Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Nas Mãos do Mafioso - Série Amor Fora da Lei Livro I
Nas Mãos do Mafioso - Série Amor Fora da Lei Livro I

Nas Mãos do Mafioso - Série Amor Fora da Lei Livro I

Autor:: Laís Olly
Gênero: Romance
Louis Benedetti é delegado da cidade de Palermo e tem como sua maior obsessão acabar com a Cosa Nostra, a tão temida máfia italiana, responsável pela morte da sua esposa há quase 20 anos. Apesar do tempo, não há um dia que ele não se lembre das últimas palavras do seu grande e único amor: "Cuide da nossa filha, por favor". Sempre que olha para Luna, Louis relembra a doçura e até mesmo um pouco da rebeldia da falecida mulher. Ela é seu maior tesouro. Não há nada que ele não faça para ver a filha feliz. Luna também ama o pai. Ele é o seu tudo. Porém, tudo se embaralha quando a jovem é sequestrada a mando de Fred Coppola, o poderoso Dom da Cosa Nostra. A filha queridinha do papai agora é refém de um mafioso. Pior que ser a refém de um mafioso, é se apaixonar por ele. Luna se sente culpada, ela sabe que isso é uma facada no peito do pai, mas a doce menina não tem mais forças para se controlar. Chega uma hora que a paixão fala mais alto e o corpo implora para errar. Luna se entrega e fica perdidamente apaixonada pelo homem que destruiu a sua família. E agora, qual será o destino de Luna Benedetti?

Capítulo 1 Prólogo

Prólogo

O início de mais um outono no interior da região toscana da Itália marcava o 40° ano de casados do poderoso Anselmo Coppola e de sua elegantíssima esposa, Donatella Coppola com quem teve quatro filhos.

Para eles a família era muito mais que um relacionamento.

É um elo.

Uma sociedade para a vida toda.

Donatella optou por uma festa intimista no castelo da família, a qual só era utilizado em ocasiões especiais, como essa. Afinal de contas, não são todos que têm o privilégio de celebrar 4 décadas de uma união inabalável.

O jardim bem cuidado e extremamente verde contrastava com o tapete vermelho que alcançava o altar onde a matriarca da família esperava lindíssima num vestido claro de seda. Prontíssima para comemorar mais uma boda, dessa vez a de rubi.

Era de se estranhar o motivo dela ter chegado ao altar antes do marido.

Mais estranho que isso era o atraso de quase uma hora de Anselmo Coppola. Os poucos convidados da cerimônia cochichavam e olhavam para a noiva no altar.

Beatrice, Antonella e Bella Coppola, filhas do casal, já estavam cansadas de esperar.

Fred, o único filho homem estava preocupado. Seu pai sempre foi exemplo de pontualidade, jamais iria atrasar em algum compromisso sem dar o aviso prévio.

De repente a cerimonialista surge no tapete com um enorme sorriso no rosto. O clima mudou, agora todos esperavam uma grande surpresa cheia de romantismo, principalmente por causa da mala imensa com um laço de presente que ela deslizava pelo tapete.

Donatella era a mais ansiosa. Seus olhos brilhavam. Seu marido nunca foi um homem romântico e de repente, no aniversário de 40 anos de casamento ele resolve surpreendê-la dessa maneira. Por Dio, ela não conseguiu conter as lágrimas, naquela altura do campeonato ela descobria que existia um coração naquele bloco de gelo que era seu marido.

- Peço licença senhora Coppolo, seu marido mandou lhe entregar esse lindo presente. Por favor, abra.

Donatella sorriu enquanto secava as lágrimas que caíram sem sua permissão para em seguida abrir a mala.

- Por Dio, que mala pesada! O que será que tem aqui? - A feição de alegria e surpresa que estampava o rosto da senhora era contagiante, todos os presentes estavam tão empolgados quanto ela.

Mas, subitamente tudo mudou. Donatella abriu a mala e o que ela viu não a surpreendeu da maneira mais agradável.

