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Noiva Abandonada, Vida Reconstruída

Noiva Abandonada, Vida Reconstruída

Autor:: Smoke
Gênero: Romance
No dia do meu casamento, o altar estava pronto e a música tocava. Mas o meu noivo, Pedro, desapareceu. Não foi um acidente trágil, nem uma emergência inesperada. Ele estava com a sua ex-namorada, Clara, que alegava ter sofrido um acidente de carro. Deixada sozinha no altar, com o meu vestido branco a parecer uma piada cruel, senti o olhar de pena de todos os convidados. A minha cunhada, Sofia, confessou a verdade: Pedro correu para a mulher que uma vez jurou ter superado, no dia mais importante da nossa vida. A raiva borbulhava dentro de mim, seguida por um vazio frio. Como ele pôde fazer isto? Abandonar-me para consolar uma mulher com um simples arranhão? Fui confrontá-lo ao hospital, apenas para vê-lo beijar a testa dela, com uma ternura que ele nunca me dedicou. Naquele momento, atirei-lhe o anel de noivado. «Está acabado. Não me procures mais.» Perdeu uma noiva, uma casa, uma empresa, mas ganhou a Clara. Mas, ao contrário do que ele esperava, eu não chorei. Eu decidi naquele instante que era hora de reconstruir a minha vida, mas desta vez, apenas para mim. Venderia tudo o que nos ligava e partiria para um lugar onde ninguém me conhecesse. Seria o meu novo começo. Mas será que o passado, e o próprio Pedro, me deixariam seguir em frente tão facilmente?

Introdução

No dia do meu casamento, o altar estava pronto e a música tocava.

Mas o meu noivo, Pedro, desapareceu.

Não foi um acidente trágil, nem uma emergência inesperada.

Ele estava com a sua ex-namorada, Clara, que alegava ter sofrido um acidente de carro.

Deixada sozinha no altar, com o meu vestido branco a parecer uma piada cruel, senti o olhar de pena de todos os convidados.

A minha cunhada, Sofia, confessou a verdade: Pedro correu para a mulher que uma vez jurou ter superado, no dia mais importante da nossa vida.

A raiva borbulhava dentro de mim, seguida por um vazio frio.

Como ele pôde fazer isto? Abandonar-me para consolar uma mulher com um simples arranhão?

Fui confrontá-lo ao hospital, apenas para vê-lo beijar a testa dela, com uma ternura que ele nunca me dedicou.

Naquele momento, atirei-lhe o anel de noivado.

«Está acabado. Não me procures mais.»

Perdeu uma noiva, uma casa, uma empresa, mas ganhou a Clara.

Mas, ao contrário do que ele esperava, eu não chorei.

Eu decidi naquele instante que era hora de reconstruir a minha vida, mas desta vez, apenas para mim.

Venderia tudo o que nos ligava e partiria para um lugar onde ninguém me conhecesse.

Seria o meu novo começo.

Mas será que o passado, e o próprio Pedro, me deixariam seguir em frente tão facilmente?

Capítulo 1

No dia do meu casamento, o meu noivo, Pedro, desapareceu.

A igreja estava cheia, a música tocava suavemente, e eu estava no altar, sozinha, com o meu vestido branco a parecer uma piada.

As horas passaram, os convidados começaram a murmurar, e o meu telemóvel não parava de vibrar com mensagens de pena e perguntas.

Ignorei todas elas, mas atendi a chamada do meu irmão, Leo.

A sua voz estava tensa. "Ana, onde estás? O Pedro não está aqui."

"Eu sei, Leo. Estou no altar. Onde mais estaria?"

Houve uma pausa, depois um som de algo a cair do outro lado da linha.

"Espera, o que disseste? Tu não recebeste a mensagem dele?"

"Que mensagem?" O meu coração começou a bater mais depressa, um mau pressentimento a instalar-se no meu peito.

"Ele mandou uma mensagem para toda a gente, a dizer que o casamento estava cancelado, que tinha uma emergência familiar."

Uma emergência familiar? A única família que o Pedro tinha era a sua irmã, Sofia.

E a Sofia estava sentada na primeira fila, a olhar para mim com uma expressão de falsa preocupação.

O meu olhar encontrou o dela, e ela desviou-o rapidamente, começando a mexer nervosamente na sua mala.

Naquele momento, eu soube. Soube que ela estava a mentir, que o Pedro estava a mentir, e que eu era a única que não sabia da piada.

Respirei fundo e falei para o telemóvel. "Leo, está tudo bem. Diz a todos para irem para casa. Eu trato disto."

Desliguei antes que ele pudesse protestar.

Caminhei pelo corredor, passando pelas caras confusas e piedosas dos convidados.

Parei em frente à Sofia.

"Onde é que ele está?", perguntei, a minha voz surpreendentemente calma.

Ela não me olhou nos olhos. "Ana, eu não sei... Ele disse que a avó não estava bem..."

"A avó dele morreu há dois anos, Sofia. Nós fomos ao funeral juntos."

O rosto dela ficou pálido.

"Vamos, diz-me. Onde está o meu noivo?"

