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No Caminho do Amor- Irmãos Torres

No Caminho do Amor- Irmãos Torres

Autor:: ribsan
Gênero: Romance
Ela tem um coração bom, que sofreu e foi pisado durante anos por um homem pelo qual era apaixonada. Cansada de sofrer e de ser humilhada, ela fugiu e acabou entrando no caminho dos irmãos mais famosos do Brasil, os irmãos Torres. Leonardo Torres, o mais velho dos irmãos. Charmoso, galanteador e sedutor são suas principais características, mas não se engane, antes de conhecê-la, ele só pensava em sexo e trabalho. Matheu Torres, o irmão do meio é o oposto do seu irmão mais velho. Carinhoso, protetor e gentil com todos que ama. Se entrega de cabeça ao amor e acredita em almas gêmeas, mas infelizmente se viu apaixonado pela nova namorada do seu irmão. Lucca Torres, o irmão mais novo, pode ter uma personalidade difícil, e mesmo quando é indiferente em forma de palavras, logo depois demostra sua preocupação em forma de ações. Ele é difícil, mas sabe cuidar da sua família e se preocupa com sua nova inimiga/amiga, como se preocupa com sua família. Ele só tem um defeito: é apaixonado por uma interesseira. Uma noite qualquer. Destinos traçados. E um amor avassalador. Como Melissa vai lidar com essas três personalidades e com o sentimento nascendo pelos três? Só lendo para descobrirmos!

Capítulo 1 Prefácio

Prefácio

Ela chegou achando que seria temporário.

A cidade era pequena demais para alguém que estava fugindo de memórias grandes demais, e a casa antiga parecia grande demais para alguém que queria passar despercebida. Ainda assim, ali estava ela, com uma mala média, uma bolsa pesada demais de sentimentos e a estranha sensação de que aquele lugar não a deixaria ir embora tão facilmente.

A casa pertencia aos três irmãos.

Ela não sabia exatamente o que esperar deles. Só sabia que precisava de um lugar para ficar, e que a amiga que intermediara tudo garantira: "Eles são bons. Estranhos, mas bons." Estranho parecia um risco aceitável naquele momento da vida.

O primeiro a aparecer foi o mais velho.

Alto, postura firme, olhar atento. Havia nele algo de proteção silenciosa, como se estivesse sempre calculando riscos - inclusive o dela ali. Ele foi educado, reservado, e manteve certa distância respeitosa enquanto a ajudava com a mala. Disse o nome, perguntou se a viagem tinha sido tranquila e apontou onde ela ficaria. Nada além do necessário. Ainda assim, ela sentiu que ele a observava mais do que deixava transparecer.

O segundo irmão surgiu logo depois.

Mais aberto, sorriso fácil, voz tranquila. Foi ele quem puxou conversa de verdade, perguntando de onde ela vinha, se gostava de café forte, se preferia silêncio pela manhã. Ele parecia enxergar pessoas com facilidade, como se ler emoções fosse um hábito antigo. Ela se sentiu, pela primeira vez em semanas, verdadeiramente acolhida.

O terceiro apareceu por último.

E algo mudou.

Ele entrou na sala como quem não fazia ideia de que estava prestes a bagunçar um equilíbrio invisível. Tinha um jeito leve, quase despreocupado, mas os olhos... os olhos pararam nela tempo demais. Não foi desconfortável. Foi intenso. Como se ele a reconhecesse de algum lugar que ela mesma ainda não lembrava.

- Oi - ele disse, simples, sincero.

Ela respondeu da mesma forma, sentindo o coração errar o compasso por um segundo bobo, injustificável.

Naquela noite, sentaram à mesa juntos.

Conversaram sobre coisas pequenas: comida, trabalho, rotina. Riram de comentários bobos. O mais velho ouvia mais do que falava. O do meio preenchia os silêncios com cuidado. O caçula provocava risos fáceis. E ela... ela percebeu que, pela primeira vez em muito tempo, não precisava fingir estar bem.

