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Nas sombras do passado

Nas sombras do passado

Autor:: °°Maria Rocha°°
Gênero: Romance
Nas Sombras do Passado Maria Rocha Após a morte de sua avó, Isabela herda um antigo casarão envolto em segredos e memórias que insistem em não permanecer adormecidas. Enquanto sua família retorna à cidade, ela decide permanecer ali, movida por uma inquietação inexplicável e pelas últimas palavras de dona Cecília. É então que visões do passado começam a invadir seus dias - vozes sussurradas, cartas esquecidas e o nome de Evelyn, uma mulher marcada por um amor impossível. Ao lado de Lucas, um amigo inesperado que compartilha de sua busca, Isabela mergulha em uma jornada entre presente e passado, descobrindo que a história de Evelyn e Arthur foi interrompida por forças maiores do que o tempo. Quando se vê transportada para outra época, vivendo fragmentos de uma vida que não é sua, ela entende: está ligada a algo muito maior do que imaginava. Um amor perdido, uma guerra silenciosa entre famílias e segredos enterrados sob as fundações do tempo. Isabela terá que enfrentar o peso das escolhas, o poder do destino e a coragem de reescrever uma história que ainda clama por um final verdadeiro.

Capítulo 1 O diárioEsquecido

O Diário Esquecido

O vento frio de outono soprou pelas árvores do jardim da casa de sua avó, fazendo as folhas secas dançarem pelo chão de pedra. Isabela parou na entrada da antiga casa, observando o local que sempre tivera algo de encantador, mas também de melancólico. A casa parecia quase imune ao passar dos anos, seus tijolos cobertos de musgo e as janelas empoeiradas guardando histórias que ela nunca soubera contar.

Isabela nunca havia tido um relacionamento muito próximo com sua avó. A mulher era uma figura silenciosa, uma alma cheia de mistérios e segredos, que raramente compartilhava algo sobre seu passado. A velha casa estava repleta de móveis antigos e quadros nas paredes, alguns empoeirados, outros com cores desbotadas pelo tempo. Mas a avó de Isabela sempre insistira que, no momento certo, ela deveria passar algum tempo ali. "Este lugar guarda coisas que você ainda não entende",

ela costumava dizer com uma expressão vaga, como se soubesse que o destino de Isabela estava de alguma forma entrelaçado com a casa.

Naquela manhã, Isabela havia recebido uma carta de sua mãe, informando que sua avó falecera na noite anterior. A perda foi repentina, e Isabela decidiu viajar até a casa para ajudar nos preparativos, sem saber que o que encontraria ali mudaria sua vida para sempre.

O cheiro de madeira envelhecida e poeira era reconfortante. Ela subiu as escadas com cautela, sentindo uma nostalgia que não sabia de onde vinha. No quarto da avó, tudo estava exatamente como sempre. O grande armário de carvalho, a cadeira de balanço que sempre fora um lugar de descanso, e, sobre a cama, um caderno de couro, como que esperando por ela.

Isabela não podia deixar de sentir uma estranha sensação ao olhar para o caderno. Ele estava fora do lugar, sobre a cama, como se tivesse sido colocado ali para ser encontrado. Ela se aproximou lentamente, sentindo uma curiosidade crescente. Quando o abriu, a primeira página estava repleta de uma caligrafia elegante, mas com traços que indicavam que a pessoa que escrevera estava tentando ocultar algo. As palavras pareciam um enigma:

"O tempo, como a maré, leva consigo o que nos é precioso. E, nas sombras do passado, há segredos que devem permanecer em silêncio."

Isabela leu e releu aquelas palavras, sentindo um calafrio correr pela espinha. Quem seria a autora dessas palavras? A avó nunca mencionara nada sobre segredos ou sobre o passado de sua família. Ela folheou as páginas, cada uma delas mais misteriosa que a anterior. As memórias ali contidas não eram apenas palavras, mas fragmentos de um outro tempo, de uma época distante. E, enquanto ela passava os olhos por cada uma delas, Isabela sentia que algo dentro dela começava a despertar, uma sensação de déjà vu, como se aquelas palavras já tivessem sido lidas por ela em outro momento.

