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Nas Garras de um Lobo Mau

Nas Garras de um Lobo Mau

Autor: Lya.Florr
Gênero: Romance
Darius sempre teve o mundo aos seus pés. Alpha dominante, rico e irresistível, ele nunca precisou pedir nada, pois tudo sempre veio até ele. Fêmeas, poder, respeito... ou medo. Para ele, conquistar nunca foi suficiente. Darius precisava caçar, provocar, quebrar resistências. Era assim que se sentia vivo. Mas algo muda, e pela primeira vez, seu instinto falha. A tão esperada época de acasalamento simplesmente não vem. Sem desejo, sem urgência, sem controle, e um vazio estranho começa a corroer seu orgulho. Determinando a não aceitar fraqueza, ele se isola em um chalé afastado, em meio à floresta, pronto para recuperar o controle sobre si mesmo. É lá que ele a encontra. Magdalena é uma humana mais velha. Uma mulher marcada pela rejeição, carregando o peso de ser considerada "amaldiçoada" por não poder ter filhos. Diferente de qualquer outra que ele já conheceu, ela não se curva, não se entrega, não o deseja, e isso muda tudo. O que começa como curiosidade rapidamente se transforma em obsessão. Uma única noite é suficiente para despertar algo que Darius jamais sentiu. Mas no dia seguinte ele vai embora. Sem explicações. Sem olhar para trás. Até que, um meses depois, os sonhos começam. Um filhote, e ela. Agora, movido por um instinto que ele não consegue ignorar, Darius volta, apenas para provar que aquilo não significa nada. Mas a verdade que o espera é muito mais perigosa do que qualquer desejo. Porque Magdalena está grávida. E isso... não deveria ser possível.
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Capítulo 1 Darius, o convencido

Darius



Por algum motivo desconhecido, esse ano a época de acasalamento não me atingiu. Meu lobo não reagiu, nem sequer tentou farejar qualquer fêmea.

Eu sou um alpha, eu sou o poder absoluto da minha alcateia. Sou um homem importante, sou saudável e bonito, com atributos que fariam qualquer fêmea loba se ajoelhar.

Eu sempre gostei de um bom desafio, sempre gostei de caçar a parceira temporária. A excitação da caça, do cheiro da mata, e principalmente, da própria fêmea sempre me deixaram maluco.

Mas esse ano tudo foi diferente. Esperei pela lua de sangue e nada aconteceu.

Me senti estranho, frustrado. Decidi fazer uma viagem, me afastar de casa por alguns dias para tentar entender o que está acontecendo comigo.

Escolhi um chalé bem reservado em uma clareira. Aqui eu tenho o que eu quiser nas mãos.

Os humanos gostam de arrancar dinheiro de lobos como eu, e eles sabem bem como nos agradar. Não que isso seja difícil.

Dinheiro sempre resolveu tudo. Sempre abriu portas, sempre comprou silêncio, lealdade... e corpos também.

Mas isso nunca foi o ponto para mim. Eu não sou como os outros. Nunca fui!

Não tenho interesse em coisas fáceis, em conquistas que são tão óbvias. Fêmeas que se entregam rápido demais não me despertam nada além de tédio. Eu gosto da perseguição, do jogo lento, da resistência que aos poucos vai cedendo.

Eu gosto de ver o momento exato em que elas quebram e cedem ao desejo.

Um leve sorriso surgiu no canto dos meus lábios ao pensar nisso.

Ultimamente ando transando com tantas lobas que já perdi as contas, tudo por causa desse maldito período que não me afetou. É como se a minha honra de macho tenha sido abalada, e isso mexe comigo e com meu lobo.

Nem ele entende porque não fomos afetados pela principal época de reprodução, e principalmente, pela lua de sangue.

_ Aqui está ótimo! _ Murmurei sem animo para o humano que dirigiu a picape até aqui.

Desci do veículo e peguei minha mala sozinho. Ele até quis me acompanhar, mas recusei. O cheiro do suor dele me deixou nauseado e mais irritado do que já estou.

Me certifiquei de quem ninguém teria a minha localização, justamente para relaxar um pouco mais. Preciso dessas férias, enfrentei momentos turbulentos demais nessas últimas semanas e meu lobo precisa de solidão para se reestruturar.

Somos sensíveis demais quando se trata de reprodução, e eu, um macho de trinta e dois anos preciso acasalar e achar minha luna logo. Essa pressão da alcateia tem me afetado também.

Talvez o problema seja esse. Esses malditos lobos anciões enchendo o meu saco...

