O dia começa, e algo raro acontece: acordo com uma energia inesperada. Meu ânimo está elevado, e um senso de confiança, quase ousado, me invade. A pressa para me arrumar não é apenas uma rotina; hoje é quase uma celebração silenciosa de quem sou. Como dona de uma empresa de arquitetura, a imagem que projeto importa, e ser pontual é só o primeiro passo.
Abro o guarda-roupa e meus olhos encontram um vestido preto que raramente uso. Ele é justo ao meu corpo, cai levemente acima dos joelhos e tem um decote discreto, mas suficiente para destacar minha feminilidade. Decido que hoje é o dia de tirá-lo do esquecimento. Calço um salto da mesma cor e me observo no espelho. A cada detalhe ajustado - o cabelo solto caindo pelas costas, a maquiagem leve mas marcante -, sinto-me diferente. Poderosa. Confiante. E ousaria dizer até sexy. É com essa aura que pego minha bolsa, deixo meu apartamento e desço até o estacionamento do prédio.
Enquanto atravesso o espaço moderno e iluminado do prédio, reflito sobre minha casa. Meu apartamento é um reflexo do que sempre sonhei: minimalista, sofisticado, com tons neutros que acalmam e inspiram. A varanda foi o que me conquistou de imediato. Não resisti à vista ampla, ao espaço que parece ser uma extensão do céu. Mas não foi só isso: dois quartos confortáveis, uma suíte com hidromassagem, sala e cozinha integradas. Cada peça de mobília foi escolhida com cuidado, cada canto decorado com carinho. É meu refúgio, meu santuário.
Entro no carro e sigo para a empresa. O trajeto é tranquilo, a cidade ainda desperta, e o som suave do motor ecoa como um prelúdio para o dia que começa. Estaciono no prédio da empresa, sinto os olhares me seguindo ao atravessar o saguão. Percebo os homens ao redor, mal disfarçando enquanto me observam. Não dou muita importância, mas sorrio internamente. A confiança em mim mesma hoje é palpável.
Chego à minha sala e mergulho no trabalho quase imediatamente. A manhã passa em um ritmo acelerado enquanto reviso um contrato que pode mudar os rumos da empresa. O contrato que tenho em mãos é mais do que um simples documento. Ele representa meses de negociação com uma das maiores construtoras do país, a Eldorado Engenharia, que busca parceria com minha empresa para um ambicioso projeto de revitalização urbana que visa transformar uma área decadente da periferia em um centro pulsante de inovação, combinando moradias acessíveis, espaços culturais e áreas comerciais sustentáveis.
À primeira vista, o contrato parece uma oportunidade de ouro para minha empresa, mas sei que contratos assim nunca são tão simples quanto aparentam. A Eldorado é uma gigante do setor e, como toda corporação desse porte, está mais preocupada em proteger seus próprios interesses do que os dos seus parceiros menores. É meu trabalho garantir que minha empresa não seja engolida no processo.
Minha mão corre para o bloco de anotações ao lado, e faço uma lista de pontos que precisarei discutir com meu advogado antes de assinar. E então minha concentração é interrompida por uma batida na porta. Deixo a caneta de lado e olho para a entrada.
- Entre - Digo
- Bom dia, senhorita Ollivary - A voz calorosa e familiar de Lexy, minha secretária e melhor amiga.
Sorrio para ela, já me levantando e indo ao seu encontro.
- Lexy! O que faz aqui? Pensei que estivesse cuidando da dona Simone! - digo, enquanto a abraço.
- Senti sua falta, Mel. - Ela ri, mas seu olhar entrega algo mais.
- Tá bom, me engana que eu gosto. Qual é o motivo de verdade? - brinco, tentando aliviar o clima.
Ela me analisa dos pés à cabeça e solta uma exclamação:
- Nossa, hoje você está vestida para matar!
Sei que não estou nada mal: meus 1,70cde altura, cabelos longos e pretos, olhos azuis e, segundo Lexy, "um corpo de dar inveja", estão valorizados. Apesar disso, sempre me considerei uma mulher comum.
