BRUNNHILDE
- Eu, Maximillian Kaiser, futuro Alfa do Bando Starke Krieger, rejeito você, Brunnhilde Linden, como minha companheira e futura Luna!
Aquelas palavras partiram o meu coração. E pensar que momentos atrás, eu estava feliz quando ouvi a palavra "companheira" sendo dirigida a mim.
- P-por favor, Maxi...Oh! - não pude continuar a falar, pois ele segurou meus braços e começou a me chacoalhar, enquanto eu balançava a cabeça de um lado para o outro.
- Aceite! - fiz "não" repetidas vezes com a boca, mas sem som. - Eu não posso ter uma humana fraca como você como companheira, como Luna deste Bando! Se ainda tem algum respeito e gratidão, o mínimo que pode fazer é aceitar a rejeição!
A voz rouca e penetrante de Maximillian não deixava dúvidas: ele estava furioso. De repente, ele me soltou, só que de maneira bruta e eu acabei batendo as costas na parede e deslizei pela mesma.
Olhei para cima e Maximillian me fuzilava com o olhar azul acinzentado. Ele apontou o dedo em minha direção.
- Você vai aceitar. Por bem ou por mal, mas vai!
Eu nem sei quanto tempo fiquei ali, abraçada aos meus joelhos. Aquele era o meu aniversário de dezoito anos e, por mais que eu soubesse que não era um lobisomem e jamais teria um lobo, eu sonhava com a possibilidade de encontrar alguém que me amasse, um companheiro, fosse ele humano ou lobisomem.
Quando pequena, aprendi que companheiros predestinados, ou mesmo escolhidos, se amarão e cuidarão um do outro. E, como órfã, eu desejava muito esse destino. Depois disso, descobri que eu não era como as outras crianças, eu era humana e, sendo assim, a chance de eu ser a companheira predestinada de um daqueles jovens era improvável. O mais certo é que eu encontraria o amor longe daquelas terras.
- Bru, minha nossa! - ouvi a voz de Jo, bem como os sapatos dela ecoando no piso, antes que suas mãos tocassem minhas costas e braço. - Estava te procurando. Vem, levanta. Vamos pra outro lugar e você me conta o que houve.
Aceitei a ajuda dela e, quando finalmente senti que minha voz funcionaria, eu falei.
- Ele me rejeitou.
- Ele? - a confusão de Jo deve ter passado logo, porque a senti me abraçando. - eu sinto muito, Bru! Sinto muito!
- Po-por quê? - as lágrimas voltaram a escorrer pelo meu rosto. Sentamos num dos bancos do lado de fora do pátio.
- Seja lá quem ele for, é um idiota. Esse é o motivo! - ela me virou para ela e enxugou minhas lágrimas com um lenço. Jo sempre tinha um com ela. - Você é a melhor pessoa que eu já conheci. E se ele não consegue ver isso, não consegue ser grato pelo presente da Deusa da Lua, então ele é um idiota!
Jo me levou para o carro dela, um Fiat Prêmio CS de 85, cinza. Eu sabia para onde ela me levaria: para o nosso lugar da paz, um pedacinho da floresta que rodeava o bando. Lá era calmo, sem ninguém para perturbar. O pequeno riacho que passava por ali, e os pássaros, eram os únicos sons que ouvíamos além de nós mesmas.
Vi que Jo desviou o caminho e franzi o cenho.
- Vamos passar em casa, antes. Bem rapidinho!
Não foi tão rapidinho, mas valeu a pena, porque eu a vi saindo de casa com um pacote e, pelo cuidado, podia imaginar do que se tratava.
Ao chegarmos lá, ela cantou os parabéns para mim, desejando que todas as minhas tristezas, até aquele momento, se convertessem em dez vezes mais alegrias. Jo era a melhor amiga do mundo!
- Faça um pedido!
Eu respirei fundo e fechei os olhos. Eu não pediria que Maximillian voltasse atrás e retirasse a rejeição. Meu pedido era simplesmente que eu pudesse encontrar o meu lugar nesse mundo.
Não falamos sobre a minha rejeição, eu não queria, e Jo, claro, não tocaria no assunto.
Eu cheguei naquele lugar quando ainda era um bebê, enrolada em uma manta e com um anel dentro dos panos. Na verdade, eu fui abandonada na floresta e encontrada pelos guerreiros. Diana, a Luna do Bando, cuidou de mim nos primeiros meses, chegando até mesmo a me amamentar, pois ela também tinha um bebê. Sim, o bebê era Maximillian.
