. Mas é isso, eu não sei. Quando me casei com Melanie, o resto da família dela morava em Michigan e não os víamos com muita frequência. Eu mal me lembro dessa garota. A última vez que a vi, ela era uma adolescente malhumorada que quase nunca falava, usava moletom com capuz grande demais e se sentava no canto, sem falar uma palavra. Era estranho.

- Sim, é estranho - diz ele.

- Eu acho que ela era apenas tímida ou algo assim. Mas, honestamente, essa é a última coisa que Charlotte precisa. Ela já é tão tímida, e preciso de alguém que a tire de sua concha. Ajude-a a aprender como conversar com as pessoas e fazer amigos. No momento, não acho que Charlotte tenha amigos na escola. Ela não fala com ninguém e a professora dela quer uma fazer reunião sobre isso.

- Uau, eu não sabia.

- Sim, a garotinha que vocês veem não é a mesma perto de outras pessoas - eu digo. - E está ficando pior. Ela sempre foi quieta, mas está completamente fechada na escola. Pelo menos, quando estava no jardim de infância, seguia as instruções. Agora, tem dias em que nem isso faz.

Olho para Charlotte novamente antes de continuar, mas ela ainda está lendo.

- De qualquer forma, a questão é que Charlotte precisa de uma babá que possa ajudá-la a se abrir, não de alguém que seja pior que ela socialmente - eu digo. - Além disso, que merda eu vou fazer com uma garota carrancuda que não fala? Parece que isso irá dificultar as coisas em vez de facilitar.

- Verdade, não é o ideal - diz Alex. - Sinto muito, cara.

- Vou lidar com isso - eu digo. - Acho que vou lhe dar algumas semanas e depois colocá-la de volta em um avião para Michigan. Mas já está na hora da sua partida, certo? Vá jogar. Weston já está aí?

- Sim, ele acabou de aparecer.

Weston é o nosso novo cunhado. Ele se casou com Kendra há alguns meses em uma cerimônia que surpreendeu a todos. Recebemos uma mensagem pedindo para encontrá-los no centro da cidade e, quando chegamos lá, eles estavam do lado de fora do cartório. Se fosse qualquer outra pessoa, eu diria que eram loucos já que não estavam juntos há muito tempo. Mas Weston é louco por ela, e Kendra sabe o que está fazendo.

- Ok, eu te vejo na próxima semana.

- Parece bom - diz Alex. - E boa sorte.

- Obrigado.

Desligo e verifico a hora antes de colocar meu telefone no bolso. Linnea pousou vinte minutos atrás, então ela deve estar saindo no desembarque em breve. Gostaria de me sentir melhor com a situação, mas não consigo ver como isso vai funcionar. A boa notícia é que Charlotte diz que conhece Linnea das suas ligações no Skype com os avós. Talvez elas realmente conversem. Mesmo se Brittany - a última babá que tentamos - não tivesse esquecido Charlotte na escola, ela não ficaria de qualquer maneira. Charlotte não falava com ela, mesmo depois de várias semanas.

Mas, como contei a Alex, lidarei com Linnea por algumas semanas e depois a mandarei de volta para casa. Os pais dela não poderão discutir se eu disser que demos uma chance e não deu certo. Não é minha responsabilidade garantir que a filha deles tenha um emprego.

Observo as pessoas descendo a escada rolante e procuro por Linnea. Não lembro exatamente como ela é, mas acho que a reconheceria. Talvez. Eu sei que ela não se parece em nada com Melanie. Mel tinha a pele morena e cabelos castanhos, que ela mantinha em um corte curto. Eu me lembro que Linnea é loira, mas poderia estar errado. Só me lembro de me perguntar a quem Linnea puxou; ela não se parecia com o resto da família.

De certa forma, fico feliz que Linnea não se pareça com a irmã. Estou preocupado que seja difícil o suficiente trazer para casa um lembrete do que perdi. A dor de perder Melanie é apenas uma tristeza em segundo plano, algo no passado. Honestamente, sinto mais falta dela por nossa filha do que por mim mesmo. Eu odeio que minha filhinha tenha que crescer sem mãe. Faço tudo o que posso para ser o que ela precisa, mas sei que, de certa forma, não consigo.

- Papai, que palavra é essa? - Charlotte pergunta.

Eu me inclino e olho para a página.

- Aqui diz bicicleta. O a no final faz com que o som do e seja mais longo.

