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Namore comigo, senhor bilionário

Namore comigo, senhor bilionário

Autor:: Érica Christiehh
Gênero: Bilionários
"Ontem à noite foi um erro. Não conte a ninguém, ou vai se arrepender." Essas foram as palavras de Leonard, após passar a noite com Roberta Arantes, a garota estranha da faculdade. O que era para ser um segredo se espalhou pelo campus da universidade e Roberta foi humilhada e desprezada por todos, inclusive pela melhor amiga. Mas ela tinha um plano, ela decide não mais ser vítima - e contrata Miguel Carrascal, um homem charmoso e misterioso, para fingir ser seu namorado. O que começa como um plano para provocar ciúmes e retomar o controle da própria vida, logo se transforma em um emaranhado de segredos, mentiras e paixões inesperadas. Roberta descobre que Miguel não é um acompanhante de luxo, mas um bilionário poderoso e cheio de segredos.

Capítulo 1 Nosso segredo

- Ontem à noite foi um erro. Não vai espalhar por aí o que aconteceu, ou juro que você vai se arrepender. Entendeu?

Essas foram as palavras de Leonard assim que acordei no dia seguinte ao lado dele. Ele nunca havia dirigido uma palavra a mim durante todos esses anos em que estudamos juntos, até que nós dois acabamos dentro desse quarto.

Uma pontada dolorosa entre minhas pernas me deu a certeza de que eu havia entregado minha virgindade em uma bandeja de prata para ele.

Leonard não se lembrava de nada da noite anterior.

Eu estava entrando no meu quarto quando ele me beijou, me empurrando para o interior do quarto. O gosto enjoativo do álcool invadiu minha boca, meu corpo reagindo a cada toque dele, até que eu não resistisse mais e me entregasse completamente a ele sem qualquer ressentimento.

Um sorriso amargo atravessou meus lábios quando vi o arrependimento em seu rosto no dia seguinte. Pensei que, depois daquela noite, tudo poderia ser diferente, que eu teria finalmente alguém para compartilhar meu amor. Eu estava enganada.

- É melhor que nada disso saia deste quarto e que você não espalhe mentiras sobre mim. - A voz dele era rouca, alta, e a agressividade me fez recuar. Ele deu um passo em minha direção. - Tenho uma namorada, e ela não pode saber o que aconteceu aqui.

- Namorada? - Engasguei com as palavras dele.

- Vivian - sua voz soou suave e cheia de arrependimento. - Ela é minha namorada.

- Não... - choraminguei, as lágrimas brotando em meus olhos - não pode ser...

Como minha melhor amiga podia ser a namorada do homem que eu amava desde que entrei nessa faculdade? Meu corpo estremeceu, meu coração batia tão forte que mal conseguia respirar, enquanto as lágrimas caíam dos meus olhos.

Eu deveria exigir uma explicação. Não havia nenhuma menção de que Vivian e Leonard estavam juntos durante o tempo em que estou nessa universidade. E quando eu me lembrava que Vivian era a única que conhecia meus sentimentos por Leonard, tudo desmoronava.

Ela alimentou minhas fantasias, dizendo que eu era interessante o suficiente para que Leonard olhasse para mim de modo especial.

Ela me dizia isso enquanto namorava com ele?

Meu corpo congelou quando vi Vivian nos braços de Leonard pela primeira vez. Os boatos sobre a noite que tive com ele se espalharam rapidamente no campus da universidade, logo todos estavam falando sobre isso, mas Vivian estranhamente não me procurou.

Eu fugi de vê-los juntos pelo tempo que consegui.

O desprezo de Leonard era como brasas sobre o meu coração. Eu estava cansada de chorar escondida enquanto ele agia como se eu não existisse. Ele olhava para Vivian como se ela fosse o seu mundo. O que eu poderia esperar? Vivian era bonita, eu não.

Fotos apareceram no site do campus. Uma fotografia minha quase nua nos braços de Leonard foi exposta para centenas de pessoas e espalhada pelo campus, fixada na parede de cada corredor. Isso foi tão vergonhoso e humilhante. Eu nunca havia sido tão ridicularizada dessa forma. Essa foi a maneira que Vivian encontrou para se vingar de mim sem dizer uma palavra.

Todos diziam que eu era uma aproveitadora que havia dormido com Leonard para chantageá-lo, espalhando as fotos. Eu nunca consegui convencer ninguém sobre a minha inocência, eles não dariam ouvidos a uma pessoa como eu.

