Em um galpão abandonado nos arredores da cidade, o grito aterrorizado de Jolene Brown ecoou pelo ar frio e deserto.
"Ah!" Sua voz tremia tanto quanto o corpo, e as lágrimas escorriam sem controle enquanto ela se balançava como uma folha ao vento. "Alguém... por favor, me ajude!"
"Jolene!", gritou Austin Brown, o mais velho dos irmãos, o pânico distorcendo suas feições.
Com os punhos cerrados e os olhos ardendo de fúria, ele encarava os sequestradores. "Soltem Jolene! O que quer que queiram fazer, descontem em Kathryn!"
"Se tocarem num fio de cabelo de Jolene, juro que nenhum de vocês sai vivo daqui!", rugiu Isaac Brown, o segundo irmão, perdendo completamente a calma, seus olhos brilhando com uma hostilidade arrepiante.
"Digam o preço!", gritou Jaxton Brown, o terceiro irmão. "Só soltem Jolene. De qualquer forma, Kathryn não passa de um problema. Façam o que quiserem com ela!"
Seus olhos estavam tão vermelhos que pareciam que iam explodir, e cada músculo do seu corpo gritava que ele estava prestes a atacar os sequestradores.
Amarrada a um pilar, Kathryn Brown, a irmã biológica deles, deixava as lágrimas rolarem silenciosamente por seu rosto.
Ela sempre sabia que não era muito importante para a família Brown, mas ouvir seus próprios irmãos a entregando tão casualmente - falando dela como se fosse um fardo descartável - a atingiu em cheio.
Ela, a irmã biológica deles, finalmente se reencontrou com eles depois de tantos anos, mas no momento mais crucial, eles não hesitaram em escolher a impostora!
Ela e Jolene haviam sido sequestradas juntas, mas quando os sequestradores exigiram que os três irmãos escolhessem apenas uma para salvar, eles optaram por Jolene instantaneamente, sem nem sequer pensar.
"Pobre garota", zombou um dos sequestradores, segurando o queixo de Kathryn. "Seus irmãos não estão nem aí para você."
"Soltem Kathryn!", Jolene gritou fracamente, mas Kathryn percebeu um brilho de satisfação nos olhos dela.
Em meio ao desespero, Kathryn olhou para a única pessoa em quem ainda confiava - Declan Fulton, seu noivo. Ele estava por perto, elegante e refinado como sempre, vestido impecavelmente.
"Declan", ela sussurrou trêmula, seus olhos cheios de uma esperança suplicante de que ele, pelo menos, a escolheria.
No entanto, a resposta de Declan foi firme e gélida: "Respeito a decisão dos Brown. Também escolho Jolene."
Essas palavras atingiram Kathryn como um soco no estômago. Será que esse era realmente o homem que ela amara por três anos? Alguém capaz de ser tão frio? Ele nem sequer hesitou!
Ela encarva Declan, que fora tão gentil com ela, e seus lábios tremiam, mas nenhum som saiu.
Tudo o que Kathryn viu agora era um estranho com um coração congelado. Certa vez, ela quase morrera para protegê-lo... E para quê? Agora, isso parecia uma piada cruel!
Declan não dedicou a Kathryn nem um olhar sequer. Seu foco estava todo em Jolene, enquanto desfazia cuidadosamente as cordas que prendiam os pulsos dela.
Mas para Kathryn, o pior não foi apenas a traição, e sim a amarga verdade de que fora deixada no escuro, como uma idiota, por tanto tempo! Que ridículo!
Assim que Jolene foi libertada, Austin, Isaac, Jaxton e Declan a cercaram, cuidando dela como se fosse a única que importasse.
Nenhum deles sequer olhou para Kathryn, como se ela não existisse.
Imóvel, Kathryn observou enquanto eles ajudavam Jolene a sair com todo o cuidado.
Ela fechou os olhos com força, e uma única lágrima escorreu por seu rosto.
Quando os abriu novamente, os rostos feios dos sequestradores estavam se aproximando lentamente, seus sorrisos sinistros se alargando.
Segurando o queixo dela com força, um deles zombou: "Olhe só para você! Seus próprios irmãos não te querem, mas não se preocupe, pois nós cuidaremos de você muito bem. Dá para acreditar que eles escolheram a impostora em vez de você? Sinceramente, toda essa confusão foi ideia dela - planejada e paga só para se livrar de você, querida."
Rindo sombriamente, ele chamou seus homens: "Não tenham pressa. Um de cada vez, rapazes... todos terão sua vez."
Os olhos de Kathryn se arregalaram, e a fúria a tomou da cabeça aos pés.
"Se afastem!", ela cuspiu, se debatendo ferozmente, mas recebeu um tapa forte que fez sua cabeça girar.
