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Nada ofuscará seu brilho

Nada ofuscará seu brilho

Autor:: Sparrow
Gênero: Moderno
Cary ficou cego em um acidente e foi rejeitado por todas as mulheres da alta sociedade, exceto Evelina, que se casou com ele sem hesitar. Três anos depois, com a ajuda de Evelina, ele recuperou a visão e pediu o divórcio: "Eu e ela já perdemos vários anos. Não vou deixá-la esperar por mais tempo." Em silêncio, Evelina assinou os papéis silenciosamente. Todos zombaram dela até descobrirem suas identidades secretas: médica milagrosa, famosa designer de joias, gênio da bolsa de valores, hacker lendária, a verdadeira filha do presidente... Quando Cary apareceu novamente para pedir perdão, um homem implacável o expulsou: "Ela é minha esposa agora. Cai fora."

Capítulo 1 Vamos colocar um fim neste casamento

Na noite anterior ao terceiro aniversário de casamento, Cary Gibson conquistou uma vitória em um leilão exclusivo, garantindo um par de brincos de safira raros.

Num tom brando, ele declarou: "Isto é para a pessoa a quem mais devo - minha amada."

Em casa, sua esposa, Evelina Marsh, sentiu as lágrimas marejarem seus olhos enquanto assistia ao leilão na televisão. O dia seguinte seria o aniversário de três anos de casamento deles e talvez, finalmente, Cary tivesse se conscientizado da sua dedicação.

A avó de Cary, Demi Gibson, suspirou numa satisfação tranquila. "Finalmente, Cary percebeu o verdadeiro valor da sua esposa."

Na noite seguinte, Evelina mal havia terminado de preparar um jantar exuberante quando Cary passou pela porta.

Ao notar sua chegada, ela foi recebê-lo rapidamente, segurando sua pasta antes de estender a mão pegar o casaco.

"Pelo visto, teremos um banquete e tanto esta noite. Algo aconteceu?", ele perguntou levemente.

Alto e charmoso, Cary se movia com uma confiança natural. Até o simples gesto para afrouxar a gravata era refinado, como se ele estivesse numa sessão de fotos de alguma grife.

De alguma forma, ele sempre conseguia deixar Evelina arrepiada com apenas algumas palavras.

Atônita, os dedos dela pararam no ar e ela perguntou calmamente: "Você não esqueceu, né?"

Será que ele tinha se esquecido? Mas ele não havia adquirido aqueles brincos de safira preciosos para se redimir?

As sobrancelhas do homem se franziram levemente. "Esquecer o quê exatamente, Evelina?"

"Os brincos de safira... você os adquiriu no leilão, não adquiriu?" O coração de Evelina palpitava de inquietação, mas a esperança permanecia teimosamente.

"Como sabe daqueles brincos?", Cary perguntou, parecendo genuinamente surpreso, sem esperar que sua esposa discreta fosse ficar de olho em algo tão extravagante.

Um sorriso amarelo ilustrou seus lábios, transparecendo desprezo.

Evelina possuía uma beleza natural, com traços delicados, olhos gentis e expressivos, mas se recusava a ostentá-la, sempre se vestindo com simplicidade e carregando um aspecto monótono e negligenciado, como uma flor que havia murchado.

Até a empregada da casa da família Gibson se vestia com mais requinte do que ela.

Mas, agora, Evelina decidiu criar coragem, seus olhos brilhando cautelosamente. "Vi a transmissão do leilão. Aqueles brincos são tão lindos..."

"Eles são para Esme", o homem a interrompeu rispidamente.

Só de falar do seu primeiro amor, Esme Barton, sua voz se suavizou notavelmente. "Ela finalmente aceitou voltar para mim. É claro que eu precisava presenteá-la com algo especial."

Ouvindo essas palavras, Evelina sentiu seu peito apertar dolorosamente, sua respiração presa na garganta.

Então a pessoa com que ele se sentia em dívida era Esme Barton, a mulher que havia o abandonado?

