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"No Limite da Sedução e do Medo"

"No Limite da Sedução e do Medo"

Autor:: Gleiclly
Gênero: Romance
Selene sempre foi uma mulher racional, desconfiada de tudo o que fugia à lógica. Mas, após herdar a antiga casa de sua tia, ela começa a perceber que o local guarda mais segredos do que imaginava. A casa é envolta em mistério, com corredores silenciosos e uma biblioteca cheia de livros antigos, entre eles, um que contém um ritual de invocação. Curiosa e buscando algo para preencher o vazio de sua vida, Selene realiza o ritual descrito no livro, sem acreditar realmente no que estava fazendo. No entanto, o que começa como uma brincadeira logo se transforma em um pesadelo. Ao invocar um demônio, Selene desperta Astaroth, um ser poderoso do além. Porém, em vez de atacá-la, como ela esperava, o demônio se vê atraído por ela. A paixão de Astaroth por Selene não é apenas física, mas uma obsessão que transcende o desejo. Com sua chegada, a realidade de Selene começa a se distorcer. O demônio a seduz com promessas de prazer e poder, mas ao mesmo tempo a arrasta para um mundo onde o medo e o desejo caminham juntos. Enquanto ele se aproxima, Selene se vê dividida entre a tentação de se entregar à paixão proibida e o medo do preço que terá que pagar por essa ligação com um ser do outro lado. À medida que os dias passam, ela começa a questionar sua própria humanidade, à medida que se afasta do que sempre conheceu e se entrega cada vez mais a Astaroth. Mas com cada toque e beijo, ela também percebe que seu destino está selado: o demônio não a deixará escapar tão facilmente. A obsessão de Astaroth é mais profunda do que ela poderia imaginar, e Selene se vê presa em uma rede de sedução e terror, onde os limites entre o amor e a possessão se tornam cada vez mais tênues. "No Limite da Sedução e do Medo" é uma história de paixão, mistério e terror sobrenatural, onde o desejo e o perigo se encontram, e a protagonista luta para manter sua alma intacta, mesmo quando o inferno inteiro parece querer tomá-la para si.

Capítulo 1 O Chamado da Escuridão

Selene estava sozinha naquela noite. A tempestade lá fora rugia, fazendo a antiga casa de sua tia ranger sob os ventos fortes. O som da chuva batendo contra as janelas parecia distante, como se o próprio tempo estivesse se distorcendo. Havia algo de inquietante no ar, algo que ela não conseguia explicar. Desde que herdara a casa, algo estranho parecia assombrá-la. Não era só a solidão; era como se a casa tivesse uma vida própria, um segredo que a observava.

Sentada na grande poltrona da biblioteca, ela examinava os livros antigos, procurando algo que quebrasse a monotonia do dia. Seus olhos pararam em um volume empoeirado, que estava um pouco mais afastado dos outros, quase como se estivesse escondido. Era um livro grande, com capa de couro escuro e letras douradas quase apagadas pelo tempo. O título dizia: "Os Mistérios do Além".

Selene franziu a testa. A curiosidade venceu o receio. Ela puxou o livro da prateleira, e um arrepio percorreu sua espinha quando sentiu o peso do objeto em suas mãos. Era pesado, mais do que deveria ser para um livro. Com um suspiro, ela se acomodou na poltrona, a luz da vela ao seu lado dançando, criando sombras misteriosas nas paredes.

Ela abriu a primeira página, e logo os olhos se fixaram em uma seção com o título: "Rituais de Invocação".

"Rituais... sério?" Selene riu para si mesma, achando aquilo ridículo, mas algo em seu interior sentia uma excitação inexplicável. Ela não acreditava nessas coisas, mas por alguma razão, o conteúdo daquele livro parecia atraí-la de uma maneira estranha.

Com o livro aberto em suas mãos, ela começou a ler em voz baixa:

"Para aqueles que buscam o além, invocar o que está além deste mundo é um caminho perigoso e sombrio. Somente os corajosos, ou os tolos, arriscam-se a tal destinação... A seguir, um ritual para invocar os antigos."