Quando eu estava no limite da dor, pronta para seguir em frente, Vivian me procurou pela primeira vez um mês depois, exigindo uma explicação.

- Roberta... - ela me chamou com a voz trêmula. - Leonard dormiu mesmo com você? Quer dizer, sério, isso pôde mesmo ter acontecido?

Abri os lábios para dizer o que estava acontecendo, quando ela levantou o braço. Um tapa forte estalou em meu rosto. Senti minha bochecha arder, a dor aguda se espalhando para o pescoço. Meus óculos voaram para longe. Eu mal conseguia enxergar sem eles.

- Está se sentindo especial agora que Leonard transou com você? - Os colegas ao redor riram. - Você não é nada. Nunca será ninguém. E, depois de hoje, vai se arrepender de estudar nesta universidade.

Meus olhos se fecharam e eu pedi para que tudo fosse um pesadelo, para que Vivian e Leonard não estivessem juntos.

- Desde quando vocês estão namorando? - Minha voz falhou, uma lágrima pronta para escorrer pelo meu rosto. - Há quanto tempo você fica com ele fingindo ser minha amiga?

- Eu não sei o que você quer dizer com isso. - O sorriso de Vivian se abriu, frio e lento. Ela se aproximou e fixou os olhos nos meus. - Mas, se quer saber, vamos nos casar, e você será minha convidada de honra.

Casar? Meus olhos, inevitavelmente, se encheram de lágrimas. Notei a alegria maliciosa na expressão de Vivian assim que ela me deu a notícia.

- Amanhã à noite é a festa do meu noivado com Leonard - ela disse, o sorriso dela era falso e gélido.

O convite não era um gesto de paz; era uma nova forma de me humilhar. Ela queria me ver rastejar. Mudei de assunto rapidamente.

- Você veio me perguntar se eu te perdoei? - Minha voz saiu estranhamente calma, mas o tremor nas minhas mãos traía minha fúria. - Ou se você vai espalhar mais fotos minhas por aí?

Os olhos dela estreitaram-se, a surpresa deu lugar ao escárnio.

- Ah, as fotos. Uma pena para você que Leonard não tenha caído na sua chantagem. Mas, respondendo à sua pergunta: não. Vim apenas te convidar, Roberta. Eu ficaria feliz se você fosse. Para acabar de vez com os boatos ridículos sobre você.

A raiva me gelou o sangue. Não havia mais lágrimas. A dor se transformou em uma determinação fria. Contei os meus segredos para aquela mulher e ela os tratou com desprezo.

Vivian deu de ombros, despreocupada, e continuou. - Você é ingênua, Roberta. Leonard não é o problema, você é. Fiz o que era preciso e perdoei você por transar com o meu namorado. Aceite isso como um acordo de paz.

- Irei à sua festa, Vivian - eu disse, cortando suas intenções. A mentira saiu antes que eu pudesse contê-la. - Mas não para assistir ao seu show.

O sorriso de Vivian vacilou.

- Irei acompanhada. Com o meu namorado rico.

Ela riu alto, o som ecoando no corredor. - Rico? Namorado?

- Ele é um empresário muito importante em Nova Iorque. Herdeiro de uma grande fortuna - continuei a mentir, sentindo meu estômago revirar. Eu precisava que ela sentisse um mínimo de dúvida.

- Jura? - As linhas do rosto dela se desenharam em pura incredulidade. - Estou ansiosa para conhecê-lo.

Por um momento, Vivian ficou parada, congelada na minha frente. Ela estava tentando assimilar a ideia de que eu poderia ter algo de valor. Depois, ela girou os pés e foi embora, levando a notícia para o campus.

Eu sabia. No segundo seguinte, a universidade estaria inteira falando sobre o meu "namorado rico".

Eu precisava fazer a mentira se tornar real. O noivado de Vivian e Leonard tinha data marcada, e eu não tinha um homem sequer para comprovar minha mentira.

Aquele desespero me obrigava a uma solução radical: Consegui um namorado falso o mais rápido possível.

Capítulo 2 Acompanhante de luxo

Leonard e Vivian estavam juntos e iriam se casar.

Eu ainda me culpava por deixá-la me enganar por tanto tempo.