- Acordei de bom humor - digo, fazendo uma pose exagerada, arrancando risadas dela.
- Que milagre! Vamos orar para que isso dure mais dias! - Lexy responde, gargalhando.
- Boba! Mas, sério, o que aconteceu? - pergunto, indicando a cadeira para que ela sente.
Lexy hesita. O sorriso dela diminui, e percebo algo de errado.
- Acho melhor conversarmos sobre isso à noite, no seu apartamento. Prometo explicar tudo. Pode ser?
A preocupação cresce em mim, mas concordo.
- Tudo bem, mas quero todos os detalhes, hein.
- Combinado. Passo lá às 20h. - Lexy se despede com um sorriso que não esconde sua inquietação.
Assim que ela sai, volto ao trabalho e mergulho novamente no contrato. O tempo voa, e só percebo a hora quando minha fome me lembra de pedir o almoço. Depois de comer, volto ao ritmo frenético, focada em cada detalhe.
Quando olho o relógio novamente, me assusto: 19h. O prédio está silencioso, quase deserto, já com diversas de suas luzes apagadas. Reúno minhas coisas e me preparo para ir embora. Assim que saio da minha sala o som dos meus saltos ecoa nos corredores vazios enquanto sigo em direção ao elevador. O silêncio ao redor, que antes era apenas tranquilidade, agora parece inquietante.
Então, ouço um barulho. Um som seco, como algo caindo. Paro imediatamente. Meu coração acelera, e olho ao redor, tentando encontrar a origem do ruído. Nada. Respiro fundo, convencendo-me de que é só minha imaginação. Mas quando dou mais alguns passos, outro som me paralisa. Desta vez, é mais próximo. Um arrepio percorre minha espinha enquanto meus olhos tentam se ajustar à penumbra do corredor.
Há movimento. Uma sombra no canto direito. Sinto o pânico crescer, mas me forço a manter a calma. Dou passos lentos para trás, sempre mantendo os olhos fixos naquele ponto. Meu coração parece explodir no peito. A cada movimento, meu corpo parece gritar para correr, mas minhas pernas insistem em avançar devagar.
Chego ao elevador e aperto o botão com pressa. A porta parece demorar uma eternidade para abrir e assim que chega me apresso e entro rapidamente, novamente apertando rapidamente o botão do térreo. Nesse momento, a sombra começa a se mover novamente. Lentamente, se erguendo até que finalmente toma forma, vejo um homem. Não é apenas uma presença. Ele está ali, observando, me olhando diretamente.
Ele estava completamente vestido de preto, uma presença quase espectral no corredor mal iluminado. O capuz ocultava seu rosto, mergulhando-o em sombras impenetráveis. Meu coração disparava, cada batida ecoando em meus ouvidos enquanto meus dedos tremiam ao apertar o botão do elevador. As portas pareciam levar uma eternidade para se fechar, e durante aqueles segundos intermináveis, meus olhos permaneceram fixos na figura imóvel diante de mim. Ele não se mexeu. Não avançou. Apenas ficou ali, observando, ou pelo menos parecia.
Finalmente, as portas se fecharam, cortando aquele momento de pura tensão. Meu peito subia e descia rapidamente, o medo ainda corroendo minha mente enquanto o elevador descia. Quando cheguei ao térreo, minha respiração ainda estava irregular, mas senti uma onda de alívio. Sem hesitar, corri para a guarita do prédio e relatei tudo ao segurança, detalhando o que havia visto e ouvido. Ele me ouviu com uma expressão intrigada e prometeu subir para verificar.
Enquanto ele subia, fiquei ali, sozinha na recepção vazia, sentindo o silêncio do prédio como uma entidade esmagadora. Quando ele voltou, sua resposta foi tão simples quanto frustrante.
- Não tem ninguém lá, senhorita. Verifiquei todo o andar. Deve ter sido impressão sua.
