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Noites Quentes De Verão

Noites Quentes De Verão

Autor:: Beatriz Borges
Gênero: Bilionários
Anna Morais é uma modelo bem-sucedida, mas sua vida amorosa tem sido um fracasso. Depois de vários relacionamentos traumáticos, ela começa a questionar suas crenças em relação ao amor. Quando sua avó fica doente, Anna decide passar o verão no rancho de sua família para estar com ela. Lá, ela reencontra Ícaro Lykaios, o melhor amigo de seu primo e seu rival da adolescência. Ícaro é um homem frio e arrogante, mas Anna percebe que há mais nele do que ela pensava. Conforme eles passam mais tempo juntos, Anna começa a ver Ícaro de uma maneira diferente e sente uma atração crescente entre eles. Mas eles têm opiniões diferentes sobre a vida e ainda precisam superar os desafios de ter personalidades opostas. Será que Anna e Ícaro conseguirão superar suas diferenças e encontrar o amor verdadeiro juntos? Série Estações Da Minha Vida: Livro 1

Capítulo 1 A notícia

Acordei com o som do despertador, senti minha cabeça girar devido à ressaca infernal.

Às vezes ainda me pergunto qual o objetivo disso tudo, dessas festas, desse jogo de palavras e tentativas de agradar desconhecidos.

Levanto-me rapidamente e sinto a pressão abaixar, minha mão vai até a testa em uma tentativa falha de parar minha tontura.

Caminhando lentamente até o banheiro, sinto o peso em meus músculos devido às horas de dança alcoolizada.

- Você precisa dar um jeito na sua vida. – Digo olhando para meu reflexo no grande espelho do banheiro.

Apoio minhas mãos na pia e o gelo do mármore faz meus pelos se arrepiarem, analiso meu rosto encontrando maquiagem borrada e olheiras em meus olhos azuis. Desfaço a trança do meu cabelo loiro claro e entro no box em seguida.

- Anna? Onde você está? – Sua voz soa confusa.

Coloco a cabeça para fora do box e chamo alto o suficiente para que ela me ouvisse. Escuto o som do seu salto batendo em meu piso.

- Você entra na casa alheia com frequência? – A indignação em minha voz é visível.

A loira revira os olhos castanhos e se apoia na pia. Ligo o chuveiro e sinto meus músculos relaxarem com a água quente, não pude evitar o gemido de alívio.

- Não faça drama, sou sua irmã mais nova! – Sua voz sai estridente após um suspiro.

- Certo, certo. – digo sem interesse.

- Você está ignorando nossas ligações há duas semanas, a mãe e o pai estão preocupados. – Ela bufou furiosa – Vim ver se você tinha morrido ou algo assim.

Consigo ver seu olhar duro através do vidro embaçado.

- Mas pela sua cara, aposto que estava em mais uma dessas festas. – Seu comentário sarcástico vem após uma risada amarga.

- Pode não parecer, mas tenho uma vida própria. Acha que ser uma modelo é algo fácil? Eu vou a eventos porque é meu trabalho! – Minha voz soa arrogante. Suspiro tentando manter minha paciência.

Sophia suspira, algo que ela odiava eram discussões ou brigas, havia puxado o temperamento de nosso pai. A jovem estudante de veterinária balança a cabeça em negação e olha para o teto, algo que ela sempre fazia quando estava com vontade de chorar.

Algo estava acontecendo com minha irmã e por um segundo me senti culpada por não ser tão presente em sua vida.

- Sabe Anna, as coisas não estão fáceis... A vovó, ela... – Sua voz fica embargada.

Um longo suspiro sai de seus lábios e um arrepio percorre meu corpo.

- Ela não está bem. Desde a morte do tio Daniel, ela não é a mesma. Você sabe, ela ficou muito triste e se fechou para o mundo... – ela olha para seu próprio reflexo no espelho – Isso fez com que a gente não soubesse muito sobre sua saúde e agora ela está muito doente.