- Mas... Não... Dio... - Com os grandes olhos verdes arregalados Donatella começou a tremer e não demorou para a perder o equilíbrio e desfalecer subitamente. Fred foi rápido ao alcançar a mãe e servir de apoio antes que seu corpo desfalecido fosse de encontro ao chão.

Mas sua reação de espanto não foi muito diferente dela quando olhou para dentro da mala e, viu a cabeça do seu pai no centro de vários pedaços ensanguentados do que provavelmente compunha seu corpo.

Ele respirou profundamente, trincando os dentes para conter o ódio que queimava suas entranhas. Seu pai partiu da maneira mais trágica e humilhante diante de toda a família. Sua mãe não merecia sofrer assim, suas irmãs também não deveriam ter sido expostas a esse show de atrocidade.

Fred questionou a cerimonialista sobre o ocorrido, mas a mesma começou a gaguejar, nervosa, demonstrando estar tão surpresa quanto todos ali. Fred sabia que ela estava falando a verdade. Ele sabia quando alguém estava mentindo. Porém, a moça não iria deixar de sofrer as consequências por ter compactuado com aquele desastre mesmo sem ciência do que estava acontecendo.

Fred era o sucessor natural de Dom Anselmo Coppola.

Com a morte impiedosa do homem mais poderoso da Cosa Nostra, cabia à ele ocupar esse posto e fazer jus ao sangue derramado de Anselmo Coppola, o homem que honrou a máfia italiana até o seu último suspiro.

Capítulo 2 1

1

Luna

- Amiga, nem acredito, nosso primeiro plantão e juntas! - Afirmei empolgada enquanto parava o carro em frente a casa de Kiara, minha melhor amiga.

- Depois de anos nos matando na faculdade e no estágio, finalmente podemos falar que somos...

A felicidade que transbordava no meu peito não permitiu que Kiara concluísse aquela frase, pois eu precisava gritar para o mundo que finalmente havia me tornado uma:

- MÉDICA! - Kiara tapou os ouvidos. - E futura cirurgiã pediatra!

- Amiga, desculpa te dizer, mas acho que isso vai demorar um pouquinho.

- Não importa. Pode levar o tempo que for necessário, eu vou realizar esse sonho de ajudar crianças carentes, em situação de vulnerabilidade pelo mundo!

- Você está certa. - Kiara forçou um sorriso no rosto enquanto chacoalhava os lindos cabelos encaracolados que alcançavam seus ombros. Minha amiga tinha lábios carnudos, maçãs do rosto marcante e olhos negros que contrastavam com a pele caramelada. Era uma negra linda, a mais bonita que já vi. Mas naquele momento nem sua beleza conseguiu ofuscar a tristeza que brilhavam em seus olhos.

- Kiara, está tudo bem? Pensei que estivesse tão feliz quanto eu. Esperamos tanto por esse momento!

- Sim está tudo bem. Eu estou feliz, porém cansada, muito cansada.

- Mas...

- Luna, tudo que eu quero é tomar um bom banho e me jogar na cama. Amo meu trabalho, mas não consigo romantizar o quanto estou cansada. Esgotada! Tchau amiga e, obrigada pela carona. - Kiara deixou o carro e fechou a porta educadamente para passar pela porta da linda e imponente mansão da família Bianchi. A grandiosidade da casa fazia jus à riqueza e ao nome de peso da família. Mas, confesso que sempre achei estranho a maneira com que o brilho da minha melhor amiga se apagava quando ela chegava em casa. Outra coisa estranha era o fato dela está sempre no meu apartamento e em todos esses anos de amizade nunca ter me convidado para tomar sequer um café na casa dela. Mas tudo bem. Todos temos nossos problemas.

[...]

Chego em casa exausta, e com uma vontade enorme de comer algo. Jogo minha bolsa no canto da sala e sigo para a cozinha onde me deparo com a mesa coberta por várias fotografias de homens com o olhar nada amistoso. Papai é delegado, daqueles que realmente honram a sua profissão e fazem questão de trazer o trabalho da delegacia para dentro de casa.

