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Nas Mãos do Fazendeiro

Nas Mãos do Fazendeiro

Autor:: Diene Médicci
Gênero: Romance
Darla cresceu cercada por medo e crueldade, vivendo sob o domínio do irmão e da cunhada, que transformaram sua vida em um tormento. Quando é brutalmente castigada, sem razão, ela decide fugir. Desesperada, anda sem rumo e acaba sendo encontrada por Radael, um fazendeiro rico, temperamental e conhecido pelo coração duro. Ao ouvir tudo o que ela sofreu, ele oferece proteção e um teto. Mas existe uma condição. Para permanecer em sua fazenda, Darla deverá pertencer a ele em segredo, atendendo aos seus desejos sempre que for chamada. Ninguém pode descobrir o acordo, porque Radael não admite que o mundo saiba da mulher que mantém escondida. Entre regras perigosas, desejo proibido e sentimentos que nenhum dos dois consegue controlar, Darla e Radael se veem presos em uma ligação intensa... capaz de destruir tudo ou salvá-los para sempre.

Capítulo 1

Capítulo 1

Estava chovendo muito e era final do dia. Darla havia ido à cidade pagar uma conta e estava voltando a pé. Era sempre assim. Quando precisavam que alguém fosse à cidade, seu irmão e sua cunhada mandavam ela, para torturá-la, fazendo andar a pé, debaixo de sol, de chuva, com frio ou não, não importava. Ela tinha que ir e voltar e rápido, pois ela tinha hora para ir e hora para vir.

Ela foi criada pelo irmão mais velho, depois que os seus pais morreram, e ele a maltratava muito, especialmente depois que ele se casou. A esposa dele fazia Darla como empregada. Ela que tinha que cuidar da casa, lavar as roupas de todos, cozinhar, cuidar do galinheiro e fazer outras tarefas, enquanto sua cunhada não fazia nada, não cuidava nem dos próprios filhos.

Então, Darla estava vindo embora, andando, e o tempo fechou e começou a chover. Um de seus vizinhos, do sítio ao lado, passou e ofereceu carona. Como ela estava já cansada e vendo que estava atrasada, porque a lotérica demorou muito a fila, ela aceitou carona do vizinho, mas pediu para ele deixá-la um pouco afastada de sua casa.

Eles sempre moraram no sítio e se conheciam de vista, mas não tinham amizade, porque o irmão dela não permitia que ela tivesse amizade com homens. Quando ela desceu do carro, um pouco afastada, a sua cunhada viu, ela estava na vizinha conversando no sítio ao lado, e viu Darla saindo do carro de um homem e que os dois estavam sozinhos.

Ela fez questão de ligar para o marido e contar. Antes mesmo que Darla tivesse terminado de tomar banho, se aquecer e colocar as panelas no fogo, seu irmão chegou furioso do trabalho, já partiu pra cima dela lhe puxando pelo cabelo e perguntando oque que ela estava fazendo com um homem.

Começou a agredi-la dando tapas, chutes, socos e perguntando se ela tinha se relacionado com o vizinho e com quantos outros homens. Começou a questionar se ela era vir.gem, a maltratando, humilhando e ela entrou em desespero e disse que tinha feito sex.o sim e que faria de novo todas as vezes que pudesse, pois estava cansada de ser mantida como uma prisioneira, uma criança, porque ela já era uma mulher feita e precisava casar, ter a vida dela, conhecer pessoas e ter o seu próprio lar e não ficar sendo empregada deles. Seu irmão perdeu a cabeça e a trancou no quartinho nos fundos do quintal, no escuro e disse que ela só iria sair de lá quando ela estivesse disposta a pedir perdão e se redimir por tudo o que ela estava fazendo para eles.

Darla já estava cansada. Quase todos os dias ela apanhava ou levava xin.gos e na maioria das vezes sem motivo aparente. Então ela passou horas por noite adentro tentando abrir uma janela que estava trancada com pregos e madeira. Conseguiu abrir, pulou a janela do quartinho e fugiu, apenas com a roupa do corpo e mais nada. Ela saiu correndo pela estrada e andou o máximo que pôde.