Selene bufou, pensando que aquilo era apenas ficção. Ela seguiu lendo, mais por curiosidade do que por acreditar em qualquer poder verdadeiro. Mas à medida que continuava, o texto parecia ganhar vida própria, como se o chamasse para algo maior. As palavras do ritual eram acompanhadas de instruções detalhadas. Ela olhou ao redor da sala. A velha biblioteca estava silenciosa, exceto pelo som do vento lá fora.

"Bom, se é para ser uma piada, que seja uma piada interessante", disse para si mesma, com um sorriso sarcástico.

Ela colocou as velas em um círculo ao redor de si, como o livro indicava, e acendeu-as uma a uma. As chamas tremeluziam, criando sombras que dançavam nas paredes, enquanto ela recitava as palavras do livro com uma voz suave, mas firme.

"Eu invoco o que está além deste mundo, o que não pode ser tocado, o que não pode ser visto... Apareça agora."

A cada palavra que saía de seus lábios, o ar na sala parecia se tornar mais denso. Selene sentiu algo estranho, uma sensação de que o próprio espaço ao seu redor estava sendo alterado. Ela parou de falar, sentindo seu coração acelerar. A vela à sua esquerda tremeu mais forte, e um vento gélido percorreu a sala, fazendo a chama se apagar por um segundo. Quando a luz voltou, tudo parecia normal, mas algo estava errado.

"Impossível", murmurou, tentando afastar o medo. "Era só uma brincadeira, nada vai acontecer."

Foi quando ela ouviu. O som suave, grave, como um sussurro... mas não estava vindo de nenhum lugar visível. A voz parecia vir de dentro de sua própria mente, como se algo a estivesse tocando no mais profundo de seu ser.

"Você me despertou, Selene."

Ela se levantou da cadeira, rapidamente, seu corpo tenso. A respiração dela estava ofegante, e os olhos percorriam a sala à sua volta, mas não havia ninguém ali. O ar estava pesado, e ela sentia como se estivesse sendo observada. Seus pés se moveram para trás, como se sua mente dissesse para correr, mas seu corpo não se mexia.

"Quem está aí?" A voz saiu trêmula, mas ela tentou manter a calma. "Isso não pode ser real."

A luz das velas começou a oscilar novamente, mais intensamente desta vez, criando sombras que se alongavam até se confundirem com a escuridão. Então, algo mudou. A sala, que antes parecia comum, começou a se transformar. As sombras ganharam forma, e uma presença, densa e imponente, surgiu à sua frente.

Selene tentou gritar, mas as palavras não saíam. O que ela viu diante dela não era um homem nem uma criatura do mundo que ela conhecia. Era algo mais, um ser de pura escuridão, com olhos que brilhavam com uma intensidade sobrenatural. Seus olhos eram profundos, como se carregassem todo o peso de mil almas perdidas, e ele sorriu para ela, um sorriso que misturava prazer e poder.

"Eu sou Astaroth", a voz dele ecoou na sala, fazendo o chão parecer vibrar. "E você, minha doce Selene, me invocou."

Selene sentiu seu coração disparar, seu corpo inteiro congelado em terror e uma atração inexplicável. Ela tentou dar um passo para trás, mas seus pés pareciam presos ao chão.

"Não... Não era isso o que eu queria", ela sussurrou, sua voz falhando. "O que você é? O que você quer de mim?"

Ele se aproximou dela, com uma calma assustadora. Cada movimento dele parecia carregado de um poder indescritível. O olhar dele, agora mais intenso, parecia devorá-la por dentro.

"Eu não vim para levar, Selene", ele disse, a voz quase doce, mas cheia de uma ameaça velada. "Eu vim para ficar. E agora, você será minha. Com cada suspiro, com cada toque, com cada parte de sua alma."

Selene sentiu o ar ao seu redor se tornar mais quente, sua respiração mais difícil. A presença dele a envolvia como uma neblina densa e quente, e ela sabia, com uma clareza aterradora, que não havia mais volta. O demônio a desejava. E ela... Ela sentia o desejo dele, contra tudo o que sua razão dizia.

"Você não tem escolha, Selene. Agora, você pertence a mim."

Capítulo 2 O Sussurro do Inferno

Astaroth permanecia diante dela, sólido como uma estátua de sombras, e ao mesmo tempo etéreo como um sonho. Seus olhos, vermelho-âmbar, pareciam examinar cada centímetro da alma de Selene. A vela que ainda ardia lançava luz sobre sua pele pálida, revelando traços quase humanos... quase. A beleza dele era de outro mundo: selvagem, cruel e sedutora.