Quando eu completei um ano, fui enviada ao orfanato. Eram as regras dali. Ela não podia me adotar, no entanto, aquela era uma das mulheres mais doces que já encontrei na vida. Ela sempre visitava e, até certo período da minha vida, Maximillian e eu éramos muito juntos, quase como irmãos. Não nego, ao saber sobre companheiros, eu torci para que fosse ele, pois era o menino mais bonito, corajoso e gentil que eu já tinha conhecido. O futuro Alfa em nada se parecia com aquele garotinho, agora.
Aos doze anos, Diana me entregou o anel que foi encontrado comigo. Uma pedra avermelhada, mesclada com amarelo descansava bem no centro, grande e imponente. Talvez meus pais tenham pensado que aquilo era pagamento para quem me encontrasse e pudesse cuidar de mim. Eu criava muitas possibilidades, quando mais nova.
Quando Diana faleceu, foi quando tudo mudou. Enquanto ela vivia, ninguém se atrevia a me maltratar, pois sabiam que ela me protegeria. E isso incluía Maximillian que, quando completou treze anos, intensificou seus treinos e passou menos tempo com a mãe. Eu via no olhar dele como ele se ressentia por ela ser tão próxima a mim.
De dois anos para cá, minha vida se tornou um inferno. Se não fosse por Jo e pela mãe dela, Amália, a diretora do orfanato, eu nem sei o que teria sido de mim, ainda mais com Larissa Stuart e o grupinho dela me atormentando. A mim e a Jo, só porque ela andava comigo.
- Bru, temos que voltar.
Eu suspirei e, então, me dei conta de algo. Eu estava completando dezoito anos. Quando um dos residentes do orfanato chegava a essa idade, havia dois caminhos: trabalhar lá ou sair.
- O que foi? - Jo perguntou.
- Jo, você acha que a sua mãe pode me contratar para algo? Mesmo que para limpar o chão?
Entramos no carro.
- Do que está falando, Bru?
- Eu não posso permanecer no orfanato por muito mais tempo. Você sabe disso.
Jo revirou os olhos e deu partida no veículo.
- E daí? Você sabe que vai morar conosco, por quanto tempo quiser. Não precisa trabalhar limpando chão. Pode se preparar para algo melhor.
Chegamos na casa de Jo e Amália já estava lá, com um sorriso imenso. Ela me abraçou, me beijou, desejou feliz aniversário e olhou para as escadas.
- Por que não sobe e vê o seu presente?
BRUNNHILDE
A primeira coisa que pensei foi: Maximillian estava ali? E então, balancei a cabeça. Ah, por favor! Tantas coisas que eu poderia receber de presente, e eu estava desejando quem tinha me rejeitado? Eu tinha que ser mais forte!
Era mais fácil falar do que fazer.
Suspirei e subi as escadas, meu coração batendo loucamente. Abri a porta do quarto de Jo e, para a minha surpresa, havia outra cama ali. Eu franzi a testa e olhei para trás. Jo e Amália estavam ali, sorridentes.
Amália deu um passo adiante e me estendeu um envelope.
- Chegou semana passada, mas eu queria entregar hoje, no seu dia! - ela mordeu os lábios enquanto eu abria o envelope e tirava lá de dentro um papel. Um documento.
"CERTIDÃO DE ADOÇÃO"
Olhei para as duas mulheres à minha frente, mas não por muito tempo, já que a minha visão ficou turva. Seria mesmo possível?
Jo foi a primeira a pular em cima de mim, quase me fazendo cair. Depois, Amália.
- Você é, oficialmente, uma Stein! - Amália me abraçou muito forte. - Eu deveria ter feito isso há muito tempo, mas ainda pensei que os seus pais biológicos poderiam voltar - ela se afastou de mim, apenas para poder me olhar nos olhos. - No meu coração, você sempre foi a minha filha!
Descemos e Amália foi cozinhar, junto com Jo. Elas me proibiram, terminantemente, de ajudar. Eu era a aniversariante e merecia ser servida!
Eu agradeci, claro, e fui para a sala. Porém, uma vez sozinha, minha mente voltou a pensar que algo faltava.
Senti algo estranho, como se alguém me observasse, e levantei a cabeça, para a porta de vidro que dava para a parte de fora da casa. Minha visão, claro, não era como a dos lobos, mas eu podia jurar que tinha um deles entre as árvores, olhando para nós.