E o que isso fazia da esposa dedicada que permanecia ao lado dele por três anos sem reclamar, nem sequer pedir reconhecimento?

Incapaz de suportar, Evelina perguntou com a voz embargada pela angústia: "Cary, você se esqueceu de quem foi o culpado pelo acidente que te deixou cego?"

Naquele dia terrível, Esme deu um chilique por algo banal, o que distraiu Cary e causou um acidente.

Quando a notícia de que a visão de Cary poderia estar comprometida permanentemente foi divulgada, Esme inventou uma desculpa esfarrapada antes de fugir para o exterior no mesmo dia, sem deixar qualquer rastro.

O casamento deles já havia sido anunciado, e os convites enviados, mas ela e sua família não puderam ser localizadas.

Se Evelina não tivesse sido corajosa e intervindo no momento certo, a família Gibson teria sido alvo de escândalos na cidade inteira.

"Você não sabe de nada! Esme não teve culpa!", o homem retrucou duramente.

Se recusando a admitir qualquer crítica à sua verdadeira amada, ele a defendeu: "Inclusive, foi Esme que providenciou as cirurgias para meus olhos. Se alguém não tivesse revelado a verdade, eu jamais saberia tudo o que ela fez por mim em segredo."

Atordoada, Evelina mal conseguia formular as palavras. "O que... você disse?"

Foi Evelina quem realizou as cirurgias, e a avó dele praticamente implorou por sua ajuda.

Evelina havia realizado três cirurgias delicadas, se empenhando por horas na mesa de cirurgia até a exaustão. Incontáveis noites sem dormir ela passara dedicando-se inteiramente a ele, nunca revelando que era a renomada Tecelã da Visão.

Como Esme acabou ficando com todo o mérito?

"Tem certeza disso? Você confia em todos os boatos que ouve?"

"Tenho total certeza. Esme foi a última aprendiz do professor Landen Mitchell, a única pessoa no mundo qualificada para realizar esse tipo de cirurgia", respondeu Cary com orgulho e gratidão inabaláveis.

Mas, na verdade, não era Evelina a última aprendiz do professor Mitchell? Há quanto tempo Esme estava fingindo ser ela?

Nesse instante, Evelina queria desesperadamente expor a farsa da mulher, mas logo se lembrou da morte do seu mentor seis meses atrás.

Era claro por que Esme escolheria esse momento para retornar.

Com a ausência de Landen, ninguém poderia contestar as alegações dela.

E Cary, totalmente curado pelos cuidados de Evelina, agora exercia uma influência significativa como líder do Grupo Gibson, criando uma oportunidade certeira para as estratégias de Esme.

Evelina não tinha provas, o que a impedia de revelar a verdade. Com a amargura a consumindo, ela perguntou: "Então o que você veio fazer aqui esta noite? Não deveria estar comemorando com sua amada?"

Retirando o avental bruscamente, ela podia sentir o desespero corroer seu coração.

Num tom casual e indiferente, o homem respondeu: "Estou exausto, Evelina. Vamos colocar um fim neste casamento. Acordamos três anos, e eu já aguentei mais do que devia."

Aguentou mais do que devia? Como ele ousava descartar os sacríficos dela como se não fossem nada?

Ela tinha passado esses três longos anos se sacrificando, dedicando toda a sua energia e conhecimento para curá-lo, o transformando no homem poderoso que ele havia se tornado.

Sem sequer notar a angústia no rosto dela, Cary pegou uma pasta com os documentos do divórcio com uma calma perturbadora, obviamente já tendo os preparado com antecedência. "Leia os termos e assine se não tiver objeções. Já perdi tempo demais. Não vou fazer Esme continuar esperando."

Folheando os papéis, Evelina leu dolorosamente a separação de bens. Ela ficaria com um apartamento longe do centro da cidade, o carro velho que ela usava para fazer compras e meros três milhões de dólares.

A audácia do homem era inacreditável!

