Capítulo 1 Coloquei a faca no peito do desgraçado e ele, finalmente, parou de lutar. Era raro eu estar no meio de um tiroteio causado por uma cobrança de dívida, mas aquela luta, eu não perderia por nada. Um dos idiotas da família Camargo tinha destruído uma barraca de cachorro-quente que ficava na praça em um dos bairros mais humildes da cidade. Música alta e perturbação da paz ou não, quem decidia o destino dos trabalhadores era eu. Em vez de se rebaixarem e pedirem minha ajuda, os babacas resolveram fazer justiça com as próprias mãos.
Foi uma carnificina e, como tudo na vida tinha um retorno, eu fui aquele que entregou a tempestade que eles plantaram. A esposa do homem que estava fazendo apenas o seu trabalho veio oferecer seus serviços e fidelidade em troca de vingança. Ela não precisou narrar toda a história para que eu me revoltasse e levasse aquele acontecimento como uma afronta ao meu poder. Nem os traficantes tinham coragem de decidir quem deveria morrer, sem antes me consultar. Em Lumaria, eu era a força que estava no submundo, mas que fazia a engrenagem na cidade funcionar. Criei o meu império de forma inescrupulosa e aqueles que me respeitavam viviam em paz, graças a mim. Por isso, quando percebi que uma pessoa fora assassinada sem a minha autorização, segui com meus soldados em quatro carros até a casa do defunto. Estávamos fortemente armados e nada nos pararia até que a última gota de sangue fosse derramada. Invadimos a casa e matamos todos. O último estava aos meus pés, sua vida tinha sido ceifada pela minha faca e pela força da minha irritação. Olhei ao redor, para conferir as minhas baixas. Poucos dos meus subordinados se perderam, porque eu os treinava tão bem quanto eu mesmo. - Pegue os nossos, queime a casa e avise a polícia. Sem perturbação, quero esse assunto encerrado. - Encarei Douglas, meu braço direito e homem de confiança. - Sim, Senhor. Todos pararam de se mover dentro do cômodo quando um choro de bebê soou. Franzi a testa e conferi os mortos, eu não matava mulheres e crianças, a não ser que elas estivessem armadas e atentassem contra a minha vida. - Que porra é essa? - questionei, irritado, porque eu mataria aqueles idiotas pela segunda vez se envolvessem inocentes nessa emboscada. - Vou verificar os quartos. - Não, Douglas, eu vou - ordenei seco. Tirei minha arma do coldre, pulei um corpo no chão e fui seguindo pelo corredor, em direção aos quartos. Sabendo que eu precisaria de apoio – mesmo que não o tenha solicitado –, caso houvesse mais da família Camargo, senti a presença de dois soldados às minhas costas. Abri a porta do primeiro quarto e o choro de bebê aumentou. Não havia ninguém no cômodo e esperei os dois que me acompanhavam atestarem o que eu já tinha identificado. Fizeram a incursão, conferiram os cantos e não acharam nada. - Tudo limpo, Senhor De Leon - um deles falou. Na segunda porta aberta, nem me dei ao trabalho de checar se o corpo estirado no chão era de uma vítima abandonada. Filhos da puta, eles não eram fiéis nem aos seus familiares. Aquela morte não tinha sido causada por um dos nossos, mas pelos Camargo. - É uma mulher mais velha - o soldado comentou, se agachando e verificando a pulsação. Aquela cena me embrulhava o estômago e ampliava minha raiva, nenhuma mulher indefesa deveria ser tocada. Segui meu instinto e fui até a porta mais ao fundo, em que tinha o choro de bebê mais forte. Escancarei a porta, apontei a arma para todos os lados e ignorei os corpos de duas mulheres no chão, abraçadas. Depois descobriria quem elas eram, mesmo que isso não me importasse. Estavam mortas e eu iria cobrar seus assassinos a sangue frio no inferno.