Quando estava quase amanhecendo, ela se machucou, pisou num caco de vidro no meio do mato e machucou o pé. Então, exausta, ela resolveu parar para descansar um pouco e dormiu, escondida embaixo de um trator, perto de uma colheitadeira. No dia seguinte, quando amanheceu, ela não fazia nem ideia de onde estava. Ainda estava dormindo quando foi acordada com uma voz grave perguntando:

- Quem é você? O que pensa que está fazendo na minha fazenda? Ficou louca? Eu quero você fora das minhas terras agora!

Capítulo 2

Ela abriu os olhos, assustada, e olhou para aquele homem que estava falando com ela. Era um homem grisalho, mais velho, forte, usando botas, calça jeans, camiseta polo e chapéu. Ele era Radael, o fazendeiro, dono daquelas terras, muito mal-humorado; ele nem se preocupou em perguntar como ela estava. Ele apenas a mandou sair. Ela se sentou, desorientada, sonolenta, se levantou com dificuldade e gaguejou, constrangida, apreensiva:

- Mo-mo-moço, desculpa, eu só estava cansada, eu precisava descansar um pouco. Aqui, a cidade ainda é Terrário ou é a do lado?

Ele a olhou de cima a baixo, reparando no vestido úmido, colado ao corpo, marcando sua silhueta, que era linda, por sinal, reparou nos olhos expressivos e nas marcas pelo rosto e pelo corpo, hematomas. Então ele cerrou os olhos e respondeu intrigado:

- Sim, aqui é a cidade de Terrário ainda, mas é quase a cidade do lado. Por quê? Você está fugindo de alguém?

Ela olhou para os lados, apreensiva, ajeitou a roupa, enrolou o cabelo num coque desajeitado e respondeu:

- Não, não. Desculpa invadir suas terras, eu não tinha intenção. Eu juro por Deus que eu não mexi em nada, eu só precisava descansar. Eu vou indo então.

Ela caminhou um pouco, mancando; de repente parou e se virou para trás. Ele estava subindo no trator. Ela olhou e falou apreensiva:

- Moço, eu posso te pedir um favor? Eu sei que você não me conhece, mas você não teria vinte reais para me emprestar? Eu só preciso para pegar um ônibus. Eu... eu não tenho dinheiro, moço.

Radael, sentado no trator, ficou olhando, reparando na beleza dela, no jeito de parecer inferiorizada, acuada como um animal indefeso, então passou uma ideia pela cabeça dele em ajudá-la para ter mais respostas e talvez encontrar o que tanto precisava. Então ele estendeu a mão e assentiu com a cabeça:

- Sim, eu tenho. Vem até aqui, suba no trator, nós vamos até a fazenda e eu te empresto o dinheiro; você pode comer. Está machucada, não está?

Ela assentiu, aproximou-se desconcertada, agora sentindo medo dele por perceber que ele era um homem mais velho e que eles estavam sozinhos lá no meio do nada, perto do canavial. Ela disse sentindo o ar faltar:

- Eu cortei meu pé.

Ela a segurou pela mão, a puxou e a colocou em pé dentro do trator. Foi ligando a máquina e falou sério:

- Vou te levar pra casa grande. Eu acho que você não está bem para sair por aí sozinha. Vinte reais... pra onde você vai com vinte reais? Tem alguém te esperando?

Ela negou com a cabeça baixa, falou engolindo o choro:

- Não, não tem. Eu sou sozinha, moço. Muito obrigada por me ajudar. Eu nunca te vi pela cidade. Você trabalha aqui?

Ele percebeu que ela era um pouco ingênua, além de linda, respondeu, seco:

- Trabalho.

Ela ficou apreensiva, esperando ver se ele falaria mais algo, e foram até a fazenda em silêncio. Quando chegaram, ele desceu primeiro da máquina, ajudou-a a descer segurando-a pela cintura e ficou atraído, a achando linda, delicada, mesmo que com uma beleza simplória. Darla era negra, tinha cabelos pretos, longos, cacheados e seu corpo era enxuto, com tudo no lugar, bastante atraente.