Ela engoliu em seco, as mãos a tremer. "Ele... ele foi para o hospital. A ex-namorada dele, a Clara, teve um acidente de carro. Ele tinha de ir."

Clara. O nome atingiu-me como água fria.

A mulher com quem ele tinha tido uma relação tóxica durante anos, a mulher que ele me jurou que tinha superado.

"Um acidente de carro?", repeti, a incredulidade a misturar-se com a raiva. "E ele escolheu ir ter com ela, no dia do nosso casamento?"

"Ela ligou-lhe a chorar, Ana. Disse que estava a morrer. O que é que ele podia fazer?"

"Ele podia ter-me dito. Podia ter-me ligado. Podia não me ter deixado aqui, sozinha, a parecer uma idiota."

Virei-me e saí da igreja, o som dos meus saltos a ecoar no silêncio.

Lá fora, o sol brilhava, indiferente ao colapso do meu mundo.

Tirei o telemóvel e disquei o número do Pedro.

Foi diretamente para o correio de voz.

Claro que foi.

A minha mãe aproximou-se, o rosto dela uma máscara de preocupação. "Querida, o que se passa? Onde está o Pedro?"

"Ele foi-se embora, mãe."

"O quê? Como assim, foi-se embora? Para onde?"

"Para o hospital. Para a Clara."

A minha mãe ficou sem palavras, o choque evidente nos seus olhos. Ela sabia da história da Clara, das noites que passei a chorar por causa das mentiras e manipulações dela.

"Eu vou matá-lo", disse ela finalmente, a voz dela baixa e furiosa.

"Não vale a pena, mãe. Já acabou."

Naquele momento, tomei uma decisão.

Não haveria mais lágrimas. Não haveria mais segundas oportunidades.

O Pedro fez a sua escolha.

Agora, eu ia fazer a minha.

Capítulo 2

Cheguei ao hospital e perguntei na receção pelo quarto da Clara.

A enfermeira indicou-me o corredor, e eu caminhei até lá, o meu vestido de noiva a arrastar-se no chão polido.

Encontrei o quarto e parei à porta, a observar a cena lá dentro.

O Pedro estava sentado na beira da cama, a segurar a mão da Clara.

Ela tinha um pequeno corte na testa e um arranhão no braço, nada mais.

Não parecia uma mulher que tinha estado à beira da morte.

Ela estava a chorar suavemente, a olhar para ele com olhos adoradores.

"Pedro, eu sabia que virias. Eu estava com tanto medo. Pensei que ia morrer sozinha."

A voz dele era suave, cheia de uma ternura que ele raramente usava comigo.

"Shh, está tudo bem agora, Clara. Eu estou aqui. Não te vou deixar."

Ele inclinou-se e beijou-lhe a testa.

Aquele gesto, tão simples e tão íntimo, foi a confirmação de tudo.

A raiva que eu sentia desapareceu, substituída por um vazio frio e claro.

Entrei no quarto.

"Que cena comovente."

Os dois viraram-se bruscamente, os olhos arregalados de choque.

O Pedro levantou-se de um salto, o pânico no seu rosto.

"Ana! O que é que estás aqui a fazer?"

"Eu? Eu vim ver a mulher moribunda que roubou o meu noivo no dia do meu casamento. Mas parece que ela está a ter uma recuperação milagrosa."

A Clara encolheu-se na cama, a tentar parecer mais frágil.

"Ana, não é o que parece. Eu precisei dele."

"Claro que precisaste. Tu sempre precisas dele quando as coisas na minha vida estão a correr bem."

Virei-me para o Pedro, o meu olhar frio.

"Tu deixaste-me no altar. Deixaste a nossa família e os nossos amigos à espera, para vires aqui consolar esta mulher por causa de um arranhão."

"Não foi só um arranhão!", disse ele, a voz a subir. "Ela podia ter morrido! Tu não tens compaixão?"

"Compaixão?", ri sem humor. "Eu gastei toda a minha compaixão contigo e com ela nos últimos dois anos. Acabou. A minha paciência esgotou-se."

Tirei o anel de noivado do meu dedo.

Era pesado, uma mentira de ouro e diamantes.

Estendi-lho. "Pega. Podes dá-lo a ela. Talvez lhe sirva melhor."

Ele olhou para o anel, depois para mim, a confusão a lutar com a culpa no seu rosto.

"Ana, espera. Não faças isto. Nós podemos resolver."

"Resolver o quê, Pedro? Que tu vais sempre correr para ela? Que eu serei sempre a segunda opção? Não, obrigada. Eu mereço mais do que isso."

Joguei o anel para cima da cama. Atingiu a colcha com um som suave.

"Está acabado. Não me procures mais. Não me ligues. Apaga o meu número."

Virei-me para sair.

"Tu não podes fazer isto!", gritou ele atrás de mim. "Nós temos uma casa! Temos planos!"

Parei à porta e olhei para trás por cima do ombro.

"Tu tinhas planos, Pedro. Agora, tens a Clara. Espero que ela te faça feliz."

Saí do quarto e não olhei para trás.

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