Charlotte volta a ler, passando o dedo abaixo das palavras, e eu olho para a escada rolante novamente. Um par de salto alto vermelho chama minha atenção. Sigo as pernas às quais estão presos enquanto a mulher desce, meus olhos a observam. Puta merda.

Eu não deveria olhar, mas meu olhar sobe por um par de pernas bem torneadas para quadris redondos em uma saia cinza justa. Blusa branca colocada por dentro, exibindo uma cintura estreita. Então... oh Deus, ela é curvilínea. Essa blusa mal está segurando um par de peitos incríveis. Longos cabelos loiros, lábios carnudos. Essa mulher é tremendamente gostosa, ela é como uma pin-up, e eu não consigo tirar os olhos dela.

Ela sai da escada rolante, carregando uma bolsa de couro marrom e olha em volta. Eu tenho esse desejo insano de ir falar com ela antes que ela vá embora e eu nunca mais a veja.

Sua linda boca se abre em um sorriso largo e ela acena para alguém. Quase involuntariamente, olho por cima do ombro, me perguntando que bastardo sortudo está esperando por ela.

Charlotte pula da cadeira e corre. Eu me inclino para frente, tentando agarrá-la.

- Charlotte, onde você está...

A mulher se agacha na frente de Charlotte.

- Oi, anjinha!

Minha filha joga os braços em volta do pescoço da mulher e a abraça enquanto eu estou a alguns metros de distância, olhando para elas como um idiota.

Oh, puta merda. Aquela é Linnea?

A mulher que abraça minha filha não se parece em nada com a adolescente de quem me lembro. Quanto tempo faz desde que a vi pela última vez? Cinco anos? Alguém pode ter mudado tanto em tão pouco tempo?

O olhar de Linnea se levanta e ela sorri para mim. Ela aperta Charlotte, depois se levanta e pega a mão dela.

- Oi. - Ela tira o cabelo do rosto e ajusta a bolsa. - Faz algum tempo.

Diga alguma coisa, Caleb. Pare de encará-la como um esquisito.

- Sim, uau. Oi. Desculpe, eu não te reconheci.

Ela sorri novamente e seus olhos azuis brilham.

- Tudo bem. Eu reconheci a Charlotte. E você.

Meu cérebro não está conectando minhas lembranças de Linnea com a mulher deslumbrante em pé na minha frente. Impossível ser a mesma pessoa.

Mas Charlotte tem pavor de pessoas que não conhece e acabou de correr para os braços dessa mulher. Ela não faria isso se não a conhecesse. Acho que deveria estar prestando mais atenção às ligações do Skype. Teria visto Linnea na tela e ficado um pouco mais preparado. Ainda estou boquiaberto com ela como se tivesse esquecido como se fala.

- Então, eu tenho algumas malas - diz Linnea. Ela aponta para as esteiras de bagagem. - Talvez devêssemos ver se já apareceram?

- Certo. - Parece que eu saí de um transe. - Malas. OK. Anjinha, você pode pegar sua mochila?

- Acho que estão ali - diz ela e aponta para um dos monitores.

Esperamos alguns minutos para que as malas de Linnea circulem na esteira. Ela conversa com uma Charlotte incomumente animada, e tento não encarála. Ela se inclina para frente para olhar algo que Charlotte está segurando, e eu vejo por dentro da camisa dela. Oh meu Deus, esses peitos estão em um sutiã de renda branca. Afasto meus olhos rapidamente.

Puta merda, o que estou fazendo? Linnea tem 22 anos, acabou de sair da faculdade. Ela está aqui para cuidar da minha filha enquanto eu trabalho. E não vamos esquecer, ela é a irmã mais nova da minha esposa morta.

Mas meu pau não está interessado nos fatos e tenho que me ajustar quando as meninas não estão olhando.

Ela aponta para as malas quando dão a volta na esteira. As duas são grandes, mas isso faz sentido. Eu estava pensando que esse acordo seria temporário, mas o que realmente concordei quando conversei com os pais dela é que não teria uma data de término específica. O fato de ela ser linda de morrer não deveria me fazer repensar o meu plano de mandá-la de volta depois de algumas semanas. Mas que inferno.

Nós vamos em direção ao estacionamento, Linnea puxando uma de suas malas enquanto eu puxo a outra. Charlotte caminha ao lado dela, segurando sua mão. Eu tento me forçar a manter meus olhos longe da bunda dela, mas é quase impossível. A maneira como se move nessa saia... Ela olha para mim por cima do ombro e dá aquele sorriso doce como açúcar novamente. Eu sorrio de volta, mas engulo em seco quando ela se vira.