Ele presenteara a mulher responsável por sua cegueira com brincos de safira avaliados em trezentos milhões, mas estava oferecendo três milhões para a esposa que o havia salvado.

Três milhões não cobririam sequer o custo de uma das suas cirurgias, muito menos compensariam os inúmeros procedimentos que ela havia rejeitado durante esses três anos que passou isolada nessa casa, cuidando apenas dele.

"Se você quiser mais...", Cary começou, já esperando que Evelina chorasse ou suplicasse por mais.

Mas, em vez disso, ela deu uma risadinha, pegou a caneta com determinação e assinou sem hesitar.

Perplexo, o homem parou por um momento, não esperando que ela fosse aceitar tão facilmente. Evelina era órfã. Será que ela realmente estava disposta a abandonar uma vida de conforto?

Devolvendo os papéis assinados, ela disse num tom curto e grosso: "Pronto. Espero que não se arrependa da sua escolha depois!"

Capítulo 2 O retorno da rainha

Cary foi pego de surpresa por um momento, mas logo se recompôs. "Claro que não vou me arrepender. Mas já que você aceitou o acordo, é sua responsabilidade explicar o divórcio para minha avó."

O homem sabia muito bem que Demi só aceitava Evelina como sua neta por afinidade. Se a notícia do divórcio chegasse aos ouvidos dela, ele enfrentaria sua ira.

Então, naturalmente, ele queria que Evelina levasse a culpa.

Sem sequer olhar para ele, Evelina respondeu calmamente: "Não vou explicar nada para Demi. Já quitei todas as minhas dívidas com ela nesses três anos. Você não está apaixonado por Esme? Qual é o problema com isso? Não consegue nem ter coragem para falar com sua própria avó?"

Tendo crescido em um orfanato, Evelina contou com a generosidade de Demi para sua criação.

Então, quando a família Gibson precisou urgentemente de uma noiva substituta, ela aceitou sem hesitar.

Inteiramente disposta a assumir esse papel quando Cary perdeu a visão, ela cumpria seus deveres fielmente, cuidando dele e da casa todo dia sem reclamar.

Ela tinha um único e modesto pedido: um acordo matrimonial de três anos. Se Cary não se apaixonasse por ela até o prazo final, eles se separariam pacificamente.

Agora, depois de tantos anos de cuidado árduo, sua liberdade finalmente havia batido na porta.

"O amor verdadeiro supera tudo. Espero de coração que sua história de amor perfeita dure para sempre", Evelina respondeu secamente, com um leve toque de sarcasmo nas suas palavras.

Ela pegou as chaves do carro sobre a mesa e foi até a garagem, mas foi abruptamente bloqueada por Margot Gibson, irmã caçula de Cary.

"Evelina, fiquei sabendo que está se divorciando do meu irmão. Esse carro é propriedade da nossa família, então você não pode levá-lo!"

Evelina soltou uma risada fria. "Paguei por este carro sozinha. Sendo sincera, você é tão descarada quanto seu irmão!"

Atraído pela discussão, Cary se aproximou. "O que está acontecendo aqui?"

"Evelina está levando o carro, e eu pretendia usá-lo!", reclamou Margot num tom petulante.

A testa de Cary se franziu ligeiramente. "Evelina, entregue as chaves para Margot."

"De jeito nenhum. Por que eu deveria?"

"Você é tão ousada!", exclamou Margot, avançando para pegar as chaves.

De repente, uma mala velha foi lançada para dentro do veículo, seguida por vários fogos de artifício acesos.

No instante seguinte, faíscas começaram a surgir e uma fumaça densa se espalhou quando os fogos de artifício explodiram, fazendo Margot gritar em pânico.

"O carro é seu. Não o quero mais", respondeu Evelina, limpando as mãos enquanto se afastava decididamente.

Tudo o que ela usou ou vestiu na casa dessa família estava no veículo. Ela não queria nada que a lembrasse desse lugar.

Rapidamente, ela ligou para sua melhor amiga, Kristina Anderson.

Quando ela chegou nos portões da vila, um carro elegante e discreto a aguardava.