Impressão minha? Talvez fosse isso. Talvez o cansaço do trabalho estivesse afetando minha mente. Convenci-me de que era a explicação mais lógica. Ainda assim, o desconforto persistia enquanto eu caminhava até o carro. A noite parecia mais escura, mais pesada. Cada som ao meu redor parecia ampliado, desde o eco dos meus saltos até o ruído distante de carros na rua. Entrei no veículo e tranquei as portas imediatamente. Só quando comecei a dirigir, o asfalto deslizando sob as rodas, é que o pânico começou a diminuir.
Chegar em casa foi um alívio. O apartamento era meu refúgio, um mundo à parte do que havia acontecido. Mesmo assim, a solidão me atingiu com força. Deixei minhas coisas na entrada, fui direto para o chuveiro e deixei a água quente cair sobre meu corpo, lavando os resquícios de medo e tensão. Quando terminei, vesti uma calça de moletom e uma camiseta larga, buscando conforto.
No sofá da sala, tentei ocupar minha mente com tarefas simples. Peguei a correspondência que havia deixado de lado pela manhã. Entre contas e panfletos, havia um envelope diferente. Branco, elegante, com letras douradas. Franzi o cenho enquanto o abria, a textura do papel fino e refinado entre meus dedos.
Quando li o conteúdo, meu mundo pareceu congelar:
Vanessa Mary Ollivary e Caio Silva Crayn.
Demorei alguns segundos para processar. Minhas mãos começaram a tremer novamente, mas dessa vez não era por medo. Um convite de casamento... da minha irmã... com o meu ex-noivo.
Releio o texto, como se pudesse ter lido errado, mas as palavras continuam ali, fixas, imutáveis. Meu estômago se contrai. Não é o casamento em si que dói. Mas a traição de Vanessa? Minha própria irmã? Ela sabia o que ele significava na minha vida, o que ele representava. E ainda assim...
O envelope escorrega das minhas mãos, caindo no chão. Minha mente tenta entender o que isso significa. É um golpe deliberado, não tenho dúvidas. A audácia de me enviar o convite! Como se dissesse: "Veja, eu ganhei."
Minha espiral de pensamentos é interrompida pela campainha. O som parece distante, quase irreal. Levo alguns segundos para reagir, até que me lembro: Lexy. Ela havia dito que viria. Caminho até a porta como se estivesse no piloto automático, ainda absorvendo o choque. Quando abro, lá está ela, olhando diretamente para mim.
- Mel? - Sua expressão amistosa muda para preocupação imediata. - Meu Deus, você está pálida. O que aconteceu?
- Entra - digo com a voz baixa. - Eu... preciso te contar algo.
Sentamos no sofá, e as palavras começam a sair. Conto tudo, desde o convite até o turbilhão de emoções que sinto. Lexy me ouve com atenção, mas, aos poucos, vejo a indignação tomando conta dela.
- Eu não acredito! - ela diz, finalmente. - Sua irmã? Com o Caio? Eles realmente estão fazendo isso? E ainda planejaram uma semana inteira de festa?
- Pois é - murmuro, ainda tentando assimilar tudo.
Mas Lexy não se contenta com meu conformismo.
- Você vai.
Meu corpo congela, e minha cabeça gira em direção a ela.
- O quê? Não vou! - protesto, meu tom definitivo.
- Vai, sim! - Ela cruza os braços, irredutível. - Aquela cobra só te mandou esse convite para tripudiar em cima de você. Para te ver sofrer.
- Mas eu não estou sofrendo, Lexy... - Tento argumentar, mas ela me interrompe.
- Pode até não estar, mas ela acha que está! E você vai provar que ela está errada. Vai lá, mostrar que está por cima. E vai levar alguém.
- Lexy... - Minha voz sai exasperada. - Desde o Caio, você sabe que não me envolvi com ninguém. Quem eu levaria?
Ela sorri, aquele sorriso que sempre precede suas ideias mais loucas.
- Temos um mês ainda. Se não acharmos alguém, a gente aluga um namorado.
- O quê?!
- Isso mesmo. Não estou brincando.
