Na minha vida passada, como filho de um magnata do café, usei minha mente afiada para os negócios e salvei a família Silva da ruína.
Para me agradecer, eles me deram a mão da filha, Sofia, em casamento, e eu achei que era um conto de fadas.
Mal sabia eu que era o começo do meu inferno, um pesadelo que culminaria com Sofia me jogando em um poço de piranhas, rindo enquanto eu era dilacerado vivo.
Ela me acusava da morte de Pedro, mas eu o tinha visto escapar, sozinho, com uma boia, sem sequer olhar para trás.
A dor era excruciante, meu corpo sendo comido pedaço por pedaço, até que a única fuga foi morder minha própria língua para morrer.
Mas então, abri os olhos novamente, de volta ao presente, prestes a ser arrastado de volta ao mesmo pesadelo.
No iate de luxo, senti uma mão forte agarrar meu cabelo, era Sofia, me arrastando para a amurada do navio.
"Pule! Atraia os tubarões! Salve a todos nós!", ela gritou, seus olhos cheios de desprezo, me chamando de empregado insignificante.
As palavras dela me atingiram com força, a ingratidão era inacreditável, ainda mais depois de tudo o que fiz por ela.
Por sua causa, na vida anterior, desenvolvi uma doença crônica, tudo por tentar salvá-la de uma situação perigosa, e ela me pagava com ódio.
Quando Pedro, seu amante e um impostor, que se passava por filho de magnata do café, me acusou de sabotagem e roubo, e até o pai de Sofia se voltou contra mim, chutando-me.
A multidão aplaudiu, exatamente como na vida anterior, quando me viram morrer com satisfação.
Nesse instante, percebi que ela também havia renascido, e desta vez, não havia mais nada a esconder.
Apesar da dor, meu olhar encontrou um pequeno grupo de crianças assustadas, e por elas, minha bondade, tratada como lixo, falou mais alto.
Eu não os salvaria, eles mereciam o destino que se aproximava, mas as crianças eram inocentes.
"A direção do navio está errada. Se não corrigirmos o curso em dez minutos, vamos bater em um recife!", gritei, ignorando a zombaria de Sofia e Pedro.
Eles me amarraram, me chutaram, mas o baque do navio contra o recife silenciou a todos.
Minha fúria cega foi consumida pela sensação de queda livre, enquanto eu, Miguel, e Verão, a única que me defendeu, éramos jogados ao mar.
E assim, nasceu uma nova chance, não de vingança, mas de reescrever minha história e proteger aqueles que realmente importavam.
Na minha vida passada, eu morri em um poço de piranhas.
Minha noiva, Sofia, me jogou lá.
Eu me lembro do riso dela enquanto meu corpo caía na água escura. Lembro do cheiro de peixe e sangue.
"Miguel, se você não tivesse se metido, meu amado Pedro teria provado seu valor e me levado para casa como um herói", ela disse, olhando para mim de cima, com os olhos cheios de ódio.
"Por sua causa, Pedro se jogou no mar e se matou. Você vai pagar por isso!"
Mas eu vi. Eu vi Pedro, o homem que ela amava, escapar com uma boia salva-vidas, remando para longe na escuridão, sem nem olhar para trás.
Tentei gritar. Tentei dizer a verdade para ela.
Mas Sofia não quis ouvir. Ela me manteve naquele poço por três dias e três noites.
As piranhas, pequenas e vorazes, começaram a morder. Primeiro meus pés, depois minhas pernas. A dor era inacreditável, uma agonia que rasgava cada nervo do meu corpo. Elas roíam minha carne, pedaço por pedaço, dilacerando meus órgãos internos.
Eu podia sentir cada mordida, cada pedaço de mim sendo arrancado.
No final, a dor era tanta que a única saída que encontrei foi morder minha própria língua para morrer. O gosto do meu próprio sangue foi a última coisa que senti.
Mas então, eu abri os olhos.
A luz do sol batia no meu rosto. Eu estava de volta, no momento exato em que o desastre financeiro da família Silva estava prestes a acontecer. O momento que mudou tudo.
Na minha vida anterior, como filho de um magnata do café, eu usei minha mente afiada para os negócios e salvei a família Silva da ruína. Eles me agradeceram com a mão de sua filha, Sofia, em casamento.
Eu achei que era um conto de fadas. Mas era o começo do meu inferno.
Desta vez, eu não faria nada.
Minha bondade foi tratada como lixo, minha ajuda foi a razão da minha morte torturante.
Se eles queriam a ruína, que a tivessem.
Eu os deixaria por conta própria.
Um grito agudo cortou o ar de luxo do iate.
"Tubarões! Há tubarões por perto! Estamos em perigo!"
A notícia se espalhou como fogo, e o pânico tomou conta do convés. Pessoas ricas e elegantes, que minutos antes bebiam champanhe, agora corriam desesperadas, seus rostos contorcidos de medo.
No meio do caos, senti uma mão forte agarrar meu cabelo.
Era Sofia.
Ela me arrastou pelo chão de madeira polida até a amurada do navio. Seus olhos, que eu um dia achei lindos, agora queimavam de fúria e desprezo.
"Pule!" ela gritou, sua voz mais alta que as ondas. "Atraia os tubarões! Salve a todos nós!"
Eu hesitei. Meu corpo estava congelado, não de medo dos tubarões, mas da frieza dela.
Ela não esperou por uma resposta. Um chute forte atingiu minhas costas, me jogando contra a grade.
"Você é apenas um empregado! Sua vida insignificante é uma honra para salvar a todos nós!"
As palavras dela me atingiram com força. Ingratidão. Era inacreditável.
Na minha vida anterior, eu a amei à primeira vista. Arrisquei tudo para salvá-la de uma situação perigosa, e o esforço me deixou com uma doença crônica que me assombrou por anos. Eu achava que ela era gentil, uma alma pura.
Como eu pude estar tão errado?
"Soltem o Miguel!"
A voz era de João, um colega meu, um dos poucos que trabalhava de verdade neste navio.
"Ele nos salvou de um tufão antes, ele pode nos salvar de novo!" João gritou para a multidão.
A multidão, desesperada por um salvador, começou a se agitar. Alguns rostos se viraram para mim, com um pingo de esperança.
"Assuma o controle, Miguel!"
"Nos diga o que fazer!"
Eu balancei a cabeça lentamente, olhando para o mar revolto.
"Não há salvação", eu disse, minha voz calma e fria. "O navio vai afundar."
Sofia soltou uma gargalhada alta e debochada.
"Viram? Um serviçal fingindo ser herói! Vocês são uns tolos de acreditar nisso!"
Ela zombou de mim, cuspindo no chão perto dos meus pés. Então, ela se virou e abriu caminho pela multidão, trazendo um homem alto e arrogante pela mão.
Era Pedro.
"Meu Pedro é o único que pode nos salvar!" ela anunciou, como se apresentasse um rei.
Pedro ergueu o queixo, aproveitando a atenção. Mas a multidão, agora cética, duvidou.
"E por que deveríamos acreditar em você?" alguém gritou.
Sofia fuzilou o homem com o olhar.
"Porque Pedro é filho de um magnata do café! Seus cegos, não reconhecem o verdadeiro salvador quando o veem?"