"Teimosa, hein?", zombou o homem com o rosto cheio de cicatrizes, rasgando as roupas dela. "Exatamente do jeito que eu gosto."
Amarrada e encurralada num canto sem saída, Kathryn só pôde observar enquanto eles a cercavam.
Justo quando abaixava a cabeça em sombria resignação, talvez até para batê-la contra a parede, um tiro ensurdecedor rompeu o silêncio.
Os sequestradores congelaram, os olhos arregalados de medo, todos olhando na direção de onde viera o tiro.
De repente, como sombras, uma dúzia de figuras vestidas de preto invadiram o local, alinhando-se perfeitamente em duas fileiras. A atmosfera se tornou instantaneamente densa, carregada de uma intenção mortal.
À frente deles, um homem alto e imponente avançou suavemente, irradiando uma presença feroz e arrepiante. A luz tênue destacava os traços marcantes do seu maxilar e a profundidade fria dos seus olhos, e uma pistola elegante estava na sua mão, a fumaça saindo do cano.
"Se querem viver, parem agora mesmo." A voz do homem, Liam Warren, ecoou, profunda, magnética e totalmente inflexível.
Liam, que estava rastreando traidores por perto, se deparou com essa cena por acidente.
A princípio, ele pretendia ir embora, já que traições e sequestros eram infelizmente comuns nesses lugares abandonados.
No entanto, quando ele estava se virando para sair, um breve vislumbre do rosto pálido, mas determinado, da sequestrada chamou sua atenção, despertando um estranho sentimento de familiaridade dentro dele.
Então, ele atirou.
Quando reconheceram Liam, os sequestradores começaram a tremer. "Senhor Warren, não sabíamos que você estava aqui. Por favor, tenha piedade!"
Eles baixaram a cabeça, o arrependimento estampado em seus rostos.
Todos sabiam que Liam não era de brincadeira. Ele comandava um império gigantesco que apagava a linha entre o crime e os negócios legítimos, e sua reputação implacável amedrontava qualquer um que fosse tolo o bastante para mexer com ele. Que azar dar de cara com ele aqui!
Sem sequer olhar para eles, Liam foi até Kathryn e a desamarrou. Para seu espanto, ela se moveu como um relâmpago e pegou uma adaga do chão.
Num piscar de olhos, a lâmina penetrou na garganta do sequestrador que acabara de tentar estuprá-la, e o sangue jorrou por toda parte.
A cena fez os outros homens congelarem de terror.
"Quem... quem é você?", um deles gaguejou.
"Sou a pessoa que vai mandá-los direto para o inferno", respondeu Kathryn, um sorriso cruel e perverso se formando nos lábios.
No próximo segundo, o galpão ecoou com gritos, súplicas desesperadas e o som repugnante de ossos se quebrando.
Kathryn então se aproximou do homem com o rosto cheio de cicatrizes, líder dos sequestradores.
"Fale logo. Quanto Jolene te pagou? Qual era o plano?", ela exigiu friamente.
"Ela nos pagou 5 milhões para te sequestrar. Imaginou que seus irmãos iriam escolhê-la... e então... então queria que te matássemos depois de fazermos o que bem entendêssemos com você", confessou o homem, tremendo e gaguejando, seus olhos arregalados de terror como se ela fosse um monstro aterrorizante.
Os olhos de Kathryn brilharam como aço. Jolene, seus supostos irmãos e o noivo que ela amara por três anos logo perceberiam que nunca deveriam subestimá-la!
Ela ansiara pelo amor deles e se esforçara ao máximo para atender a todas as exigências dos Brown. No entanto, eles nunca a aceitaram e sempre passavam dos limites.
Desta vez, ela se cansara de insistir e não teria piedade! Os Brown eram tolos por terem virado as costas para a própria irmã para proteger Jolene, a impostora!
"Saiam daqui e nunca mais voltem!", Kathryn ordenou num tom ríspido.
Aterrorizados, os sequestradores se dispersaram e desapareceram num piscar de olhos.
Liam observava em silêncio, intrigado com ela.
Ele havia presumido que ela fosse indefesa, mas, na verdade, era forte e feroz, nada do que esperava.
Kathryn olhou para ele e agradeceu sinceramente: "Obrigada pelo que fez hoje."
Quando Liam estava prestes a responder, uma onda repentina de sangue, metálico e amargo, subiu por sua garganta.
Ele tossiu violentamente, cuspindo uma grande quantidade enquanto seu corpo cambaleava e seu rosto empalidecia.
Ao perceber o sofrimento dele, Kathryn franziu a testa e o amparou. "Você foi envenenado, não foi?"
Liam hesitou, então olhou para ela e perguntou: "Como descobriu isso?"
A toxina dentro dele era extremamente rara. Seus sintomas eram sutis e impossíveis de serem detectados pela maioria dos médicos. Então como ela conseguiu identificá-la tão rapidamente?