Minha cabeça gira enquanto discutimos por minutos intermináveis. No final, como sempre, Lexy vence. Decido ir ao casamento, mas o problema maior ainda paira sobre nós: quem seria meu acompanhante?
Lexy, aparentemente já com um plano, se aproxima da mesa de centro onde meu notebook está. Seus dedos começam a digitar rapidamente no teclado.
- O que você está fazendo? - pergunto, exausta.
- Você já vai ver - responde ela, enigmática, sem desviar os olhos da tela.
Curiosa, levanto-me e me aproximo. Quando vejo o que está na tela, meus olhos se arregalam, e minha boca se abre em um "o" silencioso de espanto
- Não, não e não! - exclamei, cruzando os braços com firmeza, enquanto Lexy, mais uma vez, tentava me convencer a embarcar em sua ideia absurda. Minha cabeça rodava, lutando contra a insistência dela, que parecia não ter limites. Isso simplesmente não ia acontecer. Era contra tudo o que eu acreditava.
- Vamos lá, Mel! - Lexy exclamou, jogando as mãos para o alto em dramatização. - Você não pode aparecer sozinha no casamento. Todos vão sentir pena de você. É isso que você quer?
Seu tom não era de deboche, mas suas palavras atingiram como uma flecha no alvo. A última coisa que eu queria era ser alvo de olhares piedosos e cochichos disfarçados, como se eu fosse algum tipo de fracasso ambulante. Droga. Eu sabia que ela tinha razão, mas odiava admitir.
- Onde você vai encontrar um namorado em um mês? - ela continuou, com a voz carregada de desafio, como se soubesse que estava prestes a me vencer.
Suspirei, derrotada. Cada fibra do meu ser se recusava a dar o braço a torcer, mas a realidade era implacável. O casamento estava a um mês de distância, e eu precisava de alguém para ir comigo. Não tinha outra escolha. Todos os meus princípios, tão cuidadosamente erguidos, começaram a desmoronar.
- Tá bom! - cedi, jogando as mãos no ar. - Vamos olhar esse site.
Lexy vibrou como se tivesse ganhado um prêmio. Eu me sentei ao seu lado, relutante, enquanto ela posicionava o notebook no colo com um sorriso triunfante. Sua energia era quase contagiante. Quase.
Depois de duas horas vasculhando perfis, os resultados estavam longe de serem satisfatórios. Cada candidato parecia pior que o anterior.
- Que tal esse? - ela perguntou, animada, apontando para um perfil.
Olhei para a tela e não consegui conter uma risada. - Ele parece um esqueleto!
Lexy caiu na gargalhada, mas logo recuperou a compostura. - E esse?
- Carecas não fazem meu tipo - respondi, tentando parecer séria, mas falhando miseravelmente.
Ela suspirou teatralmente e voltou à busca. Até que, de repente, sua expressão mudou.
- Espera! Esse aqui. - Ela apontou para o perfil com olhos brilhando de expectativa. - Vamos ver o que diz a descrição...
Nicolas Salvatore. Não fumante, 26 anos, 1,93 metros de altura, olhos azuis, cabelos pretos. E olha só: ele mora aqui na cidade.
- É uma pena que não tenha foto. Vai que ele é um horror de olhos azuis. - Minha ironia fez Lexy gargalhar mais uma vez.
Sem perder tempo, ela digitou algo rapidamente e virou para mim com um ar determinado, segurando meu telefone.
- Toma, liga para ele.
Olhei para o celular como se fosse uma bomba prestes a explodir. - Lexy, eu não sei...
- Liga logo! - insistiu, praticamente empurrando o aparelho para mim.
Engoli em seco e, com os dedos trêmulos, apertei o botão de chamada. O som insistente do telefone tocando parecia ecoar por uma eternidade. cada toque amplificando meu nervosismo. Já estava começando a acreditar que a ligação cairia na caixa postal quando uma voz feminina, profissional e desprovida de emoção atendeu.