- Papa, pensei que já estivesse dormindo. É madrugada...

Papai chegou perto e deu-me um beijinho na testa. Ele faz isso desde que eu era bem pequena, e é a demonstração de carinho mais fofa do mundo. Quando tiver meus filhos farei isso com eles também.

- Anselmo Capollo, o Dom da Cosa Nostra foi assassinado, e teve sua cabeça e todos os membros do seu corpo entregues de presente para a esposa no dia que eles completavam 40 anos de casados. Sabe o que significa isso filha?

- Não... - Respondi um pouco assustada com a novidade.

- Que acabou a paz de Toscana. O filho dele obviamente vai querer vingança. Você sabe muito bem como agem esses bandidos, eles deixam um rastro de dor e sangue por onde passam. A região de Toscana está em perigo e eu não consigo dormir, e fingir que nada está acontecendo!

- Papa, eu sei, mas você precisa descansar para fazer um bom trabalho.

- Descansar... - Papai socou a mesa me deixando assustada. - Foi num desses descansos que esses malditos mafiosos se aproveitaram para sequestrar e matar a sua mãe! Hoje faz 20 anos que sua mãe foi morta pela Cosa Nostra! 20 anos...

- Eu sinto muito papa, mas o senhor já prendeu os responsáveis... - Papai voltou a socar a mesa, dessa vez acompanhado de uma gargalhada maquiavélica.

- Você acha mesmo que eu prendi o assassino da sua mãe? Quem eu peguei era um laranja insignificante. Esses vermes não dão a cara a tapa! Sua mãe não merecia aquele fim! Por causa disso você cresceu sem mãe... - Papai levou as mãos ao rosto, arrasado. Eu corri para envolvê-lo num abraço, mas no fundo eu sabia que não seria o suficiente. Louis nunca superou a morte do grande amor da sua vida. Ele sofria todos os dias desde que ela partiu. Também era difícil para mim, mas a verdade é que eu não tenho muitas lembranças de mamãe.

- Papa, você foi e é o melhor pai do mundo. Em nenhum momento sofri com a ausência da minha mãe porque o senhor preencheu esse espaço.

- Não era para ter sido assim! Você tinha uma mãe!

- Eu sei papa... Mas, sabe o que eu acho, que já passou da hora de você encontrar uma pessoa especial. Papa, olha pra você, lindo, alto, com esses olhos azuis e ainda por cima é delegado. Sabia que a vida inteira minhas amigas vivem me enchendo o saco para dizer o quanto o senhor é o sonho de consumo delas? Porque não arruma uma namorada, já se passou vinte anos da morte da minha mãe e eu nunca te vi com ninguém.

- E nem vai ver. Não há mulher neste mundo capaz de ocupar o lugar da sua mãe.

- Não é pra ocupar o lugar dela. Por acaso o senhor conhece a palavra recomeço?

Papai sorriu com sarcasmo.

- É você quem deveria se preocupar com essas coisas. Você tem 25 anos, já é uma médica formada. Já está na hora de casar e me dar uns netos.

- Eu até gostaria. Mas ainda não encontrei alguém bom o suficiente para ser o meu marido e pai dos meus filhos.

- Mas é claro, você vê defeito em todos os homens. Ninguém nunca é bom o suficiente para você. Levi, o melhor namorado que você teve, hoje está casado e sua mulher grávida do primeiro filho.

- Ótimo, fico feliz por ele. Levi é uma pessoa especial. Mas eu não podia ter distrações enquanto estudava.

- Pois agora é tarde, você terminou os estudos, mas ele já se casou e constituiu família. Você achou mesmo que ele iria te esperar, Luna?

- Não. Não achei, inclusive me sinto aliviada por ele não ter feito isso. Não estou com pressa. Tudo acontece na hora certa... Por Dio, que homem lindo papa! - Arregalei os olhos quando vi a foto de um homem ruivo, com mandíbula maracada e grandes olhos negros. Ele tinha o olhar mais sexy e penetrante com que já havia me deparado.