Estou com um grande, grande problema.

Capítulo 2 2

Linnea:

Existe essa coisa de insta-crush? Um momento em que você vê alguém pela primeira vez – ou talvez pela depois de um longo tempo – e fica instantaneamente tão atraída que sua barriga enche de borboletas e você imagina pequenos corações e estrelas brilhando em volta da cabeça? Porque isso acabou de acontecer comigo.

Caleb sorri para mim quando se senta no banco do motorista e isso faz as borboletas vibrarem novamente. Como não me lembrava do quanto ele é lindo? Talvez eu não tenha notado antes. A última vez que o vi, ainda estávamos em choque pela morte da minha irmã. E antes disso, ele parecia muito mais velho que eu, assim como Melanie. Eu mal prestei atenção ao marido dela. Naquela época, teria ficado com muito medo de falar com ele de qualquer maneira, especialmente se pensasse que ele era gato.

Mas agora estou sentada em um carro com um homem que tem olhos castanhos profundos, cabelos escuros despenteados e uma mandíbula que é uma das coisas mais sexy que eu já vi pessoalmente. E estou indo morar com ele.

Tudo bem que é para ser a babá da filha dele. Mas ainda assim.

Respiro fundo e ajusto a bolsa que estou carregando no meu colo. Foi um longo voo de Michigan, mas meu cansaço sumiu com o choque de adrenalina que me atingiu quando vi Caleb. Eu não reparei nele no começo. Notei Charlotte quando desci da escada rolante e ela veio correndo em minha direção. Foi só então que olhei para cima e o vi parado ali. E eu sou uma bola de nervosismo desde então.

Fiquei furiosa com a minha mãe quando me disse que tinha conversado com Caleb sobre me mandar para Seattle para ser a babá de Charlotte. Não que eu desgoste da ideia de ser babá da minha sobrinha, estou emocionada com essa parte, na verdade. Charlotte é a coisinha mais doce e é triste vê-la apenas nas chamadas de Skype. Eu amo que poderei passar tanto tempo com ela, realmente conhecê-la.

Mas meus pais não me perguntaram se eu estava interessada. Eles nem me disseram até depois de terem conversado com Caleb e comprado a passagem de avião. Minha mãe entrou no meu quarto, disse para arrumar minhas coisas que eu tinha um voo para Seattle em dois dias.

Típico.

Não queria voltar a morar com meus pais depois da formatura, mas não tinha muita escolha. Eu trabalhei duro para conseguir o meu diploma de música, mas ser pianista clássica não é exatamente o caminho mais rápido para a autossuficiência. Dou aulas de piano desde o ensino médio, e isso é um bom complemento. Mas se eu quiser ganhar a vida tocando piano, vou precisar de um lugar com uma grande orquestra sinfônica.

O que é o plano. Estava morando com meus pais, então tinha tempo de praticar para as audições. Isso não deve ser um problema agora. Charlotte está na escola, então ainda terei tempo para praticar durante o dia, o que é muito necessário. As posições de pianistas são poucas e raras, e sempre há muita concorrência.

O mais difícil é que, por mais que eu goste de música – é a minha vida – é difícil me apresentar. Adoro música por si só e adoro tocar. Mas a pressão de ter uma platéia mexe com a minha ansiedade. Fico aterrorizada antes de uma apresentação e exausta quando acaba.

Mas, como meus pais gostam de me lembrar, se vou seguir com a música, tenho que dar tudo de mim. Ir o mais longe que puder. Fazer o meu melhor.

Eles esperam que eu aperfeiçoe meu talento natural com muito trabalho duro.

É uma lição que enfatizaram com as duas filhas. Meus pais são médicos – meu pai é um neurocirurgião e minha mãe trabalha em pesquisa de câncer – ambos no topo de suas áreas. Melanie estava a caminho de se tornar uma espécie de cirurgiã superstar. Então, naturalmente, eles esperam que eu seja a melhor, não importa a área de atuação.

No entanto, eles estavam pressionando bastante, e eu estava ficando frustrada. Minha mãe estava cada vez mais impaciente com a falta de oportunidades, como se de alguma forma eu pudesse controlar quando uma grande orquestra teria audição.

Foi por isso que concordei em vir para Seattle. Fiquei com raiva que meus pais não me consultaram antes de fazer acordos com Caleb. Mas uma vez que pensei sobre isso, percebi que era perfeito. Uma nova cidade. Um trabalho me esperando. Um lugar para viver. Uma chance de recomeçar, sem minha mãe respirando no meu cangote e me incomodando sobre audições.