Não sei se era a minha mente pregando peças, porém, aqueles olhos âmbar me lembraram os do lobo de Maximillian, Theo.
Ouvi um barulho atrás de mim e era Jo, com um copo de refrigerante para mim. Ela olhou pela janela e franziu a testa.
- Acho que tinha um lobo aí fora. Ou tem, não sei.
- Ele já se foi. - ela pareceu querer dizer mais, porém, não o fez. Em vez disso, sorriu para mim.
- Jo, você acha que se eu não aceitar a rejeição, ele e eu permaneceremos unidos?
Jo sentou-se no braço do sofá e passou o braço pelos meus ombros.
- Não sei, porque você é humana, Bru. Porém, se funcionar como funciona para nós, pense bem se quer realmente permanecer ligada a esse macho - Jo me olhou seriamente.
- Como assim? Você acha que, se ele aparecer, se falar comigo de novo, eu devo aceitar?
Ela inspirou fundo.
- Eu não posso te dizer o que fazer, posso apenas te dizer que você deve pensar se vale a pena insistir em uma relação com alguém que não te quer. Alguém que te rejeitou e te deixou chorando, não, aos prantos, no meio do colégio. E eu vi as marcas de dedo nos seus braços. Acha que merece isso?
Eu sabia que ela estava certa, mas ainda assim, depois de ter sonhado tanto com aquilo, aceitar uma rejeição era difícil. Ele deveria ser meu par perfeito, pois nossa ligação foi escolhida pela Deusa da Lua. E eu, francamente, comecei a duvidar disso. Podia a deusa errar?
Jo beijou a minha testa.
- Eu te amo e te desejo o melhor. Não aceite menos do que ser amada, Bru.
O fim de semana passou e foi bom não ter que ir para a escola. Ver Maximillian seria muito doloroso. Porém, quando a segunda-feira chegou, eu não tinha mais escolha.
Jo precisou dar uma corrida até a secretaria e eu fiquei para trás. Não estava com vontade de entrar naquele prédio e, por isso, meus passos eram lentos. Ouvi um som de pneus cantando.
- Cuidado! - Ouvi alguém gritando e, em seguida, fui jogada no chão. Levantei o rosto e vi o carro de Larissa estacionando, fumaça saindo das rodas.
- Você tá bem? - Aquela voz... eu me virei e estava praticamente nos braços de Maximillian. Ele parecia buscar algo nos meus olhos, então, abaixou a cabeça e parecia me examinar.
- S-sim. Estou - apesar do cheiro dele, eu não sabia se era dele mesmo ou um perfume, estar me deixando meio zonza, eu consegui me arrastar para trás e sair de debaixo dele. - Obrigada.
Eu não queria olhar pra ele, pois eu veria aquele rosto furioso, me rejeitando e gritando comigo.
O ouvi limpar a garganta e se levantar. Eu recolhi o meu material que se espalhou pelo chão e, então, uma furiosa Jo saiu de dentro do prédio, a mochila balançando perigosamente pelo ombro dela.
- Qual é o seu problema? - ela perguntou a Larissa. Ai, não, Jo ia se meter em problemas por minha causa! Larissa não era só a garota mais bonita, mais popular do colégio e, talvez, do bando todo. Ela era a filha do Beta e sempre fez tudo o que bem entendia. Ela era como uma rainha, ali.
Eu vi Maximillian se aproximando do grupo e ficando ao lado de Larissa. Claro, ele era amigo dela.
- O meu problema é ter que lidar com gentinha nesse bando! - Larissa olhou Jo de cima a baixo e, então, se virou para mim.
- Você fez de propósito! - Jo bateu o pé no chão e eu corri para impedir que ela continuasse.
- Eu não tenho culpa se a sua amiguinha é uma imbecil que fica desfilando na frente dos carros!
- Jo, para com isso! - eu sussurrei para ela.
- Olha lá como fala dela! - Jo não parecia ter me ouvido, ou não ligou.
Larissa chegou a levantar a mão, como se fosse bater em Jo, mas Alvin se colocou na frente de Jo, olhando Larissa. Esse era o melhor amigo de Maximillian, filho do Gamma e futuro Beta do Bando.
- Calminha, Lari! Ela tem toda a razão de tá irritada!
- Vai defender essas duas perdedoras?