Fui até o berço, que estava do lado das vítimas, e encontrei uma boneca pequena, com roupa branca, ela remexia os braços e pernas. Não, porra, era um bebê! Guardei a arma, estiquei-me para frente e hesitei antes de tocá-lo. O que eu estava fazendo? - Senhor De Leon? - Douglas chamou e o ignorei. - Tudo limpo e os nossos já foram recolhidos. - Tem um bebê - atestei com raiva. - Sim, reconheci pelo som. Vamos embora, vou botar fogo nisso tudo. - O quê? - Virei-me para o homem que me representava em vários momentos. O braço direito estava falando merda e, assim que o encarei, ele se encolheu. - Não foi isso que o senhor pediu? - Tem a porra de um bebê dentro da casa! - gritei e o bebê chorou mais. - Como vai explodir essa casa com alguém vivo dentro? - Ah, tudo bem. - Ele suspirou e se aproximou. - Eu levo a criança para um abrigo e tudo resolvido. - Não! Antes que ele se aproximasse do berço, meu instinto de proteção tomou conta. Peguei o bebê no colo, segurei-o de qualquer jeito, mas parecia encaixado no meu corpo. Rosnei para Douglas, que recuou com os braços para cima, em rendição. Era um Camargo, aquele bebê não merecia o meu respeito, por ter sangue de hipócritas que disputavam o poder comigo, mas era meu. Espólio de guerra ou apenas uma necessidade de ter um herdeiro, mesmo que nunca tenha pensado em trazer um filho para esse mundo. Eu era egoísta demais para dividir as minhas conquistas com outra pessoa. O bebê diminuiu o choro de sofrimento, as lágrimas em seu rosto calaram minhas dúvidas e a decisão tinha sido tomada antes mesmo que eu a proferisse. - Senhor? - Douglas chamou atenção. - Podemos ir? - Descubra quem são essas mulheres, queime tudo e mande um aviso para os outros Camargo. Estou com o bebê e, agora, ele é meu. - Mas... Passei por ele, depois pelos outros soldados e saí daquela casa, que se tornaria cinzas em algumas horas. Com passos firmes e determinados, andei pelo quintal da frente e fui para a calçada. Entrei no banco de trás do meu carro, impedi que outros soldados viessem comigo e admirei aquele pequeno pedaço de gente em meu colo. Era apenas um bebê. Quem seria a mãe e qual o motivo da família Camargo deixar que algo tão precioso ficasse de fácil acesso para o rival? Se eu fosse tão inescrupuloso quanto eles, teria eliminado o herdeiro do inimigo, mas o estava roubando para mim. Meu filho. - Para onde vamos, Senhor? - o soldado, que estava atrás do volante, perguntou com cautela. - Para o apartamento do Caminho Dourado - ordenei, balançando o bebê nos meus braços por instinto. Os olhos dele encontraram os meus, mesmo no escuro, e me identifiquei com o pequeno ser. - Oi. - Sim, senhor? - o soldado reagiu ao cumprimento que não foi direcionado a ele enquanto dirigia o carro. Ignorei o intrometido, minha conversa era com aquela criatura. - Quem é você? - Trouxe o bebê para próximo do meu rosto e inspirei seu cheiro. O sorriso bobo que queria surgir se transformou em indignação, quando identifiquei o aroma. Leite. Porra! Ele ainda devia estar dependendo do leite materno. - Precisamos achar a mãe desse bebê! - Encarei meu soldado pelo retrovisor.
Co-como, Senhor? - Ele está cheirando a leite. Precisa da mãe para terminar de o amamentar. Veja com Douglas, ele irá verificar se alguma das mulheres mortas é a mãe. - Mas... mulher morta não pode amamentar. - Se eu não estivesse com a mão ocupada, iria acertar uma bala na sua cabeça, idiota. - O soldado se encolheu. - Ache a mãe. Senão, quero um peito que produza leite. Ofereça dinheiro, faça o que for necessário, eu preciso de uma mulher para alimentar esse bebê sem se preocupar com outro. Meu herdeiro vai ter o melhor, começando pela cuidadora.