Claro, eu não tinha contado com um insta-crush por Caleb.

Respiro fundo. Tenho certeza de que esse sentimento vai passar. Vou me acostumar a encará-lo – olho pelo canto do olho e, meu Deus, ele é um sonho – e não me sentirei mais tão nervosa.

- Linnea, você quer dormir no meu quarto comigo? - Charlotte pergunta do banco de trás.

Caleb ri e olha para ela no espelho retrovisor.

- Anjinha, nós conversamos sobre isso. Linnea precisa de sua própria cama. - Ele tosse. - Quero dizer, quarto.

- Tudo bem - diz Charlotte, parecendo decepcionada.

Eu me viro no meu lugar.

- Ei, talvez possamos dar uma festa à noite em algum momento. Em uma noite em que seu pai estiver trabalhando até tarde. Você gostaria disso?

Ela assente.

- Pode ser uma festa do pijama?

- Com certeza - eu digo.

- Que tipo de pijama você tem? - ela pergunta. - A maioria dos meus é rosa.

- Hum, eu geralmente não uso pijama, então acho que vou ter que comprar um antes da festa.

- Então no que você dorme? - ela pergunta.

- Apenas algo confortável. Como uma blusinha.

- E calcinha? - Charlotte pergunta. - Que tipo de calcinha você tem?

As minhas são do My Little Pony e Moranguinho.

Meu rosto esquenta e sei que estou corando. Tento não olhar para Caleb, mas espio mesmo assim. Ele está olhando para a frente, com as duas mãos no volante.

- Acho que não tenho nada divertido assim.

- Tudo bem... - diz ela. - Não sei se tem em tamanhos de adultos.

- Provavelmente não. - Eu me viro, esperando que ela tenha terminado de falar sobre minha calcinha. Talvez eu deva mudar de assunto. - Então, Charlotte, você já tocou piano?

- Não.

- Se você quiser, eu posso te ensinar - digo.

- Não sei se sou grande o suficiente - diz ela.

- Claro que é - rebato, olhando para ela novamente. - Comecei a tocar quando era mais jovem que você.

Sua testa se franze, suas sobrancelhas se juntam.

- Não. Eu não quero.

- Ah, tudo bem. Não tem problemas.

- Por que não, anjinha? - Caleb pergunta, sua voz suave.

- Por causa dos concertos - diz ela.

- Concertos? - Caleb pergunta.

- Às vezes tocamos música na escola, e a professora nos mostrou um vídeo - diz ela. - Era um concerto e todos músicos tinham que tocar em uma grande sala com muita gente.

- Oh. - Caleb se vira para mim e abaixa a voz. - Ela acha que, se tocar piano, terá que se apresentar na frente de uma plateia. Ela não está agindo assim agora, mas, na maioria das vezes, é incrivelmente tímida.

Meu coração derrete no meu peito. Eu era dolorosamente tímida quando criança; sei exatamente como ela se sente.

- Ah, anjinha. Se você quiser, pode aprender a tocar piano sozinha. Você não precisa tocar na frente das pessoas. Talvez apenas eu ou seu pai. Mas não haverá concertos, a menos que você queira.

- Oh - diz ela, sua voz iluminando. - Ok.

Caleb sorri para mim, seus olhos enrugando nos cantos. Eu sorrio de volta, mas parece que meu coração apenas ganhou asas e está tentando voar direto para fora do meu peito.

Meia hora depois, chegamos a uma bonitinha casa de dois andares em uma rua tranquila. Caleb me ajuda a pegar minhas malas e nós três entramos.

- Desculpe a bagunça - diz Caleb. - Nos mudamos há um mês, mas ainda não terminei de desempacotar. Estávamos em um apartamento antes, então nem tenho móveis para todos os quartos.

A planta baixa é aberta, com uma acolhedora área de estar, cozinha e sala de jantar. Há uma sala de estar formal com lareira perto da frente da casa e escadas que conduzem para cima. Algumas caixas estão empilhadas nos cantos e alguns dos brinquedos de Charlotte estão espalhados. Mas não me parece tão bagunçado.

- Não se preocupe - digo. - Eu posso ajudar a organizar, se você precisar.

- Eu não quero que você sinta que precisa limpar para mim - diz ele. - Eu apenas trabalho muito, então levo um tempo maior para fazer tudo em casa.

- Bem, sim, você está fazendo tudo sozinho - falo.