Meu lobo rosnou com o pensamento. Só de lembrar deles já me sinto sufocado.

Entrei no chalé e me despi completamente. Me joguei na cama, sentindo o cheiro da madeira e do ar florestal invadir minhas narinas.

Na minha propriedade tem muitas arvores, uma vasta vegetação saudável e bonita. A terra úmida gruda nas patas do meu lobo, acariciando e confortando-nos em momentos difíceis, mas aqui, aqui é simplesmente um paraiso.

Há muitos coelhos também, perfeitos para serem caçados.

Acho que os humanos fazem de proposito, e criam esses animais em abundancia aqui, pois coelhos são presas fáceis para nós, e caça-los é um excelente esporte.

Levantei da cama, sentindo meu lobo na beirada da mente, pronto para surgir.

Sai para fora do chalé, nu e cheio de energia novamente.

Meus ossos começaram a estalar, minha pele começou a queimar e os cheiros começaram a ficar mais intensos. Em um piscar de olhos meu corpo não era mais humano. Tinha patas longas, com unhas afiadas, um pelo castanho claro, quase beirando um ruivo e algumas manchas escuras espalhadas. Meus olhos ficaram amarelos, meu focinho preto e molhado.

O pico de energia se apossou do meu corpo, me fazendo correr pela floresta, bater as patas com força contra o solo limpo. Algumas gotas da chuva passageira umedeceram meu pelo, e a brisa ficou mais leve e fria.

Tudo passava em câmera lenta, enquanto meu corpo se movia mais e mais rápido.

Assim que cheguei em uma cachoeira um cheiro diferente tomou conta do meu olfato.

Não parecia cheiro da natureza, muito menos de outro lobo. Era um cheiro peculiar. Framboesa, hortelã e cravos...

Mas tinha alguma coisa a mais.

Me escondi em um enorme arbusto, reduzindo os barulhos e farejando mais forte. Meu lobo estava curioso, e eu mais ainda.

No centro da cachoeira havia alguém, boiando na água. Podia escutar a batida tranquila de seu coração daqui.

Era uma fêmea, humana, com um calção enorme e uma blusa preta que ajudava a cobrir seu corpo, mas marcava com perfeição cada curva.

Meu lobo rosnou mais uma vez, mas não como se ameaçasse, e sim como se estivesse investigando aquele ser.

Quem é ela?

Capítulo 2 Feliz aniversário, Magdalena

Magdalena

Hoje faço trinta e cinco anos.

Não tem bolo, não tem velas, nem mesmo um parabéns sincero. Apenas o som constante da cachoeira e o peso familiar e reconfortante da solidão que aprendi a carregar como um casaco velho. Sentei-me na borda da água, com as pernas mergulhadas até os joelhos, sentindo o frio subir pela pele. A blusa preta molhada gruda no corpo, mas não me importo. Aqui ninguém me vê. Aqui posso ser apenas eu.

Fecho os olhos e deixo o barulho da queda d'água abafar as memórias. Mesmo assim, elas vêm.

Lembro-me do dia em que completei dezesseis anos. Meus pais sorrindo, orgulhosos, enquanto me entregavam para um homem que eu mal conhecia. "É a vontade de Deus", eles disseram. A religião deles sempre foi assim: rígida, sufocante e cruel. Amor não importava. Fertilidade, sim. Obediência, principalmente.

Cinco anos de casamento. Cinco anos de noites vazias ao lado de um homem que me olhava com cada vez mais desprezo quando via que minha barriga continuava plana. "Amaldiçoada", foi a palavra que ele cuspiu na minha cara no dia em que me expulsou de sua casa. Meus pais repetiram a mesma coisa quando voltei para casa. "Deus te puniu por sua rebeldia. Volte para o caminho, case novamente, conceba."

Eu me recusei e eles me colocaram na rua.

Aos vinte e um anos, eu já não tinha família, nem marido, nem futuro. Apenas cicatrizes e uma raiva quieta que aprendi a transformar em sobrevivência.

Suspirei, passando a mão molhada no rosto. Faz quatorze anos desde então. Quatorze anos sozinha. Não namorei mais. Não permiti que ninguém se aproximasse o suficiente para me rejeitar novamente. O que restou foi este emprego no chalé de luxo no meio da floresta. Um lugar frequentado principalmente por metamorfos ricos que querem privacidade.