Agora, minha mentira me obrigava a agir. Eu precisava recuperar minha reputação, e o único jeito era aparecer em público ao lado de um homem que todos acreditassem ser meu namorado - um homem importante e rico.

Ainda que eu duvidasse da minha propria capacidade de encontrar alguém para me ajudar, era tarde demais para desistir. Todos no campus estavam falando sobre isso.

Entrei no meu quarto para tentar me concentrar, quando o celular piscou com uma nova notificação:

- Serviços de Acompanhamento Premium. Encontre o seu par perfeito para eventos exclusivos.

Agarrei o aparelho. Havia me cadastrado para receber notificações sobre isso, em um pico de desespero. Imediatamente, anotei o endereço e comecei a me preparar.

Peguei minha bolsa e enfiei dentro dela o cartão com todas as minhas economias. Não pesquisei referências, não chequei a segurança do site. Olhei apenas para o endereço e para o dinheiro que iria gastar. Não importava se seriam quinze mil dólares - eu precisava acabar com aquilo, provar para Leonard, Vivian e para todos que eu não era a vadia que diziam.

Caminhei para fora do campus. A noite estrelada me surpreendeu. A porta se abriu e, olhando para o céu, não percebi Vivian parada à frente e esbarrei nela. O rosto parcialmente escondido nas sombras me fez tapar os lábios para não gritar.

Ela olhou nos meus olhos. Isso deveria tê-la assustado, mas não foi o que aconteceu.

- Onde você está indo? - Ela ergueu uma sobrancelha. - Você nunca sai do campus.

Senti o olhar quente dela sobre mim. Uma estranha sensação surgiu, de que Vivian estava me vigiando.

- Não somos mais amigas, então não preciso explicar nada.

Ergui os olhos para ela, seus cílios grossos e cerrados piscando, incrédula com o que acabara de ouvir. Algo perigoso se agitou dentro de mim e meu rosto esquentou como brasas. Desviei o corpo, pronta para partir, quando Vivian agarrou meu braço com força.

Suas unhas fincaram minha pele, esfoliando-a.

- Imagina os boatos amanhã sobre o que você faz quando sai à noite do campus.

Ela estava me ameaçando outra vez. Era tolice desafiá-la. Eu poderia ser expulsa da universidade por confrontar a sobrinha do reitor.

Encolhi os ombros, sem querer responder de imediato, quando a voz de Leonard interrompeu as intenções de Vivian. Olhar em seus olhos ainda era desconfortável, mas minhas mãos tremiam quando Vivian me soltou e eu percebi minha pele sangrar e arder.

- Oi, meu amor - Vivian se jogou nos braços dele e Leonard sorriu. - Você acredita que a Roberta quer sair da universidade? Vai se encontrar com o namorado rico?

Engoli o nó na garganta enquanto olhava mais uma vez para o homem que ainda amava. Seu olhar era tão frio que uma sentença de morte seria menos dolorosa do que o desprezo dele. Leonard riu; ele não acreditava que eu pudesse ter um namorado. Ninguém acreditava, mas eu estava pronta para provar que eles estavam errados.

- Você está certa, eu estou indo vê-lo - meu tom de voz, como sempre, era suave, mas falho. - Seria horrível se eu não pudesse ir ao seu noivado, acompanhada do meu namorado. Voce quer tanto conhecê-lo.

Vivian se calou, trocando olhares com Leonard. Ele revirou os olhos, cansado de estar ali. Colocou o braço atrás, segurando a cintura de Vivian. Meu coração disparou de dor. Eu não deveria sofrer por um homem que me rejeitava e que ajudou a me arruinar, mas um amor como aquele não parecia fácil de esquecer.

- Amanhã veremos se existe algum homem realmente corajoso nessa cidade para namorar você ou se você só está inventando essa história para se livrar do erro que cometeu.

Precisei de alguns segundos para entender que era comigo que Leonard estava falando. A voz dele era tão seca quando falava comigo. Meu rosto deve ter entregado o que eu sentia, porque Vivian falou em seguida:

- Ninguém vai saber que você saiu, afinal, não fazemos ideia do que você está tramando.

Ela deu uma risada, me avaliando minuciosamente antes de finalmente se afastar. À medida que eles diminuíam a distância entre nós, eu senti meus joelhos perderem a força. Leonard abriu os braços e Vivian se alinhou entre eles. Ele a puxou para perto e a beijou nos lábios.