Os dois foram entrando, Radael abriu a porta, guiou-a até a sala, falou para ela se sentar e disse que já voltava. Ela ficou segurando as mãos, balançando a perna apreensiva, então logo ele voltou com um kit de primeiros socorros, ajoelhou-se na frente dela e, olhando, perguntou intrigado:

- Você andou descalça? Tudo isso?

Darla assentiu, constrangida por estar com os pés sujos de terra, e respondeu de cabeça baixa:

- Sim, eu perdi meus chinelos. Então... você mora sozinho? Essa fazenda é muito grande. Eu nunca tinha visto uma assim tão de perto.

Ele respondeu, começando a limpar o machucado no pé dela:

- Sim, eu moro sozinho, graças a Deus. Então, o que aconteceu com você, menina? Do que ou de quem estava fugindo? Pode falar a verdade. Eu não vou contar nada a ninguém.

- Eu sou maior de idade, moço. Eu juro... Ai, tá doendo! - ela disse ao sentir ele fazendo o curativo.

Ele perguntou:

- Então, você é maior de idade. Entendo. Se meteu em problemas? Fez alguma coisa errada por aí na rua?

Darla o olhou profundamente nos olhos e respondeu apreensiva, mas com firmeza:

- Moço, eu vou ser sincera com você. Eu tenho problemas em casa. Eu moro com meu irmão, a minha cunhada, meus pais já morreram tem anos e eu não estou me dando bem com eles. Então eu resolvi, sim, eu resolvi seguir o meu caminho, ter a minha própria vida. Eles não me deixam fazer nada, eu juro pra você. Inclusive, você pode olhar, eu tô toda marcada. O meu irmão, me agride. Quase todos os dias, tá? Ele me bate sem motivo. Ele chega com raiva do trabalho e desconta em mim. Ele briga com a esposa e desconta em mim. Sem contar que eles me fazem de empregada na casa.

Ela ficou emotiva, com os olhos marejados, e continuou falando:

- Deus sabe o quanto eu tenho me esforçado para aguentar, mas eu não acho isso justo. Eu nunca nem namorei. Eu quero casar, ter a minha família, e eles querem me fazer de empregada. Se eu continuar nessa vida, eu juro pra você, moço, eu prefiro morrer do que continuar, porque eu não aguento mais. Eu estou exausta. Olha pra mim, eu tô toda machucada. E sabe o que eu fiz? Só peguei uma carona com o vizinho, porque estava chovendo e eu tinha que chegar logo em casa pra colocar o jantar no fogo. Moço, eu juro que estou falando a verdade.

Ela começou a ficar nervosa por perceber que Radael não falava nada. Ele terminou o curativo, a olhando, parecia estar pensativo. Então logo se levantou, guardando as coisas, e falou sério:

- Entendo. E você gostaria de um emprego? Isso te ajudaria no momento?

Ela arregalou os olhos surpresa e perguntou:

- Um emprego? Está falando sério? Você faria isso por mim? Eu juro que sou muito honesta, moço, eu juro!

Ele sorriu com malícia e respondeu:

- É, mas talvez não seja bem o que você está pensando. Como você pode ver, essa casa é grande e organizada. Eu já tenho funcionária para cuidar da casa, para cuidar das coisas lá fora. Eu já tenho quase tudo que eu preciso. Exceto uma coisa, que talvez você possa aceitar. Ou não. Você está aberta a propostas? Está tão desesperada quanto parece?

Darla não queria acreditar, mas falou apreensiva, já imaginando:

- Sim, estou. O que quer que eu faça?

Radael ficou sério, ajeitou o chapéu na cabeça e, olhando-a fixamente, com malícia, a cobiçou:

- Eu não gosto de sair e preciso de uma mulher, mas não para ter algo sério. Namoro ou casamento, nada disso.