- Chega dessa droga! - Maximillian rosnou, usando a aura Alfa dele. Ainda que não tivesse assumido o comando do Bando, ainda, ele tinha poder sobre os outros membros. - Vamos pra aula! Não vale a pena discutir!
Larissa jogou os cabelos negros por sobre o ombro, cruzando os braços sobre o peito e soltando uma lufada de zombaria. Passou por nós, seguida de Alvin, que balançava negativamente a cabeça e sorriu com os lábios comprimidos, para mim e Jo. Maximillian olhou para mim, com o que eu poderia apenas ler como raiva e foi atrás dos amigos dele.
- Babaca! - Jo reclamou. Ela fez careta para o grupinho e me olhou. - Você tá bem, né? Quebrou algo? Precisa ir pra enfermaria?
- Só agora você pergunta? - brinquei. Vi os lábios da minha amiga enrolarem-se, prontos para um chorinho. - Eu tô bem. Vamos pra aula, antes que os professores nos deixem do lado de fora e recebamos detenção.
Fomos para a aula de Biologia e, na hora do almoço, o professor pediu para falar com Jo. eu decidi ir para a lanchonete e pegar uma mesa. Algo segurou meu braço e me puxou para o lado.
BRUNNHILDE
Minhas costas bateram na parede e, ao levantar os olhos, lá estava ele, Maximillian. O olhar dele passou pelo meu corpo, até voltar ao meu rosto.
- Você não foi à enfermaria - ele disse e eu levantei a sobrancelha.
- E onde isso é da sua conta, Maximillian?
Eu vi o maxilar dele trincar e então, ele deu um sorriso.
- Aceite a rejeição, ou o meu lobo vai ficar se preocupando com você, enquanto tudo o que eu quero é seguir com a minha vida e encontrar uma Luna que mereça o lugar!
Aquelas palavras doíam. Eu tive uma paixonite por Maximillian desde que tinha uns quatorze anos, e ele, quinze. Okay, ainda não tinha passado, mas talvez agora, que ao invés de me ignorar, estava sendo um bruto, eu finalmente acordasse!
- Por quê? - eu perguntei. - Por que eu não sirvo? Se a Deusa da Lua...
Ele segurou meu ombro e aproximou o rosto do meu.
- Você está se fazendo de idiota ou o quê? Você é humana! Isso não basta?
- Se eu sou tão inapta, por qual motivo a Deusa da Lua me escolheu para ser a sua companheira? Ela errou?
- Deve ser um teste, para ver se eu sirvo para ser o líder. Afinal, se eu deixar que você suba ao poder, o bando vai com certeza cair - as palavras, o tom, o olhar... tudo era cruel. - Você NÃO SERVE, Brunnhilde Linden! Agora, aceite a maldita rejeição!
Eu deveria, eu deveria mesmo aceitar. Porém, eu não conseguia. Alguma coisa dentro de mim me dizia para não aceitar, para esperar um pouco mais.
- Se você não rejeita por bem, vai rejeitar por mal - Maximillian estalou a língua. - Não diga que eu não avisei!
E ele saiu da sala para onde tinha me arrastado, deixando-me sozinha na escuridão.
Demorei alguns momentos para enxugar as lágrimas que teimavam em cair e finalmente saí dali. Maximillian estava errado. Eu podia ser uma boa Luna, eu podia cuidar do bando! Cresci ouvindo que a Deusa da Lua, Selene, nunca errava. E que quando um companheiro rejeitava o outro, apenas desgraças seguiam. Eu amava o bando, ainda que muitos membros não gostassem de mim, mas foi ali que cresci, foi ali que eu fui acolhida e eu não faria nada para prejudicá-los. Além disso, eu sabia que no fundo, outra razão para eu negar a rejeição era o próprio Maximillian.
Será que se eu tivesse uma loba, ela falaria comigo? Me aconselharia? E o que ela me diria? Para insistir e perseverar ou para largar de mão, de vez, aquele macho que não dava a mínima para mim?
Quando cheguei na ala de refeições, Jo acenou pra mim. Ela estava sentada em uma mesa bem ao fundo, perto das latas de lixo e, assim que me aproximei, ela parecia pedir desculpas com os olhos.
- Por que aqui?
Ela suspirou.
- Pelo que parece, todos estão com ordens para não nos deixar sentar em qualquer outro lugar. Eu tentei e fui praticamente expulsa - ela deu de ombros. - Quer ir pra área de grama?