- Escritório da Accomply, em que posso ajudar
Por um momento, fiquei sem palavras. Minha mente demorou a processar que não era ele quem havia atendido. Claro que não seria tão fácil.
- Ah, boa noite... Eu gostaria de falar com o senhor Nicolas Salvatore. É sobre um serviço listado no site... - minha voz saiu hesitante, tentando não soar tão desesperada quanto me sentia.
- Certo, senhora... - A mulher fez uma pausa longa, como se aguardasse meu nome.
- Ollivary, Melissa Ollivary.
- Certo, senhora Ollivary. Aguarde apenas um instante por gentileza, vou verificar a agenda do senhor Salvatore.
Do outro lado da linha, o som de teclas sendo pressionadas ecoava na minha mente como um relógio batendo, amplificando minha ansiedade. Cada segundo parecia interminável enquanto eu aguardava a resposta. Minhas maõs soavam, Meu coração estava acelerado, quase dolorido contra o peito. Será que ele aceitaria me ver? Será que eu estava fazendo a escolha certa?
O som insistente do telefone tocando parecia ecoar por uma eternidade. cada toque amplificando meu nervosismo. Já estava começando a acreditar que a ligação cairia na caixa postal quando uma voz feminina, profissional e desprovida de emoção atendeu.
- Escritório da Accomply, em que posso ajudar
Por um momento, fiquei sem palavras. Minha mente demorou a processar que não era ele quem havia atendido. Claro que não seria tão fácil.
- Ah, boa noite... Eu gostaria de falar com o senhor Nicolas Salvatore. É sobre um serviço listado no site... - minha voz saiu hesitante, tentando não soar tão desesperada quanto me sentia.
- Certo, senhora... - A mulher fez uma pausa longa, como se aguardasse meu nome.
- Ollivary, Melissa Ollivary.
- Certo, senhora Ollivary. Aguarde apenas um instante por gentileza, vou verificar a agenda do senhor Salvatore.
Do outro lado da linha, o som de teclas sendo pressionadas ecoava na minha mente como um relógio batendo, amplificando minha ansiedade. Cada segundo parecia interminável enquanto eu aguardava a resposta. Minhas maõs soavam, Meu coração estava acelerado, quase dolorido contra o peito. Será que ele aceitaria me ver? Será que eu estava fazendo a escolha certa?
- Senhora Ollivary? - A voz da mulher voltou, profissional e calma, como se estivesse completamente alheia à urgência da minha situação. - O senhor Salvatore poderá atendê-la apenas daqui a dois meses. Sua agenda está completamente cheia até lá. Posso agendar a primeira data disponível, no dia 15 de Julho, às 14h.
Dois meses. Dois meses. As palavras ecoaram na minha mente como uma sentença. Meu rosto ficou pálido, e a pressão no peito aumentou. Por um instante, achei que fosse desmaiar.
- Dois meses? - minha voz saiu num sussurro, quase inaudível.
- Sim, senhora. Infelizmente, não há datas mais próximas. Ele é muito requisitado.
Minha mente começou a girar. Não havia como esperar tanto tempo. O casamento seria em um mês. Um mês, Nicolas Salvatore era minha única esperança.
- Por favor, tem certeza de que não há uma forma de encaixar meu caso antes? É... é algo muito urgente. - Minha voz falhou no final, carregada de uma desesperança que não consegui esconder.
A mulher hesitou por um momento, como se considerasse minha súplica.
- Sinto muito, senhora Ollivary. Mas o senhor Salvatore é extremamente criterioso com sua agenda. Posso incluir seu nome em nossa lista de prioridades caso haja algum cancelamento, mas não posso garantir nada.
- Certo... - respondi, sem forças para argumentar mais. - Por favor, me coloque nessa lista.
- Farei isso agora mesmo. A senhora pode ligar novamente amanhã para verificar se houve algum cancelamento.
- Obrigada. Respondi, a voz por um fio.
Desliguei o telefone, sentindo como se o peso do mundo estivesse sobre meus ombros. Dois meses? Eu não tinha dois meses.