Nicolai: NÃO MAMA NAAAAAAAOOO.. as lembranças do dia que minha mãe morreu ecoavam em minha cabeça.. fazia mais de 3 anos mas era incapaz de tirar a imagem de quem tanto amava morrendo da minha cabeça fodida..
Tentava me concentrar na porcaria do caminho até o hospital do interior daquela cidadezinha do inferno que tive que ir porque um maldito prefeito me fez prometer que iria, e eu sou homem de palavra, cumpriria e iria nessa maldita cidade atender seus pacientes e ajudar a quantidade de pessoas que conseguisse, eu não era um mafioso imensamente ruim, bom eu era, mas não com quem não merecia, ajudava sempre quem eu julgava ser digno da minha ajuda. Droga. Bati as mãos no volante do carro, que droga de GPS maldito que não me mostra a direção certa, é só uma cidade pequena de merda. Precisava pedir informações estava quase dando nos nervos com aquele maldito carro. Vi duas mulheres numa pequena rodoviária elas conversavam animadas sobre algo mas quando me aproximei vi um anjo lindo.. Uma bela morena de cabelos negros com lindos e inocentes olhos castanhos me olhando com curiosidade.. sai do transe quando a outra mulher morena também muito bonita mas essa já era cheia de frescura e interesse, não quis muito papo só iria pedir informações o anjo lindo se despediu e antes que eu pudesse falar com ela, ela simplesmente se foi.. entrando em uma rua que eu fiz questão de memorizar para tentar ver aonde ela ia.. Nicolai: Olá, gostaria de saber onde fica o hospital local.. perdoe me.. santa casa de misericórdia.. estou perdido e não consigo encontrá-lo.. a mulher sorriu de forma estridente e voltei a me irritar novamente. Estranha: Oh.. é só seguir reto no final da rua quando chegar em um mercado é só virar à esquerda. Apenas assenti com a cabeça e sai deixei aquela mulher para trás. Fiz oque aquela mulher havia dito e consegui chegar no hospital que era bem acabado por sinal, então entendi porque aquele maldito queria que eu viesse, queria que eu mesmo pudesse ver a situação do hospital e como não posso ver um hospital caindo aos pedaços que quero melhorar iria mandar arrumar aquele lugar, prefeito safado. Depois de falar com oque era o diretor do hospital me dirigi ao consultório que para minha surpresa estava lá.. o anjo que eu havia visto.. Nicolai: Boa noite. Desconhecida: Oh.. boa noite doutor.. Nicolai: Em que posso ajudar? Desconhecida: Bem.. eu vim fazer trazer alguns exames.. eu traria para o doutor Antony mas ele se foi.. Nicolai: Certo.. seu nome é...? Desconhecida: Oh.. meu nome é Angélica.. mas alguns me chamam de Angel.. Nicolai: Certo.. Angel.. bom você tem uma anemia moderada.. não é tão grave mas pode ficar se não tratar.. vou lhe passar uma dieta e alguns medicamentos para curar essa anemia, no mais você está bem moça.. Angel: Oh, certo.. obrigada doutor.. Nicolai: Nicolai.. Angel: Desculpe? Nicolai: Meu nome, meu nome é Nicolai. Angel: Oh.. claro.. obrigada senhor Nicolai.. Nicolai: De nada. Terminei de prescrever os medicamentos e a dieta e entreguei para a linda mulher que via em minha frente que agradeceu e saiu se despedindo de mim.. céus.. que mulher mais linda.. e doce.. eu a quero.. antes que o próximo paciente pudesse entrar liguei para Andrey, antes braço direito do meu pai e agora seria o meu, junto com seu filho Max. Nicolai: Andrey? Andrey: Sim? Nicolai: Quero que procure informações sobre uma moça e quero também ela na minha casa até o final do meu plantão aqui nesse fim de mundo. Andrey: Céus Nicolai, vai ser igual seu pai até nisso? Nicolai: Não te pedi conselhos Andrey nem lições de moral, apenas faça oque mandei. Andrey: Irei fazer garoto, mas espero que não seja burro igual seu pai para cometer os mesmos erros.
Angel narrando. Depois de sair do consultório médico soltei a respiração que nem sabia que estava segurando, aquele homem me deixava intimidada e com sensações estranhas que nunca senti na vida.. tratei logo de pensar em outras coisas, nunca que um homem como aquele notaria uma mulher como eu.. Angel: Vovó cheguei.. trouxe alguns legumes e frutas, e a senhora estava certa tenho anemia. Dona Lúcia: É claro que estou certa você mal se alimenta se matando de trabalhar para me ajudar.