- Cazzo! Enlouqueceu por acaso? Esse é Fred Coppola, o novo Dom da Cosa Nostra.

- Perdão, papa, não imaginava que houvesse mafiosos tão lindos. Por Dio, ele é muito lindo, tem cara de mau como você. - Brinquei.

- Não ouse me comparar com esses vermes. Cazzo, se o governo italiano não fosse comprado pela máfia a essa altura do campeonato todos eles estariam apodrecendo atrás das grades. Inclusive esse aqui, a ficha dele é extensa. Fred é conhecido por queimar seus inimigos vivos enquanto degusta um bom vinho. É um psicopata e eu não admito que minha filha mostre interesse por esse tipo de marginal!

- Tudo bem senhor Benedetti! - Ergui os braços em rendição, enquanto olhava para a foto do mafioso discretamente pela última vez. - Mas é bom que o senhor saiba que a sua filha não é mais aquela menininha que não sabe nada sobre a vida. Sou uma mulher independente, tenho minha profissão, meu dinheiro, meus objetivos e sei muito bem com quem devo ou não me envolver. Não se preocupe, a última coisa que farei na minha vida é me relacionar com um bandido a pobre vai queimar a língua kkk, muito menos um desses mafiosos cruéis. Isso nunca vai acontecer! Nunca!

- Essa é minha minha garota... Ops! Você não é mais uma garota, é uma mulher, a filha que eu amo, meu maior orgulho. - Papai me envolveu num abraço apertado, eu retribuí da mesma maneira. Ele também era tudo para mim, o melhor pai que uma garota poderia ter tido, meu melhor amigo e o melhor pai do mundo.

Eu o amo incondicionalmente e jamais iria desapontá-lo.

Capítulo 3 2

2

Fred

Dentro de uma carruagem preta, uma relíquia da nossa família, eu acompanhava meu pai, aliás, os restos de seu corpo que foram realocados dentro de um caixão de madeira maciça, com detalhes em ouro. Elegante e extremamente luxuoso, como sei que ele gostaria. O cortejo de carros caríssimos e uma orquestra consagrada na região de Toscana nos acompanhava rumo à maior catedral de Florença. No prédio ao lado da igreja um imenso outdoor estampava a imagem de Anselmo Coppola. Infelizmente os malditos abutres que se denominam paparazzis também marcavam sua desagradável presença.

Na igreja o padre que havia se preparado para fazer uma cerimônia de bodas agora rezava pela alma daquele corpo que foi destroçado pelas mãos sujas dos seus inimigos. Minhas irmãs estavam inconsoláveis, pelo menos elas conseguiram ter o privilégio de se despedir, diferente de mamãe que estava internada em estado de choque numa clínica. Tudo culpa daqueles malditos vermes russos.

Eles iriam pagar da maneira mais cruel por cada gota de sangue que derramou.

Eu e alguns amigos íntimos do papai fizemos um discurso em sua cruel despedida.

Antes de ser levado ao túmulo, Anselmo Coppola teve um funeral digno de uma grande autoridade. Sua morte repercutiu o mundo inteiro, nos jornais impressos e televisivos não se falava de outra coisa senão a morte do poderoso Anselmo Coppola , o Dom que impediu o fim da Cosa Nostra e elevou o patamar da máfia italiana nas últimas décadas.

Não havia organização mais rica e poderosa neste planeta. O sonho da Bratva era alcançar um terço do nosso feito, do nosso faturamento anual trilionário. Mas tudo que eles iriam conseguir depois dessa desgraça seria o fim daquele clã imundo.

Anselmo Coppola morreu, mas eu, Fred Coppola, estou mais vivo que nunca, com sangue nos olhos e pronto para tomar as rédeas de tudo que meu pai construiu daqui para frente.

[...]

Não há tempo para luto nem lágrimas.

Depois do funeral seguimos para uma reunião de emergência e pela primeira vez eu estava sentado na cadeira do meio, lugar que até alguns dias pertenciam a papai mediante aquela mesa.