- Sim - diz ele, e estou impressionado com o cansaço em seus olhos. - Vamos levar suas coisas para o seu quarto para que possa se acomodar.

Levamos minhas coisas para o andar de cima e ele me mostra em volta. Quarto de Charlotte, banheiro, meu quarto. Ele aponta para uma porta entreaberta e murmura algo sobre o fato de ser seu quarto. Estou morrendo de vontade de espiar, mas é claro que não faço.

- Espero que você fique confortável aqui - diz Caleb, apontando para o meu novo quarto.

É simples, mas perfeitamente funcional. Há uma cama queen size ladeada por duas mesinhas de cabeceira, uma cômoda e um armário.

Ele leva minha mala e a coloca perto do armário.

- Você terá que dividir o banheiro com Charlotte. Espero que esteja tudo bem.

- Claro - eu digo. - Está ótimo.

- Tem certeza? - ele pergunta.

- Sim - eu digo, olhando ao redor da sala. - Isto é perfeito.

Charlotte puxa minha mão.

- Podemos ter nossa festa do pijama hoje à noite, Linnea?

- Hoje não, querida - diz Caleb. - Já passou da sua hora de dormir.

- Por favor, papai - diz ela. - Nós não vamos ficar acordadas até tarde.

Só um pouquinho.

Ele a pega e beija sua bochecha.

- Desculpe, anjinha. Já é tarde.

- Ok, papai - diz ela. - Linnea pode me colocar na cama, então?

Caleb ri.

- Hoje não, anjinha. Lembre-se, ela mora conosco agora e cuidará de você quando eu tiver que trabalhar. - Ele olha para mim. - E espero que ela fique por um bom tempo, por isso ela terá muitas chances de te colocar na cama.

Eu sorrio para eles.

- Exatamente. Vejo você de manhã, ok?

Ela assente e encosta a cabeça no ombro de Caleb. Ele esfrega as costas dela e, com um pequeno sorriso para mim, ele a leva para se aprontar para dormir. Fecho a porta atrás dele e me inclino contra ela, deixando escapar um longo suspiro.

Bem, não era isso que eu esperava quando entrei em um avião hoje.

Preciso controlar meu pequeno insta-crush. Caleb é quase dez anos mais velho que eu. Estou aqui para ser a babá da filha dele. E não vamos esquecer, ele era casado com minha falecida irmã. Os pensamentos que estou tendo sobre ele agora são tão inapropriados.

Mas tenho certeza de que não vai durar. Eu só preciso impedir que meus estúpidos hormônios assumam o controle.

Capítulo 3 3

Caleb:

Desço, vestindo uma camiseta e tento sacudir o sono. Charlotte geralmente me acorda bem cedo, mas já passou das nove e ela não veio. Foi bom dormir até tarde, mas eu me pergunto há quanto tempo ela está acordada. Vozes suaves saem da cozinha. Ando até esquina e paro no meio do caminho.

Linnea está de pé no fogão, de costas para mim. Ela está usando uma blusa com alças finas e calça de moletom cinza. Nada de especial, mas, pelo amor de Deus, um saco de papel ficaria sexy nesse corpo. Não sei se já vi uma bunda tão perfeita na minha vida.

Seu cabelo está para cima e há muita pele aparecendo no momento. Seus ombros, braços, parte superior das costas. Ainda estou tentando acordar, mas meu pau já está bem à minha frente.

- Oi, papai!- Charlotte diz.

Oh meu Deus, eu nem percebi que minha filha estava na cozinha. Isso é tão ruim.

- Bom dia, anjinha. - Eu a pego e ela me dá um grande aperto em volta do pescoço. Eu a seguro por outro momento e respiro o perfume de morango de seus cabelos. Eu amo muito essa garotinha. - Como você dormiu?

- Bem - diz ela. - Linnea está fazendo panquecas.

Eu a coloco de volta no chão.

- Hum.

Linnea me olha por cima do ombro.

- Espero que esteja tudo bem.

- Sim, claro - eu digo. - Esta também é sua casa agora. Sirva-se de qualquer coisa.

Ela sorri.

- Obrigada. Você quer um pouco?

Deus, esse sorriso.

- Claro, parece delicioso.

Charlotte e eu carregamos pratos e talheres para a mesa enquanto Linnea termina de cozinhar. Ela traz um prato com uma pilha alta de panquecas e nos sentamos. Levanto-me novamente para pegar a manteiga e, quando volto, Linnea já está ajudando Charlotte a cortar uma panqueca em pequenos pedaços.