- É seu filho? - Sim e morrerão todos os que disserem o contrário. Pode espalhar a informação. Ele engoliu em seco, eu relaxei e admirei o meu filho. Meu. Herdeiro. Eu só não esperava que minha vida estivesse prestes a sair do meu controle no momento que me aceitei como pai. Capítulo 2 Deitada na maca, com os olhos cheios de lágrimas, eu experimentava uma dor pior do que a do parto. A tristeza era a minha companhia há meses, mas não imaginava que eu poderia chegar em um nível mais obscuro da infelicidade. Eu queria matar Ricardo. Eu imaginava o homem que deveria estar ao meu lado e sofrendo comigo dando pulos de felicidade, porque não precisaria lidar com a pensão alimentícia de um bebê que não era desejado por ele. Tudo mudou naquele dia fatídico. O idiota que interrompeu nosso jantar de aniversário de namoro. Estávamos planejando o casamento, por mais que ele nunca tenha me pedido em noivado. Eu o coloquei como marido, para enfrentar o babaca antiquado, mas tudo foi por água abaixo. Nossa vida deveria estar mudando para melhor, a família não precisava ser formada por apenas marido e mulher, mas, no mundo dele, era assim que ele queria. Sem bebê. Fiquei grávida, Ricardo me rejeitou, até que ele saiu do meu apartamento e não me ligou mais. O doador de esperma teve a coragem de mandar uma intimação extraoficial, do escritório de advocacia dele, para a realização de um teste de DNA na criança, assim que nascesse. Filho da puta, não precisaria de mais nada disso, porque depois de quarenta e uma semanas e dois dias de gestação, em um parto normal, eu dei à luz a minha escuridão. Sem bebê e sozinha no mundo, era assim que me sentia. Meus pais, de quem me afastei por conta da depressão de ter que passar o momento mais feliz da minha vida chorando, não sabiam notícias de mim há um tempo. Tirei férias do serviço no mês passado e estava pronta para lidar com a licença-maternidade, que nunca aconteceria. Eu me sentia oca, no útero e no coração. Mais lágrimas escorreram dos meus olhos e eu só queria segurar minha bebê mais uma vez. Tomando-a em meus braços por apenas alguns segundos, os médicos a tiraram de mim e a mantiveram estável para a minha decisão final. Minha Gabrielle não tinha salvação, mas poderia se manter viva dentro de outro bebê. Entreguei minha filha sem vida para um procedimento médico, apenas para que minha raiva por Ricardo aumentasse ainda mais. Era tudo culpa dele. Eu compraria uma arma e atiraria em sua cabeça. Não! Amarraria seus braços e pernas, depois cortaria seu pau junto com o saco, com uma faca de serra cega. Os pensamentos sádicos estavam seguindo um caminho sem volta, cada um mais terrível que o outro. Eu não estava preocupada em ser julgada, o idiota pagaria por todo o mal que me causou. Ninguém sabia da minha dor. Um aborto já era dolorido demais, perder uma gestação no meio do processo, mais ainda. Ter todo o procedimento do parto, dores e desespero, para no final, perceber que fora em vão... Eu não era mais a mesma mulher. A advogada certinha que tentava fazer justiça para os menos privilegiados tinha dado lugar para a mulher que queria vingança. Matar. Da mesma forma que minha Gabrielle não pôde ter o direito de viver, eu faria o mesmo com Ricardo Camargo Lacerda. Ignorei qualquer pensamento de culpa ou sentimento de que eu tinha sido responsável por minha filha, afinal, era dentro de mim que estava sendo gerada. Foda-se minha responsabilidade, eu só estava mal por conta da rejeição do homem a quem confiei minha vida. - Senhora Sara Benildes? - Escutei uma voz masculina, mas não me dei ao trabalho de lhe dar atenção. O ódio por Ricardo se estendia para os homens em geral, eu queria que todos morressem junto com minha Gabrielle. - Hey. - Vai se foder - resmunguei, virando meu rosto cheio de lágrimas para o outro lado. Sem poder andar ou fugir, por conta da analgesia que tomei nos últimos momentos do trabalho de parto, eu estava inerte na maca, esperando o efeito passar. Sozinha. Ignorada. Rejeitada. - Se tivesse outra na maternidade, eu até iria atrás, mas eu preciso de você, ou meu chefe vai me matar. - O homem parecia ter bom humor, o que me irritou, por ele não respeitar o meu momento de dor. - Tenho uma proposta para a senhora. - Vai trazer minha filha de volta? - rosnei, virando meu rosto na sua direção e o sorriso sádico do homem me deu um calafrio.