Eu não gosto deles. Não confio neles. São arrogantes, possessivos e tratam o mundo como se fosse seu playground particular. Mas, ironicamente, aqui me sinto mais segura do que entre os humanos. Os lobos pagam bem, não fazem muitas perguntas e raramente se interessam por uma humana de trinta e cinco anos que não exala feromônios atraentes, e as outras espécies me olham menos ainda. Pelo menos é o que eu penso.

Levantei-me da água, torcendo o cabelo molhado. O short largo colou nas coxas. Preciso voltar para o chalé principal antes que escureça. Hoje chegou um hóspede novo. Um alpha, pelo que me avisaram. Não me deram nome, apenas ordens: deixar a geladeira abastecida, lençóis limpos e não incomodar, preferencialmente nem olhar nos olhos dele.

Como se eu tivesse o costume de incomodar ou olhar para alguém.

Caminhei pela trilha estreita, sentindo o cheiro úmido da mata. As árvores aqui são altas e antigas, quase protetoras. Às vezes converso com elas em voz baixa. Soa loucura, mas é melhor do que o silêncio absoluto da minha pequena cabana de funcionária nos fundos da propriedade.

_ Feliz aniversário, Magdalena_ Murmurei para mim mesma, com um riso sem graça. _ Mais um ano sem milagres.

Foi quando senti... um arrepio forte subiu pela minha nuca, como se alguém estivesse me observando. Parei no meio da trilha e olhei ao redor. Nada. Apenas o vento balançando as folhas. Mesmo assim, meu coração acelerou. Há anos não me sentia assim, como uma presa.

Balancei a cabeça, tentando afastar a sensação. Provavelmente deve ser cansaço. Ou fome. Não comi nada o dia inteiro.

Cheguei ao chalé principal e entrei pela porta dos fundos, destinada aos funcionários. Organizei as frutas frescas na fruteira, troquei as toalhas do banheiro principal e arrumei o vinho tinto que o hóspede havia pedido. O cheiro dele ainda não estava forte no ambiente, mas havia algo diferente no ar. Algo quente, intenso e masculino.

Franzi a testa com a sensação.

Terminei minhas tarefas rapidamente. Quanto mais cedo eu voltasse para minha cabana, melhor. Não queria cruzar com esse alpha. Quanto menos contato eu tivesse com eles, mais tranquila seria minha vida.

Estava quase saindo quando ouvi o som de passos atrás de mim. Pesados, confiantes e predatórios.

Virei-me devagar.

Ele estava parado na porta da cozinha, me observando. Alto, com ombros largos. Olhos amarelos que brilhavam mesmo sob a luz artificial. O cabelo castanho-dourado estava ligeiramente úmido, como se tivesse acabado de voltar de um banho ou de uma corrida na floresta. Havia uma intensidade perigosa em seu olhar, o tipo de olhar que fazia as pessoas baixarem a cabeça instintivamente.

Mas eu não baixei, até porque o que tenho de menos é instinto.

_ Você deve ser a responsável pelo serviço de quarto..._ Disse ele, a voz grave e arrastada, como se cada palavra fosse um comando disfarçado.

_ S-Sim. Meu nome é Magdalena. Se precisar de algo, é só chamar pelo interfone.

Tentei manter a voz firme, profissional. Mas algo no jeito como ele me encarava fazia minha pele formigar. Ele não olhava como os outros. Não era indiferença. Era... curiosidade.

Ele deu um passo à frente, invadindo meu espaço sem pressa.

_ Magdalena _ Repetiu meu nome devagar, saboreando cada sílaba. Um leve sorriso surgiu no canto de sua boca. _ Interessante.

Senti o ar ficar mais pesado. Algo dentro de mim gritava para eu sair dali, mas meus pés pareciam presos no chão.

Era apenas mais um alpha rico e arrogante.

Então por que meu coração batia como se eu estivesse diante de algo perigoso?

Capítulo 3 Estranho

Magdalena

_ Licença... _ Murmurei tentando me afastar, mas ao passar por ele sua mão me segurou.

_ Espere! _ O toque dele foi desconfortável, e puxei bruscamente meu braço, como se estivesse queimando.

_ S-Sim?

_ Você não quer saber o meu? _ Seu tom era arrogante, carregado.

Pelo jeito que ele me perguntou, parecia até que meu ato foi de pura falta de educação.

_ Não. _ Respondi na hora, sem hesitar. _ Como eu disse, se precisar de algo é só pedir pelo interfone, se não for eu, outro funcionário estará à disposição. Com licença.

Dessa vez não esperei resposta. Passei por ele e saí pela porta o mais rápido que consegui sem correr. Meu coração batia descompassado. Não era medo... era outra coisa. Uma irritação misturada com algo quente que eu não queria nomear.