- Obrigado - eu digo.

- Claro - diz ela com um sorriso.

Ela está inclinada para a frente para ajudar Charlotte e meus olhos são atraídos para aqueles peitos incríveis. Eu costumava pensar que uma palavra como suculento quando aplicado a peitos era estúpido, mas isso foi antes de me deparar com a maravilhosidade da Linnea. Ela se endireita e pega a calda. Afasto meus olhos, esperando que ela não tenha me pego olhando para os seus peitos. Ótimo, ela ainda nem completou vinte e quatro horas aqui, e eu já quase a comi com os olhos.

Eu me distraio com o café da manhã. Panquecas não são minha primeira escolha para um café da manhã ‒ sou mais um cara de ovos e bacon ‒ mas essas estão realmente boas. Não me lembro da última vez que alguém me preparou o café da manhã. Há algo reconfortante em se sentar à mesa, comer tranquilamente panquecas que não precisei fazer.

- Sei que acabei de chegar, não tenho pressa, mas queria falar com você sobre o seu horário de trabalho - diz Linnea. - Gostaria de dar aulas de piano duas vezes por semana. Mas estou aqui primeiro para Charlotte, então, se isso não der certo, tudo bem.

- Tenho certeza de que podemos dar um jeito - eu digo. - No pior cenário, minha irmã Kendra pode cuidar de Charlotte se eu realmente precisar ir e você não estiver disponível. Onde você vai ensinar? Aqui?

- Não, em uma loja de música - diz ela. - Era o que eu estava fazendo em casa. A Henley's Music não é longe daqui e eles oferecem aulas. Vou conversar com o gerente esta semana e ver se consigo uns horários. Deixe-me saber quais dias são melhores para você, e eu me organizo.

- Claro - eu digo. - Como você vai para lá? Você dirige?

- Eu tenho carteira de motorista, mas vou de ônibus - diz ela. - Estou acostumada e já procurei as rotas. Há uma parada a apenas dois quarteirões de distância, então eu vou ficar bem.

- Ok. - Acho que ela já organizou as coisas muito bem. - Sabe, eu obviamente não tenho um piano. Você vai precisar de um lugar para praticar?

- Oh, não precisa se preocupar, eu tenho um piano elétrico que será entregue em alguns dias - diz ela.

- Isso funciona tão bem quanto um piano comum para você?

- Sim, está tudo bem - diz ela. - Eu tenho um ótimo. As teclas são pesadas, então parece com o original. Apenas ocupa menos espaço.

- Posso tocar seu piano? - Charlotte pergunta.

- Claro - diz Linnea. - Vou ensiná-la a tocar todos os tipos de coisas divertidas.

- Seus pais tocam piano? - Eu pergunto.

- Sim. - Ela abaixa o garfo. - Falando em meus pais, eu sinto muito... bem, desculpe se isso foi algo que jogaram para cima de você.

Sinto uma pontada de culpa pelo quanto eu estava reclamando com Alex sobre ela.

- Está tudo bem. Sinceramente, tive muita dificuldade em encontrar alguém para cuidar da Charlotte. Meu horário é bastante irregular, então elas precisam estar dispostas a ficar aqui até altas horas da noite algumas vezes, e muitas babás só querem trabalhar durante o dia. Tínhamos uma garota de quem ambos gostávamos, mas ela ficou noiva e se mudou do estado. O resto era... bem, digamos que não deram certo.

- Você disse que Brittany era uma idiota - diz Charlotte.

Eu estremeço.

- Estava chateado quando disse isso, anjinha. Não foi uma coisa agradável de dizer.

Linnea reprime uma risada suave.

- O que quero dizer é que você morar aqui facilita muito - eu digo. - E você já conhecendo Charlotte também é um grande diferencial.

- Eu gosto da Linnea - diz Charlotte.

- Eu também gosto de você, anjinha - diz Linnea.

Charlotte sorri para ela e meu coração se enche de carinho por ambas.

- Então, você dá aulas de piano - eu digo. - Você está procurando fazer mais alguma coisa em termos de carreira musical?

- Bem, o plano é conseguir um assento em uma orquestra sinfônica - diz ela.

- Uau, isso parece incrível - eu digo. - Você gostaria de ficar aqui na cidade?

- Se der certo - diz ela. - Mas acho que não há muita chance de conseguir com a Orquestra de Seattle. Os pianistas deles são incríveis, e eu não acho que terão vagas por um tempo.

- Oh, então para onde você iria? - Eu pergunto.

Ela encolhe os ombros.