Aquilo doeu como facas perfurando meu peito. Lágrimas riscaram meus olhos. Eu precisava conviver com esse sentimento diariamente e não fazia ideia de quando essa dor cessaria.

Girei os pés novamente para fora, concentrando-me apenas na minha missão. Mal me lembrava da última vez que saí daquelas paredes. Eu estava o tempo todo tão focada nos estudos que esquecia que aqui fora existia vida e que eu precisava vivê-la. O motorista que chamei pelo aplicativo já estava do lado de fora me esperando. As luzes da cidade brilhavam nos meus olhos, as ruas agitadas.

O veículo parou em frente a um hotel de luxo no centro. A placa de néon brilhando dizia:

The Sovereign Lounge.

Meu coração congelou.

Eu ia mesmo fazer isso? Pagar uma fortuna para um homem que eu não conhecia fingir ser meu namorado?

Estava a um passo de desistir. Poderia inventar uma desculpa para Vivian. Mas, se eu fizesse isso, seria arruinada para sempre. Respirei fundo e desci do automóvel, sorrindo para o motorista para esconder minhas mãos trêmulas.

Ajeitei meus óculos, que insistiam em cair do meu rosto magro. Meu All Star desbotado e o vestido velho que ia abaixo do joelho me faziam sentir como uma aberração. Mas não havia tempo para pensar sobre isso.

Caminhei em passos tímidos para o interior do lounge, olhando ao redor. Em vez de uma agência, encontrei um bar de luxo, repleto de empresários de terno e mulheres vestidas para impressionar.

Meu coração disparou. Limpei a garganta e me aproximei do homem mais bem-vestido perto do balcão de check-in - o recepcionista do hotel.

- Quero um acompanhante - minha voz saiu rouca e fraca.

Ele se virou e vi a surpresa em seus olhos. A eliminação profissional de qualquer traço de julgamento foi quase instantânea. Ele pigarreou:

- Para que tipo de eventos? E por quantos dias?

- Para um noivado - disse, ganhando um pouco de confiança. - Quero o homem mais caro que vocês tiverem.

Meus olhos se estreitaram para além do atendente, fixando-se em um homem encostado na parede, mexendo no celular. Ele não estava de terno, mas a camiseta preta que vestia parecia ter sido costurada à mão, e o relógio de pulso brilhava com um luxo discreto. Ele tinha uma aparência perigosa, de poder. Era o homem mais lindo que eu já havia visto.

Ele levantou o olhar e me encarou.

- Quero aquele homem - apontei na direção dele. - Eu pago para que ele finja ser meu namorado por um mês.

Capítulo 3 Confundindo um bilionário com um acompanhante de luxo

POV Miguel Carrascal

Eu franzi a testa, meu corpo enrijecendo visivelmente. À minha frente, a garota dos óculos gigantes, vestida estranhamente, estava, indiscutivelmente, apontando o dedo na minha direção.

Suas palavras martelavam na minha cabeça: "Eu quero aquele homem. Eu pago para ele ser meu namorado falso por um mês."

- Perdão - enfiei o celular no bolso e caminhei na direção dela, olhando ao redor para ter certeza de que ela não se referia a mais ninguém no lounge. - Você está me confundindo.

Os olhos de Gregory caíram imediatamente sobre mim. Ele gaguejou, na intenção de desfazer o mal-entendido, mas foi interrompido pelas palavras impacientes da garota.

- Entenda, eu não tenho muito tempo. O homem que me humilhou publicamente vai noivar amanhã. Eu disse que levaria o meu namorado rico. Eu não posso chegar de mãos vazias.

Essa garota estava achando que eu era um objeto para ela carregar?

- Senhorita, acho que há um engano - meus olhos cinzas se estreitaram sobre ela. Tentei dar um passo à frente, mas Gregory colocou a mão na minha frente, me bloqueando.

- Você quer que ele a acompanhe neste projeto? - Gregory perguntou, voltando a apontar para mim.

- Sim, eu o quero. Ele é bonito e parece muito rico. Não tem como dar errado.

- Então você terá - as palavras de Gregory me pegaram totalmente desprevenido. Agarrei o braço dele, exigindo uma explicação silenciosa, mas ele continuou, como se eu não estivesse ali. - O investimento inicial é de quinze mil dólares para esta parceria de um mês.