- Um brinde ao novo Dom! - Dante Esposito, Capô capo de Nova York, ergueu o copo cheio de uísque. Os outros a mesa fizeram o mesmo.

Assenti, grato pelo simples gesto, mas tratei logo de focar no que realmente importava.

- Dante, a morte do meu pai é o sinal mais claro possível de que os russos não vão se contentar com a perda do território de Nova York. Eles vão fazer o que for preciso para ter a cidade de concreto de volta. - Sorri maquiavelicamente. - Já ordenei a morte de Aslan Usoian, para nossos espiões, ele pode se considerar um homem morto. Esses insetos vão conhecer as consequências de tirar a vida de um Coppolo. Vou iniciar uma dedetização para acabar com esses vermezinhos russos, vou exterminar um por um.

- Já não era hora. - Dante afirmou enquanto degustava o uísque.

- Ah Dante, fico tão feliz com sua lealdade. Tenho certeza que seu filho Luca também não deixa nada a desejar. Ele está solteiro, não é mesmo?

- Sim, está. Mas é bom te lembrar meu caro amigo que na América não temos um bom histórico com casamentos arranjados, se é isso que você está pensando.

- Esse é o maior problema da América. Eles querem ser os diferentões, homens modernos, mas a realidade é que vocês estão destruindo a nossa história, matando aos poucos os bons costumes da Cosa Nostra. Acima de tudo somos uma grande família de moral e valores. Eu não vou mais aceitar essa bagunça. Nossos homens se casando com qualquer uma, enfraquecendo nosso sangue, nossa genética de homens implacáveis e fortes. Cazzo! Isso é um absurdo!

- Eu até concordo...

- Seu filho vai se casar com Beatrice, minha irmã mais velha. Para a sorte dele ela é linda, educada e inteligente. Foi criada para ser uma esposa perfeita.

- Irei falar com Luca.

- Vou preparar um jantar de noivado. - Afirmei.

- E você? Pelo o que eu saiba está solteiro. Cazzo, de onde se viu um Dom solteiro?

- Fui pego de surpresa com a morte do meu pai, caro amigo. Me preparei a vida inteira para me casar com 30, ainda tenho 27...

- Desculpe, mas um Dom solteiro não passa confiança e o respeito de um homem conservador que você tanto prega. Afinal de contas todos nós sabemos que você vive rodeado de putas.

- Rodeado de putas? Acho que você está se equivocando Dante, só tenho contato com esse tipo de mulher na minha cama, por uma questão de necessidade apenas. Além disso, nesse quesito você não tem moral para me julgar já que também faz o mesmo sendo um homem casado.

- Você pode fazer o que quiser, desde que esteja casado. É o tipo de status que engrandece a moral masculina. Quero que saiba que eu tenho uma filha solteira de 16 anos.

- 16 anos? Eu posso ser pai dessa garota. Dante, eu não vou adotar sua filha.

- Você pode noivar junto com o Luca e se casar quando ela fizer 18.

Revirei os olhos entediado com aquele assunto, diferente da maioria dos meus amigos eu não sentia a menor atração por mulheres muito novas. A maioria são birrentas e imaturas, sempre gostei mais das coroas. Até as vadias que pago são mulheres maduras, cheias de experiência.

- Dante, quando sua filha fizer 18 voltamos com esse assunto. Eu não vou me comprometer com uma criança.

- Ela sem dúvidas é a melhor opção para você, Fred. - Pietro, meu primo e um dos meus consigliere afirmou me deixando ainda mais irritado.