- Depende. A maioria das grandes cidades tem uma orquestra, mas é mais provável que eu continue com uma menor até ter mais experiência. Quando surgir uma vaga, terei que fazer um teste.

Sou atingido por uma onda de decepção ao pensar em sua partida. O que é loucura. Ela não quer ser babá pelo resto da vida. Ela é musicista. Claro que ela vai seguir sua carreira.

Terminamos o café da manhã e ligo a TV para Charlotte. Linnea e eu subimos para tomar banho e nos vestir. Há um momento constrangedor em que saio do meu quarto e a encontro envolta em nada além de uma toalha, indo entre o banheiro e o quarto dela. Seus cabelos longos e molhados caem pelas costas e sua pele está rosada da água quente. Ela me dá um sorriso tímido e entra em seu quarto, fechando a porta atrás de si.

No andar de baixo, jogo algumas rodadas de pesca com Charlotte ‒ ela vence duas ‒ até Linnea descer.

- Linnea pode me levar ao parque? - Charlotte pergunta.

- Bem, querida, Linnea não está realmente cuidando de você hoje, porque estou de folga do trabalho.

- Ah, não me importo - diz Linnea. - O parque é perto?

- Sim, é na rua - eu digo. - Mas, realmente, você não precisa.

- Eu posso levá-la por algumas horas - diz ela. - Aposto que você não descansa muito nos seus dias de folga.

Ela está certa, eu não descanso. Nunca peço a ninguém para cuidar de Charlotte nos meus dias de folga. Principalmente, porque quero passar um tempo com a minha filha. Mas também tive que pedir muitos favores para garantir que eu tenha alguém para cuidar dela enquanto estou trabalhando. Faz meses desde que tive algumas horas para mim, e só porque ela estava dormindo.

- Bom, isso é verdade - eu digo. - Se você tem certeza.

- Eu ficaria feliz - diz ela. - Você está pronta, anjinha?

- Preciso de sapatos, mas já consigo amarrá-los - diz ela.

- Uau, você é uma menina grande - Linnea diz com um sorriso. Ela encontra meus olhos e pisca.

Pelo amor de Deus, ela está me matando.

Depois que eu dou instruções para Linnea, ela e Charlotte saem para o parque. Eu as observo por um momento enquanto caminham pela calçada de mãos dadas. É incrível como Charlotte está animada desde que Linnea chegou. Geralmente, leva muito tempo para se acostumar com as pessoas.

É um alívio. Estou ficando cada vez mais preocupado com a timidez de Charlotte. Não porque haja algo inerentemente errado em ser tímido ou quieto, mas ela está passando por um momento difícil na escola. Começou a primeira série há algumas semanas e não ocorreu tão bem. Quero que minha garotinha seja feliz e cresça, e é difícil vê-la se debatendo.

Entro na cozinha ‒ Linnea já limpou o café da manhã ‒ e olho em volta. Eu provavelmente deveria desempacotar mais algumas caixas, mas em vez disso, sento-me no sofá. Ando exausto ultimamente e nesse momento eu só quero aproveitar que ninguém precisa que eu faça algo.

Um pouco mais tarde, escuto uma batida na porta. Eu me pergunto se acidentalmente as tranquei do lado de fora, preciso fazer uma chave extra para Linnea. Pergunto quem é, e meu cunhado, Weston, responde. Ele olha para trás, quase como se estivesse preocupado que alguém esteja observando e entra.

- E aí, cara?

Ele acena para mim e verifica seu telefone, embolsando-o novamente com um olhar que eu só posso descrever como alívio. Entramos na sala e ele se senta no sofá.

- Você parece muito tenso - eu digo. - Está tudo bem?

Ele solta um suspiro e se inclina para trás.

- Sim. Só preciso me esconder da Kendra por um tempo.

Eu rio.

- Por quê?

- Estamos tentando engravidar - diz ele. - E ela está me tratando como se eu fosse sua própria fábrica de espermatozoides.

Estou tão surpreso que tusso algumas vezes antes de poder responder.

- Ela está... uau. Tudo bem. Não sabia que vocês queriam filhos imediatamente.

- Sim - ele diz com um encolher de ombros. - Kendra foi feita para ser mãe; Eu sabia que ela iria querer uma família. Além disso, você tem Charlotte e ela é ótima.

Isso me faz sorrir. Weston nunca me pareceu o tipo que gosta de criança, mas ele e Charlotte se entenderam imediatamente. Agora, eles têm um vínculo muito fofo.