Um enjoo faz minha boca ter um gosto amargo e minha pele se arrepia. Sempre fomos muito próximas da vovó, ainda mais na infância. Mas de cinco anos pra cá, ela se afastou de nós. Tem nos evitado a todo custo, não gosta de falar sobre a morte trágica do tio Daniel, é como se ela tivesse morrido naquele dia.

Saber que ela estava doente fez com que meu coração ficasse apertado e a vontade de chorar se instalasse em mim.

- Eu sei que é muita coisa pra você digerir... Mas não queria que ela passasse os últimos dias dela sozinha naquele rancho. Mesmo a gente visitando ela, você sabe que não é o suficiente... – Sophia suspira antes de me olhar. – Ela sempre foi tão próxima de você, querendo ou não, você é a neta favorita dela.

Sophia anda até a porta do box e me encara por uns segundos, seus olhos estavam marejados e seus lábios trêmulos.

Como eu poderia deixar tudo pra trás e ficar com a vovó no rancho?

Um dilema moral se instalou em minha mente, eu não poderia deixar meu trabalho sem explicações mas também não poderia deixar minha avó paterna morrer sozinha.

- Eu... Eu irei dar um jeito. – Minha voz sai com mais convicção do que eu realmente tinha e isso faz minha irmã suspirar aliviada.

Saio do box e me enrolo em uma toalha, Sophia sorri timidamente para mim e beija minha testa.

- Fica bem, irmã... Vê se não some! – Ela diz antes de sair do meu banheiro.

Isso não podia ser real, a vovó morrer?

Uma sensação de desespero invade meu corpo e os soluços e lágrimas tomam conta do meu ser. Imagens de nós duas juntas na minha infância vêm à minha mente como um filme, o som da sua risada e de sua voz animada me fazem sorrir em meio às minhas lágrimas e soluços.

Passo horas perdida em um clima de nostalgia, sentindo a raiva e dor pelo destino ser tão ingrato.

Após me vestir, procuro passagens aéreas no computador.

Recebo uma mensagem de Oliver, meu chefe avisando que em breve o motorista da agência viria me buscar para o evento desta noite.

Suspiro profundamente. Com essa notícia, eu havia perdido completamente a noção do tempo. Olho em meu celular e vejo que faltavam apenas uma hora. Pulo da cama rapidamente e corro em direção ao armário, agradecendo mentalmente por ter escolhido a roupa dias antes.

Visto minha lingerie de renda preta e meu vestido tubinho da mesma cor com mangas de renda longas e aberto nas costas, coloco meu scarpin preto verniz e prendo meu cabelo em um coque.

Sempre tive facilidade em me maquiar, pelo menos não irei gastar muito tempo me preparando

para o evento. Destaco os olhos com um tom forte e passo um batom na cor natural dos lábios. Solto meu cabelo vendo-o cair ondulado em meus ombros. Borrifo Chanel nº 5 em meu pescoço e ajeito meu colar de prata que chama a atenção para o decote em "V".

Escuto a buzina tocar, saio de casa e tranco a porta, deixando a chave debaixo do tapete, ando até o Nissan Kicks azul que me esperava e sorrio para o motorista.

- Boa noite, Ítalo. – digo amigável.

Entro no banco traseiro e o vejo sorrir pelo espelho. Igor devia ter quase minha idade, ele era meu motorista na agência desde que entrei aos 18 anos, sempre foi um homem educado e gentil.

- Bom vê-la novamente, senhora Anna. Como sempre, está belíssima. – Ele diz amigável.

Sorrio como resposta e o vejo retribuir o gesto. O trajeto até o restaurante era curto, a poucas quadras de minha casa.

O carro para em frente a uma construção estilo grega, uma fila estava na porta e pessoas bem vestidas entravam no restaurante sem passar por ela. Igor abre a porta para que eu saia e dou um sorriso como agradecimento, algumas pessoas me olham e sinto minhas bochechas corarem.

- Anna Morais. – Informo ao segurança.

Ele olha a lista rapidamente e abre espaço para que eu entre.

- Anna, meu amor! – A voz de Priscila ecoa pelo salão.