Kathryn analisou cuidadosamente o estado dele, depois soltou sua mão e afirmou com convicção: "Esse veneno está no seu organismo há cerca de um mês. Se não for tratado logo, pode causar sérios danos."
De fato, ela estava certa.
Alguém próximo a ele havia sido comprado pelo Serpents para envenená-lo. Mesmo depois de oferecer uma grande recompensa na DarkNet, ele não encontrara ninguém capaz de reverter os danos.
"Você consegue me curar?", Liam perguntou, sua voz baixa.
"Você confia em mim? Se sim, me dê sua mão", pediu Kathryn com firmeza.
Liam encontrou o olhar firme e resoluto dela e, embora normalmente cauteloso e desconfiado, respondeu instintivamente: "Confio em você."
"Fique parado." Sem hesitar, Kathryn pegou uma pequena lâmina, segurou a mão dele e fez um corte preciso no seu dedo indicador, fazendo uma gota de sangue escurecido escorrer.
"Senhor Warren!", gritou um dos homens de Liam, correndo alarmado.
"Não temos o equipamento para remover completamente o veneno aqui, mas podemos liberar algumas das toxinas para retardá-lo por enquanto", explicou Kathryn calmamente.
Um tempo depois, Liam percebeu que os sintomas estavam diminuindo e se sentiu consideravelmente melhor.
Ele olhou para Kathryn e, notando gotas de suor na sua testa e um olhar concentrado e intenso, disse suavemente: "Se precisar de alguma coisa, é só falar."
Kathryn balançou a cabeça. "Não precisa me agradecer. Considere isso como uma retribuição por ter me salvado com aquele tiro. Vou garantir que esse veneno seja completamente eliminado do seu corpo."
Ao ouvi-la, Liam estreitou os olhos ligeiramente. Havia algo misterioso nela que ele não conseguia entender muito bem.
"Até que o veneno seja totalmente eliminado do meu corpo, você terá que ficar perto de mim", ordenou ele com uma autoridade discreta.
Ele era um homem que nunca deixava ninguém, principalmente mulheres, se aproximar tanto. Mas, com Kathryn, quebrou sua própria regra pela primeira vez.
Ela não parecia se incomodar, apenas arqueando uma sobrancelha. "Tudo bem, e você terá que providenciar comida e abrigo. Mas, primeiro, preciso voltar para casa e cortar todos os laços com os Brown."
Liam abriu um leve sorriso. "Combinado."
Quando Kathryn chegou em casa, encontrou seus pais biológicos e três irmãos reunidos em volta de Jolene, a enchendo de carinho e atenção. Uma risada amarga escapou dos seus lábios enquanto ela observava tudo.
Sem perder tempo, ela se aproximou, agarrou um punhado do cabelo de Jolene e deu um tapa forte no rosto dela, o estalo agudo ecoando pela sala.
A família Brown ficou paralisada de choque ao ver que foi Kathryn quem acabara de bater em Jolene. Ela não estava com aqueles sequestradores?
Jolene segurou a bochecha, gritando incrédula: "Kathryn, você perdeu completamente a cabeça?"
Austin foi o primeiro a sair do choque. "Kathryn, o que está fazendo? Por que bateu em Jolene do nada? É melhor pedir desculpas agora mesmo!"
Anne Brown, a mãe deles, franziu a testa profundamente, cruzando os braços. "Kathryn, que tipo de problema está arrumando desta vez? Desde que você voltou, só trouxe caos. Talvez nunca devêssemos ter te buscado de volta."
Kathryn balançou a cabeça, achando as acusações deles hilárias. "Eu? Arrumando problemas? Por que não perguntam a Jolene o que ela realmente fez? Foi ela quem armou todo aquele sequestro para se livrar de mim!"
Quando Kathryn nasceu, foi trocada intencionalmente com Jolene, filha da babá, e depois abandonada. Felizmente, seu mentor a viu e a criou.
Há cerca de seis meses, a família Brown descobriu a verdade e trouxe Kathryn de volta para casa.
Mas, como eles preferiam Jolene, que havia sido criada com todo o cuidado e era habilidosa na manipulação, tratavam Kathryn com frieza.
Jolene vivia incriminando Kathryn e, mesmo quando suas mentiras eram descobertas, os Brown sempre a perdoavam, o que deixou Kathryn profundamente magoada e decepcionada.
Anne foi pega de surpresa pela resposta de Kathryn, e sua expressão se obscureceu de desagrado. "Jolene nunca faria uma coisa dessas. Você está entendendo a situação mal."
"Entendendo mal?" A voz de Kathryn baixou, mas era afiada como uma faca. "Os sequestradores confessaram tudo. Como pode simplesmente ignorar isso?"