Quando se recolheu ao quarto, deitou sem sono.

O teto parecia alto demais. O silêncio, cheio demais. Pensou nos três rostos, nos três jeitos tão diferentes de existir. Pensou em como não deveria se apegar. Em como aquilo era apenas um abrigo temporário.

Mas algo dentro dela sussurrou, suave e perigoso ao mesmo tempo:

Talvez aquele lugar não fosse apenas passagem.

Talvez aquela história estivesse só começando.

Capítulo 2 Fulga

Ela acordou antes do sol.

O quarto ainda estava envolto numa penumbra azulada, e por um instante ela esqueceu onde estava. Depois vieram os detalhes: o cheiro da madeira antiga, o ranger suave da casa despertando aos poucos, o peso diferente do silêncio. Não era o silêncio opressor dos lugares por onde tinha passado recentemente. Era um silêncio que respirava.

Levantou-se devagar, como se não quisesse acordar a casa inteira com seus pensamentos.

Na cozinha, encontrou o mais velho.

Ele estava encostado na bancada, camisa simples, mangas dobradas, preparando café como se aquele fosse um ritual essencial para manter o mundo em ordem. Ergueu o olhar quando percebeu a presença dela e pareceu levemente surpreso, embora o rosto não denunciasse muito mais do que isso.

- Acordou cedo - comentou, em tom neutro.

- Costume antigo - respondeu ela, aproximando-se.

Ele assentiu, como quem entende hábitos sem precisar de explicações. Serviu uma xícara e empurrou em direção a ela. O gesto foi simples, quase automático, mas carregava algo de cuidado silencioso.

Ela agradeceu com um sorriso pequeno. Sentaram-se à mesa sem pressa, dividindo o espaço e o aroma do café. Não conversaram muito. Não precisaram. Havia conforto naquele silêncio compartilhado, uma sensação estranha de que ambos respeitavam o passado um do outro sem precisar conhecê-lo.

Pouco depois, o do meio apareceu.

Trazia consigo uma energia mais leve, ainda meio sonolenta, e um sorriso que se abriu assim que a viu. Puxou uma cadeira, começou a falar sobre coisas triviais - o clima, o dia que se anunciava, uma história qualquer da cidade. Ela percebeu como era fácil acompanhá-lo. Como ele parecia criar pontes invisíveis entre as pessoas.

- Se precisar de qualquer coisa hoje, é só falar - disse ele, com naturalidade.

Ela agradeceu outra vez, sentindo algo quente se acomodar no peito.

O caçula apareceu por último, os cabelos ainda desalinhados, trazendo consigo uma espécie de movimento diferente no ar. Quando a viu, abriu um sorriso espontâneo, quase luminoso.

- Bom dia - disse, com uma leveza que a fez sorrir também.

Os olhos dele demoraram um segundo a mais do que o necessário nos dela, e ela sentiu aquilo de novo: a fulga.

Não era exatamente atração. Não ainda. Era como uma faísca pequena, rápida, quase invisível, mas suficiente para avisar que algo poderia crescer dali se não tomassem cuidado. Ela desviou o olhar primeiro, concentrando-se no café já frio.

Ao longo do dia, a casa ganhou vida.

Ela passou horas explorando os cômodos, abrindo janelas, deixando o ar circular. Em alguns momentos, cruzava com um deles no corredor, na sala, no quintal. Pequenos encontros, olhares rápidos, palavras simples. Nada demais. Tudo demais.

À tarde, sentou-se no quintal com o do meio, conversando sobre livros e escolhas erradas. Ele ouviu mais do que falou, e quando falou, escolheu palavras gentis. Mais tarde, ajudou o mais velho a organizar algumas coisas da casa, percebendo como ele era atento aos detalhes, como se cuidar daquele lugar fosse uma forma de cuidar da própria família.

E, em algum ponto do fim do dia, riu alto com o caçula por causa de uma piada boba, sentindo aquela fulga se repetir - breve, intensa, inegável.