Minha avó era uma senhorinha de 60 anos que cuidava de mim desde que me lembro nunca conheci meu pai e minha mãe morreu no meu parto, minha vó quem está comigo desde sempre. Angel: Vovó sabe que tenho que trabalhar.. infelizmente o seu dinheirinho não da para nós duas e além do mais precisa dele para seus remédios, e não se preocupe eu estou me cuidando esses legumes e frutas que comprei foram passadas pelo médico vou comer direitinho. Dona Lúcia: Humm.. e ele não te passou remédios menina? Angel: Sim vovó.. mas não posso comprar o dinheiro não deu.. Mas não se preocupe semana que vem recebo de novo e comprarei. Dona Lúcia: Está bem menina, mas é para comprar mesmo hein? Angel: Sim vovó.. eu irei.. dei um beijo em vovó e corri tomar um banho rápido e vestir meu uniforme de garçonete, trabalho na lanchonete do senhor Júlio, ele era um bom senhorzinho que me ajudou com esse trabalho, ganho pouco mas o suficiente para ajudar em casa.. Angel: Vovó estou indo.. gritei para minha avó já saindo apressada para o trabalho pois estava atrasada. Dona Lúcia: Certo menina, cuidado! Não deu tempo de responder sai o mais rápido que deu para a lanchonete e encontrei seu Júlio já abrindo a mesma. Senhor Júlio: Olá menina.. está tudo bem? Angel: Oh, sim seu Júlio só me atrasei um pouco porque fui ao médico.. não se preocupe não é nada.. Tratei logo de dizer não queria que seu Júlio se preocupasse comigo mais do que ele já se preocupava.. ele cuida de mim e já me ajuda muito com esse emprego.. Após abrirmos a lanchonete deu uma boa enchida já que era praticamente a única na cidade Seu Júlio cuidava do caixa e eu atendia a mesa as vezes alguns idiotas passavam as mãos em mim mas eu nunca fui de responder aqui todos sabem onde moro tenho medo de fazerem algo comigo ou com minha avó. Estava atendendo uma mesa quando um homem muito bem vestido entra e se senta do lado de fora.. Senhor Júlio: Menina pode atender? Estou ocupado aqui.. Angel: Claro seu Júlio já estou indo. Cheguei na mesa do homem e ele era muito bonito elegante e tinha uma cara de ser muito cruel.. com um pouco de medo o atendi.. Angel: Olá senhor.. oque gostaria de pedir? Desconhecido: Um café preto apenas. Quando o homem falou senti um arrepio gelado subir pela minha espinha, assenti com a cabeça e me retirei em busca de seu café quando voltei com ele o homem agradeceu e eu sai o mais depressa de perto, o homem tomou o café fez algumas ligações e falava em italiano eu acho.. eu não entendia nada mas as vezes ele me olhava e continuava sentindo arrepios estranhos pelo corpo como se me mandasse mensagens de que algo bom estava prestes a acontecer..
O homem estranho terminou seu café pagou e saiu, respirei mais tranquila mas ainda tinha aquela sensação de que algo de bom estava prestes a acontecer.. peguei meu telefone corri para os fundos e liguei para vovó, precisava saber se ela estava bem. Angel: Oi vovó.. só estou ligando para saber se a senhora está bem.. Dona Lúcia: Estou bem menina.. aconteceu algo? Angel: Não vovó.. só uma sensação.. tenho que voltar para o trabalho.. te amo vovó.. Dona Lúcia: Eu também menina.. se cuide.
Desliguei o telefone e voltei para as mesas, fui atendendo anotando pedidos e trazendo e nem percebi o tempo passar, já se passavam das 23 horas e eu estava sozinha o senhor Júlio me deixava fechar o caixa e ia descansar, quando estava quase terminando o médico que me atendeu mais cedo chegou na lanchonete. Angel: Boa noite.. em que posso ajudá-lo doutor? Médico: Bem, eu vim a procura de algo para comer antes de voltar para o hospital novamente.. Angel: Olha não tem nada pronto mas posso fazer algo.. Médico: Seria ótimo.. ele me deu um sorriso e meu Deus que sorriso.. Angel acorde vá logo fazer oque o homem pediu. Sai apressada para a cozinha e o deixei no balcão, preparei um lanche para ele bem reforçado creio que ele esteja com fome. Angel: O senhor quer comer aqui ou vai levar para o hospital? Perguntei com o lanche nas mãos. Médico: Se não for incômodo e eu puder comer aqui, gostaria que fosse aqui.. Angel: Oh.. não é incômodo.. é claro vou por para o senhor na mesa.. Médico: Não precisa eu como aqui mesmo.. Angel: Certo.. coloquei tudo sobre o balcão e me afastei um pouco para que ele pudesse comer.. Médico: Desculpe minha grosseria nem me apresentei.. me chamo Nicolai. Angel: Oh.. claro.. é um prazer senhor Nicolai.. Nicolai: Não precisa me chamar de senhor, pode me chamar só de Nicolai. Angel: Certo.. Nicolai.. ele sorriu de novo e começou a comer seu lanche, parecia demorar para continuar ali sentado conversando comigo.. apesar de estar cansada e desejando muito ir para casa mantive a conversa com ele.. e meu Deus.. esse homem me faz sentir coisas estranhas.. nunca fui muito de reparar nos meninos daqui da cidade.. bem.. eles nunca repararam em mim, nunca fui de sair ou conversar muito.. acho que eles até me acham estranha. Depois de comer todo o lanche Nicolai ainda conversou um pouco comigo e se levantou com menção a ir embora mas antes me perguntou.. Nicolai: Você mora aqui perto? Angel: Não.. eu moro um pouco mais afastado daqui. Nicolai: Gostaria de uma carona? Angel: Oh.. bem.. não precisa senhor Nicolai.. eu vou fechar aqui ainda e eu acredito que o senhor tenha que voltar logo para o hospital.. Nicolai: Não se preocupe eu posso chegar uns minutos atrasado, e bem aqui não tem muitas emergências.. sem saber como argumentar mais acabei aceitando com um pouco de medo claro.. nunca o vi na vida e ele poderia fazer algo contra mim, mas ele é médico não seria capaz de me fazer mal.. Depois de fechar tudo fui com o senhor Nicolai até seu carro que ele prontamente abriu a porta para mim e eu entrei e mentalmente fiquei pedindo para que Deus não deixasse que esse homem me machucasse, expliquei onde morava e por incrível que pareça ele não me fez nada me deixou como havia dito. Nicolai: Está entregue senhorita. Angel: Oh.. obrigada senhor.. digo.. Nicolai. Ele assentiu com a cabeça e eu sai do carro mas antes.. Nicolai: Até breve Ragazza. Angel: Oh.. tchau.. não entendi nada mas o mesmo frio na espinha me congelou por inteira e aquela sensação.. céus aquela sensação ruim de novo..