Anne hesitou, depois soltou um suspiro pesado. "Por que está sendo tão teimosa? Jolene também se machucou, mas tem feito tudo o que pode para ajudar a te encontrar. O que mais você quer?"
"O que eu quero? Quero sair desta família. De agora em diante, não tenho nada a ver com vocês!"
Após dizer isso, Kathryn se virou e subiu as escadas para fazer as malas.
Quando ela desceu, Jolene estava abraçada a Anne, suas unhas cravadas na própria mão, mas seu rosto estava pálido e cheio de lágrimas. "Kathryn, você entendeu tudo errado. Como eu poderia ter algo a ver com aqueles sequestradores? Eles são monstros cruéis. Se eu tivesse planejado algo, como você conseguiu voltar para casa viva?"
A raiva fervilhava sob as lágrimas de Jolene. Esse sequestro deveria ser infalível - Kathryn deveria ser estuprada e deixada para morrer. Como as coisas puderam dar tão errado?
Kathryn riu friamente. "Pelo visto, você não admitirá a verdade até que esteja diante dela."
Sem sequer olhar para Jolene, ela fixou o olhar nos Brown, seus olhos calmos, mas cheios de uma profunda e amarga resignação. "Vocês acham que estou mentindo, que estou sendo teimosa e irracional, não é?"
Anne franziu a testa. "Não é exatamente isso que está acontecendo? Jolene expôs seu ponto de vista com muita clareza."
"Ah, entendi", disse Kathryn, pegando seu celular lentamente. "Então me deixem esclarecer as coisas um pouco mais para vocês."
A estática ecoou pelo alto-falante e, em seguida, duas vozes invadiram a sala - a primeira de Jolene, a segunda de um homem desprezível, inconfundivelmente o líder dos sequestradores.
"Quando isso for feito, o último pagamento será o dobro. Quero ela completamente destruída, sem chance de voltar para os Brown!"
"Não se preocupe. Meus homens cuidarão de tudo, e talvez até capturemos algumas fotos inesquecíveis, haha!", respondeu o homem com uma risada.
"Certifique-se de que isso seja feito discretamente. Sem evidências que me liguem a isso, entendeu?"
"Entendido! Pode confiar em nós para fazer o trabalho."
Embora a gravação fosse curta, cada palavra era clara como cristal, e cada frase era impactante.
A sala de estar mergulhou num silêncio pesado, tão profundo que até o menor som parecia alto.
De repente, Jolene parou de chorar, seu rosto se empalidecendo enquanto todo o seu corpo tremia de medo.
Os Brown a olhavam com uma descrença atônita.
"Não... isso não pode ser real. Deve ser falso!", Jolene gritou desesperadamente.
"Falso?" Os olhos de Kathryn brilharam com um desprezo gélido. "Quer que eu envie isso para um profissional verificar? Ou talvez ligue para a polícia e deixe que eles resolvam? Afinal, tentativa de sequestro não é algo que se deva levar na brincadeira."
"Não! Você não pode chamar a polícia!" A voz de Jolene se embargou enquanto ela desabava.
Mudando de tática, ela implorou, suas lágrimas escorrendo pelo rosto: "Kathryn, me desculpe. Por favor, me ouça. Não é o que parece. Não fique com raiva. Sou eu quem deveria sair desta casa. Sou a intrusa aqui..."
Os Brown se comoveram com as lágrimas dela, e suas expressões se transformaram em simpatia.
"Kathryn, Jolene já pediu desculpas. Deixe isso para lá", pediu Anne, suas sobrancelhas franzidas de preocupação.
Kathryn observava esse espetáculo absurdo com um aperto no peito. Mesmo com provas concretas, eles estavam caindo na encenação de Jolene.
Pegando sua mala, Kathryn declarou: "Ou é ela, ou sou eu. Já que vocês a escolheram, estou indo embora."
Sua saída determinada deixou os Brown sem palavras, com Anne batendo o pé em frustração. "Ela teve mesmo a coragem de ir embora?"
Aproveitando o momento, Jolene começou a chorar. "Farei o que for preciso para trazê-la de volta. Até sairei de casa se for necessário."
Anne a abraçou com força. "Não diga isso. Você é minha filha preciosa e não vai a lugar nenhum!"
Laurence Brown, o pai deles, acenou com a cabeça furiosamente. "Exatamente. Aquela encrenqueira de Kathryn tem atrapalhado tudo desde que voltou. Se ela quer ir embora, que vá. Ela já é adulta e pode se virar sozinha."
"Isso mesmo", acrescentou Austin. "Jolene é linda e gentil. Não há como Kathryn sequer chegar perto dela."
Jolene hesitou, mordendo o lábio. "Mas ela possui 35% das ações da empresa. E se ela tentar atrapalhar as coisas usando isso?"