Rapidamente fiz com que a mesa voltasse a focar no motivo da reunião. Ficamos longas horas discutindo medidas para nossa segurança e um contra-ataque de imediato contra a Bratva. Tínhamos muito trabalho pela frente e eu o chefe de toda organização não podia me dar o luxo de ficar lamentando a perda do meu pai. Porém, é impossível não me lembrar dos nossos momentos juntos. De quando ele me ensinou a atirar, a manusear facas, de quando ele me colocou na aula de boxe e logo no primeiro dia eu levei uma surra de outro garoto e, depois dele, quando cheguei em casa, inclusive fraturei algumas costelas e o braço esquerdo. De quando ele antecipou minha entrada na máfia e me fez cometer meu primeiro assassinato aos 7 anos de idade. Tudo muito cedo. Lembro que na época a dor e o medo me acompanhavam, nenhum dos meus colegas do colégio tinha um pai como o meu. Todos recebiam carinho, atenção e elogios. Enquanto eu estava mais para um saco de pancadas do Anselmo do que filho dele, mas com o passar dos anos, com o amadurecimento chegando de maneira precoce, todo medo e angústia que senti durante toda minha infância se transformaram em frieza, raiva e um desejo infame de descarregar toda minha frustração em tudo que via pela frente. Eu sentia prazer em torturar, decepar e ouvir meus inimigos suplicando por socorro, implorando por mais alguns minutinhos de vida.

Eu entendi que durante todo aquele tempo papai estava trabalhando para fazer de mim um homem forte, frio e cruel como ele.

Sei que a essa hora ele deve está orgulhoso de não me ver derramando uma única lágrima. Na verdade eu não estou sofrendo com sua partida, até porque vivi numa contagem regressiva para finalmente chegar o dia que eu fosse ocupar o seu lugar. Se eu tivesse o privilégio de me despedir do grande Anselmo Coppola agora, diria: Tenha uma boa passagem para o inferno, papa.

[...]

Depois de um dia longo e uma noite tensa, a manhã do dia seguinte não seria diferente. Havia acabado de tomar o banho matinal e agora estava na sacada da minha cobertura tomando uma xícara de capuccino, admirando a bela arquitetura de Florença quando meu telefone começou a chamar insistentemente. Por coincidência a campainha do meu apartamento também estava tocando, obviamente era alguém do meu prédio ou alguém afim de arrancar minha cabeça e fazer picadinho de mim como fizeram com o meu pai.

Rapidamente peguei minha pistola de estimação, banhada a ouro e muito eficiente. Eu engatilhei a arma e ajustei meu roupão antes de verificar quem era no olho mágico.

Giovanni.

- Entre. - Disse enquanto abria a porta para meu mais fiel soldado.

- Bon Diorno, Fred. Por acaso estava pensando em usar em mim? - Ele olhou para a pistola dourada que carregava.

- Não seria uma má ideia. Fale logo o que te levou a interromper meu café.

- Sei que não é o melhor momento, mas infelizmente, trago péssimas notícias.

- Fale logo Giovanni.

- Pietro foi preso pela manhã. Foi indiciado por associação ao tráfico humano.

- Cazzo! Preso? Mas, quem foi o filho da puta que ousou a prender um dos meus consilieres?

- Adivinha.

- Aquele delegado de merda que insiste em perseguir a Cosa Nostra, não é?

- Ele mesmo.

- Definitivamente uma pedra no sapato. Insuportável.

- Devo matá-lo?

- Matá-lo? Uma pessoa chata como ele merece sofrer antes de ir para o inferno.

- Vamos pegá-lo arrancar dente por dente, depois arrancar a língua dele.

- Pode ser, mas, isso soa tão clichê... Bom, ele é só mais um da dezena de homens da "lei" que cancelamos o CPF, acho que quero fazer diferente dessa vez. Ultimamente o clima anda tão tenso que tenho sentido a necessidade de me divertir. Me diga, por acaso esse imbecil tem esposa?

- Não chefe. Olhei o histórico dele, e aparentemente trata-se de um viúvo que nunca superou a morte da mulher.

- Um homem que nunca superou uma boceta, isso é uma piada Giovanni?

- Não chefe. Mas ele tem uma filha. Uma médica lindíssima.

- Médica, agora sim me interessei. Nunca estive com uma médica nem mesmo para fazer uma consulta. Pegue-a e leve-a para a fazenda do sul. Chegarei lá em breve.

- Vou cuidar disso.

Assenti, vendo meu leal soldado deixando meu apartamento para cumprir sua missão.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022