- Você é atraente e jovem.

- Quero uma mulher que se deite comigo sempre que eu quiser. Tem que me dar prazer, e eu... pagarei por isso. Terá casa, segurança e regras a seguir.

Ela ficou olhando, perplexa, levantou constrangida, franziu a testa e disse:

- Isso é sério? Você não parece do tipo que precisa pagar para ter uma mulher.

- Isso é estranho, ofensivo, mas eu acho que me sinto lisonjeada também.

Capítulo 3

Ela olhou em direção à porta, desconcertada:

- Eu não poderia ser esse tipo de mulher, que dá prazer. Eu não sei nada. Nunca namorei.

- Só sei cuidar de casa ou de criança.

Ele se afastou, foi guardar o kit de primeiros socorros, calado. Ela se aproximou da porta, começando a ter medo da situação, falou, olhando-o de costas, reparando no quanto ele era forte, bonito e estava cheiroso:

- Você vai me dar os vinte reais

Radael se virou, tirando a carteira do bolso, e falou, achando-a mentirosa:

- Me enganei com você. Achei que precisava de ajuda e segurança.

- Toma. Vou levar você até a porteira. Passam dois ônibus na beira da pista, às seis e às dezessete horas.

Ele entregou uma nota de cinquenta reais, ela pegou, apreensiva, enrolou e segurou firme, dizendo enquanto ia em direção à porta:

- Muito obrigada.

- Como você se chama? Nunca te vi em lugar nenhum.

Ele pegou uma chave na gaveta de um móvel e, indiferente, respondeu:

- Radael Fezal.

- Pode me esperar na varanda, aí fora.

Darla reconheceu o sobrenome, a família dele era muito conhecida, donos de muitas terras na região. Saiu calada e ficou esperando. Logo ele apareceu com um par de chinelos femininos nas mãos:

- Devem servir.

- Espero que não comente com ninguém sobre o que te falei. Afinal, tenho uma reputação a zelar.

Ela calçou os chinelos e respondeu de imediato:

- Obrigada, muito obrigada mesmo. Não sou fofoqueira, jamais contarei. Até entendo, acho... você...

Ele caminhou para a caminhonete e, querendo rir do jeitinho dela, perguntou:

- Ah, é? Entende? Como?

Ele abriu a porta para ela, Darla entrou, ele deu a volta e sentou-se ao volante. Ela falou séria:

- Sei que os homens têm desejos, necessidades... diferentes das mulheres. E, por isso, traem tanto.

Ele ligou o carro, rindo com deboche, e a levou até a porteira. Desligou o carro, falou curioso:

- Como você se chama mesmo?

Ela abriu a porta, falou desconcertada:

- Darla. Que horas são, por favor? Estou sem celular, sem relógio, nada.

Abrindo a porteira, ele respondeu sem nem olhá-la, envergonhado pelo que havia proposto:

- Seis e pouco. Boa sorte, Darla. É só seguir à esquerda que você chega à estrada.

Ela saiu mancando e, novamente, agradeceu. Teve vontade de pedir água ou comida, mas faltou coragem. Caminhou pela estrada de terra, pensando em pedir ajuda a uma antiga professora. Quando chegou ao ponto de ônibus, percebeu que estava sem documentos, celular e quase sem dinheiro. Chorou, triste, desejando ter coragem de fazer uma loucura. Quase não passavam carros, um ônibus escolar apareceu, mas ela não o pegou.

Passou o dia inteiro sentada no mesmo lugar, cada vez mais fraca, com fome e mal-estar, suada, suja, cheirando mal. Ao anoitecer, deitou no banco do ponto e dormiu ali mesmo, com frio e medo, chorando até adormecer.

Radael não conseguiu tirá-la da cabeça. O dia todo se sentiu arrependido por ter sido tão indiferente, por não ter oferecido roupas limpas, comida ou uma carona até um lugar seguro

Na manhã seguinte, resolveu ir até a cidade, dar uma volta e ver se conseguia notícias.

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