À noite, sozinha outra vez no quarto, ela entendeu.

Não estava fugindo apenas do que deixara para trás. Estava fugindo do medo de sentir de novo. E aquela casa, aquelas presenças, começavam a desafiar essa fuga silenciosa.

A fulga não era perigo.

Era aviso.

Capítulo 3 Uma estranha em nossa casa

Leonardo

Lá estava eu novamente, sendo torturado mais uma vez pela minha própria mente. Revivendo o pior momento dá minha vida, a morte do meu pai. Em uma sala escura, eu estava preso na cadeira, a única coisa que eu conseguia enxergar. Já não sentia mais meus pulsos de tão apertado que aquela corda estava. Um som já famíliar de tiro ecoou na sala e me preparei para ver o corpo do meu pai cair. Esperei, esperei, esperei e nada.

O sonho mudou, e isso era novidade, agora eu estava em um campo cheio de flores de cores vibrantes e abelhas fazendo seu trabalho. Era lindo. Comecei a andar pelo local, mas estava deserto. Andei até que minhas pernas ficaram paralisadas. Olhei pra baixo e vi alguém me abraçando tão aperto e me transmitindo tanto amor. Acho que cheguei a achar que era minha mãe, mas eu não conseguia ver era tudo um borrão.

Comecei a ouvir vozes em volta de mim, mas não havia ninguém por perto a não ser por essa pessoa que me abraçava.

-Nós deveríamos intervir?

-Ou nos preocupar?

Eram as vozes dos meus irmãos, e aos poucos retomo a consciência. Estava quentinho, mas teria que levantar pra saber o porquê desses idiotas estarem invadindo meu quarto dessa forma, como nunca fizeram antes. Mas assim que me abri meus olhos, braços pequenos me apertaram como se eu fosse...

-MAS O QUE?-Me assustei, assustei meus irmãos e agora de olhos abertos, me lembrei de que tínhamos hóspedes.

-M-matheu..., o-o Leo...,frio demais...-A menina em meus braços estava tremendo, coloquei minha mão em sua testa e ela estava queimando em febre.

-Ela está com febre.- Analiso as expressões faciais dos meus irmãos.

Parecia que essa situação era super normal. Tinha uma estranha deitada na minha cama que eu nem sei o nome, e eu nem dormi com ela pra que essa situação não parecesse tão natural. A menina apertava meu corpo com seus pequenos braços enquanto eu tentava entender o que estava acontecendo.

-Lucca, prepara uma sopa pra ela. Leo, vamos ter dar um banho gelado nela pra ver se abaixa a febre. Pode fazer isso? Eu vou procurar um remédio e...

-Matheu não vamos fazer isso!

-Exatamente, por que eu tenho que preparar uma sopa pra essa garota?-Lucca cruzou os braços e fechou a cara mostrando sua irritação.

-Você dois ficaram malucos? A garota está doente!-Matheu levantou a voz

-Ela saiu na chuva porque quis, Mat. Não somos responsáveis por ela. Ele pode ser uma informante de algum inimigo...

-Ou está grávida, e vocês não se lembram...-Lucca interrompeu.

-Cala a boca, Lucca. Se não vai falar nada de útil, vai preparar a sopa logo.-Matheu rebateu.

Eu amo meus irmãos, mas cara, como eles são chatos. Brigam toda hora que as vezes tenho vontade de dar um tiro em cada um deles, mas minha mãe me mataria se eu fizesse isso estão só me resta contar até cem e restaurar a calmaria. Essa garota está deixando todos nós nervosos e ainda não conseguimos respostas para todas as nossas perguntas.

-Calem a boca vocês dois! Eu acho que ela está falando alguma coisa.

Os dois pararam na hora e chegaram mais perto para conseguirem ouvir o que ela está dizendo. Ela estava acordando? Ela estava tendo um sonho? Meu coração disparou com qualquer uma dessas opções.