Sorrio ao vê-la vindo em minha direção. Priscila era uma das modelos da agência, alguns anos mais nova que eu, mas era como uma irmã para mim. Sempre trocávamos confidências e nos ajudávamos nas sessões de fotos e desfiles.

Seus olhos pretos estavam bem maquiados e seu cabelo castanho liso estava em seu ombro esquerdo. Em suas mãos estavam duas taças de champanhe, ela me oferece uma de suas taças e eu aceito com um sorriso.

- Mon amour, esse com certeza é um dos melhores eventos que já fui. – A francesa fala com seu sotaque forte. – A comida é ótima, os homens bonitos e o ambiente lindíssimo, me sinto na Grécia antiga!

Observo a decoração grega, realmente nos leva diretamente à Grécia antiga.

A festa estava ocorrendo no salão de eventos do restaurante, muitas pessoas importantes estavam presentes, cantores, atores, influenciadores.

- Esse lugar realmente é bonito, ainda tem uma atmosfera boa. – Falei olhando ao redor.

Priscila sorri para um homem que a encarava. Algo que admirava em minha amiga era sua facilidade em conquistar as pessoas, ela sempre estava com um novo par romântico, Priscila era alguém bem liberal.

- Pelo visto você já está se divertindo. – Sorri maliciosa.

- Anna, não entendo como você não fica com ninguém nas festas, eu te acho uma tremenda gata. – Ela pisca e sorri. – É um desperdício ser tão conservadora quando se trata do amor.

Sorri envergonhada. Não sou do tipo de pessoa que fica com alguém a cada festa, não curto esse lance de casualidade. Para mim, os relacionamentos têm que ser algo a mais, como nos filmes, algo que valha a pena viver.

- Enquanto você espera seu príncipe encantado, vou lá conhecer o senhor charmoso. – Priscila fala sorridente enquanto mantinha contato visual com o homem desconhecido.

A modelo se aproxima do homem misterioso com um olhar sedutor em seu rosto delicado, ele a olha com desejo e os dois começam a conversar animadamente.

Me sento no bar e observo de longe minha amiga rir com seu acompanhante, não pude evitar de sorrir ao vê-la feliz. Peço um copo de vodka e bebo observando o jovem casal conversar animadamente.

Capítulo 2 Um encontro desagradável

Minha mente vagueia até memórias do meu último relacionamento amoroso, e isso me faz beber a vodka em um gole. Prefiro a ardência do álcool do que as memórias de uma traição traumática.

Parece que todos os meus relacionamentos terminam de forma traumática, é como uma sina. Diego, Peter, Ian, Otto... Todos eles partiram meu coração.

A cada copo de álcool que eu ingiro, mais eu penso em como a vida pode ser uma droga às vezes, na verdade, quase sempre. Parece uma piada sem graça de um ser superior que apenas me criou para ver a desgraça e se divertir às minhas custas.

Me viro em direção ao bar e sinto alguém sentar ao meu lado.

- Well, well, olha quem temos aqui. – A voz rouca soa debochada.

Sinto um calafrio na espinha ao ouvir o sotaque norte-americano tão conhecido por mim. Olho para o meu lado direito e vejo Otto usando um terno preto. Suas tatuagens no pescoço estavam parcialmente cobertas pelo tecido do terno, sua pele morena fazia contraste com seus olhos castanhos claros e seu cabelo loiro escuro.

Seu bigode tinha as pontas viradas para cima, Otto passa sua mão na ponta de seu bigode e sorri sarcasticamente. Eu o odiava intensamente, mas não podia demonstrar devido ao evento.

- Estou surpresa de vê-lo aqui no Rio de Janeiro tão cedo... – Sorrio com falsa simpatia. – Achava que você estava cuidando da empresa de seu pai e não tinha largado a carreira de fotógrafo?

Seu sorriso fica confiante. Ele sempre amou falar de seus feitos e conquistas, sabia como evitar brigas com ele. Era fácil, apenas usar seu ego ao meu favor.