Selene recuou, tropeçando na borda do tapete antigo da biblioteca.

- Isso... isso é real? - ela perguntou, a voz entrecortada pelo medo e pelo fascínio.

Astaroth não respondeu de imediato. Em vez disso, se aproximou lentamente, com um andar hipnotizante. A cada passo, o ar ao redor parecia ferver em tensão. Seu cheiro era uma mistura de madeira queimada, terra molhada e um perfume que Selene não conseguia identificar, mas que a fazia estremecer.

- O que é real para você, Selene? - ele perguntou, com um sorriso que desafiava a sanidade. - O toque da pele? O arrepio da alma? Ou o desejo que pulsa em seu ventre mesmo enquanto me teme?

- Eu não desejo você! - ela rebateu, embora suas pernas vacilassem. - Eu só... li as palavras do livro. Não sabia que era verdadeiro.

- Ah... - Astaroth tocou o queixo com os dedos longos, elegantemente afiados. - Então você brincou com o fogo esperando não se queimar?

Ele chegou tão perto que ela pôde sentir o calor de sua pele, mesmo sem que houvesse contato.

- Eu... quero que você vá embora. Volte para onde veio.

Astaroth inclinou a cabeça, como um predador brincando com sua presa.

- Eu não sou um espírito à deriva, Selene. Não sou um fantasma que você pode expulsar com sal e latim. Fui invocado. Você me chamou. E agora estou aqui... inteiro... faminto.

- Faminto por quê? - ela perguntou, sentindo o estômago revirar.

- Por você.

A resposta veio carregada de uma intensidade quase física. O ar ficou pesado, e Selene teve que se apoiar na estante para não cair. Seus batimentos cardíacos retumbavam em seus ouvidos.

- Eu sou uma humana. Frágil. Mortal. Você pode ter qualquer alma, por que a minha?

Astaroth se aproximou ainda mais. Seus lábios estavam a poucos centímetros dos dela. Seus olhos não deixavam os dela nem por um instante.

- Porque a sua luz brilha no escuro, mesmo sem você perceber. Você tem algo que muitos perderam há séculos... um desejo de sentir tudo - o prazer, a dor, o medo, o êxtase. Você é o tipo de mulher que caminha até a beira do abismo... e olha para baixo, sorrindo.

Selene engoliu em seco. O demônio estava certo. Havia uma parte dela, uma parte que sempre fora silenciada, que desejava algo além da rotina... além do mundano. E agora, ali, sob os olhos daquele ser impossível, essa parte se retorcia como uma cobra despertando do sono.

- O que acontece agora? - ela perguntou, num fio de voz. - Vai me devorar?

Astaroth riu suavemente, sua voz vibrando como um trovão abafado.

- Não, Selene. Eu não devoro. Eu possuo. E se me permitir... posso mostrar prazeres que fariam os deuses corarem.

Ela deveria correr. Gritar. Chorar. Mas não fez nada disso. Em vez disso, ficou ali, paralisada, não mais apenas pelo medo, mas por algo mais forte: a curiosidade... e o desejo.

- Você... não pode me obrigar.

- Eu jamais forçaria. A paixão verdadeira não nasce da submissão, mas da rendição. - Ele estendeu a mão. - Quer me conhecer, Selene? Quer saber até onde consegue ir antes de se perder?

Selene olhou para aquela mão. Os dedos elegantes, a palma estendida, como uma promessa e uma maldição ao mesmo tempo. A chama da vela tremulava, lançando sombras dançantes nos olhos dele.

Ela não respondeu. Não ainda. Mas seu coração já havia dado o primeiro passo.

Capítulo 3 Entre Promessas e Pecados

O tempo parecia ter parado desde que Astaroth estendeu a mão. Selene a encarava, imóvel, como se sua alma estivesse sendo puxada em direções opostas - uma, tentando protegê-la, a outra, implorando para se perder nele.

- Está hesitante - disse Astaroth, sua voz aveludada cortando o silêncio. - Gosto disso. Significa que ainda resta algo em você que luta... mas por quanto tempo?