-Você vai sair outra vez?-Ela sussurou em um tom baixo.

-O que...-Lucca começo mas eu o interrompi e o calei

- Você prometeu Eric, prometeu que não me deixaria mais sozinha.

Isso era interresante.Todos nos mantivemos calados pra escutar o máximo possível, porém, ela não disse mais nada apenas deixou uma uma lágrimas escorrer e cair na minha camisa.

Como nunca fiz antes, dei meu braço a torcer e resolvi aceitar que a ideia do Matheu era válida. A garota realmente não parecia bem então dei um voto de confiança e ajudei meu irmão cuidar dela. Lucca por outro lado, não parou de reclamar por um só minuto enquanto cozinhava algo para ajudar a baixar febre daquele pequeno ser, que eu descobri que se chamar Melissa.

Ela parecia bem triste e fraca, sempre sussurrando algumas frases sobre esse tal Eric, que pelo visto é idiota que fez essa mulher sofrer e a abandonou. Meu irmão, vulgo Matheu, me contou que ela não se abriu muito enquanto eles jantavam na passada, e que foi nesse momento em que ela começou apresentar sintomas que não foram reparados naquele instante, e que teria nos preparado melhor para esse momento.

- Você deve ser o Leonardo, certo?- A voz baixa e feminina me fez desviar atenção do meu livro.

-O próprio. - Aproveitei para medir sua temperatura.

Seus cabelos cacheados estavam presos em coque alto, que desmancharam assim que ela se sentou na cama. Não podia negar que a menina era bonita, apesar da sua cara cansada e abatida. Uma inocência era transmitida por seus olhos escuros e sem brilho, o que despertou minha curiosidade para descobrir o que esse tal de Eric andou aprontando para deixá-la tão infeliz dessa forma.

-Eu gostaria de pedir um favor...se não for abusar muito mais de sua generosidade.

-Diga.

-Eu preciso ligar pra minha mãe e avisar que estou bem, ela tem um problema no coração e não pode ficar muito nervosa.

Suspirei

Eu espero que essa menina não esteja brincando comigo, e que meu voto de confiança não tenha sido em vão. Me levantei e comecei a caçar meu celular. Ela não tirou os olhos de mim e isso me deixou aflito, não gosto de ser observado dessa forma. Achei meu celular dentro do bolso da calça, a encarei mais uma vez tentando encontrar algum vestígio de sua falsidade, mas não encontrei nada diferente, então só me restou entregar o celular.

-Só não demora muito.- Ela assentiu e começou a discar o numero. Matheu chegou logo depois.

-O que está acontecendo? Pra quem ela está ligando?- Ele sussurrou perto de mim.

-Pra mãe.- Me limitei a dizer e atentos começamos a ouvir a conversa.

"Eric disse que não sabe o motivo da sua fuga no meio da noite. Eu fiquei louca de preocupação, sua maluca! IRRESPONSÁVEL! Nós acionamos até a policia, e onde você esteve nesses dias sem dinheiro, só com a roupa do corpo?"

-Mãe, ele fez de novo...ficou até tarde bebendo e quando eu fui lá ver...ele estava se agarrando com outra.

A essa altura, todos nós já estávamos perto dela, até mesmo o Lucca. A coitadinha foi traída, e por isso fugiu no meio da noite? Pode parecer meio invasão de privacidade estarmos todos aqui escutando a conversa dela, mas ela também não afastou nenhum de nós até agora e se permitiu chorar na nossa frente. Ela foi forte esse tempo todo, fiquei realmente comovido.

-Por causa da chuva, não vou poder ir embora agora mas encontrei uma família boa que está cuidando de mim, então não se preocupe. Estarei em casa logo. Adeus, mãe! Te amo.

Ela me entregou o celular e desabou novamente, Matheu, o melhor pra lidar com esse tipo de sentimento, logo correu para consolá-la. Lucca e eu, não sabíamos o que fazer então só nos restou ficar ali, parados, olhando para os dois abraçados.

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