Depende do ponto de vista. - Ergueu uma sobrancelha em desafio. - Sou Douglas. Há um bebê precisando de leite materno, sem que tenha que dividir com outro. Você é a pessoa ideal. A insensibilidade em tratar do assunto me cativou. Por causa dos meus pensamentos assassinos, quanto mais frio, mas conectada eu me sentia. As lágrimas começaram a secar e, enquanto eu encarava aquele homem desconhecido, eu ia entrando em um acordo que foderia minha vida. Destruição e sabotagem me atraíam. - O que quer dizer com isso? - perguntei, controlada. - Diga sim. Você será paga e terá uma criança para tomar do leite que será desperdiçado nas suas tetas caso não aceite. - Vai se foder. De tanto que chorei, eu devo estar seca. - Fechei os olhos em busca de controle. - Não, está vazando aí. - Tocou meu seio e avancei nele, irritada pelo toque indevido. Percebi a aproximação de outros homens enquanto minhas mãos, sem força, apertavam seu pescoço. O tal Douglas me encarava sem empatia, o típico olhar de um criminoso que não se arrependia do que fazia. - Isso é um sim? - Você... - Meu foco foi desviado para uma imagem na tela do celular, que ele tinha levantado na altura dos meus olhos. Era um bebê lindo, com uma roupa branca que me impedia de identificar se era menino ou menina. Céus, a criança era linda e, tanto quanto eu tinha me apaixonado por Gabrielle, eu queria ter aquele bebê. Era a minha segunda chance. Distorcida e irracional, esqueci pudores e bom senso, apenas acenei afirmativo com a cabeça, como resposta àquele psicopata.
Muito bem. - Ele guardou o celular, tirou minhas mãos do seu pescoço e olhou ao redor. - A enfermeira falou que você ainda precisa de trinta minutos para se recuperar da anestesia. - Quero ir agora. Me dê o bebê! - soei enérgica e o homem riu baixo. - Algumas regras, Sara Benildes. - Douglas se aproximou e ergueu um dedo. - Você está sendo contratada para amamentar um bebê. Ele não é seu. Vai receber o dinheiro no fim do trabalho ou quando o chefe decidir ser suficiente. Apenas uma empregada, isso que você será. - Eu não assinei nada. - Nem o fará. - Olhou-me da cabeça aos pés.
- No nosso mundo, palavras valem mais do que contratos impressos. Descumpra e você poderá pagar com a própria vida. - Vá à merda, eu estou morta mesmo - murmurei, infeliz. Respirei fundo e tentei me levantar, mas minhas pernas estavam dormentes. - Você, realmente, quer ir antes da sua alta? - O bebê deve estar com fome e perderemos tempo aqui, esperando a anestesia passar. - Segure o soro. - Ele tirou o saco do suporte e me entregou. Sem me avisar, pegou-me no colo e fez um movimento com a cabeça para os outros que estavam com ele. - Vamos até ele. - Pode ser uma menina - comentei, memorizando aquele rosto angelical do bebê, que se mesclava com as lembranças da minha Gabrielle. - Roupas e fraldas estão sendo providenciadas. O problema é de quem comprar errado. - Deu de ombros e caminhou comigo pelos corredores da maternidade. - Quem é você? - Douglas e não estou a seu dispor, Sara. - Idiota. Não era isso que eu queria saber. - Quem está com você nos braços sou eu, então, tenha um pouco mais de respeito - soou ameaçador. - Como você teve comigo? Eu acabei de passar mais de seis horas de trabalho de parto para não ter minha filha nos braços. Então, um louco me abordou e está me levando até outro bebê, como se um pudesse substituir o que perdi. - E você está vindo, nem precisei usar minha arma para te persuadir. Passamos pela recepção lotada, as pessoas nos encaravam, mas não impediam o nosso avanço. Havia muitos empresários poderosos na cidade e um deles estava