- Na verdade, vim visitar a família da minha noiva. Temos uma boa notícia para dar. – Sua voz soa provocativa.

Por um segundo, fico em choque, e ele percebe isso. Seu sorriso vitorioso cresce. Noivo? Terminamos há dois meses e ele já estava noivo?

Nossa relação sempre foi conturbada. Ele dizia coisas que eu queria ouvir no início, sempre foi um homem manipulador que sabia usar sua lábia para conseguir o que queria. Ele era encantador, um homem gentil e engraçado. Sabia como fazer uma mulher feliz na cama e fora dela. Mas com o tempo, ele se tornou seco, grosseiro, cruel, rude e não me dava mais tanta atenção como antes.

Morávamos juntos, e um dia eu cheguei cedo do trabalho e o vi na cama com outra mulher, minha melhor amiga para ser específica. Ester e eu éramos amigas desde os 4 anos de idade, crescemos juntas como irmãs, e jamais pensei que algo assim pudesse acontecer. Nesse dia, minha vida mudou completamente. Ele terminou comigo em pleno dia do nosso aniversário de namoro. Desde esse dia, tenho evitado a família; sempre dizem que meus relacionamentos não vão dar certo, e eles sempre têm razão. É como se eles soubessem que nada vai dar certo em minha vida amorosa.

A vergonha me fez evitar telefonemas e visitas, mas me arrependo disso. Se não fosse por minha ausência, eu saberia que a vovó precisava de mim.

Bebo um gole do meu drink, sentindo minha garganta se fechar com as lembranças.

Vamos, Anna, não vá chorar agora!

- Pela sua reação, acho que você não sabia que a Ester e eu ficamos noivos há dois meses, você anda desinformada, my angel. – Seu deboche vem acompanhado de uma risada sarcástica.

"My angel". Ao ouvir seu antigo apelido carinhoso soando de forma tão sarcástica, sinto um embrulho no estômago.

- Não chamaria especificamente de desinformação, apenas não tenho tempo para assuntos tão triviais. – Sorrio, escondendo meu ódio.

Escuto seu resmungo e sua testa se enruga. Otto bebe um gole de seu uísque e sorri sarcasticamente.

- É uma pena não saber da última novidade. – Ele se aproxima e sorri. – Irei ter o prazer de informá-la de que Ester e eu vamos ter um bebê.

Sinto meu corpo se arrepiar e meus olhos se arregalam. Otto sorri como se saboreasse minha surpresa, movimenta seu copo, fazendo os cubos de gelo se chocarem, e ri.

- Ela está grávida de 18 semanas. – Ele volta a falar. – É extraordinário saber que vou ter meu filho, uma criança em meus braços, como sempre desejei.

Dezoito semanas? Isso são 4 meses! Sinto minhas mãos tremerem e meu copo cai no chão, se partindo com o impacto. Pessoas do bar me olham curiosas, e as lágrimas caem pelo meu rosto.

Sempre quis ter um filho, e ele sempre dizia que era algo que ele nunca ia querer... Agora está tudo claro, ele não queria ter um filho, pelo menos não comigo.

Ele apenas me usou, eu fui apenas um brinquedo para ele. Compartilhei toda minha vida, meus segredos mais íntimos, confiei nele.

Sua risada ecoa pelo bar como se ele tivesse ouvido a melhor piada do mundo. Em um único gole, Otto bebe seu uísque e bate com seu copo na bancada do bar.

- Um uísque para a jovem moça por minha conta, acho que ela vai precisar! – Otto fala com humor antes de se levantar.

Ele sorri vitorioso para mim e joga um beijo.

- Você sempre foi tão dramática e sensível, my dear. Eu nunca quis ter um relacionamento sério com você... – Seus olhos ficam escuros e um sorriso cruel surge em seu rosto. – A única coisa que me fez te aturar por dois anos foi sua caretice de querer ter um namorado. Nunca te ocorreu que um cara como eu apenas queria seu corpo?

Meu corpo treme com sua aproximação. Otto

seca minhas lágrimas com sua mão e faz uma falsa expressão de tristeza antes de rir.