Ao avistar a amiga, Kristina ficou de queixo caído. "Ora, se não é a majestosa Evelina em pessoa!"

Fingindo espanto, a mulher esfregou os olhos ao acrescentar: "Três anos, Evelina! Toda vez que eu te ligava, você estava ocupada demais cuidando daquele marido ingrato. Sinceramente, eu não sabia ao certo se naquela época fui ao seu casamento ou ao funeral."

Saltando do veículo, Kristina deu um abraço apertado em Evelina. "Você finalmente deu um fim naquele caolho idiota? Bom, agora podemos começar a viver de verdade."

Estralando os dedos dramaticamente, ela continuou: "Espere aí... preciso comprar uma caixa de fogos de artifício! Seu retorno tão esperado merece uma comemoração à altura!"

"Você chegou na hora certa", disse Evelina com indiferença, apontando casualmente por cima do ombro.

Nesse momento, uma explosão rompeu a noite tranquila - o carro velho explodiu em chamas, criando um visual que ninguém esperava.

Faíscas brilhantes se espalhavam por toda parte, iluminando a escuridão num espetáculo vibrante.

"O que achou desse presente de despedida?", Evelina perguntou com um sorriso brincalhão, sua sobrancelha arqueada em travessura.

Kristina caiu na gargalhada. "Aí está ela! A Rainha Evelina finalmente está de volta! É hora de festejar!"

Indo para o banco do passageiro, Evelina soltou um suspiro cansado. "Outro dia, quem sabe. Agora, só preciso dormir urgentemente."

Ela havia passado três anos ajudando na recuperação de Cary, mal conseguindo tirar um tempo para descansar, então agora sentia como se um caminhão a tivesse atingido.

Dentro da residência, Margot batia o pé furiosamente. "Evelina quase me matou de susto! Ela perdeu a cabeça? Ela destruiu nosso carro! Cary, você tem que dar um jeito nela!"

"Já chega!", Cary interrompeu bruscamente.

A exasperação marcava sua voz ao repreender: "É assim que uma Gibson deve se comportar? Com essa birra infantil?"

Instantaneamente, Margot assumiu um tom suplicante e magoado: "Está mesmo implicando comigo por causa daquela mulher? Espere até eu contar para Esme. Ela verá o quanto você mudou!"

"Não fale bobagens", retrucou o homem com irritação, embora, no fundo, considerasse Evelina insignificante em comparação com sua irmã.

No instante seguinte, ele suavizou a voz para tranquilizá-la: "Se esqueceu de que em breve Jasper Russell chegará a Aglonard?"

A família Russell era uma das famílias mais influentes de Ireah, dominando os círculos políticos, comerciais e militares, o que a tornava extremamente poderosa.

Jasper Russell, o herdeiro mais jovem, além de ser bastante simpático, também gerenciava o imenso Grupo Russell. Um mínimo gesto seu causava comoção em toda a alta sociedade.

E o mais importante era que ele era o único solteiro entre os herdeiros da família Russell. Todas as jovens ricas de Aglonard e de outros lugares sonhavam em se tornar a senhora Russell.

"Não esqueci", Margot murmurou timidamente, corando ao ouvir sobre o cara que ela admirava.

Se agarrando carinhosamente ao braço do irmão, ela acrescentou com entusiasmo: "Ele virá para o tratamento oftalmológico da sobrinha. Se Esme conseguir curar a visão da senhorita Florrie Russell, se tornará uma pessoa imprescindível para a família Russell e sem dúvida para nós também. Assim, até a vovó terá que aceitá-la."

Cary acenou com a cabeça pensativamente.

O suposto talento médico de Esme havia feito a família Russell vir para Aglonard, apresentando-lhes uma oportunidade perfeita para solidificar alianças poderosas.

"E se você ajudar Esme durante a operação e conquistar a simpatia da senhorita Russell... talvez até Jasper se interesse por você", ele sugeriu, a encorajando.