na minha lista para ser executado, junto com Ricardo. - Minha mala e bolsa estão na enfermaria, onde eu ficaria com minha filha. Tem como pegá-la para mim? - Não sou seu empregado. - Eu estou apenas de camisola hospitalar! - Tive vontade de pular do seu colo. Ele riu baixo, como se fosse uma piada. - Reniel, pegue a bagagem da moça - ele comandou e parou de andar. - Consegue se sentar? - Não sei. Ele se inclinou e me colocou dentro de um carro confortável, com banco de couro e cheiro forte de cigarro. Suspirei com irritação ao perceber que não conseguia me manter equilibrada e Douglas me empurrou para o lado, colocou o braço ao redor dos meus ombros e me manteve firme. Inconsequente, surreal e louco. O homem poderia ser aquele que pegaria meus órgãos e me deixaria em uma vala qualquer, sem que eu pudesse voltar a falar com a minha família ou me vingar do idiota do doador de esperma. Escolhi viver de forma inconsequente, sem pensar em como minhas escolhas poderiam influenciar a minha essência. Eu queria aquele bebê. Entreguei o meu para dar a vida a outro, eu merecia ser recompensada. Acomodei-me ao lado do desconhecido e me deixei ser guiada. Nenhuma dor superaria aquela que eu havia vivenciado, eu não tinha medo de morrer e encontrar a minha Gabrielle. Sorri ao escutar a música que tocava no som do carro. Eu estava me tornando tão alucinante quanto a letra. "Não consigo encarar os fatos Estou tenso, nervoso e Não consigo relaxar Não consigo dormir, porque a minha cama está em chamas Não toque em mim, estou cheio de energia Assassino psicótico O que é isso?" Talking Heads – Psycho Killer Capítulo 3 - O que é isso? - Douglas reclamou quando me tirou do carro em seus braços. Olhei para o banco e vi o sangue, era a menstruação do pós- parto, nem eu tinha me lembrado daquilo. - Pelo que pesquisei, ainda vou sangrar de uma a duas semanas, para limpar o útero. - Segurei o soro, que já estava quase terminando. - Vai me custar caro limpar essa merda. - Aproveita e tira o cheiro de cigarro, está podre - rebati com tranquilidade, sem o encarar enquanto me levava até um elevador. - Está fazendo um rastro de sangue. Porra! - O homem começou a rir e reparei que dois outros estranhos entraram conosco. As portas se fecharam e o movimento para cima me fez sacudir. - Vocês vão limpar toda essa bagunça. - Deveria obrigar que ela recolhesse essa nojeira - um deles resmungou, me lançando uma cara de asco. - Sua mãe também te pariu e passou por isso. Espero que ela tenha tido um marido decente e pais amorosos para não se sentir a aberração do circo. Então, mais respeito. - Vou precisar de um banho - Douglas continuou suas lamúrias, me ignorando. - Também precisarei, antes de cuidar do bebê. Pegou minha mala? - Está chegando. - Bufou irritado e nos encaramos. - Você é bem bocuda. - E isso faz de mim o quê? Não precisa das minhas palavras para alimentar um bebê. - O chefe vai te matar em dois dias - um dos outros homens debochou e revirei os olhos. - Não se pode matar uma pessoa duas vezes. Os três ficaram em silêncio. As portas do elevador se abriram e saímos em direção a um apartamento. Abracei o pescoço de Douglas e reparei no rastro de sangue que eu estava deixando. Era mórbido e sem noção, mas eu até que gostava de ver o quão vivo era o fluído que saía de mim. Assim, eu chamaria atenção. Com aquele caminho de morte e vida, eu iniciaria uma nova jornada, com a mente perturbada e o coração destruído. Era daquele jeito que eu queria fazer com Ricardo. Entramos em um quarto, depois fui posta dentro de uma banheira e o idiota ligou o chuveiro gelado em cima de mim.