- Oh, my angel, você é tão inocente... – Ele acaricia meu rosto. – Logo você, que se diz tão esperta.

Bato em sua mão, afastando-a de meu rosto. O enjoo toma conta de mim; estava me sentindo podre, inútil, burra. Apenas desejava chorar em minha cama.

- Não toque em mim, verme nojento. – Rosno entre dentes.

Um sorriso maligno surge em seu rosto, Otto ajeita seu bigode e gargalha, atraindo a atenção das pessoas ao nosso redor.

- Você realmente é muito previsível. – Ele fala com deboche. – É até sem graça provocar você.

- Não pense que você saiu ganhando nessa. – Minha voz sai fria, e um sorriso perverso surge em meu rosto. – Você sabe que sei exatamente o poder que tenho em mãos, não é mesmo?

Seus olhos ficam agitados, e ele suspira inquieto.

- Como ousa? – Ele fala entre dentes.

Otto podia ser cuidadoso, mas tinha acesso a algumas informações suas, sabia de muitas coisas de seu passado, inclusive coisas que acabariam com sua imagem perfeita, com seu relacionamento "perfeito".

Ele segura meu braço, e seus olhos ficam completamente negros.

- Não se esqueça de quem eu sou, Anna. – Sua voz soa sombria. – Não se esqueça do que posso fazer com todos que ama.

Meus olhos tremem, e sinto meu estômago doer.

- Você não ousaria... – Sussurro, sentindo meu coração acelerar.

- Pague para ver. – Otto fala com uma sobrancelha arqueada.

Puxo meu braço com força, me livrando das mãos de Otto. Ele era um verme, um monstro.

Ester surge no meio da multidão, e sinto minha cabeça girar. A ruiva me encara de cima a baixo, seu cabelo cacheado estava solto, e seus olhos castanhos brilhavam ao ver meu estado.

- Vamos, amor, você não vai ficar perdendo tempo com essa daí, né? – Ester força a voz para parecer fofa, e isso me faz sentir nojo.

Otto dá um selinho nos lábios vermelhos de Ester, e ela sorri.

Antes de se misturar à multidão, ele dá sua última cartada.

- Foi um prazer encontrá-la, my angel, devemos fazer isso mais vezes. – Otto pisca e sorri.

Sem controlar meu corpo, corro em direção ao banheiro, empurro a porta do sanitário e me abaixo. Sinto a ânsia, e toda a bebida sai do meu corpo quando meu estômago se contrai.

Limpo meus lábios com um papel e começo a chorar, sentada no chão.

Soco o chão até minhas mãos doerem, e minhas unhas cortarem a palma de minhas mãos. O ódio pela vida corre em meu corpo, a sensação de vazio e desesperança são tão grandes que me fazem querer desistir de tudo.

Grito de desespero, sentindo meu corpo cair deitado no chão frio do banheiro, e os soluços tomarem conta do meu ser.

A imagem de minha avó me ajudando a treinar para concursos de beleza e desfiles de moda vem em minha mente, a pequena Anna aos 6 anos sonhando em ser modelo e tendo o apoio de sua avó. Milhares de "nãos" recebidos, concursos e desfiles fracassados, lágrimas sendo limpas pela vovó.

Me levanto do chão, dando fim à autopiedade. Eu sempre fui forte, dei tudo para chegar onde estou, batalhei muito para conquistar minha carreira, e não seria um ex idiota que iria quebrar meu espírito. Me olho com determinação no espelho, limpo meu rosto e agradeço mentalmente a Priscila por insistir que eu comprasse maquiagem à prova d'água.

Arrumo meu cabelo e respiro fundo, ajeitando meu vestido, confiro meu hálito e faço uma careta ao sentir o cheiro de álcool.

Capítulo 3 Um homem misterioso

Saio do banheiro sentindo a determinação que estava adormecida em mim, talvez devido à quantidade absurda de álcool que consumi durante a noite.

Um garçom passa por mim, pego uma taça de champanhe e caminho em direção à varanda do salão.