"Ah, isso mesmo! Obrigada pela ideia, Cary!" Os olhos de Margot brilharam enquanto os sonhos invadiam sua mente.

Mas, de repente, os pensamentos de Cary começaram a vagar. A imagem de Evelina se afastando com confiança, destemida e equilibrada, permanecia persistentemente.

Tendo sempre a considerado uma mulher banal, submissa e até entediante, ele não esperava por essa versão ousada e feroz.

Talvez ele precisasse reavaliar a mulher que havia desprezado por três anos...

Capítulo 3 Beleza renovada

Evelina passou três dias seguidos recuperando as energias na luxuosa suíte presidencial de Kristina.

Além dos breves momentos que beliscava alguns lanches, ela mal se movia, com a amiga até aplicando máscaras faciais rejuvenescedoras nela.

Quatro dias depois, de repente Demi ligou de manhã, solicitando que Evelina fosse à Mansão Gibson.

Não foi difícil adivinhar o motivo da convocação. Sem dúvida, era sobre o divórcio.

No entanto, Kristina suspeitava de algo além. "Duvido que seja só pelo divórcio. Pelo que fiquei sabendo, Florrie Russell, a neta mais velha da família Russell, perdeu a visão recentemente após sofrer uma lesão grave na cabeça. A família já consultou todos os especialistas renomados e agora está procurando desesperadamente pela Tecelã da Visão, aprendiz de Landen Mitchell. Até Jasper Russell está vindo a Aglonard para supervisionar a busca pessoalmente. Demi é a única que sabe da sua verdadeira identidade, então estou preocupada que ela possa tentar..."

Evelina logo a tranquilizou: "Demi prometeu nunca expor minha identidade. Não se preocupe com isso."

Mesmo assim, Kristina se mantinha prudente, alertando a amiga: "Só não deixe que a família Gibson se aproveite do seu conhecimento novamente."

"Terei cuidado com isso", Evelina respondeu firmemente.

Ainda não convencida, Kristina disse com determinação: "Você não vai encontrá-los assim, vai?"

Após o café da manhã, Kristina chamou sua equipe de beleza particular. "A missão de vocês é reviver nossa bela adormecida!"

E eles conseguiram. Um momento de relaxamento e trato depois, Evelina parecia uma flor radiante e renovada sob a luz do sol. Sua pele estava iluminada, suas feições vigorosas, e o cansaço que obscurecia seu olhar há anos desapareceu completamente, substituído por uma limpidez e fascínio.

Com um vestido coquetel elegante e uma maquiagem leve, mas de bom gosto, Evelina estava totalmente transformada.

Após um longo tempo a observando, Kristina exclamou: "A cirurgia de Cary para recuperar a visão não deve ter funcionado, já que ele trocou uma deusa dessas por alguém como Esme."

Na hora combinada, o veículo com o motorista da família Gibson chegou à porta do hotel.

Asher, mordomo antigo da família, havia vindo até lá para buscar Evelina. Mas, ao vê-la, ele não a reconheceu de imediato, a olhando confuso até que ela o cumprimentou.

"Senhorita Marsh? Você está completamente espetacular!", ele gaguejou.

Em meia hora, o carro parou na Mansão Gibson e Asher saiu rapidamente para abrir a porta para ela.

"É a senhorita Russell?" Margot se aproximou às pressas, assumindo uma expressão bajuladora instantaneamente.

Esse era o dia da chegada de Jasper, e Margot havia se arrumando desde o início da manhã, ansiosa para chamar a atenção dele.

Ela imaginava que seria Jasper quem apareceria, mas encontrou uma mulher deslumbrante parada na porta.

Com toda essa graciosidade e confiança, quem mais ela poderia ser senão uma Russell?

"Margot, você deveria fazer um exame de vista." O tom de Evelina era educado, mas com um desprezo inconfundível.

Incrédula, Margot entreabriu os lábios enquanto observava Evelina de perto, sussurrando com uma inveja aparente: "É você?"