Havia nomes. "Evelyn" e "Arthur" estavam entre os mais recorrentes, como se fossem os protagonistas de uma história não contada. O diário detalhava encontros secretos, olhares furtivos, e um amor proibido. Cada página parecia mais densa e cheia de emoções intensas, como se o amor descrito ali estivesse prestes a ultrapassar os limites da razão e da moralidade da época.

E então, em uma das páginas finais, Isabela encontrou algo que a fez prender a respiração. Era um desenho. Um retrato de uma jovem mulher, com traços delicados, mas marcados por uma tristeza profunda nos olhos. O nome "Evelyn" estava escrito abaixo do desenho, e, ao lado, uma inscrição que dizia:

"Às vezes, o destino nos obriga a escolher entre o amor e o dever. Arthur escolheu o amor. Eu escolhi o dever."

Isabela tocou a imagem, seus dedos traçando as linhas da face de Evelyn. Algo nela parecia familiar, mas não conseguia entender o porquê. O retrato parecia chamar por ela, como se o destino estivesse tentando dizer-lhe algo.

Sentiu uma dor repentina no peito, como se estivesse sendo puxada para outro lugar, outra época. Seus olhos se fecharam por um momento, e quando os abriu novamente, ela não estava mais na casa de sua avó. Ela estava em um outro lugar, um local que jamais imaginaria que pudesse existir.

O ar era diferente, mais pesado, com um cheiro de terra molhada e de flores que não reconhecia. Olhou ao redor, confusa, e seus olhos se fixaram em uma paisagem bucólica: uma casa de campo com jardins impecavelmente cuidados, e, ao fundo, um grande portão de ferro forjado que parecia conduzir a um mistério.

Antes que pudesse entender o que estava acontecendo, uma voz suave, mas firme, chamou-lhe a atenção.

"Você finalmente chegou."

Isabela virou-se rapidamente, e ali, diante dela, estava uma jovem mulher, com os mesmos olhos tristes que ela havia visto no retrato do diário. Ela estava vestida com roupas de época, uma saia longa e uma blusa de mangas bufantes, uma mulher do passado, mas com uma expressão que parecia... eterna.

"Evelyn?" Isabela perguntou, sem saber como a palavra havia saído de sua boca. Mas, ao dizer o nome, tudo pareceu se encaixar. Evelyn sorriu levemente, e algo em seus olhos brilhou.

"Sim, sou eu. E você... você finalmente encontrou o que procurava. Agora, precisamos terminar o que começamos."

Isabela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O que Evelyn queria dizer com isso? O que ela precisava terminar? E, mais importante, como ela tinha ido parar ali?

Ela não sabia, mas uma coisa era certa: o tempo havia começado a se desdobrar diante dela de uma forma que ela nunca poderia ter imaginado. E, talvez, o destino de Evelyn e Arthur fosse mais entrelaçado com o seu do que ela jamais imaginara.

Capítulo 2 O peso das memórias

O Peso das Memórias

Isabela olhou para Evelyn, ainda atônita, com a sensação de que tudo ao seu redor estava se distorcendo, como se a realidade estivesse se desfazendo e sendo substituída por algo mais antigo, mais profundo. O vento suave acariciava seu rosto, e a visão da casa de campo, com suas paredes de pedra e janelas de madeira, parecia uma pintura retirada de um passado distante. Mas, por mais que sua mente tentasse processar o impossível, seu corpo sentia algo familiar, como se ela já tivesse estado ali antes, em um sonho ou em uma memória perdida.

"Como... como eu cheguei aqui?" Isabela perguntou, sua voz um sussurro trêmulo. O medo e a confusão a envolviam, mas algo dentro de si a impulsionava a continuar.

Evelyn deu um passo à frente, seu vestido de linho esvoaçando com o movimento. Seus olhos, agora mais intensos, refletiam uma tristeza e um peso imensos, como se carregassem uma dor imortal. Isabela sentiu, então, que não estava diante de uma jovem do passado, mas de alguém que havia vivido tanto, que o tempo em si parecia não ter mais controle sobre ela.