- Você está me comparando a uma mercadoria? - Eu sussurrei, minha fúria contida me fazendo ranger os dentes.

A garota sorriu, abrindo a bolsa e entregando um cartão de crédito a Gregory. Ele continuou me ignorando, pegando o cartão e efetuando o pagamento. Meus olhos se arregalaram quando percebi o que meu amigo acabara de fazer.

- Preciso que você esteja amanhã, em frente à universidade. Por favor, esteja bem-vestido e com um bom veículo. Eu disse que você era rico, então você precisa parecer rico, entendeu?

Quanta arrogância. O que ela pensava que eu era? A pele do meu pescoço queimou com irritação. Ela falava sem parar, atropelando as palavras, nervosa. Por um momento, a paixão desesperada em sua voz foi encantadora. Até eu me lembrar da confusão em que eu estava metido. Eu não sabia o nome dela, e nem precisava.

Eu precisava desfazer esse mal-entendido.

Ela ajeitou os óculos que caíam constantemente do seu rosto após deixar o endereço onde eu deveria encontrá-la sobre o balcão. Lançou um último olhar para mim; seus olhos estavam tristes, desesperados, mas em seguida um brilho surgiu neles, como se tivesse acabado de encontrar a solução para um problema de vida ou morte.

Abri os lábios para explicar quem eu era, quando ela girou os pés e saiu correndo. Fiquei com os punhos fechados, observando a garota desaparecer. Eu não acredito que me coloquei nessa situação e não consegui desfazer o problema.

- O que diabos aconteceu aqui?

Perguntei, e Gregory não conseguiu abafar o sorriso. Ele caminhou até mim, retirando o crachá de "Recepcionista".

- Aquela garota te contratou para ser o namorado falso dela por um mês, Miguel.

Gregory é meu melhor amigo e, sim, o dono deste "lounge" que ele usa como fachada para a agência. Venho aqui quase diariamente. Conversar com ele é a única coisa que tem me ajudado a tentar esquecer o que aconteceu nos últimos trinta dias.

- Eu não sou seu funcionário, nem um acompanhante de luxo. Chame essa garota de volta e desfaça o negócio.

- Tarde demais, o dinheiro já está na minha conta. E a taxa é irrevogável.

Aquilo só podia ser uma brincadeira de mau gosto. Eu sabia que ele não estava blefando.

- Eu não vou ajudar aquela garota a se vingar de ninguém.

- Eu vou dividir os quinze mil dólares com você.

- Você parece que esqueceu quem sou - balancei a cabeça, incrédulo. - Acha que preciso desse dinheiro? Quinze mil dólares não pagam nem os sapatos que estou usando.

- Eu sei disso - Gregory concordou, sério. - Mas pensei que seria bom para você sair de casa e ir a uma festa. Um mês já se passou, Miguel. Você não pode viver o resto da vida se culpando.

- Eu deveria decidir isso, e não você - minha voz soou autoritária, carregada de dor. - Pode esquecer esse negócio. Eu não vou aparecer na universidade para vê-la.

- Ela tem vinte e seis anos e está no último semestre da faculdade de direito, Roberta. Você prestou atenção em tudo o que ela disse? - Gregory zombou, me provocando.

- Eu não quero saber nada sobre essa mulher - bufei, interrompendo suas palavras. - Arrume um dos seus funcionários para ir no meu lugar.

Balancei a cabeça, as palmas das mãos úmidas. Girei a aliança no meu dedo, distraído. A expressão de Gregory se fechou.

- Você precisa seguir sua vida, Miguel. Amanda ia querer isso.

- Seguir a vida saindo com uma estranha e mentindo para todo mundo? - A dor estava gravada em minha expressão de angústia. - Eu não deveria ter vindo aqui.

Afastei-me sem dizer mais nada, um nó apertando minha garganta. Percebi que a garota não estava mais por perto e me senti um idiota por não ir atrás dela e desfazer a confusão.

Enquanto ligava o veículo, decidi esquecer tudo. A agência era de Gregory, e ele que resolvesse seus problemas. Mas no caminho para casa, lembrei dos olhos tristes daquela mulher e do quanto ela parecia desesperada.

Pensar nisso me encheu de raiva, porque eu já estava envolvido.

Que se dane! Foi um dia longo. Enfiei o papel com o endereço da universidade no bolso que peguei no balcão sem Gregory perceber e decidi que pensaria sobre isso depois.

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