Suspiro antes de tomar um gole da bebida, olho para a paisagem da praia e escuto o som das ondas.

Minha mente vagueia em pensamentos melancólicos e depressivos. A lua refletindo no mar me traz um pouco de paz em meio ao caos que toma conta da minha mente.

Sinto alguém se aproximar, olho para o lado e vejo um homem alto usando um terno azul escuro. Seus olhos pretos estão fixos no mar, e em sua mão há um copo de uísque.

- É uma bela vista, não acha? – Sua voz rouca preenche o espaço.

- Sempre gostei de praias, especialmente em noites de lua cheia. – Sorrio timidamente. – Acho que quem construiu este restaurante escolheu o local perfeito.

O homem me observa por alguns segundos, seu cabelo preto é agitado pela brisa, e ele passa a mão pelos fios lisos, o que o faz parecer ainda mais bonito.

Ele se aproxima do muro e colhe uma rosa vermelha de uma pequena roseira. Seus olhos encontram os meus, e o brilho da lua os torna sedutores.

- É um prazer conhecer uma jovem tão bela quanto você. – O misterioso homem me entrega a rosa e segura minha mão, beijando-a sem quebrar o contato visual.

Minhas bochechas coram, e um arrepio percorre minha pele quando sua mão toca meu pulso.

- Pode me dizer o nome dessa linda mulher? – Sua voz rouca parece me hipnotizar, e sinto como se meus pés não tocassem o chão.

Tomo o último gole do champanhe, e minha boca fica seca devido ao nervosismo.

- Eu... eu... – Gaguejo e suspiro. – Eu me chamo Anna.

Seu rosto é difícil de ler, sempre com expressões neutras e um olhar sedutor. Seu maxilar bem definido o torna atraente, com a barba curta, lábios volumosos e rosados que lhe dão um toque especial.

Embora a brisa esteja fria, sinto o calor percorrendo meu corpo.

Acho que observei seus lábios por muito tempo, pois agora ele sorri de forma maliciosa. Desvio o olhar para a festa e vejo Priscila dançando enquanto beija o homem misterioso. Sorrio de lado.

- Pelo visto, sua amiga está se divertindo bastante. – Ele comenta com humor. – Quer dar uma caminhada pela praia e esquecer um pouco essa festa?

O olho, e ele estende a mão com um sorriso convidativo. Aceito, segurando sua mão timidamente.

Ele abre o pequeno portão da varanda, e descemos a escada correndo. Meus saltos afundam na areia, e sem soltar sua mão, tiro meus sapatos e os deixo na escada. Corremos em direção ao mar, e ele me puxa para a água.

- Você é maluco! – Grito entre risadas. – Vamos ficar molhados!

Sua risada faz o ambiente parecer mais leve. Sem nenhum aviso, ele me pega no colo e entra no mar, molhando seu terno caro.

Minhas risadas histéricas são abafadas pelo som das ondas.

- Um pouco de água não vai nos matar. – Ele fala entre risadas. – Deveria relaxar um pouco.

Estamos claramente embriagados, agindo como duas crianças brincando na praia. Nossas gargalhadas são abafadas pelo som do mar.

Caímos no chão, e seu corpo fica sobre o meu. Sua boca está a centímetros da minha, e seus olhos me encaram com desejo.

Em um impulso de mistos de emoção, o puxo pela gola e faço nossos lábios se tocarem. Sua boca se abre, e sua língua pede passagem. Abro minha boca permitindo que ela entre. Nossas línguas se encontram, e solto um gemido ao sentir o gosto de canela. Sua língua explora minha boca com desejo, minha perna se apoia em sua cintura, e sua mão vai para minha nádega, apertando-a. Minhas mãos passam suavemente as unhas por sua nuca, e ele solta um suspiro.

Sua mão passa pela minha perna e a abre, movendo-se lentamente pela parte externa da minha coxa e apertando-a.

Céus, estou quase transando na praia com um desconhecido! O empurro, e seus olhos me encaram confusos.