"Você não está apenas aqui, Isabela. Você foi trazida." Evelyn respondeu com suavidade, como se estivesse explicando algo que já deveria ser óbvio. "Este lugar... este tempo... tudo isso é uma memória, um pedaço do passado que foi guardado por você, sem saber."

Isabela sentiu um calafrio, e sua mente buscou respostas, mas nenhuma parecia plausível. Ela se lembrava da última coisa que fizera antes de ser transportada: estava na casa de sua avó, folheando o diário de Evelyn. Agora, aqui estava ela, no meio de um campo bucólico, com Evelyn à sua frente. Ela tentava se lembrar de como tudo isso começara, mas as respostas escapavam como água entre os dedos.

"O que você quer dizer com 'guardado por mim'?" Isabela perguntou, tentando entender, mas sua voz estava cheia de confusão.

Evelyn não respondeu imediatamente. Ela olhou ao redor, como se estivesse absorvendo a própria paisagem, antes de voltar seu olhar intenso para Isabela.

"Você e eu, Isabela, estamos mais ligadas do que você pode imaginar. O diário que encontrou, as palavras escritas... tudo isso foi feito para te guiar até aqui. O que você não sabe ainda é que o que está acontecendo agora, esse encontro, não é apenas uma coincidência."

O vento aumentou um pouco, e as árvores ao longe balançaram com mais força, como se algo estivesse prestes a acontecer. Evelyn levantou os olhos para o céu, onde nuvens escuras começaram a se formar, obscurecendo a luz do sol.

"O amor que você leu no diário, o amor de Arthur e eu... ele está entrelaçado com a sua história. O tempo que você está vivenciando agora não é apenas o meu passado, é o seu futuro também."

Isabela sentiu uma sensação de vertigem. As palavras de Evelyn a faziam sentir como se o mundo estivesse se desfazendo diante de seus olhos, e ela estivesse prestes a cair em um abismo onde o tempo e as memórias não faziam sentido algum. Ela se forçou a respirar fundo, tentando controlar a ansiedade crescente.

"Mas... como isso é possível?" Isabela perguntou, tentando reunir forças. "Eu não entendo. Por que minha vida e a sua se entrelaçam? O que isso tem a ver com o que está no diário?"

Evelyn sorriu, uma expressão amarga que refletia o peso de muitas escolhas feitas ao longo do tempo. Ela estendeu a mão, e Isabela, sem pensar, a aceitou. O toque da jovem era gelado, como se o tempo tivesse congelado em sua pele. Evelyn puxou Isabela para mais perto da casa de campo.

"Venha. Você precisa ver o que aconteceu, como Arthur e eu fomos separados... e como esse amor nunca poderá morrer, mesmo que o tempo tente apagá-lo."

Isabela, ainda sem entender completamente, seguiu Evelyn até a casa, que agora parecia mais próxima e imponente. A porta de madeira antiga rangeu quando foi aberta, e elas entraram. O interior estava empoeirado, mas havia algo de mágico naquele lugar, como se o próprio ar carregasse o peso de memórias não ditas. As paredes estavam cobertas de retratos de pessoas que ela não conhecia, mas de alguma forma, sentia que reconhecia os olhares. Olhares de desgosto, de saudade, e de algo mais profundo.

Evelyn conduziu Isabela até uma sala ao fundo, onde uma grande lareira ainda exalava um calor suave, mesmo que não estivesse acesa. No centro da sala, uma mesa de madeira escura estava coberta por papéis, cartas e fotografias emolduradas, todas com o mesmo tema: um homem, com cabelos escuros e olhos penetrantes, que parecia sempre olhar com um misto de dor e paixão.

"Este é Arthur," disse Evelyn, seu olhar fixo nas imagens. "O homem que meu coração escolheu, mas que o destino tentou arrancar de mim."

Isabela se aproximou da mesa, seus olhos fixos em uma das fotografias. Era um retrato de Evelyn e Arthur, sorrindo, ambos tão jovens e vibrantes. Mas havia algo na foto que a fez parar. Algo em Arthur parecia estranho, como se ele soubesse de algo que ela não entendia.

"Por que ele parece tão... triste?" Isabela perguntou, tocando a foto com os dedos trêmulos.