Selene respirou fundo, reunindo forças que ela não sabia que ainda possuía.

- Isso não é um jogo, Astaroth. Eu não sou uma peça para você manipular. Não vim buscar isso.

- Ah, minha doce Selene... - ele respondeu, com um sorriso que dançava entre o afeto e a malícia - ninguém vem buscar o que encontra no abismo. Mas uma vez que você o encara... ele devolve o olhar. E o que vê, jamais será esquecido.

Ela fechou os olhos por um instante. O cheiro dele a envolvia, quente e inebriante, como incenso proibido. A sensação era perigosa... viciante. Quando abriu os olhos, ele ainda estava ali - real, tangível, esperando.

- Eu não confio em você - ela murmurou.

- Nem deveria - ele respondeu, aproximando-se a um passo. - Sou a personificação da tentação. Um anjo caído que aprendeu a amar o desejo tanto quanto odeia o céu. Mas posso fazer você sentir... coisas que ninguém mais pode.

- Por que eu? - Selene perguntou novamente, sua voz quase quebrando. - Dentre tantas almas... por que escolher justo a minha?

Astaroth a observou por alguns segundos. Pela primeira vez, sua expressão perdeu um pouco da arrogância sedutora e se tornou mais... introspectiva.

- Porque você tem o dom raro de ver a beleza na escuridão. Porque há dor em seus olhos... e fome em seu coração. Você deseja algo que a maioria nega até para si mesma. Liberdade. Intimidade verdadeira. Entrega sem máscaras.

- Isso não é justo. - Selene desviou o olhar. - Você fala como se me conhecesse mais do que eu mesma.

- Talvez eu conheça. - Ele ergueu a mão, não para tocá-la, mas para deixá-la perto o suficiente de seu rosto, fazendo com que sentisse o calor irradiando. - Você passou a vida tentando se encaixar, apagando sua intensidade para não assustar os outros. Mas aqui... comigo... você pode ser inteira.

Selene mordeu o lábio, o corpo tremendo não só de medo, mas de excitação e dúvida. Aquilo era loucura. Era perigoso. E mesmo assim, uma parte dela gritava para que dissesse "sim".

- E se eu me render? - sussurrou. - O que acontece comigo?

Astaroth inclinou-se, os lábios quase roçando os dela. Sua respiração era quente, e cada sílaba saiu como uma carícia:

- Você vive. Finalmente... vive. Sem correntes, sem mentiras, sem limites. Eu não prometo salvação, Selene. Prometo intensidade. Verdade. Prazer. Mas também dor. O tipo de dor que desperta... e não destrói.

Por um segundo, tudo ficou em silêncio. Nenhum som lá fora. Nenhum pensamento claro em sua mente. Só aquele momento entre o sim e o não. Entre a luz e a escuridão.

Selene ergueu os olhos, encostando os dedos nos de Astaroth, sem ainda segurá-los.

- E se eu mudar de ideia? - perguntou.

- Então você aprenderá que o desejo, quando tocado, não se desfaz... ele se transforma. Mas nunca desaparece.

Ela fechou os dedos, envolvendo os dele.

- Então me mostre... quem você é de verdade.

Astaroth sorriu, e naquele sorriso havia algo mais profundo. Não apenas luxúria. Havia respeito. Admiração. E, talvez, algo mais perigoso ainda... afeto.

- Com prazer, Selene.

Ao toque das mãos, uma onda de energia percorreu o corpo dela. As velas tremeram, e o ar da sala se aqueceu num segundo. Imagens passaram por sua mente - visões de lugares desconhecidos, mundos em chamas, memórias que não eram suas. Era como ser atravessada por mil existências ao mesmo tempo.

Ela caiu de joelhos, ofegante, sentindo o chão girar.

Astaroth ajoelhou-se à sua frente, colocando a mão em sua nuca, sustentando-a com cuidado.

- Calma... isso é só o começo. Está sentindo o peso da verdade. Não é leve, eu sei.

- O que você fez comigo? - ela sussurrou.

- Abri seus olhos. Agora você verá o mundo como ele realmente é.

Selene ergueu o rosto lentamente, e ao olhar para ele, já não era mais a mesma. Algo dentro dela havia sido despertado. Algo que não poderia mais ser esquecido.

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