Nesse momento, outro veículo se aproximou e Cary saiu graciosamente, acompanhado por Esme.

No entanto, quando seu olhar pousou em Evelina, ele parou abruptamente, pego de surpresa pelo encantamento da mulher.

Apenas alguns dias haviam se passado. Como ela havia se transformado tanto?

Agora, Evelina irradiava uma beleza natural e envolvente.

Notando o espanto de Cary, Esme cerrou os dentes em nervosismo, mas mantinha seu sorriso gentil. "Essa é sua ex-esposa, não é? Já que a encontramos, seria bom que você pelo menos a cumprimentasse. Deve ser difícil para alguém sem família como ela vir até aqui atrás de você."

A mulher usava um tom suave, mas cada palavra era mais afiada do que uma agulha, agindo como se ela fosse a verdadeira senhora Gibson.

Saindo do devaneio, Margot explodiu de raiva. "Evelina! Onde conseguiu dinheiro para se vestir assim? Por acaso usou o cartão de Cary para custear esse seu novo rosto e esse vestido de grife?"

Até Esme estava com um traje mais simples nesse dia, a fim de evitar atenção desnecessária. Ver Evelina roubar a cena sem qualquer esforço estava sendo insuportável para Margot.

Após um momento de hesitação, ela sussurrou maliciosamente: "Olhe só para você, vestida como uma prostituta. Tentando reconquistar Cary? Você só pode estar delirando!"

Num ataque de raiva, Margot avançou, suas unhas exageradamente grandes tentando agarrar o vestido e cabelo de Evelina.

Asher interveio rapidamente: "Senhorita Gibson, por favor! Há convidados estimados hoje, e esse não é um comportamento adequado para uma Gibson."

Ignorando o alerta do motorista, Margot gritou furiosamente: "Vou acabar com esse seu sorrisinho arrogante!"

Sem se importar com as palavras da mulher, Evelina ergueu seu celular calmamente para gravar o ataque de Margot, respondendo com uma confiança gélida: "Isso, continue. Vamos mostrar a Jasper Russell o quão refinada você realmente é."

Ao ouvir isso, Margot congelou instantaneamente e arregalou os olhos. Suas ameaças pararam na garganta, substituídas por um olhar fulminante. "Você não teria coragem!"

Decidindo mudar a abordagem, ela se apoiou no ombro de Esme para fingir vulnerabilidade. "Esme, coloque essa mulher ardilosa no lugar dela, por favor. Logo seremos uma família, então você tem que me defender."

Ela enfatizou a palavra "família" só para provocar Evelina.

Com uma ternura forçada, Esme acariciou os cabelos de Margot como se consolasse uma criança. "Está tudo bem. Ninguém vai te fazer mal enquanto eu estou aqui."

Vendo esse teatrinho, Evelina zombou bruscamente: "Onde estão Demi e Elora Gibson? Desde quando estranhos ditam regras nesta casa?"

Ponderando que essa não era a Evelina gentil que todos conheciam, a expressão de Esme se enrijeceu. Como a mulher havia ficado com uma língua tão afiada do nada?

Indignada, Margot retrucou: "Quem é a estranha aqui? Você é a única que não pertence a este lugar!"

Se virando para Cary, ela continuou: "Ouviu o que essa mulher disse para Esme? Você não pode deixá-la nos intimidar assim!"

Com uma graciosidade ensaiada, Esme suspirou suavemente. "Não tem problema. Evelina não tem pais para lhe ensinar boas maneiras. Não é culpa dela, coitada. Cary, não a culpe por esse pequeno desentendimento, por favor."

Evelina revirou os olhos, irritada com essa insinuação.

Cary sequer notou a ira de Evelina, com olhos apenas para Esme.

Se aproximando de Esme, Cary a abraçou com carinho e então olhou friamente para Evelina, dizendo, sua voz incisiva: "Se acha que causar problemas te concederá alguma vantagem, está completamente enganada. Sua atitude é patética. Peça desculpas a Esme agora mesmo!"

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