Evelyn suspirou profundamente, como se o peso da história fosse demais para carregar. "Arthur e eu fomos separados por forças que não podíamos controlar. A minha família, o mundo ao nosso redor, não permitiram nosso amor. Eles nos dividiram, e eu perdi uma parte de mim naquele dia."

Evelyn se afastou da mesa e caminhou até a janela, olhando para o horizonte, onde o céu agora estava escuro, carregado de nuvens pesadas. "Mas o que você precisa entender, Isabela, é que o que aconteceu entre Arthur e eu... não terminou. O tempo pode nos separar, mas as memórias, os sentimentos, não podem ser apagados."

Isabela sentiu uma pressão no peito, uma sensação de que algo maior estava prestes a acontecer. Ela não sabia o que o futuro reservava, mas uma coisa era certa: ela estava prestes a entrar em um jogo onde o amor, o mistério e o tempo se misturavam de maneira irreversível.

Evelyn se virou para ela, e seus olhos estavam mais intensos do que nunca.

"Agora você precisa escolher, Isabela. O que aconteceu no passado vai voltar, e você terá que fazer algo que nunca imaginou. O amor de Arthur e o meu não será a única coisa que você precisará salvar."

Isabela não soube o que responder, mas o som de um relógio velho, que parecia ter parado há muito tempo, começou a tocar no fundo da casa, e o som ecoou como um presságio.

O tempo estava se movendo novamente.

Capítulo 3 Ecos do passado

Ecos do Passado

Isabela não sabia mais o que pensar. As palavras de Evelyn ecoavam em sua mente, e sua cabeça parecia cheia de perguntas sem respostas. A casa parecia cada vez mais viva, como se as paredes tivessem absorvido as dores e os amores dos que ali viveram, e agora, ela fazia parte dessa história que transcende o tempo. Mas como isso era possível? Como ela, uma jovem mulher do presente, podia estar tão envolvida com um amor e uma perda que aconteceram há tanto tempo?

A tarde se estendia lentamente, e Isabela não conseguia tirar os olhos de Evelyn, que agora caminhava pela sala com uma calma impressionante. Cada passo dela parecia pesar no ar, como se carregasse o fardo de uma verdade que há muito tempo esperava para ser revelada.

"Você ainda não entende, Isabela. Eu sei," disse Evelyn, interrompendo os pensamentos de Isabela. Ela parou diante de uma grande mesa de jantar, sobre a qual havia uma carta antiga, aberta, e uma vela apagada que tinha marcas de uso. "Mas você precisa entender que os fios do destino não são fáceis de se desfazer. Arthur e eu... nossa história nunca será esquecida."

Isabela, sentindo o peso daquelas palavras, se aproximou da mesa, onde a carta estava cuidadosamente estendida. Ela olhou para Evelyn, que agora tinha os olhos cheios de uma tristeza profunda.

"O que aconteceu com vocês? O que foi tão grave que ainda os mantém presos ao passado?" Isabela perguntou, sua voz mais suave, como se temesse a resposta.

Evelyn suspirou e se sentou, seus dedos acariciando a superfície da mesa. Ela parecia distante, como se estivesse voltando a um tempo que só ela podia acessar. Os olhos de Isabela seguiram os movimentos de Evelyn, como se a própria história estivesse se desenrolando diante dela, revelando aos poucos o que estava oculto.

"Arthur e eu..." Evelyn começou, sua voz tremendo ligeiramente. "Nos apaixonamos de uma forma que foi além do que poderíamos controlar. Eu sabia que ele era o homem com quem eu deveria estar, mas as circunstâncias não permitiram que ficássemos juntos. Havia uma guerra, uma divisão entre nossas famílias, e o amor que compartilhávamos não era permitido. E quando o destino nos separou... eu fui obrigada a seguir um caminho diferente."

Isabela sentiu uma dor repentina, como se estivesse sendo arrastada para dentro daquela história, como se, de alguma forma, o amor de Arthur e Evelyn fosse uma dor que ela também carregava. A atmosfera da sala parecia se tornar mais densa, como se o tempo estivesse comprimido ali, em um único ponto, esperando por algo para se revelar.