Voltei para a área de serviço da sede principal ainda sentindo o toque fantasma da mão dele no meu braço. Peguei o carrinho de roupa suja e comecei a separar os lençóis das cabanas já desocupadas. O trabalho repetitivo sempre me acalmava. Dobrar, separar, colocar na máquina. Era simples e controlável.

"Homens como ele são sempre iguais", pensei enquanto jogava os lençóis na lavadora. Acham que o mundo inteiro existe para servi-los.

Terminei o serviço e estava guardando o último travesseiro quando ouvi passos leves atrás de mim.

_ Surpresa!!

Virei-me assustada. Era Clara, a única colega que trabalhava comigo no turno da tarde. Ela segurava um bolinho simples de chocolate com uma velinha acesa e alguns confetes coloridos na outra mão, sorrindo de orelha a orelha.

_ Eu não esqueci, viu? _ Disse ela, orgulhosa. _ Feliz aniversário, Maggie!

Por um segundo, meu peito apertou. Fazia anos que ninguém lembrava. Meus olhos arderam e eu pisquei rápido, forçando um sorriso.

_ Clara... você não precisava.

_ Claro que precisava! Come logo antes que a velinha derreta.

Eu soprei a velinha, rindo baixinho enquanto ela jogava confetes sobre mim. Alguns caíram no meu cabelo e ombros. Era uma comemoração pequena, quase boba... mas foi o suficiente para aquecer um pedacinho meu que vivia congelado.

Estávamos rindo de algo que Clara falou quando o telefone da recepção tocou. Ela atendeu, franziu a testa e olhou para mim.

_ Cabana 3 pediu um cobertor extra. Disseram que está mais frio do que esperavam.

Suspirei. Era meu trabalho.

_ Eu levo. Já terminei aqui mesmo.

Peguei um cobertor de lã macia, daqueles que os hóspedes ricos adoram, e saí pela trilha. O sol já estava baixo, pintando a floresta de tons dourados e alaranjados. Enquanto caminhava, um sorriso bobo ainda permanecia no meu rosto. Alguém tinha lembrado. Alguém tinha se importado, mesmo que fosse só um bolinho simples e confetes.

Eu me sentia... leve.

Só quando parei em frente à porta é que percebi. Cabana 3. A mais isolada. A que tinha sido reservada para o novo hóspede.

A porta se abriu antes mesmo que eu batesse.

O homem estava ali, sem camisa, apenas com uma calça de moletom preta baixa na cintura. A luz quente do interior iluminava os músculos definidos do peito e abdômen. Ele parecia ainda maior do que na cozinha.

Seus olhos desceram por mim devagar, parando nos meus ombros. Um confete rosa brilhava preso na minha blusa.

Ele estendeu a mão e, com surpreendente delicadeza, tirou o pequeno pedaço de papel colorido do meu ombro. Girou-o entre os dedos, curioso.

_ O que é isso? _ Perguntou com a voz grave e baixa.

_ Confete... _ Respondi, sentindo o rosto esquentar. _ Eu estava comemorando um aniversário.

Ele ergueu uma sobrancelha, claramente interessado.

_ De quem?

Engoli em seco. Por um momento considerei mentir. Mas para quê?

_ Meu... _ Respondi, levantando o queixo levemente. _ Hoje é meu aniversário.

_ Hum... e quantos anos você está fazendo hoje, Magdalena? _ Mais uma vez ele proferiu meu nome daquele jeito estranho.

_ Trinta e cinco... _ Murmurei

Por um segundo ele ficou em silêncio. Então um sorriso lento se abriu em seu rosto. Um sorriso largo, predatório, que deixou à mostra as presas afiadas. Seus olhos amarelos brilharam com algo perigoso, uma certa diversão misturada com fome.

_ Trinta e cinco. _ Murmurou, como se já soubesse. _ Interessante...

Ele deu um passo para o lado, abrindo mais a porta.

_ Entre, Magdalena. Você pode colocar o cobertor na minha cama pessoalmente.

Meu coração disparou. O ar entre nós pareceu engrossar. Parte de mim queria virar as costas e correr. A maneira como esse hospede se comporta é muito estranha e assustadora. Porém, eu já vi homens assim. Arrogantes e prepotentes. Porém, havia uma pequena parte que queria tentar entender qual era o problema desse maluco.

E ele continuava sorrindo, como se soubesse exatamente o que eu estava pensando.

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