- Me desculpa, eu geralmente não tenho relações casuais... – Quebro o contato visual, e minhas bochechas queimam. – Céus, eu não costumo sair por aí aos beijos com desconhecidos. Acho que devo ter bebido demais.

Ele suspira e se levanta. Nossos olhares se encontram novamente, e ele oferece a mão para que eu me levante, timidamente aceito.

- Eu entendo você, também não sou um homem de relações casuais. – Seu sorriso me tranquiliza.

Sou puxada pela cintura, aproximando nossos corpos, e seus olhos brilham com um sorriso malicioso, causando arrepios em mim.

- No entanto, não posso negar que foi bom sentir seus lábios nos meus e seu corpo em minhas mãos. – Seus lábios sussurram em meu ouvido antes de me soltar.

Corada, vejo-o andar em direção ao restaurante. Fico sem reação por alguns segundos.

Ao vê-lo subir a escada da varanda, tenho a completa certeza de que estou totalmente bêbada.

Passo as mãos em meu rosto e olho para o oceano. Que tipo de pessoa eu sou? Basta apenas uma mistura de emoções para que eu faça algo que é totalmente contra o que eu sou?

Subo a escada após colocar meu salto, o procuro pelo ambiente, mas não o encontro. Sinto uma leve curiosidade em mim, mas ela é logo apagada com a chegada da mensagem de Igor avisando que havia chegado para me buscar.

Ando em direção à saída do salão, recebendo alguns olhares curiosos por estar encharcada e com areia em meu corpo, apenas sorrio escondendo minha vergonha.

- Minha nossa, te procurei a noite inteira. – Priscila fala se aproximando, e isso me assusta. – Pelo jeito você resolveu dar um mergulho noturno.

Sua risada brincalhona faz minha bochecha corar.

- Não é isso... Tive uma noite difícil. – suspiro. – Otto apareceu aqui para jogar em minha cara toda sua vida perfeita.

Seus olhos se arregalam e uma expressão de raiva surge em seu rosto.

- Não acredito que aquele verme nojento apareceu aqui. – sua voz soa como um rosnado furioso.

- Ele ficou noivo daquela... – fecho os olhos e suspiro. – Eles vão ter um bebê.

Priscila me olha com tristeza, sua mão passa em meu ombro de um jeito protetor.

- Oh amiga... nem imagino como deve estar sua cabeça. – Ela fala com tristeza enquanto acaricia meu ombro.

- Sabe a pior parte? – ri amarga. – Ela engravidou enquanto namorávamos ainda. Ela está grávida de 4 meses.

Priscila passa a mão em seu rosto e bufa irritada tentando reprimir sua raiva, era evidente seu ódio.

- Como eu odeio esse cara! – ela fala andando de um lado para o outro. – Ele é um miserável!

As pessoas olhavam a cena curiosas, sinto minhas bochechas esquentarem e a vergonha tomar conta de mim.

- Ei, calma. – seguro seus ombros. – Vamos sair daqui, que tal?

- Não dá... você sabe que estou responsável pela recepção dos convidados e apresentação dos artistas do show da noite. – Seu olhar se torna cansado e ela suspira antes de me dar um abraço.

- Você vai se sujar! – falo nervosa. – Estou molhada e coberta de areia!

Priscila desfaz o abraço e sorri gentil, o brilho voltou ao seu rosto.

- Sempre preocupação com as pessoas. – ela aperta minha bochecha. – Você é uma fofura.

Um homem alto e elegante se aproxima de nós e fala algo baixo o suficiente para que apenas Priscila escute; Priscila concorda com a cabeça, e ele se afasta.

- Mon amour, peço desculpas. – seu sorriso cresce em seu rosto. – Mas chegou a hora de apresentar as atrações da noite.

- Tudo bem, já estava de saída. – olho a tela de bloqueio do meu celular. – Acho que a essa hora o motorista da agência já deve ter chegado.

Me despeço de Priscila e antes de sair do salão, dou uma última olhada ao redor em busca do homem misterioso, mas não o encontro.

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