"Mas por que você não foi atrás dele?" Isabela perguntou, a curiosidade misturada com a compaixão. "Por que deixou tudo isso acontecer?"

Evelyn fechou os olhos, como se as lembranças fossem difíceis de suportar. "Porque, Isabela, o que você não entende é que o destino nunca nos oferece apenas um caminho. Eu não era a única que tinha a escolher entre o amor e o dever. Quando a guerra chegou, Arthur e eu fomos separados, não por nossa escolha, mas pela escolha dos outros. Eu fui forçada a casar com alguém que não amava, e Arthur foi levado para a batalha. Mas o pior... o pior foi saber que ele nunca voltaria."

Isabela ficou em silêncio, absorvendo cada palavra. Ela queria saber mais, queria entender como o amor de Evelyn e Arthur poderia ter sido interrompido tão brutalmente. Mas a sensação de que o tempo estava brincando com ela, como se estivesse desfiando um fio delicado, a fazia hesitar.

"E depois disso, o que aconteceu?" Isabela perguntou, finalmente quebrando o silêncio.

Evelyn se levantou e andou até a janela novamente, seus olhos perdidos no horizonte. "Eu fiz o que me foi pedido. Casei-me, tive filhos, vivi a minha vida. Mas Arthur... ele nunca deixou meu coração. Ele nunca deixou meu espírito. E você, Isabela, você é a chave para que tudo isso faça sentido novamente."

Isabela franziu o cenho. "A chave? Eu... como posso ser a chave?"

Evelyn olhou para ela com um sorriso enigmático, e suas palavras foram suaves, mas cheias de um poder inexplicável. "Porque você tem algo que nem eu nem Arthur tivemos: a capacidade de reescrever a história. O que você encontrou no diário, o que você está vivendo agora, não é uma coincidência. O passado está gritando para ser ouvido, e o amor entre Arthur e eu... ele ainda vive, esperando para ser cumprido."

O que Evelyn estava dizendo era absurdo, mas, ao mesmo tempo, algo dentro de Isabela sabia que havia verdade nisso. Como ela poderia ser a chave? O que ela tinha em comum com aqueles dois amantes do passado?

O som do vento que balançava as árvores lá fora parecia aumentar, e a casa parecia se envolver em um silêncio profundo, como se o tempo estivesse paralisado. Isabela se aproximou de Evelyn, com o coração acelerado, sentindo que, a cada palavra que ouvia, uma parte dela estava sendo transportada para aquele outro tempo, para aquela outra vida.

"Mas o que devo fazer? Como posso ajudar?" Isabela perguntou, seu olhar fixo nos olhos de Evelyn.

Evelyn sorriu levemente, uma expressão triste, mas cheia de esperança. "Você já está ajudando, Isabela. Só o fato de estar aqui, de ouvir a nossa história... você está quebrando as barreiras do tempo. O amor entre Arthur e eu nunca será esquecido, mas, para que ele seja finalmente vivido, alguém precisa trazer de volta o que foi perdido."

Isabela não sabia o que fazer com aquelas palavras. O que isso significava? Ela estava sendo chamada para algo muito maior do que ela poderia compreender. A sala parecia estar se fechando ao redor dela, e o tempo parecia se esticar, como se estivesse aguardando sua decisão, esperando por ela.

Evelyn se afastou da janela e deu um passo em direção a Isabela, seus olhos brilhando com uma intensidade sobrenatural. "Mas lembre-se, Isabela. O amor que você carrega, o amor que você também está descobrindo, é uma força poderosa. Ele não é algo que pode ser controlado. O que aconteceu no passado... ele precisa ser liberado, para que o futuro seja completo."

As palavras de Evelyn ressoaram em Isabela, como um sussurro perdido entre as sombras do tempo. Ela olhou para a jovem, seus olhos agora cheios de uma tristeza profunda, como se ela estivesse fazendo o impossível para reunir as peças de um quebra-cabeça que jamais poderia ser montado.

Mas, mesmo assim, Isabela sentiu algo inabalável dentro de si, algo que a conectava com aquelas memórias perdidas. Algo que a fazia saber que, de alguma forma, ela já fazia parte daquela história. E talvez, apenas talvez, ela pudesse reescrever o destino.

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