- É melhor - peguei a bandeja e vi Jo se levantar. Eu mal me virei e a minha bandeja de comida virou em cima de mim. - Ah!
- Ops! - ouvi Larissa soltar, cobrindo a boca com a mão e dando risadinhas, ao olhar ao redor. - Não te vi no caminho.
- Então você é cega? - Jo perguntou, tirando uma toalha de rosto que ela sempre tinha uma na mochila, e entregando-a a mim.
- Eu só não vejo coisinhas insignificantes! - Larissa jogou os cabelos para trás do ombro e olhou as unhas imensas. Uma das garotas que estava com ela empurrou a bandeja de Jo para o chão. - Ai, não tenho tempo pra perder aqui. Tenho coisa melhor pra fazer e com quem fazer.
Ela passou por mim e eu cuidei de me limpar. Arrisquei uma olhada em Larissa, ainda ressentida, e a vi sentando ao lado de Maximillian, que me observava com um olhar de vitória.
- Que babaca! - ouvi Jo soltar baixo. - Ele deveria impedir que pessoas como Larissa maltratassem os outros membros do bando! Belo Alfa esse aí vai ser!
Desviei o olhar, porque como se não bastasse o desprezo dele, ainda ter que observar enquanto Larissa se esfregava nele era demais.
- Vamos logo daqui.
Jo concordou e nós saímos. Eu podia sentir os olhares dos outros lobisomens.
Já sentadas debaixo de uma árvore, Jo tirou de dentro da mochila duas barrinhas de cereal.
- Não é grande coisa, mas é melhor do que nada - ela falou e me entregou uma das barrinhas.
- Não entendo o motivo dela ser tão cruel.
- Nem todo mundo precisa de um motivo pra ser ruim, Bru - Jo deu uma mordida desgostosa na barrinha de banana. - Larissa é implicante, sempre foi. Ela gosta de ver membros mais fracos sofrerem.
Olhei para baixo. Maximillian não era de praticar bullying, que eu soubesse, porém, ele sempre passou a mão na cabeça de Larissa. Estariam eles juntos? Era esse outro motivo para ele não me querer?
Ouvi um galho quebrando e olhei. Era Alvin. Ele trazia uma sacola de papel e a estendeu para mim.
- Sinto muito por mais cedo.
- Não foi você que derrubou nossa comida e tentou nos humilhar - Jo respondeu e pegou a sacola antes de mim. - Mas aceito a comida. Obrigada.
Ele soltou uma risadinha, a covinha da bochecha esquerda aparecendo.
- Já que gosta de comer, podemos experimentar o restaurante novo que abriu.
Eu apenas observava a interação dos dois. Alvin era bonitão, com olhos grandes e amendoados e cabelos castanhos ondulados. Os dentes muito brancos, mas não de um jeito estranho.
- Não, obrigada - foi a resposta de Jo e o sorriso dele esmoreceu um pouco. - Eu não ando com quem anda com o meu inimigo.
Larissa sempre teve uma cisma com a gente e Alvin era do grupo, porque andava com Maximillian.
Alvin suspirou e assentiu levemente com a cabeça, antes de se afastar.
- Jo, eu acho que ele gosta de você.
Ela deu de ombros.
- Se gostasse, não andaria com aquela vaca! Ele nem se levantou para nos ajudar, como pode dizer isso, Bru?
Olhei para o sanduíche que ela devorava.
- Mas aceitou a comida dele.
- Ele não fez mais do que a obrigação, já que a amiguinha dele derrubou o nosso rango - Jo estendeu a sacola para mim. - Coma, vamos precisar de energia pra aguentar o restante do dia.
- Você não tem dignidade - brinquei. Como se eu pudesse falar muito, não é? Não aceitando a rejeição de Maximillian.
- Com comida, nunca.
Rimos e continuamos a comer. Jo melhorava o meu dia.
Felizmente, não tivemos problemas no restante do dia e finalmente voltamos para casa. Ajudamos Amalia a preparar o jantar e logo, estávamos sentadas em volta da mesa.
- Hmm, meninas, vocês já escolheram a roupa que vão usar para a cerimônia?
Jo e eu nos entreolhamos.
- Que cerimônia?
Amalia parou de comer.
- Como assim? A cerimônia de passagem de comando - ela sorriu como se estivesse nos lembrando. - Não acredito que esqueceram... Sábado, Maximillian será o novo Alfa. E, pelo que eu ouvi, ele tem uma Luna.