- Ela é. Mas não entendo por que você está se escondendo.

- Estou exausto pra caralho - diz ele. - Não consigo transar apenas porque a temperatura dela está certa. É como se ela não se importasse se estou ou não de bom humor, ela só quer que eu solte os caras sempre que estalar os dedos. No começo, pensei que seria ótimo fazer um bebê. Sexo extra? Inscreva-me nisso, mas está ficando ridículo. Ela quer que eu vá para casa almoçar todos os dias porque sente minha falta? Não, ela só quer outra injeção de esperma. O mesmo acontece com as manhãs, depois do trabalho, e nem me fale dos finais de semana. Quando ela entrou no chuveiro, eu fugi.

Eu realmente não quero ouvir sobre minha irmã fazendo sexo com o marido, mas isso é meio hilário.

- Então, você está me dizendo que você, Weston Reid, encontrou um limite para quanto sexo consegue aguentar?

- Não é isso. - Ele me lança um olhar e acho que toquei em um nervo. - Eu posso fazer quantas vezes ela quiser. Mas mataria se ela se esforçasse um pouco para mim? É tão clínico. Eu não sou um pedaço de carne.

Não consigo deixar de rir e ele olha para mim novamente.

- Eu sinto muito.

- Estou falando sério - diz ele.

- Eu sei, eu sei. - Paro de rir, mas não tem como isso não ser engraçado. - Sim, aposto que isso é difícil.

- Você não tem ideia - diz ele. - Quando uma mulher coloca na cabeça que quer engravidar, não há como detê-la. Eu sou apenas um pau com testículos para ela ultimamente.

É horrível da minha parte, mas ver Weston com sentimentos machucados é bastante divertido. O cara costumava ser, nas palavras de Kendra, um total galinha. Acho que não quero saber quantas mulheres ele usou para fazer sexo antes de decidir se estabelecer com minha irmã. É engraçado ver como o jogo virou.

Seu telefone toca e ele geme enquanto o pega.

- Oh, ótimo.

- O que?

- O fluido dela está na consistência certa - diz ele.

Coloco a mão na minha testa.

- Sinto muito por ter perguntado.

Ele começa a digitar.

- Estou dizendo para ela vir aqui.

- Uh, você não vai fazer sexo com sua esposa aqui!?! - eu digo.

Ele olha para mim novamente.

- Não, eu preciso distraí-la por um tempo. Ela ainda não viu a anjinha recentemente. - Ele olha em volta como se de repente notasse a ausência de Charlotte. - Onde ela está?

- Ela está no parque com Linnea, a nova babá. Elas estarão em casa em breve.

Weston assente, depois olha para o telefone novamente.

- Sim, ela está vindo, mas esqueça o que te contei.

- Não se preocupe, não é uma conversa que quero lembrar.

A porta da frente se abre e Linnea e Charlotte entram. Charlotte vê Weston e seus olhos se iluminam.

- Tio Weston! - Ela corre e pula no colo dele.

- Ei, garota - diz ele.

Linnea entra na sala de estar.

- Oh, olá.

Apresento Linnea a Weston e ela lhe dá um sorriso tímido.

- Acho que minha irmã também está vindo - digo. - Desculpe inundála com pessoas tão cedo.

- Tudo bem - diz ela. - Está quente lá fora. Eu vou subir e trocar de roupa.

- Claro, leve o seu tempo.

- Eu vou me trocar também - diz Charlotte.

Estou prestes a dizer que ela não precisa quando eu me paro. Não há razão para dizer a ela para não trocar de roupa, e é fofo vê-la copiando Linnea.

As meninas sobem as escadas e Weston olha para mim com as sobrancelhas levantadas.

- O quê? - Pergunto.

- Essa é sua nova babá?

- Sim - eu digo. - Ela é irmã de Melanie, na verdade.

- Uau - diz Weston. - Bem, você está fodido, não é?

- Como?

- Você sabe o que eu quero dizer - diz ele.

- Não, não é assim - eu digo. - Ela está aqui apenas para me ajudar com Charlotte.

- Certo - diz Weston. - Onde ela está ficando?

Hesito porque sei exatamente o que ele vai pensar.

- Aqui.

Ele ri.

- Sim, boa sorte com isso.

- Não preciso de sorte, porque não há nada acontecendo - digo. - Eu sempre tive babás para Charlotte. Não tenho problemas em manter meu pau nas calças.

Ele se levanta e me dá um tapinha no ombro.

- Claro que não. E ela é apenas outra babá.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022